Capitolo Quattro

Hibari deixou o segundo andar quando a reunião de Tsuna estava praticamente no fim.
Kusakabe o esperava do lado de fora, e mesmo percebendo que o terno com que Hibari deixava a casa não era o mesmo com que ele havia entrado, o fiel homem nada disse. Não que o comentário não estivesse dançando na ponta de sua língua, mas porque havia algo no Guardião da Nuvem que Kusakabe não entendeu. Os olhos negros do moreno estavam diferentes, e o ar ao seu redor parecia mais pesado.
Era como se uma parte de Hibari tivesse ficado naquela casa.

Ambos caminharam em silêncio até o templo Namimori.
O Guardião da Nuvem havia se tornado responsável pelo local no ano anterior e pouco se sabia sobre a mudança de Hibari.
Raramente alguém se arriscava a visitá-lo, então quando o próprio moreno virou-se para Kusakabe assim que pisou na propriedade e com uma expressão extremamente séria pediu que ninguém o incomodasse por tempo indeterminado, o ex vice-líder do comitê disciplinar teve certeza de que alguma coisa estava acontecendo.

Cumprindo a risca o pedido, não houve nenhuma interrupção no templo durante a semana que se passou.
Hibari realizava suas tarefas, enviava seus relatórios através de Kusakabe para Tsuna, mas se recusava a receber visitas. Ao fim de cada tarde, após tomar seu chá, o Guardião da Nuvem caminhava até a sacada, apoiando os braços na grade de madeira e ali permanecia até anoitecer.
Aquele havia sido um domingo de tempo agradável apesar do frio. O Sol havia desafiado o inverno japonês, mostrando seu largo sorriso por poucas horas no final da tarde. Como resultado, o entardecer pintou o céu com um laranja opaco trazendo pequenas lembranças do outono, ao mesmo tempo em que lembrava os moradores de que a primavera não demoraria a chegar.

- Kusakabe, que dia é hoje?

Todos os dias após ver o entardecer ir embora, Hibari se retirava para a sacada permanecendo ali por um bom tempo. Em que seu chefe pensava Kusakabe não ousava adivinhar, mesmo que tivesse certa intuição. O templo estava sossegado, não havia brigas nem passos apressados pelos corredores de madeira. Não havia italianos espalhados pela propriedade e nem um italiano em especial andando de um lado para o outro.
Kusakabe percebeu que Dino não aparecia há semanas, podendo facilmente ligar uma coisa a outra. Talvez o motivo pelo qual Hibari permanecia todos os dias na sacada fosse algo relacionado ao italiano. O que o ex vice-líder não entendia era o motivo que levava Hibari a fazer aquela pergunta todos os dias durante aquela semana.

- Domingo, quatro de fevereiro.

Hibari entreabriu os lábios e fechou os olhos.
Apesar de o Sol ter aparecido durante a tarde, sua presença não foi suficiente para aquecer a neve que cobria as ruas. O vento estava frio, e o kimono que o moreno usava não era apropriado para aquele clima.

- Eu vou estar no meu quarto e não quero ser incomodado.

O Guardião da Nuvem deixou a sacada seguindo diretamente para seu quarto. O cômodo localizava-se no fundo do templo, e era o único lugar que Hibari tinha certeza de que não seria incomodado. Naquele domingo em especial, o humor do moreno estava péssimo.
Não havia nada de especial no quarto: um largo futon ocupando quase todo o local, um guarda-roupa ao fundo e uma mesinha ao canto. Assim que adentrou, Hibari pousou os olhos na mesinha, mais especificamente no objeto em cima da mesma.
Com o celular em mãos o moreno ajoelhou-se no futon, correndo os dedos através do aparelho, apertando o número um. Uma voz eletrônica avisaria que o número estava desligado ou temporariamente fora de serviço, mas Hibari não chegou a ouvir toda a mensagem. Seus dedos então pressionaram o número 2 e então o sinal de espera o fez engolir seco.
O telefone demorou seis toques até ser finalmente atendido. Havia barulho do outro lado da linha e a pessoa que atendeu pediu que esperasse alguns segundos. Quando sua voz retornou o barulho havia desaparecido.

- Boa Tarde, Hibari - a voz de Romário o chamando surpreendeu Hibari por um momento.

- Boa Tarde.

- Como tem passado? Eu soube que o clima no Japão tem melhorado.

- De certa forma - O Guardião da Nuvem apertou o aparelho com força - Eu gostaria de falar com seu chefe.

- Hm... o chefe está meio ocupado no momento - Romário parecia ponderar - Você poderia ligar daqui a p--

- Eu realmente gostaria de falar com seu chefe, Romário.

Eram raros os momentos em que Hibari Kyouya precisava pedir por alguma coisa. Mais raros ainda eram os momentos em que ele precisava repetir seu pedido. Quando eles aconteciam, geralmente eram respondidos por ações ao invés de palavras e a pessoa em si não ficaria consciente por um tempo.
Porém, o Guardião da Nuvem não tinha seu usual par de tonfas. Sua voz não estava áspera e seus olhos encaravam o chão de madeira com uma expressão curiosa em seu rosto.

- Só um momento, por favor.

A cada segundo que Romário o fazia esperar era como se Hibari pudesse ouvir seu próprio coração. A cada batida seu estomago parecia fechar-se, e ele percebeu que estava sentindo uma ansiedade que jamais sentira. Seu corpo nos últimos dias parecia diferente. Sensações que ele nunca teve como angustia, ansiedade e solidão. O Guardião da Nuvem era uma pessoa individualista, mas aquela era a primeira vez que ele sentia-se sozinho.
Quando a voz de Dino chegou aos seus ouvidos, os olhos negros do moreno se arregalaram.

- Boa Noite, Hibari! - a voz de Dino estava séria.

- Boa Noite - Hibari segurava o aparelho com ambas as mãos. As duas pareciam não ser suficientes.

- Romário disse que você queria falar comigo. Aconteceu alguma coisa?

A preocupação na voz de Dino fez Hibari pensar que ele talvez não soubesse que dia era aquele. O chefe dos Cavallone deveria estar realmente ocupado e não apenas uma forma de desculpa esfarrapada.
Hibari sabia que quando Dino estava na Itália ele mal tinha tempo para as refeições.

- Não, tudo está bem.

- Entendo - Dino pareceu sorrir do outro lado da linha.

- Você tem se alimentado, Cavallone?

Houve um momento de silêncio.

- Claro~!

Mentira.

- Você está mentindo. Você deveria se alimentar. As pessoas não vão seguir um chefe doente, mesmo que um falso chefe.

- Kyouya! - Hibari sempre implicava com a condição de Dino. Uma das brincadeiras particulares do moreno era fazer pouco caso do fato de Dino ser o chefe e não parecer um - Eu não sou um falso chefe!

A voz musical do louro e a irritação eram as mesmas. O Guardião da Nuvem sorriu, mas não respondeu a provocação.
Seus olhos encaravam a ponta do kimono que ele usava, apenas ouvindo a respiração do outro lado da linha. Todos aqueles sentimentos confusos e principalmente a ansiedade haviam passado. Hibari sentia-se estranhamente confortável.

- Feliz Aniversário, Cavallone.

- Hã? Aniv--

Dino calou-se por um momento.
Hibari teve a impressão de que ele pretendia dizer algo, mas não pôde ouvir nada a não ser o barulho da respiração de ambos.

- E-Eu não lembrei do dia de hoje - Dino parecia envergonhado.

- Eu pensei nessa possibilidade, você deve estar ocupado.

- Um pouco...

- Não vou mantê-lo longe do trabalho, vou desligar.

- Ky-- Hibari - a voz do Chefe dos Cavallone parecia mais abafada. Ele provavelmente havia se escondido de Romário em algum lugar - Obrigado por ter ligado. E-Eu fiquei muito feliz em ouvir sua voz.

- Não precisa agradecer, boa noite.

Hibari desligou o telefone, mas seus olhos encararam a tela do celular por algum tempo.
Um estranho sentimento fez com que seu coração se sentisse bem e suas bochechas ganhassem uma discreta coloração rosada.
Desde a reunião de Tsuna que ambos não haviam se falado, exatamente como Dino havia dito. Hibari não entendia o significado daquelas palavras, mas também não sabia como perguntá-las diretamente à outra pessoa envolvida.
Na mente do Guardião da Nuvem os dois estavam ligados, e as palavras de Dino foram apenas uma forma de dizer que ele ficaria ausente por um tempo devido ao trabalho.
A única coisa que Hibari não entendia era porque todas as vezes que lembrava do adeus de Dino seu coração parecia apertado. Se era apenas uma distância provisória, por que sua mente repetia várias vezes as palavras daquela noite?

Após o dia quatro de fevereiro, Kusakabe não viu mais Hibari passando os finais de tarde na sacada do templo.
O Guardião da Nuvem havia voltado a sua rotina, e isso significava responder as mensagens de Tsuna e ceder um pouco de sua atenção diária aos outros Guardiões.
Hibari não gostava de multidões. Não gostava de cenouras. Não gostava de flores de cerejeira e não gostava de ser negligenciado.
Evitar multidões era um trabalho fácil, com exceção de duas épocas do ano: o Natal e o Dia dos Namorados. Durante esses dois dias fatídicos, nos últimos três anos, o moreno se via arrastado para algum tipo de passeio. Ele detestava as multidões nas lojas na época natalina, e não entendia como um jantar em um restaurante chique e cheio poderia ser romântico. Entretanto, ele compareceu fielmente aos programas que Dino marcava para ambos, e quando naquela manhã em especial os olhos negros do Guardião da Nuvem encararam o calendário, algo dentro dele pareceu acordar.

O último Natal ambos passaram no templo Namimori.
Dino desmarcou todas as reuniões e compromissos que tinha, e ele e Hibari passaram boa parte na noite juntos na sacada, admirando o céu e as estrelas. Hibari lembrou que Dino tinha aquela data planejava com dois meses de antecedência, então para o moreno deixar o templo Namimori com passos largos e uma expressão séria, era porque finalmente a realidade atingiu Hibari.
Dia doze de fevereiro... onde estava Dino?

- C-Chefe! - Kusakabe seguiu Hibari através do templo, sem saber o que estava acontecendo.

- Vou resolver um assunto, retorno em breve.

Hibari deixou o templo Namimori sem se importar com o frio ou a neve. Na realidade, aquela era a primeira vez que ele se aventurava a sair na rua sozinho nas vésperas de um feriado. Ele sabia o que esperar, mas a realidade foi um pouco diferente.
Havia uma porção de pessoas nas ruas, e quando a área comercial surgiu diante de seus olhos o moreno nem se quer parou para pensar se deveria ou não continuar andando. Na mente do Guardião da Nuvem só havia um lugar onde ele deveria ir.
Garotas em frente a lojas. Garotas nos bancos. Garotas em pé ao lado de outras garotas. Era como se de repente Namimori se tornasse feminina. Claro que havia garotos, mas como a tradição inclinava para o lado feminino, o dia catorze de fevereiro era a data mais importante para elas.

Enquanto andava, o Guardião da Nuvem tentou manter sua atenção focada apenas nos passos que deveria dar, mas era impossível. De vez enquando seus olhos passavam por alguma vitrine, encarando alguma embalagem ou coisa parecida. Hibari nunca havia dado nenhum tipo de chocolate em toda sua vida, mas recebera vários. Enquanto ainda era estudante do Colégio Namimori algumas garotas sempre conseguiam deixar um saquinho de bombons em sua sala, e as mais corajosas o pararavam no corredor para entregar em mãos.
Hibari não lembrava do rosto de nenhuma delas, mas jamais recusou um presente. Porém, ele lembrava perfeitamente do que recebera de Dino nos últimos dias dos namorados, e esse pensamento o fez apertar ainda mais o passo. Hibari estava começando a ficar aborrecido.

Tsuna estava deitado em sua cama, encarando o teto pelos últimos vinte minutos. Em sua mão direita ele tinha os dois anéis Vongola e em sua mão esquerda o formulário em branco do Colégio. Aquela era a última semana para a entrega e nenhuma linha havia sido adicionada. Para piorar, Reborn o havia pressionado o bastante nos últimos dias, a ponto de Tsuna ter de se esconder no banheiro todas as vezes que encarava o tutor.
Os olhos do Décimo Vongola correram na direção da porta no instante em que três batidas o fizeram sentar corretamente. Só havia uma pessoa que ainda respeitava a boa educação de bater na porta, então o mínimo que ele poderia fazer era receber dignamente essa pessoa.

- Boa Tarde, Juudaime!

Gokudera sorriu envergonhado para Tsuna enquanto entrava no quarto.
O Décimo Vongola sorriu, mas suspirou em seguida. Ele sabia o motivo pelo qual Gokudera estava ali.
Há uma semana o jovem Guardião da Tempestade havia pedido para Tsuna tirar Yamamoto da Família. Os motivos dados pelo garoto de cabelos prateados eram verdadeiros e seus argumentos incrivelmente sólidos. Entre todos os Guardiões (com exceção de Lambo), Yamamoto era aquele que mais parecia deslocado em sua função. Tsuna lembrava claramente de como o futuro havia se tornado sombrio para o Guardião da Chuva. Do garoto sorridente que sonhava em se tornar jogador de baseball, Yamamoto se tornara um mafioso.

- Eu vim saber da sua decisão, Juudaime.

O Guardião da Tempestade havia se sentado em frente à Tsuna, em uma pose tipicamente japonesa. Suas mãos estavam em seus joelhos e seus olhos verdes tinham um brilho intenso. A resposta de Tsuna significava muito para Gokudera.

- G-Gokudera-kun - Tsuna sentia a timidez começar a tomar conta. A resposta que Gokudera queria havia sido dada por Reborn no mesmo dia em que o garoto de cabelos prateados fez o pedido. Porém, Tsuna não se achava no direito de dizer aquelas palavras para Gokudera. Não quando ele mesmo não sabia se queria ou não ser o Chefe.

- Eu sei que não tenho o direito de pedir ou questionar nada, Juudaime, mas eu realmente gostaria que considerasse minhas palavras. - Gokudera abaixou os olhos, sério.

Tsuna apertou as mãos e os olhos, sentindo-se péssimo.
Yamamoto sabia do pedido de Gokudera, e da mesma forma como o Guardião da Tempestade pediu que o moreno deixasse a família, Yamamoto pediu para ficar. Ao contrário de Gokudera, o Guardião da Chuva não omitiu os motivos que o fariam deixar o baseball. O Décimo Vongola não sabia como dizer não a alguém que escolhera um estilo de vida totalmente questionável para poder proteger a pessoa mais importante de sua vida.
Gokudera ergueu os olhos ao perceber que o Juudaime finalmente responderia ao seu pedido.
No instante em que Tsuna moveu os lábios para transformar em realidade os seus pensamentos, algo chamou sua atenção. Na realidade, algo roubou sua atenção.

- Sawada Tsunayoshi.

- H-H-Hibari-san!

Hibari estava apoiado na janela de Tsuna, provavelmente vindo de lugar algum. Aquele era um hábito do Guardião da Nuvem, que não usava a porta, deixando que suas visitas sempre terminassem da maneira como haviam começado: surpresas e sem avisos.

- O que você está fazendo na janela do Juudaime? - Gokudera ficou de pé e retirou uma dinamite de dentro do bolso. Sua preciosa e importante conversa havia sido interrompida, sem contar que aquela atitude mal-educada era uma afronta ao Juudaime.

O Guardião da Nuvem lançou um olhar sério a Gokudera, mas sua atenção logo foi para Tsuna. Ao perceber que o futuro Décimo o encarava, o moreno colocou as pernas dentro do quarto disposto a resolver o assunto que o havia levado até ali.
O Décimo Vongola sentiu um frio na nuca ao perceber que o assunto de Hibari era com ele, ficando ainda mais apavorado ao ouvir o barulho de algo caindo no corredor. Só havia uma, na verdade duas pessoas que poderiam estar causando tal comoção em sua casa, e se elas estavam tão próximas isso significava que logo estariam ali no quarto.
Tsuna e Gokudera formavam uma dupla. Se mais duas pessoas entrassem então aquela poderia ser uma multidão aos olhos de Hibari.

- Só um momento, Hibari-san!

Tsuna correu até a porta e abriu-a de uma vez.
Sua idéia original era sair ao corredor e pedir que os barulhentos fossem brincar no andar debaixo. Entretanto, assim que abriu a porta, um par de pernas rápidas derrubaram Tsuna com um chute, adentrando ao quarto.
Lambo de oito anos de idade era uma versão piorada.

- Tsuna idiota!

O Guardião do Trovão ria enquanto agitava algo em suas mãos.
O Décimo Vongola era ajudado por Gokudera a ficar de pé, e somente quando seus olhos encararam o objeto que Lambo segurava que Tsuna percebeu que aquela não era mais uma brincadeira.

- L-Lambo... aqui. - Tsuna estendeu a mão na direção do garoto.

- Isso é do Lambo! - Lambo ainda era mimado e extremamente egoísta.

- Isso não é um brinquedo, vaca idiota! - Gokudera acendeu uma dinamite e ficou de pé. Só havia um jeito de fazer aquele idiota obedecer ao Juudaime.

Hibari tinha os olhos levemente apertados observando a discussão com certa irritação. Barulho, pessoas, gritos, pessoas, barulho, pessoas...
Sua mente queria sair de seu corpo e ignorar toda aquela cena, mas era impossível. Em um instante eles brigavam por alguma coisa que o garoto com roupa malhada segurava, para no outro tudo ficar embaçado pela fumaça de uma das dinamites de Gokudera. A última coisa que o Guardião da Nuvem viu foi alguma coisa vindo em sua direção e então tudo ficou negro.

A sensação durou poucos segundos.
Seus olhos se fecharam por causa da fumaça, mas quando se abriram a casa de Tsuna não estava no mesmo lugar. Não, ele não estava no mesmo lugar.
O local onde deveria ser o quarto do Décimo Vongola agora era um largo e longo corredor. Havia um simpático tapete marrom, as paredes eram enfeitadas com quadros e havia no ar um agradável cheiro de café.
Hibari retirou o par de tonfas de dentro do terno e começou a andar pelo largo corredor. Seus passos eram abafados pelo tapete e seus olhos negros vagavam de um lado para o outro atrás de algum sinal de vida.

Após caminhar alguns passos, uma porta ao lado direito chamou sua atenção, mas não foi preciso estender a mão para abri-la. Assim que a idéia de abrir a porta passou por sua mente, alguém do outro lado parecia ter decidido a mesma coisa.
Os olhos do Guardião da Nuvem encararam um homem um pouco mais alto, moreno de cabelos negros, com uma cicatriz no queixo. A semelhança com um certo Guardião da Chuva era evidente.

- Se não é o Hibari! - Yamamoto tinha um olhar surpreso, mas logo seus lábios esboçaram o sorriso de sempre - Você não é dessa época, é?

- ...

- Hahaha você deve ter sido pego pela Bazuca de dez anos, não? Então ela realmente não foi destruída! Semana passada Lambo apareceu por aqui, foi uma bagunça ahaha

- Não estou interessado nessa conversa, Yamamoto Takeshi. - Hibari deu meia-volta e recomeçou a andar.

- Você continua o mesmo ahahaha - Yamamoto fechou a porta e caminhou ao lado de um Hibari que não havia diminuído o passo - Não fique nervoso, você terá algum tempo livre aqui no futuro.

- O que quer dizer? - O Guardião da Nuvem parou. Aquelas palavras praticamente implicavam que ele não voltaria imediatamente ao seu tempo.

- Bom, como vou dizer isso? - Yamamoto pareceu pensativo - A Bazuca de Lambo passou por alguns melhoramentos. Da última vez, a visita do passado ficou quinze minutos aqui ahahaha.

- Não tenho esse tempo todo para gastar com coisas irrelevantes - Hibari olhou ao redor procurando uma maneira de se livrar de Yamamoto.

- Ah Hibari, vamos lá ~ - O Guardião da Chuva sorriu - Você deu sorte, Tsuna está por aqui. Por que não espera o efeito da Bazuca passar na sala dele? - O sorriso de Yamamoto desapareceu de seu rosto e esse detalhe não passou despercebido por Hibari - Você verá que certas coisas mudaram no futuro.

A última frase dita por Yamamoto fez Hibari apertar o par de tonfas com mais força em suas mãos.
Alguma coisa naquelas palavras o deixou com um péssimo pressentimento.

- Yamamoto Takeshi - Hibari parou e Yamamoto fez o mesmo. Ambos se encararam com expressões sérias - O que eu estava fazendo aqui?

O Guardião da Chuva ficou em silêncio por alguns instantes, como se ponderasse se deveria ou não revelar aquela informação.

- Tsuna o chamou há alguns dias, mas você disse que estava ocupado e só poderia vir hoje. Ele vai te entregar algo.

- O que? - Hibari podia sentir que seu coração batia mais rápido mesmo não havendo motivo aparente para isso.

- Um convite - Yamamoto desviou rapidamente os olhos.

- Para que? - O Guardião da Nuvem deu um passo a frente.

- Dino Cavallone vai se casar no final do mês. Tsuna quer que todos os Guardiões estejam presentes.

As palavras de Yamamoto pareciam não fazer o menor sentido para Hibari. Elas repetiam em sua mente várias vezes, mas seus olhos ainda estavam presos no homem a sua frente.
O Guardião da Chuva tinha uma expressão séria, e por um instante Hibari ficou assombrado com o que viu refletido nos olhos castanhos de Yamamoto. Era ele, Hibari Kyouya, com seus olhos arregalados e uma expressão completamente branca.
Seu peito estava apertado, seu estomago dava voltas e ele não percebeu que apertava seu par de tonfas com tanta força que o nó de seus dedos era incrivelmente visível.
O que era aquilo? Que sentimento era aquele que o fazia querer dar uma surra épica em Yamamoto, Dino, Tsuna e em qualquer pessoa que estive por ali?
Só havia uma maneira de saber o que estava acontecendo. Se aquela seria sua realidade em alguns anos então ele saberia com antecedência.

- Aonde está Sawada Tsunayoshi? - Hibari voltou a encarar o corredor.

- Tsuna? No lugar de sempre, segunda porta a... espere, Hibari!

O Guardião da Nuvem cruzava o corredor com passos largos e os olhos apertados. Seu coração e sua cabeça estavam uma bagunça, e aquele novo sentimento que apareceu quando Yamamoto disse aquilo, o fazia borbulhar de raiva.
Eu vou mordê-lo até a morte, Cavallone!

Continua...