Importante: Este foi meu primeiro Fanfic e, claro, minha escrita não era das melhores… ¬¬ Por este motivo, betei este capítulo, ok? Ou seja, foi escrito em 2008 e revisado em 2010 =)


A cada desilusão, um novo saber

{Por FranHyuuga}

"A história do Kaiten"

Capítulo 4

O dia amanheceu sem nuvens e o sol pairava sobre o céu azul prometendo ser um dia muito quente. Hinata já havia retornado de seu treino solitário e preparava-se mentalmente para seu treinamento com Neji. Estava ansiosa, pois não sabia o que ocorreria. Não demorou e estava diante de seu primo, mirando-o com perolados receosos enquanto aguardava suas instruções.

- Hinata-sama, após o treino de ontem acredito ser necessário melhorar seu Junken. – A voz do primo era profissional. – Começaremos com o posicionamento de suas mãos. Por favor, faça sua posição de luta.

A Hyuuga corou ao ouvir a solicitação na voz grave do primo. Ela reconheceu haver grande conhecimento em suas palavras e animou-se ao perceber que estaria realmente aprendendo. Obedeceu-o, colocando-se em posição de luta com as delicadas mãos levemente trêmulas devido ao intenso olhar que recebia. Ser analisada por um gênio não seria fácil, mas sua motivação era maior e necessitava aprender ao máximo, especialmente naquele mês.

- Hum... – Neji aproximou-se da prima com o olhar analítico. – Sua mão direita deve ficar um pouco mais baixa, para proteger o coração e seus pulmões.

- H-Hai. – Hinata abaixou sua mão lentamente, aguardando a aprovação do primo, e precisou conter a expressão surpresa ao senti-lo segurar seu braço distanciando-o um pouco de seu tronco.

- Seu braço deve ficar um pouco distante do corpo, para que possa atacar o inimigo e rapidamente voltar a proteger seus órgãos vitais. – O primo a orientava enquanto suas mãos ainda a tocavam. Ele notou o rubor na face alva de Hinata, deixando-a mais delicada, e não pôde deixar de observar que o sol reluzia sobre os cabelos negro-azulados de sua prima, deixando-os incrivelmente brilhantes. Os olhos perolados da Hyuuga expressavam insegurança, mas reluziam também certo brilho misterioso.

Neji sentiu-se incomodado por observar a herdeira desta forma. Era, no mínimo, indelicado de sua parte apreciar a beleza de sua prima que estava ali somente para aprender com ele.

A Hyuuga, por sua vez, olhava o primo atentamente. Percebera que ele ficou um pouco calado, mirando-a de forma diferente. Sentia-se angustiada com aquele silêncio, mas antes que tivesse qualquer iniciativa, a voz rouca pronunciou-se:

- Agora podemos lutar. – Ela sentiu o coração descompassado em resposta. – Quero que me ataque e se defenda tentando manter esta posição. Pronta?

Ela assentiu e ambos ativaram o Byakugan, sua linhagem sanguínea avançada. A luta se iniciou e Neji atacava a prima, que se mantinha defensiva. Ela sentia, novamente, a dificuldade em atacar. Os golpes de Neji eram muito rápidos e a cada investida o corpo feminino dava um passo para trás. Quando alcançava a parede e percebera que Neji vinha em sua direção, Hinata realizou um movimento inesperado: apoiou-se somente em uma perna e realizou um movimento de 360º com seu corpo enquanto se locomovia para o lado esquerdo do primo.

Ao terminar o movimento, mirou o tronco masculino e tentou atacá-lo com seu Junken. A expressão no rosto de Neji era surpresa; ele nunca vira um movimento como o de Hinata. Ao perceber que seria atacado sem possibilidade de defesa, protegeu-se com o Kaiten, sua defesa absoluta. A mão delicada não tocou o tronco de Neji, sendo impulsionada pelo Kaiten para trás com muita força, o suficiente para que o corpo esguio fosse lançado no ar. Antes de cair, entretanto, a Hyuuga realizou rodopios harmoniosos que a ajudaram a se equilibrar sobre o chão, escorregando um pouco, mantendo-se ainda de pé.

Neji estava surpreso e Hinata com os olhos arregalados. Nunca fizera estes movimentos em uma luta! Repentinamente, ela sentiu a dor que o Kaiten causara em seu corpo pela quantidade de chakra que a atingira e, com as mãos sobre o abdômen, exclamou um gemido abafado. Neji despertou de seu estado de perplexidade e questionou preocupado:

- Hinata-sama, você está bem? – Ela não respondeu, limitando-se a tentar conter a dor. – Vamos parar, por enquanto e...

- Não. – Ofegante, a voz suave interrompeu e os perolados encararam o primo. – Con-continuemos com o treino. M-Mas, eu gostaria que... que...

O gênio Hyuuga observava a dificuldade da prima em dar continuidade às suas palavras. Não era a dor que a impedia, mas algo mais. Ela parecia desconcertada.

- De que você gostaria, Hinata-sama?

- E-Eu... – Ela suspirou, controlando o nervosismo. – Gostaria de aprender o Kaiten, Neji-nii-san.

Estas palavras despertaram em Neji profundos sentimentos. Eram exatamente três os motivos pelos quais agora se via coberto por um misto de emoções.

Primeiro, Hinata o chamara novamente de "nii-san". Era um grande alívio sentir-se próximo dela neste momento, pois isto representava que, talvez, ela realmente não tivesse ressentimentos devido ao "incidente" no Chunnin Shiken.

Segundo, ela pedira para aprender a técnica do Kaiten com ele, um membro da Bouke, a família secundária do clã Hyuuga. Essa técnica era transmitida somente entre os membros da Souke e a prima deveria tê-la aprendido com seu pai, Hiashi, tio de Neji e líder do clã. Afinal, seria ela a herdeira desta liderança e deveria ter sido devidamente treinada por Hiashi. Mas Neji sabia que Hinata não fora capaz de aprender esta técnica. Ele escutara seu tio chamá-la de incompetente e compará-la negativamente com sua irmã, Hanabi, que tinha uma significativa diferença de idade em relação a herdeira. Seu tio decidiu não mais treinar Hinata diretamente, pois investir nela seria algo inútil. Com este ato, ele declarou oficialmente seu desprezo pelas habilidades da primogênita, transmitindo a responsabilidade de treiná-la a Kurenai. Assim, Hinata seria treinada como qualquer outra kunoichi, sem as aprendizagens próprias do clã Hyuuga, o que era certamente uma desonra a todos.

O terceiro motivo para Neji surpreender-se com o pedido de Hinata era sua própria história, quando aprendeu o Kaiten...

*Flash Back On*

- Otoo-san, por que algumas vezes não posso ver Hinata-sama treinar? – Neji questionou seu pai, Hizashi, quando tinha 4 anos. Apesar de observar os treinos da herdeira, alguns eram considerados particulares da família primária.

- Neji, ela está aprendendo técnicas que não nos cabe conhecer. – O tom de voz de Hizashi era triste e o pequeno percebeu o olhar vago do pai...

Aquele era um dia com poucas nuvens. Os pássaros voavam baixo e estavam agitados, como se anunciassem um grande fenômeno. Neji fitou o semblante sério de seu pai e compreendeu não ser o momento para lhe fazer perguntas. Queria questioná-lo sobre o motivo de não poder conhecer certas técnicas, mas preferiu calar-se para retomar o assunto em outro momento. Infelizmente, este momento jamais chegou. E nem outro qualquer. Esta seria sua última conversa com seu pai, antes de vê-lo novamente... sem vida.

Chorou muito, ignorando a vergonha em libertar suas lágrimas. Não compreendia o destino, tampouco a raiva que sentia dentro de si. O corpo forte de seu pai sobre o piso de madeira bem polido do clã deixavam-no semelhante a um objeto qualquer, esquecido pelas pessoas. A face séria era inexpressiva e estava coberta por um fino tecido. Neji sentiu que aquele não era seu pai, mas algo que o fazia lembrar-se dele. A alma, a alegria, a sabedoria e a seriedade de seu pai se foram... e o que restara era apenas aquilo, apenas um corpo.

Poucos dias depois da morte de Hizashi, o pequeno Bouke passeava pelo bosque sob os domínios do clã, pensando sobre a saudade que sentia. Ouviu, de repente, um som distante. Não conseguiu definir exatamente o que poderia ser, mas sabia vir dentre as árvores de folhagens densas que não o deixavam enxergar o que ocorria. Resolveu ver a origem dos sons e enquanto se aproximava percebeu tratarem-se de expirações ofegantes, típicas de treinos. Ouviu passos que se movimentavam sobre galhos secos e suspiros cansados. Aos poucos, percebeu que os suspiros eram agudos, femininos. E ao alcançar a origem do som, admirou-se por encontrar Hinata.

- Um... dois... ah... três... – Ela arfava enquanto falava e fazia movimentos diferentes daqueles que Neji a observava fazer nos treinos que acompanhava. Resolveu aproximar-se e deixar ser visto pela prima, que pareceu assustar-se com sua presença.

- Hinata-sama, o que está fazendo? – Questionou quebrando o breve momento de silêncio.

- E-Eu es-estava treinando, Neji-nii-san. – A resposta fluiu contida enquanto os dedos indicadores tocavam levemente um no outro.

- Sim, eu percebi. – O pequeno retorquiu um pouco irritado com a obviedade da resposta da prima. – Por que neste lugar distante e isolado? – Voltou a perguntar, interessado.

- Por-Porque tenho ver-vergonha de treinar com Otoo-san.

Neji compreendera de imediato que Hinata estava com medo que ele a dedurasse. Afinal, a herdeira não poderia andar por aí sozinha, mesmo que fosse nos domínios do clã, era possível que algo lhe ocorresse. No entanto, ele não pretendia dedurá-la. Estava curioso demais para pensar nesta hipótese. Resolveu ser direto:

- Hinata-sama, eu posso ver você treinar? Eu nunca vi estes movimentos.

Os perolados fitaram surpresos a face do primo. Ela sabia que não podia deixar Neji conhecer aquelas técnicas, porque seu pai sempre fizera questão de salientar que devia aprender estes movimentos por serem o que a diferenciavam das "demais pessoas"... O líder Souke se referia à família secundária. Entretanto, a pequena Hyuuga nunca sentiu ser capaz de ajudar Neji. Era a primeira vez que ele lhe pedia algo; era a primeira vez que os olhos do primo a miravam cheio de expectativas, como se um "não" fosse capaz de abalá-lo profundamente. Tratava-se de um pedido irrecusável.

- H-Hai, Nii-san. – Ela respondeu, satisfeita por ver o pequeno sorriso nos lábios do primo. – Se quiser po-posso lhe explicar também.

Ele assentiu contente, observando a prima com total atenção, convidativo às palavras de Hinata.

- Otoo-san disse q-que você deve tentar soltar o chackra por todo o c-corpo. Aí você move as mãos e pernas ao mes-mesmo tempo em que faz o chakra acompanhar seus movi-vimentos. Entendeu?

Hinata estava nervosa. Jamais lhe consideraram apta a oferecer explicações. Ela se sentia uma professora, tal como seu pai o era para ela durante os treinos. O primo refletia sobre cada palavra de Hinata. Antes de morrer, seu pai havia lhe ensinado muito sobre o chakra. Dizia que o controle do chakra era o mais importante para ser um bom shinobi. Agora, com as palavras da prima, achava incrível a possibilidade de soltar chakra por todo o corpo.

- Hai. – Respondeu após a explicação, mirando-a com perolados interessados.

Ainda corada, a primogênita Hyuuga colocou-se na posição de início do Kaiten. Seu pai dizia que deveria primeiramente ficar nesta pose e concentrar seu chakra no corpo todo. Era uma exigência, obviamente, muito intensa para uma criança de sua idade, mas para Hiashi era o mínimo a ser esperado da herdeira do clã Hyuuga.

Infelizmente, a pequena não sentia sequer o chakra manifestar-se em seus membros inferiores. Era capaz apenas de fazê-lo fluir vagamente em suas mãos, pois também treinava para dominar a técnica do Junken, típico da luta de punho nobre. Neji observava a prima que cerrava os olhos com força, como se buscasse ordenar ao seu chakra que circulasse por todo o corpo e não obtivesse resposta alguma.

"Eu tenho que conseguir! Não posso decepcionar também ao Nii-san!" – Ela pensou angustiada e uma cristalina lágrima que tentou segurar a todo custo rolou sobre sua face. Quando a pequena gotícula salgada alcançou o queixo, Hinata concluiu que não conseguiria. Sua vontade era sumir! Não queria abrir os olhos e encarar Neji.

- Hinata-sama... tudo bem. Essa técnica deve ser mesmo difícil. – A voz do primo era indiferente. – Vamos para a casa. Já está tarde.

Aos poucos, Hinata abriu suas pálpebras revelando perolados frustrados, mas para sua surpresa Neji não a encarava. Estava de costas para ela, como se quisesse preservá-la de sua vergonha. A verdade é que isso doía mais! Tinha mais do que certeza, agora, que Neji também a achava fraca. Sem dizer nada, enxugou a lágrima que molhou sua face, mas outras persistiam em cair, e triste ela correu em direção à mansão.

Neji ficou estático, observando-a se afastar. Detestava ver Hinata triste, mas ele não era a pessoa ideal para a consolar. Seu coração também estava quebrado e mesmo que sobre ele as pessoas tivessem muitas expectativas, fazendo questão de chamá-lo de gênio, sentia-se solitário. Ele ignorou aquele dia para não causar maior sofrimento à prima e sentiu que de certa maneira ela estava aliviada por manter o assunto em sigilo. Ambos tinham suas razões para ignorar os fatos.

A explicação da prima, entretanto, fizera Neji começar a treinar o domínio de seu chakra, buscando concentrá-lo em todo o seu corpo. Lentamente sentia que exalava uma surpreendente energia por todos os poros e era capaz de fazê-lo na posição inicial do Kaiten. Mas ainda não conhecia a técnica inteira e precisava descobri-la de alguma forma.

Quando tinha 6 anos, viu uma cena que lhe chamou a atenção. Estava no lugar errado e na hora errada para a família primária, no entanto, para ele era o lugar certo, na hora certa! Avistara seu tio demonstrando o Kaiten à pequena Hanabi, que completava 2 anos. Era incrível! Vira somente uma demonstração, saindo rapidamente do local para não ser notado. Passou a treinar distante do clã Hyuuga e poucas semanas mais tarde teria dominado por completo a defesa absoluta da família principal do clã.

Pensava orgulhoso em como seu pai reagiria se soubesse que agora aprendera uma técnica que lhe era proibida. O que diria? Lembrava-se de um dos últimos desejos manifestados por seu pai antes de vê-lo morto, poucos dias depois: "Queria que você tivesse nascido na família principal, Neji".

Ao pensar nessa frase, sorriu satisfeito, pois sentiu não haver distinções entre ele e um membro da Souke. Apenas burocracias.

*Flash Back Off*

E, agora, Hinata estava à sua frente, pedindo-lhe para aprender o Kaiten. Ela mal sabia ela que suas explicações tiveram grande influência sobre a genialidade shinobi de Neji. Percebera que este era o momento de retribuir. Não seria capaz de agradecê-la com palavras, pois não saberia escolhê-las. O melhor que poderia fazer era ensiná-la o Kaiten como ela desejava.

- Hinata-sama, vamos treinar o Kaiten.

A Hyuuga sorriu. Um sorriso sincero e carregado de esperanças. O primo não via um sorriso tão belo de Hinata há muito tempo, pois estavam um pouco distantes pelos anos em que sofreu por acreditar que a Souke era responsável pela morte de seu pai.

Sentiu certa euforia em seu interior por ser ele, naquele instante, o destinatário do sorriso de Hinata. Queria ser merecedor deste gesto, dedicando-se ao máximo para que ela aprendesse a defesa absoluta do clã Hyuuga.

Continua...


Olá, povo querido!

Oh, God... e cá estou com mais um capítulo deste Fanfic!

Estou super curiosa com a repercussão deste capítulo! rs.

A lembrança de Neji é um pouco triste, mas imagino que a Hinata não tenha ficado totalmente indiferente à dor do primo quando ele perdeu seu pai, não é?

Mesmo que o Mangá/Anime não demonstrem, acho que ambos devem ter uma história juntos! =)

E vocês?

O que acham?

Gostaram da proximidade entre os primos?

E da lembrança sobre como o gênio Hyuuga aprendeu uma das técnicas da família principal? (eu sempre me questionei como deve ter sido! rs)

AGRADEÇO DE CORAÇÃO, e muito humildemente, AOS REVIEWS QUE RECEBI!

OBRIGADA A:

Taliane: Uhuuuu! Sinto-me honrada em ter a Fic "favoritada", viu!, rs... Orbigada! Espero que no decorrer dos capítulos continue gostando!

Nyo-mila: Ebaaa! Favoritada como Fic e autora!, rs... (olhinhos brilhando!)! Obrigadaaa! Agradeço, também, o review!... Pois é! Procuro manter um ritmo de escrita da fic... pretendo deixá-la atualizada todos os dias se possível, rs. É que estou de férias e provavelmente não poderei postar com tanta freqüência. Sobre o pedido (Flash Back da Hinata!, rs...), procurarei inseri-lo assim que possível. Como pode ver neste capítulo temos + 1 lembrança de Neji... mas em conjunto com um pouco da história da Hinata. Pode deixar que não esquecerei, viu!, rs...

...VOCÊS SABEM COMO SOU...

Aceito

!Flores ou Pedras!

.Reviews.