And then again

"Eu sei o que aconteceu."

A voz de Draco era baixa, e Scorpius poderia ter fingido que não ouvira se quisesse, mas a curiosidade foi mais forte.

"Do que está falando?"

"Você está de coração partido por causa daquela Weasley." O loiro afirmou, sem grandes expressões.

"Weasley? O que?" O loiro olhou para o pai confuso, e este sacudiu a cabeça.

"Potter, erro meu." E, com os olhos baixos, murmurou mais para si mesmo. "Ato falho." Voltando-se novamente para o filho, continuou. "Lily Potter. Está escrito na sua cara que vocês estão apaixonados e por algum motivo, não ficam juntos. Provavelmente porque nós não nos damos bem com seu pai e porque você e o mini-Potter se odeiam desde o primeiro dia."

"Eu a beijei" confessou Scorpius, abaixando os olhos. "No trem, antes das férias. E ela continua sem sequer olhar para mim."

Draco apenas balançou a cabeça, concordando, enquanto olhava a neve cair pela janela. Seria um natal deprimente. Mais um deles.

"Bom, a maçã nunca cai muito longe da árvore. Você não deveria estar surpreso."

"Não estou" respondeu o garoto, olhando para o pai, ao invés de para a janela. Era claro que ele também estava perdido em pensamentos. "Só estou surpreso que você... tenha percebido."

Draco olhou para o filho, com um sorriso enviesado.

"Eu presto atenção em você" respondeu simplesmente. "E sei muito bem o efeito que aqueles cabelos ruivos podem ter na cabeça de um rapaz."

"Como...?" começou a perguntar, mas o sorriso triste de seu pai dizia tudo.

"Eu nunca esqueci o perfume, mesmo que há mais de vinte anos não chege perto dela. Mas também houve um verão para mim e Ginny Weasley, quando o mundo poderia se acabar sem que nós notassemos. Infelizmente, a realidade sempre acha um jeito de se intrometer."

Scorpius o olhou, desolado.

"Você quer dizer então que eu deveria esquecer disto."

Draco passou o braço por cima do filho, sem puxá-lo para si, respeitando seu espaço ao mesmo tempo que deixava claro que estava ali.

"Não. Estou dizendo que não é fácil, mas eu acredito que você pode conseguir... Mais que eu. Ginny... Sempre teve um ídolo, e Lily não é assim. Elas não são iguais, ainda que se pareçam. E eu confio em sua capacidade de virar o jogo à seu favor." E, com um olhar menos triste, e um sorriso melancólico, continuou. "E, se não acontecer... Eu estarei aqui."

Sem dizer mais nada, deixou o quarto, e sabia que o filho sorria, confiante.

(Gostaria de ter lutado mais, mas se tivesse feito isso, jamais haveria aquele maravilhoso filho do qual se orgulhar.)