CAPÍTULO TRÊS:

Por um momento Leah apenas ficou ali, encarando aquele pedaço de pecado. Tentava falar algo mas quando finalmente reunia as palavras elas não conseguiam sair. A morena percorreu cada parte daquele peitoral, abdomen e braços musculosos com os olhos, e quando deu-se por si já era tarde.

– Posso ajudá-la em algo? - perguntou Jacob, com uma de suas sobrancelhas erguidas. Estava achando graça de vê-la naquele estado.

A morena reuniu todo o seu autocontrole para não deixar-se corar de vergonha.

– Pode. - responde ela, colocando as mãos na cintura. - Que tal desocupar o banheiro? - resmungou, o encarando.

– Só se você pedir com jeitinho. - zombou o rapaz, esboçando um enorme sorriso.

– Você não tinha que estar no trabalho? - perguntou a Clearwater, fazendo o moreno revirar os olhos.

– Você não perde uma, não é mesmo? - disse Black, já sério.

– Pode apostar que não. - respondeu a morena, ácida.

– Pois fique sabendo que o meu turno só começa às 10 horas. - falou Jacob, se aproximando da garota. E mais uma vez ele a deixou sem palavras. Maldito lobo.

– Que foi Leah, ficou sem ação? – perguntou o moreno, rindo, ainda próximo da Clearwater.

Em um impulso ela agarrou-lhe o rosto com a mão direita o colocando a centímetros do seu.

– Não pense que por eu ser mulher eu não saiba me impor. - ameaçou Leah, pingando veneno, enquanto o Black se mantinha impassível a sua frente. - Porque eu sei. E eu vou sempre que precisar. - completou, aproximando mais ainda o rosto do dele, fazendo com que seus narizes se tocassem.

XxXxX

Jacob podia sentir a tensão de cada músculo de seu corpo quando Leah fez aquilo. Aquela mão ao mesmo tempo delicada e firme em seu rosto fez com que ele pousasse sua atenção totalmente nos olhos verdes e intensos da morena a sua frente.

– Não pense que por eu ser mulher eu não saiba me impor. - ameaçou Leah. Se manteve imóvel, perdido naqueles olhos. - Porque eu sei. E eu vou sempre que precisar. - completou, aproximando mais ainda o rosto do dele, fazendo com que seus narizes se tocassem. Pode sentir novamente o cheiro inebriante que ela emanava.

Aquele último movimento foi a deixa para que ele retomasse a consciência e se desenvencilhasse brutamente dela.

– Já te falei para me respeitar, garota. - sibilou o moreno, rosnando.

– Ou o quê? - perguntou Leah, o enfrentando.

– Você quer mesmo descobrir como eu ajo por mal? - respondeu Jacob, trincando os dentes e se aproximando novamente da morena.

– Poupe-me de suas ameaças. - disse Leah, o encarando firmemente. - Eu não tenho medo de você Jacob. - se aproximando ainda mais dele. - Você é como todos os homens. - debochou.

– Não Leah. - disse o moreno, prensando o corpo da garota na parede do corredor. - Eu sou o único homem que você já conheceu. - sussurrou o Black, ao pé do ouvido da Clearwater. E depois disso, se distanciou do corpo quente e convidativo dela, recolheu seus pertences que estavam no banheiro e se dirigiu ao seu quarto.

XxXxX

– Aquele maldito Black... - resmungava Leah, para si mesma enquanto terminava de arrumar a casa.

Mais uma vez sua mente se encheu de imagens do que ocorrera mais cedo. Aquele corpo firme e másculo pressionando o seu. A respiração acelerada do moreno próxima a sua nuca, arrepiando-a inteira. O cheiro amadeirado e cítrico que ele emanava.

– Mas que droga! - exclamou, jogando as duas almofadas de qualquer maneira no sofá. Se sentia uma idiota ao pensar em um homem daquele jeito. Ela era Leah Clearwater, e nunca fraquejava por nada.

– Tudo bem Lee? - perguntou Emily, com o cenho franzido, enquanto entrava na sala da casa carregando uma cesta cheia de ingredientes.

– Porque não estaria? - perguntou Leah, espantando as imagens para longe de sua mente e sorrindo para sua prima.

– Sabe... os dois lobos que lutaram hoje acabaram de chegar. - comentou Emily, fitando o chão. Leah sabia o quanto aquilo a sensibilizava. - Um deles está em péssimo estado.

– Meu deus... - murmurou Leah, sentindo um aperto imenso no peito. - Eu vou até lá ajudar. - comentou, já correndo em direção a porta sem esperar por uma resposta da prima.

XxXxX

Suor pingava do rosto de Jacob enquanto ele trabalhava no motor de uma das viaturas dos humanos. O dia estava extremamente quente e o local de trabalho também não ajudava muito. Limpou o suor com as costas da mão direita e continuou.

– Jacob. - chamou uma voz masculina atrás de si.

– O que foi, Embry? - perguntou Jacob, sem se virar para encará-lo.

– Os Tributos chegaram. - murmurou, o que fez o corpo do moreno enrijecer.

Tributos eram os lobos forçados a batalharem nas arenas. Havia um sorteio em cada uma das vilas dos Estados Unidos e cada lobo que era escolhido em uma vila tinha de lutar com outro escolhido de outra vila. Eram 12 vilas no total. Raramente ocorriam lutas entre lobos de uma mesma vila.

Silêncio.

– Eles estão mal. - comentou Embry, tentando chamar atenção do moreno.

– O que podemos fazer, Embry? - perguntou Jacob, se desencostando do veículo. - O quê? - exclamou, jogando o pano sujo de graxa na mesa de ferramentas.

– Nós pod...

– Nada! - exclamou o moreno, com raiva.- Esses malditos jogos continuarão sempre e não há nada que possamos fazer para impedi-los. - completou, soltando um longo suspiro.

– Você sabe que está errado, Jake. - disse Embry, sério. - Mas por enquanto, se ficarmos juntos, conseguiremos sobreviver. - e dizendo isso, se afastou, deixando o Black sozinho com seus pensamentos.

XxXxX

– Onde eles estão? - perguntou Leah, com a respiração entrecortada.

A enfermeira apenas apontou para os dois corpos estirados no canto esquerdo da pequena tenda hospitalar.

Leah sentiu o aperto em seu peito aumentar quando se aproximou das duas macas.

"Mas eles são apenas crianças..." pensou, enquanto lágrimas se formavam em seus olhos.

Um deles estava imóvel o que fez a morena desviar o olhar, enjoada. Aquele pobre adolescente teve o corpo mutilado e provavelmente não aguentou. A dor deveria ser muita.

Lágrimas caiam quentes pelo rosto da morena. Leah pousou sua atenção no outro adolescente, o que ainda estava vivo, mas parecia estar por um fio.

O menino respirava com dificuldade, os únicos movimentos que fazia eram o de sua respiração e os lábios torcidos em uma careta de dor.

"Pobre criança..." pensou Leah, pousando a mão sobre a testa fervendo do adolescente. Não devia ter mais que 15 anos.

– Me ajude. - murmurou o garoto, gemendo de dor. - Dói tanto...

– Você vai ficar bem. - disse a Clearwater, delicadamente.

A enfermeira se aproximou de ambos e injectou uma dose de morfina no braço do menino. Minutos depois ele caiu no sono.

Leah pegou um pano limpo e começou a limpar o corpo sujo e ensanguentado do adolescente enquanto ele murmurava palavras desconexas durante o ós terminar verificou se ainda havia algum corte grande para ser suturado. Nada. Permitiu-se respirar fundo e voltar para casa. Precisava vender a sopa que Emily preparou durante a tarde.

– Quem é você? - perguntou o menino, quando viu que a morena deixava a tenda.

– Leah. - respondeu a Clearwater, se virando para encara-lo.

Ele parecia um pouco melhor, pelo menos não corria mais risco de vida.

– Seth. - falou ele, tentando esboçar um sorriso, mas falhando no processo - Obrigado por cuidar de mim. - disse, com emoção no olhar.

– Não foi nada. - falou Leah, lançando a ele um meio sorriso. - Se cuida, ok? - pediu, antes de se virar e sair da tenda, sem deixar de ouvir o fraco "Ok" de Seth como resposta.

XxXxX

– Porque demorou tanto? - perguntou Emily, preocupada quando observou sua prima entrar pela porta da frente. - Estava quase mandando Sam procurar por você.

– Em., relaxa, são apenas 18 horas. - respondeu Leah, andando em direção à cozinha. - A sopa já está pronta? - perguntou.

– Esteve preparada desde as 16 horas. - falou a Uley, seguindo a morena.

– Então é melhor eu ir vende-la rápido. - disse a Clearwater, colocando a sopa em pequenos potes iguais dentro de uma cesta. - Já está quase na hora do jantar.

– Tem certeza que não quer que eu faça? - perguntou a prima.

– Em., eu consigo. - respondeu a morena, já caminhando em direção a porta da frente.

– Só não demore muito. - pediu Emily, mas a prima já havia saído.

XxXxX

Jacob se sentou à mesa aquela noite para comer com a cabeça latejando. Cumprimentou Emily, Sam e Leah e comeu silenciosamente. Escutou Leah falar ao casal de lobos do tributo que ajudara a salvar essa tarde. Escutar aquilo só fez com que o desconforto interno que sentia aumentasse. Terminou sua sopa logo e pediu licença para se retirar.

Caminhou em direção a seu quarto, entrou, fechou a porta e se jogou na cama. Seus pensamentos rapidamente se ligaram ao que Embry, o cara da oficina, lhe falara aquela tarde, mas seu raciocínio foi interrompido com uma batida em sua porta.

– Entra. - murmurou, incapaz de mover um músculo se quer de seu corpo exausto.

Ouviu a porta se abrir, alguém entrar e logo depois fechar a porta.

– Está tudo bem? - perguntou uma voz feminina atrás de si.

– O que você quer, Leah? - disse o moreno, finalmente a encarando.

– Você é surdo ou o quê? - resmungou a garota, carrancuda. - Queria saber que bicho te mordeu.

– Nenhum, Leah. - respondeu ele, cansado demais para brigar. - Só estou cansado e minha cabeça dói, então, por favor, saia. - completou, passando a mão direita pelo rosto.

– Quer que eu prepare um chá? - perguntou a morena, não se dando por vencida. - É bom para curar a dor de cabeça, já que não temos dinheiro para comprar remédios aqui.

– Não é necessário. - respondeu ele.- Apenas, me deixe sozinho.

Quando Leah se preparava para deixar o quarto observou a pequena fotografia em cima do gaveteiro. Era uma mulher.

– Quem é? - perguntou Leah, sentindo um aperto sem sentido no peito. Ela realmente se importava?

Continua...

N/A: Oiiii genteee ! E então o que acharam de ver o lado bondoso da Leah? Resolvi colocar o Seth nessa história como um amigo dela, uma pessoa que vai ser muito importante para ela. E o que foi ver o Jacob revoltadinho? hahahaha adoooooro. Povo do deixem reviews ! ahhaha :)
Um beijo e até o próximo cap,
Gaabii