STAY
por crimsonmarie
tradução kiss-on-the-neck e Cy
revisão Thais
link do original nas Favorite Stories
Capítulo 4
*Bella*
Fiquei boquiaberta depois que o Edward foi embora, a pilha de livros em minhas mãos balançando enquanto eu tentava acompanhar o carro dele mesmo quando desapareceu na esquina.
Ele acabou de me convidar para jantar?
Não, ele não poderia ter acabado de me convidar.
Isso era loucura.
Certo?
Não havia nada em mim que segurasse o interesse dele por mais que alguns dias. Não havia nenhuma possibilidade de Edward Cullen ter acabado de me convidar para jantar... Em um encontro.
Ou talvez não tenha sido nada de encontro. Talvez eu tenha aumentado a proporção do convite e ele quisesse somente um jantar entre amigos.
Eu poderia ser amiga sem problemas. Estava sendo no último ano.
Mas porque ele saiu tão depressa, antes que eu pudesse explicar realmente a razão de eu dizer não?
Respirando profundamente, balancei minha cabeça e me virei, voltando para a livraria e ajeitando os livros em cima do balcão.
Por mais que eu quisesse pensar sobre isso, eu tinha muitos livros que precisavam ser relacionados, quase uma hora de trabalhos burocráticos para todos os livros que eu estava trazendo e quase outra hora mais ou menos depois disso para ter certeza que tudo foi feito certo.
"Bella."
Eu contornei uma pilha de livros para ver que Jessica Stanley – o carma de minha existência – estava sentada na frente da bancada, suas unhas feitas em cima do teclado e seus lábios vermelhos apontados para mim.
"Sim?" Perguntei com doçura.
Eu era a chefe dela. Precisava ser legal. Tinha que fingir que sua voz não me afetava cada hora que abria a boca. Tinha que fingir que gostava dela porque a última coisa que essa livraria precisava era de algum tipo de processo que seu pai estava tão disposto a abrir contra qualquer pessoa que iria contra sua filhinha.
Seu antigo namorado acabou na cadeia por pelo menos uma noite depois que terminaram devido a violações bobas de tráfego que ninguém conseguia explicar.
Seu pai tinha essa cidade nas mãos para proteger sua pequena e manipulativa filha e ninguém conseguia sair dessa.
Eu não tinha nenhuma vontade de perder a livraria que foi da minha família por mais da metade de uma década porque eu tinha sido rude com ela. Não valia a pena perder meu sustento para ela.
"Ouvi que Edward Cullen está aqui."
Queria revirar os olhos. Oh, a vontade era tão grande que foi difícil simplesmente fechá-los e respirar profundamente antes de responder.
Essa não era a primeira vez que eu tinha que me livrar das perguntas dela sobre meu vizinho. Ela foi uma das primeiras da cidade a descobrir que ele tinha se mudado para a casa ao lado da minha e eu tive que literalmente me ajoelhar e implorar para que ela não o incomodasse.
Pude conhecer ele um pouco até o momento que ela descobriu e sabia que a última coisa que ele precisava era ter uma certa Jessica Stanley sentada em sua porta usando a pior roupa que ela poderia para tentar chamar sua atenção.
Ela concordou em deixá-lo sossegado contanto que ela pudesse tirar umas férias por ano. Portanto, tive que desistir das minhas férias para acomodar as dela e me arrependia sempre que ela voltava das férias com um perfeito bronzeado.
Não havia palavras para descrever como queria acabar com a cara dela quando ela falava repetidamente de como Cabo San Lucas era durante o inverno.
"É," dizia devagar, apertando meus dentes enquanto minhas mãos apertavam a ponta da bancada.
"Estava pensando que em uma semana seria um bom momento para as minhas férias"
O sorriso que ela me deu foi de matar e eu tive que me segurar para não pular no pescoço dela.
"Sem problemas, Jess" Disse entre os dentes, me forçando a relaxar. "Parece bom".
Ela balançou a cabeça, voltando seus ombros para a posição inicial que eu sabia que era para digitar os títulos dos livros com suas unhas enormes fazendo um barulho chato.
Olhando para ela se sentindo vitoriosa, me virei e fui em direção ao ar congelante, colocando meu casaco e resmungando enquanto ia para minha caminhonete.
Eu cuidava da livraria desde que minha mãe voltou a casar e se mudou para Flórida com meu padrasto, dois anos atrás. Parecia perfeito; amava livros e minha mãe queria preencher o lado romântico dela indo para um estado completamente diferente com o homem que ela amava, e eu queria ficar.
Não gostava muito do inverno aqui, mas o verão era suficiente para me deixar onde estava.
Comprei a casa assim que a livraria ficou aos meus cuidados, como um presente. Trabalhei duro para deixar a livraria do mesmo jeito que meus bisavôs deixaram e com o dinheiro que estava entrando, achei uma boa idéia comprar uma casa permanente.
Jake se mudou logo, nunca liguei muito. Fazia sentido; estávamos juntos a mais ou menos um ano e o próximo passo era logicamente morarmos juntos.
Agora que ele queria pegar todas as coisas dele de lá – e todas as coisas que compramos juntos também – me arrependi daquela decisão.
Ele ligou antes de eu levantar aquela manhã e fez questão que eu estivesse a noite para que ele pegasse todas suas coisas e acabasse com essa parte das nossas vidas de vez.
Fiquei boba quando ele se referiu a nossa relação a um simples "parte de nossas vidas". Como se eu fosse somente uma fase que ele estivesse passando, e agora que ele estava melhor, queria se livrar de mim.
Os últimos três anos não significaram nada para ele.
E enquanto uma parte de mim queria ver ele como uma fase, eu nunca consegui pensar nele assim. Ele foi uma parte importante da minha vida por tanto tempo que o ouvir falar que queria se livrar de mim me chocou mais que eu esperava.
E mesmo sabendo que Jessica iria pegar minhas ferias assim que soubesse que Edward estava na cidade, eu ainda tinha esperança. Fazia mais de um ano que não saia do estado e esperava sair por pelo menos alguns dias esse ano. Mesmo que significasse alugar um quarto de hotel em Queensbury; pelo menos ficaria longe dessa cidade e de suas pessoas por gloriosos dias.
Contrariada, peguei a ultima leva de livros do chão da minha caminhonete antes de fechar a porta e voltar para a livraria.
Esse não era o meu dia mesmo.
~*~
Com a pasta de arquivos no chão da minha sala, papéis espalhados ao meu redor e uma terrível dor de cabeça, ouvia enquanto Jake e seus amigos trabalhando lá em cima, empacotando metade de nossas vidas e fazendo o melhor para sair o mais rápido daquela casa.
Tentei ajudar, mas fiquei somente irritada quando nenhum deles fazia questão de me ouvir.
Discutimos sobre pequenas coisas que nossos pais nos deram como casal, sobre potes e bandejas que ele nunca usou mesmo falando que sim, sobre o sofá que eu escolhi, mas ele pagou, e finalmente, sobre aquele estúpido centro de entretenimento.
Sem mais para dizer, minha televisão e meu aparelho de DVD estavam agora no chão, e no mesmo nível de visão que eu, enquanto finalizava a papelada que eu não tive como terminar enquanto estava no trabalho, porque agora eu nem tinha mais sofá para sentar.
Eu poderia repor quase tudo que ele insistiu em levar, então não me preocupava muito.
Eu desisti de discutir com ele sobre isso há algumas horas atrás. Era desnecessário e só aumentava meu stress para o resto do dia.
Tinha quase certeza de ter visto o Embry e o Seth levando pedaços da minha cama para a garagem uma hora atrás, mas nem tinha energia de dizer a nenhum deles que fui eu que paguei por aquela monstruosidade que o Jake tanto quis.
Eu não tinha nenhuma idéia de onde iria dormir essa noite, mas não tinha mais forças para me preocupar com isso. Tinha muito serviço para terminar e a única coisa que o Jake estava conseguindo era me irritar mais.
Então eu fiquei na sala de estar, de pernas cruzadas no chão enquanto me debruçava nos papéis tentando ao máximo ignorar os barulhos que vinham lá de cima.
Eu tinha até parado de me irritar sempre que um dos rapazes gritava uma desculpa do alto das escadas. Eu nem queria pensar em todos os reparos que teria que fazer assim que eles acabassem.
Se eu pensasse muito nisso, provavelmente subiria lá e tentaria arrancar os olhos deles. Com minhas unhas pequenas, com certeza.
Não era uma visão muito boa e como atualmente não tinha onde dormir, não tinha pretensão de dormir em uma cela, também.
Duas horas depois quando as palavras já andavam juntas nos papéis e o barulho lá de cima tinha acabado, olhei e vi o Jake parado na porta de saída da sala de estar.
"Acabou?" Perguntei, descansando meu cotovelo no meu calcanhar e esfregando meus olhos.
"Ainda tem algumas coisas na garagem que não cabem agora. Te informarei quando irei voltar."
"O que? A bicicleta não cabe em volta da cama?" Balancei a cabeça e mandei-o embora, verdadeiramente não interessada que ele já estava dizendo. "Me dê as chaves e dê o fora".
"Estão na mesa."
"Ah, você deixou a mesa, é?" Olhei para ele, coçando minha testa e balançando minha cabeça. "Que bonito da sua parte."
Ele revirou os olhos e cruzou os braços. "Te ligo quando tiver um tempo livre."
"E se eu não estiver disponível?" Retruquei, encarando ele.
"Então nós pensaremos quando a hora chegar. Não torne as coisas mais difíceis do que precisam ser, Bella."
"Nem se atreva a me subestimar, Jake."
Ele revirou os olhos novamente e eu soltei um respiro profundo, revirando minhas mãos.
"Saia", disse, respirando tanto quanto possível enquanto encarei os papéis que eu não pretendia mais acabar hoje. "Quero que você saia."
"Sem problemas. Fala para o seu namorado que disse OI", ele soltou.
Virei minha cabeça para olhá-lo, que já estava de costas, segurando meus dentes juntos.
Ele não tinha mais direito de assumir nada. Ele desistiu desse direito o minuto que ele terminou comigo.
Ele não tinha nenhum direito de fazer suposições sobre o Edward. Mesmo depois de passar tanto tempo com ele, Jake não sabia nada sobre o nosso vizinho.
Correção: meu vizinho. Jake não tinha mais direito a nada meu... Incluindo a rua e as pessoas que estão nela.
Escutei os três veículos saindo e esperei pacientemente o barulho dos mesmos saindo da rua.
Fiquei sentada por mais um momento, batendo meus dedos na minha testa enquanto respirava profundamente em uma tentativa de me acalmar.
Demorei algum tempo para notar que nem só a casa estava silenciosa, como vazia também. A sala de estar que eu amava e tinha passado muito tempo decorando estava quase vazia. Tinha apenas uma cadeira reclinável que meu pai tinha me dado, minha televisão, tocador de DVD e uma patética coleção de filmes que estavam no chão e alguns quadros na parede branca.
Colocando a pasta de documentos que estava no meu colo como toda a papelada com cuidado no chão, levantei e fui devagar para a sala de jantar e para o andar de cima.
Indo para o meu quarto, me encostei sobre a porta quando reparei que estava certa sobre o Jake pegar a cama. Onde a cama estava, agora somente um espaço vazio. Meu armário ainda estava lá, mas o espaço vazio ao lado me informou claramente que ele levou o dele também. Uma das mesas de canto estava faltando, como um abajur que combinava com outro que ficava do meu lado da cama.
Era difícil ter um lado da cama se eu não tinha nem cama mais.
Para melhorar, tinham marcas no meu chão de madeira perfeito, um buraco na parede que onde estava colada a cama, e uma grande parte da porta do armário estava torta.
Abalada e passando uma mão pelo meu cabelo, balancei a cabeça e desci as escadas de volta à cozinha.
A cena que presenciei me fez apenas dar mais algumas respiradas profundas enquanto eu olhava potes, panelas e toalhas descartadas e ia até a geladeira.
Minha casa lembrava mais a cena de um assalto bem sucedido do que a saída do meu ex-namorado.
E meu queixo caiu quando abri a porta da geladeira e descobri que eu tinha apenas uma caneca de café que eu nunca bebi e meia garrafa de leite.
A raiva que eu estava conseguindo guardar veio à tona quando eu bati a porta, cerrei meus punhos e gritei o mais alto que podia.
Ele pegou a comida. O mesquinho, egoísta, arrogante, bastardo que eu dizia que amava a menos de uma semana atrás pegou literalmente tudo que ele podia.
Queria matá-lo novamente.
Nem só minha casa estava praticamente vazia e toda comida tinha sido levada da minha geladeira, como estava morrendo de fome. Não tinha reparado nisso até abrir a porcaria da geladeira, mas ainda estava morrendo de fome e pior, não tinha nada para comer.
Irada, chutei a porta da geladeira e fui em direção a sala de jantar onde a única coisa que pude fazer foi pegar o telefone. Peguei o menu da única pizzaria da cidade que tinha pizza decente – Rickie's – e disquei o número, cruzando meu outro braço e esperando alguém atender.
Indo para a sala de estar, meu olhar parou na casa do outro lado da rua e eu mordi meus lábios.
A luz da cozinha estava acesa. Ele não tinha nenhuma comida – e finalmente me ocorreu que essa deve ter sido a única razão dele ter me convidado para jantar – mas ele provavelmente estava andando pela cozinha procurando algo para comer.
Finalmente quando alguém atendeu do outro lado da linha, pedi duas pizzas grandes de queijo e uma dúzia de asas de frango antes de desligar e cruzar os braços.
Era uma idiota em pensar que ele me convidou para um encontro. Ele só queria comer e ele queria que eu fosse com ele para que as pessoas demorassem um pouco mais para se aproximar do que se ele estivesse sozinho.
Não era nada mais que aquilo. Ele só queria comer. Sem encontros, sem velas entre nós enquanto ele sentava na minha frente em um restaurante romântico, sem falar baixinho e principalmente sem beijos de despedida quando a noite acabasse.
Nada mais que o Edward querendo realmente comer.
Balançando a cabeça, abaixei e juntei toda papelada do chão, juntando as mesmas em um único bolo antes de levantar e levar a mesma para a mesa da sala de jantar.
Peguei minhas chaves e bolsa, coloquei minhas botas e peguei meu casaco antes de sair de casa e correr para a minha caminhonete, enfiei a chave na ignição e rapidamente sai da minha garage.
Estava em uma missão. Não sabia se a mesma seria aceita, mas valia a tentativa. O pior que poderia acontecer era que eu levasse uma porta na cara e eu retornaria para a casa que eu amava.
Antes, quando era realmente uma casa ao invés de uma casca vazia de um antigo relacionamento arruinado por ciúmes e muita falta de comunicação.
Bati meus dedos no volante enquanto parei na Cumberland Farms, estacionei e abri minha peguei minha carteira da minha bolsa e fui andando em direção a loja de conveniência que odiava.
A meninada da escola local achava que lá era sua casa longe de casa e nunca deixavam de fazer péssimos comentários com quem passava por lá, encostados na parede e fumando cigarros que nem poderia comprar.
Os atendentes de dentro da loja não eram melhores que isso, também.
E se eles não fossem os únicos que vendiam caixas de 12 cervejas na cidade, nunca pisaria nesse lugar.
Passei pela meninada, deixando minha cabeça baixa enquanto abria a porta e entrava no local.
"Bella!"
Olhei devagar para o balcão e vi Mike Newton atrás dele, lambendo seus lábios de um jeito que ele achava sugestivo.
Parecia um babaca.
"Oi, Mike", Resmunguei, passando rápido pelos corredores até pegar a caixa de Heineken que queria.
Fui devagar até o balcão, querendo acabar com logo aquilo e não prolongar a situação de ver o Mike encarando meus peitos enquanto passava por lá.
Como ele fazia com toda mulher que passava por lá e era idiota o suficiente para dizer oi para ele.
Como eu fazia toda vez que entrava e ele estivesse trabalhando.
Resmungando e mordendo o interior da minha bochecha, coloquei as garrafas de cerveja no balcão.
"Vai dar uma festa, Bella?" Mike perguntou, me encarando assim que registrava a caixa.
"Somente uma noite tranquila em casa" Informei, brigando com minha carteira enquanto encarava o monitor esperando informar o total da minha compra.
Ele poderia ir mais devagar? Quanto tempo demorava para efetuar o registro da compra?
Puxei meu casaco contra o peito enquanto ele olhava naquela direção e limpei minha garganta.
"Ouvi que você e o Jake terminaram", ele disse como quem não quer nada, dando de ombros assim que finalmente a máquina informou o total da compra.
Queria perguntar para ele como ficou sabendo tão rápido, mas me segurei assim que a pergunta ia saindo da minha boca. Em uma cidade tão pequena quanto essa, e com a quantidade de gente intrometida como tinha, seria inevitável que o termino do meu namoro fosse primeira página das notícias por pelo menos mais uma semana.
"Sim, sou lésbica", menti rapidamente, jogando vinte dólares no balcão. "Ele não gostou muito disso."
Assisti com satisfação enquanto o queixo dele caia, pegando devagar o dinheiro que joguei e colocando na caixa registradora.
"Sério?"
Balancei a cabeça, respirando profundamente e encarando ele. "Gosto só de garotas, Mike."
"Ah", ele resmungou enquanto pegava meu troco. "Bem, tenha uma boa noite, Bella."
Enfiei o troco na minha carteira e peguei as cervejas, balançando minha cabeça e acenando alegremente para ele assim que saia da loja.
"Você também, Mike!"
Deveria me preocupar que essa informação estaria pela cidade em questão de minutos, mas nem liguei. Deveria me preocupar que o Jake ouviria isso amanhã, mas também não liguei.
Até alguém contar a verdade para ele, Mike Newton não iria mais me encher quando eu entrasse na loja e somente esse fato já me fez melhorar de humor.
Colocando as cervejas no banco de passageiros, sai do estacionamento e dirigi pela rua.
Uma coisa boa dessa cidade era que tudo ficava muito perto. Tinha uma loja de bebidas que só vendia vinhos e bebidas mais fortes, a pizzaria, farmácia, sorveteria, lojas, somente nessa rua.
Pulando da minha caminhonete com minha carteira em mãos, entrei pela minúscula pizzaria, paguei pelo meu pedido e sai em cinco minutos.
Movi a cerveja do banco para o chão, coloquei a comida quente no banco e joguei minha carteira na bolsa antes de sair do estacionamento, indo em direção a rua principal.
Os nervos começaram a bater assim que entrei na minha rua. Minhas mãos começaram a se apertar no volante involuntariamente e mordia meu lábio inferior enquanto dirigia pela rua até nossas casas.
Ele poderia fechar a porta na minha cara. Ele poderia nem atender a porta. Existiam milhões de coisas que ele poderia fazer e tudo que eu imaginava nunca acabava muito bem para mim.
Provavelmente ele estava tão cansado de me ver. Eu o via uma vez por dia desde que ele chegou quando normalmente eu nem via ele durante sua estadia aqui. Provavelmente eu era a última pessoa que ele queria ver agora, eu pensava enquanto entrava na minha garagem e notei que a luz de sua cozinha ainda estava ligada.
Talvez ele tenha a deixado ligada. Talvez ele nem esteja acordado agora. Só porque nem são sete da noite não quer dizer que ele esteja acordado, ele podia estar tão exausto que dormiu cedo sem desligar as luzes. Ele não tinha um emprego regular como a maioria dessa cidade; Eu nem poderia imaginar o pouco que ele dorme enquanto trabalha.
Parei na minha garagem e encarei a casa dele pelo meu retrovisor, meu lábio inferior preso entre meus dentes.
O pior que poderia acontecer era ele não atender a porta. E se ele não atendesse a porta, eu ainda teria mais uns três dias de comida antes de ir aquela loja.
Devagar sai da caminhonete, fechei a porta e fui andando até o outro lado para pegar a comida, cerveja e minha bolsa.
Olhei a distância entre nossas casas e a fina camada de gelo que tinha em nossas entradas antes de colocar a bolsa nos meus ombros e pegar a comida e bebida uma em cada mão.
Fechei a porta com o quadril e devagar trilhei a rua, olhando atentamente para o gelo que estava sob meus pés esperando o melhor momento para me derrubar.
Talvez eu devesse ter escrito um bilhete e colocado embaixo da porta. Era covarde e bem infantil fazer isso, mas parecia funcionado no passado.
Cheguei na entrada, passando por um pouco de gelo que tinha na ponta da escada, orgulhosa por não deixar o gelo tentar me matar hoje e andei até a porta, segurando meu lábio inferior entre os dentes novamente.
Seria um milagre se eu ainda tivesse um lábio inferior depois de hoje.
Respirando profundamente, gentilmente chutei a ponta de sua porta ao invés de bater, tentando ouvir qualquer barulho lá de dentro enquanto esperava impacientemente no frio.
Chutei novamente quando pensei ter escutado alguma coisa, pateticamente esperando que ele não tivesse ouvido da primeira vez.
Mas quando mais um minuto se passou e eu ainda não tinha escutado nada atrás da porta, balancei a cabeça e me virei para voltar para minha casa.
Olhei a fina camada de gelo e cuidadosamente pisei nela, sabendo que pular era o certificado de minha morte e quase imediatamente escorreguei e cai de bunda.
"Você só pode estar brincando comigo," murmurei enquanto a comida voava das minhas mãos.
A bebida caiu perto de mim, minhas mãos ainda a seguravam, mas tenho quase certeza que ouvi algumas garrafas quebrando.
E eu queria chorar. Só queria colocar a cabeça entre meus joelhos e abrir o coração porque o dia inteiro foi só uma grande decepção.
Em vez disso, quando senti as lágrimas começarem a sair dos meus olhos, usei as garrafas para me empurrar para cima e ficar em pé novamente. Choramingando, peguei a caixa de pizza que tinha parado perto da entrada. As asas de frango por outro lado, não seguiram o mesmo destino. A tampa da caixa abriu e mal pude ver que tinha asas espelhadas por toda calçada.
Limpando as lagrimas que tentava segurar do rosto, cuidadosamente comecei a recolher as arruinadas asas de frango, choramingando pateticamente enquanto fazia isso.
Deus, esperava que ele estivesse dormindo, porque se ele saísse da casa e me visse assim, não conseguiria olhar para ele nunca mais.
Naturalmente, não mais que dez segundos depois, ouvi a porta se abrindo atrás de mim e mal consegui me ajeitar enquanto pegava a caixa de asas de frango e segurava na minha mão que estava livre.
Tinha certeza que o que estava liberando essa corrente de eventos que me coloquei estava se divertindo.
"Bella?" ele perguntou, sua voz doce pairando no ar enquanto eu andava por sua entrada com minha cabeça inclinada para o mais longe possível dele.
E quando abri minha boca para tentar, por alguma razão idiota, fazer uma piada de tudo isso, nada mais que um gemido saiu.
Queria morrer.
Ou ao menos achar um local bem fundo, bem escuro que eu pudesse me esconder até ele voltar para a California.
Então coloquei a mão na minha boca e balancei a cabeça enquanto ia em direção as escadas pegar as cervejas que deixei lá.
"Bella, você está bem?"
E lá estava ele. Sem aviso; nada até que ele estava na ponta da escada, descalço a sem um casado pegando as cervejas antes que eu pude pegar.
"Estou bem," Falei, arfando alto enquanto olhava seu pé descalço.
"Você está machucada?"
Meu orgulho estava praticamente destruído e minha bunda doendo, mas fora isso, estava ótima.
"Não," Falei novamente, balançando minha cabeça e novamente colocando meu lábio inferior entre os dentes.
Até seus pés eram atraentes. Ugh, o que estava pensando? Ele era meu vizinho; meu bem famoso e bem atrativo vizinho que nunca me olhou mais do que parte do casal que sempre ajudou ele com a neve durante o inverno. Até pensar por um minuto que eu pudesse estar no seu radar era lunático.
"Bella."
E aí meu queixo estava em suas mãos e seus olhos estavam fixos nos meus enquanto ele me forçava a olhar para ele.
"Você não está bem."
"Só estava…" Solucei e fechei meus olhos, tentando tirar suas mãos de mim. Não funcionou. "Você está com fome."
"O que isso tem haver?"
Ele apertou meu queixo gentilmente e eu abri os olhos novamente, me sentindo tão humilhada que sua ação causou que mais algumas lagrimas caíssem dos meus olhos.
"Eu só... Eu…"
Ah, Deus, nunca iria parar, iria? Estava gaguejando e quase soluçando não importando quanto queria falar, "Eu iria trazer comida para que você pudesse comer", não estava saindo.
"Respire, Bella," ele disse suavemente, colocando as cervejas de volta no chão para segurar meu rosto com suas mãos.
Seus dedos limparam as lagrimas do meu rosto enquanto ele me olhava nos olhos e eu me senti mais calma devagar.
A vergonha, entretanto, voltou com força total e senti meu rosto queimar enquanto ele somente ficou parado lá, parecendo dez vezes mais perfeito com as luzes que vinham de sua varanda iluminando e seus lindos olhos verdes ainda olhando para meus normais olhos castanhos.
"O que você está fazendo aqui?" Ele perguntou suavemente.
"Eu posso ir embora."
"Nunca disse que queria que você fosse embora. Só queria saber o que você estava fazendo aqui... E porque você estava chutando asas de frango pela rua."
Por que o mundo estava me fazendo passar por essa vergonha, mas falhou em me engolir por inteira quando não podia mais com aquilo?
Tinha que me mudar. Não tinha como eu ver ele sem pensar nesse exato momento e querer me jogar de um precipício.
"Eu não comi e não tinha nada para comer em casa," eu disse, minha voz embargada. "Então pensei em sair e pegar alguma coisa para a gente..."
Engoli dificilmente. Isso soava exatamente tão burro quanto eu pensava. O que eu estava pensando? Honestamente?
Ele queria paz e silêncio e eu não conseguia dar isso a ele desde que chegou. Inferno, estava parecendo que eu estava fazendo exatamente as coisas que ele estava fugindo; montando acampamento na sua porta independente do tempo.
Eu era uma vizinha desprezível. Eu era uma terrível amiga.
"Esquece," murmurei, sentindo as lagrimas se formando novamente. "Só vou… Tenho…"
"Que tipo de pizza?"
Pisquei para ele, ignorando completamente a lagrima que escorreu em meu rosto.
"Como?" Murmurei, minha voz sem vida.
"Que tipo de pizza você pegou?" Ele perguntou suavemente, um pequeno sorriso se formando em seus lábios enquanto ele limpava minhas lágrimas.
"Você não precisa…"
"Se é de queijo, te arrasto para essa casa independentemente do que disser."
Eu acenei, finalmente desistindo e encostando meu rosto em uma de suas mãos enquanto o pequeno sorriso se transformou em um largo sorriso que eu não me importaria em ver todo dia pelo resto de minha vida.
"Então, o que estamos fazendo aqui fora?" ele sorriu, tirando as mãos do meu rosto para pegar a cerveja novamente.
Senti falta das suas mãos no meu rosto quase na hora que elas saíram e suspirei um pouco enquanto o seguia pelas escadas até a casa.
Fechei a porta atrás de mim e olhei em volta da sala de estar, compreendendo finalmente que eu nunca tinha estado em sua casa. Ele sempre foi à minha e eu nunca passei da entrada da dele.
Reconheci a maioria das mobílias que foram trazidas quando seus pais vieram visitar e invejei o sofá dele. E o pequeno e elegante item de metal preto de vidro que estava com a TV do outro lado da sala. E a cadeira reclinável que eu sabia que tinha apenas um ano de idade comparada com a minha de vinte e poucos anos que estava na minha sala.
"Algumas dessas devem estar quebradas," Disse para ele enquanto o seguia para a cozinha para colocar as caixas de pizza e das asas de frango na mesa.
Ele colocou as garrafas perto da pia, olhando para mim com uma de suas sobrancelhas levantadas.
"Por quê?"
"Elas pousaram bem feio quando eu caí," Murmurei, abrindo rapidamente a caixa de pizza para descobrir que a pizza estava literalmente grudada na tampa.
Ah, perfeito. Eu não percebi que talvez a caixa estivesse de cabeça para baixo quando peguei, mas obviamente estava. Eu realmente não sei como não vi isso ou consegui virar sem perceber, mas acho que chorar e tentar evitar meu vizinho tenha ajudado muito a isso.
"Isso não pode ser bom."
"Acho que deveria ir," Murmurei, enfiando a pizza de novo na caixa e cobrindo meu rosto com as mãos.
"O que? Por quê?"
"Estou tendo um dia muito, muito ruim e isso" apontando para a pizza, deixando meus braços caírem, "não está melhorando as coisas."
"Se te deixa melhor, eu também não tive um ótimo dia." Ele abriu a caixa de cervejas e pegou duas garrafas, e inspecionou-as antes de me entregar. "Me conte."
"Você não quer ouvir."
"Eu não teria perguntado se não quisesse ouvir." Ele abriu sua cerveja antes de verificar o resto analisando o estrago. "Manda ver, Bella."
Ele não queria que eu fizesse isso. Eu não seria mais que uma poça de palavras gaguejadas e lágrimas patéticas no chão de sua cozinha se eu fizesse isso, e nenhum de nós precisava viver com isso agora.
"Na verdade…"
"Bella." Ele parou de cutucar a caixa que estava no balcão e se virou para mim, cruzando os braços. "Você me trouxe comida. Estou totalmente faminto. Tenho dois ombros e você está livre para usá-los sempre que quiser. Me conte porque seu dia foi tão ruim."
"Somente se você me contra sobre o seu."
"Fechado… Mas você primeiro."
Suspirando pesadamente, virei a ponta da minha cerveja e me virei para jogar a tampa no lixo perto da geladeira antes de me encostar no balcão e ver que ele voltou a mexer com a caixa de cerveja.
Então eu contei para ele tudo que aconteceu comigo no dia. Desde a Jessica Stanley roubar minhas ferias – claro que não contei o motivo – até Jake destruir meu quarto e levar todos os móveis decentes e comida, terminando com o monte de trabalho que ainda tinha que finalizar.
Ele escutou como se fosse a coisa mais importante do mundo e devagar eu senti toda tensão e desapontamento que eu tinha dez minutos antes indo embora. Não conseguia lembrar porque estava chorando na rua – algo que graças a deus ele não mencionou – e todos os eventos do dia pareciam que tinham ocorridos a muito tempo atrás.
Fazia muito tempo que eu não me sentia daquele jeito. Jake estava lá para conversar comigo, claro, mas ele nunca escutou as coisas realmente. Ele perguntava as coisas certas e fazia os barulhos apropriados enquanto assentia com a cabeça, mas se eu perguntasse alguma coisa no dia seguinte, ele não conseguiria lembrar.
Era muito bom conhecer alguém que realmente escutava o que você dizia e se importava o bastante para perguntar.
Ele pegou somente duas garrafas que tinham pequenas rachaduras e colocou o resto em sua incrível, mas vazia geladeira antes de atacar a caixa de pizza e colocar os pedaços em um prato branco com ouro muito caro. Ele comeu um pedaço inteiro enquanto eu pegava o meu e o seguia até a sala de estar, ambos sentando no sofá.
"O que aconteceu com você?" Perguntei, encostando minha cabeça no sofá enquanto o via devorar mais dois pedaços de pizza em um minuto.
Tinha a pequena versão quando encontrei com ele mais cedo, mas tinha certeza que tinha muito mais. Ele me distraiu bem rápido me ajudando com os livros e eu não tive a chance de saber de tudo.
"Tentei ir às compras," ele murmurou. "E estava quase saindo quando uma mulher na minha frente me notou e começou a gritar muito."
Ele virou os olhos e lambeu seus dedos que estavam com gordura.
Eu me vi cativada por sua língua e lábios enquanto passavam em cada dedo e tive que me forçar a olhar nos olhos dele enquanto ele continuava a falar.
"Não demorou muito para que o resto da bendita loja entendesse que não era apenas por causa de uma aranha que ela estava gritando. Corri de lá o mais rápido que pude e não sai a casa desde que cheguei aqui."
"Isso realmente é um saco." Derrubei minha cabeça de volta ao sofá enquanto tomava um gole da minha cerveja. "Me desculpe."
Ele deu de ombros, mordendo o final de um outro pedaço de pizza antes de me olhar de novo.
"Eu não esperava isso aqui, sabe? Nunca aconteceu antes e pensei que iria continuar assim." Ele revirou os olhos, balançando a cabeça. "Foi estúpido da minha parte achar que não aconteceria."
"Não foi estúpido. Você veio para fugir disso alguns dias. Você merece um tempo para você e foi muito rude deles tirarem isso de você."
Ele me encarou, lambendo uma parte de molho que estava no canto de sua boca – me deixando completamente sem palavras e mais ou menos sem fôlego por um segundo – antes de um sorriso tomar conta.
"Você é a primeira pessoa normal que vê as coisas desse jeito."
Eu senti meu rosto aquecendo e rapidamente peguei o ultimo pedaço de pizza do meu prato, rapidamente enfiando ele na minha boca e evitando seu olhar fixo.
"É verdade," murmurei, pegando um pedaço do tecido do meu jeans. "Quero dizer, você provavelmente está cansado até de mim."
"Você nunca me cansa, Bella. Adoro sua companhia."
Se eu achava que meu rosto estava vermelho antes, eu tinha certeza absoluta que não era nada comparado com que estava agora.
"Você quer um tempo de tudo," disse, colocando o pedaço de pizza de volta ao meu prato.
"Eu ainda tenho isso. Dessa vez, tenho tido sua companhia e tornou minha estada aqui muito melhor. Eu curto passar o tempo com você, Bella," ele disse novamente, sua voz baixa e suave.
Olhei para ele e engoli a seco, encontrando seu olhar intenso.
"Eu curto passar o tempo com você também," eu sussurrei, limpando minha garganta a sentando direito quando percebi que tínhamos começado a se inclinar para o outro.
Ah Deus, o que eu estava fazendo? Me inclinando e sussurrando para ele? Isso era uma fantasia que nunca se realizaria, nunca iria acontecer.
"Eu, ahm," Limpei minha garganta novamente, vendo enquanto ele ia para o outro lado do sofá. "Eu preciso ir ao supermercado, também, então… Você quer… Hum," ri nervosa, "Ir junto? Talvez?"
Ele me encarou, seu perfeito queixo se movendo enquanto ele continuava a comer a pizza e eu viajando.
Eu precisava realmente parar de fazer isso.
Eu realmente precisava parar de chateâ-lo e agir como uma louca quando eu queria passar um tempo com ele.
O que não seria fácil de nenhum jeito.
"Você poderia, uhum… Usar um chapéu ou alguma coisa para se esconder? Você sabe, das pessoas que não conseguem se controlar?"
Por que ele não está dizendo nada?
"Ou você pode," engoli com dificuldade, olhando para baixo e colocando o pedaço de pizza que não queria mais entre nós dois, "me dar uma lista e eu posso ir para você? Quer dizer, você precisa ter alguma coisa para comer quando eu não estiver em casa."
Eu queria me bater. Como se ele estivesse contando comigo para ser alimentado... Tá. Eu me zombei mentalmente. Não era tão importante na vida dele e não podia me deixar pensar que era.
Eu era tão dispensável quanto a garota do lado. Aconteceu de eu morar na casa ao lado; Eu era conveniente e fácil.
Meu rosto corou novamente com esse pensamento e eu realmente cobri minha cara com uma das mãos sem mesmo pensar no que estava fazendo.
Eu não era fácil. Eu era…. Acessível. Sim, essa era uma palavra melhor. Acessível.
"O que você está pensando?"
Ah, ótimo, a forma mais básica de rejeição; evitar a questão e perguntar outra coisa.
"Nada," assenti, balançando minha cabeça e fechando meus olhos. "Não é nada".
"Que horas você sai amanhã do trabalho?" Ele perguntou casualmente.
"Seis, mas eu vou sair com umas amigas depois."
Brinquei com meu jeans novamente, mordendo meus lábios enquanto pensava sobre a boate que a Angela e a Rosalie iriam me levar.
Sexta-feira a noite era nosso dia de sair e a única vez que cancelamos foi quando o tempo estava muito ruim. Essa sexta iria apenas estar muito frio, mas pelo menos não teríamos neve.
Essa semana iríamos para a rua Saratoga e Caroline; cheia de bares e boates e homens realmente desalinhados e bêbados andando pela rua e falando coisas grosseiras depois de você ignora-los.
Se nada, iria tomar alguns drinques e tornar essa conversa horrível e a rejeição da minha cabeça até eu chegar em casa e ter que me deparar com ela quase vazia.
"E sábado?"
"Trabalho até as quatro," Balancei a cabeça, brincando com fiapo que consegui achar no meu jeans.
"Você quer ir no sábado então?"
Minha cabeça estalou e eu não pude evitar de escapar o estúpido sorriso que apareceu na minha cara.
Ele não me rejeitou.
Meu coração acelerou enquanto eu sentei direito e balancei a cabeça, pegando meu pedaço abandonado de volta para o meu colo.
"Sim, okay."
