No capítulo anterior...
_Alice, pare de acenar. A Bella não pode nos ver._ ele que acabava de chegar ao refeitório naquele momento, viu sua irmão acenando para a linda e doce morena. Sem entender ao certo o que ela esperava em retorno daquele cumprimento.
_ Deixa de ser bobo Ed. Claro que eu sei que ela não pode me ver.
_ Então...
_ Eu estou acenando para ele. Para o Jasper. E não para ela... _ dizendo isso ela foi se sentar deixando o irmão para trás com uma expressão de incredulidade no rosto.
Seguindo o olhar de Alice, ele viu que o irmão mal encarado de sua vizinha, olhava a sua irmã de forma abobalhada. E claro como água, ele sabia que estava acontecendo algo ali, e podia sentir nos ossos que não iria gostar nada do resultado daqueles olhares. Mesmo querendo estar no lugar de Jasper, e segurar os ombros delicados de Bella, não gostou da forma como ele olhava a sua irmã.
Aquela era uma disputa entre irmãos. E mesmo que nenhum dos dois fosse admitir, a testosterona predominava na situação. E nenhum deles iria facilitar nada para o outro.
CAPÍTULO 4 Perdido...
Depois do intervalo, cada um se dirigiu para suas respectivas aulas. E cada um tinha um pensamento em mente. Edward pensava em como sua vizinha era linda. Ele sabia que aqueles pensamentos eram meio gay, mas ele não podia evitar.
Alice se perguntava o que seu irmão ainda estava esperando para ir falar com Bella? Sim, porque ela podia ver que ele que estava caidinho pela vizinha simpática.
Jasper ao contrário dos irmãos Cullen, estava mais preocupado em manter sua irmã longe das garras do Cullen macho, e queria muito, mas muito mesmo conhecer a Cullen fêmea mais de perto.
Já nossa Isabella, que era o centro de todos os pensamentos dos outros três, estava a se perguntar o que tanto seu irmão resmungava. Ele havia ficado nervoso desde o final do intervalo. E agora enquanto a acompanhava até sua sala, ficava conversando consigo mesmo. E praguejando baixo.
_ Algum problema Jazz? _ não agüentando mais aquela situação, ela indagou ao irmão.
_ Ahm?... problema nenhum Bella. Problema nenhum..._respondeu vago.
_ Então por que você está nessa ansiedade toda?_ ela não desistiria tão fácil.
_É que... bem... _ele não sabia o que inventar para que a irmã deixasse de prestar atenção nele, mas então teve um estalo, e quase pode ouvir as engrenagens em seu cérebro funcionarem, quando falou _ é que eu estou frustrado pelo meu carro que deu pau, é isso.
_ Hum _ foi a resposta que recebeu da irmã, mas ela não acreditou nem por um minuto naquilo. Ela conhecia os irmãos como ninguém para saber quando eles estavam mentindo _ tudo bem, mas depois a gente vê como vamos para casa, agora me deixe na minha sala, por que o sinal já vai tocar.
_ Como você... _ mas ele não teve a chance de terminar sua pergunta, pois naquele exato momento o sinal do retorno às aulas tocou _ deixa para lá. Vamos.
Aquele período ela teria com Alice, sua mais nova colega de escola e vizinha. Seria legal dividir a sala de aula com ela. Gostou dos irmãos Cullen logo de cara, e gostaria de convidar os dois para um jantar. Pensando naquilo, entrou na sala, trombando com Lienne, e esta por sua vez, fez questão de chamá-la de cega novamente.
Mas não deixando transparecer nenhuma emoção, Bella se encaminhou para o fundo da sala, onde era seu lugar. E logo em seguida sentiu o perfume suave de Alice, antes mesmo que a outra dissesse algo, ela se antecipou.
_ Quando vai lá em casa para as aulas de reforço?
_ Como sabia que era eu? _ perguntou Alice sorrindo que nem boba pelo encontro com Jasper no corredor.
_ Isso é segredo _ Bella disse e deu risada _ mas você ainda não me respondeu.
_ Por mim tanto faz, só depende de você. Se não for te dar trabalho, o quanto antes começarmos melhor, ainda mais que minha prima estará chegando por esses dias, daí não vou ter mais tempo para nada, ela me sufoca._ disse bufando, arrancando mais uma risada de Bella.
_ E como é sua prima? _ ela sempre tinha curiosidade para conhecer as pessoas.
_ Loira, alta e de olhos verdes. Ela é sobrinha de mamãe, e não tem mais ninguém além dos tios e primos. Seus pais morreram quando ela tinha cinco anos, depois disso ela passa um tempo com cada um dos tios. E agora chegou a vez de dona Esme.
_ E ela vai estudar conosco?
_ Dessa parte eu estou meio por fora _ ela fez uma pausa procurando alguma coisa no caderno _ acho que ela está no último ano. Provavelmente estudará com meu irmão. Ou com o seu irmão.
_ Legal, quando ela chegar, podemos fazer aquele almoço em minha casa. Isto é, se você quiser.
_ Claro que eu quero, só não sei se o chato do meu irmão vai querer ir.
_ E por que ele não quereria?
_ Olha Bella, essa é uma historia um pouco complicada. Mas assim que der eu te conto tudo. Só posso te adiantar, que meu irmão é muito anti-social.
_ Hum..._ela pensou em tudo o que Alice tinha dito, e decidiu que não desistiria tão fácil da amizade de Edward _mas não custa nada tentar, não é mesmo?
_Com certeza. Se quiser eu falo com ele, e...
_Eu faço questão de convidar Alice. Quer ver ele me dizer não.
Nesse momento o professor entrou na sala. Era um senhor baixinho e gordinho. O coitado estava vermelho e ofegante. Devia estar com pressa, pois largou-se na cadeira e pediu para que abrissem na pagina 229, onde dariam início ao novo tópico.
As amigas tiveram que deixar a conversa para depois. Alice ficou observando como Isabella se achava com o livro diferenciado, todo em braile. Ela lia com a ponta dos dedos, e tudo o que o professor dizia, ela marcava com um pontinho em alto relevo. Era tudo novo para Alice, e ela se perguntava como uma pessoa poderia aprender aquilo.
Somente com os pontinhos certos, ela sabia tudo o que estava escrito. Incrível. Era sem dúvida nenhuma uma superação e tanto a dela. Algum dia ainda teria coragem de perguntar com ela havia ficado cega. Mas por hora resolveu olhar para o que o professor escrevia no quadro. Ele escrevia e falava em voz alta, provavelmente por causa de sua aluna especial na sala. Como forma de ajudar em seu entendimento.
Bella conseguia gravar as explicações que o professor dava referente ao conteúdo, e quando chegava em casa, começava a gravar em seu computador as coisas que lembrava. Assim ela não se perdia, e não ia mal nas provas. Era a forma que seus pais haviam sugerido para ela. Embora os livros fossem bem explicativos, e tivessem diversas notas importantes, ela ainda não se sentia segura em somente lê-los.
Passando as pontas dos dedos em seu GPS aptado, viu que iria dar o sinal. Fechou seus livros, e esperou. Alice vendo que a amiga guardava as coisas, imitou-a. Olhando o visor de seu celular percebeu que ia acabar a aula. O sinal tocou em seguida, fazendo com que os alunos corressem em direção a porta, seria o último período antes do fim das aulas.
_Qual a sua próxima aula? _ Alice perguntou para Bella.
_ Biologia, e a sua?
_ História. E qual é a sua sala?
_ Última porta à direita, no fim desse corredor.
_ Então a gente se separa aqui, a minha é no outro pavilhão.
_ Sem problemas, eu me viro. Até mais Alice.
_ A gente se vê.
Cada uma seguiu seu destino.
Ao término das aulas, Jasper foi ao encontro de sua irmã. Mesmo ela dizendo que não precisava da ajuda dele para se locomover pela escola, ele não se sentia seguro em deixá-la sozinha. As vezes ele e a família se esqueciam de que ela não via realmente as coisas, pois pela maneira com que andava, sem demonstrar receio de nada a sua frente era impressionante. Mas mesmo assim, ele preferia não arriscar. Avistando-a de longe, correu ao seu encontro, e como se não bastasse o fato dela não trombar em ninguém enquanto andava, nunca conseguia chegar perto sem que fosse percebido.
_ Oi maninho... – como sempre ele havia sido descoberto.
_ Eu ainda te pego de surpresa garota... – ele resmungou mais para si mesmo do que para ela.
_ Quer apostar Jazz? – ele odiava quando era desafiado, mesmo que fosse pela sua irmãzinha. Mas sabia que iria perder, no caso dela.
_ É melhor não, você sempre ganha e... – então seus olhos foram atraídos para a linda figura que vinha caminhando lentamente até eles. Ela vestia uma calça justa e uma blusa rosa. Ele não entendia nada de moda, a única coisa que sabia era que sua vizinha sabia se portar com as roupas.
_ Alice... – sua irmã disse antes mesmo da outra terminar sua aproximação.
_ Bella...eu ainda descubro como você faz para me ver... – percebendo a bobagem que estava dizendo tentou concertar – quero dizer, não me ver no sentido real da palavra, mas me ver, bem me ver...
_ Calma Alice, eu sei o que você quer dizer – Bella disse acalmando a outra – eu só sei quando alguém vem ao meu encontro, apenas isso. – ela não precisava dizer que sentia o cheiro das pessoas, e que por isso sabia exatamente quem era quem.
_ Puxa. – foi só o que Alice conseguiu dizer.
_ Alice, será que você poderia nos dar uma carona? – Bella disse à amiga.
_ Bella... – Jasper reclamou do seu lado. Ele não queria estar no mesmo espaço apertado de um carro que o Cullen macho.
_ Claro que podemos. É só o tempo de eu achar o meu irmão e, ah ele está vindo ali... – ela se afastou para conversar com o irmão, enquanto os outros dois ficavam no corredor.
_ Por que você pediu carona para ela? – Jasper não tinha gostado nada daquilo.
_ É isso ou o JB... – pode ouvir o gemido angustiado do irmão e soube ter feito a escolha certa.
_ Você sabe que esse seu amigo me dá arrepios...Argh... – ela sorriu diante do exagero dele – não tenho nada contra, mas que fique bem longe de mim...
_ Você não precisa se preocupar, você não faz o tipo dele... – ela disse sorrindo para o irmão nervoso.
_ E ainda tem mais essa? Era só o que me faltava... – praguejando alto, eles foram de encontro aos outros dois irmãos.
Alice já tinha combinado com Edward de que Bella iria no banco da frente com ele, e que ela iria com Jasper no banco de trás. Claro que ele odiou saber que a irmã estava jogando charme para seu vizinho mal encarado, mas em contrapartida, amou saber que poderia desfrutar de alguns momentos ao lado de sua linda e doce vizinha.
Mas não foi tão fácil quanto parecia, pois quando chegaram ao carro, Jasper não largava o braço da irmã, e não fazia questão nenhuma de ser cordial com o outro. Mesmo este sendo a única forma de irem para casa naquele momento. Foi preciso todo o poder de persuasão de Alice para acalmá-lo. Enquanto uma Bella risonha entrava no banco da frente, um Jasper emburrado ia para o banco de trás.
Claro que essa marra toda não durou muito, foi só o tempo de Alice puxar conversa e ele relaxar. Ela colocava a mão em seu braço ora ou outra, enquanto conversavam, o que fazia os pelos dele se eriçarem. Já o casal da frente conversava animadamente, ele mais ouvia do que falava. Mas adorava ouvir a voz doce e melodiosa dela. E mais cedo do que gostaria chegaram em frente a suas casas. Jasper foi o primeiro a saltar, e foi seguido por Alice, que queria dar um tempo para o casal se despedir apropriadamente.
_ Bella você não vem? – jasper pediu do lado de fora do carro, mas foi Alice que respondeu.
_ Oh Jasper, que lindo o jardim de vocês, por que não o mostra pra mim? – e sem esperar pela resposta foi logo puxando-o pelo braço.
Sem poder negar nada a Alice, Jasper começou a andar com ela pelo jardim, mostrando as flores e arbustos que a mãe deles cultivava. Olhando para trás ela deu uma piscadinha para o irmão. Que fingiu não entender o que ela pretendia com isso. Mas no fundo queria ficar sozinho com Bella. E sem perder a chance resolveu puxar assunto, mas antes de abrir a boca ela falou primeiro.
_ Quero te fazer um convite Edward... – ela fez uma pausa, procurando melhor as palavras – bem, não sei ao certo se você vai aceitar, mas vou pedir mesmo assim. Gostaria que você e sua irmã viessem almoçar comigo e minha família. Sei que posso estar antecipando as coisas mas...
_ Aceito... – ele disse sem pensar duas vezes, nunca conseguiria negar nada a ela, mesmo que fosse para pular de uma ponte – é só marcar.
_ Oh, que bom Edward – ela foi para seu lado e o abraçou apertado, fazendo com que ele fechasse os olhos pelo perfume doce e embriagante dela – e sua irmã dizendo que você dificilmente aceitaria.
_ Eu sou muito chato Bella, não se engane... – ele disse a verdade para ela – mas para você eu não consigo dizer não. – e sua mão foi passear no rosto delicado dela.
_ Hum, er...bom eu nem sei o que dizer, só que fiquei muito feliz por você ter aceitado, vou falar com minha mãe e depois te falo o dia...– ela estava nervosa, e para não fazer feio diante dele resolveu entrar em casa – bem, obrigada pela carona, a gente se vê.
_ Ok. E Bella... – ele chamou antes que ela saísse do carro.
_ Sim? – quando virou seu rosto para ele, sentiu a respiração quente e doce bater em sua boca. Sem mover um músculo aguardou o que estava por vir. Mesmo sem ver, podia sentir sua aproximação.
Edward entendeu seu silêncio como um consentimento, por isso foi aos poucos se aproximando, e com uma mão a trouxe para mais perto, deixando seus rostos a poucos centímetros um do outro, ele estava nervoso, até parecia a primeira vez que beijava alguém. Seus lábios ganharam vida, e pode enfim sentir a maciez dos lábios dela nos seus. Eram doces e cheios, macios e suculentos. Primeiro ele deu um selinho demorado, procurando por qualquer vestígio de negação por parte dela, mas quanto sentiu que era correspondido, ele abriu a boca e com a língua buscou passagem entre os lábios cálidos dela.
De início ela ficou em choque, seu primeiro beijo estava acontecendo. Ela quase não acreditou, os lábios dele eram firmes e experientes nos seus. Sem saber ao certo o que fazer deu passagem para a língua áspera por entre seus lábios, e como se tivesse vida própria, suas mãos foram parar no cabelo dele, cabelos estes que eram bagunçados como pode perceber.
Acreditando que estava no caminho certo abriu bem a boca para acomodar a dele. Sem saber que com essa atitude tinha desperto uma fera adormecida. E nesse instante um gemido de satisfação se fez ouvir por parte dele. Que aproximando ainda mais, puxou sua cintura para mais perto de si, e como se fossem feitas uma para a outra, suas línguas duelavam em busca de satisfação. Ela estava descobrindo novas sensações, e ele nunca tinha sentido nada parecido como aquilo por nenhuma outra garota.
Não sabia dizer se era pela entrega que sentia por parte dela, ou se era a entrega dele próprio. A única certeza que tinha era que naquele beijo tinham muito sentimentos presentes, desejo, prazer, ansiedade, pressa, mas acima de tudo naquele beijo existia um sentimento que nunca achou ser possível bater em seu peito. Paixão. Sim ele estava se apaixonado, e isso trouxe uma realidade dolorosa em seu peito. Não, ele não podia se apaixonar agora, não assim quando sua vida nunca era estável. Decidindo que aquilo não poderia acontecer, e que não poderia levar consigo a culpa pelo sofrimento futuro dela, deu fim ao beijo. Deixando uma Bella confusa e arfante a sua frente.
_ O que... – mas ela não teve tempo de perguntar mais nada, pois seu nome sendo chamado ao longe, a fez entender o motivo da separação abrupta.
_ É melhor você entrar... – ele disse de forma fria e distante, não deixando transparecer nenhuma emoção do que tinha acontecido segundos antes. Deixando ela confusa e magoada.
Será que ele tinha odiado o beijo? Ou pior, será que percebeu como ela era inexperiente? Eram tantas perguntas, mas ela não estava disposta a ouvir as respostas. Nem agora e nem nunca. Seus olhos ficaram marejados, mas por conta dos óculos escuros ele não pode ver. Por isso saiu do carro e correu em direção de casa. Sem olhar para trás, e nem dar tchau. Mas o que ela não sabia era que deixava para trás, mais precisamente dentro do carro, um Edward arrasado e com raiva de si mesmo.
_ Droga... _ ele disse enquanto esmurrava o volante com força. Aquilo não poderia estar acontecendo. Não com ele que sempre se julgou imune ao amor.
