Pinky Swear

Capítulo 3 – "Caindo"

"Um verdadeiro amigo nunca fica em seu caminho a menos que aconteça de você estar caindo." – Arnold H. Glasgow

Tradutoras: Beatriz Vieira e Irene Maceió

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"Edward Cullen?"

Eu balancei a cabeça.

"O Edward Cullen?"

Eu balancei a cabeça novamente.

"O Edward Cullen do ensino médio?"

Outro aceno de cabeça.

"O Edward Cullen do verão que..."

"Sim!" Eu gritei, empurrando Jake. Ele riu quando quase caiu do braço do sofá, onde ele estava sentado.

"Droga, garota. Você está muito violenta" ele disse. "Eu estava apenas me certificando de que era o mesmo."

"Há apenas um" eu respondi. "Ele é tipo o único."

"Awww, cante seus louvores, irmã" ele disse brincando. "E este seu Edward Cullen vai se casar?"

"Aparentemente" eu murmurei quando me levantei do sofá. "Eu não falo com ele há algum tempo. Estive tão envolvida com este trabalho no jornal e ele esteve inundado com a faculdade de medicina... e outras coisas."

"Que tipo de coisas?"

"Eu não sei" respondi, começando a andar pela sala na frente dele. De repente eu me senti mal por não ter ideia do que Edward tinha feito até o ano passado. Que tipo de melhor amiga eu era? "Só as coisas de sempre."

"Será que essas coisas incluem garotas?" perguntou ele.

"Eu acho que sim" eu disse. "Quero dizer, havia garotas na vida dele, mas nada sério de verdade. Ele namorou aqui e ali na faculdade, mas nunca algo que durasse mais do que algumas semanas. Ele sempre foi mais focado na escola."

"Bem, ele não está mais na escola" Jake disse indiferente. "Então, isso é irrelevante agora."

"Ele ainda está ocupado" eu cuspi. Por mais irracional que isso fosse, eu estava começando a ficar com raiva. Por que ele não estava mais chateado por mim? Por que ele não via o quão ridículo isso tudo era? "Ele tem um trabalho agora! Há o estágio e a residência".

"Residência?" perguntou ele com uma risada. "Que diabos é isso?"

"Ugh, eu não sei!" Eu gritei, jogando as mãos para cima em frustração. "Como é que ele tem tempo para se casar, Jake? Como ele sequer conheceu essa garota? Quem é ela?"

"Você não deveria perguntar isso a ele?"

Eu parei de andar e me virei para ele, estreitando os olhos. "Sim, mas..."

"Mas nada" disse Jake. "Você está aqui quase tendo um ataque cardíaco com todas estas perguntas, quando o homem com as respostas está do outro lado da estrada. Vá perguntar a ele."

"Mas..."

"Lá vai você com 'mas' de novo" ele interrompeu. "Você está fazendo uma montanha com uma colina de toupeira, e mesmo eu apreciando este talento, isso é completamente desnecessário. O homem vai se casar. E daí? Qual é o problema? Você diz que ele é o seu melhor amigo, então por que você não está feliz por ele?"

"Porque não é certo!"

Jake de repente ficou estranhamente silencioso e olhou para mim, sua expressão era ilegível. Os segundos passavam constantemente , minha ansiedade aumentando à medida que os momentos passavam . Jake nunca foi calmo. Se houvesse alguma coisa - qualquer coisa -para ser dita, ele diria. Não importa o quão grosseiro fosse, ele nunca voltava atrás, então o fato de que ele não estava falando nada me deixou nervosa.

Depois de passar praticamente uma eternidade e meus nervos estarem correndo soltos, a expressão dura de Jake finalmente relaxou. "Você está apaixonada por ele" afirmou ele com naturalidade.

Revirei os olhos. "Eu não estou."

"Sim, você está. Você ama aquele homem. Tudo faz sentido agora, você sabe. Eu não posso acreditar que eu não vi isso antes. Aquele olhar que você sempre tem em seu rosto quando fala sobre ele... Eu pensei que você tivesse apenas sofrido alguma indignação selvagem ou algo assim, mas não, querida, você está apaixonada."

"Você está completamente louco."

"Talvez, mas isso não muda os fatos. Só de pensar que este homem vai se casar com outra pessoa você fica toda Girl, Interrupted* aqui. Portanto, não me venha com ladainhas, Bella. Você está se esquecendo com quem você está falando? Eu passo a minha vida aconselhando as pessoas sobre essas coisas, então eu vou te dizer o que eu digo a todo mundo: você não está enganando ninguém. O amor pode te deixar cega, mas o resto de nós ainda pode ver toda essa porcaria. Isso tá escrito em todo o seu rosto. Quanto mais cedo você aceitar isso, melhor será para você."

*Girl, Interrupted: Filme estadunidense que conta a história de uma garota diagnosticada como vítima de transtorno de personalidade.

Eu gemi, alarmada. "Ele é meu melhor amigo, Jake. Nós nos conhecemos desde sempre! Claro que eu me importo com ele."

"Ah, não, você não vai escapar tão facilmente" ele disse sacudindo a cabeça. "Você sabe exatamente o que eu quero dizer, e não é sobre o amor fraternal que estou falando. É sobre o tipo, fazer coisas feias com a sua coisinha, de amor."

Minha testa franziu. "O quê?"

"Não me pergunte. Admita."

"Eu acabei de admitir!"

Ele estreitou os olhos. "Admita!"

"Tudo bem, eu admito!" Eu gritei. "Você está feliz agora?"

Jake sorriu e minhas mãos tremeram, ansiosas para arrancar o olhar complacente de seu rosto. "Bem, você ainda não disse a palavra, mas é melhor que nada. E agora que já esclarecemos isso, diga-me uma coisa" disse ele, cruzando os braços sobre o peito. "O que exatamente você vai fazer sobre isso?"

No momento em que eu coloquei uma peça de roupa na minha mala, Jake a puxou de volta para fora e a jogou de lado. Ele invadiu meu armário atrás de mim, pegando as coisas penduradas no fundo que nunca viram a luz do dia. Ele colocou na minha mala e eu as tirei, sem hesitação, colocando as minhas de volta. Nós fizemos isso por alguns minutos, o ciclo finalmente terminando quando a mala transbordando foi fechada sem eu ter absolutamente nenhuma ideia do que estava realmente dentro dela.

"Isso é loucura" eu murmurei, pegando a alça da bolsa e o meu laptop antes de ir para a porta. "Tipo, certificadamente loucura, Jake."

"Eu sei" ele respondeu quando eu olhei para ele, vendo o olhar de pura admiração no rosto dele. "Emocionante, não é?"

"Soa mais como assustador" eu respondi. "E se isso der errado? E se eu estiver muito atrasada? E se..."

"E se, e se, e se" Jake disse, me cortando. "E se Lady Gaga usasse um par de jeans? Quem sabe o que diabos nós todos faríamos. Mas isso não importa, porque não saberemos até que aconteça, se é que isso vai mesmo acontecer. A questão é, e se isso for um desperdício de tempo. Pense nisso – os personagens de Shakespeare não sentam e dizem, 'hmmm, e se isso acabar mal?' Eles simplesmente fazem. Então faça isso."

Eu fiquei boquiaberta. "Shakespeare escreveu tragédias! Seus personagens morreram!"

"E daí? Todos nós vamos morrer um dia. É um fato da vida - nós não vamos viver para sempre. A vida é uma tragédia, mas isso não significa que não podemos fazer algo bonito com isso enquanto ainda temos a chance."

Eu não tinha certeza de como responder a isso. Uma coisa que eu tinha que dar crédito à Jake - ele sempre poderia aparecer com as palavras certas para dizer, mesmo que ele não tenha ideia do que ele estava realmente falando. "Bom ponto."

"Pode ter certeza de que é um bom ponto" disse ele, praticamente me empurrando para fora da porta da frente do meu apartamento. "Agora, pare de procrastinar. Você está correndo contra o tempo. Vá buscar o seu homem, Bella."

Ele estendeu a mão para trás, dando-me um tapa rápido na bunda. Doeu e eu gritei, agarrando minha nádega esquerda enquanto ia para o corredor. "Tranque para mim, está bem?" Eu gritei para ele.

"Absolutamente" ele respondeu quando eu apertei o botão do elevador. "Não se preocupe com nada aqui. Vou segurar as pontas."

"Obrigado" eu gritei quando a porta do elevador se abriu e Phil apareceu.

"Olá novamente, Srta. Swan" ele disse, sorrindo educadamente. Ele olhou para a minha mala com curiosidade. "Indo para algum lugar?"

"Sim" eu respondi. "Eu estou indo para casa."

Após uma hora de viagem, a minha confiança estava oscilando. O céu estava escuro, com uma névoa estranha no ar que deixava apenas respingos suficientes no para-brisa para impedir a visão. Liguei os limpadores, o som áspero do atrito da borracha contra o vidro invadindo o silêncio pacífico no carro. Eu me encolhi e recuei, irritada com o clima inconstante de Washington.

Depois que duas horas se passaram, o cansaço começou a tomar conta de mim. Eu brincava com o rádio, zapeando pelas estações em uma tentativa de me distrair. A recepção era horrível, a densa floresta que se alinhava à estrada em ambos os lados impedia a música de chegar ao fim. Isso me lembrou de Edward e como ele sempre reclamou da interferência do rádio. O som estático encheu o ar, ficando malditamente perto de me ninar para dormir. Eu procurei por um CD, mas não consegui encontrar nenhum na escuridão, então eu finalmente desisti e simplesmente desliguei o rádio. Eu não sabia o que era pior para ser honesta – ouvir o ruído indefinido ou ficar com todos os pensamentos correndo pela minha cabeça.

No momento em que eu cheguei a Port Angeles, eu tive a minha resposta. Eu estava à beira de um ataque de pânico e mexi no rádio de novo, tentando me impedir de enlouquecer. Cada milha que passava me levava para um pouco mais perto de Edward, e no meu estado de exaustão eu não tinha certeza se isso era uma boa ideia. Ele estava noivo. Ele conheceu alguém, e aqui estava eu... bem... Eu não tinha certeza do que diabos eu estava fazendo ainda.

No momento em que eu passei pela velha e familiar placa "Bem-vindo a Forks", eu estava perto de pisar nos freios e virar para voltar para Seattle. A única coisa que me impediu foi o fato de que os meus olhos ardiam e meu corpo doía devido à viagem. Eu precisava me esticar e dormir um pouco, pensei que eu poderia ir para a casa de Charlie para tirar um cochilo antes de voltar. Eu até tinha me convencido de que não iria ver Edward, o ponto inteiro da viagem se perdeu em mim em algum lugar ao longo do caminho.

Eu dirigi direto para o antigo bairro, estacionei o meu carro junto ao meio-fio em frente à casa onde eu tinha crescido e percebi que era quase meia-noite. Fiz uma careta quando olhei para ela e vi que todas as luzes estavam apagadas e a viatura da polícia não estava lá. Sentindo-me idiota por não avisá-lo que eu estava vindo, peguei meu celular e liguei para a delegacia.

"Escritório do xerife" disse a despachante ao atender ao telefone.

"Você pode me transferir para Charles Swan, por favor?" Eu perguntei.

"Chefe Swan não está de plantão, senhora" respondeu ela. "Quer que eu deixe uma mensagem?"

"Uh, não" eu disse. "Obrigado de qualquer maneira."

Eu desliguei, irritada por meu pai ainda resistir à tecnologia. Ele não tinha computadores ou internet, nem celulares ou DVRs*. A extensão de seus avanços era a tevê a cabo básica e uma velha secretária eletrônica que ele ainda não tinha conseguido configurar. Eu não tinha ideia de onde ele estava e não tinha nenhuma forma de conseguir notícias dele.

*DVR: um sistema de gravação de vídeo.

Eu saí do carro e me dirigi para a casa. A porta de entrada estava trancada, assim como a de trás. Eu olhei nos parapeitos da janela e nos batentes das portas, olhei na bica de água e sob o tapete de boas vindas, mas não consegui encontrar a chave reserva que eu sabia que Charlie mantinha em algum lugar.

Frustrada, eu olhei para a casa e examinei a árvore de bordo* que crescia na fachada. Um sorriso curvou meus lábios enquanto eu chutava meus saltos na grama, indo direto para ela.

*Árvore de bordo: uma árvore do gênero Acer. A maioria é nativa da Ásia, mas há várias espécies também na Europa, África setentrional e América do Norte.

Eu não era atlética. Eu nem era coordenada, então o que me fez decidir tentar escalar a árvore estava além de mim. Mas o que me faltava em habilidade, eu tinha em determinação. Deslizei no tronco, abraçando-o com força, e segurei nos ramos enquanto tentava manobrar. Demorou um pouco para eu alcançar a minha velha janela do quarto, meu corpo todo tremia enquanto eu me forçava a não olhar para baixo. Depois de alguns minutos eu consegui abrir a janela, a velha madeira estilhaçando sob minhas unhas.

No momento em que eu finalmente me impulsionei para dentro da casa, eu estava cortada e dolorida, com manchas de sangue e a pele arranhada. Minha camisa estava rasgada e meu cabelo estava uma bagunça, o suor se acumulou em minha testa. Eu estava deitada no chão ao lado da janela, respirando profundamente com os olhos fechados enquanto eu tentava me controlar.

"Impressionante, Swan."

Meus olhos se abriram em pânico, enquanto a voz familiar ainda ecoava pelo cômodo. Sentei-me e engasguei quando vi Edward parado na porta.

"Puta merda, como você chegou aqui?"

Ele riu enquanto caminhava em minha direção, puxando uma chave do bolso e segurando-a. "Você esqueceu que seu pai esconde uma reserva?"

"Não, eu procurei por isso!"

"Aparentemente não o suficiente" ele disse. "Ele sempre a escondeu sob o gnomo de jardim entre as nossas casas."

Minha testa franziu. "Como diabos você se lembra disso?"

Ele deu de ombros. "Como foi que você esqueceu?"

Estava muito escuro, mas as calças cáqui de Edward e a camisa de botão azul clara praticamente brilhavam a luz do luar. Seu cabelo estava penteado para trás e meus olhos seguiram a extensão dele, chegando ao fim num par de sapatos marrons. Ele parecia... maduro.

"Por que você se parece com seu pai?"

Ele riu de novo quando se agachou, assim estávamos no mesmo nível, o som despreocupado passou através de mim. Isso despertou algo dentro de mim, uma parte que havia adormecido ao longo dos anos sem ele.

"Estou feliz em te ver, Swan, mas por que exatamente você está escalando árvores à meia-noite usando uma saia? Está adicionando invasão de domicilio ao seu dossiê?"

"Meu dossiê, Edward? O que você sabe sobre o meu dossiê?"

Ele sorriu. "Eu sei muito."

...

Eu saí do chuveiro e rapidamente me sequei, torcendo o excesso de água do meu cabelo. Enrolei a toalha branca e fofa em volta do meu corpo e abri a porta do banheiro para dar uma olhada, me certificando de que Charlie não estava no corredor. Eram apenas alguns pequenos passos até o meu quarto, alguns meros segundos de vulnerabilidade com os quais eu conversava todos os dias.

Eu não estava disposta a compartilhar um banheiro com Charlie quando eu era mais jovem, mas com o passar dos anos isso se tornou mais e mais complicado. Eu odiava entrar e encontrar seu aparador de pelos do nariz no balcão, e eu tinha certeza que a minha caixa de absorventes fazia sua pele arrepiar a cada mês.

Eu corri direto para o meu quarto, fechando a porta atrás de mim quando eu estava lá dentro e respirando um suspiro de alívio por eu ter privacidade mais uma vez.

"Você está bem lá, Swan?"

A voz inesperada me assustou e eu quase gritei, girando enquanto eu segurava a toalha com força contra mim. Meu coração estava batendo com força contra minhas costelas, o fluxo de sangue tão intenso que minha visão estava turva. Sentado no meio da minha cama, vestindo uma calça jeans escura e uma camiseta branca e suja do Bob Marley, estava Edward.

"Como diabos você entrou aqui?" Eu perguntei, minha voz era um sussurro em pânico. Charlie não era muito arcaico, especialmente agora que eu tinha dezoito anos, mas uma regra que ele sempre teve era nada de meninos no meu quarto. Não era nada contra Edward... Charlie nunca teve qualquer problema com eu estar no quarto de Edward, nem problemas conosco compartilhando uma barraca quando íamos acampar. Festas do pijama em outros lugares eram excelentes, mas algo sobre eu ter um menino no meu quarto assustava Charlie, não importa quão inocente fosse.

Edward apontou para a minha janela semi-aberta enquanto ele se levantava e se espreguiçava. "Escalei sua árvore. Foi tipo, realmente fácil. Eu só..."

Ele continuou a tagarelar sobre isso, mas as palavras se perderam em mim. Tudo o que eu conseguia pensar era que debaixo da toalha pequena, eu estava completamente nua. Um movimento errado, um pequeno deslize, e todos os bens seriam vistos por ele.

O pensamento me fez sentir enjoada. Não é porque eu não queriaque ele me visse assim, mas por causa de eu ser eu. Eu era normal, eu acho, mas em pé na frente de Edward eu me sentia um nada.

"Realmente, Swan, você está bem?" Edward perguntou, parecendo genuinamente preocupado. "Parece que você vai desmaiar."

Minha boca estava seca e por uma reviravolta doentia do destino, Edward escolheu aquele momento para lamber os lábios. Essa visão quase fez meus joelhos dobrarem, ao pensar na sensação da sua língua quando ele me beijou. Meu corpo corou, e amaldiçoei meus hormônios pelas reações abastecidas por ele. Eu estava mal... realmente mal.

Eu, Isabella Marie Swan, estava tendo uma queda pelo meu melhor amigo.

Ele olhou para mim, sua sobrancelha arqueada e um pequeno sorriso em seus lábios. Seus olhos vagaram, demorando-se sobre a pele nua em volta dos meus ossos do colo por muito tempo para não significar nada.

"Eu, uh..." Eu comecei, tentando limpar minha cabeça enquanto olhava para mim mesma. O que ele estava olhando tanto? Eu ainda estava coberta... mais ou menos. "Roupas."

"Oh, sim, você provavelmente vai querer se vestir" ele disse, seus olhos encontrando os meus novamente. Eu balancei a cabeça e ele se virou para a parede. "Vá em frente, não vou olhar."

Eu fiquei boquiaberta, incerta e apavorada, mas depois de um segundo fui direto para o meu armário. Eu respirei fundo e deixei a toalha cair, puxando as primeiras roupas que eu poderia encontrar. Edward ainda estava virado para a parede quando eu virei para ele menos de um minuto depois, balançando em seus calcanhares, com as mãos enfiadas no bolso. "Okay, terminei."

Ele se virou para olhar para mim. "Isso foi rápido."

Eu apenas dei de ombros, tentando parecer legal. "Então, por que você está aqui? Charlie vai te matar se ele encontrar você."

Sorrindo, ele tirou um envelope do bolso de trás. Ele me entregou e eu vi que o meu nome estava escrito na frente com sua caligrafia. "Seu presente de formatura."

Eu olhei para ele em choque. "Mas eu não te..."

"Não se preocupe comigo" disse ele. "Apenas abra."

Cuidadosamente, eu rasguei a aba do envelope e tirei o que eu reconheci imediatamente como dois ingressos. Havia dezenas deles no quarto de Edward, lembranças dos shows de rock que ele tinha ido com o passar dos anos. Meus olhos os percorreram e eu ofeguei atordoada quando percebi para o que eles eram.

"NSYNC? Você tem malditos ingressos para ver NSYNC?"

Ele acenou com a cabeça. "Em Seattle. Segunda fila. Tentei conseguir a primeira fila, mas elas foram reservadas para VIP idiotas."

"E tem dois?" Eu perguntei estupidamente, porque eu estava claramente segurando dois ingressos. Eu estava começando a ficar animada e mordi meu lábio, tentando me conter. "Isso quer dizer que você vai comigo?"

No momento em que eu fiz a pergunta, ele me olhou com horror. "Eu pensei, você sabe, você pode levar um amigo." Eu estava prestes a interpor, mas ele se corrigiu antes que eu pudesse. "Uma amiga, quero dizer."

Eu fiz uma careta. "Eu não tenho amigas, Edward. Você sabe disso."

"Alice?"

Alice era uma amiga de nós dois à medida que crescíamos. Seus pais a transferiram para uma escola católica particular na oitava série, de modo que raramente conseguimos nos ver. "Ela vai fazer o trabalho missionário no México neste verão."

"Rosalie?"

Rosalie era a prima mais velha de Edward... ela tinha um irmão gêmeo chamado Jasper. Eles viveram em Forks por um tempo, mas se mudaram para a Califórnia durante o ensino médio. "Ela nem sequer vive no estado mais, Edward. Além disso, ela nunca gostou de mim e você sabe disso."

Ele ficou quieto por um segundo, enquanto tentava pensar em outra pessoa, mas ele não encontrou nenhuma, como eu sabia que ele não encontraria. "Tudo bem" ele cedeu.

"Você vai comigo?"

Ele acenou com a cabeça. "Eu vou sofrer com isso por você."

Eu gritei com entusiasmo e me atirei nele, envolvendo meus braços ao redor do seu pescoço com força, abraçando-o. "Muito obrigado!"

Ele me abraçou de volta, me levantando do chão. Eu gritei, envolvendo minhas pernas ao redor dele para que ele não me deixasse cair, e ele riu. "Whoa, não fique muito animada. É apenas um show. E de uma boy band ainda."

Eu não podia ver, mas eu o imaginei fazendo uma careta.

"Só a melhor boy band de todas! E eu vou, graças ao melhor amigo de todos!"

Ele riu de novo conforme eu deixava as minhas pernas caírem de volta para baixo. "Eu estou feliz que tenha gostado. Não poderia ter pedido um agradecimento melhor."

Eu corei, quase envergonhada com a forma como eu tinha bombardeado ele. "Eu acho que foi uma coisa boa que eu tenha colocado essa roupa antes que você me desse os ingressos, huh?"

Ele sorriu. "Não teria realmente importado muito" respondeu ele, indo em direção à janela para voltar a escalar. "Eu olhei de qualquer forma."

...

"O quarto parece o mesmo" Edward disse, em pé na minha antiga mesa de madeira e folheando um livro que estava em cima dela. Eu tinha conseguido isso para a minha primeira aula de jornalismo há quase uma década atrás e provavelmente ele não tinha sido tocado desde então.

"É, Charlie não vem aqui" eu respondi, passando o dedo indicador ao longo do braço da cadeira de balanço, quando eu passei por ela. Isso agitou a espessa camada de poeira que tinha se acumulado ao longo do tempo, lançando-a para o chão de madeira. "Está exatamente como eu deixei."

"Isso não quer dizer muito" Edward respondeu, olhando para mim quando eu abri a porta do armário. Ainda havia algumas peças de roupas penduradas e alguns sapatos espalhados na parte de baixo. Eu mexi neles, sorrindo quando encontrei o meu par favorito de chucks do colégio. Eles eram pretos e xadrez, mas foram tão usados ao ponto de eles parecerem apenas marrons. "Seu quarto sempre teve essa vibe mórbida."

"Mórbida?" Eu perguntei, olhando para ele.

"Sim, você sabe, tudo era escuro e triste" respondeu ele, encolhendo os ombros como se ele não tivesse que explicar. "Você nunca foi muito feminina, Swan."

"Só porque eu não gostava da cor de rosa ou usava maquiagem todos os dias não significa que eu não era feminina" eu disse defensivamente.

Ele riu. "Sim, é verdade. Essa é a definição de feminina."

"Você está errado" eu disse. "Há mais de um tipo de garota, Edward."

"Eu não disse que você não era uma garota – Eu disse que você não era feminina. Há uma grande diferença aí" respondeu ele, olhando-me fixamente. "E acredite em mim, eu estou bem consciente de que você era uma garota. Você sabe disso. Eu percebi... repetidamente."

Não ruborize, eu pensei. Querido Deus, não deixe ele te ver corar.

Eu senti meu rosto ficar quente e desviei o olhar, mas era tarde demais. Ele já tinha percebido e começou a rir. "Ainda a mesma Swan."

"Eu vou ser sempre a mesma."

"Eu sei que você vai" ele murmurou.

As coisas ficaram em silêncio por um momento, enquanto ele continuava a folhear o livro como se fosse a coisa mais interessante no cômodo e eu fosse apenas um adereço no fundo. Eu estava nervosa e algo sobre seu comportamento me dizia que ele também estava.

"Então, ela é?" Perguntei finalmente, as perguntas não respondidas nadavam ao redor da sala quase nos afogando em constrangimento. "Feminina, eu quero dizer?"

Ele olhou para mim confuso. "Quem?"

"Sua, uh..." Comecei, a palavra estava presa na ponta da minha língua. Eu tentei forçá-la a sair, mas isso parecia errado, o pensamento era doloroso. "Você sabe... ela."

"Oh, Tanya?" Eu balancei a cabeça e seu rosto se iluminou de repente – a simples visão disso parecia um soco no estômago. Ele não parecia assim em relação a mim. Ele nunca pareceu. "Sim, ela é feminina. Muito feminina, na verdade. Isso é meio que, realmente engraçado. Ela é toda errada para mim em muitos aspectos, mas há algo sobre ela. Ainda não consigo identificar o que é, mas está lá. Ela é diferente. Feliz. Ela tem tanta certeza de que é o que ela quer. Nunca conheci alguém como ela antes. Ela é apenas... diferente."

Eu estampei um sorriso no meu rosto o tempo todo que ele falou, tentando o meu melhor para parecer feliz por ele. No entanto, eu temia que eu estivesse falhando. Eu provavelmente parecia louca. "Diferente?" Eu perguntei.

Ele acenou com a cabeça. "Diferente."

Diferente. Uma palavra simples, não necessariamente um elogio, mas o que eu ouvi foi: "Ela não é nada como você."

"E você pretende se casar com ela?" Eu perguntei, lamentando a questão imediatamente. Eu queria colocar os meus dedos em meus ouvidos e fugir antes que ele pudesse responder, mas eu simplesmente fiquei ali e esperei. Minha mente passou por diferentes cenários, potenciais futuros, onde eles se separavam antes que chegassem tão longe. Eu percebi que não haveria tempo para mudar de ideia, era hora de mostrar a ele um caminho diferente, mas o que ele disse em seguida mudou tudo.

"Sim, em menos de um mês."

Antes que eu pudesse realmente compreender a sua resposta e considerar encontrar uma resposta para ela, houve um lampejo de faróis que iluminou brevemente o quarto. Edward e eu olhamos um para o outro, falando ao mesmo tempo.

"Charlie."

Ele riu e foi em direção à janela. "Eu te vejo amanhã, Swan."

"Espere, você vai descer?" Eu perguntei, surpresa. "Por que você simplesmente não sai pela porta?"

Ele olhou para mim, incrédulo. "E deixar o seu pai me pegar aqui em cima?"

"Nós não somos mais crianças, Edward" eu disse, rindo.

"É verdade, mas Charlie ainda é Charlie" ele respondeu.

Edward desapareceu rapidamente para fora da janela, deixando-me sozinha no quarto, e meu sorriso sumiu imediatamente.

Menos de um mês. Eu só tinha algumas semanas para interromper um casamento e salvar o meu melhor amigo de cometer o maior erro de sua vida...

Mas eu não tinha absolutamente nenhuma ideia de como infernos fazer isso.


N/T: Depois de um final de semana com uma apresentação incrível do Justin Timberlake no VMA, descobrimos que a Bella de PS também era uma fanática por NSYNC quando adolescente!

Edward sendo um fofo dando ingressos de presente para ela, mesmo tendo escolhido um momento impróprio, mas este Edward ama momentos impróprios, rs*

Bem, não esqueçam de deixar suas opiniões sobre o capítulo nos comentários, estou lendo todos eles!

Beijos e até semana que vem.