Segredo
- Uau, Rose, adoro o que fizeste ao cabelo! – ao sentar-se na mesa de Gryffindor, Lily juntou-se imediatamente à prima.
- O que tem o meu cabelo? – perguntou imediatamente Rose, colocando a mão sobre os caracóis.
- Estão mais soltos, mas com essa fita preta a prender parte deles fica tão giro. Onde a arranjaste? – perguntou Lily, enquanto se servia de rolo de carne.
- Estava no fundo da minha mala, eu já nem me lembrava que ela existia… - retorquiu Rose, enchendo a boca de comida para evitar continuar a conversa com Lily.
- Já acabaste o trabalho de Transfiguração? – perguntou Albus, que se encontrava sentado à sua frente.
- Sim, acabamos hoje a conclusão e tu? – perguntou Rose, sorrindo ao lembrar ao que aquela conclusão levara.
- Estás a sorrir porquê? – perguntou James, que observava a prima de sobrolho franzido.
- A colega do Albus é a Trish Newton – respondeu Rose, esperando que a fama de preguiçosa e de muito pouco inteligente de Trish a salvasse da situação.
- Ah! – exclamou James – Azar, maninho!
- Sim, mas eu posso passar muito tempo perto daquela deusa grega – suspirou Albus, sonhadoramente, arrancando o sorriso escarninho da cara de James – Quem é o azarado agora, hein, maninho?
- Desta vez ganhaste, miúdo, realmente tens razão, aquela miúda é um…
- Ei! Comentários machistas não são parte da ementa! – Lily olhava de forma ameaçadora para o irmão, que vira aquele olhar demasiadas vezes na cara da mãe antes de sofrer um castigo de que se arrependesse verdadeiramente.
De repente, ouviu-se um enorme barulho vindo da mesa dos Slytherin, Scorpius Malfoy tentara agarrar na sua bolsa, mas esta não estava fechada e todos os seus livros haviam caído no salão com grande comoção.
- Que idiota, aquele Malfoy! – comentou Fred, sendo imediatamente aplaudido por Hugo e James.
- EI! Ele é o meu melhor amigo! – defendeu-o Albus, agressivamente e Rose teve vontade de dar um murro na cara de Fred, James e Hugo por tratarem Scorpius daquela forma.
- Não o deviam tratar mal só por ser um Malfoy, todos sabemos que ele não é como o pai e até mesmo o Draco Malfoy mudou, mesmo o tio Harry diz isso – rematou Rose, num tom que não levou a mais discussões. No entanto, ela reparou na forma como Albus olhava para a sua fita e depois para Scorpius, que se apressava a guardar os livros dentro da mala, e não gostou nada do sorrisinho que se instalara na cara do primo.
- Então, onde arranjaste essa fita? – perguntou Albus, de chofre, quando ambos estavam sozinhos em frente à lareira de Gryffindor. Os restantes Weasleys e Potters já tinham ido para os respectivos dormitórios e a sala comum estava vazia.
- Estava no fundo da minha mala, encontrei-a por acaso e na verdade andava mesmo a precisar de algo para prender o cabelo – respondeu Rose, sem levantar os olhos do livro que estava a ler.
- É que essa fita é mesmo igual à que estava na mala do Scorpius, aquela que estranhamente tinha desaparecido da mala dele ao jantar… - sugeriu Albus, sorrindo maliciosamente.
- Que idiotice! – foi a única resposta que Rose fora capaz de dar.
Albus levantou-se para se ir deitar, mas antes de o fazer, acrescentou:
- Sabes que tanto tu como o Scorpius tinham as malas cobertas de relva? Era só para avisar que não sou nenhum idiota!
- Pois imitas muito bem! – retorquiu Rose, irritadamente. A única resposta de Albus foi uma gargalhada, que a enfureceu ainda mais.
Ao levantar-se para seguir o exemplo do primo, Rose deparou com King numa das janelas da sala. Correu para lhe abrir a janela e tirar o envelope que estava amarrado à sua pata.
Espero que o King tenha feito o que lhe disse e tenha esperado até estares sozinha. Sei como adoras ser a última a deitares-te! Senão, bom, arranja uma desculpa rapidamente!
Só te queria dizer que adorei a tarde e que me ficas a dever uma fita, a minha pobre mala não aguenta muito mais sem um fecho devido…
Dorme bem e sonha comigo,
Amo-te, S.
Junto ao pergaminho vinha uma pequena rosa de papel, que Rose guardou imediatamente dentro do bolso, pelo menos aquilo podia andar com ela e mesmo que alguém visse não adivinharia do que se tratava.
Ao regressar ao dormitório, os seus olhos caíram sobre a rosa transfigurada que já não era azul, mas sim de um vermelho vivo. Suspirando e sorrindo, Rose caiu na cama, pronta a sonhar com o seu Slytherin preferido.
Ao entrar no salão, na manhã seguinte, os olhos de Rose caíram imediatamente sobre Scorpius, que por momentos a olhou tão intensamente, que ela não ficaria espantada se ele a beijasse ali mesmo, mas esse momento passou e ambos desolharam, sem que ninguém reparasse naquela troca intensa.
- Próximo fim-de-semana em Hogsmeade! – berraram James e Fred ao chegarem à mesa, pouco depois de Rose.
- Porque é que ficam sempre assim? Já lá foram milhares de vezes! – retorquiu Hugo, que estava de muito mau humor sobre o fim-de-semana, como não apresentara o trabalho de Poções a horas ficara de castigo sem poder ir à vila.
- Vá lá Huguinho, não temos culpa de teres sido um idiota e te esqueceres de fazer o trabalho de Poções! – disse Fred, despenteando o cabelo castanho arruivado de Hugo.
- Vocês nunca fazem os trabalhos, mas safam-se sempre! – queixou-se Hugo, olhando para os primos.
- Sim, mas nós somos brilhantes e além disso arranjamos melhores desculpas do que: "Professor, a minha coruja roubou-me o trabalho, a malandra!" – e aí Fred e James desataram a rir às gargalhadas, acompanhados por todos os que haviam ouvido a conversa.
- Sim, Hugo, devias ter dito que um Hipógrifo entrara no teu dormitório e o comera, seria tão credível quanto a tua história – apesar de adorar o irmão, Rose não era capaz de evitar picá-lo de vez em quando. As gargalhadas redobraram e Hugo corou bastante, o que levou ainda a mais risos.
De repente, um enorme estrondo fez-se ouvir na parte superior do castelo e quando James e Fred tentaram escapulir-se por entre os alunos, depararam-se com uma McGonagall bastante zangada.
- Acho que um fim-de-semana sem Hogsmeade vos vai fazer muito bem! – ameaçou a directora, o que levou os restantes Weasleys e Potters a trocarem um olhar e a desatarem a rir à gargalhada.
Ao entrarem na sala de Transfiguração, Scorpius deu uma cotovelada a Albus e disse:
- Primeiro fim-de-semana em Hogsmeade, hein! Há que aproveitar a pausa desta seca!
- Acho que não vou, meu – Albus estava algo acabrunhado – A parva da Trish só tem o sábado livre de todas as suas importantes tarefas sociais e eu preciso mesmo da nota deste trabalho! Se tiro negativa a professora dá cabo de mim e a minha mãe mata-me!
Scorpius então trocou um olhar cúmplice com Rose e ela sentiu um plano a delinear-se na cabeça dele, como se também ela, durante todo aquele tempo o estivesse a imaginar: sem Albus, sem James, sem Fred e sem Hugo em Hogsmeade seria muito mais fácil para um certo casal se escapulir para um lugar sossegado e namorar em paz…
- Algum dos pares já tem o trabalho para me entregar? – perguntou a professora, olhando os alunos com seriedade.
- Nós temos – informou Scorpius, apontando para si e para Rose.
- Muito bem, estou a ver que esta parceria deu bons resultados – disse a professora, com uma expressão de alívio, como se esperasse que um acabasse por matar o outro.
- Sim, somos muito produtivos juntos – concordou Scorpius, fazendo Rose corar, com o duplo sentido das suas palavras, que só ela, felizmente entendera, ou pelo menos assim esperava, pois Albus ainda tinha a mente cheia com o desapontamento de não ir passear.
Depois de Transfiguração, Scorpius e Rose encaminharam-se para a única aula que não tinham com Albus: Estudo das Runas Antigas.
- E então, tivestes saudades minhas durante a noite? – perguntou Scorpius, enquanto caminhava ao lado de Rose para a aula.
- Claro que sim e já agora, adorei a rosa de papel e que a outra tivesse mudado para vermelho… já agora, como fizeste isso? – perguntou Rose, claramente interessada numa magia que desconhecia.
- A rosa muda de cor de acordo contigo, vermelho significa um enorme desejo carnal – murmurou Scorpius ao ouvido de Rose, fazendo-a tremer.
- Estás a gozar? – perguntou duvidosamente Rose, corando em toda a extensão da cara e pescoço.
- Por acaso até estava, mas já vi que o meu palpite foi bastante acertado… - sussurrou Scorpius, numa voz sedutora.
Rose afastou-se dele, marchando em direcção às escadas, no entanto, correndo atrás dela, Scorpius apanhou-a antes de se cruzarem com alguém. Aquela parte do castelo não era muito frequentada e só por isso já Scorpius se encontrava agradecido.
- Desculpa se te fiz sentir mal – implorou ele, colocando-se de joelhos em frente de Rose.
- Não sejas idiota e levanta-te do chão antes que alguém apareça! – ralhou ela, agarrando-lhe a mão e puxando-o para cima. Aproveitando a oportunidade, Scorpius levantou-se rapidamente e rodeou a cintura de Rose com os braços.
- Desculpa, amor – murmurou ele, traçando a face de Rose com leves beijos, até encontrar a boca dela e o beijo se tornar apaixonado. Entrelaçando as mãos no cabelo de Scorpius, Rose puxou-o contra si e ambos se esqueceram totalmente do sítio onde estavam. De repente, por cima de si fez-se soar o som da campainha e ambos saltaram de surpresa. Afastando-se, olharam em redor e viram que ao longe os corredores se iam enchendo com pessoas a caminho das aulas.
- Anda, senão chegamos atrasados – disse Rose, puxando Scorpius pela mão.
Durante o resto da semana, Rose e Scorpius tentaram comportar-se da mesma forma, picando-se como outrora e sem trocar olhares nos quais Albus pudesse reparar. Ambos sabiam que o amigo era de confiança, mas as graças que ele faria poderiam colocar em risco o segredo de ambos. No entanto, à noite, o assunto era outro, Scorpius mandava longas declarações de amor e pequenos presentes, como pétalas de rosa ou saquinhos com flores aromáticas, que deixavam Rose cada vez mais perdida de amores. O lago tinha-se tornado o seu ponto de encontro e Scorpius avisara Rose que no sábado lhe mostraria um local perfeito para eles estarem, perto do mesmo local em que se haviam beijado pela primeira vez.
