Oi minhas flores… Antes de qualquer coisa, quero pedir desculpas pela demora imensa desse capítulo. Eu sei que é indesculpável, mas foi um conjunto de coisas: o Jasper não calava a boca rsrsrs... e o POV do Edward exigiu muito de mim e acho que vocês irão entender ao ler o capítulo!
Mais uma vez quero fazer um agradecimento especial a minha beta, p-mary. Maria, tuas correções, como sempre, fizeram toda a diferença. Obrigada, por tudo! Falando nela, ela também tem uma fic aqui, Sinfonia Agridoce... eu se fosse vocês assim que acabassem esse capítulo, daria uma passadinha por lá. Garanto que vocês não irão se arrepender. Pra quem quiser, o link está nos meus favoritos.
Queria agradecer também à loucalmon pela correção das frases em alemão. Brigadinha flor!!!!
Por fim, sugiro que ouçam as músicas. Elas ajudam mais ainda a entrar no clima. O colar, o vestido e a casinha de boneca estão no blog www(*)pensamentossemnexo(*)blogspot(*)com (não esqueçam de substituir os * por ponto)
Bem, já falei demais! Vou deixar vocês com o capítulo! Boa leitura... e por favor, não queiram me matar ok? rsrsrs
A gente volta a se falar lá embaixo!
Música: Tears and Rain – James Blunt
www(*)4shared(*)com/file/230282830/8613af4f/James_Blunt_-_Tears_and_Rain(*)html
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Jasper POV
13 de setembro, de 1942
Não sei se esse lugar pode mesmo ser chamado de pesadelo na terra. Às vezes, acho que os pesadelos costumam ser mais leves. O fato é que isto aqui é muito pior do que qualquer um pode imaginar. Mas, depois de estar aqui há quase um ano, acabei por descobrir que, como em qualquer outro lugar no mundo, existem alguns jeitinhos e coisas que tornam a sua estada no inferno mais fácil ou mais difícil. Mas toda vez que uma nova leva de prisioneiros chega, não tem como se evitar o clima de tristeza por cada um, por cada sonho despedaçado.
Praticamente todos os dias chegam trens lotados de prisioneiros e a rotina se repete... filas se formam e as pessoas são divididas em grupos: os que viverão, e os que serão enviados para o "banho", de onde nunca voltarão. Depois, os que conseguirem sobreviver, terão seus cabelos raspados, receberão uma única muda de roupa e serão levados para galpões onde ficarão por 40 dias, para se livrarem de doenças e sabe-se lá o que mais os alemães pensam que podemos ter... Só após esse período é que os novatos passam a conviver com os outros e recebem sua função aqui dentro. Alguns irão para os trabalhos forçados, outros servirão de cobaias para os experimentos médicos.
Eu, por sorte ou azar, trabalho na construção de novos galpões que fazem com que o campo aumente cada dia mais e possa abrigar mais e mais judeus. Edward chegou há quase dois meses e logo se tornou um amigo. Ele, assim como eu, é médico e morava em Paris. Desde seu primeiro dia após a quarentena, foi mandado para o mesmo beliche que eu e para a construção também. Mas apesar do pouco tempo de convivência, eu sabia que algo não ia bem com meu amigo. Há alguns dias ele vinha abusando da sorte. Edward não era de ficar enrolando, correndo o risco de irritar os alemães, mas nos últimos dias ele andava aéreo e eu, por muitas vezes, tive que fazer o seu trabalho também para protegê-lo. Mas hoje ele simplesmente se recusava a levantar, e não demoraria muito para que algum soldado alemão viesse ver o que estava acontecendo.
"Ei cara, o que você tem? Vamos, levanta, nós precisamos ir."
"Me deixa, Jasper. Não é nada. Eu não estou a fim hoje"
"Como nada, Edward? E desde quando nós temos o direito de estar ou não a fim? Não estar a fim, meu caro, é sinônimo de morrer. Desde o início da semana que você praticamente não come e não vem rendendo o que os alemães exigem. Eu venho fazendo o meu e o seu trabalho, e o pior é que você nem percebe isso."
"Você queria o quê, Jasper? Que eu estivesse sorrindo e cantarolando enquanto construo locais que servirão para aprisionar outros de nós?"
"Não, Edward. Mas ou fazemos isso para tentar garantir que outros possam sobreviver, ou vamos morrer também. E de que tudo isso irá adiantar?"
"Eu não sei se quero viver. Não sei nem se existe vida depois disso."
"Edward, você precisa reagir! Se você se entregar assim, eles irão te matar! Reage homem, nem que seja pela mulher que você chama todas as noites enquanto está dormindo."
EPOV
Música: A Rush Of Blood To The Head – Coldplay
www(*)4shared(*)com/file/230287658/e3d25dc3/Coldplay_-_A_Rush_Of_Blood_To_(*)html
Bella. Fazia quase dois meses que eu estava nesse inferno e ainda sonhava com ela todas as noites. Era por ela que eu dormia e acordava todos os dias, por mais doloroso que fosse. Eu realmente não sei dizer o que doía mais: ter sido capturado e ver os meus sonhos e os de Bella desmoronarem, ter falhado ao jurar que nada iria nos separar, ver que os meus pais haviam sido capturados também, o olhar de desespero de minha mãe ao me ver naquela mesma plataforma, ou a dor de ver meu pai sendo morto a sangue frio na plataforma ao chegarmos aqui – debilitado por dias e dias de viagem sob condições sub-humanas. Ou talvez a dor maior tenha sido esperar por horas que minha mãe saísse do "chuveiro" para onde havia sido enviada com outras mulheres, e ver as horas passarem e ela nunca mais voltar...
O rosto de Bella e as lembranças que trouxe comigo são o que me salvam quando só o que consigo ver são os olhos de minha mãe e a face de meu pai a olhar para mim pela última vez. Eu perdera tudo, menos a lembrança da mulher que eu amei desde a primeira troca de olhares.
Todos os dias, desde que cheguei aqui, eu sofria ao pensar na distância que nos havia sido imposta, sofria por não saber como Bella estaria se virando, se ela estaria segura ou não. Mas hoje a dor era mais insuportável ainda. Hoje minha Bella estava completando 24 anos de idade e eu não podia estar ao seu lado, comemorando mais um ano de sua presença em minha vida. Não tenho nem mesmo como saber se ela está se permitindo comemorar ou não. Posso apostar que ela deve estar brigando com Renée por causa de festas e presentes, como acontecia todo ano, pelo menos desde que eu passei a compartilhar dos seus aniversários...
Flashback
13 de setembro de 1937
Eu estava ansioso para aquela festa. Bella e eu havíamos nos aproximado demais desde que me mudei para a vizinhança. Estávamos sempre juntos estudando, conversando, ouvindo música. Bella adorava me ouvir tocar piano, enquanto eu adorava vê-la falar sobre sua paixão por livros e pela escrita.
O presente estava escolhido há mais de um mês. Uma tarde fui à joalheria com meu pai, que queria comprar um anel para minha mãe, e me encantei pelo colar com pingente de coração. Aquela jóia era a cara de Bella, e eu tinha certeza de que ficaria perfeito nela.
Assim que entrei na casa vizinha, Renée veio ao meu encontro.
"Edward, que bom que você chegou! Você é o único capaz de fazer a Bella aparecer. Ela se escondeu e eu não consigo encontrá-la em lugar nenhum."
"Eu irei procurá-la, senhora Swan."
Andei pela casa, passando em meio aos convidados, tentando imaginar em que lugar eu mesmo me refugiaria, caso não quisesse ser encontrado. Não demorei muito para ter certeza de onde encontraria Bella.
"Finalmente eu encontrei a aniversariante."
"Edward, você veio!" – Bella exclamou, se virando com um enorme sorriso em seu rosto.
"Claro que vim. Eu prometi, não foi?"
"Eu sei, mas achei que..."
"Você acha demais, Bella boba". – eu disse acariciando seu queixo, e seu rosto corou instantaneamente. – "Ah, e aqui está o seu presente. Feliz aniversário, Bella." – completei, esticando uma caixinha aveludada.
"Edward, é maravilhoso." – Bella exclamou analisando o colar. "Isso são diamantes?" – Ela perguntou arregalando os olhos. "Eu não posso aceitar, Edward."
"Shh... pode e vai. Eu me lembrei de você assim que vi esse pingente. E não via a hora de poder vê-la com ele. Você não vai me fazer essa desfeita, Bella."
Dizendo isso dei a volta e parei atrás dela, enquanto Bella levantava os cabelos para que eu pudesse abotoar o colar em seu pescoço. Não sei se foi a minha respiração em seu pescoço ou o simples roçar de minha mão em sua pele, mas um arrepio percorreu todo o corpo dela antes de Bella soltar os cabelos e se virar novamente para mim, buscando a aprovação em meus olhos.
"Perfeito, como eu imaginei."
"Obrigada" – ela disse, me abraçando com força. "Por tudo... pelo colar e também por estar aqui, comigo."
"Eu sempre estarei." – respondi, levantando o queixo dela com o dedo e fitando-a nos olhos.
É difícil precisar de quem partiu a iniciativa. Nossos olhos estavam vidrados um no outro e, pouco a pouco, fomos nos inclinando mais e mais até que nossos rostos se encontravam a milímetros de distância, e logo não havia mais impedimento algum. Nossos lábios se encontraram de forma tímida, como que se conhecendo. Ela abriu ligeiramente a boca e eu aproveitei para sugar o seu lábio superior enquanto ela mordiscava ligeiramente meu lábio inferior. Pedi passagem com minha língua e prontamente fui atendido. O beijo seguiu calmo, como se nada mais importasse no mundo a não ser nós dois e os sentimentos que nos rodeavam. Aos poucos nos afastamos novamente, em busca de ar.
Permanecemos em silêncio por longos segundos, até que as vozes dos convidados e de Renée nos despertaram. Pude ouvir um longo suspiro sair da boca de Bella enquanto sua face transparecia cansaço. Definitivamente ela estava linda, mas não era a personificação daquilo que se espera de uma aniversariante.
"Edward?"
"Hum?"
"Eu..."
"Shh... não diga nada, Bella."
"Mas Edward, nós... o que... o que foi isso?"
"Um beijo."
"Ora, isso eu sei. Mas por que você me beijou?"
"Porque eu senti vontade. Na verdade, há tempos que eu venho querendo fazer isso. Eu gosto de você Bella, e não apenas como amigo. Mas se você não sentir o mesmo eu... eu me contento em ser apenas seu amigo. O que não dá, Bella, é pra ficar... "
"Edward, dá pra calar a boca por um instante?" – ela perguntou, fingindo impaciência. – "Eu também gosto de você... Mas como tinha certeza de que você nunca olharia para alguém como eu, acabei ficando na minha e..."
Só que ela não conseguiu terminar sua frase, pois num segundo sua boca foi tomada pela minha em um beijo bem mais intenso do que o anterior. Nossas línguas duelaram como que querendo suprir o tempo perdido, mas mais cedo do que gostaríamos nossos lábios se separaram parar recuperarmos o fôlego.
"Bella?" – eu chamei, enquanto depositava pequenos beijos pela sua bochecha.
"Quê?"
"Eu prometi à sua mãe que te levaria para a sua festa. Mas antes, você pode me dizer por que está escondida aqui dentro dessa casinha de boneca enquanto sua festa de 18 anos acontece lá fora?"
"Isso é coisa da Renée. Eu não queria festa nenhuma. Esse vestido é horrível, e eu não conheço a maioria das pessoas. Além do mais, minha mãe cismou que à meia noite eu tenho que dançar com o meu namorado. Mas ela "esqueceu" que eu não tenho um namorado, ou seja, de qualquer forma eu irei passar vergonha. Se não dançar, porque Renée ficará possessa; e se dançar, porque sei que desajeitada como sou vou me esborrachar no chão." – ela disse, com os olhos cheios d'água e fazendo bico.
"Ei, olha pra mim" – falei, puxando o rosto dela na minha direção e secando uma lágrima que começara a escorrer pela bochecha. – "Em primeiro lugar, seus amigos estão todos lá fora e eles vieram para comemorar o seu aniversário com você; em segundo, você já tem com quem dançar a valsa, a não ser que não queira dançar comigo; e eu juro que não te deixarei cair. Tudo é uma questão de quem conduz, e você estará a salvo comigo. E por último, você está linda nesse vestido."
"Você está falando isso só porque é meu amigo e prometeu à minha mãe que me levaria pra lá."
"Não. Eu estou falando porque é verdade. E se de todo você não quiser sair, tudo bem. Eu passo a noite inteira aqui dentro com você, afinal, eu não poderia querer estar em outro lugar."
"Eu te adoro, Edward"
"E eu te amo, minha Bella."
Fim do Flashback
"Edward, pelo amor de Deus, levanta dessa cama e vamos logo."
"Eu não agüento mais, Jasper. Se eu pelo menos pudesse saber que ela está bem, ou que isso vai acabar logo e eu vou poder voltar para junto dela e recomeçar... mas não há mais esperança em mim, meu amigo."
"Edward, confia em mim. Essa guerra não vai durar pra sempre. Eu também deixei uma pessoa esperando por mim lá fora e é por ela que eu vivo cada dia aqui. É por causa da minha Alice que eu ainda não cometi uma loucura. Porque sei que onde quer que ela esteja, ela espera que eu seja forte e que eu lute para poder voltar pra junto dela. Eu não posso garantir que ela esteja bem, mas vou fazer o possível para estar inteiro para ela quando sair daqui. O amor que eu sinto pela minha baixinha é o combustível que eu preciso pra suportar tudo isso de cabeça erguida. Faça do seu amor pela..."
"Bella."
"Faça do seu amor pela Bella o combustível para seguir adiante."
****************
"Was macht ihr hier, schmutzige Juden?"*
Gelei ao ouvir aqueles berros. Jasper tinha razão. O que eu estava fazendo com a minha vida? E principalmente, com a minha imprudência eu estava colocando o meu amigo em risco também. Eu era um infeliz mesmo!
"Nós já estávamos a caminho do galpão, senhor."
"Ich habe nicht fragen woher gehet ihr, aber der Grund, ihr sind immer noch
hier"*
"Was ist denn hier los, Kumpel?"* - perguntou um outro soldado, se aproximando do primeiro.
"Ora, ora, se não é Edward Masen. Que prazer voltar a vê-lo, Masen."
"Pena que eu não posso dizer o mesmo, Newton."
"Vejam só... as pessoas costumam dizer que a vida é engraçada, e não é que elas têm razão? Você se achava tanto e agora olha só onde você está, seu judeu imundo. E o mais engraçado, pode-se dizer que a sua vida está nas minhas mãos. Hum... definitivamente a vingança é um prato que se come frio. Posso saber porque você e o seu amigo estão aqui ao invés de estarem trabalhando?"
"Deixa o Jasper fora disso, Newton. O seu problema é comigo."
"Que heróico... sempre tão defensor dos outros. Um dia isso ainda vai te custar a vida, Masen. Vamos lá. Para fora. Agora!"
É incrível como algumas pessoas não mudam nunca. Mike Newton, pelo jeito, era deste tipo. Ele tinha necessidade de aparecer e de tentar se impor pela força. Eu imagino que falta de inteligência faça isso com as pessoas. No fundo, eu estava feliz por ele ter aparecido. Qualquer outro iria implicar com Jasper também, mas Newton me odiava tanto que, a essa altura, enquanto o seguíamos para a área externa do campo, ele só estaria pensando em uma maneira de me causar dor.
"E então, Newton? Para onde você está me levando?"
"Engraçado... eu não me lembro de ter te dado permissão para falar, Masen. Mas já que você está tão ansioso, podemos parar por aqui mesmo. Fique de costas, com as mãos pra cima." – Newton ordenou enquanto amarrava minhas mãos no alto do tronco. – "Agora, que tal você relembrar a época em que morava na Alemanha e começar a contar?"
Eins
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Zwei
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Drei
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Vier
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Fünf
A cada número dito em voz alta Mike desferia um golpe com o chicote em minhas costas nuas, descarregando todo o seu ódio no açoite. Aquela era a primeira vez que eu sofria um dos castigos impostos pelos nazistas, mas infelizmente já havia presenciado outros. Eu sabia que seriam no mínimo 25 chibatadas, mas caso algum outro soldado quisesse ter a sua vez na minha punição, ele também teria sua cota de 25, tudo contado por mim. E caso eu errasse a contagem, começaria tudo de novo. Sim, os nazistas eram as pessoas mais sádicas que eu tive a possibilidade de conhecer.
A dor era dilacerante e eu podia sentir o sangue escorrendo pelas minhas costas, mas não daria a eles o gostinho de me ver chorando. Jasper tinha razão, eu tinha que ser forte; por mim, pela Bella e pelos meus pais... Eu iria honrar o sangue deles que corria em minhas veias.
"Você é um rapazinho muito corajoso, sabia? Olha só querido, nosso filho está virando um homenzinho, nem chorou ao cair da bicicleta."
"Parabéns, filho. Eu não podia estar mais orgulhoso de você. Tenho certeza de que você será um ótimo médico."
"Eu não podia estar mais realizada. Eu te amo, Edward."
ein-und-zwanzig
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zwei-und-zwanzig
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drei-und-zwanzig
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vier-und-zwanzig
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fünf-und-zwanzig
Finalmente acabara. Mike me fez recomeçar a contagem do zero três vezes, alegando que não ouvira ou que a minha pronúncia estava com sotaque francês, mas finalmente a tortura chegara ao fim.
"Dessa vez eu fui bonzinho, Masen, mas dá próxima não sei se estarei tão de bom humor assim. Pode ter certeza de que estarei de olho em você. Como eu disse antes, foi um prazer reencontrá-lo."
"Sie da! Setzen Sie dieses dreckige Schwein hier raus!"*
"Beba isso, cara. Você precisa ingerir bastante líquido para ajudar na cicatrização. Eu vou lavar esses ferimentos."
"Não precisa, Jasper. Eu estou bem."
"Que está bem o que, Edward. Se a gente não limpar isso direito, não vai demorar muito a infeccionar. Fique aqui e eu já volto."
Minutos depois e Jasper estava de volta com um pano úmido e um tubinho camuflado de xilocaína.
"Como você conseguiu isso, Jasper?"
"Uma pessoa aqui dentro me devia alguns favores. Agora anda, deixa eu limpar isso."
"Mas Jasper, se te pegam com isso..."
"Nem todos aqui dentro concordam com o regime, Edward. Você só precisa não entrar em atritos e conhecer as pessoas certas. Mas pelo o que eu pude ver, no seu caso vai ser complicado... Esse cara parece ter um ódio mortal de você."
"O Newton é um babaca."
"Fala baixo, cara. Deus me livre alguém te ouvir falando isso. Mas e aí, vai me contar o porquê de todo esse ódio?"
"E você vai me falar do que mais é capaz com esses seus favores a determinadas pessoas?"
"Fechado."
*
*
"Quer dizer então que você e o Newton estudaram na mesma escola na Alemanha, e você chegou bem na hora em que ele ia estuprar uma garota no almoxarifado, fazendo com que ele fosse expulso?"
"Pra você ver. Ele sempre foi um canalha."
"Cuidado, Edward. Uma das coisas que você precisa entender é que aqui dentro nem sempre se pode falar o que pensa. As paredes têm ouvido e um comentário mal interpretado pode te custar a vida."
"Mas e você?"
"Eu cheguei aqui ainda no início, numa das primeiras levas de prisioneiros. O campo era muito diferente do que é hoje, não tinha toda essa estrutura montada. Numa noite um dos soldados passou mal e não tinha nenhum médico alemão para cuidar dele. Um dos coronéis começou a gritar, perguntando se tinha algum médico entre nós e eu me apresentei. Tratei do soldado e de alguma forma ele ficou agradecido, e desde então eu consigo algumas coisas através dele. Ele me arruma cigarros, bebida, alguns medicamentos quando preciso e, de vez em quando, vem até aqui apenas para dar uma olhada e me dizer se Alice está bem ou não."
"Jasper! É isso!"
"Isso o quê?"
"Nós podemos aproveitar esse seu "contato" e tratarmos dos judeus aqui, evitando que eles fiquem doentes e sejam mortos. Vamos criar uma espécie de consultório clandestino."
"Wow... calma aí, cara! Primeiro que eu não tenho como arrumar muito remédio, e depois que algo do tipo chamaria a atenção dos nazistas, e se algo assim é descoberto, nós seremos mortos sumariamente. Não se esqueça que o tal do Newton estará vigiando todos os seus passos."
"Com o Newton eu me entendo. Se ele me matar, a diversão dele acaba. O infeliz vai infernizar a minha vida, mas não fará nada. Cão que ladra não morde. E então, Dr. Whitlock? Topa ser meu companheiro nessa empreitada? Eu tenho certeza de que a sua Alice ficaria orgulhosa."
"Isso é golpe sujo, Edward. Invocar a lembrança da minha Alice é golpe baixo. Mas tudo bem... eu topo."
"Eu nunca disse que jogava limpo, Jasper. Até porque, aqui dentro, cada um luta com as armas que tem."
"Gostei de ver, é assim que se fala. Vamos mostrar para esses alemães que burros são eles, e que nós podemos ludibriá-los bem debaixo dos seus narizes."
E pela primeira vez em quase dois meses de confinamento eu não tinha apenas a lembrança de Bella para me impulsionar. Eu tinha um projeto, e mais do que isso – eu tinha a certeza de que não seria apenas Alice que ficaria orgulhosa quando tudo isso chegasse ao fim.
Was macht ihr hier, schmutzige Juden? = o que vocês estão fazendo aqui, seus judeus imundos?
Ich habe nicht fragen woher gehet ihr, aber der Grund, ihr sind immer noch hier. = não perguntei para onde estão indo, mas a razão pela qual vocês
ainda estão aqui.
Was ist denn hier los, Kumpel? = o que está acontecendo aqui, companheiro?
Sie da! Setzen Sie dieses dreckige Schwein hier raus! = Ei você! Coloque esse porco imundo para fora daqui.
Olha eu aqui de novo!!! E aí, o que acharam do capítulo? Eu sei que foi tenso... mas não tinha como ser diferente... se servir de consolo, eu chorei muito enquanto escrevia... Espero que tenham gostado do POV do Edward e da surpresinha com o POV do Jasper. Eu simplesmente amo a Alice e o Jasper, então eles serão bem ativos nessa fic também!
Acho que agora deu para entender por que eu coloquei Edward Senior e Elisabeth como os pais do Edward né? Eu já tinha na cabeça que os pais dele seriam mortos e eu simplesmente não conseguiria matar Carlisle e Esme dessa forma. Podem esperar porque eles dois ainda aparecerão na fic... eu não esqueci deles!
Ah, o que vocês estão achando dos flashbacks? Eles ajudam ou vocês acham que acaba ficando confuso? A minha idéia com eles é ter a chance de intercalar os momentos tensos, com momentos felizes ou fofos dos dois! Está dando certo?
Resposta das reviews:
Pandora A.: oi flor! Que bom que está gostando! Sim, os capítulos estão tensos, mas eu prometo tentar sempre intercalar com momentos fofos (como aquele do piano) nos flashbacks. Palavra de escoteiro rsrsrs bjusssss
Carolina Almeida: own flor... fiquei toda viada com o elogio!!!! :D Com certeza... essa parte da história é horrível mesmo... o ser humano é capaz de coisas inacreditáveis... Brigadinha pelo carinho! Bjussss
Alline Viana: oi florzinha!!!! Não, o Emmett é apenas o melhor amigo do Edward e acabou virando amigo da Bella também. ushuahsuahsuahushaua pois é, eu não resisti. Não tinha outro para fazer esse soldado horrendo, que não o Mike!!! Que bom que você está gostando! Bjussss
Camilinha EGO: é amora... esses primeiros capítulos serão bem tristes mesmo. Mas não tem como retratar essa época de outra forma né? Quanto ao Mike... eu só posso dizer que você terá ainda mais motivos para odiá-lo. Ele realmente será um FDP nessa fic. Espero que a ansiedade pelo POV do Ed tenha valido a pena e você tenha gostado! Bjussss
Gabi Pattinson: oi flor! Não li não, mas já me falaram muito bem dele. Está na minha lista! :D Pois é, ninguém pensou no Emmett... mas desde o início, quando a idéia louca dessa fic surgiu na minha cabeça, eu já tinha a idéia de que o Emmett seria quem a encontraria e seria a pessoa que levaria a Bella para a Resistência. E quanto ao Mike, a idéia veio enquanto eu escrevia. Não tinha outra pessoa para eu colocar nesse personagem! Que bom que você está gostando! Bjussss
Jessy Moreno: oi flor, que bom que está gostando! Espero que tenha gostado dos POVs! Bjussss
Rafaela Nunes: ushuahsuahushaushua oi amora!!!!
Bem meninas, obrigada por todas as reviews e também a todos que estão colocando a história em alerta e como preferida. Vocês não imaginam como fico feliz a cada mensagem que chega na minha caixa de e-mail.
Prometo que tentarei ser mais rápida com o próximo capítulo! E a única coisa que eu posso adiantar é que o níver da Bella foi tão tenso para ela quanto foi para o Edward!!!
Bjussss e até lá!
