Capítulo 4

AULAS PARTICULARES

A aula seguinte foi pior ainda. Eu estava tão envergonhada por ele agora saber as minhas intenções e ter me dado um fora que nem conseguia encará-lo. Ficava o tempo todo de cabeça baixa, o que acabou resultando em diversos acidentes. Não só comigo, mas com o coitado do Mike também. A única bola que eu tinha conseguido rebater tinha ido direto de encontro às suas partes intimas. Fiquei na dúvida se ria ou pedia desculpas, mas ao vê-lo caído no chão, acabei optando pela segunda opção, embora gargalhasse internamente.

- Preste atenção no que faz, Swan! – Edward falou quase gritando comigo. Essa era uma das coisas ruins da aula de hoje. Ele estava sendo extremamente grosseiro.

- Foi sem querer – falei ainda de cabeça baixa, sem encará-lo.

- Se estivesse com um pouco mais de atenção isso não teria acontecido – ele falava ainda no mesmo tom e eu quase parti para cima de Lauren quando ouvi seu riso de hiena – Se você quer ser reprovada é só me dizer que eu libero você de vez. Talvez assim você consiga evitar mais acidentes. – ok. Agora ele tinha ido longe demais. Me ameaçar assim na frente de todo mundo não tinha sido nada legal. – Lauren – ele chamou e ela veio logo, quase ciscando – Faça par com Swan enquanto eu levo Newton à enfermaria.

Ela atendeu seu pedido a contragosto, mas não sem antes me olhar como se quisesse me matar.

- Se você acertar essa bola em mim eu juro que te pego na saída.

Ui. Que meda!

Até que eu queria acertar a porcaria da bola bem no meio do seu nariz de plástica, mas estava tão irritada com tudo aquilo que não conseguia tocar na bola nem de raspão.

- Você é burra ou se faz? – Lauren perguntou depois de outro erro meu – Não é possível que não consiga acertar nenhuma bola.

- Vai se ferrar, Lauren! – gritei jogando o taco na sua direção. Isso mesmo. O taco. Aquele pedaço enorme de madeira. Foi uma atitude um tanto quando impensada, mas para minha sorte – ou azar – Lauren era boa no reflexo e conseguiu se esquivar a tempo.

- O que foi isso? – Edward perguntou assim que entrou na quadra, tendo presenciado tudo.

- Essa maluca tentou me matar. – Lauren gritou apontando para mim.

- Foi um acidente. – mentira descarada a minha.

- Acidente uma ova. Eu nem tinha jogado a bola.

Cala a boca, vaca!

- Ok. Agora já chega, Srta. Swan! Você vai acertar essa bola nem que seja a última coisa que eu faça.

- Eu não vou mais ser parceira dela não. Tenho amor à minha vida.

- Pode deixar que eu assumo aqui, Lauren – ele falou todo carinhoso para ela e olhou para mim quase me fuzilando. – Você não vai reprovar nessa matéria, Isabella.

- Isso depende só de mim. – retruquei, cruzando os braços numa atitude desafiadora.

Edward recolheu o taco que eu havia jogado em Lauren e se aproximou lentamente.

- Você não vai reprovar nessa matéria – ele repetiu me entregando o taco e indo para trás de mim – Nem que para isso eu tenha que te dar aulas particulares – Edward completou sussurrando no meu ouvido.

Opa. Opa, opa, opa! Ele tinha dito mesmo o que eu queria que ele dissesse? Então por que ele estava se afastando de mim? Por que ele não vinha me encoxar de novo?

- Ah – Ed parou no meio da quadra se voltou para mim, falando em alto e bom som – A senhorita vai ficar aqui até que eu me dê por satisfeito do seu desempenho – e continuou seu caminho para o lado oposto da quadra.

Lauren e Jéssica ficaram rindo da minha cara, mas mal sabiam elas que eu estava me acabando de rir por dentro. Eu ia dar para o meu professor.

Quando todos estavam indo para os vestiários, eu continuei ali com o taco, treinando movimentos no ar e tentando evitar que o taco escorregasse da minha mão. Fiquei ali até que restamos apenas nós dois e ele veio na minha direção, andando lentamente e me fazendo suar frio. Fiquei tão concentrada no seu caminhar que deixei o taco cair no meu pé. Ok. Isso doeu.

- Ai. – gemi me agachando para massagear o pé por cima do tênis. Ele logo estava ao meu lado rindo.

- Como você consegue ser tão desastrada, Bella? – ele perguntou ainda rindo.

- Pára de rir. – resmunguei. – Tá doendo.

- Vou pegar gelo. Fica aqui.

Como se eu tivesse condições de andar. Ou como se eu quisesse sair dali. Até porque agora ele vinha com um saquinho de gelo em cubos que tinha tirado da geladeira da sua sala particular.

Edward sentou à minha frente e começou a desfazer o laço do tênis, tirando-o com cuidado, fazendo o mesmo com a meia. Duas peças já foram. Ele tirou um dos cubos do saquinho que estava ao seu lado no chão e pegou meu pé, colocando-o em cima da suas pernas. Começou então a sessão tortura.

Primeiro porque meu pé estava realmente doendo e já estava começando a inchar. Segundo porque o gelo queimava. E terceiro, e mais importante, porque sua outra mão começou a fazer massagem nos pontos menos doloridos até o tornozelo. Mãos mágicas aquelas.

- Está melhorando?

- Aham. – respondi de olhos fechados aproveitando a sensação.

- Quer que eu pare?

- Nem se atreva – falei ainda de olhos fechados, mas pude ouvir seu riso.

Ele continuou com o gelo no ponto machucado até que a dor tivesse sumido por completo e logo massageava todo o pé com as duas mãos. Aquilo estava bom demais, mas poderia ficar ainda melhor.

- Estava tão bom com o gelo. – murmurei fazendo beicinho e encarando-o toda dengosa.

Ele sorriu para mim e pegou uma pedra do gelo que ainda restava no saquinho e voltou a deslizá-la pelo meu pé, mas começou a subir um pouco mais, passando pelo tornozelo e indo em direção à perna parando no joelho e descendo novamente.

- A outra perna está se sentindo ignorada. – reclamei brincalhona.

Ele riu ainda mais e, ainda sem falar nada, começou a deslizar o gelo pela outra perna também. Aquele silêncio dele estava me deixando intrigada.

- Tão calado. – falei apenas, encarando-o.

- Receio, eu acho – ele falou sem interromper o movimento das suas mãos com o gelo, deixando minha perna molhada. E outras partes também.

- Receio de quê?

- De estar te interpretando errado. – ele respondeu me encarando intensamente.

- Você não está me interpretando errado.

- Quantos anos você tem, Bella? – Edward perguntou, sério demais pro meu gosto.

- Dezessete. – respondi com a verdade até porque eu tinha certeza que ele sabia a resposta – Menor de idade. – completei sabendo exatamente o que ele pensava.

- Muito jovem.

- E nem um pouco inocente. – falei antes que ele começasse a falar sobre pureza e outras coisas.

- Bella, Bella... Cuidado com o que fala.

- Ou você pode me interpretar errado, não é? – não era possível que ele estivesse pensando em me rejeitar de novo!

- Ou eu posso te interpretar exatamente como você quer que eu interprete. – ele corrigiu, me encarando novamente com intensidade no olhar.

Fiquei alguns segundos mergulhando naquela imensidão verde, até que ele interrompeu o que fazia e ficou de pé num salto, estendendo uma mão para mim.

- Devagar – ele aconselhou e me ajudou a levantar sem machucar o pé.

- Por que levantamos? – o que queríamos fazer poderia ser ali mesmo no chão da quadra. Imaginar a cena me deixou mais excitada do que já estava.

- Hora de começarmos as aulas particulares – ele falou com um sorriso malicioso.

- Oba.

Mas o pior é que ele estava falando de aula de beisebol mesmo. Edward me estendeu o taco e pegou uma das bolas que estavam espalhadas pelo chão da quadra, se posicionando alguns metros à minha frente.

- Sério que você está falando de aulas de verdade? – perguntei apoiando o taco no ombro enquanto tirava o outro tênis e a meia para ficar mais nivelada.

- Claro que sim, Srta. Swan. – ele respondeu sorrindo malicioso – Vou te passar umas lições importantes que você nunca esquecerá.

- Vou cobrar isso, Sr. Cullen.

Ficamos alguns minutos treinando de verdade, mas é claro que eu não consegui evoluir muito e ele teve que vir para trás de mim novamente.

- Você lembra como é para segurar, Bella. – ele falou, mas repetiu o gesto de me ajudar a segurar o taco.

- Eu lembro da parte de abrir as pernas.

Ele riu com a boca perto demais do meu pescoço, arrepiando todos os pelos do meu corpo.

- Você é impossível mesmo.

Eu era impossível, mas era ele quem estava rebolando contra o meu quadril. Tudo bem que eu não estava parada, mas dessa vez Edward começou.

- Você precisa manter as mãos assim – ele instruiu separando minhas mãos no taco – E afastar as pernas um pouco mais. Então é só olhar bem para a bola e girar o corpo desse jeito.

Ele movia o corpo levando o meu junto e o roçar estava bom demais.

- Desculpa, não entendi. Pode fazer de novo?

- Assim. – e lá estava ele girando o corpo de novo, segurando minhas mãos junto com o taco – Entendeu?

- É assim? – fiz o mesmo movimento acrescentando um pequeno rebolado contra seu quadril.

- Isso mesmo. – ele respondeu com a voz baixa e o hálito roçando na minha nuca.

Edward tinha afastado meus cabelos para o lado e eu estava adorando sentir sua respiração na minha pele.

- Não sei. Acho que fiz errado. – deixei minha voz mais inocente possível, fazendo-o rir novamente, sua respiração me deixando arrepiada – Talvez se mexer mais o quadril, eu consiga um movimento mais preciso.

- É bem provável.

Girei o meu corpo de novo e rebolei ainda mais. Uma de suas mãos soltou as minhas que continuavam segurando o taco e foi até o meu quadril, segurando firme ali, colando ainda mais meu corpo ao seu.

- Faz de novo, vai – ele pediu com uma voz rouca que me deixou toda mole.

- Desse jeito, professor? – provoquei rebolando ainda mais e empinando a bunda na sua direção.

Ai meu santinho das galochas cor de rosa. Que volume era aquele? Tinha certeza que estava maior do que da outra vez. O taco quase caiu da minha mão quando ele meio que estocou em mim por trás. Se não fosse sua mão me segurando pela cintura, eu teria caído feito jaca mole.

- Solta isso. Vai acabar causando um acidente. – Ed tirou o taco das minhas mãos e deixou que ele escorregasse entre seus dedos até cair com um ruído oco no chão de madeira da quadra. – Agora rebola pra mim.

O que ele não pedia gemendo que eu não fazia gozando?