Reação de Coragem

Conceitos básicos e necessários:

Doenças auto-imunes: O nosso corpo tem uma defesa natural que sabe o que é do nosso corpo (órgãos e todo o resto que temos dentro da gente) e o que não é e pode nos fazer mal. A doença auto-imune ocorre quando o nosso sistema de proteção começa a atacar o próprio corpo como se fosse uma coisa ruim. Em cada doença ele ataca de uma forma diferente.

Lúpus:O Lupus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença crônica de causa desconhecida, onde acontecem alterações fundamentais no sistema imunológico da pessoa, atingindo predominantemente mulheres. Uma pessoa que tem LES, desenvolve anticorpos que reagem contra as suas células normais, podendo consequentemente afetar a pele, as articulações, rins e outros órgãos. Ou seja, a pessoa se torna "alérgica" a ela mesma, o que caracteriza o LES como uma doença auto-imune. (retirado do site: lupusonline)

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Capítulo 3: Nevasca.

"Cada amigo que ganhamos no decorrer da vida aperfeiçoa-nos e enriquece-nos, não tanto pelo o que nos dá, mas pelo o que nos revela de nós mesmos." – Albert Camus.

Bella POV.

O dia começou pior do que o normal: meu despertador atrasou, perdi as minhas chaves e o chuveiro só tem água gelada. Para completar passei a noite estudando para os exames do final do semestre e revisando os casos que peguei essa semana no hospital. Minha cara está terrível, dormi apenas duas horas e tenho plantão de 12 horas. Saí sem comer e estou sem cafeína. Peguei um engarrafamento que me fez chegar mais atrasada ainda no Chicago Memorial Hospital e, ainda por cima, tem previsão de ficar mais frio do que já está! Se nevar, eu me mato.

E para fechar com chave de ouro: tem um carro na minha vaga!

Respira Isabella... Respira...

- Fred! De quem é aquele carro parado na minha vaga? – entrei PS (pronto-socorro) adentro gritando para o recepcionista.

- Não sei. – falou simplesmente, mordendo uma rosquinha e lendo uma People Magazine.

Caminhei até ele, arranquei a revista de suas mãos, amassei e joguei no chão. Bati as mãos no balcão e o olhei bem nos olhos.

- Fred... Eu trabalho aqui há duas semanas e eu sei que é pouco tempo, porém eu só quero saber de quem é o carro parado na minha vaga!! Eu não quero que você vá lá e arranque ele do lugar, droga!!!! – ele me encarava assustado, ainda com a rosquinha na boca.

- Você... Está falando... Do Mercedes? – gaguejou. Assenti. – É dela. - apontou para uma loira alta que estava parada de costas na sala de espera.

- Obrigada. – disse e saí em direção à mulher. – Com licença... – tentei parecer educada, enquanto cutucava o ombro da mesma.

- Sim? – se virou para mim, me olhando de cima a baixo.

- O seu carro está na minha vaga. – disse calmamente.

- Ah. – falou e virou novamente.

Respirei fundo.

- Moça, será que você poderia tirá-lo de lá? – tentei mais uma vez ser educada.

- Agora não. – retrucou com um sorriso irritante nos lábios.

- Agora não!?!? – Explodi. – Olha só, eu não estou tendo um dia muito bom, eu não dormi, tenho que ficar 12 horas nesse hospital e ainda chegar em casa e estudar. Você poderia, por favor, facilitar apenas retirando seu carro da minha vaga? – terminei já vermelha de raiva.

- Não. Eu não vou sair daqui agora. – respondeu e caminhou até uma cadeira mais afastada, sentando-se.

Saí batendo o pé furiosa e fui para a sala dos médicos finalmente largar as minhas coisas.

- Dia ruim? – pediu Jasper analisando a minha expressão.

- Imagina! O mundo é cor de rosa, meu caro. – revirei os olhos ao som da sua risada.

- Hey! Achei vocês! O Dr. Wyle quer a nossa ajuda em uma vítima de acidente de carro! Ele deve chegar em alguns minutos. – avisou Edward entrando na sala. – Tudo bem?

- Não. – disse.

- Sim. – Jasper respondeu junto comigo.

- Desculpa, eu sou a pessoa com raiva do mundo aqui. Vocês não têm culpa de nada. – suspirei e me joguei no sofá que tinha lá.

- Não dormiu, não é? E nem tomou café... – falou Edward sentando ao meu lado. Assenti com a cabeça.

- E para completar, Alice largou uma bomba para mim ontem à noite que eu não tenho nem idéia do que fazer.

- Alice? O que houve? – perguntou Jazz visivelmente interessado.

Quando fui abrir a boca para contar, o tal Dr. Wyle nos chamou e fomos correndo junto com ele atender o paciente.

- O paciente precisa ser entubado ¹! Swan, você entuba! – mandou o médico.

- Eu? – eu nunca havia entubado alguém de verdade, apenas aqueles bonecos ou corpos do laboratório de anatomia.

Os aparelhos apitavam e eu era a única que poderia dar o oxigênio necessário para ele. Juntei as minhas forças e comecei a ouvir as instruções que me eram dadas.

- Ajeite o pescoço de modo que o tubo entre na traquéia e não no esôfago.

Ajeitei.

- Consegue ver as cordas?

- Sim. – coloquei o tubo e entubei o paciente. – Entrei! – avisei e logo a enfermeira colocou o balão de oxigênio na ponta e começou a ventilar.

- Ele está respirando. Os batimentos foram regulados. – declarou o Dr. Wyle. – Bom trabalho Swan.

Sorri e olhei para Edward e Jasper que assistiam tudo. Eles me deram um sorriso em resposta.

- Vamos levá-lo para cirurgia. – ordenou o Wyle. – Nos vemos por aí. – se despediu da gente e seguiu com o paciente.

- Dá-lhe Bellinhaaaaa! – Jazz veio e bagunçou os meus cabelos. – Para quem estava tendo um péssimo dia, até que se saiu bem.

- É, né? – estufei o peito e fiz cara de convencida. Eles riram.

- Parabéns Bella. – Edward se aproximou e me abraçou. Me senti mais leve com esse abraço.

- Ah! Vocês estão aí... Quero cada um com seus pacientes. O quadro está cheio e precisamos esvaziá-lo. Qualquer dúvida me chamem, ou chamem algum outro residente, só, por favor, não matem ninguém. Pelo menos não no meu plantão. – disse o Dr. McCarty entregando prontuários para gente. Ele parecia mais sério. – Swan! Enquanto você estiver com esse paciente, diga para a mãe dele ir fazer os pontos da testa senão a mulher não sai de lá. – Opa! Ele me chamou de Swan? Cadê o Monk? Algo estava errado...

Os meninos seguiram para um lado e eu segui para o mesmo que o Dr. McCarty.

- Dr. McCarty! – chamei.

- Sim? – falou virando-se para mim.

- Está tudo bem? Não que eu esteja me metendo na sua vida, mas... O senhor está diferente hoje. – continuei falando corada.

- Amm... Não é nada. – ele parecia surpreso. – Eu apenas estou com alguns problemas pessoais. É a vida, não é mesmo? – sorriu. – Eu vou indo. – se virou para seguir. – Ah! – olhou novamente para mim. – Parabéns pelo trabalho hoje com o paciente! E me chame de Emmett. – sorri. – Tchau.

Algumas horas se passaram. Já era quase hora do almoço quando fui bipada pelo Edward. Me encontrei com ele na recepção do hospital.

- O que houve? – perguntei.

- Nada. O Dr. McCarty pediu para todo mundo vir para cá. Eu apenas te bipei. – sorriu um sorriso que não chegava aos seus olhos.

- Claro. – sorri de volta tentando ser mais animada.

Logo Jasper chegou correndo.

- Aconteceu alguma coisa? – pediu já preocupado.

- Não. Acho que não. O Dr. McCarty pediu para reunir todos aqui. – explicou Edward calmamente.

- AH! – o médico grandão gritou assim que nos viu. – Fico feliz que todos estejam aqui! – o humor dele parecia ter melhorado. – Vamos todos tomar um café no Joey's, o café aqui da frente do hospital! O dia esta sendo corrido para todos e merecemos relaxar, afinal ainda temos longas horas por aqui. – comunicou.

- Mas e os pacientes? – perguntei.

- O hospital está calmo e temos residentes por toda parte. Vocês podem ser estudantes de medicina, mas merecem um descanso tanto quanto nós. – sorriu.

Quando saímos do hospital é que notamos a nevasca que caía. Nos encorujamos e corremos até o outro lado da rua, no tal do café.

- Quatro cafés bem fortes! – pediu Dr. McCarty assim que chegamos ao balcão.

- Cinco, na verdade!

Me virei para a voz e levei um susto.

- Ângela! – coloquei a mão no peito, assustada. – Credo! Até parece o "O Iluminado" aparecendo desse jeito!

- Heyy Ange! – o médico urso a abraçou. – Que bom que está aqui! Estamos fazendo um pequeno intervalo, junte-se a gente!

- Claro! – falou animada. – Olá, meninos.

Edward e Jasper sorriram para ela.

Nos sentamos em uma mesa próxima a janela e só então fui notar como a neve estava acumulada na entrada do café. Fazia tempos que não via uma nevasca tão forte.

- Então! Como está o plantão de vocês? – a menina estranha do hospital me despertou dos meus pensamentos.

- Normal. – dei de ombros.

- A Bella entubou um paciente pela primeira vez hoje! – contou Edward olhando para mim com orgulho. Revirei os olhos e sorri.

- Sério? Que legal! – me deu um abraço com um braço só já que estava no meu lado.

- Eu peguei três estudantes muito competentes esse ano. – o nosso chefe estufou o peito.

- Pelo menos isso, né? – disse Jasper. – Como está a loira? – perguntou alguma coisa que ninguém mais da mesa sabia o que era.

- Ah. Nós conversamos, mas acho que terá mais briga quando chegar em casa. – Emmett olhou para a gente. – Nós estamos falando da minha mulher Rosalie. Ela veio até o hospital e nós brigamos... De novo. - terminou com um sorriso desanimado.

- Vocês tinham que ver! A loira é um furacão de tão brava! Eu fiquei com medo quando a vi entrando quarto adentro berrando com o .! – contou Jazz.

- Eu acho que eu sei quem ela é... – murmurei.

- Sim. Ela sabe quem você é também. Pelo menos a descrição da "morena baixa desaforada" parecia ser você. – riu o médico, deixando de lado o ar desanimado de antes.

- É. Sou eu. – vi que o resto não entedia. – Eu briguei com ela hoje cedo quando cheguei no trabalho. Ela estava na minha vaga. – revirei os olhos.

- Hum... Então quer dizer que você é boa de briga, Swan? – Ângela fez graça.

- A Bella? – disse Edward. – Nossa não queira vê-la irritada. Dá medo, muito medo. - mostrei a língua para ele em um ato infantil. Todos riram.

- Mas então, Dr. McCarty, quanto tempo é casado? – desviei o assunto antes que começassem a contar dos meus acessos de raiva na faculdade.

- Cinco anos.

- Primeira crise,então? – continuei.

- Jura! Já perdi a conta de quantas crises já tivemos! – deu um tapa no ar como se não fosse grande coisa.

- Então porque casaram? – deixei escapar e todos me olharam com um olhar repreendedor. Dei de ombros.

- Bella... Você já se apaixonou verdadeiramente por alguém? – falou me encarando e eu engasguei com o café. Senti Edward ficar rígido ao meu lado.

- É... – foi o que saiu quando abri a boca.

- Foi o que eu pensei. – me interrompeu cruzando os braços. – Quando você ama de verdade uma pessoa só quer ter ela por perto. Não importa se vocês brigam feito loucos ou se transam loucamente. – rimos. – Se a pessoa amada está com você, você esta bem. E eu amo Rosalie com todo o meu ser.

Fiquei um pouco surpresa em ver que aquele médico maluco tinha esse lado tão... Profundo. E acho que não fui a única, porque todos ficara em silêncio depois disso.

- Eu não entendi uma coisa nisso tudo. – falei quebrando o clima.

- O quê? – indagou Emmett.

- Se ama, porque briga?

- Pelo Amor de Deus, Bella! – Jasper jogou as mãos para cima. – Esquece disso! Para de querer dar uma de conselheira sentimental que você nunca foi disso!

- Claro, se eu for dar algum conselho sentimental para alguém a pessoa se ferra de primeira! – quase todos da mesa riram. Quase...Edward voltou a ficar sério.

- Mas porque diz isso, Bella? – perguntou a garota com uma voz divertida.

- Ahhhh... Eu sou um desastre em tudo praticamente. – ri. – Sério! Jasper e Edward estão de prova: eu sou uma pessoa egoísta, temperamental, com TOC e extremamente azarada. – sorri.

- Nossa! Que definição você tem de si mesma. – me olhou espantada.

- Bem... Ela não esta exagerando também. A Bella é meio maluca da cabeça mesmo... – Jazz jogou uma bolinha de guardanapo em mim.

- Peelooo menosss – cantarolei. - Eu não tenho medo da minha mamãe.

- Para Bella! – protestou o "camomila".

- O quê? Eu sou maluca da cabeça, como você diz, mas eu não tenho medo de ninguém e nem de escuro. – ri e ouvi Edward rir também com a última frase.

- Escuro? Mamãe? – Dr. McCarty o olhou. – Camomila! O que é isso?

Todos desataram a gargalhar, menos Jasper.

- Primeiro: eu não tenho medo da minha mãe, ela que é controladora demais. – começou. – Segundo: eu estava bêbado na noite em que eu fui para o quarto de vocês na faculdade com medo do escuro, ok?

- Vocês? – o grandão virou a atenção para mim e Edward. – O negócio é mais sério do que eu pensava! Dividiam um quarto na faculdade, é?

Merda. Antes eu tivesse fico quieta e não tivesse provocado o Jazz.

- E você, Edward? Está tão quieto... – Ângela mudou de assunto. Nossa, como eu amava essa garota!

- Estou cansado. – deu um sorriso leve para ela. Me deixei levar por aquele rosto lindo que eu tanto amava.

- Dia difícil, em?- continuou a garota.

- Pois é... - concordei.

- Eita que todo mundo aqui cheio de problemas e o Eddie só cansadinho. – tentou fazer graça o nosso residente.

- Levando em consideração que eu vou chegar em casa e vou estar sozinho e que a minha família não dá noticias a umas duas semanas. É só cansaço mesmo.

Aquilo fez mais um silêncio se instalar na nossa mesa.

Desde quando ele estava tão sozinho assim e não me disse nada? A família deveria ter ido viajar mais uma vez sem nem avisá-lo, ele também não tem muitos amigos além da gente e eu... Bem, eu não falo mais direito com ele desde daquela última noite na sua casa.

Quando digo que sou egoísta não é por charme não. Não é algo que eu assuma para mim mesma com freqüência, porém eu sou egoísta. Só penso em mim mesma. E o medo de acabar quebrando a barreira que eu criei em torno de mim para não me render completamente aos encantos de Edward – como se eu já não fosse completamente louca por ele. – fez com que eu preferisse me afastar dele e nem me preocupar em consolá-lo ou não deixá-lo tão sozinho.

Levantei os olhos e encontrei Ângela Weber com os olhos cravados em mim. Era de uma forma gentil, como quem vê que você está com conflitos internos no momento e sorri em solidariedade. Eu me irritava com a forma dela de querer saber tudo sobre todos, só que a menina estranha do hospital me fazia bem. Estranhamente bem.

Direcionei a minha atenção para o homem que eu dizia ser tão loucamente apaixonada. Ele estava tão alheio em pensamentos quanto eu e sabia que o meu nome era o que mais martelava na sua cabeça e acredite: não é algo que me orgulho, pois sei que posso o perder a qualquer instante por alguém que talvez nem o ame tanto, mas que não vai ter medo de assumir isso para ninguém e nem medo de atrapalhar a conquista profissional.

Suspirei. Eu sou um monstro.

- Ah Meu Deus! – o grito da dona do bar fez com que todos da mesa "acordassem".

- O que está acontecendo? – perguntou Jasper chegando junto da mulher na porta. – Oh merda! – largou assim que olhou para fora. Todos fizeram o mesmo.

- Ótimo! Estamos ferrados. – falei já nervosa. A nevasca que já estava forte aumentou e o acumulo de neve na porta do Joey's era tanto que ficou impossível sair dali. As janelas estavam quase todas cobertas, contudo o pior era as portas de saída que se fossem abertas iríamos ser devorados por um monte de neve. Será que ninguém limpa a frente desse negócio não?

- Fiquem todos calmos! Chamarei os bombeiros e eles nos tirarão daqui. – avisou a dona.

Não me preocupei com o fato de ter um monte de neve lá fora, mas sim em ter que ficar trancada aqui com a menina capaz de te fazer dizer até o seu pior pesadelo.

- Droga! Isso vai demorar... - resmungou Dr. McCarty.

Limitei-me a abaixar a cabeça e deitar na mesa. Se iria demorar, pelo menos eu ia tentar dormir um pouco.

- YAAAAAAAAAAAYY!!!!

Dei um pulo na cadeira com o grito que o cara deu no microfone. Tinha um palquinho com uma mini banda e pelo jeito o tio lá resolveu dar um show. P-E-R-F-E-I-T-O.

- Então... – Ângela tentou puxar assunto comigo, Edward e Jasper. Emmett havia ido telefonar para o hospital avisando do ocorrido.

- Então o quê? – retruquei ríspida.

- Se vamos ficar aqui, vamos conversar!

- Ihhh... Nem vem! Já falei muito por um dia! – reclamei. Jazz parecia ter gostado do tiozinho louco que cantava uma musica também louca no palco, já que nem olhava para a gente. Edward continuava quieto. Isso já estava virando um habito.

- Quanto tempo será que vão demorar para nos tirar daqui? – ele comentou de repente.

- Espero que logo. -disse.

- Tem pânico com lugares fechados também, Monk? – chegou o médico bobão rindo e sentando na minha frente novamente.

- Não. – revirei os olhos. Todos ficaram me encarando. – É verdade gente! Tenho meus tiques nervosos sim, mas ainda não cheguei na Síndrome do Pânico não.

- Você é realmente otimista, Bella. – falou a garota que adora fazer comentários sobre a vida alheia.

- Eu sou um poço de positivismo! – falei irônica. Eles riram, mas Edward fez um gesto com a cabeça como se eu tivesse dito uma besteira.

- O quê? – olhei ele com cara de poucos amigos.

- Nada. – continuou sério.

- Como assim nada? O que é que você quis dizer? – já estava me irritando.

- Nada, Isabella. Nada. – suspirou pesadamente. – Eu já não sei de mais nada. – dito isso se levantou e foi em direção ao balcão de pedidos.

- O Eddie ta realmente bravo. – observou o gênio disfarçado de médico chamado Emmett McCarty!

- O problema é meu. – comentei seca.

Ele riu e deu de ombros. Ângela me olhava com uma sobrancelha erguida. Bufei e fui para o banheiro. Precisava ficar sozinha.

Passei uma água no rosto e comecei a pensar nas palavras ditas naquela mesa. Todo mundo, de alguma forma, expôs os seus problemas e só a sabichona da Weber que não fala nada. E eu estou começando a achar que ela é uma espécie de anjinho do mau que vem para ficar te mostrando onde você está errado. Mas que merda! Se eu estou ferrando com o amor da minha vida, o problema é meu e não dela! Ela não precisa ficar me lançando olhares do tipo "você só faz merda Isabella". EU SEI DISSO!

Eu faço tudo errado desde que eu nasci e nunca fui presa por isso!

E se eu quiser ser egoísta? E se eu quiser fazer todo mundo se fuder? E se eu quiser ficar trancando e destrancando a mesma porta mil vezes? E se eu atravessar a rua e for atropelada? QUAL A DIFERENÇA QUE ISSO VAI FAZER PARA ELES? N-E-N-H-U-M-A.

Eu não me importo com os meus erros. Eu sou acostumada a conviver com eles.

Eu não me importo se o Edward esta mal por minha causa.

Não me importo se a Alice deu errado para alguém e acabou barriguda.

Eu não me importo se ela me odeia também.

Não me importo se Jasper ama ela e vai ficar em pedaços quando souber da gravidez.

Eu não me importo com o fato de Emmett estar em crise no casamento e fica se fazendo de forte.

Eu não me importo de morrer sozinha, porque eu não lutei pelo meu amor.

E principalmente: eu estou pouco me lixando para a paciente boazinha que tem lupus e que se mete na vida de todo mundo.

FODA-SE O MUNDO!

Sentei no chão do banheiro e respirei fundo.

Quem eu queria enganar? É claro que eu me importava. Senão não estaria aqui tendo uma crise por causa deles. Por causa de mim.

Mas é tão mais fácil fugir e deixar como está... Afinal, uma médica eu serei, certo? Não é esse o meu sonho?

Senti as lágrimas descerem quando vi que só tenho raiva de Ângela, porque ela faz com que eu mesma veja os meus defeitos. E são tantos.

Será que eu seria capaz de arrumar tudo o que eu estraguei? Será que eu seria capaz de deixar a vida rolar?

Não sei. Tenho medo. Muito medo.

Me levantei e lavei o rosto outra vez. Enchi de ar os pulmões.

- Eu posso tentar. – falei para mim mesma.

Ajeitei o cabelo e saí em direção a todos. Ouvi a sirene dos bombeiros. Estamos salvos. Salvos? Sim, salvos da neve, porém longe de estarmos salvos de nós mesmos.

Eu vou tentar.

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1: Entubar – é basicamente o processo em que é colocado um tubo na boca do paciente numa posição adequada do pescoço para que ele siga pela traquéia. Isso ajuda o mesmo a respirar.

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Oii!

Mais um capitulo! Desculpa se eu estou demorando, mas é que as aulas voltaram e, como ficamos muito tempo sem aula, estou cheia de provas e tenho aulas e todos os sábados até final de setembro no mínimo. =/

Mas eu estou escrevendo todos os dias um pouquinho. ^^

Yasmin Farias : Oii querida! Seja bem vinda nessa fic também! Muito obrigada por acompanhar as minhas histórias. ;*

Babisy : Oii! Muito obrigada pelo elogios! E muito, muito obrigada mesmo por ter lido 'Tudo é novo outra vez' também. ^^ Beijoss!

O resto respondido por e – mail!

Mil beijos e obrigada pelo carinho de sempre!

Isa