O Segredo dos Anjos

By Dama 9e Saory-san

Nota: Os personagens de Saint Seya não nos pertencem, apenas Diana e Aisty são criações únicas e exclusivas nossas, para essa saga.

Boa Leitura!


Capitulo 4: De volta ao passado.

I – Lua Crescente.

Fechou os olhos por um momento, era como se novamente estivesse vendo aquilo tudo acontecer. É, não se livraria de algumas lembranças por enquanto; a jovem de melenas vermelhas pensou, dando um baixo suspiro, enquanto sentia o olhar do Grande Mestre e da reencarnação da deusa sobre si, esperando-a falar.

-Lembrança-

Estava muito frio, o vento gelado abria finos cortes sobre a face alva delas. Uma senhora de porte clássico, longos cabelos cacheados e vermelhos destacavam-se em meio à neve. Em sua mão, uma pequena criança era puxada, a mesma tinha os orbes esverdeados marejados e seu corpo tremia de frio e medo.

Uma tempestade de neve começava a se formar e atravessar aquela pequena distancia do lago de gelo era um verdadeiro martírio para a pequena criança que conseguia ouvir o mesmo trincando sobre seus pés, podendo vir a partir a qualquer segundo.

-'Vão embora, é melhor que seja assim'; a voz de Aaron ecoava na mente da criança fazendo-a chorar ainda mais, queria voltar e ficar com o pai, mas não podia.

Melhor por quê? Para quem? Separar-se do pai daquela forma, saindo no meio da noite, com a mãe histérica lhe puxando pelo braço, porque?

Pararam bruscamente em meio à floresta que estavam, uma explosão ao longe e o incêndio começara. A antiga mansão da família Bering estava destruída por aquelas mulheres de mascaras que corriam como chacais em meio à noite, caçando-lhes até verem seu fim, embora tendo apenas seis anos sabia que era a si que elas queriam. Algo dentro de si lhe alertava.

-Vamos; Cecília Bering falou, tornando a puxar a criança, não tinham muito tempo.

Atravessaram o lago correndo, quando o pé de Cecília falseou, fazendo-a ir de encontro ao chão num baque seco, levando a filha consigo.

-Mãe; a pequena falou desesperada, querendo ajudá-la a se levantar.

-Vá embora, me deixe aqui; ela falou, sabia que não conseguiria chegar lá, mas talvez a criança conseguisse.

-Mas...; Aisty se aproximou, querendo tocar-lhe o braço.

-FAÇA O QUE MANDEI; Cecília gritou, dando-lhe um tapa na mão. –Você sabe aonde ir, vá logo; ela falou.

Assustada a criança pôs-se a correr em meio ao lago de gelo, tinha que chegar a casa de sua madrinha que ficava do outro lado. Não sabia o que estava acontecendo, levou a mão até a nuca sentindo-a arder, provavelmente deveria ser por ter-se arranhado, nada mais.

Minutos depois uma nova explosão aconteceu, fazendo placas e mais placas de gelo erguerem-se ao céu anunciando apenas o inicio de uma batalha que tomaria contornos surpreendentes com o passar do tempo.

Meses depois...

Olhava para um ponto fixo no céu. Uma estrela em especial lhe chamava a atenção. Assellus(1). Tinha um brilho diferente nessa noite de inverno.

-Aisty; Karina chamou.

A senhora era a madrinha e melhor amiga de sua mãe, cuidara de si nos últimos meses, após a morte de seus pais.

Fechou os olhos, ainda via-se correndo em meio à neve e ouvindo o grito de sua mãe, deveria ter morrido na hora; ela pensou com amargura. Alcançou a casa da madrinha e estranhamente ninguém a seguira até ali.

-Sim; ela respondeu, descendo do alpendre da janela e entrando na casa.

As lenhas crepitavam dentro da lareira naquela noite fria. Não era mais inverno, porem o tempo parecia tão sistemático quando seu humor, ironicamente estavam novamente na lua crescente, isso sempre lhe inquietava.

-Venha cá; Karina falou, mandando-a sentar-se em uma poltrona a seu lado.

-Madrinha, vai me contar finalmente porque mataram meus pais? –Aisty perguntou ansiosa, Karina poderia jurar que uma aura avermelhada rodeara o corpo da jovem, não duvidava que a vida dela daria um salto a partir dali.

-Não; ela respondeu calma.

-Mas...; Karina levantou a mão, mandando-a calar-se.

-Vou lhe dar uma opção;

-Como?

-Só vou lhe dizer o porquê da morte de seus pais se for a Naxos; ela falou com a voz controlada. Sabia que estava praticamente mandando a afilhada para o corredor da morte, mas tinha de ser assim, Cecília e Aaron não haviam lhe confiado seu tesouro mais precioso à toa.

-Naxos não é na Grécia? –a criança perguntou, enquanto enrolava distraidamente uma mexa avermelhada entre os dedos.

-Isso mesmo;

-Por quê? –a garota perguntou intrigada.

-Já ouviu falar sobre os Santos de Athena?

-Meu pai sempre me contava historias sobre eles, pessoas especiais nascidas sob a proteção de Athena e uma estrela guardiã, correspondente a seu signo, eram capazes de fazer milagres e com pequenos golpes de punho abrirem fendas na terra; Aisty respondeu com ar letárgico lembrando-se das histórias que o pai lhe contava para faze-la dormir.

-Se quer saber o segredo de sua família, todos os porquês que lhe atormentam até agora e as respostas que deseja obter, terá de se tornar um deles; Karina falou com ar sério, quase frio por assim dizer.

-O QUE? – Aisty gritou espantada.

-Foi o que ouviu, se quiser mesmo saber terá de tornar-se amazona, não vou lhe contar algo tão importante sem que mereça; ela falou impassível.

-Mas...;

-Um navio parte amanhã cedo para Atenas, de lá pegue um outro navio e vá para Naxos, procure Dione, ela será sua mestre, só volte como uma amazona, do contrario não volte; Karina falou seria, levantando-se da poltrona e deixando-a a sós na sala.

Aisty sentiu novamente a nuca queimar, era como se algo a mandasse seguir a Naxos, embora a vontade que tinha de desafiar Karina e exigir-lhe a verdade fosse mais forte.

Sentia falta dos pais, tinha medo das coisas que teria de enfrentar agora que estava sozinha, já que a madrinha lhe deixara claro de que ela iria sozinha para um lugar completamente desconhecido. Precisava saber a verdade, nem que levasse tempo voltaria como uma amazona, ai sim, a madrinha não poderia recusar-se a lhe contar.

-o-o-o-o-

De seu quarto ouviu os passos delicados pelo assoalho, passou a mão pelos cabelos negros dando um baixo suspiro. Só pedia aos céus que tudo desse certo, ou do contrario, todos estariam perdidos; ela pensou.

Minutos depois deixou o quarto, aproximando-se de uma porta entreaberta no corredor, afastou-a com um toque suave para não despertar a jovem ali dentro, que parecia imersa em um sono profundo, sem fantasmas a lhe atormentar e obrigar-lhe a reviver todos aqueles momentos ruins que antecederam a morte dos pais.

Karina entrou no quarto da jovem sorrateira, tomando o devido cuidado para não despertá-la. Aproximou-se dela, como se para lhe depositar um beijo no topo da testa, mas em vez disso colocou em seu pescoço um fino cordão de couro preto que dele pendia um delicado pingente prateado em forma de lua crescente.

-"Que o Anjo da Lua lhe proteja, minha filha"; ela pensou, deixando o quarto e fechando a porta atrás de si.

Aisty remexeu-se na cama, porem não acordou ficando completamente imersa em seu descanso, sem notar a presença de Karina.

-Fim da Lembrança-

O tempo estava passando, não poderia ficar perdida em pensamentos quando tinha algo mais importante a fazer; ela pensou, passando a mão levemente pelas melenas vermelhas, antes de começar a falar aquilo que o Grande Mestre tanto ansiava e temia.

II – Cosmos.

Grécia/ Rodes...

Caminhava impaciente pelo grande salão, aquela espera o estava irritando. Passou os longos dedos pelos cabelos azuis quase prateados, tentando impedir que eles arrepiassem.

-Maldição; ele praguejou.

-Meu Senhor; uma jovem de melenas azuis falou entrando no salão, aproximando-se dele e logo, prestando-lhe uma respeitosa reverencia.

-Fale; Apolo ordenou, os orbes azuis cintilaram perigosamente.

-Parece que uma amazona esta a caminho do santuário, ainda não sabemos se é realmente o 'Anjo dos Ventos'; Sahara falou, apenar reportando a mensagem que recebera de Melina.

-Fiquem de olho nessa, mesmo sem ter certeza. Essa fedelha pode nos dar trabalho; Apolo falou serrando os punhos.

-...; a jovem assentiu desaparecendo rapidamente em seguida.

-"Ah minha irmã, não deveria ter se voltado contra mim, essa sua insolência ira custar-lhe muito caro e essas fedelhas não serão capazes de me enfrentar"; ele pensou, encaminhando-se para seus aposentos em Rodes onde a jovem deidade de melenas castanhas certamente estaria lhe esperando.

III - Um retorno ao passado.

O dia parecia nascer sem grandes novidades; alguns guardiões pensaram enquanto preparavam-se para mais um dia de treinamentos em sua rotina normal, mas para três outras pessoas que acabam de chegar ao santuário, esse dia estava longe de chegar ao fim.

-Chegamos; Shura falou suspirando aliviado por sair daquele vôo 'infernal'.

-É, já deu pra perceber; Diana rebateu com escárnio, enquanto tomava a frente dos dois.

-Oras sua; o capricorniano resmungou, voltando-se para ela pronto a desfiar uma série de 'elogios', mas foi prontamente interrompido por Kamus.

-Calma; Kamus pediu interpondo-se entre o amigo e a amazona, antes que Shura pulasse no pescoço da mesma. O segurou firmemente pelos ombros, enquanto o espanhol bufava de raiva. Havia sido assim durante toda a viagem, uma infindável troca de farpas e sarcasmo de ambos os lados. –Calma...;

A amazona por sua vez apenas continuou a caminhar, ignorando completamente o cavaleiro que soltava faíscas pelos olhos. Trazia consigo apenas o seu arco e flechas pendurado nas costas e em uma das mãos, uma mochila com os seus poucos pertences até que, extasiada, parou em frente ao primeiro templo zodiacal que se erguia imponente sobre a encosta rochosa.

-Lindo...; ela sussurrou de costas para os dois, deixando a mochila no chão enquanto percorria com o olhar atento a magnitude dos templos gregos, iluminados pelo fraco sol da manhã. –É realmente lindo...;

-É a primeira vez que vem a Grécia? –Kamus perguntou, por fim soltando o espanhol e caminhando até ficar ao lado da amazona.

-Não...; Diana respondeu quase num sussurro, enquanto sua mente vagava em meio a recordações há muito guardadas no mais fundo de sua mente.

- Lembrança -

Os olhos azuis e inexpressivos refletiam o brilho prateado da lua, que solitária, iluminava o manto negro da noite. Uma prece silenciosa. Pedia que lhe guiasse, que iluminasse o seu caminho que poderia ser tão ou mais escuro que o céu sem estrelas.

Não sabia que rumo às coisas tomariam após os últimos acontecimentos, no entanto, tinha a absoluta certeza de que a sua permanência ali só pioraria as coisas. O incêndio, o extermino no vilarejo, por mais estranho que pudesse parecer sentia em seu intimo que era a causadora de tudo aquilo. Não sabia explicar como ou o porquê, só sabia que essa mesma noite teria que partir...

Queria poder adiar resolver isso de outra forma, mas não havia outra forma. As mãos pálidas que antes se apertavam contra o peito segurando o pequeno pingente prateado, agora cerravam as cortinas. Estava decidida, ninguém mais sofreria por sua causa.

Sobre a cama os poucos pertences que tinha dispostos numa singela sacola, os pegou, lançando um olhar demorado pelos aposentos antes de sair pela porta entreaberta. Guardaria para sempre os momentos que passara ali...

Estava escuro, mas encontrou o caminho, foi a passos leves até que encontrasse outra porta entreaberta. Por um momento hesitou, porém não podia partir sem se despedir dele. Uma silenciosa despedida.

Ele estava dormindo e não iria acordá-lo. Sabia que se o fizesse não teria coragem de partir. Sentou-se ao seu lado e tocou com suavidade o rosto bem talhado do rapaz, jamais o esqueceria...

Dormia um sono tranqüilo depois de tudo o que havia acontecido, porém ainda se recordava com total exatidão da sua expressão de impotência e frustração por não ter podido ajudar aquelas pessoas. Era nobre, justo e faria de tudo para ajudar a quem fosse preciso, sabia disso e por isso mesmo teria que partir, não o poria em risco, não atrairia a desgraça até ele, o seu anjo protetor.

A respiração era compassada e tranqüila, enquanto o peito bem talhado e despido arfava docemente. A tez dourada contrastava divinamente com os lençóis e o leito alvo e se não o pudesse tocar, sentir, diria que estava diante da mais bela tela pintada por um exímio artista.

Deslizou com suavidade uma das mãos sobre o seu peito, sentindo as batidas cadenciadas de seu coração. Destino cruel que os ligara e agora os separava tão repentinamente. Queria ter tido mais tempo ao lado dele, quem sabe até mesmo para se despedir melhor, mas já estava tarde. Tinha que partir antes que fosse tarde demais...

Afagou-lhe as melenas douradas e aproximou os lábios dos dele. Um toque sutil, antes de se afastar retirando algo do pescoço.

-Jamais irei te esquecer...; Diana sussurrou enquanto colocava o cordão com um pingente em forma de lua nova sobre o criado mudo. –Obrigada por tudo...;

Pegou a mochila que havia colocado ao lado da cama e aproximou-se da porta entreaberta, não sem antes lançar um último olhar para o rapaz e sentir os olhos marejarem. Nunca mais o veria, sabia disso e não pôde impedir que por fim as lágrimas rolassem de sua face marcando a pele alva.

-Fim da Lembrança -

-Diana?

-Uhn? –ela murmurou, voltando-se para o cavaleiro. Balançou a cabeça levemente para os lados afastando as recentes lembranças despertadas por aquela volta a Atenas.

-Podemos subir se quiser, o caminho é longo e Athena já esta nos esperando; Kamus falou tentando entender o porquê da amazona ter ficar tão distante de repente.

-Claro; Diana respondeu enquanto pegava a mochila e começava a segui-lo.

-Vai ter tempo para admirar a paisagem outra hora, acredite...; Shura falou em tom de escárnio enquanto passava por ela.

-Acho que não, não disponho do tempo que você tem. –a amazona rebateu, passando pelo espanhol sem nem ao menos olhá-lo.

Shura bufou lançando um olhar cortante a amazona e sentindo o sangue ferver mais uma vez.

-Vai ser uma longa subida...; Kamus sussurrou num suspiro cansado. Será que não se cansavam daquilo? –ele se perguntou.

IV – Recordações.

Acabara de voltar do treino entrando em sua casa rapidamente, precisava de um banho, não, necessitava. Passara o dia todo em baixo daquele sol escaldante treinando. Suspirou frustrado com os recentes pensamentos, coisas inexplicáveis de seu passado que por mais que buscasse uma resposta, ela, parecia querer fugir por entre seus dedos.

Abriu o registro do chuveiro, ouvindo a água gelada cair aos poucos sobre o piso frio. Retirou a camisa jogando-a num canto qualquer do banheiro e um brilho prateado chamou-lhe a atenção ao mirar-se brevemente no espelho.

Aquele pingente em forma de lua ainda era guardado por si...

Quantos anos? Mais de doze pelos seus cálculos. Andava pensando nisso com mais freqüência do que previa, mas não conseguia deixar de se questionar. Tocou-o com as pontas dos dedos e balançou a cabeça para os lados, novamente aquelas lembranças.

Terminou de se despir entrando em baixo da água e sentiu os músculos se contraírem devido ao choque térmico, mas logo relaxarem. Fechou os olhos, sentindo a água escorrer pelo corpo quente aliviando-lhe até mesmo a alma com isso. Um flash de memória correu a sua mente, levando-o de volta há alguns anos atrás.

- Lembrança -

Onde ela estava? –ele se perguntou, ao deparar-se com o templo aparentemente vazio. Havia saído para inspecionar o treinamento do irmão, mas não havia obtido muito resultado, não pelo garoto, que muitas vezes burlava as regras e tentava 'matar o treino' e sim por si mesmo, que não conseguia se concentrar.

Tanto fazia o garoto fazer mil abdominais ou apenas ficar deitado fitando o céu, dava no mesmo.

-Terra chamando; a voz divertida do irmão lhe trouxe de volta a realidade.

-Ahn, o que foi? –Aioros perguntou, piscando seguidas vezes.

-Voltou maninho! Até que enfim achei que não ia mais retornar; o garoto falou com um sorriso matreiro.

-Retornar? De onde? Do que está falando Aiolia? –o sagitariano perguntou, balançando a cabeça levemente para os lados como se estivesse acordando de um transe ao ouvir a voz do garoto.

-Oras...; Aiolia continuou alargando ainda mais o sorriso que tinha nos lábios, enquanto sentava-se ao lado do irmão. –Da lua, de onde mais?

-Aiolia; Aioros falou em tom de reprimenda.

-Eu fiquei lá deitado quase meia hora e você nem ralhou, brigou, chantageou ou me obrigou a fazer nada. Bom, fiquei preocupado; o garoto falou apontando para o lugar onde estava treinando.

-Desculpe, estava distraído; o cavaleiro respondeu ao ver a expressão preocupada do menino. –E falando nisso, pode voltar pro treino! Obrigado por me lembrar disso;

-Ahn?

-E sem reclamar! –Aioros sorriu ao ver a cara de desânimo do irmão. –Não quer ser um Cavaleiro de Ouro? Então? Treine até a exaustão e alcance as estrelas; ele completou em tom de motivação.

-Alcance as estrelas... Puff; Aiolia resmungou enquanto voltava à série de abdominais. –Como se isso fosse possível;

- Fim da Lembrança -

-Droga...; Aioros murmurou encostando a cabeça contra o azulejo frio e deslizando uma das mãos demoradamente pela nuca. Todos esses anos e ainda não conseguia esquecer aqueles olhos azuis.

Sentia a água fria escorrer por suas costas, enquanto de olhos fechados tentava a todo custo libertar-se daquele instante de recordações, porém era algo que não podia lutar. Fragmentos de lembranças que assolavam sua mente e seu coração, dos quais não pudera esquecer nem mesmo com o passar dos anos.

- Lembrança -

-Sempre terei tempo pra você, você sabe disso...; ele falou levando uma das mãos até o rosto da jovem numa suave carícia.

-Obrigada; ela sorriu. A pele pálida como porcelana adquirindo um tom relativamente rosado nas maçãs do rosto, sentia que aquele olhar poderia tocar-lhe, tamanha a intensidade com a qual era observada. –É... Bem, e quando começamos? –a jovem perguntou, desviando o olhar corada.

-Se quiser podemos fazer isso hoje à noite; Aioros respondeu, desviando o olhar momentaneamente da jovem ao perceber o que estava causando com isso. –É que durante o dia tem muita gente circulando pelo Santuário e...;

-Tudo bem, hoje à noite! –ela o cortou com um doce sorriso.

-Hoje à noite...; ele balbuciou ficando momentaneamente aéreo ao fitar os lábios bem desenhados moldarem-se no mais perfeito sorriso.

- Fim da Lembrança-

-AIOROS? AIOROS, CADÊ VOCÊ CARA?

-O que? –ele se indagou balançando a cabeça para os lados e apurando os ouvidos.

-AIOROS?

-Milo...; Suspirou cansado ao reconhecer a voz do amigo que gritava a todo pulmões em seu chamado.

Estava pra nascer pessoa mais inconveniente que Milo de Escorpião. Fechou o registro do chuveiro e pegou a toalha do lado de fora do box enrolando-a na cintura. Saiu do banheiro dando de cara com o amigo, que parecia estar desesperado a sua procura e que por sinal, arrumara um jeito de entrar em seu templo; ele pensou franzindo o cenho, lembrava-se perfeitamente de ter fechado a porta.

-Puxa vida, por Zeus onde você estava?

-Onde mais você acha? –Aioros rebatem sem esconder o tom de ironia em sua voz. Como se a resposta não fosse óbvia; ele pensou. –Olha Milo, não estou com tempo para as suas...

-Reunião no tempo de Athena; Milo o interrompeu.

-O que? –ele perguntou surpreso.

-Reunião no templo de Athena, só vim te avisar nada mais, mas...; o Escorpião ponderou desfazendo a expressão séria que mantinha até agora. –Por Zeus, que imagem vocês tem de mim? Saiba que não gostei dessa 'não estou com tempo pras suas...'; ele falou emburrado.

Aioros apenas sorriu diante da expressão de desapontamento do amigo, que se fazia de ofendido. Milo de Escorpião realmente não mudava nunca, no entanto, a expressão séria do cavaleiro o deixou preocupado.

–Aconteceu alguma coisa? Sabe por que Athena convocou essa reunião?

-Não sei, mas ela quer que todos nós estejamos presentes e acho que tem haver com a chegada daquela...; Um sorriso maroto se formou nos lábios do cavaleiro, como se relembrasse algo engraçado. –Nova amazona...

-Milo...; Aioros falou pausadamente, conhecia aquele sorriso. –Que amazona e...

-A que 'engaiolou' o Saga...; ele completou com um sorriso maroto. –Vai dizer que não sabia?- o cavaleiro perguntou ao ver a expressão atônita do amigo. –Puxa vida Aioros, você sempre é o último a saber das coisas por aqui

-Não, eu não sabia, mas...;

-Depois eu te explico...; o Escorpião sorriu, dando as costas para o amigo e saindo do templo. A história do geminiano engaiolado ainda iria render boas risadas; pensou.

Continua...