N/A: bom, aquela coisa... sem muito tempo pra conferir errinhos... só uma vontade doida de escrever e mostrar pra vcs!! então, sejam compreensivos :)

só pra lembrar: eles tão mais ou menos na metade dos anos 70, cresceram numa cidade extremamente conservadora e são de pais terrivelmente conservadores.

espero que gostem! =)


Capítulo 3. Segundo dia, o dia em que ela chorou

"Me diga, garota:

Será a estrada uma prisão?
Eu acho que sim,

Você finge que não"

Ele estava deitado sobre as nuvens, e elas pareciam neve, do modo ofuscante como refletiam a luz do Sol.

Marlene voava por perto, ele sabia pela risada leve que ouvia e pelo cheiro de maçãs. Mas não podia vê-la ou alcançá-la com os braços, pois a claridade o impedia de abrir os olhos. Tentou se levantar, mas suas pernas não o obedeceram. Ouviu a voz da garotinha da casa ao lado, a que chamou de Lene por quase toda a vida, ela gritava "vai Marauders!". Então estava em um jogo, e a superfície clara que o impedia de abrir os olhos era a própria quadra de gelo.

"Ei, cara", era a voz de James, "levanta, o Bone vai acertar você com o disco". Tentou novamente, mas não conseguia abrir os olhos nem se levantar. Tentou proteger a cabeça, mas estava sem o capacete. Marlene passou voando e disse que, se ele soubesse voar, não precisaria de um capacete. Ela tocou seu braço e ele viu o rosto de Meg Brown.

-- Você dormiu aqui.

Ele finalmente conseguira abrir os olhos, e a claridade os fez doer. Marlene estava sentada a seu lado sobre a manta, e empurrava uma garrafinha, com o que imaginou ser suco de laranja, para ele. Ele aceitou. O sol estava forte e refletia-se dourado nos cabelos dela.

-- Você 'tava resmungando. – Ela acrescentou.

-- Um sonho. – A voz dele saiu mais rouca que de costume, e seu rosto estava amassado. Ela pensou no pôster que tinha de Brad Davis* em seu quarto, naquela pose de garoto perdido, os cabelos bagunçados como estavam os de Sirius agora.

-- Por que não foi pro carro?

-- Não sei.

-- Você não acordava nunca, peguei o carro e fui atrás de café da manhã.

Ele a olhou com olhos que eram pouco mais que fendas prateadas, entreabriu os lábios para protestar que, se acordasse e o carro não estivesse ali, não seria boa coisa. Mas antes de dizer, franziu o cenho para Marlene. Alguma coisa mudara.

-- Que foi? – Ela perguntou, já piorando o humor.

-- Ah. – Ele fez. – Você tirou aquela coisa preta do olho.

Ela ergueu uma sobrancelha.

-- E daí? – Resmungou ofensiva.

-- Nada. Fica melhor assim.

Ele realmente nunca entendera o porquê de ela fazer questão de tentar se esconder daquela maneira.


-- Não acredito que realmente tenho que fazer aquele poema. - Disse o garoto como quem pensa em voz alta.

Ela o olhou com seus novos olhos límpidos sem lápis ou sombra.

-- O seu poema passou, certo? - Ele acrescentou; permanecia com o rosto voltado para a estrada, mas por vezes remetia à Marlene um olhar rápido. - Quero dizer, o professor aprovou, não foi?

-- Aham, aprovou.

-- Você podia me ajudar.

Ela deu um riso fraco, ele enxugou o rosto do suor que descia pela testa e fazia os fios negros grudarem em sua testa e nuca. Era um dia quente.

-- Bom...

-- Pode escrevê-lo pra mim também, tudo bem. - Tentou ouvir mais um riso. E viu que ela o olhava enquanto fazia.

-- Não é tão complicado assim, sabe. - Ela lhe disse. - Tudo o que o professor quer é que você escreva um poema sobre o tema que ele pediu. E não sobre seu carro, ou sobre o carro do Brad Davis.

Ele deu mais um daqueles olhares furtivos e riu rouco.

-- Nunca escrevi sobre o carro do Brad Davis.

-- Você entendeu o que eu quis dizer.

Sirius não precisava confirmar isso, então acrescentou:

-- Ele pediu pra escrever sobre algo que me fascina, certo?

-- Alguém. - Ela o corrigiu.

-- Então. Escrevi sobre o único ser capaz de fascinar Sirius Black.

Ele ouviu o som da mão dela estapear o próprio rosto em incredulidade e revolta. Sabia a expressão que ela fazia nesse momento, rolando os olhos e comprimindo os lábios, permitiu-se olhá-la para conferir e sorriu.

-- Seu carro não é uma pessoa, Sirius.

Ele fingiu um sobressalto que a assustou.

-- Não diga, McKinnon! Como é? Meu carro não é humano?

-- Engraçadinho. - A voz dela vacilou um pouco, irritadiça. - Achei que fosse bater o carro. Não faça mais isso.

-- E aí? Vai me ajudar ou não? - Ele pergunta, porque pensa que não há outro jeito, terá que escrever o poema antes de chegarem a Lowaytown.

-- Ajudo. - Ela deu de ombros, sentada ali no banco que praticamente virara sua casa nesses dias. Viu ovelhas nos campos ao lado, e as cercas de madeira a lhes circundarem.

-- Se fosse música, seria melhor. - Ele sentiu-se novamente pensando em voz alta, porque nunca falara aquilo nem para James. Nunca falara a respeito de que gostaria de estudar música.

-- Quê? Música?

-- Se tivéssemos que escrever uma música.

Ela olhou pensativa.

-- Bom, e não é a mesma coisa?

Ele conferiu a estrada à sua frente, um tapete cinza-escuro vazio. Olhou-a e disse sem explicar, esperando que ela entendesse.

-- Não é a mesma coisa, não.

Ela ergueu uma sobrancelha. Talvez tivesse entendido. Uma expressão complacente de Marlene McKinnon não era coisa de se ver à toa por aí.

-- Cara, isso tudo, a escola é uma baita prisão. - Ele sente-se à vontade para dizer.

-- Acho que a escola é a menor delas, das prisões.

Ele a olha pelo canto dos olhos, ela sabe.

-- E quais seriam as outras prisões? - Pergunta.

-- O tipo de vida que levamos, essencialmente. - Ela fala quase distraída. Ele ri pelo nariz; costumava não gostar de gente arrogante, apesar de ser considerado como tal. Costumava achar esses discursos de garota inteligente e revoltada um saco, porque eram todos iguais. Costumava ignorar esse tipo de garota. Mas por algum motivo, achava que Marlene não era "tipo" algum, e que ele deveria discutir com ela tudo aquilo. Ele queria discutir tudo com ela. De certa forma estranha, confiava na opinião dela.

-- Sinto muito pra sua visão revoltada, Marlene, mas somos livres como pássaros.

Ele sabe que ela o está olhando com os olhos estreitados, e queria olhá-la, mas um carro vinha da direção contrária.

-- O que quer dizer com isso, Black?

-- Que você é do pessoalzinho revoltado. - Diz alto, claro, e destemido, quase com seu tom entendiado. Quase.

Marlene tentava controlar-se, deu um suspiro audível para manter a calma.

-- E você é do pessoalzinho "levei-muitos-discos-de-hóquei-na-cabeça-e-fiquei-retardado".

Era uma briga, ele sorriu quase rindo. Tinha certeza que ela olhava pela janela, na mania que desenvolvera de manter uma mão para fora à "surfar" no vento.

-- Certo. Então me diz o que seu super-cérebro acha. - Ele continua; e a ouve respirar fundo. Já estava preparado para um dos conhecidosdiscursos longos de Marlene McKinnon, que variavam aleatoriamente entre agressivos e quase hippies.

Mas ela não discursou, sentia que não era necessário:

-- Que coisa é essa de "pessoalzinho revoltado"? Corta essa, a gente simplesmente pensa a repeito das coisas do dia-a-dia. Todo mundo deveria fazer isso! Deveriam saber que mandam na gente, o tempo todo, sem a gente perceber.

-- Nosso país é livre, McKinnon, sinta-se satisfeita. Vocês não param de reclamar sobre liberdade ao invés de...

-- Você é oco, Sirius Black! Definitivamente levou discos na cabeça! Já ouviu falar em lavagem cerebral? Pois é o que fazem na gente esse monte de propagandas de produtos desnecessários, poluidores e que fazem mal pra saúde, você deveria pensar a ...

-- Entra pro movimento hippie logo, bicho-grilo.

-- Talvez eu entre mesmo, quando for pra faculdade!

-- E tem mais essa, né! - Ele ri, para ela, irritantemente sarcástico. - Você é uma daquelas feministas que vai pra uma faculdade fora da cidade ao invés de aprender ...

-- ... a ser dona de casa?! - Ela quase gritou, ele encolheu os ombros num impulso. - Ah, claro! - Sua voz explodia em ironia. - Vou me preparar pro idiota com quem eu casar, vou esperar por ele naquela merda de cidade enquanto ELE vai aprender o que gosta numa UNIVERSIDADE! CLARO! Porque eu sou uma garota, então tenho que lavar as roupas dele e esperá-lo com os chinelos à porta e a mesa de jantar posta! CLARO! EU NASCI PRA ISSO! - Completou histérica.

Ele fez força para controlar o riso.

-- Queima o sutiã logo, feministazinha.

-- Feministazinha O CACETE, SEU MACHISTA ARROGANTE! - Ela tentou acertar um tapa no garoto, e quase o fez bater o carro.

-- Não me bate! Você 'tá louca? - Ele direcionou o carro para o acostamento e estacionou. - Sua louca!

-- É sua culpa! - A voz dela ainda falhava de raiva. Seu rosto estava vermelho quando ele a olhou enquanto tirava o cinto de segurança. Sentia uma certa tensão.

-- Não é minha culpa. - Ele logo se arrependeu por dizer.

-- É sim! É culpa de todos vocês homens que esperam que uma garota seja exemplo em auto-controle, espera que falemos baixo, que andemos com boa postura, sejamos discretas e passivas e FAÇAMOS TUDO COMO MANDA O MALDITO LIVRO COR-DE-ROSA DA MINHA MÃE, QUE DIZ QUE EU NÃO POSSO IR PRA UNIVERSIDADE! QUE DIZ PRA EU ESPERAR PELA PORRA DO MEU MARIDO AO INVÉS DE REALIZAR MEU SONHO!!

O garoto sentiu como se tivesse perdido parte da conversa. Olhava-a de cenho franzido, e analisava com estranhamento e preocupação as lágrimas que molhavam os olhos da garota.

Sirius a olhou de um modo gentil, e ela empenhou-se em se acalmar, engolindo em seco. Acabara de contar seus maiores problemas para um cara que mal entendia o que representava para ela. Mas ainda, assim, permitiu-se chorar enfim.

Ele aproximou-se num gesto rápido, mas não soube o que fazer, então segurou seu ombro com cuidado, sentindo os ossos notavelmente bem desenhados por sob a própria pele bronzeada, contrastando com a brancura dela. Ela mantinha o rosto escondido nas mãos, e o corpo arqueado. Chorava como sua amiguinha de infância o fazia.

-- Odeio ver mulher chorando. - Ele pensa alto outra vez. Talvez fosse culpa dela que ele o fizesse tanto ultimamente.

Marlene pareceu se irritar, descobriu o rosto e desvencilhou-se da mão dele.

-- Ah sim... - Ela começou entre soluços leves, seu rosto estava lindo. - ...o se-sexo frágil, vo-você odeia ve-ver como somos fracas... - Ela engoliu em seco e tentou firmar-se. - Pois eu não preciso do-do seu consolo. - E ela deu um tapa frágil no braço dele que doeu em outro lugar, mas que o fez sorrir. - Só porque choro não quer dizer que so-sou fraca! E não venha com sorrisinhos!

-- Qual o seu problema? - Não fora uma pergunta agressiva, ele usou um tom preocupado.

-- Qual o meu problema? Você quer saber qual o meu proble-blema?! - Ela começara a chorar outra vez, ele se arrependeu de perguntar. - TUDO ISSO! O MUNDO TODO! Que diz que eu sou toda errada... Meus pa-pais... nã-não querem que eu vá pra universidade.

Ela não teve coragem de olhá-lo. Sentiu que estaria implorando por ajuda se o fizesse. Sentia-se vulnerável, muito mais do que gostaria de estar.

Ele vê que é uma questão de se tomar coragem, e a abraça enfim. Recolhe o corpo arqueado, as mãos e braços dela não se estendem para envolvê-lo; é realmente como se ele a estivesse acolhendo em seus próprios braços.

Ela sentia-se perdida, ele sentiu que fizera a coisa certa.

-- Que estória é essa de livro cor-de-rosa? - Perguntou quando Marlene parecia mais calma.

Foi estranho para ela ouvir a voz rouca dele próxima a seu ouvido, de um modo gentil, que não se atrevia a chamar de carinhoso, mas que assim lhe pareceu. Fora estranho porque não quis pensar que fora melhor que "estranho".

Achou melhor também voltar a se sentar direito, saindo dos braços dele. Teve a impressão de estar corada, mas não soube se ele notou isso, pois não o olhou quando respondeu.

-- Minha mãe... tem um livro ridículo que passa de geração em geração. É cor-de-rosa e diz uma porção de besteiras, como o que eu devo fazer pra agradar o meu suposto marido... - Ela completou a frase torcendo o nariz.

Passou pela mente de Sirius a leve impressão do quanto aquilo era realmente ridículo, e que devia ser de fato duro conviver com tais ideais a pressioná-la. Mas concentrou-se mais no marido de Marlene.

-- Você tem... pretendente ou coisa assim? - Soou estranho, quis se explicar: - Quero dizer, sei que os McKinnon são conservadores pra caramba... e do jeito que você falou, como se estivesse zangada. Você é zangada, mas...

-- Não, não tenho. Quero dizer, mamãe é louca pelo Edgar, e principalmente pela herança dele, diz que é o cara certo e blá blá blá. Claro que é por que ela não sabe o que ele apronta pela cidade à noite... - Acrescentou em tom óbvio. - Mas ela não me obrigaria a casar com ele. Fico com raiva porque ela dá como certo o fato de que eu vou me casar mesmo, e antes dos vinte e cinco anos, claro... - Revirou os olhos sarcástica, para enfim olhar Sirius. Ele franzira o cenho.

-- 'Tá dizendo que não quer se casar?

-- Por aí.

-- Por quê?

-- Ora e pra que eu ia querer? Pra ser escrava de um porco que acha que sou inferior a ele? Que acha que sou menos inteligente e devo lavar as cuecas dele e do bebê chorão que tivermos?

Ele ergue sutilmente as sobrancelhas. Chegara à conclusão de que aquela garota era, sem sinônimo que coubesse melhor, totalmente maluca.

Mas pensou também que nunca refletira realmente sobre aquilo.

-- Parece um tanto injusto mesmo. - Fez mais uma conclusão. E a fez sorrir.

-- É, sim.

-- Mas e se você amar... o porco?

Uma gargalhada feminina e leve soou alegre e pareceu encher o carro. Mas quando ela pareceu pensar na pergunta que ele fizera, ficou séria outra vez.

-- Não acho que isso vá acontecer, Sirius. Quero dizer, posso amar alguém, talvez aconteça – E ela corou graciosamente neste momento, fazendo-o sorrir -, mas... serão muitas coincidências, saca? Primeiro, me apaixonar por alguém que se apaixone por mim. E depois que eu aceitasse todas as porcarias dele, ele teria que aceitar tudo isso em mim... que a maioria das pessoas chama de "inconveniências". E depois ainda... não sei, quero estudar, ser alguém... Não sei se quero constituir família e ter aquela vida pra sempre... - A voz dela morreu. Pensava em sua mãe, cuja maior preocupação era que Marlene não fugisse de casa enquanto ela estava no cabeleireiro, para que a coloração de seus cabelos não fosse prejudicada.

-- Mas por que não constituir uma família? - Afinal, a questão não era nascer, crescer e se reproduzir?, ele pegou-se pensando.

-- Porque não dá certo! Dá sempre errado... Olha os nossos pais... Diz se tem alguém realmente feliz ali! O sistema, o mundo... Depois de cinco anos de casado tudo já vira uma droga... Eu não quero passar a vida aceitando coisas... Tentando podar sentimentos e vontades pra que eles não ultrapassem as grades dessa prisão nojenta! E eu não quero fazer mais crianças viverem aqui!

Eles se olharam por um tempo indefinível e incontável, talvez infinito ou curtíssimo. Sabiam o que se passava em suas mentes, e a verdadeira profundidade daquilo. Começavam a descobrir que as coisas não iam melhorando quando se cresce, elas iam simplesmente se revelando. E era tudo cada vez mais cru, frio e feio. E era por isso, era essa a razão pela qual e da qual estavam fugindo.

Ele não disse mais nada, engoliu em seco e ligou o carro.

Marlene voltou o rosto para o horizonte da estrada. Fez sua mão surfar livre no vento. Tentava não sorrir, mas estava difícil se conter. Por mais que ela tivesse falado sobre aquilo que vivia lhe causando dor e confusão, a cumplicidade que vira nos olhos cinza-escuros lhe acendia algo dentro de si. Como quando Sirius lhe fazia cócegas para animá-la depois de uma ordem terrível de sua mãe, como se aquele fosse o lado bom das coisas.

-- Quer saber, Sirius Black. - Ela olhou o perfil do garoto, perdia-se entre aristocrático e viril. - Você sabe que tudo isso é uma baita prisão. - Ela esperou um daqueles olhares furtivos dele para continuar: - Sabe tanto quanto eu, mas é vaidoso demais pra admitir.

-- Sou macho demais pra ser vaidoso. - Ele diz como se essa fosse a questão.

-- Machista. - Ela resmunga. - Vaidade não é só aquela que faz olhar no espelho, besta. Acontece que você não quer admitir que a vaga que você conseguiu numa das melhores universidades do país, e todo o seu mérito por isso, são só a continuação de uma linha reta, de um caminho que você é prisioneiro e que segue sem pensar desde que nasceu. Você não quer admitir que sua vida não é a que o heroizinho aí pintou.

Ele suspirou fundo, guiou o carro novamente para o acostamento e estacionou. Olhou-a, mas não disse nada.

-- Que foi? Estraguei a imagem que tinha de você mesmo com a capa esvoaçante do superman?

-- Você mesma disse que quer ir pra universidade mais do que qualquer coisa.

-- Eu pensei a respeito. Vou desafiar minha família toda pra isso.

-- Ah, e só porque eu não 'tô sozinho no caminho que escolhi...

-- Você não escolheu nada.

-- ... você acha que é melhor que eu? - Aonde aquela garota queria chegar?

-- Não sou melhor que você. Sou mais corajosa. - Ela disse. E sorriu absolutamente matreira.

Ele riu. Era pura provocação. Era só uma brincadeira dela. Um sutil fundo de verdade, na brincadeira de tom doce por olhos castanho-esverdeados, grandes e encantadores.

-- Você fala demais, McKinnon.

-- Sabe qual é a maior prova de que 'tô certa, Sirius, de que você sabe muito bem que é prisioneiro da sua vida?

-- Diga, Sócrates de sutiã queimado.

Mais uma risada límpida explode naquela tarde quente. Ele pensou que seria capaz de escrever um poema sobre isso.

-- A maior prova – Ela continua, contendo o riso e livrando o rosto dos cabelos que pareciam incomodá-la naquele calor; prendeu-os num rabo-de-cavalo e ele achou que nunca vira um ato de pureza tão sexy. - é que você 'tá fugindo comigo. E você inventou a fuga.

Ele a olha de soslaio, tenta tirar da cabeça o poema e os fios claros que ela não conseguira tirar do pescoço.

-- É que tenho esperança de que role sexo. - Respondeu no seu melhor sorriso maroto.

Ela riu com vontade, e fingiu que não percebeu o charme sufocante daquele sorriso.

-- Pelego traidor do movimento. - Profere automática empinando o nariz.

Riem-se de olhos a se corresponderem cúmplices. E talvez estivessem completamente errados. Nos ideais que dividiam ou discordavam, no rumo que tomariam em suas vidas e, principalmente, nesta fuga. Mas como iriam saber? E que diferença fazia se estavam errados ou certos?

Ele ligou o rádio. Tocava "Era um Garoto que Como eu Amava os Beatles e os Rolling Stones".

Marlene descobriu que Sirius era o melhor companheiro na arte de gritar canções. E Sirius descobriu que, definitivamente, era capaz de escrever poemas que não falavam de seu carro.

"Eu vejo um horizonte trêmulo
Eu tenho os olhos úmidos
Eu posso estar completamente enganado
Eu posso estar correndo pro lado errado
Mas 'a dúvida é o preço da pureza'
É inútil ter certeza"


N/A: Ana, Íris, Yuufu, zizi blue, muuuchas gracias!! demorou mas tá aí... de todo o meu coraçao e empenho! espero q tenham gostado

diálogos, diálogos, diálogos....... a ação está por vir ;)

*Brad Davis é o cara que fez "O Expresso da Meia Noite", q é de 1978 . Pelo q eu imagino, isso é um pouco depois de eles terem 18 anos, mas é q o ator era um gato e acho q ficou famoso mesmo nesse filme, não sei. Aí usei esse galã. Só precisava de uma comparação pro rosto amassado "acabei-de-acordar" e o cabelo rebelde "dormi-de-mal-jeito" rs. liiiiindddoooo Sirius! nem me empolgo, né!

bju e REVIEWS pra mim, por favor, nao esqueçam!