Capitulo Quatro


Adaptacão


Durante o tempo que eu gastei me distorcendo, para evitar criar vínculos,Eu senti você lá.


...

Sentia meu corpo ser puxado, e meus olhos arderem como se estivesse em chamas, e a cada segundo ser tragado ainda mais pela escuridão,enchia desesperadamente meus pulmões de ar, tomando fôlego para gritar, mas não importava quantas vezes eu tentasse, ninguém estava lá, a única pessoa que podia ouvir o som agonizante da minha voz, era eu mesmo, e me achava patético por isso.

Antes de ser completamente puxado, pude ver não muito longe,uma cabeleira rosa esvoaçando, e lagrimas..lagrimas que se juntavam ao seu cabelo, criando pontos de luz. Por mais que esticasse o braço, não conseguia alcançar o seu que me era estendido, consegui apenas tocar seus dedos macios e quentes e ser puxado logo em seguida.

Abri meus olhos desesperado, em busca de luz, esperei alguns instantes mas nada se iluminou, podia observar apenas a escuridão, que nos últimos tempos me acompanhava e eu não podia negar que era familiarizado a ela, mesmo a contra gosto. Limpei minha mente incinerando o resto dos flashs do sonho, ou melhor pesadelo que acabara de ter, era ridículo como meu corpo estava tenso e mais ridículo era como ele reagia a coisas patéticas como sonhos.

Apoiei meus braços na superfície macia, sentindo um desconforto em meu braço direito, mas o ignorei me levantando e encostando meu corpo na cabeceira, me sentando, Sentia o cheiro exagerado de álcool e desinfetante, característico do hospital, o que me incomodava, percebi que o quarto estava vazio, e apesar de não poder enxergar nada a minha volta, sentia o chakra de cada indivíduo mais próximo, meus sentidos estavam a flor da pele, fato pelo qual não dei muita atenção.

Deitei minha cabeça no travesseiro e fitei o que provavelmente era o teto, forcei minha memória a processar os últimos acontecimentos, mas não importava o quanto eu tentasse, nada que vinha a minha mente parecia fazer muito sentido, como se tivesse as peças de um quebra-cabeça , mas fosse incapaz de monta-lo, e isso me irritava profundamente.

Amaldiçoei quem, e o que quer que tivesse acontecido comigo, e o fracasso por não terem executado um trabalho bem feito. As lembranças da minha infância estavam lá, intactas ,e desejava que elas também não existissem, que elas também fossem apagadas, e que esse ódio e essa raiva fossem junto, o que nunca ia acontecer, claro, estava fadado a carregar essa dor em meus ombros para o resto da minha vida.

Senti um chakra familiar se aproximar, meu corpo reagiu a contra gosto, e senti, mesmo que minimamente menos entediado.

Esperei nos instantes seguintes a dona do chakra entrar no quarto, mas não escutei em momento nenhum a porta ser aberta. Forcei então um pouco a minha audição, e ouvi vozes do lado de fora.

Ela conversava com o ANBU que foi posto para me vigiar, nos últimos dias apesar de não aparecer com freqüência, toda vez antes de entrar, ela conversava com o Hyuuga, me perguntava se eram conhecidos, ou se tratavam apenas profissionalmente.

A porta foi aberta, e isso me assustou, estava perdido em meus pensamentos, que não percebi quando ela foi aberta, ouvi ela suspirar, para depois escutar o som dos seus passos. Talvez ela ainda estivesse mau-humorada desde o dia em que deixei claro que não precisava da sua ajuda, alias da ajuda de ninguém.

Nem mesmo a conversa de Naruto em seguida mudaria minha opinião sobre esses fatos, eles somente tornavam tudo ainda mais difícil.

-Como tem passado?- A ouvi perguntar, nunca entendi o porque dela se esforçar tanto para manter uma conversa.

Pensei em ignora-lá, mas respondi mecanicamente. -bem-

Esperei ela continuar a se esforçar para manter a conversa, mas ela não o fez, permaneceu em silencio enquanto tirava as suturas do meu braço, o que me surpreendeu.

Suas mãos eram ágeis mas delicadas ao mesmo tempo, quando senti o chakra ser aplicado,meu corpo inteiramente relaxou, e depois uma sonolência, apesar de estranho, era confortável.

Nunca me imaginei em uma cena como essa, nunca imaginei Sakura como uma medica. Confesso que me surpreendi, ao saber que minha vida estava em suas mãos, agora não consigo se quer associa-la a aquela garotinha irritante e fraca, me pergunto o quanto diferente sua personalidade esta, e sua aparência, se está diferente desde a ultima vez que a vi.

Ouvi sua voz fina e autoritária soar, tão diferente de como eu lembrava, ela repetiu suas palavras mais um vez, segurando minha cabeça com as palmas das suas mãos.

-Sasuke! Abra seus olhos por favor.-

Obedeci, abri meus olhos esperando fitar seus olhos esmeraldas, constatar o quanto mudara durante todos esse anos, mas me deparei com o vazio, com a escuridão, e pela primeira vez, desde que acordei me senti inútil..inútil e desesperado.

Segurei suas mãos firmemente, e o desespero de nunca mais ver os rostos conhecidos ,se apossou do meu corpo, apertei suas mãos ainda mais forte, precisava sentir sua pele quente e macia, contra a minha.

Os pensamentos voavam em volta da minha cabeça, O que me deixava

Tonto, o medo crescia em meu corpo, e a raiva , bem a raiva me deixava ainda mais cego, se é que é possível.

-Quais as minhas chances? Gritei, sentido minha voz falhar, e a minha boca tremer em nervosismo.

-Sasuke, isso é relativo, não tem como eu decretar nada, sua recuperação depende de você.

Escutei sua voz calma e tranquila soar em meus ouvidos,o que me perturbou ainda mais, isso não estava acontecendo, não conseguia acreditar, nada parecia real, minha cabeça rodopiava e doía, e eu já não conseguia ter controle sob minhas ações

-Você deveria saber!- gritei irritado, -é o seu trabalho saber, ainda continua sendo aquela garotinha amedrontada e incompetente?

Senti seus braços se soltarem bruscamente das minhas mãos, e seu chakra oscilar, ouvia também sua respiração pesada e seu esforço continuo para mante-la controlada. Sabia que havia exagerado, e me senti patético por isso, esse descontrole desnecessário, esse desespero e esse medo, nunca havia me sentido tão idiota como agora.

-Sasuke eu, - ela começou, mas antes mesmo que terminasse eu a interrompi.

-Saia!

Ela não se moveu, não conseguia imaginar ela presenciando essa cena ridícula nem mais um segundo, presenciando minha fraqueza tão abertamente.

-Eu não posso, preciso..-

-Saia! -falei ainda mais irritado, -Me deixe sozinho!-

-Como queira, alias, foi o que sempre quis.- a ouvir dizer secamente.-Vou escalar outro medico para seus cuidados, já que esta insatisfeito com os meus serviços- escutei o barulho dos seus passos se afastarem em direção a porta, e ela sair sem se despedir.

Fiquei ligeiramente surpreso, esperava ela se desculpar, chorar, mas claro, isso não aconteceu. Era incrível, como tudo estava diferente de como eu me lembrava.

Suspirei esfregando as mãos em meus rosto e afastando todos os pensamentos da minha cabeça, desejava esquecer esse dia, mais do que qualquer outro.

...

Escutei o barulho da porta ser aberta, o que me fez levantar e encostar na cabeceira da a voz irritante da enfermeira puxando conversa, apenas ignorei, como sempre fazia nas ultimas e longas semanas. Me perguntei se era castigo divino pelo que disse a Sakura, mas também ignorei esse pensamento.

Tinha que admitir que minha recuperação estava bem mais lenta, depois que ela deixou de ser minha medica, e que não havia nem sinal de melhora nos meus olhos, muito menos avanços com a minha memória, as sessões de chakra não davam resultados.

Senti a mão quente da enfermeira tocar o meu braço, o que fez meu corpo travar, mas relaxar em seguida com a aplicação do chakra, desejando que tudo acabasse logo, e que pudesse o quanto antes dar o fora desse hospital, e da vila.

Escutei sua voz mais uma vez, me parecia alegre, e eu me peguei imaginando se sorria, deduzir as expressões das pessoas pelo timbre da voz era um dom conquistado durante as ultimas semanas.

-Muito bem, você esta se recuperando muito rápido, assim poderá ir para casa em breve- a escutei dizer.

Senti mais uma vez sua mão tocar meu braço.

- não se preocupe, tudo vai dar certo Sasuke-kun-

Puxei imediatamente meu braço, Sakura veio instantaneamente em minha mente, a imagem daquela garotinha irritante e insistente, que não desgrudava nenhum segundo, principalmente quando eu estava no hospital ,me veio a cabeça. Me surpreendi ao constatar que desde aquele dia ela não veio nenhuma vez se quer ao meu quarto, sentia seu chakra nos corredores próximos, e ate em frente a porta,mas ela nunca entrava, conversava com o maldito ANBU e ia embora.

O barulho dos passos da enfermeira me tirou dos meus pensamentos, a escutei se despedir e sair do quarto.

Suspirei passando a mão nos cabelos, tomei impulso e me levantei da cama ficando em pé, minhas pernas fraquejaram por um instante, o que me obrigou a apoiar na cabeceira e esperar elas suportarem o peso do meu corpo.

Escutei a porta ser aberta, o que me assustou.

A voz estrondosa de Naruto adentrou meu ouvido .

- O que está pensando? O que você tá fazendo?

De todas as pessoas, apesar de não serem muitas, me perguntava porque tinha que ser Naruto exatamente agora.

Suspirei, não podia simplesmente ignora-lo, na verdade ignora-lo o faria fazer um escândalo-lo e isso era a ultima coisa do que eu precisava.

- Eu vou no banheiro- falei , movendo minhas pernas e tomando a parede como apoio.

De repente o quarto ficou grande demais e o banheiro , onde o maldito banheiro estava?

Senti Naruto se aproximar no intuito de me guiar, e isso me irritou.

No momento que suas mãos tocaram meu braço, me desvencilhei, me senti completamente inútil e perdido.

- Eu posso fazer isso sozinho- falei, um pouco mais alto que o normal.

-Eu só não queria ter que esperar tanto pra conversar com você, então anda logo com isso.- o ouvi dizer para depois caminhar em direção a poltrona.

Suspirei, e ao contrario do que pensava encontrei o banheiro muito mais rápido do que imaginava, voltei a escutar a voz de Naruto somente quando já estava perto da minha cama, pensei em me apoiar na parede e ficar assim por algum tempo, mas a idéia de minhas pernas fraquejarem me fez desistir, não poderia

Cometer esse tipo de cena humilhante na frente dele.

Assim que me sentei e encostei na cabeceira ele começou, me bombardeando de perguntas.

- Como se sente?-

-Bem- respondi mecanicamente.

- E sua recuperação?-

-Lenta- respondi mais uma vez.

-Sabe,eu acho que você deveria se desculpar com a Sakura e acabar logo com isso, ela é uma das melhores medicas do hospital, e uma das poucas chances que você tem para se recuperar.-

Escutei atentamente suas palavras, mas me fingindo desinteressado, por mais que era uma das minhas chances, me desculpar, e voltar naquele dia estava fora de questão.

-Naruto, eu vou embora da vila- comecei, tentando convence-lo.

-Não vai ser tão fácil-

-Não importa, aqui não é o meu lugar- desabafei

-Tudo bem, mas antes faça um tratamento com a Sakura, eu converso com ela.

Por mais que a idéia parecia tentadora, não agüentaria permanecer nesse hospital além do tempo determinado, e a idéia de ficar a sós com Sakura, depois daquela cena trágica,me parecia absurda, além de constrangedora.

-Eu não quero ficar nesse hospital por causa de um tratamento.- menti

-Está certo, Kakashi chega amanha de uma missão, ele resolverá esses assuntos para você, não se preocupe.- o escutei dizer animado, e se levantar da poltrona.

-Amanha vamos nos reunir no Ichiraku, aproveito e falo com a Sakura-chan.-

Antes que eu dissesse qualquer coisa, ele me interrompeu.

-Amanha eu volto para te buscar, ganhará alta não?

Concordei com a cabeça, o ouvi se despedir e sair do quarto.

A idéia de permanecer na vila não me parecia convincente, não agradava a mim, e acredito que mais da metade dos moradores.

...

Levantei lentamente da cama, ignorando a tontura e a tremedeira nas minhas pernas, apoiei meu corpo na parede e permaneci assim por alguns instantes, simplesmente não podia mais ficar deitado.

Comecei a caminhar lentamente pelo quarto, já havia acostumado com a cegueira, até rápido demais, e meus outros sentidos me guiavam pelo quarto, tateava as paredes procurando pela janela, e quando a encontrei a abri e apoiei meus braços no batente,sentindo a suave brisa tocar em meus cabelos, e a sensação calorosa do sol batendo em meu corpo.

Tudo ao lado de fora estava calmo nesse final de tarde, me lamentei por não poder enxerga-lo ,era engraçado, como antes nada disso importava, e agora me pegava desejando poder ver tudo que estava a minha volta.

Ficar na vila e esperar pelo tratamento me pareceu uma boa opção por enquanto, além do mais não poderia simplesmente passar pelos grandes portões e deixar a vila, eu não tinha escolha.

Suspirei, apoiando meu rosto nas mãos distraído,escutei passos do lado de fora, e um chakra familiar. No momento seguinte a porta se abriu e pude constatar que era Sakura que entrava.

-Vejo que esta muito melhor- a escutei dizer

Permaneci em silencio,esperando que ela continuasse.

-Sasuke, acabei de sair do escritório da Hokage, e como medica do hospital, vim avalia-lo, para saber se você tem condições de receber alta, e comparecer amanha a uma audiência.- ela começou, escutei o som de uma maleta ser depositada na mesa, em um canto qualquer do quarto.

-Você será julgado por todos os seus crimes contra konoha.- sua voz agora me parecia embargada e amarga, e não pude conter o desconforto que se apossou do meu corpo. Não tinha idéia de quais crimes ela se referia, e isso me deixou apreensivo, e a falta de memória já estava me irritando.

-Você pode se deitar? Vou examina-lo- concordei com a cabeça e segui a passos lentos em direção a cama, me apoiando na mesma e me sentando, senti suas mãos tocarem em meu braço o que me assustou, e ao mesmo tempo me relaxou.

Os minutos seguintes passaram rápido, e o decorrer do exame foi tranquilo, ainda me sentia zonzo pela aplicação de chakra , mas nada que me incomodasse.

-Sasuke, sua recuperação me surpreendeu , vou libera-lo amanha para comparecer ao julgamento, você deveria ser interrogado por Ibiki hoje, mas na sua atual condição, e perca de memória, acredito que será desnecessário a presença dele aqui, sem contar o quanto será cansativa.- a escutei dizer, o que me agradou, dispensava qualquer contato com ele, ainda mais em um interrogatório.

-Preciso que assine alguns papeis-

Senti uma prancheta ser colocada em meu colo, e uma caneta ser colocada em uma de minhas mãos,segurei a prancheta, sem a menor noção de onde assinar, e no momento seguinte suas mãos tocarem as minhas me guiando em direção a um ponto qualquer da folha, essa situação ocorreu nos momentos seguinte, ate todas serem assinadas.

-Te vejo amanha Sasuke, até!- a escutei dizer e sair pela porta, sem mesmo esperar uma resposta, não pude conter o sorriso frouxo que se formou em meus lábios, ela não estava mais zangada, já que compareceria ao julgamento.


Oii, pessoal! tudo bem?

entao, eu sei que demorei para postar esse capitulo, mas é que estou sem net, e estou usando o telefone do meu irmao, entao, nao tenho como responder os comentarios individualmente agora, mas eu prometo responde-los. e gostaria de agradecer, vcs leitores sao muito antenciosos, Obrigada!

entao é isso espero que gostem!

kisssus no Kokoro