O resto da noite seguiu de maneira tranquila, Rose nos contou um pouco sobre a Corte e como estavam com o andamento da missão quando Clarence deixou o ambiente para descansar. Todos conversaram com Lissa por vídeo chamada enquanto comíamos a sobremesa no chão da sala de TV.

- Minha nossa, já passaram das duas da manhã! - Eddie comentou intrigado. Eu não acreditei até olhar para o relógio que ficava na parede da sala, o tempo voou mesmo, estávamos tão entretidos que ninguém percebeu.

- Vocês podem passar a noite aqui. - Disse Dimitri tranquilamente. - Tem colchões suficientes para dormir na sala e acredito que Sr. Donahue não irá se importar.

- Como uma festa do pijama? - Jill respondeu animada. - Meu Deus! Sempre quis participar de uma. - Só de imaginar passar a noite com sete vampiros na casa de um deles me causou arrepios.

- Sage não vai apoiar a ideia. - Comentou Adrian, ironicamente. Eu estava tão cansada desses comentários irritantes dele, que senti vontade de contrariar.

- De modo algum, se Jill quer ficar, fico com ela. É meu dever. - Respondi triunfante e me arrependi um segundo depois, no que eu estava me metendo?

- Vai ser divertido! - Angeline levantou. - Onde ficam os colchões? Vamos pega-los. - E em menos de quinze minutos a sala de TV se transformou, com vários colchões e cobertores e travesseiros.

- Vocês não vão acreditar no que eu encontrei no armário que estavam essas cobertas. - Eddie entrou na sala com uma sacola enorme na mão. - Vários pijamas temáticos. Acho que eles usavam nas noites de fim de ano. - Ele começou a retirar os conjuntinhos e espalhar pelos colchões.

- Não posso acreditar que ia perder essa noite, ainda bem que escutei meu sexto sentido e vim visitar vocês. - Rose escolheu um pijama para ela cinza com bolinhas brancas e um com a mesma estampa para Dimitri. - Vamos ficar com esse. - Dimitri não pareceu muito confortável, eu nem conseguia imaginar ele usando alguma coisa fora o sobretudo.

- Prefiro ficar como estou, Roza. - Respondeu diplomático.

- Ah, não banque o tiozão. Vem! - Puxou Dimitri para fora da sala.

Jill e Adrian combinaram as estampas xadrez vermelhas, assim como Angeline e Eddie verde listrada. Tinham tantas opções que eu nem sabia qual escolher, peguei um branquinho com desenho de flocos de neve que tinham calças e mangas compridas.

- Vamos tirar uma foto desse momento, pelo amor de Deus. - Disse Adrian rindo assim que Dimitri passou pela porta de pijama. - Eu nunca imaginei isso em toda minha vida. Depois das fotos, estávamos todos acomodados. Fiquei no sofá de três lugares, achei que seria mais seguro do que deitada no meio dos vampiros, além do mais era bem confortável. Alguns colchões ficaram encostados em mim. Rose escolheu um filme da coleção do Sr. Donahue e começamos a assistir.

Acordei assustada, sem lembrar onde estava. O breu cercava meus olhos até que me virei e vi que o filme havia acabado e os créditos do filme estavam passando na TV. De repente me lembrei que tinha dormido no sofá da casa do Sr. Donahue, mas os colchões estavam vazios. Onde estava todo mundo? Um calafrio enorme passou pela minha pele. Eu estava sozinha numa mansão vampiresca.

Levantei ainda desnorteada e segui até a porta em busca de algum barulho, por mais que minha voz interior estivesse gritando volte a dormir. Uma porta da casa bateu com força, me encolhi com o barulho, comecei a andar evitando fazer algum ruído, mesmo achando que meus batimentos cardíacos acelerados pudessem ser ouvidos há distância.

Eu percebi uma sombra próxima ao final do corredor, mas ao me aproximar era só a árvore do lado de fora com a iluminação externa, o que tornou tudo mais assustador, de repente ao olhar através da janela vi três Strigois ensanguentados vindo em minha direção soltei um grito histérico e corri, escutei o vidro estilhaçar. Será que eles já haviam atacado os outros, que sangue era aquele? Um sentimento horrível de medo me atingiu assim como uma mão que me puxou para dentro da dispensa. Soltei um berro.

- Shh! - A mão tampou minha boca. Nunca estive tão desesperada na vida. - Sou eu! - Adrian. De repente, achei que fosse desmaiar de alívio, um formigamento estranho me atingiu. - Está tudo bem, Sage. - Como ele pode falar isso? Têm Strigois vindo atrás de mim.

- Adrian, têm três Strigois lá fora! Eles vão nos achar! - Falei ao me livrar da mão dele que estava em minha boca.

- Não, Sydney, não tem. - Ele disse, segurando meu rosto. O toque dele me deixou arrepiada.

- Claro que tem! Eu vi com meus olhos. - Eu estava aflita de medo, mas alguma coisa na voz dele me deixava calma demais.

- Sydney, me escute, isso é só um sonho seu.

- O que? É um sonho de espírito? Você fez isso novamente?! Eu deixei claro que não queria suas visitas aqui! - Fiquei muito irritada, só de pensar na magia penetrando em mim.

- Eu não criei esse sonho, Sage, só entrei nele quando percebi que você estava tendo um pesadelo pela sua aura. - Explicou um pouco relutante. - Essa é a vantagem de dormirmos juntos... - Ele percebeu que sua piadinha não me fez rir, então continuou. - Eu sabia que você podia acabar sonhando com coisas ruins depois de aceitar dormir no mesmo ambiente que seis vampiros. - No fundo ele tinha razão, mas isso não me deixou menos brava.

- Por favor, me tira daqui! Agora! - Adrian assentiu com pesar nos olhos e tudo ficou preto. Por alguns segundos fiquei agradecida pelo pesadelo ter terminado, mas senti falta do toque dele no meu rosto. Acordei e percebi que ainda estava tremendo um pouco por conta do pesadelo, senti o perfume de Adrian, ele estava com a cabeça encostada a poucos centímetros do meu travesseiro, ao mesmo tempo senti raiva e conforto por saber que ele estava sempre cuidando de mim, ultimamente havia estado tão incomodada próxima a Adrian por conta do beijo e da declaração apaixonada... Me envolvi no cobertor, segurei a cruz do meu pescoço tentando afastar esses sentimentos perturbadores da minha cabeça.

No dia seguinte, arrumamos a sala de TV e fomos tomar o café da manhã.

- Sydney, como foi sua noite? Muitos pesadelos? - Perguntou Jill. Adrian lançou um olhar de cautela para ela.

- Não dá para evitar, né? - Dei de ombros e continuei comendo as panquecas.

- Eu estou em choque! - Exclamou Rose, me assustei achando que ela sabia de algo. - Sydney, você está comendo muito mais do que da primeira vez que nos conhecemos.

- Que comentário indelicado, pequena Damphir. - Adrian ironizou. - Ela precisa se alimentar, daqui a pouco o vento a leva de tão leve. - Fiquei vermelha, porque eu sempre era o assunto?

- Preciso de mais energia para lidar com essa missão... - Sorri e finalizei a refeição.

Nos preparamos para ir embora, Dimitri aproveitou a ida de Rose e comprou as passagens dele para Corte.

- Sydney, obrigada por ter me ajudado com a surpresa, e estou muito feliz que você esteja bem aqui. Qualquer coisa, conta comigo, principalmente se o Adrian continuar te incomodando. - Ela piscou.

- Obrigada, Rose, vou lembrar disso. - Ela me abraçou.

- Ah, quase esqueci! - Rose tirou da bolsa envelopes branquinhos. - Sonia ia me matar se eu não entregasse os convites do casamento dela! - Mesmo que eu já tivesse visto ela como Strigoi não conseguia imaginar ela matando ninguém. Rose entregou os convites e se despediu dos outros. Eu tinha acabado de ser convidada para um casamento de vampiros? Quantas coisas inesperadas ainda aconteceriam na minha vida? Esse pensamento meu causou um frio na barriga.

- Até logo, pessoal! - Dimitri e Rose entraram no táxi, Adrian foi em direção ao Mustang dele e o resto de nós seguimos até o Pingado.

Nosso Dia de Ação de Graças foi inesperado e muito bom, nunca imaginei que teria passado um feriado memorável com vampiros. Parece que os Alquimistas não tinham razão em tudo que diziam no fim das contas.

FIM.