Torne-Me Mal

Capítulo 4

As mãos do irmão mais velho percorreram a lateral de seu corpo. O sentiu ainda mais aninhado às suas costas, estava adorando aquele carinho. Havia dito que precisava descansar, mas era apenas um pretexto para ficar junto dele, não pelo que aconteceu apenas. E por todo aquele carinho, se convenceu a contar a verdade, e tirar algumas dúvidas. –Amor?

-Sim, meu anjo?

-Sabe... Quando você chegou à cozinha e me viu com o Cavaleiro de... Peixes? – Enquanto indagava cauteloso, o mais novo sentiu uma movimentação do namorado e também em sua calça. Em meio ao que notava ser, acabou sentindo Saga se colocar dentro de si. Fechou os olhos e gemeu baixo, suas unhas tentaram arranhar o mármore da bancada.

-Sim, me lembro. Eu realmente gostaria de saber o que houve. Sei que não era pura amizade ali. – O mais novo mordeu o lábio inferior, cada vez mais convencido a contar. O mais velho se movimentava lentamente dentro de si.

-Exatamente... – Gemeu brandamente pelo movimento feito. – Nós brigamos... E eu o ameacei...

-Por conta da brincadeira? – Ouviu um suspiro, assim como o sentiu em sua nuca, seguido de um beijo na mesma região.

-Sim, mas... Não exatamente... – Inclinou ligeiramente a cabeça para trás, em satisfação pelos movimentos.

-Então...? Ele lhe disse algo que deixou meu amor bravo? Sabe que pode me dizer...

-Saga... Você... Gosta quando faço sexo oral em você? – As mãos do mais velho tocavam em sua cintura, em um apoio.

-Kanon, não direi que é o melhor, porque soará que faço com outros... – Cessou seus movimentos, seu tom adquiriu um tom mais sério. –Mas você é maravilhoso ainda mais quando me proporciona tal prazer. E de você... – Recomeçou a se movimentar. –É o que preciso. Tudo. – Aquelas palavras fizeram o mais novo se deleitar ainda mais quando os movimentos recomeçaram. –Mas porque perguntou?

-Peixes disse... – Tornou à cautela. –Que você o achava o melhor nisso. –O moreno atrás dele sorriu com malícia.

-Sabia que era por causa dele... – Fez certa pausa, mantendo os movimentos brandos. – Kan, esse homem que está aqui com você... Eu... Jamais amei outro homem que não fosse você. Jamais desejei outro homem que não fosse você. – Os movimentos cessaram. –Ares... Infelizmente eu não tive controle... Mas sei que daquela boca saíram apenas mentiras. – Por um primeiro momento, o mais novo lamentou a falta de movimentos e gemeu em insatisfação. Depois, fechou seu semblante por conta do mal que Ares havia feito ao seu irmão, e por fim, deu um sorriso, leve. –Você é minha vida... – Por um instante, os movimentos recomeçaram. – Você sabe que Aiolos foi meu único parceiro...

-Sim... – Fechou os olhos mais uma vez, tornando a senti-lo.

-Também sabe que diversas vezes eu fantasiava pensando em você...

-É maldade, mas saber disso me excita, sabia? – Gemeu mais uma vez, e junto com as suas palavras, quis provoca-lo. –Mas... Não me tortura... Mais rápido.

-"Mais rápido"? Não. Você não quis conversar? Estamos conversando.

-Porra, Saga... – O mais novo ouviu um riso sádico do namorado. Mas logo depois, os movimentos recomeçaram agora mais urgentes.

Os gemidos de Saga em deleito se misturavam com o do gêmeo.

o-o-o

-Eu senti que você ficou com ciúme da brincadeira...

-Eu? Shura, não. Eu só fiquei surpreso, jamais pensei nos dois... Juntos.

-Isso é ciúme.

-Aiolia, você também não!

-Me perdoa maninho, mas realmente... – O mais velho dos irmãos se levantou.

-Ouvir isso chega a me ofender... Vocês ainda acham que eu tenho sentimentos pelo Saga? – Olhou de um para outro.

-Não.

O capricorniano hesitou por segundos. -... Não.

-Shu!

-Shura! – Aiolia o olhou feio. E o moreno tocou os joelhos com as próprias mãos, pensativo. Sentia-se seguro dos sentimentos do namorado, mas ao mesmo tempo sabia que o relacionamento anterior dele tinha sido um pouco conturbado.

-Não estou querendo dizer que o ama. É que eu sei o quanto Saga o machucou... Além do mais, não vi o seu olhar como se fosse um ciúme e ainda o quisesse... – Pensar na possibilidade lhe fez fechar o semblante, depois, silenciou-se por certo tempo. Aiolos o olhou ansioso e Aiolia deixou um "hum" evidente. –Mas eu sei que o olha com ressentimento e foi isso que eu vi.

-Saga não me importa mais. – Aiolia silenciou-se, pegando no presente que ganhara de Aldebaran, permanecendo a acariciar a juba do pequeno leão com carinho. O irmão observou a cena, e sentiu-se ainda mais incomodado. Shura se ergueu do sofá e foi até o namorado. Colocou as mãos em seus braços, e com uma expressão apaixonada, o olhou.

-Mi amor... – Aiolos bufou e Shura tocou delicadamente nos lábios dele com os seus.

-Shura, eu te amo. – Sussurrou e o outro sorriu.

-Também te amo, e eu sei que me ama. – Aiolia deixou a pelúcia sadomasoquista no sofá, levantou e foi até eles. Cada mão sua tocou no tórax de um dos presentes, os afastando. Aiolos riu, mas Shura fechou por completo sua expressão.

-Já não chega? Maninho... – Olhou para o loiro. –Quero sair para comer alguma coisa... Já estou com o estômago embrulhado... – Ergueu as duas sobrancelhas, seco pelo ciúme da cena e do assunto.

-Sim, vamos. Shu. – Ambos ouviram o mais novo bufar.

-Maninho...

-Não falei nada...

Ao momento que uma das mãos do sagitariano se perdia entre os dedos do namorado, o outro braço envolveu os ombros do irmão, trazendo-o mais para si, que sorriu. Shura consentiu com um beijo na face do namorado.

o-o-o

Depositou em cima da mesinha ao lado de seu divã, algumas de suas joias, depois, passou uma de suas mãos em sua nuca, sentia o peso do ouro em seu pescoço, e era dolorido, já não bastasse a carga da roupa e das próprias tarefas, e vestir-se suntuosamente chegava a ser um peso em determinados dias. Ouviu passos bem menos barulhentos que os seus, os reconhecendo.

-Levantou cedo, Aiolos.

O loiro ajeitava seu manto branco, e com menos joias que a de seu superior. Havia sonolência em seu semblante, assim como a dúvida e a curiosidade que se atropelavam em sua face. As mãos estavam juntas, assim, as longas mangas escondiam seus dedos.

-Tive uma boa noite de sono, e dormi cedo. Sente dor?

-Estou apenas tenso. Soube de um guarda que desrespeitou os próprios limites...

-Não estou sabendo disso.

-Soube agora a pouco, irei lhe passar os detalhes. – Colocou nas mãos os ouros despidos e finalmente olhou para o loiro a poucos metros de si. – Está silencioso e sério, o que houve?

-Ainda estou em choque com a notícia sobre Afrodite. – Foi direto, e assim, não quis fazer rodeios.

-Você também não.

-Assim que eu devo saber a verdade, ao menos, você me deve isso... – O geminiano ainda o olhou uma última vez, para suspirar, frustrado.

o-o-o

Notas da autora:

Depois de dias, finalmente mais um capítulo. Não tenho previsão de quando pode se encerrar essa história, como eu já disse, irei escrevendo para ver no que poderá dar. E assim, escolher um desfecho apropriado aos casais e situações.

Aiolos sempre morto de ciúme do irmão. Acho que além de Aiolos e Saga em uma conversa esclarecedora, podem haver entre outros Cavaleiros de Ouro, só me certificando quem é mais apropriado...