Notas da autora: Eu estava aqui pensando com meus botões e... O Kai foi perseguido por tantos ruivos (tanto no original quanto no Retorno), que ele acabou namorando uma *apanha*.
# Bakuten Shoot Beyblade não me pertence e essa fanfic não possui nenhum fim lucrativo.
# Ana x Kai.
# Fluffy (e.e)
# Segue a linha do capítulo 3.
# Jin me pertence.
Boa leitura.
...
...
X
- Pode ser amanhã pela tarde? – Ana perguntou para o outro lado da linha. – Então está combinado. Boa noite 'pra tu também.
A ruiva desligou o aparelho celular com um sorriso de orelha a orelha. Ela havia escrito a lista e ido ao supermercado – e nenhuma catástrofe havia acontecido. Estava tudo preparado e ela quase saltitou enquanto chegava à cozinha.
Viu Kai ao lado do balcão e o sorriso diminuiu, morrendo aos poucos na medida em que contava mentalmente os frascos e cartelas e a dificuldade do bicolor em engolir as cápsulas, comprimindo os ombros e tencionando ligeiramente a musculatura.
Tudo consequência dos últimos atentados. Kai de alguma forma conseguiu sair vivo de uma brutal sessão de espancamento, tiros, envenenamento e um longo coma – não necessariamente nessa ordem ou tudo de uma vez, mas a admirava o fato de ainda assim ele ter escapado com vida. - Para não falar das sequelas. E mesmo sabendo que os remédios eram fundamentais, Ana sempre se preocupava em um dia em particular, especificamente se referindo à cápsula azul, que basicamente o deixava em K.O o dia inteiro.
Haika o abraçou pelas costas, recostando a testa em seu ombro sem depositar realmente algum peso ali. Aspirou suavemente o cheiro da pele descoberta, um aroma agridoce misturado ao odor dos remédios e pomadas. O abraçou um pouco mais forte sentindo o calor ainda febril do outro.
O bicolor deslizou os dedos pelo antebraço da ruiva, entrelaçando os dedos em seguida e interrompendo momentaneamente a medicação. A ruiva roçou sutil a pele contrária como um gatinho carecido de atenção, fazendo o bicolor rir internamente. Ana podia ser rude, agressiva e às vezes sem tato, mas por trás de todo aquele porte revoltado havia uma garota dócil, corajosa e preocupada pelos seus, algo tão humano que muitas vezes Kai se pegava descolocado ao se sentir alvo de tanto zelo.
Ele engoliu o último comprimido junto com o grunhido dolente que a cápsula provocava ao deslizar pela garganta inflamada. Virou-se ainda entre os braços da garota depositando um beijo carinhoso no topo de sua cabeça enquanto a abraçava. Ana sorriu um pouco, não realmente aliviada, mas entendendo completamente as entrelinhas: "Não se preocupe.".
XI
Ana acordou ouvindo um barulho que a princípio não conseguiu identificar. Tateou do seu lado e Kai não estava. Levantou um pouco ainda sob o lentor do sono, o despertador marcava 02h58min. Ouviu de novo, dessa vez distinguindo perfeitamente o som de tosse. Levantou-se e caminhou quase correndo até o banheiro.
A ruiva prendeu a respiração por um segundo, Kai estava meio sentado, o braço a duras penas mantinha sua posição, agarrado à borda da pia. Nela, cápsulas e pílulas se espalhavam em uma mistura de saliva e sangue. Ela abriu a torneira fazendo a mescla descer ralo abaixo para em seguida umedecer uma toalha. Kai suspirou quase imediatamente sentindo o frescor do pano úmido contra sua pele quente e suada. A ruiva se sentiu irrequieta ao notar a respiração forçosa e acelerada, além do olhar perdido do bicolor, provável que ainda sob o letargo e o cansaço.
Quando por fim o bicolor pareceu se acalmar, Ana o ajudou a levantar e o devolver à cama. Kai estava esgotado demais para opor resistência ou falar algo ao respeito. Ele deitou na cama e levou a garota consigo, a ruiva se sustentou com os cotovelos para não depositar todo o seu peso na figura frágil que o corpo agora débil do Hiwatari mostrava.
- O que houve?
- Eu ia tomar outro comprimido, mas... – a voz falhou e Kai franziu as sobrancelhas.
O bicolor soltou um longo suspiro enquanto fechava os olhos, cansado. Ana não sabia bem o que fazer, o olhar viajou em algum ponto entre o ombro descoberto e o roxo ainda no pescoço, ela sabia que seria desconfortável para ele tomar algo, mesmo que água e precisava de alguma coisa para baixar aquela febre. Ele também se recusava a ir ao hospital... Não poderia deixar o bicolor melhorar por conta própria, não quando ela estava ali.
Ela beijou sutilmente a clavícula se inclinando para trás enquanto o bicolor desfazia o agarre da camisa. Ana rumou para a cozinha e voltou com uma bacia pequena e um lenço fofo mergulhado nele.
- "Vamos voltar aos velhos tempos.".
Espremeu a toalha e a depositou sobre a testa do bicolor que não se moveu, mas imediatamente relaxou a expressão, suspirando baixinho. O observou por alguns minutos até a respiração do outro se acalmar. "Acho que agora posso relaxar."
XII
Quando o loiro chegou e adentrou a cozinha, ele realmente se surpreendeu com a quantidade de sacolas e legumes e panelas e... Coisas que ele duvidava da existência. Ana ainda retirava coisas da geladeira e espalhava pela mesa da cozinha.
- Ah, Jin, e aí? – a ruiva exclamou animadíssima pela chegada do amigo, a voz um pouco abafada.
- Boa tarde. – sorriu simpático fazendo outra breve revista.
Na pia havia apenas xícaras sujas de café. Nada mais. Provavelmente era a única coisa que os dois haviam tomado durante basicamente todo o dia. Quando ele finalmente visualizou a ruiva em meio àquela bagunça, a garota tinha um sanduiche na boca enquanto trazia algumas fatias de carne.
- Como ele está? - Ele depositou a sacola com a torta acima da geladeira.
- Ele só bebeu café, nem almoçou. Eu comprei yakisoba, mas ele nem pegou a colher. Ele deve estar dormindo agora, por causa daquela coisa que ele toma. – dizia calma, embora lavasse os legumes com certa ansiedade.
- Entendo. Mas fico um pouco surpreso, ele adora aquela coisa...
- Tudo pronto? – ela empurrou basicamente metade do pão na boca e engoliu, ajustando o avental.
- Ok, vamos começar cortando os legumes.
Ana pegou uma faca e uma cenoura, Jin havia ficado com a panela de pressão para adiantar. A ruiva ajustou a direção da faca várias vezes, incerta de como prosseguir.
O loiro havia terminado de pôr a água quando se voltou para a garota e se deparou com pedaços uniformes da cenoura espalhados pela mesa. "Sério?"
- Ana... Era para cortar tudo do mesmo tamanho...
Ela olhou para Jin e de volta à mesa.
- Não vai cozinhar do mesmo jeito?
O loiro sorriu sem graça, coçando a nuca.
- Veja, se cozinhar demais os pedaços menores vão se desfazer e os pedaços grandes ficarão duros e mal cozidos... Acho que Kai não vai conseguiu engolir assim...
Haika pensou um pouco e concordou com um aceno como se pensasse na fórmula da criação divina. E por algum tempo tudo o que se ouviu foi a barulheira da cozinha, legumes voando, coisas queimando e inúmeros pedidos de desculpas da ruiva que desperdiçara um terço das compras.
O louro havia acabado de mexer a mistura quando Ana se esparramou na mesa, os braços esticados.
- Parece que eu fiz treino de lançamento o dia inteiro. – ela suspirou preguiçosamente olhando fixamente para a panela de pressão desejando por um segundo que a sopa ficasse pronta mais depressa.
Jin perambulou um pouco pela cozinha e voltou à mesa com um dois pratos de torta nas mãos, servindo a ruiva em seguida.
Os olhos da garota se iluminaram como se houvesse recebido a maior recompensa da terra, o loiro sorriu gentil vendo a ruiva engolir um pedaço grande.
- Cara, não é por nada, mas amo as tortas da tua mãe, sério. – Haika comentou entusiasmada, a boca cheia.
Jin apenas riu simpático.
Ana olhou de volta à panela, sorrindo sutil.
- Tenho certeza que ele vai gostar.
Haika encarou o outro, embasbacada, as bochechas vermelhas. "Estava assim tão na cara?". Ela levou o garfo à boca, tentando mudar a expressão, mas a ação jamais foi completada. Jin notou perfeitamente o momento em que a garota perdeu a cor por um mísero instante até ouvir um baque seguido do barulho de vidro se quebrando. O loiro demorou um pouco até perceber que Ana já não estava na mesa e corria até o quarto.
Haika abriu a porta com certa exasperação, Kai estava no chão, desacordado. Cacos de vidro se espalhavam pelo assoalho junto com o sangue. Ana não sabia se havia se cortado, ou batido a cabeça, ou...
Suspirou de alívio quando sentiu os batimentos no pulso, o peito subia e descia tão devagar que por um instante ela pensara que o bicolor já não respirava. A pele estava mais pálida que de costume, mas Kai não estava morto. Não dessa vez – de novo. Ela ouviu murmúrios do lado de fora do quarto, Jin provavelmente chamara uma ambulância. "Ah, ele vai ficar irritado quando acordar." Mordeu o lábio, esperando que ele realmente se irritasse – que ele acordasse suficientemente bem para sentir alguma coisa.
Extra
Ana estava pronta para se render ao sono quando sentiu o bicolor se mover na cama. Kai abriu os olhos devagar, mais pelo incômodo frio do ar condicionado e o cheiro de álcool etílico do que pela falta de sono. Haika deu seu tempo ao bicolor para conectar cabos soltos. Como ela havia previsto, assim que os olhos do outro enfocaram o quarto e percebeu onde estava, franziu as sobrancelhas, tornando a expressão mais dura e irritadiça. Ana segurou sua mão se fazendo perceber, Kai virou a cabeça para o lado e tudo girou até ele enfocar a ruiva.
- Te doparam. Só um pouco. 'Tu precisava descansar.
Kai voltou a olhar para o teto, tentando fazer tudo parar de girar, mas respondeu ao aperto da garota ainda que não sentisse direito as pontas dos dedos. Sentia a mão direita vendada, a agulha em seu braço, provavelmente soro, não se incomodou em verificar.
- O médico disse que tu desmaiou por causa dos remédios, porque você não comeu direito e... Não sei... Coisas como tomar um negócio com o estômago vazio. Não entendi muito bem.
As palavras pareceram chegar muito mais lentas para o entendimento do outro que respondeu com um "hn" segundos depois.
- Ele disse que a gente podia ir pra casa assim que tu acordasse. – continuou, devagar e suave, num tom de voz mais baixo que de costume. – Tu vai ficar legal. - continuou quase num sussurro.
Kai olhou para a ruiva, a garota comprimia os lábios e fungava sutilmente. Dali ele percebeu que ela basicamente tentava convencer a si mesma que tudo ficaria bem. O bicolor achou que estava realmente com uma cara horrível para fazer a ruiva se preocupar daquela forma. Com alguma dificuldade ele se inclinou de modo que pudesse apenas chegar perto do rosto da garota e depositar um beijo quase inexistente em seu queixo.
Ana se permitiu encará-lo, perdendo-se por alguns instantes – que para ela foram eternos – nos olhos carmesins do outro. Kai fez um breve aceno com a cabeça, e ela sabia que aquele simples movimento era dirigido à todos os seus demônios, medos e preocupações. Ela fungou uma última vez, um pouco mais calma.
- Ei Kai. – permaneceu num tom baixo, a voz levemente trêmula. – Eu aprendi a fazer sopa. – sorriu.
O bicolor a encarou e retribuiu o sorriso.
- Ótimo. Tô doido pra comer alguma coisa. – sentou-se e puxou o fio que conectava o soro ao seu braço.
- O Jin não vai ficar preocupado? Ele tava falando com o médico... – ela lhe devolveu o cachecol, não realmente abalada por ver Kai querer ir embora, meio dopado e o soro pela metade.
- Ele sobrevive. – deu de ombros.
Ana apenas riu. Sim, ele estava bem.
...
...
Remate.
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Notas finais: Eu andei relendo essa fanfic e... Porra, eu quero um Kai assim pra mim '-' *apanha*.
Sorry pelo capítulo longo...
Bey-jos a até.
