Capítulo 4 – Um casal de namorados

Um novo dia nascia no Japão. O sol ainda nem tinha aparecido, mas o céu já começava a ganhar o colorido especial da aurora. Seiya abriu os olhos e uma sensação de felicidade pareceu percorrer todas as células do seu corpo, pois Saori estava ali, dormindo tranqüilamente em seus braços, parecendo um anjo. Algumas horas antes ele a tinha salvado de Jabu, que tentara abusar dela, e finalmente pôde abrir seu coração para a garota. Deitados sob as estrelas, eles conversaram até que Saori, cansada da viagem que tinha feito, acabou adormecendo nos braços do amado.

"- Saori, você se lembra daquela noite em que foi seqüestrada por Jamian de Corvo?

- Lembro... Eu desmaiei e quando acordei estava com você...

- Foi naquela noite que eu percebi o quanto você é importante pra mim...

- Seiya, tenho que te dizer uma coisa. Naquele dia eu tentei te beijar, mas a Shina me impediu...

Seiya a beijou e disse sorrindo:

- Ninguém vai te impedir de fazer isso nunca mais...

- Seiya...

- Apesar de tudo, hoje acabou sendo um dia ótimo, não foi?

Saori não respondeu. Tinha adormecido. Ele a beijou na testa cuidadosamente, para que ela não acordasse. Olhou para as estrelas. Mais uma vez tinha Saori nos braços debaixo delas, mas, desta vez, não havia preocupações em sua mente. Acabou dormindo ali, abraçado a ela."

Ele a pegou nos braços e a levou até a mansão para que pudesse deixa-la descansando em seu quarto. A casa estava uma bagunça e todos pareciam já ainda estar dormindo. Ele a deitou na cama dela e a cobriu carinhosamente com um lençol. Desceu as escadas para ir para casa e encontrou Tatsumi e outros empregados começando a faxina.

- Tatsumi, quanto tempo! – cumprimentou Seiya sorrindo. Sabia que o fiel mordomo de Saori não ia com a sua cara.

- Que bagunça vocês fizeram na casa da senhorita! – disse Tatsumi zangado – Só podiam mesmo ser esses moleques pra deixar a casa assim! Onde está a senhorita? Disseram que ela não voltou para casa esta noite!

- Relaxa, Tatsumi. A Saori está dormindo no quarto dela, acabei de deixa-la lá.

- Ora, seu!

- Falou aí! Até mais tarde!

- Até mais tarde? Mais que moleque atrevido!

Tatsumi fazia questão de não esconder a antipatia a Seiya e aos outros – principalmente a Seiya -, mas tinha que "aceita-los" na mansão, já que eram amigos de Saori.

No caminho para casa, Seiya pensava em como tinham sido bons aqueles últimos dias. Quando chegou a seu pequeno apartamento, que ficava de frente para o mar, ele deitou-se em sua cama e dormiu. Não havia percebido, mas alguém o seguira desde a mansão.

Alguns dias se passaram. Seiya passou a freqüentar mais assiduamente a mansão, para poder passar o dia com seus amigos e principalmente com Saori. Shunrei insistia em continuar morando no orfanato, por isso Shiryu ia visitá-la no orfanato sempre. Numa clara manhã de domingo, Saori resolveu organizar uma festinha na piscina para os amigos. Fazia calor naquele dia. Quando Seiya chegou, como sempre atrasado, Saori o esperava enquanto tomava sol (usando um protetor solar fator 50) e o resto dos amigos se divertia jogando pólo-aquático na piscina. Saori o recebeu com um beijo.

- Desculpe a demora. – disse Seiya sorrindo

- Tudo bem, amor, a gente te conhece bem... – disse ela sorrindo e o beijando novamente.

Seiya mal podia acreditar no que via. Usando um biquíni pink, Saori revelava seu corpo, sempre oculto pelos longos vestidos que usava. Com os vestidos ela parecia uma princesa, mas daquele jeito ela realmente mostrava que era uma bela mulher. Saori percebeu que Seiya a observava atentamente e seu rosto corou.

- Você gostou? Eu comprei ontem...

- Claro que sim! Você está linda!

- Ei, Seiya! – interrompeu Hyoga gritando da piscina – Vem jogar com a gente!

- Vamos? – ele perguntou para Saori

- Vamos sim!

Eles se dividiram em dois times: Seiya, Saori, Hyoga e Fleur jogavam contra Shiryu, Shunrei, Ikki e Shun. Os garotos prestavam atenção para não jogar com muita força para as meninas, mas entre eles, a diversão de um era tentar afundar os outros com as boladas. Ikki, porém, sempre defendendo seu irmão, fazia questão de "se vingar" das boladas que caíam nele.

A manhã passou rapidamente enquanto todos se divertiam jogando. Todos estavam felizes, especialmente porque, naquele momento, eram apenas um grupo de amigos se divertindo juntos. Depois de jogarem até cansar, saíram da piscina para almoçar. No caminho da piscina até a casa, as garotas foram na frente e os garotos iam, estrategicamente, um pouco atrás delas, conversando:

- Que chato Ikki! Minha cabeça já está é doendo de tanta bolada! – Seiya reclamava de brincadeira

- Foi mal! Não tive a intenção de machucar ninguém... – mentiu Ikki sorrindo. Ele percebeu que Seiya falava com ele, mas não tirava os olhos de Saori. – Cuidado, senão ela seca!

Os demais riram da brincadeira.

- Ela é maravilhosa...

- Realmente... – Ikki provocava o amigo

- Ah, pode parar! Vocês tratem de achar outra "paisagem" pra olhar! – disse Seiya com ciúmes

- Que é isso, cara? – disse Hyoga rindo do jeito do amigo - O Ikki pelo jeito ta ocupado demais protegendo o irmãozinho, eu tenho a Fleur e o Shiryu tem a Shunrei, não é? – ele deu uma cotovelada em Shiryu

- Ahn? Como? Desculpe, eu não estava prestando atenção. – disse ele

Shiryu estava mesmo distraído, na verdade, estava concentrado em um problema maior que uma bela "paisagem" para se olhar. Desde o fim da festa de boas-vindas de Saori, quando a euforia do começo do namoro com Shunrei passara, ele sentia como se algo não estivesse certo. Shunrei era ótima, era tudo que ele poderia desejar: era bonita, companheira, uma verdadeira amiga e, com certeza, o amava verdadeiramente... Então por que ele sentia isso? Ao invés de deixa-lo feliz, os encontros com Shunrei no orfanato o deprimiam um pouco. Nem sequer beija-la ele conseguia direito e tinha medo de que ela encarasse isso como uma rejeição.

Ele estava confuso... Não fora isso o que sempre quis? Poder beija-la e abraça-la como um namorado? Será que as circunstâncias o haviam feito confundir as coisas entre eles? Ele olhou para Shunrei, que ia conversando com as outras garotas um pouco à frente dele e dos outros. Não tinha dúvidas de que a amava, mas talvez esse amor que sentia por ela não fosse o de um namorado...