Olá.


O despertador tocou, acordando a garota perdida no edredom. Era uma cama bem pequena para ser de casal mas cabiam duas pessoas com conforto.

Uma batida violenta na porta fez a menina abrir os olhos para o ambiente bagunçado e pouco iluminado.

"Quê foi." Gemeu tentando parecer aborrecida, mas estava muito cedo pra isso.

"Hora de ir pra escola." A voz do outro lado da porta não era a de sua mãe, era um homem.

Mitchie nunca pensava no pai, mas não pode evitar. Tinha certeza que ter um pai era bem diferente disso, afinal, a voz seria gentil e não como se estivesse sido obrigado a isso, mas foi algo que chutou para fora da cabeça com certa facilidade.

"Tá, tá." Concordou confusa. Ainda não fazia ideia de quem era o homem, mas parecia um pouco velho demais para sua mãe.

Saiu da cama, colocando o jeans e zipando uma blusa de frio sem de importar em colocar uma camiseta por baixo.

Abriu a porta do quarto com a intenção de chegar ao banheiro no fim do corredor da casa pequena e tudo que encontrou foi caos. Não sabia como não estava ouvindo o barulho de dentro do quarto, mas talvez ainda estivesse dormindo ao se vestir.

Dois homens conversavam em tons irritados encostados um em cada lado da porta fechada do banheiro, um sem camisa e o outro com uma regata branca que marcava a barriga grande com o rosto ensaboado, fazendo a barba enquanto esperava. Um choro alto de bebê vinha do andar de baixo, junto com o barulho de louça sendo lavada enquanto uma mulher varria o tapete do corredor cantarolando baixo como se fingisse não ouvir o mundo acabando a sua volta. A porta do banheiro se abriu com um terceiro homem, quase nu se não fosse a cueca minúscula que Mitchie quase confundiu com uma de suas roupas de baixo.

Caminhou até o banheiro se perguntando onde estava e foi parada pelo homem sem camisa. O cabelo alto e grisalho.

"Ei mocinha, nem pensar." Reconheceu a voz que a chegara do outro lado da porta. "Espere na fila."

O homem de barba quase feita se trancou no banheiro enquanto o nu deslizava pelo corredor, dançando com seus fones de ouvido.

"Fila?" Franziu a testa. "Essa é minha casa. Meu banheiro. Peça para o seu amigo Papai Noel sair."

"Ah, sua mãe disse que você é possessiva." Pareceu se lembrar. "Desculpe, mas o banheiro não é só seu agora."

"Eu nem te conheço, vovô, sai da minha frente."

"Educada." Comentou. "Sua mãe comentou isso também."

Respirou fundo, fechando as mãos em punho e dando as costas para o senhor sem camisa, descendo as escadas.

"MÃE." Chamou.

"Na cozinha." Ouviu a voz cantada. Marchou até a cozinha, encontrando Connie sentada com um bebê grande no colo. "Bom dia."

"Bom dia o caralho." Jogou a toalha apoiada no ombro para cima da mesa, fazendo a mãe voltar a atenção para ela. "O que no inferno está acontecendo aqui?"

"Mitchie, eu disse que oferecia a casa para umas pessoas." Falou, aparentemente perdida na pergunta da filha.

"Você disse que ia emprestarosquartos para duas ou três pessoas no máximo." Passou a mão no cabelo, tirando a franja dos olhos com raiva. "Tem quinze pessoas vagando pela casa como se fossem deles e..."

"Não são quinze, Mitchie, por Deus." Connie se levantou, a voz mais firme, pegando a criança com ela. "São sete pessoas. Você consegue sobreviver."

"Não sei se consigo, na verdade." Respondeu sarcástica. "Minhas necessidade básicas estão sendo privadas por filas. Filas."

"Não é o fim do mundo, Mitch." Suavizou, balançando o bebê. "Vem aqui e me ajude a alimentar o... o..."

Mitchie riu falsa. "Você nem sabe o nome de quem esta dando comida." Falava como se não estivesse acreditando que isso realmente estava acontecendo.

...

Já havia se passado uma semana desde a festa do pijama de Harper e Mitchie tem fugido da despedida de Alex até agora. "Te vejo amanhã na escola" Foi o que se lembrava de Alex ter dito.

Mitchie sempre soube se misturar e nem precisava tentar para conseguir sucesso mas agora que fugia propositalmente dos olhares de Alex, acabou tornou-se quase invisível fora da sala de aula.

Via Alex a procurando com o olhar entre a pequena multidão de alunos da entrada então esperavao sinal tocar escondida atrás da escola e entrava "atrasada" na sala.

"Ei." Reconheceu a voz, erguendo o olhar com surpresa. "Descobriu meu esconderijo ou."

"Quê? Não eu..." Mitchie respondeu rápido para Jace, que terminava de abotoar a camisa jeans.

"Ah, desculpe." Desculpou-se quando chegou na gola bem costurada. "Pensei que tinha acordado atrasado e corri de qualquer jeito para o colégio. Sorte que tinha essa camisa jogada no carro, se não estria dando aula com uma regata decorada com pequenos cubos mágicos." Mitchie riu fraco pelo nariz, voltando a abaixar o olhar. "Você... você não é muito de sorrir, não é?"

Mitchie sorriu no comentário. "Problemas."

Aproximou-se do banco improvisado da menina. "Posso sentar?" Pediu e Mitchie se arrastou mais para o lado. "Ah, bem, eu tenho um grande problema também. Eu odeio ensinar. Odeio pra caralho."

Mitchie franziu o cenho, rindo baixo. "Isso é engraçado."

"Viu, achando graça do meu problema." Ri junto com a garota, apalpando o bolso do jeans. "Se importa se eu fumar?"

"Se você me der um cigarro, não, de jeito nenhum."

O homem olhou surpreso para a menina branquinha de cabelo preto. "Ok, tome." Estendeu um bastão para a garota, que pegou sem hesitar. "Sabe, dói pra colocar isso aí?" Perguntou, apontando para o lábio inferior da menina após acender ambos os cigarros.

Mitchie se confundiu na pergunta por alguns segundos mas percebeu que estava falando de seu piercing. Já era tão parte dela que esquecera existir.

"Não, claro que não." Puxou o ar com experiência, impressionando ainda mais o homem. "Você não acha que eles furam a sangue frio, não é?" Riu com diversão, mas logo parou ao silêncio. "É, você pensa." Prendeu a fumaça, soltando devagar. "Eles anestesiam a área para furar, então não dói."

"Ah." Respondeu. "Será que fico bem com um desses? Estou seriamente pensando." Colocou o beiço para fora, fazendo Mitchie rir mais uma vez.

"Legal." Mitchie falou, respirando fundo antes de continuar. "Sabe, minha mãe pensa que pode salva o mundo. Ou ela está no céu ou no inferno, e nesse momento eu estou no inferno." O homem riu discreto no tom sarcástico que a menina parecia não notar. "Temos, tipo, 20 pessoas vivendo em casa e nenhuma pagando aluguel." Mitchie balançou a cabeça pensando na mentalidade inocente da mãe. "Ok, não são 20 pessoas, são sete. Mas parecem 50."

Jace riu. "Ainda sim, sua mãe não pode ser tão ruim. Afinal, ela te fez, não foi?" Levou um tempo para Mitchie perceber a cantada, não encobrindo o quanto estranhou. "Se vocês duas forem parecidas pelo menos por fora... acho que essas 100 pessoas estão lá por um motivo bem claro."

Mitchie não conseguiu segurar a risada, ainda era desconfortável, mais Jace de alguma maneira a fez se sentir bem em algum aspecto.

Ouviu o sinal tocar. E Jace se levantou, estendendo a mão para Mitchie que aceitou sem hesitar. Ambos jogando os cigarros não terminados no gramado. "Vamos lá." O professor falou. "O diretor vai reunir os alunos da sua sala na biblioteca." Mitchie congelou no lugar, a mão dela ainda na dele também o parou. "O que?"

"Nada." Respondeu rápida. "Eu só estou fugindo de alguém."

"Ah." O olhar do homem esclareceu. "Por isso se escondeu aqui." Ele soltou os dedos quentes da mais nova. "Olha, talvez você goste disso. Você tem sempre tem a resposta dos problemas sócio-políticos que jogo para a classe, acho que deveria aparecer nessa pequena reunião." Sorriu, mas Mitchie permaneceu séria como se a resposta já tivesse sido decidida. "E não dá para se esconder para sempre, querida."

Despediu-se com pressa, seguindo para dentro da escola junto com a enxurrada de alunos.

O que no inferno tinha acabado de acontecer?, Mitchie pensou confusa.

...

Alex sentou ao lado da irmã no sofá da biblioteca, como de costume. Mitchie tinha que aparecer agora, afinal, a reunião era restrita para a classe e Alex sabia que a garota não faltava. Principalmente hoje que tinha aula de História.

"Ei." Ouviu o cumprimento baixo da voz familiar perto.

Esqueceu-se de ser discreta ao virar a cabeça na direção de Miley, a vendo conversando com Mitchie no sofá ao lado.

"Por onde você andou?" Miley perguntou para a garota sentada no braço do sofá.

"Cheguei atrasada." Mitchie desculpou-se.

"Todos os dias?" A morena ironizou.

"Tempos difíceis." Deu de ombros, cruzando os braços.

Mitchie passou os olhos pelo o murmúrio na sala apertada e congelou ao encontrar o olhar de Alex.

Droga, droga, droga, droga, droga. A cabeça de Mitchie disparou ao observar a garota se levantar e vir na sua direção.

"Mitchie." Alex chamou, colocando a bolsa no chão quando Miley se levantou para dar lugar a ela.

Mitchie quase xingou Miley em voz alta, mas o olhar divertido da morena entregou o jogo para a garota do piercing.

"Alex." Mitchie cumprimentou de volta.

"Silencio!" Mitchie nunca ficou tão grata para com Laritate quando apareceu em seu uniforme ridículo de vaqueiro gritando sua palavra tema. "Silencio, todos, silencio." Mitchie ouviu Alex suspirar sem paciência ao focar o homem. "Os reuni aqui para apresentar a proposta votada pelos professores e aprovada por mim. Uma proposta que estará sendo confiada a responsabilidade de vocês pela democracia." Mitchie franziu o cenho, confusa, e Alex quase sorriu para o ato, observando-a pela visão periférica. "Vamos abrir a vaga para Presidente Estudantil, um Líder para o Grêmio e imposto pelo direito de voto dos cidadãos de todo o colégio." Bateu as mãos alto, assustando alguns distraídos. "Mas os candidatos só podem ser do ultimo ano, por isso estou os convocando primeiro. Os candidatos terão uma semana para apresentar suas propostas e a eleição será ao final dela." Laritate parecia animado com a ideia, notou Mitchie. "Dispensados e saibam que nossa confiança está em vocês."

"Que tocante." Mitchie sussurrou para si mesmo, levantando-se com pressa.

"Ei, Mitch." Alex chamou, agarrando seu braço.

"Preciso ir." Falou com urgência, tentando evitar a menina.

"Pra onde?"

"Biblio... secretária." Mudou rapidamente o lugar,lembrando que já estavam na biblioteca. "Tirar cópias."

"Vou com você." Alex pegou a bolsa, seguindo Mitchie pelo corredor.

"Alex, onde você..." As meninas ouviram a voz de Mikayla, mas Alex empurrou Mitchie para fora da sala quando ameaçou parar.

"Sua irmã estava te chamando." Mitchie avisou.

"Eu sei." Alex suspirou. "Mas ela sobrevive."

Mitchie riu fraco, ainda negando a si mesmo que gostava da presença de Alex.

"O que achou da proposta?" Alex perguntou curiosa.

"Eu não vou entrar nisso." Foi direto ao assunto.

"Por quê?" Alex continuou, indignada. "Você adora essas coisas, é a melhor aluna da sala em todas as matérias..."

"Quase todas." Corrigiu, mas isso não parou a outra.

"E você se importa com essas coisas."

"Que coisas?"

"Desenvolvimento, qualidade, justiça."

"Ótimo, você me faz soar bem divertida."

"Qual é." Era difícil Alex não se perder no labirinto ao conversar com Mitchie. "Você gosta de política e isso não é algo ruim."

"Você gosta de política?" Mitchie parou, fazendo Alex imitá-la.

"Eu? Não." Alex respondeuconfusa.

"Exato. Você não gosta e tem amigos." Falou simples, continuando a andar.

Alex demorou um pouco para acompanhar o passo. "Eu sou tua amiga."

"Você não entendeu, Alex." Mitchie respirou fundo. "Não estou me lamentando por não ter amigos, é melhor assim, só estou colocando as estatísticas na sua mesa. Se eu não tenho amigos, não tenho contatos, se não tenho contatos, não há como ter votos."

"Mas com suas propostas você terá votos." Alex completou.

"Não, não terei votos porque não haverá propostas." Mitchie falou seca, parando novamente. "Não vou entrar nessa brincadeira, sempre fui café-com-leite e isso não vai mudar agora. Pode me deixar sozinha, por favor?"

Alex abriu a boca, mas desistiu, os olhos baixos fez Mitchie sentir-se mal mas ela tinha a anestesia.

Virou para continuar a andar e quase bateu contra o peito de Shane. "Ei, gatinha, onde você andou?"

"Cai fora, imbecil." Mitchie rolou os olhos, casada demais para a falta de massa cinzenta do amigo.

"Você deveria sair comigo." Ouviu Shane dizer.

"Shane." Sacudiu a cabeça mais confusa que nunca. "Da onde veio isso?Por Deus."

"Vamos." Shane piscou, ajeitando a gola propositalmente alta da pólo azul claro. "Prometo que te trato direito."

"Sua chance de transar comigo é a mesma de você ganhar a eleição para Presidente Estudantil, seu lesado."

"Ah é, então eu aceito o desafio." Shane puxou o sorriso pateta de sempre.

"Como assim?" Ouviu a risada débil em resposta. "Não nãonão, Shane, não quis dizer nesse sentido."

"Até mais, Torres." Se afastou acenando com o bom-humor forçado como sempre. "Te vejo na minha cama."

"Não, eu..." Tentou mas ele já estava longe demais. Respirou fundo seguindo o rapaz com pressa pelo corredor até chegar a secretária onde Shane estava debruçado sobre um papel. "O que você está fazendo?"

O rapaz de cabelos alisados ergueu os olhos para a menina. "Me inscrevendo para Presidente, não era esse o combinado?"

"Não."

"Eu vou vencer essa porra pra mostrar o quanto temos chance de dar certo da cama."

Mitchie pensou em responder ou simplesmente cuspir no rosto do menino só para expressar o nojo, mas repôs seu estado civilizado e se afastou pelo lado oposto.

"Você me ama." Mitchie ouviu e mostrou o dedo do meio para demonstrar o amor.

...

Mitchie saiu da escola sentindo que poderia derrubar uma parede com um grito,de tanta raiva.

Primeiro a mãe louca, depois ela contando os problemas para um professor, então Alex tentando convencer a si mesmo que ainda conhecia Mitchie e por fim a possibilidade clara de Shane estragar todo seu ultimo ano escolar. Deveria ter mudado de cidade quanto teve chance, mas a esperança é a ultima que morre e a primeira a te espancar.

"Mitchie, Mitchie." Ouviu a voz familiar do homem, parando de andar e se abaixando ligeiramente para focá-lo dentro do carro barato. "Ei, Mitch." Sorriu, suspirando como se estivesse correndo. "Quer uma carona? Sempre te vejo indo nessa direção e é meu caminho também, então."

"Hm, não, valeu Jace mas..."

"Ah, por favor." Pediu novamente. "Não sou um estuprador ou coisa parecida."

"Um estuprador diria isso." Mitchie respondeu, arqueando uma sobrancelha.

"É..." Jace ficou sem palavras. "Mas..."

"Quieto, Jace." Mitchie sorriu. "Abra a porta." Ele retribuiu o sorriso quando Mitchie deu a volta no carro e sentou no banco do passageiro, instruindo a direção de casa.

"Então, Presidente Estudantil, hm." Começou Jace. "Gostou da ideia?"

"É boa." Admitiu. "Mas são dois lados. 50% de chance de dar certo e os outros 50 de dar errado." Principalmente agora com Shane se escrevendo, acrescentou mentalmente.

Jace balançou a cabeça. "Tem razão. O colégio precisa de uma chance." Falou. "Você pensa em se candidatar?"

Se Mitchie estivesse dirigindo eles provavelmente tinham batido em um poste. "Não." Falou rápido.

"Mas seria legal." Jace tentou, parecia menos seguro que mais cedo mas o sorriso não caía. "O Presidente terá poder."

"Eu não ligo."

"Ah, qual é Mitch, todos ligamos para o poder."

"Não esse." Mitchie negou com a cabeça.

Eles estavam indo muito devagar, percebeu.

"Sabe, eu escrevia para o Jornal local." Começou. "Pagina política da cidade. A censura me matava mas eu enrolava bem."

Mitchie sorriu."E porque parou?"

"Eu não parei." Continuou. "Alguém me parou. Fui despedido por ser contra a maioria das medidas do governo e colocar minha opinião nos artigos. Me chamaram de socialista." Suspirou. "O que eu não sou, só pra deixar claro." Mitchie riu baixo novamente.

"Você parece." A garota confessou. "Deveria tomar mais cuidado com seus discursos."

Jace riu alto. "Eu sei, eu sei." Respondeu. "Seu comunista, filho duma puta, sai da minha empresa. Você não vai escrever pra mais ninguém. Ninguém quer ler sociologia, todo mundo quer esporte." Imitou o possível chefe, Mitchie ainda sorrindo para o perfil que prestava atenção na estrada. "Então eu decidi ficar preso em uma sala, esculpindo os profissionais do futuro."

"Decidiu." A menina repetiu e Jace a olhou de lado.

"Algo te aborrece, princesa."

"Sim." Respondeu. "Você me chamando de princesa."

Jace a acompanhou na risada. "Adolescentes não são meu forte."

"Adolescentes são idiotas."

"São." O homem concordou. "Sem ofensa."

"Não ofende." Deu de ombros. "Eu sei os fatos."

Jace pareceu pensar por um momento de silencio. "Você é diferente."

"Não faz ideia." Falou baixo. "Minha casa é essa de cor creme."

O professor abaixou para observar a casa romântica, desligando o carro. "Eu acho que você deveria se candidatar." E puxou uma folha dobrada do bolso. "Peguei uma fixa pra você. Tome."

"Por quê?"

"Não é o momento para ser modesta agora, Mitch." Falou. "Nós dois sabemos que você é a melhor."

"Isso é um elogio?" A garota sorriu, apertando a bolsa entre os dedos com mais força. "Você esta me elogiando?"

"Ah, eu elogio muitas pessoas." Brincou, ainda oferecendo o papel. "Pegue. Pense a respeito, pelo menos."

Mitchie pressionou os lábios e pegou a inscrição da mão madura mas antes que os dedos se afastarem, Jace pegou sua mão, levando até a boca e beijando-a. Foi estranho a sensação das costas de sua mão estarem roçando na barba de seu novo professor de História, mas ela sorriu.

"Obrigada." Saiu do carro, acenando.

"Eu que agradeço pela companhia." Sorriu, observando a garota colocar distraidamente o cabelo para trás da orelha enquanto entrava pela porta.

"Mãe, cheguei." Gritou sobre o som alto da televisão onde uma desconhecida assistia.

"Ei, eu te vi com o homem lá fora." A cabeça de sua mãe apareceu na porta da cozinha.

"Ele é meu professor de História." Cortou o assunto com tédio.

"Ok." Deu de ombros. "É bom vê-la com um homem. Sempre anda tão... sozinha."

"Não se acostume." Se virou para a escada. "Vou para o meu quarto."

"Ah, acho que alguém roubou a televisão de lá."

Mitchie parou no caminho, mas desistiu de brigar. Estava cansada demais.Só queria se trancar no quarto e fingir estar morta, mas ao abrir a porta viu seu receito se concretizar, havia uma pessoa em sua cama.

Talvez se fosse somente uma pessoa seria mais fácil lidar, mas não era qualquer pessoa.

"Como você entrou aqui?" Mitchie estreitou os olhos para a morena.

"Um cara estranho me deixou entrar." Alex respondeu nervosa, mas aliviada por não cedido a tentação de mexer nos pertences de Mitchie e ser pega. "Ele meio que parece com a pintura clichê de Jesus."

"Ah, por um momento esqueci aonde vivo." Suspirou cansada, jogando a bolsa no chão ao encostar a porta. "Então, o que você quer?"

"Te dar isso." Alex estendeu um papel em sua direção.

Mitchie leu "Inscrição para Presidente" escrito na parte superior.

"Você é bem persistente."

"Já me falaram isso."

"E não foi um elogio."

"É." Alex se levantou. "Já me falaram isso também."

Mitchie sorriu e Alex relaxou um pouco.

"Aqui." Mitchie desdobrou a folha que Jace lhe dera, colando ao lado da de Alex.

"Ótimo." A morena observou os papeis iguais, os colocando na cama. "Te ajudo a preencher."

"Não preciso de ajuda, Alex." Mitchie falou simples, não seca como antes.

Alex levantou o olhar da fixa para a garota, que passou a língua pelo piercing sem perceber. "Certo." Pegou a bolsa. "É, certo. Te vejo na escola." Sorriu ao sair pela porta, batendo-a com delicadeza.

Mitchie ficou no silencio por um momento. Ela não esperava que Alex realmente saísse. Olhou para as duas fixas encima da cama bagunçada, respirando fundo e chutando os tênis para fora dos pés.

A porta se abriu e Alex a fechou atrás de si quando entrou. "Olha, só pra deixar claro." Começou, contente por finalmente ter o olhar interessado de Mitchie. "Você pensa que não tem amigos porque não quer vê-los, ok. É legal estar com você quando não esta sendo uma vadia. Eu entendo que esse saco de sarcasmo e ironia seja você, mas esse olhar morto não existe. Nós nos beijamos. Duas vezes. E foi legal, foi bom, mas não quer dizer que fico pensando 'eu quero te foder' todas as vezes que tento falar contigo." Falou em um fôlego. "Deveria concorrer para Presidente porque você é a única chance daquela escola de merda."

Alex sustentou o olhar na garota, esperando uma resposta. Quase virou as costas novamente.

"Ok." Falou Mitchie. "E você deveria... ficar aqui."

Não imitou o sorriso pequeno da outra. "Obrigada."

Deixou a bolsa cuidadosamente no chão junto a de Mitchie, se sentado ao seu lado na cama.

"Realmente acha que consigo?" Alex ouviu Mitchie perguntar, insegura.

"Acho que você consegue qualquer coisa." A morena sorriu, depois apertou os olhos com força arrancando uma risada divertida de Mitchie. "Ignore o clichê e se concentre na essência."


Ficou comprido mas não acho que haverá reclamações sobre o tamanho. Eu mesmo, como leitora, amo capítulos longos rs.

Warning Sign - Coldplay

Reviews, pfr.