Capítulo 4 – Desculpas Esfarrapadas

Narrado por Edward Cullen

- Tanya? James? O que vocês estão fazendo? – Bella indagou, mesmo já sabendo a resposta.

Rapidamente ambos acordaram assustados. Tanya me olhava com os olhos arregalados e James fazia o mesmo. Os olhos de Bella piscavam freneticamente, e como eu a conhecia como a palma da minha mão, sabia que ela estava prestes a chorar.

Sem mais delongas, Bella correu. Não esperou que o elevador chegasse, apenas correu descendo as escadas. Olhei mais uma vez para a mulher que um dia eu julguei me amar e fui atrás de minha amiga.

Desci as escadas e a encontrei sentada em um dos degraus, chorando. Sentei-me ao seu lado e a abracei. Apesar de tudo que havia acontecido, eu não me sentia triste, revoltado, ou algo do tipo, eu me sentia... Preocupado. Eu estava mais preocupado com Bella, do que como eu ficaria depois.

Acariciei seus cabelos e dei um beijo no alto de sua cabeça.

- Eu não entendo... – sussurrou – Como James pôde fazer isso? Ainda mais com a Tanya!

- Eu também não sei Bella... mas... aconteceu, né? – sorri triste. – Nós não podemos controlar tudo, o que eles fizeram, só foi uma prova do caráter de cada um.

- Oh, Edward! – abraçou-me voltando a soluçar – Como você está tão tranqüilo, eu queria ter essa força.

- Pequena... – alisei seus cabelos, colocando o queixo no alto de sua cabeça – eu simplesmente não quero dar um escândalo, eu estou sim, muito magoado e chocado com a situação. Mas não ficar me lamentando pelo o que Tanya fez, simplesmente por ela não merecer nenhuma lágrima minha. E acho que a senhora devia fazer o mesmo, eu sei que está doendo, eu sinto isso também, mas chorar não vai mudar o que aconteceu.

As palavras saíam sem controle de minha boca, eu não estava querendo saber se Tanya havia me traído ou não. A única coisa em que eu me preocupava no momento era fazer Bella parar de chorar. Eu não suportava vê-la assim, ainda mais por aquele cachorro do James.

- Vamos dar uma volta? – sugeri. – Você precisa esfriar a cabeça e eu também.

- Edward... – sorriu triste e me abraçou bem apertado. – Eu não sei o que seria de mim sem sua amizade.

- Nem eu, nem eu!

Sorrimos triste. Enxuguei as lágrimas de Bella e dei um beijo no topo de sua testa. Levantei-me e estendi a mão para ajudá-la. Descemos o restante das escadas sem olhar sequer uma vez para trás.

Narrado por Bella Swan

Eu não conseguia acreditar na cena que havia visto há pouco tempo. Era demais para mim, no entanto, eu sabia que era verdade. Por mais que fosse uma verdade dura, ainda sim era uma verdade.

Todavia, Edward estava ali, consolando-me, fazendo-me sentir melhor. Ele deixou de lado suas tristezas, para me fazer melhor. Não podia haver no mundo alguém mais perfeito que ele.

Agora estávamos caminhando na praia. A brisa fria chicoteava meus cabelos, nós não falávamos nada. Apenas caminhávamos ao lado do nosso silêncio. E era melhor assim.

O silêncio que havia entre nós dois era melhor que qualquer palavra. Reconforta-nos, libertava-nos, consolava-nos. A noite já estava bem escura, a lua cheia iluminava a areia branca, ondas chocavam-se nas rochas, e outras molhavam a areia, tornando-a ainda mais fria

Já havíamos andado por horas, talvez por mais tempo que pretendíamos, mas eu não me sentia cansada, pelo contrário, eu me sentia renovada. Não podia dizer que eu estava feliz, mas com toda certeza, eu estava melhor que estava antes.

Agora estávamos chegando ao hall do Hotel, entramos no elevador, ainda em silêncio. Enquanto o elevador subia, eu observava a vista do resort, um cenário tão lindo, onde havia acontecido algo que eu jamais podia esperar.

A porta se abriu, e ambos saímos. Andamos pelo corredor, antes de entrarmos cada um em seu quarto, Edward me olhou de forma carinhosa.

- Lembre-se: ele não merece suas lágrimas.

- Obrigada. – sussurrei.

- Não por isso. Qualquer coisa você sabe onde me encontrar. Talvez eu não esteja aqui no quarto, mas você sabe meu celular.

- Eu também.

Dei um abraço rápido nele e entrei em meu quarto.

Narrado por Edward Cullen

Abri a porta do quarto e lá estava ela, com suas feições tristes e chorosas. Aproximei-me mais e ela pulou em meus braços, abraçou-me e beijou cada parte do meu rosto. E eu continuei ali, parado. Apenas esperando que ela terminasse aquele showzinho.

- Oh, Edward! Eu fiquei tão preocupada, onde você estava meu amor?

Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Quanta falsidade!

Empurrei Tanya e ela caiu na cama.

- Como você ousa chamar-me de amor, depois de ter feito o que fez?

- Eu te amo, Edward. Por favor, perdoa-me. Aquilo que você viu, foi um momento de fraqueza.

- Ah! Poupe-me de suas lamentações Tanya.

- Por favor, Edward! Eu te amo, eu... eu não sabia o que estava fazendo quando fiz.

- De amores como o seu, eu estou correndo!

- Mas Edward... – choramingou.

- Você não pensou no "amor" que diz sentir por mim na hora que me traiu. Você não pensou nesse mesmo "amor", quando gemia o nome de James. Você não pensou na porra do "amor", quando gozou pra ele!

Tanya olhava-me chocada, mas não me importava.

- Sabe Tanya... – comecei – Eu só não a expulso desse quarto agora, porque apesar de você ser uma vadia, ainda é mulher e eu sou cavalheiro, e só por isso, apenas por isso, não irei mandá-la para bem longe daqui.

Seus olhos brilharam, na esperança de algo.

- Obrigada – sussurrou.

- Entretanto, quem vai sair daqui, sou eu!

- Não, Edward... fique, por favor! – implorou. – Eu te amo.

- Não gaste sua saliva à toa, o que você fez não tem volta!

Coloquei minhas coisas na mala e saí do quarto, ainda pude ouvir Tanya chamando-me, mas não olhei para trás.

Narrado por Bella Swan

Fechei a porta, temendo que James pudesse estar lá. Toda a tranqüilidade e paz que Edward havia me passado, havia sumido. Não tinha como negar, Edward é o meu porto seguro.

Para meu total alivio, o quarto estava vazio. Comecei a juntas minhas coisas e colocar tudo na mala, eu não queria ficar mais nem um segundo nesse quarto. Já estava tudo guardado, faltavam apenas minhas sandálias que estavam no canto do quarto, abaixei-me para pegá-las e quando levantei, senti mãos fortes abraçando-me. Mãos que antes eu desejava mais que tudo ao tocarem meu corpo, mas que agora, tudo o que eu queria delas e de seu dono, era distância.

- Bella – ele sussurrou.

- Solte-me! – exigi.

- Me perdoa. Por favor. Foi um momento de fraqueza. – ele tentava se desculpar.

Juntei toda força que tinha e empurrei seu corpo, libertando-me dele.

- Fraqueza, James? Com a namorada do Edward? – ironizei.

- Desculpe-me, por favor – implorou.

- Não dá James. Não mais. Você. Transou. Com. A. Namorada. Do. Meu. Melhor. Amigo. No. Nosso quarto de Hotel! Como posso perdoar isso?

- Eu...

- Poupe-me de suas palavras, eu estou saindo!

- Por favor, Bella, fique.

- O certo, seria eu expulsá-lo daqui a ponta pés! Mas eu não quero ter que dormir nessa cama nojenta nunca mais!

Peguei minhas coisas e mesmo com os protestos de James saí dali. Passei em frente ao quarto de Edward, não ouvi nada, talvez ele e Tanya tenham resolvido a situação. Entrei no elevador e desci até o hall do Hotel, incrivelmente nenhuma lágrima fora despejada de meus olhos.

Passei os olhos no local e, sentado em um canto qualquer, encontrei Edward. Corri até ele.

- Bella!

- Oi, passei perto do seu quarto, no ouvi nada, pensei que você tivesse perdoado Tanya... – sussurrei.

- Não, o que eu e Tanya tínhamos, acabou. – suspirou e me olhou. – O que faz aqui?

- Não sei, mas naquele quarto eu não volto, eu queria expulsar James de lá... só que não conseguiria dormir naquela cama depois do que vi hoje – sussurrei.

- Ei! Eu também não quero voltar pro quarto com Tanya, mas não posso dormir aqui no hall e nem você, o que acha de pedirmos um quarto?

- Claro, contando que seja bem distante do quinto andar!

- Vamos lá então!

Sorrimos, era incrível como mesmo em uma situação dessas, Edward fazia-me sorrir e me sentir feliz. Ele é demais!

- Boa noite, gostaria de um quarto.

- Boa noite, sou Lauren. Deseja cadastrar o quarto em seu nome?

- Hm... Bella, o quarto que Tanya está, eu cadastrei em meu nome. Posso usar o seu?

- Sim.

- Coloque em nome de Isabella Marie Swan – ele respondeu.

- Quarto de casal, certo?

- Er... teria algum com duas camas? – indagou.

- Desculpe-me, mas esse é o último quarto disponível.

- Está tudo bem para mim, Edward. – sussurrei.

- Então pode ser esse mesmo.

- Certo, aqui está a chave. Oitavo andar, número 803. Tenham uma boa estadia, se precisarem de algo, basta ligar para o número #101.

- Obrigada. – agradeci.

Pegamos nossas malas e fomos para o elevador, dessa vez, olhando a vista eu me sentia... livre. Como se um peso estivesse saído de minhas costas. Encostei a cabeça no ombro esquerdo de Edward e suspirei, fechando os olhos. Ele acariciou meus cabelos levemente e sussurrou:

- Vai ficar tudo bem, acredite.

- Eu confio em você – sussurrei no mesmo tom e fechei os olhos, esperando que chegássemos ao nosso novo quarto.

COMENTÁRIO = CAPÍTULO NOVO!