Jagged Amber

Autora: Starjade

Tradução: Pattyyy

Capítulo quatro

Problemas

"Li? Li!"

Droga. Ele tinha quase esquecido que ela estava ali.

Quase.

Syaoran abriu a porta com um estrondo. "Quê?" Ele gritou rudemente.

Sakura ficou parada de frente para ele, a mão erguida. Ela baixou o punho lentamente e sorriu para ele, sádica. "Você nem está pronto ainda! Vai tomar um banho e coloque roupas limpas rápido!"

Syaoran queria esmagar alguma coisa, e se Sakura fosse um menino, ela com certeza já seria um montinho de carne moida no chão. Nah, montinho de carne moida seria muito bonzinho. Talvez esquartejado e escalpelado e-

"Por que diabos você fica mandando em mim?" Syaoran perguntou.

Sakura bixou a voz, dramaticamente. "Porque eu sou sua..." Ela olhou em volta cuidadosamente e disse numa voz assassina. "Sua tutora..."

Ela explodiu em gargalhadas diante do rosto confuso de Syaoran e Syaoran recuou. "Tudo bem! Só fique longe de mim!"

Sakura piscou. "Eu te encontro lá embaixo! Sua mãe está esperando lá embaixo também..." Ela olhou para ele e Syaoran grunhiu, batendo a porta na cara dela.

Sakura só estava lá há três dias e já tinha virado a vida dele de cabeça para baixo. Ela não era do tipo que desistia, não importava o quanto Syaoran a tratasse mal. Meiling estava chocada com o fato de ela ainda estar lá, e de ainda ser uma alegre bola de...sei lá, alegria!

Syaoran serrou os dentes enquanto acabava de tomar banho e vestia um jeans escuro e uma camiseta azul. A mãe dele estava do lado dela, é claro, e estava absolutamente animada por Syaoran não ter obtido sucesso em assustá-la ainda. Na verdade, ele estava conseguindo o exato oposto. Quanto mais cruel ele fosse, mais...feliz ela se tornava.

Ele desceu as escadas, garantindo que não iria segurar no corrimão para suporte. Ele sempre tentava se desafiar, ver se ele conseguia atravessar uma encruzilhada só com seus próprios sentidos. Os médicos recomendavam cachorros, bengalas ou cirurgia, mas Syaoran recusou todas as opções. Se essa era sua punição ele iria aceitá-la, encará-la e continuar seguindo a própria vida, custe o que custasse.

Enquanto ele andava em direção à cozinha, ele encontrou um pedaço de tapete dobrado e caiu antes mesmo que pudesse perceber o obstáculo.

De repente, uma mão quente o segurou e o ajudou a levantar. Syaoran soube instantaneamente quem era.

"Syaoran? Você tá bem?" Ela perguntou, a voz preocupada.

Syaoran corou e sibilou, "Sai de perto de mim! Eu não preciso da sua maldita ajuda!"

Com essas palavras pendendo entre eles como um cordão de tensão, ele puxou o braço para longe dela e continuou andando pelo corredor, dessa vez se segurando na parede. Ele preferia parecer indefeso do que precisar da ajuda dela.

Na cozinha, Syaoran foi imediatmente cercado pelo cheiro de comida sendo feita e a atmosfera morna. Ele quase relaxou ao fazer a rota familiar em direção à mesa e se acomodou na cadeira. Ele sabia que Meiling estava ao lado dele antes dela agarrar seu braço e empurrar corpo contra o dele.

"Xiao-Lang!" Meiling disse, alegremente. "Espero que tenha dormido bem!"

Syaoran lançou um olhar ameaçador, mas ela continou grudada a ele. "Aquela insuportável Kinomoto veio e disse que vocês vão pra algum lugar. Eu nunca vi a tia Yelan tão feliz!"

"Ótimo. Simplesmente perfeito." Syaoran resmungou baixinho quando sentiu Sakura entrando na cozinha.

"Bom dia todo mundo! Syaoran, come rápido! A gente sai em quinze minutos!" Ela disse, animada. Não importava o tanto que ele a torturava, ela continuava tão...ugh, alegre. Isso o deixava terrivelmente irritado.

Comendo o mais lentamente que pode, ele ficou triste ao perceber que tinha acabado, mesmo que ele tivesse levado quarenta e cinco minutos. Levantando cuidadosamente de onde estava, Syaoran reclamou, "Acabei. Faça qualquer que seja a tortura que você andou planejando."

Uma risada simpática respondeu ao sofrimento dele. "Demorou! Eu não sabia que você comia tão devagar! Vamos então, pegue seu casaco e vam'bora! Até mais tarde Yelan!"

A mãe dele, a.k.a traidora, riu. "Até mais tarde Sakura! Divirta-se Xiao-Lang!"

Syaoran encarou a mãe com frieza e seguiu seu caminho cuidadosamente para frente, pegando o casaco e se dirigindo para porta sem esperar por aquela piveta insuportável.

Ela, no entanto, seguia de perto e começou a falar como se ele fosse realmente se interessar por qualquer coisa que ela falasse. "O dia está bonito não está? Hoje eu vou tentar combinar tudo o que eu tenho que te ensinar. Nós vamos passear pelo parque e eu vou te mostrar as coisas interessantes lá e você vai ter que me dizer o equivalente em japonês. Tudo bem?"

"Olha menina, não me arraste em nenhuma caminhada estupida fingindo que eu sou uma dessas pessoa frias que precisam desesperadamente de ajuda psiquiatrica e você apereceu como um anjo pronto para me curar. Eu já aguentei toda essa merda e muito mais. Eu não preciso de você. Entendeu?"

Esperando que ela estivesse em choque, Syaoran cruzou os braços e se virou para longe dela. Talvez ela chorasse e saísse correndo. Era melhor que ela não falasse nada para mãe dele, ou-

De repente a voz dela voltou, igualmente nervosa. "Olha moleque, não vem com essa monte de porcaria pra cima de mim. Auto piedade não vai te levar a lugar nenhum e entenda uma coisa: o mundo não gira ao seu redor. Eu não to te 'arrastando em uma caminhada estupida' para que eu prove a todos que você pode ser um manteiga derretida, eu to fazendo isso porque é o meu trabalho. Eu não ligo se você é um manteiga derretida ou não. Entedeu?"

Syaoran se virou chocado. "Como é que é?"

Sakura estourou, "Agora nós vamos nessa caminhada e nó vamos no DIVERTIR!"

Chocado demais para protestar, Syaoran simplesmente foi atrás dela pela rua para o parque. Ele nunca tinha conhecido uma menina como essa. As preliminares não fizeram ela ir embora. Ele tinha que partir para artilharia pesada.

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"Agora isso é uma floreira. Diga depois de mim. Kadan."

"Cala boca."

"Chegou perto. Tenta de novo."

"Sai de perto de mim."

"Quase. Aqui. Eu vou repetir. K-a-d-a-n."

"Cala boca."

Sakura suspirou. "Você vai trabalhar comigo?"

Syaoran sorriu cínico. "Não."

Internamente ele estava bastante feliz com progresso que estava tendo. Ela estava ficando realmente frustrada e ele sabia que mais alguns 'cala boca' ela seria vencida e e voltaria para o Japão ou pra qualquer que fosse o lugar de onde ela veio no primeiro voô para longe dele.

Sakura no entanto tinha idéias diferentes. "Tudo bem. Eu quero encontrar essa garot-"

Syaoran interrompeu. "O qu...? Tem alguma coisa que você não tá me falando?" Syaoran perguntou provocando, os primeiros traços de diversão passando pelo rosto dele.

Sakura ficou em silêncio. A leve curva dos lábios dele mudaram muito sua aparência. Sakura quase pode ver alguém que era realmente fofo e bonito. Quase.

"Não idiota. Eu vou encontrar uma amiga minha hoje mais tarde e você pode vir junto. Desde que você não aja como...como...como você."

Syaora quase riu. "Uh huh. Que tal se você for e eu puder ir embora? Assim nós dois vamos ficar felizes e eu não vou mais ter que ouvir sua voz irritante!" Ele disse tudo com uma voz falsamente feliz e Sakura o encarou irritada.

"Você vem, e assunto encerrado!" Ela mandou e agarrou o braço dele, arrastando-o ao seu lado. Pela primeira vez nos quatro dias em que ela estava ali esta era a primeira vez que ele deixava Sakura encostar nele. Era um sentimento estranho e Sakura enterrou sob toda raiva e fúria que sentia por aquele menino mimado.

Ela tinha um mês e meio antes de receber a nota. Ela estava determinada a ter algum progresso com esse moleque rico e mimado. Ensiná-lo a superar a própria deficiência...de várias maneiras.

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Sakura foi até o balcão pegar um café para beber enquanto esperavam por Tomoyo. Syaoran tinha insistido em se sentar para não ser visto com ela. Deuses, ele era tão idiota!

Ela cerrou os dentes. Ele tinha resmungado e reclamado o tempo todo e um certo brilho naqueles olhos frios lhe diziam que ele estava fazendo de propósito. Maldito.

Ela respirou fundo. Ela não iria deixar que ele a atingisse. Ela olhou pela jnela para Syaoran que estava sentado sentado numa mesa no pátio externo. Ele só ficou lá, os olhos fora de foco, os braços cruzados sobre o peito. A franja dava um ar de moleque para ele, mas os olhos âmbar e a boca fria acabavm com ele. Ele parecia um homem de gelo. Um homem de gelo muito bonito, mas ainda assim um homem de gelo.

Sakura se sentiu um pouco pressionada ao se lembrar da conversa que tivera com Yelan no dia anterior. Yelan falou um pouco mais sobre o caso de Syaoran, contando sobre todas as lutas de artes marciais que ele havia ganho, o quão competitivo ele era e como ele nunca lutava com palavras mas com seus punhos. Se alguém se prendesse à sua deficiência, esse homem estava caído em segundos.

E ela queria que Sakura o tornasse...normal, como Yelan havia dito, mas Sakura não via nada de normal nele. Ele era amargo, frio, cruel e sempre a insultava.

Deus, aquelas seriam longas seis semanas.

Depois de pegar seu afé ela saiu da loja, ao dar o primeiro passo ela ouviu uma voz chamando, "Ei, coisinha bonita."

Sakura sentiu um arrepio e se virou para voz. Era um bando de tentativas de gente. Ótimo.

Ela se virou para continuar seu caminho até Syaoran, mas eles começaram a gritar. "Aonde você vai? Vem aqui! Vamo conversar, tudo bem?"

Tentando ignorar, Sakura continuou andando, ciente da cena que estava causando. Ela podia perceber que eles estavam orgulhosos do que estavam fazendo, fazendo ela ficar ainda mais vermelha.

Um deles segurou seu braço e ela ficou tentada a jogar o café na cara dele. "Por que você tá fazendo isso, vadia?" Você-"

"Licença."

Sakura pulou surpresa pela voz fria. Ela se virou e viu que Syaoran estava lá.

O outro garoto parou, espantado também, mas deu risada. Ele riu, "Olha, é aquele menino cego! Ele tá querendo arranjar encrenca comigo!"

Os outros meninos começaram a rir e vaiar e o garoto nem viu o que o atingiu. Syaoran acertou um soco no seu nariz. O silêncio pareceu envolver a cafeteria e o menino tinha sangue por toda face.

"Vai embora." Foi tudo o que Syaoran disse. O garoto cuspiu sangue nele, se virou e saiu correndo, todos os seus amigos ficara encarando Syaoran, chocados. O que era exatamente o que Sakura estava fazendo.

Assim que eles foram embora e o barulho da cafeteria voltou ao normal, Sakura sibilou, "O que foi isso?"

Syaoran voltou para mesa sem responder.

"Syaoran! Por que você bateu nele? Eu podia cuidar deles sozinha, eu não preciso de você me protegendo-" Sakura não queria falar naquilo, mas a mente dela ainda estava tendando processar o que tinha acontecido. Syaoran realmente tinha defendido ela?

Syaoran rosnou, "Eu não fiz isso por você. Eles mecheram com a Meiling também, mas eu não pude fazer nada. Agora eu fiz. Isso não teve nada a ver com você."

Com aquela expressão no rosto Syaoran saiu da cafeteria,Sakura o encarando. Ela gritou, "A nossa aula ainda não acabou!" Mas ele já tinha ido embora.

Sakura sentiu seus ossos se transformarem em gelatina e se jogou numa cadeira, abaixando o café com um suspiro. Ótimo. Ela era a pior tutora do mundo. Ao invés de encorajá-lo a ser simpático com ela, ela girou com ele e o insultou. Ela nem era mais alegre e simpática como costumava!

Mas Syaoran mechia com os nervos dela como ninguém mais conseguia. Ele tinha uma mansão enorme, uma carreira que nem exigia muita participação na escola, ele podia largar os estudos e ainda ia ter todo o dinheiro que quisesse. Ele tinha uma família que o amava e era bem famoso.

Ele tinha tudo.

Sakura tentou não comparar a vida dele com a sua. O irmão lutava para sustentá-la, mas Touya tinha que cuidar da própria família e o pai dela estava tão doente. Ele estava em um hospital e parecia tão velho e cansado toda vez que ela ia visitá-lo. Ela não tinha nenhuma carreira o interesse. Ela não faia idéia do que queria fazer. Ela tinha que ir bem na escola, ainda assim suas noats eram...não satisfatórias. Ela estava destinada a ser uma velha caquética vivendo do dinheiro do irmão.

Sakura sentiu a tristeza cobrindo seus olhos e desejou não ter pensado em todos os seus problemas naquele momento. Ela estava em Hong Kong! Vivendo em uma mansão! Por Deus, ela era uma menina sortuda e estava chorando por problemas que pareciam tão frívolos perto do de outras pessoas.

"Hey, Sakura!"

Uma voz rompeu sua linha de pensamentos e Sakura encarou os olhos ametista de alguém. Sakura sentiu seu coração ficar mais leve e se levantou da mesa com um salto e abraçou a menina com força.

"Oi Tomoyo! Graças a Deus, um rosto familiar!" Sakura guinchou. "Eu estou em Hong Kong à quatro dias e tanta coisa aconteceu!"

Tomoyo sorriu e se sentou na frente de Sakura. "Então me conte!"

Sakura sentiu um calor percorrendo por ela e começou a falar tudo para Tomoyo. Syaoran, seus problemas, a mnsão, a família Li, os problemas dela, o trabalho como tutora que parecia destinado ao fracasso.

"E agora, eu simplesmente não sei como me aproximar dele!" Sakura concluiu, frustrada.

Tomoyo sorriu gentilmente. "Sakura, dê tempo a ele. Você só chegou há quatro dias. Ele pelo menos tem falado com você, mesmo que seja pra ofender. É um começo. O progresso será lento, mas se você for insistente, se você não desistir, então você verá uma mudança."

Sakura ficou em silêncio por um tempo enquanto Tomoyo ria. "Você não pensou que assim que você saísse daquele avião ele iria te ver e do nada iria se tornar um bom menino, pronto para aprender japonês com um coração puro e gentileza saindo dele como grandes ondas?"

Sakura ficou sem graça. "Não...exatamente."

Tomoyo riu. "Bem, não vai mudar nada ficar pensando nisso. Você já viu toda diversão de Hong Kong?"

Sakura balançou a cabeça. "Ninguém me mostrou o lugar, eu conheço a vizinhança onde Syaoran mora, mas é só."

Tomoyo engasgou. "Bem, aqui está sua guia! Vamos!"

Sakura riu enquanto Tomoyo agarrava seu braço e a puxava gritando, "Primeira parada, o shopping!"

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Syaoran treinou artes marciais, desta vez atacando ferozmente com um bastão. Já era de noite e apenas algumas luzes iluminavam o caminho. Syaoran não precisava de luz, mas sua mãe parecia pensar que se ela não pudesse vê-lo ele seriasequestrado e arrastado para o outro lado do hemisfério.

Pensamentos daquela manhã estavam sempre passando pela mente dele, fazendo seus movimentos parecerem desajeitados. Ele deixou um som estranho sair pela sua garganta quando o pensamento mais frequente voltou a acometê-lo.

"Auto piedade não vai te levar a lugar nenhum e entenda uma coisa: o mundo não gira ao seu redor. Eu não to te 'arrastando em uma caminhada estupida' para que eu prove a todos que você pode ser um manteiga derretida, eu to fazendo isso porque é o meu trabalho. Eu não ligo se você é um manteiga derretida ou não. Entedeu?"

Ele gritou e deu um chute aéreo, tentando descontar toda sua raiva e frustração no ar que estava à sua volta. Então ele sentiu a presença que ele sabia que estaria ali.

Todas as noites desde que ela chegara ela se sentava nos degraus assistindo enquanto ele treinava. Era bem irritante e ele fez a mesma pergunta de todas as noites, "Dá pra você parar de me assistir? Vai embora!"

E ela respondeu como respondia todas as noites. "Eu não vou embora enquanto você não for."

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Oi povooooooo!

Uau, esse capitulo foi traduzido em tempo recorde!

Aproveitei o feriado pra dar uma adiantada e funcionou

Bem...esse capitulo saiu em uma semana, mas não garanto que o próximo saia tão rápido, mas vou tentar levar menos de um mês dessa vez.

Obrigada pelas reviews, elas são importantes pra me incentivar a traduzir mais rápido

Kissu, e até a próxima!