Fuckin' Perfect

By: Jubs.

To: Debs-chan, por todos as reviews, pelo carinho e pela amizade.

Music by: Pink


[4 º Tomo – O tempo separados]

"É necessário que as coisas acabem para que coisas novas aconteçam."

XIII

Estranha e rapidamente um mês havia se passado. Os pinos na perna de Sesshoumaru haviam sido retirados, porém a dor e o desconforto faziam com que ele usasse uma bengala. Por ordem de Sangô, agora ele usava uma tala para manter o braço esquerdo imobilizado. Aquela demonstração de fraqueza o enfurecia, mas não tinha Rin para conversar sobre isso, apenas o colega que ela havia indicado. Não era a mesma coisa, mas ajudava. A verdade, a terrível verdade, era que sentia falta dela, dos sorrisos genuínos e do olhar acalorado. Mas precisava parar de pensar naquilo, não lhe fazia bem.

Havia passado o dia na empresa, arrumando os contratos que Naraku estava lidando. Não confiava nele, temia que as pequenas mudanças pudessem estragar os contratos e ligações que havia custado tanto a fazer, mas, a sua preocupação, quando chegou em casa, era a de servir uma dose generosa de whisky e observar as chamas que logo criaria em sua lareira. Parte da tarde havia passado em uma importante reunião, mas Bokuseno não o queria de volta completamente, mesmo sendo extremamente tedioso e mal estava trabalhando. O acordo se mantinha, ele poderia trabalhar em casa em alguns – pouquíssimos – casos e ir a reuniões importantes. Era como se apenas fosse uma atividade para fazê-lo se esquecer de toda a dor e sofrimento.

Mas nada mais do que planejava saia corretamente. Ao chegar a casa, a qual pensou estar vazia, escutou Inuyasha falando com a televisão em uma das salas. Amaldiçoou o irmão mentalmente. Caminhou com dificuldade até a sala de TV e encontrou Inuyasha com uma camiseta de time, uma caixa térmica lotada de gelo e cerveja. Estreitou o olhar quando o mais novo continuou a ignora-lo. Naraku havia o cansado durante todo o dia com a inutilidade de sua existência, agora teria que ouvir os gritos do irmão?

- O que pensa que esta fazendo?

- Kagome me expulsou de casa por hoje, falou que eu grito muito durante o jogo. – Ele falou sem olhar para Sesshoumaru.

- Por que não foi para a casa de Houshi?

- Ué, ele ainda ta alugando a casa dele praquele casal lá...

- Tem razão... onde ele esta agora?

- Saiu com a Sangô, pediu para avisar que chegaria tarde. – Inuyasha olhou para o meio-irmão e sorriu. – Quer uma cerveja?

Preferia que Inuyasha não estivesse lá, preferia o whisky que o ajudaria a dormir, preferia acalmar seus ânimos olhando a madeira crepitar pelo fogo, mas era a primeira vez em muito tempo que tinha um tempo para conversar, interagir, melhor com o meio-irmão. Seu novo terapeuta havia lhe dito que era importante se aproximar de sua família, era uma forma de apoio e de lidar com tudo o que havia acontecido.

- Claro. – Ouviu sua voz indiferente ecoar pela sala, sem nem mesmo saber que havia dito alguma coisa.

Inuyasha sorriu e lhe jogou uma cerveja gelada. Toda aquela cena era irreal, suas principais lembranças com Inuyasha eram as constantes brigas, afinal, era muito fácil irritar o mais novo. Diferente dele, o meio-irmão sempre fora mais sensível a provocações. Aquela era uma boa mudança, não era? Pegou agilmente a cerveja com sua mão direita, sorriu sutilmente.

- Como foi a reunião? – Inuyasha estava voltado para a televisão, esperando os comentaristas terminarem a analise preliminar dos times, ansiando pelo começo da partida.

- Tediosa como sempre. – Sesshoumaru foi se sentindo mais confortável. Sentou-se ao lado do hanyou e esticou as pernas e as colocou sobre a mesa de centro.

- Elas nunca foram tediosas antes.

- Naraku estragou meus contratos, ele mal me deixou falar e, quando errava em alguma coisa, eu simplesmente não podia corrigi-lo. Ao menos não na frente dos clientes.

- Estragou como?

- Okay, ele não estragou. – Abriu um meio-sorriso triste. – Ele apenas não faz as coisas como eu faria.

- Perfeccionista. – Inuyasha falou divertido.

- Melhor do que não fazer nada o dia todo.

- Hey! Eu faço coisas durante o dia! – Mesmo que Sesshoumaru não tivesse o atacado, Inuyasha se irritou, só para não fugir muito de seus hábitos.

- Sei. – O youkai revirou os olhos. – Faz as compras para a casa, vive na frente da TV... quem disse que isso não é fazer nada?

- Idiota. – Inuyasha rosnou.

Sesshoumaru percebeu pela visão periférica que o mais novo pretendia jogar uma almofada nele, porém teve medo em acertar o braço do youkai. O meio-sorriso de Sesshoumaru se tornou em uma expressão triste. Nem mesmo poderia brigar com o irmão por agora ser fraco? Imperfeito? Inferior? Fechou os olhos por alguns segundos, lutando para acalmar a ira que sentia sobre si mesmo. Aquilo iria passar, ele logo iria se recuperar. Abriu a lata e tomou um longo gole.

- Seu time vai perder hoje.

- Lógico que não! Temos os melhores jogadores do país!

- Só por isso, vou torcer pelo time contra. – Sorriu sadicamente. – Aposto 100 que fazemos um gol nos primeiros 5 minutos.

- Fechado. – Inuyasha sorriu em resposta. – Vou gastar tudo com lámem.

A partida havia começado e o silencio se propagou para todos os aposentos da casa, a única coisa a se escutar era o som do jogo e a conversa dos comentaristas. Inuyasha nem mesmo xingava quando seu time falhava em alguma coisa, o que era tranquilizador para Sesshoumaru, que apenas queria a calmaria naquela noite. Em menos de cinco minutos, o bairro inteiro conseguiu ouvir um grito de desgosto e uma risada maléfica.

- Paga agora ou depois, irmãozinho? – Inuyasha o olhou assassinamente.

Agora conseguia apreciar a falha em seu plano de passar uma noite em pura calmaria e alcoolismo. Havia se esquecido do quão divertido era tirar dinheiro do irmão, da competitividade entre os dois e do gênio explosivo do mais novo. Nunca havia realmente apreciado ou tentado se aproximar de Inuyasha, se recusava a acreditar que sentia inveja do mais novo, simplesmente por pensar que seu pai poderia ama-lo mais, pelo simples fato de ele não ter matado alguém, carregando o ódio do pai e dos avós. Mas isso fora antes, antes de sua conversa com Taishou e Izayoi, antes de conhecer Rin e mudar quase completamente sua visão de mundo.

O jogo prosseguiu com inúmeras apostas e era tão fácil, mas uma hora ele tinha que acabar. Logo, a consciência de que tudo aquilo era estranho e bizarro demais voltaria e talvez o sentimento incomodo que tinha perto de seus familiares voltasse com mais força. Porém, o youkai não queria voltar, queria que as coisas mudassem nem que fosse um pouco. Muitas coisas ficaram horríveis depois do acidente, ao menos alguma coisa podia ser boa, não é? Ou o mundo era tão injusto assim?

- Você me deve… quanto mesmo? – Sesshoumaru sorriu cinicamente, recebendo uma expressão zangada do irmão mais novo.

- 500… como vou contar isso pra Kagome agora?

- Vocês podem viver de lámem... pense pelo lado positivo.

- Kagome não aguenta mais comer isso...

- Você precisa buscar ajuda para acabar com esse vicio.

- Babaca. – Inuyasha se levantou. – Bom, tenho que ir para casa, mesmo que Kagome brigue comigo pelo horário.

- Idiota, pode dormir aqui. – Sesshoumaru falou ao se levantar também, saindo da sala sem esperar resposta do mais novo.

Inuyasha acabaria por dormir ali, o que era reconfortante.

The whole world is scared so I swallow the fear
The only thing I should be drinking is an ice cold beer

Subiu para seu quarto e deitou na cama, o sono demorava a chegar e não sabia onde estava seu remédio para dormir, porém, perdido em pensamentos, adormeceu. Adormeceu apenas para ser acordado por Inuyasha no inicio da manhã. Suava frio e os olhos do irmão beiravam ao desespero, mas não conseguia falar, era como se tudo fosse parte de um sonho. Inuyasha o soltou, voltando minutos depois para jogar água no rosto de Sesshoumaru.

- Enlouqueceu? – Falou por entre os dentes, enquanto secava o rosto com o lençol.

- Estou tentando te acordar a horas! – Inuyasha gritou. – Você estava se debatendo, gritando e nada do que eu fazia te acordava!

- Não me lembro de nada disso, vai ver quem estava tendo pesadelos era você.

- Ótimo. – O mais novo saiu impetuosamente do quarto.

Sesshoumaru não queria admitir que Inuyasha estava certo, de que os pesadelos haviam voltado e que os remédios já não tinham mais o efeito de antes. Não queria admitir para si mesmo de que continuava naquele lamentável estagio de fragilidade, tristeza e raiva. Era algo tão difícil que, mesmo quando esquecia por alguns minutos, tudo voltava e voltava pior. Rir e sentir-se bem geravam culpa, principalmente quando olhava para os retratos de sua família perdida. Enfim, ele seria sempre fraco.

Levantou-se e tomou um longo banho, mantendo cuidado para não movimentar o braço esquerdo, queria se curar para não mostrar aquela imagem de alguém quebrado, alguém imperfeito e vulnerável. Precisava ser forte novamente, ao menos no exterior, mesmo que precisasse mentir sobre como realmente estava. Inuyasha poderia ficar bravo e não falar mais com ele, porém eram um preço a se pagar, nunca fora apegado com o irmão mais novo, por que isso também precisava mudar?

Afinal, tudo havia mudado. Algumas coisas não podiam permanecer iguais? Era tão extremamente frustrante saber que ele nunca teve poder sobre nada, sobre seus sentimentos ou atos, sobre seu futuro e suas metas, pois se tivesse, nada daquilo teria acontecido. Ele teria chego em casa e colocado Yume para dormir, teria uma breve discussão com Sara, mas logo fariam as pazes e, na manhã seguinte, ele iria trabalhar. A vida continuaria a ter um sentido.

Mas agora estava perdido em um mar revoltado e caótico, tudo o que ele havia feito depois do acidente não tinha sentido. Por que queria ficar melhor? Sara e Yume não estariam ali para ver o quanto ele havia melhorado, vê-lo realmente fazendo as pazes com Taishou e Izayoi, vendo ele se aproximar de Inuyasha e dos outros. Sesshoumaru já não tinha mais motivos para viver e isso era completamente novo e assustador.

Mesmo sem motivos, lá ele continuava. Vivo, atormentado, perseguido pelas suas próprias lembranças. Estava trabalhando tudo aquilo com o novo psicólogo, mas as coisas demoravam tanto para se modificar e melhorar e, mesmo que negasse, em meio a tantas coisas ruins em sua vida, uma parte de Sesshoumaru queria continuar. Sabia que nunca iria viver novamente, não depois de perder tudo, mas sobreviveria. Morreria extremamente idoso, sem ninguém por perto, seria aqueles senhores rabugentos que as crianças da vizinhança tem medo e isso era algo que não lhe dava tanto medo. O medo era pela vontade de querer morrer velho e com pessoas a sua volta, principalmente de estar com seus familiares.

Saiu do longo banho e conseguia ouvir Inuyasha reclamando na cozinha, a casa estava tão silenciosa que transformava qualquer suspirar do irmão em um grito. Colocou uma roupa leve e desceu, precisava se desculpar de alguma forma, tudo estava sendo muito estressante e Inuyasha queria ajudar, não era justo descontar todas as suas frustrações nele ou em seus amigos, havia aprendido aquilo. Na cozinha, Inuyasha brigava com a cafeteira, pois aparentemente ela não estava funcionando como deveria.

- Você esta fazendo isso errado. – Seu timbre era sutil e baixo.

- Eu sei fazer café. – Ele respondeu irritado.

- Minha maquina é diferente. – Sesshoumaru falou friamente, tirando o irmão do caminho e ligando a maquina corretamente.

- Feh... – Inuyasha deu de ombros e voltou a ignorar o irmão mais velho.

- Eu sei que está bravo comigo... Eu voltei a ter pesadelos e os remédios não estão ajudando.

- Vai falar com o psiquiatra? – Tentou manter o tom despreocupado.

- Se eu falar ele apenas vai me passar mais remédios. – Sentou-se em uma cadeira próxima. – São demônios que eu tenho que enfrentar.

- A terapia tem ajudado?

- Tudo tem ajudado Inuyasha.

Sesshoumaru sorriu sutilmente, mesmo não tendo sido percebido pelo irmão. Inuyasha colocou uma xícara de café na frente de Sesshoumaru e tentou preparar algo para comer, permitindo que o silencio pudesse invadir o ambiente. O cheiro de torradas começou a invadir o ambiente, porém, a atenção de ambos se voltaram ao ouviram passos cambaleantes pelo corredor e um leve cantarolar, poucos segundos depois Miroku apareceu sorridente na cozinha.

- Bom dia pessoas maravilhosas! – Ele falou enquanto servia café para si mesmo.

- Estava na Sangô até agora?

- Sim! Finalmente ela permitiu que eu entrasse em seu coração, em sua casa e em sua...

- Okay! Isso nós não precisamos saber! – Inuyasha quase gritava, com o rosto completamente avermelhado.

- Como você é ingênuo e inocente... – Miroku o olhava com reprovação.

- Cala a boca! – Inuyasha gritou completamente corado. – Não sou nada disso! Só não preciso saber das suas intimidades!

- Demorou tanto assim, Houshi? – Sesshoumaru tinha um meio sorriso no rosto. – Pela sua fama, achei que você conseguiria algo assim muito mais facilmente.

- Sangô que é muito difícil... não tinha o que fazer além de esperar, não é? – O moreno não conseguia sair do estado de extrema alegria, sentou-se na frente do youkai.

- Se você estragar isso Houshi, vou mata-lo com minhas próprias mãos. – A voz do youkai era fria.

- Ela vai ser a mãe dos meus filhos, Sesshoumaru… você vai ver. – Ele sorriu feliz consigo mesmo.

- Sei...

- Por que esta protegendo Sangô dessa forma? – Inuyasha perguntou confuso.

- Porque, de certa forma, ela entrou pra nossa disfuncional pequena família e também, se Miroku magoar ela, ela vai acabar descontando em mim durante a fisioterapia. – Explicou calmamente.

- Então somos uma pequena família? – O mais novo abriu um meio sorriso.

- Não se esqueça do disfuncional. – Sesshoumaru respondeu em um curto sussurro enquanto se levantava. Pegou a bengala que repousava ao lado da mesa.

- Vai descansar? – Miroku o observou enquanto ele se encaminhava para fora da cozinha.

- Sim, não dormi direito.

- Parece que os remédios estão perdendo os efeitos. – Inuyasha comentou...

- Entendo... bom descanso, Sesshoumaru. – Miroku sorriu para o amigo, tentando disfarçar o olhar preocupado.

A questão não era nem mais os medicamentos, mas os pesadelos... Tudo aquilo era extremamente cansativo, principalmente o sentimento de indescritível tristeza e desolação. Sentia-se perdido, se afogando, como se nada mais faria sentido. A verdade era que havia perdido o seu lugar no mundo e aquilo ficava tão evidente quando abria seus olhos e encarava Sara, sabendo que a imagem dela o perseguiria para sempre. O que não podia contar era que durante toda aquela simples conversa, sua esposa estava encostada no batente da porta da cozinha, o encarava deprimida, mas ainda sorria.

Seguiu pelo corredor, temendo ouvir comentários dos dois que permaneciam na cozinha. Fechou-se para qualquer outro estimulo que não fosse o olhar e sua própria debilitante mobilidade. Odiava sentir dor em todos os seus passos, mas a bengala ajudava de certa forma, principalmente por continuar mancando. Nada daquilo era fácil, mas estava se acostumando. Porém, por mais que fosse rotineiro, ainda machucava seu orgulho, até quando olhava para trás e via a imagem de Sara encostada na parede do corredor.

Aquela tortura nunca chegaria ao fim?


XIV

Em seu quarto, ela o esperava sentada na cama e não era como antes. Ela não lia um livro ou penteava os longos cabelos como se fosse apenas uma lembrança, porém, mostrava-se simplesmente sentada, contemplando o vazio de sua vida que não existia mais, que nunca mais iria existir e era exatamente como Sesshoumaru se sentia. Seria loucura iniciar uma conversa? Tentar afogar suas magoas enquanto abraçava a imagem de sua esposa que agora desvanecia? Nem mesmo percebeu que havia fechado a porta atrás de si.

Lembrou-se da chegada do hospital, de como havia desmoronado segurando uma estúpida girafa de pelúcia e como Rin não pensou duas vezes em ir até lá para apenas segurar suas mãos. Mas Rin já não estava mais lá e talvez nunca mais a visse novamente. Ao encarar o rosto distante de Sara, o sentimento de culpa caiu por sobre sua cabeça, nunca deveria ter beijado Rin. Nunca deveria ter sentido algo mais do que respeito pela psicóloga e agora a imagem do, até então, amor de sua vida fazia com que tudo parecia pior.

O desejo, os instintos, a vontade de não querer ficar só novamente eram insuportáveis e acabou fazendo exatamente o que Sangô havia tentado avisar. E era tão recente ainda, a cicatriz e as marcas de sua vida passada com Sara ainda eram visíveis que simplesmente não conseguia suportar pensar na psicóloga, pois ao pensar e lembrar, era como manchar a vida feliz e todo o amor que sentia pela esposa, por sua família e sua vida. E mesmo ao olhar para a possível alucinação de Sara sentada na cama, era como uma apunhalada em seu peito, pois todas as vezes que sentia a tristeza tomando conta, era olhar para frente que a via, sempre que sentia alguma melhora emocional, fechava os olhos e lá estava ela.

Tudo aquilo era insuportável e o sobrecarregava e Sesshoumaru não era do tipo que chorava facilmente ou revelava o que realmente passava em sua mente. Mas diante de tudo, a única coisa que queria fazer frente aquela imagem era permitir transparecer tudo o que não podia. Queria sentar-se ao lado de Sara e abraça-la, pedir perdão por todos os erros e implorar que ela voltasse, porém aquilo não era possível e nunca mais seria. Tentou se controlar, mas sentia as lágrimas se aproximando, mas não se permitiu derruba-las. E ela sorriu e indicou um lugar ao seu lado. Estava enlouquecendo.

- Não, você não esta enlouquecendo. – E ela sorriu.

- Eu estou, você não é real. – Não conseguia se aproximar.

- Quem disse?

- Eu estou dizendo. Isso é apenas mais uma alucinação, principalmente por que espíritos não existem.

- Mas eu estou aqui, não estou?

- Isso é tudo fruto da minha imaginação. – Passou a mão pelo rosto, tentando se enganar de que aquilo, aquela conversa, era algo real.

- Sempre tem que ser o racional, a pessoa que ganha todos os argumentos... – Ela riu. – Por que simplesmente não aproveita esse pequeno momento que temos juntos?

- Por que ele não é real, Sara. – Baixou a cabeça. – Eu quero que seja, eu quero poder vê-la novamente, mas é impossível.

- Estamos conversando agora...

- Eu devo estar falando sozinho.

- É possível, ou espíritos realmente existem. – Sara mantinha um sorriso divertido nos lábios.

- Se acredita nisso, está mais louca do que eu.

- Sesshoumaru... – Ouvi-la sussurrando seu nome era a pior tortura.

Aquilo era mais do que podia suportar. Deixou seu corpo cair sobre uma poltrona, precisava manter sua distancia de Sara, sabia que a proximidade apenas causaria maior dano em seu estado mental e emocional. Em um piscar de olhos, Sara havia mudado sua posição na cama, estava agora deitada de bruços, com a cabeça repousando sobra as delicadas e pálidas mãos. Aquela imagem tão simples e doce fez com que Sesshoumaru novamente duvidasse de sua sanidade, tendo a saudade tirar-lhe o ar.

- Por que esta fazendo isso comigo? – Perguntou em um fraco sussurro.

- Você esta fazendo isso consigo mesmo, meu querido... Sou apenas o fruto da sua imaginação.

- Não quero nada disso, Sara.

- Mas uma parte sua quer me ver e falar comigo... Mas o que exatamente essa parte quer me falar?

- Se você é só fruto da minha imaginação, você já sabe de tudo.

- E qual é a graça nisso? Pode ser terapêutico falar tudo o que sente para sua esposa, não?

- Terapêutico seria dormir pelo resto da minha vida. – O youkai não controlou o tom ríspido.

- Você endureceu tanto assim que nem mesmo consegue me encarar ou sorrir?

- Você morreu, Sara. Esperava que eu estivesse bem, que tivesse superado tudo isso? – Levantou os olhos para ela, mas o sorriso da mulher a sua frente não se mostrava abalado frente à raiva que ele transmitia.

- Não... mas que ao menos tentasse seguir em frente. Esse sempre foi o seu problema, sempre tão apegado no passado que nem mesmo consegue encarar as novas possibilidades que se abrem na sua frente. Você acha que não merece nada de bom e acaba cometendo erros ou conflitos que seriam tão facilmente resolvidos e evitados. – Suspirou pesadamente. – Superar a minha morte, a morte de Yume vai ser difícil e doloroso, mas você não pode voltar a se fechar... será que não aprendeu isso ainda?

- E por que não?

- Se você tivesse se mantido frio e distante, toda a experiência comigo, com Yume, ter uma família nunca teria existido. Olhe a sua volta, veja quantas pessoas se importam com você e querem ver você melhorando...

- Mas eles não são você Sara. – Segurou as mãos de sua esposa e, por mais que não fosse real, era tão reconfortante.

- Eu não me arrependo de nada, tudo o que eu vivi com você foi perfeito, mesmo com brigas e discussões. Mas meu tempo simplesmente acabou e mesmo tendo sido tão pouco, foi tão bom. Yume deve se sentir da mesma forma.

- Não sei como seguir em frente. – Sentiu seu corpo mais pesado do que antes e, lentamente, se deitou ao lado dela na cama.

- Você vai descobrir de uma forma ou de outra.

- Vai estar aqui quando eu acordar? – Perguntou sonolento.

- Ficarei aqui até você não precisar mais.

Adormeceu novamente, escutando a voz dela sussurrando alguma música. Estava realmente louco, o trauma fora tão grande para fazê-lo surtar daquela forma? Mas a alucinação que era Sara, aquela conversa, realmente era terapêutico, poder falar com ela e entender melhor sua nova situação o aliviava. Mas não poderia viver para sempre apegado em uma ilusão causada por seus nervos já debilitados. Pelo menos, toda aquela estranha situação havia afastado os pesadelos e, pela primeira vez dês do inicio da terapia, havia conseguido encontrar descanso durante o sono sem o uso dos medicamentos.

So cool in lying and we tried, tried, tried
But we try too hard, it's a waste of my time

Ao abrir os olhos novamente percebeu que já havia anoitecido pelo o que conseguia ver pela janela. Sentia-se mais tranquilo e relaxado, passou as mãos em seu rosto, temendo olhar para o lugar ao seu lado na cama. Não sabia do que mais tinha medo, se Sara estivesse lá ou se ela simplesmente tivesse desvanecido quando ele adormeceu. Não conseguiu olhar para o lado, simplesmente se levantou e tomou um novo banho, a ansiedade e o medo o dominavam.

Quando finalmente reuniu coragem em voltar para o quarto, lá estava ela, sorrindo serenamente para o desastre que havia se tornado Sesshoumaru. O youkai baixou o olhar, a insanidade duraria por quanto tempo? Sentou-se novamente na poltrona, pensando no que falar, mas não existiam palavras, sentia que todo o seu mundo estava desmoronando novamente. A verdade é que queria viver naquela loucura para sempre, assim nunca teria que seguir em frente, pois teria Sara ali.

- Sesshoumaru, não se engane dessa forma. – Ela falou seriamente.

- E por que não?

- Já falei o porquê, mas você tem que sempre ser teimoso! – Sara suspirou profundamente. – Temos que terminar logo com isso.

- O mundo dos espíritos esta te chamando? – Ele perguntou sarcasticamente.

- Idiota. – Sesshoumaru nunca permitia que alguém o xingasse, mas ela nunca o irritava quando o fazia. – É importante que eu vá embora para você seguir sua vida, droga. Você não pode continuar com um luto eterno, eu não gostaria disso. Você é novo ainda e existem tantas coisas para experimentar e vivenciar. Agora vamos falar do por que eu ainda estou aqui.

- Preciso mesmo?

- Sim. – E ela sorriu, o que fez com que o mundo dele tivesse sentido novamente. – Me conte tudo.

- Você esta aqui porque me sinto culpado. – Suspirou. – Culpado por tudo, especialmente por conta do acidente.

- Mesmo sabendo que a causa do acidente foram fatores externos. Você é um tolo. – Sara falou, mas não deixou de sorrir.

- A questão é que você e Yume nunca deveriam ter estado no carro, nem mesmo naquela viagem! – Tentou manter a voz baixa para não chamar a atenção das outras pessoas que passaram a ocupar sua casa. – Se eu tivesse sido mais firme, nada disso teria acontecido!

- Mas eu fiz essa escolha, não você. Não adianta ficar tomando uma culpa que não é sua e nunca vai ser. Sabe, tudo isso vai continuar te fazendo mal se você não abrir mão.

- E como eu abro mão? Isso é impossível! – A voz exasperada do youkai ecoou pelo quarto. – Por mais que você diga que a culpa não é minha, é impossível eu não me sentir culpado sendo o único que ainda esta aqui, que ainda esta vivendo. Eu nunca vou conseguir superar isso, por que vocês foram as coisa mais importante da minha vida e poucos meses não vão fazer com que eu consiga seguir em frente. Não é justo você pedir isso pra mim, não é você que tem que acordar de manhã e se deparar com uma realidade em que sua família morreu e que você ainda respira.

- Eu sei que não é. – Sara sorriu tristemente. – Nunca vamos entender por que as coisas aconteceram dessa forma, mas elas aconteceram. Uma hora ou outra você vai ficar melhor, mas você tem que se abrir para essa possibilidade. Tudo vai ficar igual se você não fizer algo para mudar.

- Eu beijei alguém. – Não sabe por que falou aquilo ou o porquê falou naquele momento, mas era tanto. – Eu nunca te trai, mas senti que trai a sua memória ao me sentir atraído por outra mulher e por tê-la beijado. Acho que era medo, não sei.

- Acho que é saudável sentir-se atraído por alguém, mesmo durante o relacionamento com uma pessoa, é possível isso acontecer. E você não esta traindo a minha memória, é o que eu falei, uma hora ou outra você vai seguir em frente, vai se apaixonar por uma outra pessoa e é isso o que eu quero pra você.

- Não é algo saudável enquanto eu ainda estou de luto, não me sinto bem com tudo isso.

- Eu sei, mas ficar remoendo tudo isso apenas piora a situação. A vida é cheia de surpresas e coisas inesperadas, e você esta enclausurado em casa, perdendo tantas coisas boas. Não estou falando que você deve simplesmente sair agora, mas que você continue a viver e não se fechar na frente de grandes oportunidades.

- Mas e vocês?

- Nós sempre estaremos com você Sesshoumaru, eu e Yume te amávamos mais do que tudo e sabemos que você sente o mesmo, o importante é não deixar a lembrança morrer. Se algum dia você se apaixonar ou beijar alguém, a culpa deve ser algo longe da sua mente, pois se nós estivéssemos vivas, você não faria isso. Eu já não estou mais do seu lado, mas não quero que você fique sozinho.

E ele não aguentou, mas aquela seria a ultima vez que suas lágrimas cairiam. Sabia disso, pois, finalmente sentia certo alivio. Era tudo tão confuso, era como andar pela rua de noite e tudo estar nublado, mas a presença de Sara, aquela estranha conversa com uma ilusão de sua mente, realmente fora terapêutico. As lagrimas eram calmas e um sorriso se formou nos lábios dele, muita coisa ainda seria trabalhado e superado, mas sabia que nunca mancharia a imagem de Sara e Yume se, ao menos, não se esquecesse dos tempos felizes ao lado delas e o quão bom era sentir-se amado e rodeado de pessoas que o queria bem.

Teria que parar de perder tempo se fechando para tudo e todos, pois o caminho para a melhora não era este. Aquilo apenas fazia com que ele perdesse seu tempo, agora sabia daquilo, agora tinha as armas para tentar superar tudo. A imagem de Sara não estava mais a sua frente, sua mente fragilizada havia cansado de se torturar. Esperou seu coração se acalmar e as lágrimas secarem em seu rosto quente e finalmente sentia-se em paz.

Recostou-se na poltrona e sentiu seu corpo relaxar, mas não conseguiria dormir, havia descansado quase o dia inteiro e não queria tomar remédios. Sua vontade era de apreciar a tranquilidade do momento, a culpa ainda estaria ali, mas tudo começava a ficar um pouco melhor. Tudo estava correndo bem no exterior, afinal, estava finalmente se aproximando dos familiares e amigos, mas agora, as coisas começavam a se acertar no interior também, o que era um alivio.

A casa estava estranhamente silenciosa. Teria Inuyasha e Miroku saído? Agora que Sara havia sumido, sentia-se estranhamente só e nunca havia sentido-se assim. Sim, quando soube das fatalidades que ocorreram por conta do acidente, o vazio era palpável, mas antes? Antes mesmo de conhecer Sara? Nunca havia experimentado tal sentimento, era – em certa medida – feliz sozinho, principalmente por que a culpa sempre o mantinha entretido.

Mas agora era diferente, não queria ficar sozinho. Queria ver Inuyasha emburrado e ouvir as besteiras que Miroku falava, até mesmo fazia falta o gênio inocente e, ainda assim, explosivo de Kagome. Tudo aquilo era estranho, estaria ele se tornando humano? Mesmo frente a imagem patética que tinha sobre aqueles que eram mais fracos do que ele, não pode deixar de sorrir. Aquilo era um tanto quanto ridículo, mas era bom estar daquela forma, mesmo não deixando que durasse aquilo durar tanto tempo.

Ouviu a porta de entrada abrindo e se levantou com dificuldade. O sorriso não curvava mais seus lábios, mas era melhor daquela forma, não seria Sesshoumaru se aparecesse completamente sentimental e feliz, algumas coisas poderiam mudar, outras, nunca mudariam. Ao menos saber daquilo o acalmava frente às mudanças emocionais que havia passado. Puxou sua bengala e ajeitou a roupa simples que usava. Era hora de viver um pouco.

Um dia ele mereceria aquilo.


XV

As dores na perna direita persistiam, mas andar pela cidade era algo que o acalmava. Depois da estranha conversa com sua falecida esposa e das reflexões que tomaram grande parte de seus dias, mas tentava não ficar fechado em seu quarto e em seu próprio mundo. Ficava na sala com Inuyasha e Miroku jogando, jantava com Kagome quando ela o visitava, e agora falaria com seu psicólogo, temia que a culpa voltasse ou que ele o julgasse louco por conta das alucinações.

Não era uma bela casinha verde com um pequeno, mas aconchegante, jardim. Era uma sala comercial em um prédio gigantesco, sempre que ia para as sessões não conseguia deixar de sentir falta do sorriso acolhedor de Rin. Foram tão poucas sessões, só que havia se tornado tão fácil conversar com ela e Sesshoumaru ainda tinha certo medo das criticas e concepções que aquele homem poderia fazer. Porém, precisava de ajuda e finalmente conseguia admitir aquilo. Por mais traumático que tudo tenha sido, ele finalmente aceitava a necessidade de um 'ouvido' amigo.

- Sim? – A secretaria perguntou sem realmente encara-lo.

- Tenho uma consulta com Koyama Bankotsu. – Sua voz saiu friamente e sentiu que voltava um pouco a normalidade.

- Ele já o chamará. – Ela nem mesmo desviou o olhar de sua revista, mas Sesshoumaru estava acostumado.

Não era só do sorriso de Rin que sentia falta, era do conforto também, acabava sentindo-se exposto ali. Já havia tido reuniões naquele prédio, grandes encontros profissionais e agora estava ali, passível a julgamento e olhares de pena, era tortura. Ao menos não eram duas sessões semanais, como fazia com Rin e sempre tentava combinar horários em que o desconforto não fosse gerado tão fortemente, horário com poucas pessoas no lobby ou transitando pelos elevadores. Ao menos o terapeuta era tão pontual como a morena.

- Vamos? – O psicólogo apareceu em sua frente.

Sesshoumaru havia se desligado do mundo em suas reflexões, mas Bankotsu sorria tranquilamente, ao menos ele não o fazia sentir-se desconfortável com todo o resto. Rin havia o indicado e confiava nele, mesmo tendo passado pouco tempo ao lado da psicóloga, confiava nela e em seu julgamento. E ela confiava em Bankotsu... estava pensando muito em uma mulher que mal conhecia, parte daquilo havia feito com ele enlouquecesse por um momento. Sentou-se em uma poltrona, sem nem mesmo perceber que havia entrado no consultório.

- Eu estava vendo Sara. – Falou calmamente.

- Você me falou sobre isso na ultima sessão, como foi vê-la esta semana?

- Diferente. Foi mais real. Acho que devo ter tido algum surto psicótico. – Sorriu friamente.

- Por que diz isso?

- Nós conversamos e eu sei que isso não é algo normal, mas depois disso eu não a vi mais. – Sesshoumaru não notou que seu sorriso já não era mais tão frio como antigamente, mas dotado de certa tristeza. – Minha imaginação deve ter fabricado todas essas aparições de Sara, assim como essa conversa, eu me sentia tão culpado que era sufocante, e depois disso, a culpa ainda existe, mas não com tanta intensidade.

- A mesma culpa pelo acidente?

- Não só isso. A verdade é que, por mais que eu amasse Sara, nosso relacionamento havia se tornado um mar de constantes brigas e eu comecei a me afastar, claro que me sinto responsável em certos aspectos do acidente, mas me sinto culpado por não ter tentado mais quando ela estava viva. E essa é a parte difícil, naquele fim de semana nós estávamos bem, tivemos algumas discussões, ainda assim estávamos bem. Só que agora eu perdi a chance de pedir desculpas ou tentar resolver todas as coisas que aconteceram e que magoaram ela.

- E nessa conversa você pode aliviar essa culpa.

- De certa forma, sim. Eu ainda estou me recuperando, mas a culpa se tornou mais forte depois que eu beijei Rin. – Baixou a cabeça para não sentir o olhar acusador de Bankotsu, mesmo que esse não existisse. – Aquilo me matou, eu ainda amo sara e é difícil acordar todos os dias sem ela e era, ainda é, difícil de aceitar que eu possa sentir uma atração por outra pessoa, é como se eu estivesse traindo ela. Mas não posso passar minha vida me fechando de tudo e todos novamente.

- É normal nos fecharmos num primeiro momento, e mesmo a conversa não tendo sido real como você disse, ao menos é uma parte sua falando que não existe problemas em continuar. É apenas importante agregar o passado com o que esta por vir.

- Sara falou a mesma coisa.

- E Yume? Você também a vê?

- Não. Acho que não me sinto assombrado pela culpa. Yume passou pelas mesmas coisas que eu passei na idade dela, a forma como as pessoas te olham diferente por você ser diferente, mas eu nunca fiz algo que eu me arrependesse e me empenhei ao máximo para fazer tudo mais fácil para ela. Ela sempre foi muito calma e distante das outras pessoas, mas ela sempre foi muito feliz. A tristeza de ter perdido ela é devastadora, mas a culpa... eu entendo que a culpa do que aconteceu não foi inteiramente minha.

- Você não fala muito sobre ela.

- É difícil ainda. Todo pai que perde uma criança deve passar por isso, de ter a vontade de trocar de lugar com seu filho. Às vezes acho que teria sido melhor se eu tivesse morrido e não ela, sei que ela teria uma família que a amaria mais do que tudo, tios disfuncionais que nunca abandonariam. Mas a realidade é que eu ainda estou vivo e isso é uma merda, não poder ver ela crescer e saber quem ela poderia ter se tornado é uma merda, mas eu a conheci e foi incrível. Em toda a minha vida eu nunca pensei que poderia experienciar alguns sentimentos, mas eu tive a sorte de ter passado por tudo isso e ter aprendido com essa experiência.

- Mas isso não torna as coisas mais fáceis. – Bankotsu sorriu suavemente com certa compaixão. – A tristeza e, ao seu ver, a injustiça ainda são sentidas. A vontade de trocar de lugar com ela, a culpa por conta de seu relacionamento com Sara, até mesmo a aproximação com Rin, se elas não são sentidas conscientemente, você as vive em seus pesadelos. Você me falou que antes sonhava com sua adolescência e dos caminhos 'errados' que foram tomados, me parece que ao sonhar com isso você se torna o vilão da história e que não merece nada de bom.

- Faz sentido.

- Agora as coisas mudaram.

- Sim, isso é bom, certo?

- Se você deixar de se ver como o vilão, isso vai ser bom.

Sesshoumaru se recostou na poltrona em completa imersão em seus pensamentos. Por mais que tudo fosse diferente, o prédio, o psicólogo, ao menos sentia-se novamente seguro. Bankotsu nunca havia o olhado de forma repressora, algo que havia se acostumado por quase toda a sua vida, e lembrou-se de Rin. E de como nem todos iriam julga-lo. Claro que Bankotsu poderia sair dali com pensamentos críticos e aversivos em relação à Sesshoumaru, mas não parecia o caso. Finalmente sentia-se livre para ser quem era, mesmo com a culpa e mesmo que ele fosse frio e indiferente, ao menos era fiel a si mesmo.

A realidade realmente podia mudar, não?

Done looking for the critics, cuz they're everywhere
They don't like my genes, they don't get my hair

Era hora das coisas mudarem. Nunca foi aceito, querendo ou não, até encontrar Sara. Foi algo simples, mas agora seu mundo estava partido. Fora da segurança proporcionada pelo consultório de Bankotsu, todos os seus pensamentos começaram a atacá-lo. Não havia mentido para o psicólogo, mas era uma experiência completamente devastadora e a sensação de ser o vilão talvez nunca o abandonasse. Sentou-se nos degraus da entrada de sua casa e finalmente percebeu que mais de uma hora havia se passado.

As coisas não eram apenas difíceis, em alguns momentos era insuportável e impossível. Olhou para trás, a casa que havia dividido com sua família parecia grande e assustadora. Estava pronto para abrir mão e recomeçar sua vida. Por muitos anos, algumas pessoas trabalhando no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico o procuraram por conta da casa, sua residência foi construída pouco depois da Era Feudal e, antes não havia vendido ou cedido ela para o IPHA por que tinha uma família, mas não se atreveu a mexer na estrutura da casa. Agora poderia procurar algo menor, e seguir em frente.

- Sonhando acordado? – Ouviu a voz de Miroku e moveu-se lentamente, percebendo que ele estava sentado ao seu lado.

- Sim. – Respondeu calmamente.

- Quer conversar?

- Não.

- Ah Sesshoumaru, sabe que pode contar tudo pra mim! – Ele sorriu divertido.

- Vou ceder a casa, procurar algum lugar menor.

- E onde eu vou dormir agora?

- Na sua casa, na casa da Sangô... Não me importa realmente.

- Que mal humor!

- Não sou que estava me gabando por ter finalmente dormido com Sangô. – Sesshoumaru sorriu ironicamente.

- Pelo menos dormimos juntos, não? Demorou, mas sempre consigo.

- Sempre consegue, huh? – Sesshoumaru não pode deixar de esconder seu sorriso ao ver Sangô, parada em sua frente.

- Eu não quis dizer dessa forma! – Miroku levantou-se em um pulo, mas parou à milímetros de Sangô quando ela começou a dar risada.

- Miroku, relaxa. Vim convida-los para uma festa. Sei que é em cima da hora, mas é importante pra mim.

- Me desculpe, Sangô, mas não irei. – Sesshoumaru falou simplesmente enquanto se levantava para entrar na casa.

- Olha Sesshoumaru, eu não ia falar nada, mas você esta me forçando. – Ela estreitou os olhos e sua voz se tornou ameaçadora. – Hoje é meu aniversário e você vai comemorar comigo. Iremos no bar do meu irmão, Miroku sabe o caminho e nos encontraremos lá às 22h. – Sangô sorriu. – Não precisa levar presente, a não ser que você queira. Estamos combinados?

- Sim. – Os olhos de Sesshoumaru também estavam estreitados, mas ele suspirou cansado quando a jovem foi embora.

- Sangô consegue ser assustadora às vezes. - Miroku sorria despreocupado.

- Nisso você esta certo... existe uma primeira vez para tudo, não? – O tom de Sesshoumaru era sarcástico.

- Se continuar assim, não te ajudo a achar um presente legal.

- Lógico que vai ajudar, Houshi, você não consegue ser ameaçador.

- É... eu sei. – O moreno baixou a cabeça tristemente.

O mais velho seguiu para dentro da casa, Miroku o acompanhou silenciosamente. Sesshoumaru queria descansar e planejar o que faria em seguir, ligar para IPHA, procurar um apartamento, mas não teria tempo suficiente. Miroku sentou no sofá e começou a ler alguns documentos que trazia do trabalho, o youkai mal prestou atenção a ele, servindo-se de uma dose de whisky. Não tinha cabeça para sair novamente e buscar um presente para Sangô, emprestou seu cartão de crédito para o namorado dela comprasse alguma coisa em seu nome, assim poderia descansar.

Miroku não argumentou ou discutiu após o olhar assassino de Sesshoumaru. O youkai não deixou de suspirar cansado após a saída de Houshi, tinha muita coisa a pensar, mas a vida não parecia parar quando ele mais precisava. Terminou sua dose e subiu para o quarto, logo se veria longe de todas as coisas que conhecia e não sabia se estava realmente preparado, mas, no momento, esqueceria tudo e dormiria até a inevitável hora de sair e ir para o tal bar.

O sono veio rápido e sem ajuda de medicamentos, mas não durou muito tempo. Sonhava com um campo, um rio por entre as arvores, conseguia ouvir alguém falando, mas pela distancia não conseguia entender. Kagome o acordou, ela já estava pronta para sair e mantinha um sorriso gentil nos lábios. Não se sentia cansado, pela primeira vez sentia-se revigorado, estável. Kagome falou alguma coisa e saiu do quarto, deixando-o sozinho para tomar banho e se trocar. Não demorou muito para encontrar com os outros na sala.

- Vai pra alguma reunião? – Inuyasha perguntou divertido.

- Não saio à noite Inu-chan e também não me visto como palhaço. – Respondeu com desdém ao encarar o irmão.

- Sabemos disso Sesshoumaru. – Kagome sorriu e se aproximou calmamente. – Mas não está frio lá fora, então pode perder esse terno e a gravata é desnecessária.

- Nunca soube como fazer essas coisas. – O youkai não parecia embaraçado, apenas impaciente.

- Sem problemas.

Não sorriu de volta, apenas serviu-se um copo de whisky e sentou na poltrona. Tinham que esperar Miroku terminar de se arrumar, o que era mais rápido, principalmente agora que ele estava morando temporariamente com Sesshoumaru. Percebeu que Kagome brigava com Inuyasha sutilmente e com um tom muito baixo para ser escutado, mas percebia que ela dava alguns tapas no mais novo. A tristeza e a saudade não eram tão fortes e sufocantes no momento, sentia-se em paz.

Após a pequena discussão do casal, ambos sentaram-se no sofá e iniciaram uma conversa trivial com Sesshoumaru, perguntando sobre a sessão de terapia, o trabalho, assuntos que conversavam quase diariamente. Aquela proximidade e intimidade era estranha e os assuntos pareciam entediantes, como Miroku dava sinais que ainda demoraria mais um tempo, os irmãos logo saíram para jogar algumas partidas no videogame para passar o tempo, Kagome os seguiu e ficou assistindo alguns vídeos no tablet que havia ganho. Não poderiam passar a noite daquela forma ao invés de ir para alguma festa estúpida?

- Estou pronto! – Miroku surgiu sorridente.

- Vamos? – Inuyasha perguntou desinteressado.

- Claro. – Kagome respondeu já desligando o tablet.

- Er... posso jogar uma partida antes?


XVI

A música em si já era extremamente irritante, porém não mais do que a fila que enfrentaram para entrar no lugar. Estavam um pouco mais do que atrasados, quando entraram no bar eram quase meia-noite, e foi difícil encontrar Sangô no meio das pessoas. Miroku os guiou até uma área vip, onde encontraram Sangô com alguns colegas, Sesshoumaru começava a se sentir cada vez mais impaciente com a situação, aquele era o ultimo lugar que queria estar.

- Achei que não viria mais! – Sangô praticamente gritou, logo abraçando os recém-chegados.

- Temos que ficar muito tempo? – Sesshoumaru perguntou irritado.

- Vamos ficar até fechar! – Ela ignorou o tom dele e apenas sorriu.

- Feliz aniversário. – Kagome a abraçou e lhe entregou um presente, fazendo com que todos lhe desejassem os parabéns e entregassem seus respectivos embrulhos.

Sangô recebeu um belo conjunto de roupas de Kagome e Inuyasha, que até então não sabia que a namorada havia comprado um presente, um kit de maquiagem de Sesshoumaru, que não fazia a menor ideia do que Miroku havia comprado, e um conjunto de joias do namorado. Como agradecimento, a aniversariante pagou uma rodada de bebidas para todos, tentando anima-los para aquela situação nem um pouco convencional.

Claro, a maioria das pessoas ali saia, se divertia, mas Sesshoumaru não. Ele sentou num canto com poucas pessoas, não queria estar ali, nunca gostou daquele tipo de lugar e no momento, ainda não era apropriado. Ainda estava em luto, havia acabado de sair de uma sessão de terapia onde revelava ter tido uma conversa com sua falecida esposa, pensava em recomeçar sua vida, porém, tudo ainda estava no campo do pensamento. Não era para ser real, mas lá estava ele.

Não recusaria aquele pedido de Sangô, principalmente por toda a ajuda que ela havia lhe prestado, não apenas na fisioterapia, mas pelos conselhos pessoais. Mas nem 6 meses haviam se passado, havia perdido certa noção de tempo, mas sabia que ainda não estava bem, principalmente para estar ali. Não pode deixar de sorrir ao ver a felicidade de Sangô enquanto conversava com seus amigos, assim como todos pareciam se divertir e se perder naquele ambiente, menos ele.

Sempre tão rígido e reservado, observando tudo de uma distancia segura. Nunca se deixava envolver por nada e por ninguém, não conseguia entender como deixou Sara se aproximar e, agora, havia se envolvido com uma gama de pessoas, aquilo o tornava fraco? Quando era mais novo, acreditava fortemente que emoções e sentimentos eram para os tolos e fracos, agora percebia que aquilo o fortalecia. Sentir-se parte de algo maior do que si mesmo, de ter o apoio de outras pessoas era melhor do que enfrentar tudo completamente só.

E foi quando a viu novamente. Os cabelos negros estavam soltos, o sorriso inconfundível moldava seus lábios, usava um vestido azul-marinho não muito curto, mas que moldava perfeitamente seu corpo. Ao observa-la, sentiu-se extremamente culpado, como se não pudesse acha-la estonteante sob as diferentes luzes do lugar. Passou a mão direita pelo rosto, tentando afastar aqueles pensamentos que tanto o perturbavam. Havia falado sobre Sara algumas horas atrás e agora tinha que enfrentar esta situação? Aquilo era seguir em frente, não?

- Sesshoumaru, este é meu irmão, Kohaku. – Sangô surgiu com um rapaz visivelmente mais novo.

- Prazer. – Falou estendendo a mão, que logo foi apertada por Sesshoumaru, que apenas acenou positivamente. – O que achou do lugar?

- Barulhento.

- Ele não esta acostumado com estes lugares. – Ela sorriu divertida.

- Com licença. – Sesshoumaru simplesmente saiu, desviando seu caminho para não encontrar-se com a psicóloga que havia chego.

Precisava respirar, sair daquele lugar claustrofóbico, sentia-se invadido, não só pelos pensamentos, mas pelo inebriante movimento e sons do lugar. Por que as pessoas iam para aqueles tipos de casas? Para beber e esquecer suas vidas e problemas? Não queria esquecer, queria entender e recomeçar, nunca iria ver valor num local como aquele. Logo sentiu a brisa em seu rosto, seu coração se acalmou e seus pensamentos pareceram amenizar.

- Se você quiser, pode ir embora. – Sangô sempre surgia desta forma?

- Só precisava respirar um pouco.

- Eu também não gosto de lugares assim, sabe? – Ela sorriu. – Mas meu irmão abriu recentemente e insistiu em fazer meu aniversário aqui e eu nunca pude negar nada para ele. Então temos que aproveitar o máximo e se esconder no canto e ficar sozinho não conta.

- Okay. Mas só hoje. – Respondeu seriamente.

- Obrigada.

Entraram novamente no bar/boate e pararam para pegar algumas bebidas. Não saberia se aguentaria até o final da noite ou se conseguiria conversar com as outras pessoas como ela queria, mas poderia se esforçar, apenas aquela noite em respeito ao aniversário de Sangô. Ao voltarem para a área destinada a festinha particular da fisioterapeuta, a psicóloga havia sumido novamente. Estava delirando? Era algo provável, já que havia alucinado com sua esposa, por que não com a psicóloga?

- Esta tudo bem? – Kagome perguntou docemente.

- Sim.

- Quer dançar?

- Acho melhor você tentar convencer Inuyasha a dançar. – Ele sorriu sutilmente para a cunhada.

- Ele esta discutindo com Miroku sobre o resultado de algum jogo estúpido e eu estou ficando entediada.

- Tenho certeza que se você dançar com qualquer outra pessoa ele vai parar de discutir.

- Você quer que eu cause um ciúmes besta e uma possível briga?

- Talvez.

- Às vezes você não presta. – Kagome riu divertida. – Já falou com Rin?

- Não e nem acho que eu vá falar com ela. Muitas coisas aconteceram durante as sessões e acho que nosso relacionamento sempre vai ficar no campo profissional.

- Nem mesmo vai explicar o porquê Hakudoushi foi embora?

- Ela já deve saber, mesmo não tendo a coragem de falar pessoalmente com ela, ele nunca iria embora sem expor seus motivos. Você o conhece, Kagome, ele não é uma pessoa ruim, apenas não consegue se comprometer.

- Você era assim antes, as pessoas podem mudar.

- As pessoas mudam pelas pessoas certas, veja Inuyasha e Miroku. Até eles encontrarem vocês, ninguém nunca acreditou que eles mudariam.

- Não se exclua disso.

- Não estou me excluindo, mas eu perdi o que eu tinha, perdi a minha motivação para mudar. Agora tenho que fazer isso por conta própria.

- Sempre foi um pessimista. Sara nunca foi sua única chance.

Inuyasha logo chamou a namorada para resolver alguma discussão entre ele e Miroku, deixando Sesshoumaru novamente sozinho. Mas a conversa o deixou pensativo, desta vez de uma forma positiva. Não existe uma única pessoa em nossas vidas, a família e os amigos sempre nos impulsionavam a mudar também, apenas tinha que ser mais flexível e aberto para a mudança. Aquele parecia ser o tema do dia. Riu consigo mesmo, mas congelou ao vê-la se aproximando.

- Boa noite, Sesshoumaru.

Stringe ourselves and we do it all the time
Why do we do that?
Why do I do that?

Ela tinha sido sorrateira e rápida. O sorriso nunca a abandonava? Nem mesmo sabia o que falar ou o que fazer, nem mesmo se lembrava de ter se sentido assim antes. Com Sara, tudo foi tão diferente, ele fazia comentários inteligentes e sagazes, nunca era pego desprevenido, mas com Rin tudo era confuso. Seu coração parava e acelerava, sentia seu corpo gelar. Era por todas as coisas que havia dito durante o breve tempo de terapia? Ou era por simplesmente vê-la fora daquele contexto?

- Boa noite. – Respondeu calmamente, tentando não transparecer a completa insegurança que sentia por tê-la tão próximo.

- Eu sabia que seria estranho nos encontrarmos assim, mas Sangô é uma das minhas únicas amizades.

- Sei como é. Acho que vamos acabar nos encontrando muito em eventos realizados por ela.

- Mas não podemos ser amigos, não é?

- Não.

- Na ultima vez que nos vimos, você deu essa opção.

- E agora percebi que isso é algo impossível. – Rin sorriu tristemente, mas Sesshoumaru continuou com seu tom impassível. – Eu compartilhei coisas com você que muitos não sabem,como poderíamos ser amigos assim? As únicas coisas que eu sei sobre você é que você namorou Hakudoushi, trabalha com crianças com câncer e é amiga de Sangô. Sei que fala outras línguas e teve uma ótima formação profissional. Mais nada.

- Uma amizade não pode ser iniciada assim, não é?

- Eu vim a compreender que a amizade é uma troca justa, nosso relacionamento sempre foi profissional e de mão única.

- Sinto muito.

- Isso não é necessário, Rin. – Seu sorriso beirava a inexistência. – Você me ajudou e eu agradeço por isso.

- De alguma forma, você também me ajudou. – Rin desviou o olhar, aquilo era muito difícil. – Fico feliz em te ver bem assim.

- Você também parece bem.

- Tem sido difícil, mas Hakudoushi me ligou alguns dias atrás e me explicou o motivo de sua partida, as coisas começaram a fazer mais sentido e a melhorar depois disso.

- Que bom. – O sorriso sincero de Sesshoumaru agora era perceptível, fazendo Rin corar frente aquela pequena alteração na atitude do homem à sua frente.

Um silêncio desconfortável surgiu entre os dois, não sabiam o que conversar, a situação era em si estranha demais. Talvez nunca conseguissem ser amigos e conversar despreocupadamente, ela sabia muito dele e ele mal a conhecia. Era melhor manter uma certa distancia, mas por que não conseguiam se afastar. Respiraram profundamente e se desculparam, finalmente conseguindo despertar daquela força hipnótica.

Observavam-se dos lados opostos da pequena área da festa, bebiam, conversavam com outras pessoas. Porém, alguma força fazia com que seus olhares se encontrassem, se atraíssem, como um imã. Tornando cada vez mais difícil qualquer tipo de atitude indiferente entre eles. O estranho, é que as pessoas a sua volta pareciam não perceber a obvia atração que sentiam pelo outro. Aquilo ainda era algo inexplicável.

Logo se viu sozinho novamente. Muitas pessoas saiam para pegar mais bebidas ou para dançar e festejar com Sangô, que já aparentava era bêbada. Pegou uma nova dose de sua bebida, nem mesmo se preocupando no quanto estava bebendo ou como aquilo influenciaria nos medicamentos que tomava, por sorte, não havia precisado se medicar naquele dia. Desta vez percebeu quando ela se aproximou, sem graça, como se soubesse o quão ridícula a situação era.

- Eu tenho uma proposta.

- Rin. – Se controlou para não falar mais nada, para não negar antes de ouvir a proposta que ela lhe oferecia.

- Teremos novas sessões, mas eu falo e você escuta.

- O que?

- É uma forma de equilibrar a situação, permitir uma possível amizade. É obvio que vamos nos encontrar em alguns eventos, mas precisa ser essa coisa tensa e esquisita? Se você deixar, nós realmente podemos ser amigos.

- Por que você quer tanto que isso aconteça?

- Porque é obvio o que esta acontecendo ou eu estou imaginando?

- Você não esta imaginando nada, mas não é só as coisas que eu te falei.

- Eu namorava o seu primo, nós nos beijamos... Eu sei... Mas nós podemos tentar, não é?

- Amigos? – Suspirou pesadamente. – Rin...

- Nunca tive muitos amigos e eu pensei que... nós nos damos bem... Ah, esquece isso. Talvez eu tenha bebido demais ou algo assim. – Ela sorriu tristemente.

Era verdade, ela havia bebido alguns – muitos – drinks em seu pouco tempo naquela festa. Em honestidade, ela estava juntando coragem para conversar com ele e os minutos que Sesshoumaru passou sem lhe responder a encheram de uma duvida quase desesperadora. Era inegável que algo parecia querer uni-los, talvez por que os fardos a serem carregados poderiam ser amenizados com esta possibilidade de se conhecerem melhor, de realmente formarem uma amizade.

Aquela ideia não era absurda. Era uma forma de seguir em frente e tentar ser saudável. Observou as pessoas a sua volta, todas tinham um amigo próximo com quem conversavam, expunham seus medos e sonhos, ele nunca teve aquilo, apenas Sara. Rin já estava se afastando e Sesshoumaru percebeu que não poderia racionalizar tudo em sua vida, as vezes é necessário tomar uma decisão, por mais impulsiva ou irracional que fosse.

Se desculpou com Sangô e seus amigos, observou que Rin pagava sua conta e logo saia do bar, deixou dinheiro com Inuyasha e simplesmente saiu. A psicóloga seguia cabisbaixa pelas ruas, procurando onde havia estacionado seu carro, não demorou para alcança-la. Sesshoumaru tocou o braço dela, a fazendo se virar para encara-lo.

- Você esta bêbada, não pode dirigir assim.

- Toma. – Ela simplesmente jogou as chaves nele.

Entraram no carro silenciosamente, não sabia onde Rin morava e ela havia adormecido no banco de passageiro. Não podia deixa-la ir para casa naquele estado, mas não sabia o que fazer, talvez tomar decisões impulsivamente tivesse seu lado negativo e errado. Simplesmente ligou o carro e seguiu para sua casa, ela poderia dormir em algum quarto e voltaria para sua própria casa no dia seguinte. Era a melhor coisa que podia fazer no momento. De alguma forma, conseguiu carrega-la para dentro da casa, subir as escadas com ela no colo.

- Sesshoumaru? – Ela perguntou sonolenta.

- Nós podemos tentar. – Sesshoumaru respondeu sorrindo.

Deitou-a na cama e desligou as luzes. Seguiu para seu quarto, afinal, também precisava dormir.


Heeey pessoal!

Como expliquei em Renegade: "tive vários problemas e por isso a demora para postar.

Depressão, comecei a pós-graduação, buscando emprego, meu PC pifou (mas agora voltou a vida) e perdi alguns capítulos (to tendo que reescrever muita coisa), fiquei sem internet... enfim... Eu peço milhões de desculpas! Espero que agora tudo volte ao normal xD"

Como prometido, novo tomo de Fuckin Perfect! Quando meu PC pifou, perdi MUITA coisa, principalmente desta história... então se ficou repetitivo ou entediante, eu peço mil desculpas, mas para recriar algo que eu já estava quase no final foi difícil, mas tentei.

Na próxima madrugada estarei postando a Yellow (notem que são 03h40 da manhã e eu estou aqui, postando por que me importo com vocês e com as histórias, logo, não me matem)!

Beijos e até a próxima!