Capítulo Três

por Little V

Os cabelos de Teddy estavam negros, devido ao stress que a situação estava lhe causando. Era difícil demais controlar duas garotas que queriam a cabeça uma da outra em uma bandeja, mas o que realmente desagradava Teddy em toda aquela situação era o motivo da briga. Francamente, brigar por um menino como Zabini era a maior perda de tempo. Teddy olhava severo para ambas as meninas, que, uma de cada lado da sala, o mais afastadas o possível, poderiam matar uma a outra com o olhar. Sem saber o que dizer, ou fazer, Teddy as havia encaminhado para lá, porém agora percebera que essa não fora a decisão mais sensata. Deixá-las no mesmo recinto só pioraria as coisas.

- Professor Lupin?

Uma cabeça loira tinha se infiltrado timidamente pela porta, mantendo-se mais para fora da sala do que para dentro, em provável receio de acabar entrando no meio de um duelo entre as duas garotas.

- Sim? – Teddy, sem saber se deveria desviar o olhar das duas, mantinha-se ainda sem dar atenção à cabeça.

- O professor Neville gostaria de trocar algumas palavras com a senhorita Creek. Ele pediu que ela fosse até a sala dele para que ele mesmo aplicasse a punição pelo mal entendido ocorrido nos corredores agora há pouco.

Então este era o nome da morena de olhos petulantes que encarava Lily de queixo erguido. Pela postura, Teddy poderia jurar que aquela menina era uma sonserina, mas acabara de descobrir que na verdade era uma Corvinal, porque, se Neville era o encarregado por ela, então ela só poderia ser daquela casa. "Creek", pensou. Fazia parte de sua turma das manhãs de terça-feira. Dependendo do que realmente havia causado a briga, e, caso Lily estivesse com a razão, talvez Teddy pudesse ser um pouco mais exigente com a menina. Assim que a idéia se formou em sua cabeça, foi cortada. Era simplesmente errado e inadmissível que Teddy deixasse o pessoal invadir sua vida profissional.

- Senhorita Creek, acredito que isso seja com você. Caso não se apresentar na sala de Neville em dez minutos, e tenha certeza de que eu verificarei isso posteriormente, estará em grandes problemas. Por favor, acompanhe o senhor...

- Claud. Meu nome é Claud – respondeu o menino loiro que, finalmente, ganhou a atenção de Teddy.

A menina saiu de sua sala e, tão logo o fez, Lily soltou um urro de raiva, que, misturados à soquinhos e algum tipo de sapateado frenético e que pretendia liberar a raiva, pareceu cômico a Teddy, arrancando-lhe uma pequena risada.

- O quê? Isso lhe parece engraçado, Teddy? É tudo culpa sua! Se você não tivesse entrado no meio, eu teria acabado com a raça daquela va...

- Lily Luna Potter, pare já aí! Antes de ser seu amigo eu sou seu professor e exijo um pouco de respeito!

Com o grito, Lily parou de dizer o que estava prestes a dizer, porém não mudou a postura irritada. Seus braços se cruzaram firmemente em frente ao corpo, seu pé tamborilando no chão, o cenho tão franzido que os olhos poderiam se juntar. Caso estivessem n'A Toca, em um verão qualquer, Teddy riria e a rodaria no ar, bagunçando seus cabelos, tudo para que a ruiva soltasse no mínimo uma risadinha. Ela ficava extremamente charmosa quando estava assim tão irritada, mas nada se comparava aos sorrisos sinceros da ruiva. Tentando se concentrar no sermão, e não nos atributos de Lily, ou em seu jeito de ser, Teddy voltou a falar, reprimindo o riso.

- Em primeiro lugar, a senhorita não poderia acabar com a raça da menina, porque acabaria levando sua casa à ruína com o tanto de pontos que perderia, sem contar a provável carta que sua mãe receberia de forma nada contente, causando-lhe alguns meses de castigo e uns bons puxões de orelha – neste ponto Lily se encolheu, imaginando a explosão ruiva que seria Ginny ao saber que a filha andava pelos corredores como um cão de briga. Teddy aproveitou para tomar fôlego e continuar seu sermão.

"Em segundo lugar, a senhorita deveria aprender a controlar um pouco mais seus nervos, afinal, Hogwarts sempre ensina seus alunos a resolverem os problemas da forma mais pacífica o possível."

Teddy aproximou-se da ruiva e, cuidadosamente, passou um dos braços por suas costas, fazendo-a segui-lo até a mesa. Puxando-lhe a cadeira, em uma intimação a que se sentasse, conjurou dois copos e, junto à eles, uma garrafa flutuou em sua direção. Café. Lily revirou os olhos, algo que fez Teddy achá-la estranhamente linda daquele jeito todo irritadiço. Sua cara era uma mescla de irritação e derrota. A forma como seus cabelos ficavam ainda mais vermelhos, camuflados em seu pescoço e maçãs, era definitivamente algo notável, e ele não poderia deixar escapar. Não era cego, muito menos tolo.

- Café? Sinceramente? Você sabe que eu não suporto café, e você é totalmente viciado nessa porcaria.

- Lily, por favor – murmurou, passando-lhe o copo com um olhar severo - Tome e aproveite para me explicar exatamente o que aconteceu. Você vai se sentir melhor.

Sentando-se e recostando-se à sua própria cadeira, Teddy ouviu ao relato, interessadíssimo. Lily falou incansavelmente por quase meia hora, contando desde o começo do namoro, há dois meses atrás, até o motivo da briga, que, pelo que Teddy havia entendido, havia sido uma carta nada amigável que Creek havia colocado na mala de Zabini, convidando-o a fazer coisas menos amigáveis ainda em seu quarto, ainda naquela noite. Ao final, Teddy pegou-se perplexo em como a juventude andava adiantada. Caramba, ele aprontava com 17 anos, mas chegar a receber uma carta dessas! Seus cabelos ficaram vermelhos com o pensamento e Lily soltou uma risadinha, o que o fez retornar à sala e os problemas da menina que vira crescer.

- Pois é Teddy, se seus cabelos ficaram vermelhos de vergonha do quão aquela COISA pode ser baixa e suja, imagine eu. Eu deveria era ter poupado minhas palavras e ameaças e deveria ter dado uns catiripapos naquela atrevida!

- Desculpe? Catiri o quê?

- Catiripapos, tapas, tabefes, socos. Como o senhor preferir, professor – terminou, maliciosa, lhe dando um sorrisinho.

Teddy sorriu. Não estava de frente com uma menina de 17 anos e sim com uma diabinha. Nada do que ele falasse adiantaria, porque Lily era, acima de tudo, uma verdadeira teimosa. Ele não duvidava nada de que ela realmente pudesse dar os tais catiripapos na próxima vez que cruzasse com a outra menina, mesmo que esta lhe pedisse desculpas de joelhos. A determinação nos olhos de Lily era quase palpável. Se pouparia, então, de tentar amenizar a raiva de Lily em relação à Creek, porque seria um caso perdido. Convencê-la de que não valia a pena era um caminho mais fácil. O que o desagradava em toda a história, no entanto, era o motivo da briga, e Teddy não poderia deixar de tentar fazê-la enxergar aquilo.

- Lily, posso ser sincero? Vou falar como um amigo, e não como seu professor. Tenho sua permissão?

A ruiva deu apenas um aceno de cabeça, tomando seu café, e Teddy titubeou um momento antes de falar, vendo a forma com que aqueles lábios tão vermelhos capturavam o líquido amargo e escuro. Cerejas com café pareceram, subitamente, tentadoras e irresistíveis para Teddy.

- Eu estou me sentindo um tanto quanto desapontado com você, porque tinha a imagem de uma moça madura e decidida e que, com essa atitude, provou não passar de uma mocinha de 17 anos. Desesperada por um namoradinho qualquer.

Os olhos sempre claros e límpidos de Lily, daquele tom inconfundível de verde marcado pelo marrom, arregalaram-se do tamanho de goles e ficaram um tom mais escuro.

- Desculpe? – a caneca de café foi pousada devagar na mesa, ao mesmo tempo em que Lily estreitava os olhos e se reclinava para mais perto de Teddy. Ela poderia machucá-lo, disso não havia certeza. O tom de voz era desafiador, convidava-o a se atrever em repetir novamente aquelas palavras.

- É exatamente o que você ouviu – disse, cruzando os braços, desafiando-a – Ora, vamos Lily! A Lily que eu conheço, a minha Lily, nunca faria uma baixaria dessas por um menino, mesmo que ele fosse o mais importante de sua vida. Você com certeza é filha de seus pais, porque nasceu com dom para encrencas, mas você sabe escolher perfeitamente pelo que vale a pena perder a linha. E esse tal de Zabini vem te dando provas de que ele não é um bom motivo.

Pelo que Teddy ouvira, ele era um menino bem galinha e materialista, algo que Lily simplesmente não suportava. "A antiga história de que os opostos se atraem, que você bem conhece", como ela dissera. Não podia entender como uma menina de personalidade tão forte e única estava por aí com um menino tão comum: sonserino típico, mesquinho, arrogante, boca dura e que se achava dono do mundo.

A moça encarava a Teddy incrédula. As palavras fugindo de sua boca.

- Lily, deixe de ser boba. Esse tal de Zabini teria de ser um verdadeiro babaca se trocasse você por aquela menina.

Assim que o disse, Teddy desejou ter retirado tais palavras. O quê? Seu discurso estava perfeito, mas sua boca grande tinha que entrar em ação, agindo mais rápido do que seu cérebro. Seus cabelos ficaram manchados de vermelho e rosa, tão intensos e tão fortes que machucariam aos olhos de qualquer um, menos aos de Lily, que agora estavam risonhos e maliciosos, perdendo a postura irritada de uma só vez.

- Então quer dizer que o Sr., professor, me acha melhor do que a Creek?

- Não, Lily, veja bem...Sim, eu não acho que ela deva...Na verdade não, eu não deveria ter...Deixe para lá! Só o que eu quero te dizer é que não se preocupe com essa besteira toda, e não deixe isso te atingir, não vale a pena.

Lily se perdeu nas palavras de Teddy, ditas com tanta pressa e embaraço, e só pôde rir. Sinceramente, ele estava certo.

- Sabe professor Lupin, você pode ser um pouco atrapalhado e pode até ser irritante quando quer, mas sempre soube dar os melhores conselhos. Obrigada. Realmente não vale a pena brigar por causa de meninos.

Teddy e Lily sorriram, cúmplices. Os olhares presos um no outro, fazendo com que o estômago de um revirasse e um estranho desconforto se plantasse na garganta subitamente seca do outro. Lily quebrou o contato visual assim que pode, sentindo-se um pouco tonta e com vontade de tomar um ar fresco. Precisava sair daquela sala que ficara tão quente.

- Então, agora que tudo já se resolveu, eu já vou indo.

- Sim, acho bom, você precisa ir se arrumar para a próxima aula. Sei que tenho sua palavra de que não sairá por aí brigando novamente.

Lily se virou rápida e seguiu em direção à porta sem olhar para trás, deixando Teddy apenas com um aceno de mão, que significava que ela lhe dava sua palavra. Tinha a intenção de sair dali e colocar a cabeça no lugar, porque só poderia estar louca por achar que Teddy ficava a cada segundo mais atraente. "Deve ser o nervoso que passei. Deve estar afetando minha linha de raciocínio", concluiu, tentando se convencer de tal teoria. Antes de girar a maçaneta, no entanto, Teddy a chamou de volta:

- Lily?

Respirou fundo e se voltou. Ele a encarava intensamente, os cabelos caindo por cima dos olhos escuros devido às noites mal dormidas, a barba por fazer, as mangas da camisa dobradas até os cotovelos, revelando um braço definido, nem muito magro e nem muito malhado.

- Sim?

- Se cuide. E pense no que lhe falei.

- Certo.

Ia se virando novamente, quando teve a atenção novamente requisitada.

- E Lily...

- Sim?

- Menos vinte pontos para a Grifinória – disse Teddy, sorrindo malicioso enquanto retirava os copos, fechando a porta com um aceno de varinha antes que a ruiva pudesse contestar sua decisão.

Lily mordeu a língua e fechou os olhos, virando-se em seguida para rumar para sua torre.

~x~

O dia passou sem mais tumultos para Teddy, até que sua última aula teve seu fim, com a matéria dada e o dever de casa anotado por todos os terceiranistas a quem estava ensinando. Assim que o último aluno deixou a sala, espreguiçou-se longamente, massageando os ombros. Se não dormisse bem aquela noite, provavelmente se pareceria mais com um zumbi na noite seguinte, do que com um ser humano. Resolveu seguir os conselhos de uma certa ruiva e trocou rapidamente de camisa para comparecer ao jantar. Seria a segunda vez que participaria desde o início das aulas, porém não se sentia desconfortável. Pelo que ouvira ultimamente, os alunos estavam adorando suas aulas, e ele só recebia elogios.

Rumou para o salão principal e sentou-se na mesa dos professores ao lado de Neville, o qual o saudou com muito entusiasmo. Serviu-se de suco de abóbora de um belo pedaço de carne. Um pouco de batatas e algumas verduras e não caberia mais nada em seu prato, nem que desejasse. Passou a comer a refeição em silêncio, às vezes prestando atenção à conversa de Minerva com Neville. Sua atenção, porém ficava na mesa da grifinória, com a família Potter-Weasley. Lily estava entre Hugo e Dominique, de frente para sua amiga Spencer e um outro garoto, que abordava descaradamente a menina, arrancando risos constantes de Lily. A forma como conversava com os outros, sendo o centro das atenções, fazendo piadinhas e arrancando risadas dos que a cercavam era, no mínimo, adorável. A espontaneidade de Lily, sempre com alguma tirada na ponta da língua, era algo que carregava desde pequena. As discussões com os irmãos eram intermináveis, pois eram três teimosos com alto poder argumentativo. Era incrível poder ver o que a menina se tornara.

- Uma verdadeira peça rara, não é mesmo?

O susto que tomou foi tamanho que deixou o garfo com que comia cair. Neville riu do amigo, pegando ele mesmo o garfo do chão e passando um novo a Teddy.

- Desculpe, não quis lhe assustar. Estava olhando para Lily, também. É muito parecida com os pais. Tem o carisma de Ginny, assim como o gênio forte. De Harry puxou o amor pela vida e pelas coisas boas, pelos pequenos momentos, assim como o dom para confusões massivas. Você não tem idéia do que passamos com Lily há alguns anos atrás.

Teddy sorriu, olhando para o mesmo ponto que Neville. Ambos vendo a menina jogar um pouco de creme no prato de Hugo, que culpava Dominique pelo aparecimento de coisas em seu prato, ao mesmo tempo em que fazia piadinhas com Spencer e o galã que a tentava conquistar, deixando a amiga embaraçada.

- O tempo é algo engraçado. Escorre por nossos dedos, deixando algumas marquinhas. Me lembro tão bem de quando éramos eu e os pais dela aqui. De quando tive aula com seu pai, um dos maiores homens que conheci.

Teddy olhou enternecido para Neville, dando-lhe um apertão no ombro.

- Você é um grande homem, Neville. Um grande homem por quem tenho um grande carinho e amizade.

Ambos sorriram e entreteram-se em uma conversa sobre as delícias que os elfos vinham preparando, sem perceber que certa ruiva dava olhadas furtivas em sua direção, tentando ver se ainda estava a capturar a atenção de certo professor de olhos azuis atormentados pelo sono. Sabia que seria errado, mas logo após o jantar pretendia ir até sua sala. Gostaria de trocar umas palavrinhas com ele.

~x~

Teddy, já com seu velho pijama azul de algodão, ficou alarmado com o barulho de passos que começou a ouvir dentro da cozinha do castelo. Eram 2:46 da manhã e ninguém deveria estar nos corredores, a não ser que fossem monitores chefes, ou professores, como ele. O barulho de passos ficava cada vez mais alto e, pelo que percebia, vinham em sua direção, porém não via nada. Mesmo com as luzes da cozinha acesas, nada se podia ver além de alguns elfos que se moviam para fazer o café de Teddy, e o próprio, que agora olhava ao redor desconfiado. Tinha um pequeno palpite sobre o que poderia estar acontecendo, mas preferiu esperar, com a varinha em punho.

Nem dez segundos haviam se passado desde que Teddy sentira a presença de alguém, e um "bu" foi murmurado em seu ouvido, vindo juntamente com o cheiro de castanhas e hortelã de Lily. "Um cheiro típico, que lembrara sua casa", refletiu. A menina retirou a capa de invisibilidade, herdada de seu pai para que pudesse se esconder das travessuras, e riu da cara de Teddy, uma cara de desconsolo por saber que ela nunca mudaria. Nunca seria um anjinho.

- Lily Luna, terei de tirar mais pontos da Grifinória? Isso não é horário para a Srta. estar fora da cama!

- Teddy, não, por favor! Eu só vim fazer um lanchinho! Estou com muita fome, e você não quer ser responsável pela minha morte desnutrida né? Eu estou em fase de crescimento, preciso me alimentar de três em três horas!

Teddy riu e balançou a cabeça. Não adiantaria.

- Encare isso como um encontro casual no Largo Grimmauld, como se eu houvesse apenas vindo tomar um copo de leite.

Um elfo veio eufórico atender aos desejos noturnos do estômago de Lily, a qual pediu um pedaço de torta de amoras com um grande copo de suco de abóbora. A moça estava com sua capa de escola, porém, embaixo dela, podia-se ver um pijama de algodão parecido com o de Teddy, porém de tons de amarelo e vermelho. "Grifinória até o último fio de cabelo".

- Então, veio realmente fazer um lanchinho, ou estava em algum corredor com Zabini?

Os cabelos de Teddy ficaram rosa-choque e Lily deu uma risadinha, quase se engasgando como suco que havia sido colocado em sua frente. Porque, diabos, tinha perguntando aquilo? Não era de sua conta!

- Desculpe Lily, não é de minha conta.

- Tudo bem – murmurou ainda rindo – é da sua conta sim. Eu imagino que deve ser esquisito me ver namorando, afinal, você me conheceu antes mesmo de eu vir ao mundo.

Teddy se lembrou de uma Ginny extremamente redonda e corada, passeando as mãos pequenas de forma gentil pelo ventre, cantarolando alguma musiquinha qualquer.

- É verdade. Acho que fico ainda meio chocado com a situação toda. Ainda mais depois de te ver hoje lutando feito uma tigresa nos corredores.

Ambos gargalharam por um bom tempo, uma risada genuína e amigável, como se realmente tivessem se encontrado na cozinha do largo Grimmauld durante as férias de verão. Eram, antes de aluna e professor, quase parentes. Teddy via a Lily como a uma pequena irmã. Ou talvez uma prima. Algo distante em relações parentêscas, no mínimo, já que a achava bonita. Lily, enquanto ria, percebeu o quanto as rugas dos cantos dos olhos de Teddy davam-no um ar de mais velho, relembrando o quanto ela e as amigas rezavam por um professor bonitão. Certamente, ali estava ele, e as preces haviam sido atendidas com louvor inegável. Teddy sempre fora bonito a sua maneira, pensou Lily. Nunca se enquadrando nos padrões de beleza, porém com seu jeito único. Isso chamava a atenção, certamente, e as colegas passavam horas a discursar sobre o novo professor, algo que incomodava e deixava Lily com orgulho. Ele era seu Teddy Bear, então logicamente se sentiria incomodada.

Depois disso, ficaram conversando por alguns momentos, e logo o café de Teddy estava pronto. O moço adoraria ficar horas a fio conversando com a ruiva de olhos altivos, porém seu corpo clamava pela cama. Lily notara.

- Teddy, pra sua cama AGORA. Você até pode tomar esse seu bendito café, mas bem pouco, e depois disso cama. Você está precisando.

Lhe sorriu. Ela estava, como sempre, correta.

- Eu sei Lils, não precisa bancar a mãe. EU sou o adulto responsável, não você.

- Ás vezes não parece.

- Estou indo, por Deus, estou indo! Você vai ficar bem? Vai voltar para seu dormitório assim que terminar a torta?

- Fique tranqüilo, prometo que vou. Zabini já está em seu quarto, provavelmente no décimo sono. Assim espero.

Teddy não entendeu as palavras de Lily, fazendo uma careta de confusão.

- Ah, a Creek. Ela queria vê-lo hoje. Sei que não deveria desconfiar, mas sempre rola um medo, não é?

Teddy aproximou-se de novo dela e lhe deu um apertão no ombro, passando-lhe um conforto.

- Não se preocupe. Se ele te amar e se ele enxergar a menina que você é, não vai fazer besteira. E, caso fizer, gostaria de ser o primeiro a ser comunicado. Existem muitos erros que podem levar uma pessoa à detenções severas, sabia disso, cara amiga?

Lily riu novamente, olhando com carinho nos olhos de Teddy, numa forma de agradecimento. O homem deu-lhe as costas, e, murmurando "boa noite", deixou-a sozinha com sua torta e os elfos que esperavam ansiosos por mais uma ordem ou para poderem finalmente lavar o prato de Lily. Seu olhar vagou pela cozinha e decidiu que também deveria ir para a cama, pois o dia havia sido longo. Toda aquela briga, e todos aqueles momentos com Teddy, definitivamente, haviam a deixado de cabeça cheia. Quando estava por sair da cozinha, não sem antes ter agradecido aos elfos, viu um pequeno pedaço de pergaminho flutuando em frente à porta. Uma letra elegante lhe arrancou uma gargalhada e um revirar de olhos.

"Menos 5 pontos para a Grifinória, minha cara!

T.L"

Lily pegou o bilhete e, colocando-o em um dos bolsos internos da capa, vestiu-se com a capa de invisibilidade e rumou para sua cama.

~x~

Teddy chegou a seu quarto e foi diretamente para a cama. Antes de dormir, tomou um pouco de seu café e fumou dois cigarros. Teve uma noite decente de sono, sem sonhos e sem preocupações. Apesar de corrido, tinha achado aquela dia peculiarmente interessante e não se preocupava em ter aulas logo na manhã seguinte com a ruiva que lhe dava tantos momentos bons.