Capítulo 04

Os lábios dela moviam-se calorosamente contra os meus, nossas línguas já entrelaçadas - mesmo eu não podendo determinar quando tinham se encontrado - movendo-se uma contra a outra com terrível vivacidade.

Separei-me dela por alguns segundos pra buscar ar e fui presenteado com a bela visão dos olhos dela fechados em deleite, do rosto afogueado, de sua respiração rasa e de seus lábios completamente inchados.

- Annab... - Eu comecei, querendo falar sobre o ocorrido, mas ela não deixou.

- Shh. - Ela sussurrou, cobrindo novamente os meus lábios com os dela. Eu a beijei de volta antes que pudesse sequer pensar sobre isso.

Eu não sairia dali por nada no mundo, mas o peso de Annabeth sobre mim estava começando a aparecer. Comecei a andar pra trás, esperando bater em alguma pedra ou qualquer coisa na qual eu pudesse me sentar, mas nada aparecia.

Nossas bocas separaram-se mais uma vez, e ela percebeu minha intenção, pois descruzou as pernas da minha costa e pisou no chão.

- Não. - Eu contestei, puxando-a para perto de mim de novo, tentando voltar a posição que estávamos.

- Vamos procurar um lugar mais confortável. - Ela disse com a voz extremamente baixa e bem próxima a mim, sua respiração atingindo minha boca.

- O lago. - Eu respondi. - Eu posso...

- Não. - Ela me interrompeu, olhando-me firmemente nos olhos. - Um lugar maisconfortável.

A voz dela ainda estava baixa e soava tão... sedutora? Ou eu que já estava com meus sentidos demasiadamente aguçados?

- Ok. - Eu disse apertando-a mais contra mim, coisa que a fez fechar os olhos e parecer ansiosa. - Onde?

Annabeth retirou do bolso da calça seu boné dos yankees e me deu mais um beijo antes de colocá-lo e falar:

- Te encontro no seu chalé.

Eu fiquei atordoado por alguns segundos antes de respirar fundo e começar a andar em direção ao chalé número três. Durante o caminho muitas pessoas me chamaram, mas eu não dei atenção a nenhuma delas. A cada passo eu começava a andar mais rápido e no final eu cheguei já correndo na porta do chalé.

Entrei rapidamente e olhei em volta pra ver se ela já estava lá dentro, e a visão que tive foi igual a de minutos atrás, ela corria até mim. Fechei a porta segundos antes dela me alcançar da mesma forma que antes: cruzando as pernas e os braços em mim e me beijando.

Segui com ela em direção a minha cama onde sentei com cuidado, posicionando-a em meu colo. Ela não descruzou as pernas da minha cintura, pelo contrário, ela as apertou mais, aproximando os últimos centímetros restantes entre nossos corpos e me fazendo gemer baixa e roucamente.

- Precisamos... - eu consegui dizer entre um beijo e outro - conversar.

Ela soltou algo estranho como "uhum", mas não parou de me beijar. Eu sabiaque tínhamos que conversar, mas como resistir a beijos tão calorosos de Annabeth? Como parar algo tão bom quanto a sensação da sua namorada te "atacando" sentada em seu colo?

Eu precisava parar, e minha mente gritava isso pra mim. A posição que estávamos não era das mais inocentes e eu sentia o desejo percorrendo meu corpo, o calor aumentando centímetro por centímetro. Não demoraria muito para que certa parte do meu corpo começasse a reagir, principalmente pelo local onde estava, e Annabeth com certezanotaria.

Afastei-a lentamente de mim e ela não pareceu satisfeita. Olhou-me meio... manhosa, como que implorando pra que eu voltasse a beijá-la. Era praticamente bizarro ver Annabeth implorando, mesmo com o olhar, mas mesmo assim era quase impossível resistir. Quase.

- Melhor pararmos agora. - Eu disse com a voz baixa, e só então percebi como minha garganta estava seca.

- Por quê? - Ela sussurrou enquanto suas mãos faziam um carinho leve e excitante no meu cabelo, na base da minha nuca.

- Porque eu só vou conseguir parar se for agora. - Eu disse, olhando-a como que pedindo que ela me desculpasse por ser tão sem controle.

- E se eu não quiser parar? - A voz dela estava tão incrivelmente sexy. Ela queria me enlouquecer, não tinha outra explicação.

- Annabeth, falo sério. - Eu disse, após um longo suspiro, buscando pelos olhos dela.

- Eu também. - A intensidade do olhar dela me paralisou. Ela parecia tão decidida e as palavras saíam com tanta firmeza.

- Não é o momento certo, você sabe disso. - Eu tentei novamente, afastando alguns fios do cabelo dela pra longe do rosto.

- Você acha que é muito cedo? Depois de tudo que nós passamos? - Havia indignação, desafio, choque, decepção e mais zilhões de sentimentos da voz dela.

- Não. Eu quero você e tenho certeza disso, e se você diz que está pronta, então está. Mas agora não é a hora certa, não depois do que acabou de acontecer. Você é esperta, Sabidinha, você sabe disso.

Os olhos dela encheram-se de culpa e vergonha, e ela enterrou a cabeça em meu pescoço como um avestruz que põe a cabeça na terra pra se esconder.

- Me desculpe. - Ela murmurou, deixando sua voz praticamente inaudível já que ela estava com a boca abafada pela minha pele.

- Você não precisa se desculpar. Afrodite criou falsas memórias, fez você ver com seus próprios olhos eu... aquilo. Não é sua culpa, Annabeth.

- Eu devia ter confiado em você. - Eu podia ouvir um tom choroso em sua voz e a apertei contra mim tentando acalmá-la. Eu não queria vê-la chorando de novo.

- Eu não estou te culpando, Annabeth, eu te entendo. Deixa pra lá.

Ela ficou vários minutos em silencio, e eu fiquei levemente preocupado. Quando ia começar a afastá-la ela mesma o fez, e me beijou novamente. Foi um beijo mais calmo, passional, bem diferente dos que trocávamos há pouco tempo.

Quando no separamos eu a achei ainda mais linda do que da última vez; os lábios não estavam tão inchados, mas a vermelhidão deixava absolutamente claro o que estávamos fazendo. Os olhos não estavam apertados com força, apenas levemente fechados, como que se ela tivesse medo de abri-los e ver que não estava mais lá.

- Você é linda. - Eu murmurei sem nem mesmo me dar conta.

Ela corou um pouco e abriu lentamente os olhos. Nos encaramos por um breve segundo antes de ela juntar nossos lábios em um simples selinho.

- Não sou nem de longe tão linda quando você diz, Percy. - Ela comentou, ainda corada.

- Você fica simplesmente adorável com vergonha. - Eu disse, sorrindo largamente. Era como se finalmente tudo tivesse se acertado; a Annabeth atirada era ótima - bemótima - mas aquela que estava a minha frente se parecia muito mais com a minha namorada. Principalmente quando me socou de leve no braço.

- Olha quem fala, Cabeça de Alga.

Beijei-a levemente e sorri pra ela.

- Eu amo você. - Eu falei olhando-a nos olhos. Eu nem percebi as palavras saindo, mas não me arrependi de tê-las dito.

Annabeth apenas me olhou. As mãos dela permaneciam firmes atrás do meu pescoço e suas pernas ainda estavam entrelaçadas nas minhas costas, mas tudo o que podia ver era o olhar dela, a sombra das engrenagens trabalhando em sua cabeça.

- Você fala sério? - Ela perguntou, a voz não mais alta que um sussurro.

- Claro que falo. - Continuei enquanto brincava com uma mecha do cabelo dela. - Eu não diria se não fosse verdade.

Ela demorou um pouco pra reagir. Sua respiração diminuiu um pouco e eu fiquei preocupado, mas logo ela se aproximou de mim e me abraçou com força.

- Também amo você, Percy.

Inalei com vontade o perfume que exalava do pescoço dela e ficamos em silencio por alguns longos minutos.

- Você nunca mais vai duvidar disso, não é? - A pergunta escapou dos meus lábios antes que eu pudesse me controlar. Eu não culpava Annabeth por nada do que tinha acontecido, mas eu ficara simchateado. Eu não queria que ela se sentisse culpada, mas não consegui retirar.

Ela se afastou de mim e suspirou.

- Não. - A voz dela estava carregada de culpa, e isso fez com que esse mesmo sentimento tomasse conta de mim. Ainda assim, continuei só ouvindo. - Juro que não.

Beijei-a.

- Eu acredito. - E voltei a beijá-la. Ela correspondeu e se apertou mais contra mim.

Foi como se num segundo tivéssemos voltado todos os minutos de conversa e estivéssemos novamente no meio de um amasso sem controle. A proximidade dos nossos corpos estava me guiando à beira da insanidade, e tenho certeza que ela sabia disso. Os dedos dela passavam pelos meus cabelos de forma quase possessiva, e aquilo não me incomodava de forma alguma.

Tentei me separar dela como da última vez para que diminuíssemos as coisas, mas ela parecia saber o que eu queria e estava decidida a não deixar, pois aprofundou o beijo e apertou as pernas contra as minhas costas.

A reação foi imediata, mas eu só percebi quando o beijo foi interrompido por um gemido alto de Annabeth. Eu devia estar envergonhado, certo? E em partes eu estava. Mas parecia tão natural e certo que só consegui puxá-la mais pra perto e aproveitar das reações que ela tinha reagindo àquilo. E também das reações que eutinha com aquele contato.

- Eu quero. - Foi tudo o que ela disse entre um beijo e outro. Não era preciso ser um gênio pra entender do que ela estava falando.

Consegui me separar dela com uma dificuldade absurda e ainda ofegante, perguntei:

- Certeza? - Essa foi a única palavra que consegui pronunciar. Meu cérebro não estava em condições de trabalhar mais que isso.

Ela apenas apertou o corpo contra o meu uma vez como resposta. Por Hades, será que ela tinha noção de como aquilo tirava completamente meu controle?

Beijei-a de novo e, de alguma forma que não entendo, consegui me virar e deitá-la na cama. Algum ponto bem pequeno e distante dentro de mim me dizia para ir com calma, pra me certificar de todas as maneiras que ela tinha certeza, mas, droga, eu não estava conseguindo lutar contra meus hormônios.

Porém, aquele mísero ponto logo se extinguiu, de qualquer maneira. Annabeth não deixava dúvidas da certeza que tinha e, pelos deuses, eu a desejava demais.

Nenhum de nós tinha qualquer experiência naquilo; porém, não foi nada difícil seguir na direção certa. Era como se alguma coisa dentro de mim soubesse o que fazer, e, honestamente, aquela mesma coisa dizia a Annabeth o que fazer, pois ela sabia.

Nossa inexperiência não passou de um mero detalhe depois de alguns momentos. Pedidos, palavras, sussurros e gemidos guiavam a nós dois ao local onde queríamos chegar e em algum ponto entre tudo aquilo só restávamos nós dois e a cama, mais nada conosco, ou entre nós.

Não consigo achar as palavras certas para descrever aquele momento. Parece que passou tão rápido, tão intenso, mas ao mesmo tempo foi como se durasse uma eternidade, um prazer infinito. As palavras que ela disse - ou mesmo eu, impossível distinguir - eu jamais vou me lembrar. Só sei que no calor do momento tudo parecia certo, absolutamente certo e perfeito.

Foi a primeira que tivemos um real conhecimento do corpo um do outro, e usamos de todo o tempo do mundo para conhecer cada detalhe que podíamos. Foi preciso apenas aquela vez para que minhas mãos soubessem o caminho correto para os melhores lugares, e também o que fazer para que Annabeth aprovasse. E era totalmente recíproco.

Quando chegou omomento, não houve questionamentos, nem por mim, nem por ela. Eu não sentia mais necessidade de perguntar se ela tinha certeza: ela tinha, eu sabia. E eu planejava passar o resto da minha vida com ela, isso tinha de acontecer em algum momento. Livrei-me de preocupações e ela também.

Qualquer coisa que não lembrasse prazer foi completamente esquecida depois daquilo. Foi um momento único e apenas nosso, e eu fiquei meio atordoado durante todo o tempo, ainda não acreditando que eu estava chegando àquele ponto de um relacionamento.

Minha maior lembrança é a das nossas respirações pesadas depois. Parece bobo, mas foi o momento que a ficha realmente caiu. Ela parecia tão calma embaixo de mim, o coração dela batendo no ritmo perfeito, em sincronia com o meu. Eu estava com a cabeça na curva do pescoço dela, meio cansado pra me mexer, e a mão dela passeava calmamente pelas minhas costas. Eu e ela. Tudo do jeito que deveria ser.

Murmuramos "eu te amo" algumas vezes mais, eu acho, além de comentários aleatórios sobre o ocorrido e alguns suspiros; antes de finalmente adormecemos, Annabeth firmemente presa em meus braços.

Aquela vez não foi perfeita, nem de longe, e as experiências seguintes foram mil vezes melhor. Mas uma coisa é absolutamente certa: depois daquilo, daquela prova do que tínhamos, nós nunca brigamos feio. Nem pelo mesmo motivo, nem por outro.

Porque brigas ocasionais todos têm, mas nós nos amávamos, e nada era maior que aquilo.


N/A: A fic é R, pois o conteúdo sexual não é explícito, por favor, respeitem!

FIM. =)