Nada pra mim
Disclaimer: Todos os direitos reservados à diva Tia JK.
Capítulo 3
Rose
- Já estamos passando da hora do almoço. - Garotos. Nunca entendo de onde surge tanta fome.
- Pode ir, Malfoy... quer dizer, Scorpius. - Que ridículo, tecnicamente ele nem me chamou. - Estou sem muita fome... E não estou muito a fim de ficar fazendo social no Salão Nobre.
- Se você realmente quiser ficar totalmente sozinha agora, Rose, vou entender. Mas, do contrário, não me sinto bem te deixando aqui.
- Eu vou sobreviver.
- Não é questão de sobrevivência, mas eu me importo mesmo assim.
Eu continuo apática no sofá. Prefiro a presença dele, mas não às custas de deixá-lo com fome. De qualquer forma, sequer me dou ao trabalho de responder.
- Putz, podemos pedir os elfos para montar uma mesa de refeições para nós ali na sala de reunião. - Ele começou.
Interrompo: - Isso é abuso! Os elfos servem à Escola, e não a nós. E seria um uso indevido da Sala de Reuniões dos monitores.
Era só o que me faltava. Ficar na Casa dos Monitores para quebrar mil regras!
- Rose, os elfos domésticos de tudo o que restou da família Malfoy foram libertados e contratados. Eles recebem salário, e fazemos questão de pagá-los bem. O elfo que me acompanha desde criança, Shelby, veio para Hogwarts comigo.
- E isso... Pode? Nunca ouvi sobre nenhum aluno trazendo seu elfo-pessoal para Hogwarts.
- Shelby não é meu "elfo-pessoal". Pelo menos não nesse sentido. - Ele fala como se eu tivesse feito uma ofensa horrível.
Na verdade, na minha visão de mundo, isso é uma grande ofensa. Mas a maioria dos bruxos não encara assim. Assumi automaticamente que ele fosse parte dessa maioria. Será que não é?
Sou filha de Hermione Granger. Por mais que eu deteste isso, tenho muitas características da minha mãe. A luta pela causa dos elfos é uma delas.
- Então por que ele veio para cá com você?
- Você sabe de onde eu vim? Quando vim para Hogwarts?
- Sempre assumi que fosse da casa dos seus pais. De onde todos os alunos vêm... - Sei que o pai dele existe, já até os vi juntos algumas raras vezes. Então órfão ele não é.
- Você sabe onde meus pais moram? - Ele perguntou com nervosismo.
- Não. Por que eu saberia? - Eu tive muitas chances de perguntar antes. Afinal ele é do meu ano em Hogwarts. Mas nunca tive essa curiosidade. - Sempre achei que a localização da casa do homem mais rico do mundo bruxo fosse um segredo. - Essa é a parte em que eu invento uma desculpa esfarrapada pra ganhar a discussão.
Draco Malfoy realmente é o homem mais rico do mundo bruxo segundo a Revista World Wizards, que faz esse ranking anualmente. O pai de Scorpius sempre esteve na lista e há mais ou menos uma década assume o primeiro lugar com folga. Ninguém sabe exatamente o que ele faz, pois é "bem reservado", "não gosta de dar entrevistas", essas coisas de gente fresca.
- Não é um segredo, na verdade. Se você tivesse efetivamente lido qualquer uma dessas reportagens de fofoca que você menciona, saberia que a residência oficial da família Malfoy fica em Nova York, numa cobertura em um prédio trouxa no coração de Manhatann. - Ele fala não com ar esnobe. Parece nostálgico até.
- Nossa, realmente não sabia disso. Sempre assumi que vocês morassem aqui na Inglaterra mesmo.
- Eu nunca morei na Inglaterra, na verdade. - Ele fala sorrindo e imitando um sotaque americano.
- Mas... Você fala em perfeito inglês britânico! - Como assim ele nunca morou na Inglaterra?
- Rose, é uma longa história. Já estou com fome. Se eu for responder a todo o seu interrogatório para depois almoçar, vamos os dois morrer de inanição aqui.
- Okay. Se não quiser que eu pergunte, eu não pergunto. - Respondo, com cara de tédio.
- Não me importo de responder. Desde que eu esteja alimentado. Vou pedir a Shelby para trazer comida pra cá, não preciso da sua autorização pra isso. Se quiser você faz greve de fome. Ou enfrenta o Salão Nobre sozinha.
- Você venceu. - Não vou encarar aquele Salão tão cedo.
Ele chama, então.
- Por gentileza, Shelby.
Um elfo aparata na nossa frente. Não é vestido com trapos, mas com um uniforme bastante alinhado. Aparenta ser muito bem cuidado e tem uma postura altiva. Não posso deixar de pensar: até os elfos-Malfoy se vestem muito bem e se portam com esse ar de cavalheirismo inglês!
- Senhor Malfoy, bom dia!
- Bom dia, Shelby. - Ele começa a falar animadamente, como fala com seus amigos de colégio. - Não precisamos de formalidades aqui, pode me chamar de Scorpius mesmo. Já conhece essa minha amiga?
Nunca vi aquele elfo na vida e Scorpius sabia disso. Estava apenas sendo gentil com o elfo.
Malfoy? Gentil com o elfo? Minha mãe nunca acreditaria nisso.
- Não, Scorpius. Ainda não fomos apresentados.
- Shelby, essa é Rose Weasley.
- Muito prazer em conhecê-la Srta. Weasley. Sou Shelby, leal elfo da Família Malfoy. - Diz Shelby, estendendo sua mão para me cumprimentar.
Educadamente aperto sua mão de volta: - Muito prazer, Shelby! Pode me chamar de Rose!
Scorpius alegremente chama o elfo.
- Shelby, estamos precisando de um favorzinho seu.
- Claro, Scorpius.
- Vamos almoçar por aqui mesmo. Será que você pode nos trazer um almoço?
- Sim. O que vão querer comer hoje?
- O Cardápio da Escola. - Nossa, que coisa horrível seria ficar trazendo comida de fora. Um insulto à excelente cozinha de Hogwarts!
- Deixe de ser chata, Rose! Você gosta de comida americana?
- Aquelas coisas cheias de gordura? - Falo em tom de brincadeira, imitando os famosos chefes de cozinha ingleses.
- De gordura e de sabor. - Retruca Scorpius.
- Sim, eu gosto. - Respondo com naturalidade dessa vez.
Um de meu pratos preferidos na verdade é hambúrguer com fritas. Mas se eu revelar isso para ele agora, vai ficar muito cheio de si.
- Shelby, sabe aquele hambúrguer com fritas? Meu favorito? Pode trazer dois para nós? E aquela minha cerveja...
- Malfoy, e se nós formos pegos trazendo ilegalmente bebida alcoólica pra Hogwarts?! Na hora do almoço? Abusando de nossas regalias como monitores para fazer isso? - Falo em tom de revolta.
Eu sou muito séria com essas coisas. Tio Harry diz que sou exatamente igual à minha mãe quando tinha essa idade. Eu prefiro pensar que nunca abusarei das vantagens do meu sobrenome para passar acima da Lei.
- Rose, dá um tempo! É Natal. Sem contar que estamos péssimos e um pouquinho de álcool seria útil. - Ele tem razão. De novo. Estou detestando essa história de Malfoy sempre com razão. - Essa cerveja é a melhor bebida para degustarmos esse hambúrguer!
- Tudo bem, Malfoy. - E me viro para Shelby. - Pode fazer isso por nós, Shelby? Ficaria muito grata.
- Com o maior prazer, Srta Rose.
Scorpius sorria. É... Pelo menos um de nós está com um humor agradável enquanto encaramos nossa Fossa de Natal.
- E, Shelby, pode colocar as comidas naquela sala ali quando estiverem prontas. - Ele acrescentou, apontando para a Sala de Reunião.
Eu só reviro os olhos.
- Devo demorar no máximo meia hora para deixar tudo prontinho.
- Sem problemas, aguentamos até lá. - Eu afirmo. - Muito obrigada, Shelby.
- Sempre às ordens.
- Valeu, Shelby! - E a cena mais improvável se passa na frente dos meus olhos: Scorpius Malfoy e Shelby se cumprimentando com um hi-five, antes de o elfo aparatar.
Será que terei mais surpresas nesse feriado? Estou com uma ligeira sensação de que sim.
