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Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Fanfiction 'No limite da espera'

Capítulo 4. Procurando respostas

Me olhavam de cima até embaixo, e eu mesmo me olhei, percebendo que ainda estava com a roupa ensanguentada do evento ocorrido na madrugada. Todos pareciam querer respostas. Eu inclusive.

Foi ikki quem iniciou o interrogatório.

– O que aconteceu? Por que não me deixam ver meu irmão? Por que você tá cheio de sangue? Como Seiya melhorou em uma noite?

– Bom dia... – respondi, tentando transparecer calma, não sabia por onde começar.

– Fala, porra!

Estava me sentindo um lixo, de tão cansado. Passei as mãos pelo rosto, esfreguei os olhos, tentei ajeitar o cabelo.

– Cara, aconteceu tanta coisa, tão rápido, não sei nem como explicar.

– Comece explicando do início, quando Ikki e eu saímos do hospital – foi a vez de Saori. Parecia tentar transparecer tranquilidade, mas eu sabia que estava tão preocupada e assustada quanto Ikki. O diplomata do Shiryu apenas observava. Respirei fundo, rememorando o ocorrido na madrugada.

– Pelo jeito, ninguém da equipe médica explicou nada ainda para vocês.

Todos fizeram que não, com a cabeça. Iniciei, então meu relato, olhando para Saori.

– Depois que Shiryu e Shunrei já estavam na Mansão, e você e Ikki saíram, fiquei com Shun sozinho. Dormi e fui acordar lá pelas três da manhã, parece um sonho dos mais estranhos...

Eles escutaram com atenção o que eu dizia, Shiryu começava a demonstrar sinais de surpresa, nada havia ocorrido conforme suas suspeitas pessimistas, nada havia ocorrido de nenhuma forma previsível. Para Seiya, pelo menos, tudo parecia estar melhor. Mas Shun... Enfim, nenhum de nós tinha recebido notícias. Eu só sabia o que lembrava até as quatro da manhã, quando peguei no sono sentado no bando, depois de tentar avisá-los por telefone.

– Não acredito que Tatsumi tenha sido tão insensível a ponto de não me chamar quando Hyoga ligou. Eu estava deitada no meu quarto, pedi que ele avisasse caso alguém entrasse em contato!

– Mato ele! – Dizia Ikki, num misto de preocupado e possesso de raiva.

– Podíamos ter vindo antes. Tenhamos calma, sabemos agora o que houve. Precisamos ser pacientes e esperar a avaliação dos médicos a respeito da saúde dos dois. Não estamos falando de pacientes comuns. Somos cavaleiros e a senhorita é uma deusa. As questões relacionadas à nossa saúde, são diferentes, com situações inesperadas para os médicos. Todos estamos aprendendo como lidar com a evolução de nossos cosmos, suas capacidades. Atingir o oitavo sentido para chegar ao submundo pode ter alterado nossos poderes, nossa forma de reagir. – ponderava Shiryu. Como sempre, nosso amigo libriano sabia como acalmar os ânimos com sua diplomacia.

Eu entendia como estavam se sentindo.

Eles só sabiam o que eu havia contado. Shun tirando a tal espada de Hades. Essa história parecia absurda. Contudo, foi o que aconteceu. Afinal, eu presenciei. Não havia dúvidas a respeito dos fatos, mas haviam muitas indagações sobre o que significavam.

Ikki levantou, nervoso.

– Vou descobrir como está meu irmão e Seiya! Não vou ficar aqui parado! – Falava alto, quando um médico se aproximou de nós. Nesses dois meses internados, já éramos conhecidos por quase toda a equipe.

– Bom dia. Estão aqui por causa dos dois pacientes, Seiya e Shun, não é mesmo? Olha, aconteceu algo muito estranho de madrugada. Não sabemos como explicar, as enfermeiras que passaram o plantão agora pela manhã não conseguiram nos dizer o que houve, estavam muito nervosas. Somente temos como afirmar, por agora, que Seiya está totalmente fora de perigo, parece que não há mais nenhuma alteração cardíaca. Ele deve acordar daqui a pouco, já tiramos a medicação sedativa dele. Senhorita Saori, se quiser ficar com ele, não há problemas. Apenas nos avise quando ele acordar. Sobre o outro, o menor, o que tenho a dizer não é tão bom...

Todos surpresos, fitávamos o médico, preocupados.

– Sobre o menor, ainda estamos tentando entender. Parece que ontem, mesmo ainda estando em coma, de acordo com nossa última avaliação, ele retirou todos os eletrodos, sondas e acesso venoso, se levantou e foi até o outro quarto. Andando. Sem auxílio algum. Mas depois ficou inconsciente novamente, e seria pior se o amigo de vocês aqui – apontou para mim – não tivesse levantado também, fosse até o quarto do Seiya a tempo de segurar o Shun antes que caísse no chão. A queda teria causado um traumatismo importante.

Saori suspirava aliviada, Shiryu escutava a tudo com atenção, eu tentava associar o que o médico dizia com o que tinha vivenciado. Ikki não conseguiu esperar mais.

– E meu irmão? Como ele está agora? Por que não me deixa entrar para vê-lo?!

– Porque nós o transferimos do quarto para o CTI. A respiração e pulso dele estão muito fracos, a oximetria está muito baixa, precisamos entubar...

– Onde?!

Ikki já estava em pé e procurava por onde deveria ir. O médico segurou seus ombros, com paciência.

– Vocês não poderão visitá-lo agora, ele está no CTI sendo avaliado. Não sabemos o que aconteceu, nem como levantou-se mesmo estando em coma ou porque seu quadro clínico piorou. Tenham um pouco de paciência. Mais tarde venho com mais notícias. E você, Hyoga, precisa trocar essas roupas e poderá ir para casa. Está de alta. Seus exames estão muito bons, sem alterações. Agora, preciso ir. Com licença.

Soltou Ikki, com calma, e se afastou, deixando-nos com uma enfermeira, que se aproximou a me chamar, provavelmente para me liberar, como o médico havia dito.

Quando voltei, já de banho tomado e roupas limpas, encontrei Ikki e Shiryu sentados, onde estavam quando saí, com a cabeça encostada na parede, como a olharem para o teto.

– Onde está Saori? Com Seiya?

Ambos confirmaram, num sonoro e seco sim.

Sentei ao lado de Ikki, e ficamos os três a olhar o teto. O esverdeado da pintura novamente nos acalmando e nos inquietando.

Ficamos em silêncio, não havia o que ser dito. Apenas esperar. Cada um a seu modo.

Sabia que o impulsivo ao meu lado queria levantar-se e sair. Agora já conseguíamos sentir um pouco o cosmo uns dos outros. Pelo menos sentíamos o estado emocional. Shiryu era o único com fisionomia calma e cosmo relativamente igualmente calmo. Ikki olhava quieto para o teto com o cosmo enfurecido, angustiado. Eu não sabia o que sentir. Lembrava das cenas da madrugada; meu anjo dormindo, depois em pé, ajudando Seiya, e caindo em meu colo, sangrando, e agora no tal CTI. Que coisa mais louca. Isso tudo só poderia ser um pesadelo e eu queria acordar. Queria que ele acordasse, para poder ouvir sua voz suave, ver seu sorriso sincero e doce. Suas palavras sussurradas ecoavam em minha mente. Está mesmo linda. Ele tinha voltado à consciência, ouvira o que eu havia dito sobre a beleza da lua, olhou em meus olhos. Como podia estar pior, agora? Entubado? Sem respirar direito? Pulso fraco? Eu tentava compreender aquelas palavras, conectar os pontos soltos em minha mente, meus pensamentos não paravam de tentar encontrar uma resposta. Pelo menos conseguia sentir seu cosmo. Um tanto estranho e fraco.

Quase ao meio-dia, ouvimos Saori abrir a porta à nossa direita.

– Seiya acordou! Já chamei a enfermeira pela campainha de emergência. Ele quer ver vocês.

(Continua...)