Os bordéis fervilhavam. Em noites quentes como aquela que estava fazendo, a maioria dos homens ia procurar diversão nas casas noturnas. Entendo isso, ele observou o pequeno arsenal que colocara sobre a mesa. Algumas facas, tesouras, pinças. Conseguira tudo aquilo com um antigo açougueiro. Pensando por alguns segundos, ele optou pela tesoura de ponta arredonda e pela faca de gume saliente. Os guardou em um velha bolsa de couro e saiu do casa.
Com a capa negra, era impossível que lhe vissem. Mas Jack tinha seus motivos para se precaver. Por isso, a cada movimento, ele escondia-se atrás de algo. Sabia muito bem que a polícia de Dunny Coast estava louca e desesperada, à sua procura. Mas duvidava sinceramente que o encontrassem. E se caso o fizesse, ele tinha a quem culpar.
O bordel Touched não era muito famoso, ficava próximo demais da saída do bairro. Mas a dona era uma verdadeira lenda. "Black Penny" era uma morena fogosa, que em seus 40 anos, não havia perdido o charme. Porém, ultimamente, estava aposentada. Parecia que a saúde estava enfraquecendo. Natural, já que todas as prostitutas não viviam mais de 50 anos. Charity mandara que ele realizasse o assassinato de tal mulher porque ela era bastante influente no submundo. Se Sakura não administrasse o Candy Pleasures, "Black Penny" seria uma forte candidata a ocupar o posto.
Em sua forma esguia, ele conseguiu sair das ruas mais cheias e se movimentar apenas pelos becos. Seus olhos observavam o apartamento pequeno em que a vítima morava. Olhou para todas as entradas. Havia uma escada de emergência que levava até o 2º andar, onde Charity havia dito que ela morava. Sorriu, sarcástico. Apesar do medo de ser preso, adorava a adrenalina que aquelas situações jorravam em seu sangue. Ser assassino não era tão ruim assim. Um novo desafio, afinal, para a sua vida tão parada.
Caminhando nas pontas dos pés, ele aproximou-se da escada e a puxou, de forma que pudesse subi-la. Amaldiçoou o barulho que seus pés faziam no metal enferrujado. Rezou para que a mulher estivesse adormecida. Apesar de gostar de ver a vítima sofrer, não podia se demorar.
Entrou no quarto, não muito diferente dos das outras cortesãs da cidade. Os detalhes em rosa e em vermelho, as roupas a mostra no guarda-roupa. Observou a mulher dormir, serenamente. Colocou a bolsa no chão e tirou dela seus pertences. Aproximou-se da cama e analisou a mulher.
Era mulata, os cabelos fartos em cachos negros espalhados por toda a cama. Vestia apenas uma pequena camisola. Daquela maneira natural, parecia muito bonita. Com a mão esquerda, segurou o pescoço dela. E foi tudo num impulso muito rápido. Ela abriu os olhos castanhos e ao vê-lo, começou a gritar.
"Socorro!!!!!!", a voz melodiosa estava fraca. "Socorro!".
Com a outra mão, tapou os lábios com força. Ela ainda esperneava e se debatia, mas Jack era forte e a estrangulava. A mulher começou a perder a cor, os movimentos começaram a diminuir. Depois de alguns segundos, "Black Penny" estava morta. Ah, mas seria muito simples se fosse apenas isso. Porém, tinha mais o que fazer. Tinha que provar que fora Jack, "O Estripador", que passara por ali.
Usando a faca de gume, ele trilhou, cuidadosamente, um corte do começou do colo até o fim do abdômen. A visão do sangue enchendo a peça de roupa lhe fez ver a intensidade de seus atos. Mas não podia parar. Sua mão, praticamente, o impelia a continuar. Com os dedos esbranquiçados, abriu o corte e observou os órgãos vitais, ainda batendo lentamente.
Calculista, fez como lhe foi mandado. Com a tesoura, retirou o intestino e os rins, os segurando em mãos. Limpou suas armas no lençol sujo, e depois as guardou na bolsa. Em seguida, colocou os órgão em disposição pelo quarto, os prendendo nas portas do guarda roupa e guardando alguns dentro das gavetas do criado-mudo. Lavou as mãos na pequena pia de cerâmica.
Era isso que sentia, ao matar alguém. Uma espécie de preenchimento de vazio que sua alma aparentava acalentar. Durante o dia, era apenas um advogado falido, trabalhando apenas por não ter mais nada o que fazer. Porém, durante a suas noites de ação, ele sentia-se vivo. Parte de um plano. Olhou para o quarto, rubro do sangue de "Black Penny", e sorriu, sarcástico. Não fora seu mais violento trabalho. Mas ainda sim, dava prazer.
"Escutaram?!", uma voz masculina disse, e Jack percebeu a luz de lamparina que se projetava sobre a fresta da porta. "Aconteceu alguma com Penny".
Rápido e silencioso, ele saiu pela janela e desceu as escadarias de metal. Correu pelas ruas de Dunny Coast, mas não antes de escutar um grito agudo vindo do quarto da mulher que matara. Aquele som estridente não o irritou. Era maravilhoso saber que despertava medo no coração das pessoas. Talvez fosse doente, mas ter sanidade e nenhum tipo de diversão não era comparado ao que sentia naquele momento. Respirou fundo ao chegar na sua casa.
Abriu a porta e tirou a capa. Acendeu as luzes e colocou os objetos usados no lavabo. Depois cuidaria disso. Agora, queria apenas descansar.
Passou em frente ao espelho e notou que agora, voltara a parecer um honesto advogado. Incomodado com aquilo, voltou a por a capa sobre os ombros. Fitou novamente o reflexo e gostou do que viu.
"Não sou Montague Jack Druitt", observando o pingo de sangue que escorria por seu dedo, ele o lambeu. "Sou Jack: O Estripador".
Syaoran despertou de seu longo sono, exausto. Pensara em muitas coisas, antes de adormecer. E decidira que tinha que interrogar mais algumas prostitutas e pessoas quem trabalhavam no Candy Pleasures. Levantou-se da cama e sem nenhuma disposição, arrumou os cabelos com um pente e vestiu um casaco por cima da camisa branca de flanela. Saiu do quarto.
Olhou por uma pequena janela e notou o sol se pôr. Deveria ser 5:30 da tarde. Mas o movimento lá embaixo deveria estar grande, porque ele ouvia bastante gritaria e risadas estridentes. Avistou Tomoyo saindo de um quarto, com uma leve maquilagem e uma roupa não muito escandalosa. Sorriu, simpático.
"Sr.Daidouji, está melhor?".
"Muito obrigada pela preocupação, Sr.Li, e estou melhor sim", ela deu um sorriso gentil. "O show da noite será especial. Deveria ir ver".
"Na verdade, eu vou descer até o salão a trabalho. Sabe onde posso encontrar alguma das outras prostitutas?", ele indagou. A jovem fez ar pensativo para depois responder com humor.
"Duvido que os homens deixem você conversar com elas agora que estão se divertindo. Se quer um conselho, converse com elas amanhã, no período da manh".
Syaoran bufou, impaciente. Não gostava daquele lugar assombrado por lembranças. Para cada canto que olhava, via sua juventude. E que não era lá muito agradável. "Bem, então eu... Vou dormir. Depois resolvo isso".
"Ah, não mesmo!", ela puxou seu braço e começou a descer com ele pelas escadarias. "Sakura vai fazer um belíssimo espetáculo esta noite, por isso nem pense em faltar!".
"Mas...".
Seus protestos foram em vão. Logo estava no salão principal do Candy Pleasures, sentado numa mesa bem em frente ao palco. Uma jovem veio atendê-lo, com um sorriso sedutor. Era muito bonita e poderia virar a cabeça de qualquer homem. Mas não deu muita atenção.
"Quer companhia, meu senhor?", piscou as pestanas. Syaoran deu um sorriso frio.
"Sim, a de uma bebida. Vodca".
Ela fez bico, emburrada. "Só da bebida?".
"Só da bebida... O que mais eu poderia querer?", indagou, cínico.
A jovem suspirou, indo buscar sua bebida. O chinês irritou-se ao lembrar de que muitas vezes sentara-se naquela mesa. Colocou a m]ao sobre a testa, sentindo que a qualquer momento poderia explodir. Praguejou.
"Maldita dor de cabeça!".
"Você é Syaoran Li?".
Ele ergueu os olhos e notou um rapaz magro o encarar, não muito amigável. "Depende de quem estiver procurando por ele", disse, irônico. O jovem estreitou os olhos, antes de falar, com a voz irritada.
"Escute, chinês. Não é bem vindo aqui. Permitimos que ficasse porque está ajudando no caso de Tommy, mas nada além disso. Não importune Sakura e não a encha com mais problemas".
"Você, por acaso, é o namorado dela?", novamente usou de seu tom sardônico. "Não preocupe-se, garoto. Não quero nada com Sakura".
"Garoto?", ele repetiu a palavra, zangado. "Quantos anos acha que tenho?!".
"Se quer minha sinceridade, não acho nada. Nem me passou pela cabeça quantos anos pudesse ter. Não me importo. Quem veio me importunar foi você. Agora, me deixe em paz e vá embora. Lugar de criança é na escola".
"Ora, seu...!".
"Matt! Vamos começar!", uma voz melodiosa chamou, e o rapaz recuou, mais calmo. Syaoran reconheceu que a voz de Sakura.
As luzes principais se apagaram, deixando apenas alguns efeitos de cor rosa. As cortinas vermelhas ergueram-se muito lentamente, seguidas por palmas e vários assobios. Aquele jovem com quem tivera um pequeno desentendimento estava sentado em frente a um piano, e com dedos bastante habilidosos, começou a tocar uma melodia de ritmo meloso. Os olhos dourados de Syaoran voltaram-se para o meio do palco, estacando ao ver a figura esguia aparecer. Vestida com um provocante corpete vermelho e com uma saia na altura das coxas, de cor negra, Sakura sorria, um sorriso que convidava. Os olhos verdes brilhavam, refletindo as lamparinas que, do nada, centraram-se nela.
"Boa noite, cavalheiros", ela os cumprimentou com uma reverência. "Estão prontos para uma noite de diversão?", diante dos gritos de aprovação deles, ela deu um largo sorriso, começando a balançar o quadril a som sensual da música. A voz, como mágica, alcançou os ouvidos de Syaoran.
O amor é um pássaro rebelde
Que nul ne peut apprivoiser,
Que ninguém pode prender
Et c´est bien en vain qu´on l´appelle,
Não adianta chamá-lo
S´il liu convient de refuser.
Pois só vem quando quer
Rien n´y fait, menace ou prière,
Não adiantam ameaças ou súplicas
Um fala bem, o outro cala-se
Et c´est l´austre que je préfere,
É outro que prefiro
Ill n´a rien dit, mais il me plait.
Não disse nada, mas agrada-me
Desceu do palco, recebida com inúmeros assobios. E sempre maliciosa, com os olhos brilhando da maldade boêmia a quem as prostitutas eram sentenciadas. Passou por ele sem olhá-lo, e ele também fingiu ver outro ponto do salão. Mas os olhos do seu coração estavam atentos, grudados naquele corpo, que com charme e agilidade, estavam enlouquecendo sua cabeça. Sakura sentou-se no colo de um rico e bonito cliente, e aproximando seu rosto do ouvido do mesmo, recomeçou a cantar, num ritmo mais calmo e muito mais envolvente.
O amor é filho da boêmia
Ill n´a jamais connu de loi;
Que nunca, que nunca conheceu qualquer lei
Si tu ne m´aimes pás, je t´aime;
Se não me amares, eu te amarei
Se eu te amar, tome cuidado
Quase colocando o pobre homem a loucura, Sakura deu um estalado beijo nos lábios do mesmo, pegando com a jeitosa mão, notas de dinheiro do bolso do cliente. Guardou-as no decote e disse, sedutora.
"Quem mais quer fazer uma doação para mim?".
A maioria dos homens ergueu as mãos, e ela passou, recolhendo o dinheiro e permitindo que eles a tocassem onde desejassem, encarando a todos com um sorriso divertido. Enquanto isso, o sangue de Syaoran fervia, o deixando nervoso, irritado. Queria sair, mas o perfume que ela deixara, no momento que passara ali, impregnara suas narinas. Estava enfeitiçado. E sentia-se podre por estar sentindo aquilo por uma cortesã.
A jovem subiu ao palco, e Syaoran a olhava, perfeita. A voz, tão melodiosa, enchia os seus ouvidos com a música que ele desconhecia, mas que se tornava mágica. Os lábios, rubros e cheios, mexiam-se a aquele som. E o corpo, balançava num ritmo doce, mas nem por isso menos atrevido. Os homens a olhavam, enlouquecidos. Vibrando de desejo. E Syaoran envergonhava-se de não ser uma exceção.
O pássaro que julgavas surpreender
Bateu asas e voou
O amor está longe, podes esperá-lo
Já não o esperas aí está ele
"Temos um convidado especial essa noite, senhores!", o dedo enluvado apontou para Syaoran. "Uma salva de palmas para nosso detetive Syaoran Li".
Todos os homens baterão palmas, como cachorrinhos a obedecer a uma ordem da dona. Nervoso, a encarou, os olhos ardendo de raiva por estar sendo exposto a aquele tipo de humilhação. Sakura desceu novamente do palco, debruçando-se sobre sua mesa e dizendo próxima ao seu ouvido, divertida.
"Está emburrado, detetive... Deveria se divertir mais, como todos os homens".
"Eu não sou como todos os homens, Sakura", ele sussurrou também, afastando-se para não sucumbir a tentação de tocar nos cachos ruivos tão próximos de seus dedos.
"Percebe-se", ela sorriu. "Só estou tentando tornar sua estadia aqui mais agradável".
"Não tente o impossível, Sakura", ele disse, firmemente. "Enquanto estiver do lado de mulheres que vendem seu corpo por dinheiro, não estarei tranqüilo e muito menos relaxado".
Ela o encarou, os olhos piscando, confusos e bastante chocados. Ele resistiu ao desejo de pedir desculpas, pois ela parecia estar seriamente magoada. Tentara ser uma boa anfitriã e fazer com que ele se enturmasse, só que não entendia a gravidade do que estava fazendo. Já entrara naquele antro uma vez e saíra ferido. Agora, queria preservar alma, corpo e coração. Sakura logo desviou o olhar e subiu ao palco, como se nada tivesse acontecido.
"Bem, parece que nosso convidado não está com muita vontade de se divertir essa noite", ela nem ao menos o olhava. "Mas ainda tenho muitos homens que adorariam se divertir, não é???".
Os homens gritaram, concordando, e ela sorriu, satisfeita. Foi aí que Syaoran tocou-se do que fizera. Sakura era uma prostituta. Acostumada a ser aceita e também a ser rejeitada. Aquelas palavras provavelmente não surtiram efeito nela.
Tount autour de toi vite, vite,
À tua volta, depressa, depressa
Il vient, s´em va, puis il revient,
Tu crois le tenir, il t´évite;
Julgas tê-lo apanhado, ele te escapa
Tu crois l´éviter, il te tient.
Julgas que te fugiu, ele agarra-te
L´amour est enfant bohéme,
O amor é filho da boêmia
Il n´a jamais connu de loi,
Que nunca conheceu qualquer lei
Si tu ne m´aimes pas, je t´aime;
Se não me amares, eu te amarei
Se eu te amar, toma cuidado
Syaoran a observou se curvar, arfante. Todos os homens aprovaram o show. E ele sabia que também gostara muito. Sakura era uma mulher diferente. Apesar de ser uma prostituta, não lhe causava nojo. Causa um nervosismo que nem Charity não despertava nele. Ela sumiu nas cortinas, seguida pelo pianista. O chinês recostou-se na cadeira e observou o copo na mesa. Deu um sorriso irônico. De tão concentrado que ficara em Sakura, não notara que a sua bebida chegara faz tempo.
Com um algodão e água, Sakura limpou o suor que caía em gotas por sua testa. Jamais ficara tão nervosa em uma apresentação. E sabia bem porque. Syaoran lhe causava o famoso frisson. E ela não estava costumada com isso. Mas agora que via o quanto ele era grosso e arrogante, estava mais calma. Não precisava se esforçar para agradar uma pessoa que não queria ser agradada. Tirou o excesso de maquilagem e a retocou. O reflexo do espelho mostrou Matt, a olhando, irritado.
"O que foi, Matt?".
"Aquele maldito estrangeiro!", bufou. "Teve a audácia de me chamar de garoto!".
"Ah...", Sakura sorriu, graciosa. "Mas você tem o rosto de um jovem estudante, sim!".
"Sakura!", Matt a repreendeu, mas com um tom divertido.
A japonesa voltou a se concentrar na sua produção, ajeitando o decote e a saia. Olhou os cachos que formavam uma manta sobre seus ombros e suspirou.
"Seus cabelos são lisos, não são?".
"Sim, são", e Sakura preferia deixar eles daquele jeito. Porém, o padrão da época determinava que as mulheres da vida deveriam ter os cabelos fartos e cacheados.
Matt disse, sem graça. "Prefiro você de cabelos lisos. Você fica... mais linda ainda".
"Obrigada", ela agradeceu.
"Sakura, Sakura!!!".
Ela virou-se para Kate, que entrara correndo, arfante. "Qual o problema?".
"Tem um japonês que está te procurando!".
Japonês? O que um japonês poderia querer com ela? Levantou-se, seguida pelos dois amigos, e foi até o salão principal, bem mais vazio e tranqüilo. O movimento estava bem mais calmo. Esperando, altivo, um homem de feições forte e tez morena, vestes de muito boa qualidade, olhava para ela. Um aperto no coração se formou, e ela não soube explicar porque sentia uma imensa vontade de chorar. Se aproximou, cautelosa.
"Você é Sakura, filha de Kelly?", ele perguntou, com a voz meio fria, meio decepcionada.
"Sim, sou eu".
Uma figura saiu de trás do homem e pulou nos seus braços, com carinho e afeto. Sakura, sem saber o que fazer, fitou a menina de cabelos negros, que sorria e chorava com emoção. Olhou para os lados, notando as prostitutas a encararem, confusas. Syaoran também estava lá, estranhando tal situação.
"Mas... Mas...".
"Irmã, finalmente te achamos!", a menina esperneou, a abraçando com mais força ainda.
Seu grito foi abafado pelo grito de inúmeras garotas e dos outros homens. O japonês puxou a irmã de volta, irritado.
"É... eu deveria ter mesmo pensando nessa possibilidade...".
"Eu sou Meiling Kinomoto!", a menina disse, sorridente. "E esse é Touya, meu irmão. Somos filhos de Fujitaka Kinomoto!".
A cortesã não soube o que dizer. Tomoyo se aproximou, e segurou sua mão, tão pasma quanto ela. Touya olhou para as duas garotas, com um ar frio e muito distante. E aquilo parecia ser mesmo, muito distante, até para Sakura. Acordara aquela manhã pensando seriamente que estava sozinha no mundo, e de repente, tinha uma irmã e um irmão. Não estava enganada. Kelly jamais omitira o verdadeiro nome de seu pai. Gaguejando, ela replicou.
"D-deve haver algum engano, senhor...", ela sabia que não havia nenhum, mas negar a verdade era muito mais fácil de que aceitar que fazia parte de uma família que não fossem as pessoas do Candy Pleasures.
"Quem dera que fosse um engano, srta... Se é que posso te chamar de uma".
Sakura o olhou, com a cabeça baixa. Aquela era a noite das humilhações, não é mesmo? Primeito Syaoran, depois seu suposto irmão. A maioria das pessoas notou o clima esquisito e voltou a cuidar de seus próprios afazeres. Só ficaram reunidos Sakura, seus irmãos, Syaoran, Tomoyo, Matt e Kate. Sem saber o que falar, a japonesa remendou.
"Esse são...", apontou para as pessoas do seu lado. "Syaoran, um detetive, Tomoyo, minha prima, Matt, o pianista e minha protegida, Kate".
"Escute aqui, jovem", Touya disse, bastante antipático. "Não estou interessado em ficar aqui na cidade. Vim aqui com o intuito de saber que era a bastarda que meu pai havia colocado no mundo, e descobri. Mas presumo que não irá querer sair de seu 'mundinho' para se juntar a alta sociedade do Japão, porque não saberia se comportar. Então, acho que agora posso descansar em paz, não posso?".
"Touya!", Meiling gritou. "Como pode falar assim com minha irmã? Ela é filha do nosso pai, não importando que profissão exerce!".
"Não levante a voz para mim, Meiling!", o japonês disse, irritado. "Já não basta o fato de ter uma concubina como irmã, ainda quer defendê-la?! E chama isso de profissão, Meiling? Vender o próprio corpo por dinheiro é uma profissão?!".
"Escute, sr.Touya", Sakura os interrompeu, voltando a atenção deles para si. Respirou fundo e disse calmamente. "Podemos ter o mesmo sangue, mas isso não quer dizer que tenhamos que nos reconhecer como irmãos. Não precisam me levar a nenhum lugar. Fujitaka deixou de ser meu pai a partir do instante que abandonou minha mãe, portanto...", ela olhou para os amigos. "Minha única família é aquela que me aceita pelo o que eu sou".
"Mas... E eu? Eu queria realmente ser a sua irmã!".
Sakura encarou Meiling com olhos doces. Aquela criança tinha uma inocência e mesmo sabendo que a ruiva era uma prostituta, a aceitava com todo o seu amor fraternal. Aproximou-se da pequena e se ajoelhou, tocando o rosto dela com carinho.
"Eu também adoraria ser sua irmã, minha querida. Mas há circunstâncias em que é melhor esquecer. Me desculpe por estar fazendo você passar por tudo isso".
"Ah, não precisa se desculpar...", Meiling sorriu também.
"Com licença, Sr. Touya", Tomoyo disse, com uma voz gentil. "Sakura está a muito tempo aqui. Por que só agora vieram buscá-la".
"Porque só agora eu tomei coragem de aceitar a realidade como ela é, prostituta. E você não faz parte da minha família, por isso, não dirija a palavra a mim".
A jovem de cabelos negros o estudou por longos segundos, o incomodando com aquele olhar, mas por fim, suspirou pesadamente, e com bastante tristeza. Syaoran também não era a favor da prostituição, mas sabia que aquele homem estava pegando pesado demais. "O senhor está ofendendo as senhoritas. Não precisa ser tão rude. Se não quer reconhecer Sakura como irmã, basta ir embora e deixá-la em paz, sem fazê-la passar por tanta humilhações".
"Que moral tem para falar isso, detetive? É tão pervertido quanto essas mulheres, pois veio desfrutar do seus serviços".
Syaoran ia avançar, com os pulsos erguidos em resposta a ofensa, mas a mão delicada de Tomoyo pousou-se sobre seu ombro, e a jovem colocou-se na sua frente, com os olhos rasos de lágrimas. "Ele está aqui porque vai resolver a morte do meu... meu namorado. Não é por razões levianas como está a pensar. E sugiro que lave a boca quando falar de minha prima e de mim, Sr.Touya. Se não respeita teus familiares, nada podemos fazer. Porém, acredito que não aceitará minha prima na sua família. Então, já pode ir, não é?".
Touya piscou os olhos, meio confuso, mas logo puxou o braço de Meiling e se dirigiu a saída. Mas não antes de dizer. "Bem, srta.Sakura... Espero que esqueça o que ouviu aqui. Não somos irmãos, e assim tenho dito. Passar bem".
Sakura assistiu a partida de ambos meio atordoada, sendo amparada por Tomoyo e por Matt. Não conseguia acreditar na metade das coisas que fora obrigada a escutar. Seu coração estava bastante ferido. Mas sua face continuava impassível. O que poderia esperar? Que seu irmão a felicitasse por ser uma prostituta e dissesse que faria de tudo para vê-la feliz? Não, ele jamais faria isso. Por que as pessoas não compreendiam. Fechavam os olhos para esse tipo de situação.
"Você está bem?", Matt indagou, preocupado. Ela deu um sorriso falso, com toda a força que possuía.
"Vou ficar bem, Matt".
O chinês também estava confuso, olhando para aquela moça cheia de coragem e determinação, que apesar de estar abalada, aparentava uma força que provavelmente não tinha. Tentou achar o que dizer, mas se sentia um intruso dentro daquele grupo de amigos que há tanto tempo conheciam Sakura. Tomou o caminho que levava as escadas, com os pensamentos fervendo.
"Syaoran!", Sakura o chamou, ao notar que ele partia. "Espere!".
Correu até ele, com um sorriso sincero no rosto. "Obrigada por ter defendido a mim e minha prima. Não cabia a você fazer isso, mas mesmo assim...".
"Não agradeça, Sakura", ele a interrompeu, bruscamente. "Só disse a verdade".
Mesmo assim, a japonesa sorriu ao vê-lo ir. Syaoran não era aquela poço de frieza que tentava aparentar. Virou-se para os amigos com o mesmo sorriso, tentando ver o lado bom daquela situação estranha.
"Vamos fingir que nada aconteceu".
"Mas, Sakura...", Tomoyo murmurou.
"Sem 'mas', Tomoyo. Temos que seguir, firmes e fortes".
Continua...
Ohayo, Minna-San!
Me desculpem pela grande demora, mas tive provas de recuperação e infelizmente nao conseguiria me concentrar se tivesse que pensar em como escrever também. Mas naõ se preocupem, os capítulos de Ki Ni Naru Aitsu e Magnólia não demorarão. Tentarei fazê-los o mais rápido possível.
Eu gostaria de mandar um obrigada muito especial a MeRRy-aNNe, por ter postando um comentário lá no meu blog! Eu já estou colocando ele mais em ordem, mas se precisar, eu vou pedir a sua ajuda, amiga! E visitem, ele está bem mais organizado! O endereço está no meu profile, mas caso estejam sem vontade de aparecer por lá, aqui vai o endereço: www.kokoronoinumimi.weblogger.com.br.
Vamos aos agradecimentos:
Dark-Saturno: Que bom que voce gostou! Garanto a você que o final será diferente, porque a idéia surgiu desse filme, e não a história. Não utilizarei partes do filme, apesar de adorar Moulin Rouge. Obrigada pelos elogios! Kisu no Jenny!
Yoruki Hiiragizawa: Sim, o Matt vai atrapalhar um pouco sim. Ele é meio parecido com o Yukito, entende? Só que pretendo que ele não goste da Sakura até o fim do fic... Ops, falei mais do que devia. E bem, quanto a sua idéia de qe o Touya e a Tomoyo serão um casal... Não posso afirmar nada, mas não está totalmente errado. Sinto por ter decepcionar. Ah, só porque eu queria que você me chamasse de malvada... U.U Mas duvido que não irá me chamar agora, hein? Obrigada pelos elogios! Kisu no Jenny!
Nelly Chan: Que bom que você gostou, Nelly! É... não sei se leu meu primeiro trabalho, mas se leu, deu para perceber realmente que não deixo Tomoyo ser muito feliz, não. Mas nesse fic, acho que ela vai ter um final diferente sim! Obrigada pelos elogios! Kisu no Jenny!
Miki H: Fico contente que esteja gostando, Miki! E espero também não ter te decepcionado com esse capítulo! Obrigada pelos elogios! Kisu No Jenny!
Nina: Oi, manina do coração! Acredito que não tenha recebido meu convite para fazer um blog junto comigo, não é? O Weblogger é realmente um site problemático. Mas fiquei feliz que pude ler a minha fic! E mais feliz ainda que tenha saído, pelo menos um pouco, de castigo. E sim, eu adoro te surpreender. Não havia comentando com você sobre a filha de Sakura? Eu jurava que tinha dito! Ah, mas você deve estar ansiosa, não é? Logo, logo, vai entrar na minha fic! E não se preocupe! Sua personagem vai sofrer, mas nem tanto assim! E ainda tem o Rafa, viu? Ele espera te conhecer! Estou ajudando ele a ter o MSN! Aí, vocês poderão se conhecer melhor! Obrigada pelos elogios! Kisu no Jenny!
Violet-Tomoyo: Não precisa pedir desculpas não, amiga! Entendo porque passo pelos mesmos problemas que você! Gosto de estudar, mas as vezes, a escola é um verdadeior saco, não é mesmo? É verdade, ninguém esperava que ela tivesse uma filha. Mas achei que seria legal acrescentar ainda mais drama a história, não é mesmo? Sim, tem muitas coisas para serem esclarecidas, mas prometo que vou tentar resolvê-las e tentar não decepcionar ninguém! Obrigada pelos elogios! Kisu no Jenny!
Yume Rinku: Que bom que AMOU o fic, amiga! Você já está sacando bastante coisas, não é mesmo? Mas por enquanto não posso dizer nada, se não vai estragar a surpresa... Ou o que ainda resta dela! Sabe, veio muito momentaneamente a idéia de colocar o Touya e a Meiling no texto. A idéia orginal era colocar apenas o Fujitaka, mas eu pensei que se eu o colocasse... Ah, sei lá, ficaria estranho. Por isso, pus esses personagens que eu tanto gosto! Obrigada pelos elogios! Kisu No Jenny!
Hime: Deixa eu explicar: Fujitaka teve três mulheres: A mãe de Sakura, a mãe de Touya e a mãe de Meiling. Mas todos eles são filhos do mesmo pai, apenas diferem das mães, entendeu? Te deixei surpresa com essa história de Sakura ter uma menina? Ah, espere para ver o que vêm aí! Obrigada pelos elogios! Kisu no Jenny!
Anna Lennox: Não demorou para postar um review não! Eu já fico super contente em ver que você leu, não importa o tamanho do review! Afinal, é uma honra para mim que você leia um fic meu! É uma grande escritora também! Obrigada pelos elogios! Kisu no Jenny!
Lan Ayath: Se estou querendo matar todo mundo de curiosidade? Acho que sim. Sempre fiz isso... Que bom que gostou dessa minha idéia louca... O pai... Bem, nem eu escolhi ainda. Como você disse: Façam suas apostas! Obrigada pelos elogios! Kisu no Jenny!
Carol Higurashi Li: Que bom que te surpreendi, amiga! Era essa a minha intenção. E merece o elogio sim, não tem nem o que me agradecer! Só falei a verdade! E desculpe pela demora, mas acredito que deu para entender o porque de eu ter demorado! Mas espero que me perdoe e que o capítulo compense minha demora! Obrigada pelos elogios! Kisu no Jenny!
AnGeL nAnDa: Poxa, eu não escrevo tão bem assim, não. Sou ainda uma iniciante, é meu segundo fic! Mas você escreve também deve escrever bem, só que ainda não tive a oportunidade ver! Me fale o nome do seu fic e tenha certeza que eu vou dar uma passada lá e deixar um review carinhoso como o seu! Obrigada pelos elogios! Kisu no Jenny!
Bruna: Bruna, me perdoe por ainda não ter mandado os romances, mas é que esses dias tem sido complicados, e você nem imagina o quanto! Mas não desisti, vou mandar assim que puder, provavelmente, amanhã estarei indo ao correio enviar! Não, e não precisa comprar não! Eu te empresto com prazer e deixo você ficar com eles o tempo que quiser! Anotei seu endereço! E já que você se ofereceu, eu gostaria sim de pedir para você me mandar um romance também... A maioria da minha coleção foi jogada fora, não pude salvá-la, só fiquei com os meus preferidos. Mas é uma história muitom muito longa mesmo. De qualquer maneira, obrigada pelos elogios! Kisu no Jenny!
Alexiel: Oi, mana querida! Fico contente que tenha gostado tanto assim do meu fic! E concordo com você quando diz que a Charity é realmente uma p! Mas acho que no fim, ela vai ter o que merece. O Syaoran está sim, bastante diferente nesse fic! Mas você o adora agora, tenho certeza que daqui a algum tempo, vai querer estrangular o nosso chinesinho! E gostou do Matt??? TDB2? Ah, mas espere para ver o que irá acontecer com esse nosso inglês! Ainda vai ter muitas e muitas surpresas! Obrigada pelo Elogio! Kisu no Jenny!
Anaisa: Como você pediu, vou fazer o possível para ler a sua fic sim! Seria um grande prazer! Deixei você surpresa? Ah, não foi a única! Malvada??? Eu??? Fazendo cara de inocente Obrigada pelos elogios! Kisu no Jenny!
Bella-Chan: Não gostou da Charity? Bem, devo dizer que ela é um tanto 'nojentinha'... Para ser sincera, ela é a pior que a Kaho, no meu antigo fic. Mas eu estou gostando que vocês não gostem dela! Essa era a minha intenção? É o Matt vai sofrer bastante ainda. Mas não posso dizer com quem ele vai ficar. Obrigada pelos elogios! Kisu no Jenny!
MeRRy-aNNe: Bem, já agradeci o comentário que você deixou para mim lá no blog, não é? Espero que tenha gostado desse capítulo! Obrigada pelo elogios! Kisu no Jenny!
Kikyou Prietess: Sim, sim, tem outro romance em que o sobrenome da 'mocinha' é Sinclair. Chama-se: O Destino Quis Assim. É muito bonito e com certeza um dos meus preferidos! Mas que legal saber que você também curte esse tipo de leitura! Eu leio faz bastante tempo, mas tive que doar algusn dos meus romances, prque eu tinha mais de 78 exemplares, entende? Obrigada pela propaganda, mas não precisava! Aliás, eu vou fazer propaganda do seu também, só em agradecimento! Obrigada pelos elogios! Kisu No Jenny!
E aí, gostaram do capítulo??? Espero que sim. Mas não pensem que eu vou deixar a situação da família Kinomoto desse jeito! Querem saber mais? Só lendo o próximo capítulo.
Propapaganda básica:
Anjos de Luz: Fic muito bem escrito pela minha grande amiga Rafinha Himura Li, que conta com um elenco sensacional e com uma história maravilhosa, que prende muito nossa atenção. Fale a pena conferir!
Crimes da Sombra: Essa daqui é da minha novíssima amiga Kikyou Prietess, super bem feito e com um gramde mistério que faz você quebrar a cabeça! Vale a pena conferir, com toda a certeza!
Bem, então é isso! Espero que tenham gostado!
Kisu no Jenny-Ci!
Ja Ne!!!
