THE MALFOYS: SAY MY NAME

Disclaimer Joanne Kathleen Rowling é a legítima dona dos personagens e elementos do best-seller Harry Potter. Pandora Black (eu) é a dona dos Clãs Vampíricos, dos personagens originais e de toda a trama. É necessária permissão para usar os Originais e os Clãs.The Malfoys: Say My Name faz parte do projecto My True Family (ver profile).

Warnings Muitos personagens Originais e OoC. Muitas mortes, acontecimentos inesperados e acções inimagináveis. Sexo explícito detalhadamente descrito. Mortes detalhadamente descritas. Albus Dumbledore é manipulador. Os Malfoys são bons. Os Weasleys – excepto os gémeos e Charlie – são invejosos e cruéis ou indiferentes (Bill, Arthur, Molly e Percy). Hermione é uma enciclopédia faladora e invejosa. Severus Snape é bom. Sirius é paternalmente incrível e infantil. Remus é um doce, mas rabugento. Charlie tem um lado novo. Bellatrix e os irmãos Lestrange são uns anjinhos. Andromeda é uma Black autêntica e Nymphadora tem dupla personalidade e protagoniza um papel de irmã mais velha para o/a protagonista. Kingsley é um bombom. Draco é um príncipe rebelde. Dahlia é uma adolescente com TPM (mais adiante, vão ver!). UA.


Three: Tolerance

Um Dia Depois

Pop.

Os pássaros levantaram voo e as folhas das árvores assobiaram, movimentando-se em sincronia com o vento. Remus Lupin e Nymphadora Tonks apareceram-se em plena rua, frente à deslumbrante mansão Malfoy. A Auror estava séria, usava a túnica dos Aurores e o seu cabelo estava obscuro e combinavam com os olhos azuis. O outro, por sua vez, usava um conjunto de vestes velhas e negras, todavia, vestes boas e limpas; o seu aspecto facial estava um pouco cansado – a lua cheia aproximava-se –, mas um brilho curioso de ansiedade cintilava nos seus olhos dourados.

Tonks bufou com desprezo ao encarar os altos portões de ferro negro.

As duas portas estavam lacradas com o símbolo dos Malfoy: duas serpentes que formavam um elegante M prateado e com esmeraldas implementadas em toda a figura, sendo três em cada traço.

Nunca gostou dos Malfoy e estava-lhe a ser muito difícil aceitar aquilo. Ela gostava de Harry e, interiormente, desejava que essa revelação catastrófica fosse mentira, pois seria um desperdício se um jovem puro se tornasse uma aberração platinada. Podia estar a ser egoísta, mas ela nunca gostara deles. E não se referia apenas ao facto da família ter desprezado a mãe, Andromeda. Essa família obscura pertenceu ao assassinato do seu pai, Ted. Ela lembrava-se. Podia ter nove anos, mas lembrava-se perfeitamente dos longos cabelos platinados de Lucius Malfoy a observar o seu pai a ser torturado sem piedade por Adolph Avery. Fora isso que a motivara a ser Auror. O assassinato do seu pai por Devoradores da Morte.

Como que por mágica, os portões abriram-se e ela, acompanhada de Remus, atravessou-os. Nunca vira perfeição como aquele lugar. O soalho de mármore conduzia, num só caminho, à porta de entrada, e estava rodeado por uma densa erva onde flores e árvores estavam plantadas e protegiam a mansão de olhares coscuvilheiros. A meio do caminho, Tonks viu uma fonte. Para variar, era um dragão que cuspia água e não um Cupido, como nas histórias muggles. Ante eles, ergueu-se a mansão. Tinha o dobro da altura de Hogwarts, e um menor comprimento em relação à escola; não tinha torres e era construída a pedra e pintada num tom cor de salmão suave; as janelas eram amplas e as portas eram de madeira e a maçaneta de ouro. Tonks viu como eles viviam no luxo e não pôde evitar de mirar tudo com repulsa. Gente como eles nem sequer deveria existir.

"Tonks, estás bem?" Perguntou Remus, preocupado, ao ver que a amiga não se conseguia afastar dos portões. Ele compreendia o porquê daquele ódio todo acumulado e não podia culpá-la.

"Estou. Isto passa." Tonks anuiu levemente.

Começaram a caminhar.

Enquanto caminhavam, ela lembrou-se de como fora que descobrira tudo. De como o seu recém feito amigo Harry Potter, era uma rapariga, uma vampira… e uma Malfoy. Dahlia Malfoy.

Flashback

Estava na cozinha e ajudava os companheiros a construir tudo o que fora quebrado pela descarga de magia. Uma magia muito poderosa. Admirava-se. Nunca pensara que um adolescente de catorze anos possuísse tanta magia. Um nível que superava a dela e a de muitos Aurors. Mas, também, o garoto é filho de James e Lily Potter e o Menino Que Sobreviveu. Como não poderia ser poderoso?

"Tonks, preciso de falar contigo."

Fitou Remus e assentiu, algo confusa. Ambos subiram as escadas, já consertadas, e foram para uma área que Tonks reconheceu como a que Sirius havia proibido expressamente de entrar. Entraram num quarto sombrio e ela viu Harry deitado no sofá e Sirius a caminhar pela sala furiosamente.

"O que aconteceu? O Harry está bem?"

"Senta-te, Tonks." Disse Sirius com uma seriedade que a assustou. "Toma."

Recebeu um envelope das mãos de Sirius e, sob o olhar atento de Remus e do primo, leu e releu aquela carta centenas de vezes.

"É mentira!" Rosnou furiosa. "Ele não é um Malfoy! Deve ser algum plano!"

"Aleluia, alguém que me apoia! Viste, Moony!?"

Remus suspirou cansadamente e recolheu a carta das mãos das minhas mãos. Tonks tremia descontroladamente.

"Tonks, acalma-te. Esta é uma verdade verdadeira. Compreendemos que isto seja complicado para ti, mas é a…"

"Não é, Remus!" Levantou-se e mudou o cabelo rosa choque para um vermelho sangue. "O Harry não é assim! É mentira! Como tens a certeza absoluta de que é verdade?"

"A tua mãe foi uma das melhores amigas da Bel. Pode ajudar-nos a confirmar uns pontos!"

"Sirius, tu vais permitir isto?! Harry é filho de James e Lily Potter e teu afilhado, caramba!"

"Eu estou de acordo contigo, prima, mas…"

"Mas…" Incentivou, esperançada.

"… Mas, eu vejo-me conformado a concordar com Moony. Ele tem uma determinada razão."

"É um erro! Estão a entregá-lo para a morte! Para Voldemort!" Nem se dera conta que havia pronunciado o nome dele. O seu cabelo mudou para um cinzento-escuro, olhos vermelhos e nariz de serpente. "Ele não vai sobreviver com os Malfoys, nem como rapariga, nem como vampira! Merda, Sirius… Tu sabes o que eles fizeram com o meu pai! … Vais permitir que o teu afilhado se torne um assassino?"

"Tonks, não é disso que se trata…" Interveio Remus, ao notar como Sirius estava sem fala. "Além do mais, quem tem que decidir é o Harry…"

"Não aprovo isso, Remus!"

Fim Do Flashback

Tonks suspirou e elevou o braço direito, com o punho cerrado. Preparava-se para tocar á porta e, então, encarar aquela gente que odiava e que iria pisar a sua casa.

--

"Mais chá, Harry?"

Harry sorriu timidamente e negou.

"Não, obrigado, Andromeda."

Andromeda Black-Tonks sorriu-lhe com confiança e encolheu os ombros resignada. Era muito bonita, de cabelos castanhos-escuros, soltos livremente pelos ombros, e olhos azuis-escuros que possuíam um brilho de sabedoria e ternura; possuía um rosto de criança e uma pele branca que se dividia entre suaves tons morenos e pálidos. Harry, quando a conheceu, notara logo que ela tinha a mesma força, segurança e traços que Sirius.

Estavam ali porque seria naquela casa onde fariam a reunião com os Malfoy. Não poderiam fazer em Grimmauld Place pelas óbvias razões e nem a parte o outro lado da casa dava para o encontro, pois, de acordo com Tonks, Dumbledore autorizara a passagem para o outro lado, contrariando por completo os pedidos de Sirius.

O padrinho, quando emprestara a casa, sublinhou quais eram os acordos e aquele lado estava proibido e, com a destruição de toda a parte ocupada, a Ordem da Fénix precisava de um sítio para as reuniões. Claro que antes de abandonarem a casa, naquela manhã, Sirius recolhera as coisas mais íntimas de quando era um garoto, de Regulus, dos pais, tios e primas. Essa parte era onde conviviam a maior parte do tempo, naqueles tempos em que Sirius ainda era da família, e era compreensível que trouxesse más memórias ao Animagus.

Andromeda encarou Sirius e Harry, que estavam sentados à sua frente. O primo parecia mais nervoso que o afilhado e ela poderia dizer o que ele estava a pensar. Estava escrito no seu rosto e naqueles olhos grises que aprendera a conhecer quando eram novos; o medo de perder Harry, quer dizer, Dahlia, era muito superior. A Sirius não lhe importava o facto do afilhado ser filho de Malfoy, importava-lhe que Malfoy tentasse roubar-lhe Harry.

Andromeda sorriu.

Que tipo de pai entregaria o seu filhote de bandeja para uns tipos que lhe fizeram a vida no inferno e confraternizam com o inimigo? É de loucos e era isso que atormentava Sirius.

Já o rapaz parecia tranquilo. Parecia. Ela notava os olhares ansiosos que ele soltava para o redor. Ela sabia, pelas palavras de Nymphadora, que ele levava uma vida complicada. Sem família, carinho, protecção; apenas queria alguém para amar e que o amasse de volta, sem nada em troca. A ideia de ser filho de Lucius era má. Lucius tinha um filho que lhe fazia a vida difícil e Lucius era um Devorador da Morte. No entanto, ela também sabia que, no fundo, Harry esperava finalmente ter encontrado uma família. Lembrou-se de como reagiu ante as notícias:

Flashback

Nymphadora estava à sua frente, acompanhada de Remus e de Sirius. Todos eles de faces sérias e impassíveis.

"O que foi?"

"Dromeda…" Começou Sirius. "Lembraste de Belinda Blacksnake?"

"Claro que sim! Como não?! Ela era uma das minhas melhores amigas. Ela morreu."

Remus sorriu e assentiu levemente. "Exacto. Ela namorava com Lucius, não é assim?"

"Lucius? Acho que sim… Mas não sei muito. A única que vos pode contar é a Narcissa. Era mais unida à Bel que eu." Respondeu. "Mas por quê o interesse?"

"Interesse é uma palavra curta para definir aquilo que vais ouvir." Grunhiu Tonks friamente.

Suspirou.

Alguma coisa devia ter acontecido para a filha contestar daquela maneira. Ela quase nunca usava o seu lado Black que herdara dela e, quando o usava, referia-se expressamente aos Malfoys. Ela nunca se perdoara por não ter ajudado o pai nem Andromeda sequer havia perdoado o seu cunhado por ter participado naquele trágico acontecimento, apesar de, com o tempo, a dor ter acalmado. E ainda assim, Malfoy era um tema tabu na minha casa.

"Tonks, o que aconteceu?"

Remus sorriu e estendeu-lhe uma carta. "Isto é de Harry. Chegou-lhe há pouco tempo e nós achámos que deverias saber e ajudar-nos."

Pegou no sobre e soluçou. Era a letra dela. Seria verdadeiro? Ou seria um produto da sua mente? Fechou os olhos fortemente e as primeiras lágrimas caíram.

"É mesmo dela?"

"Sim." Sirius assentiu solene. "Queres ficar sozinha, Dromeda?"

"Não sou débil, Siri." Rosnou Andromeda, usando a alcunha de infância.

Minutos depois, deixou cair a carta.

Sentiu a raiva e a estupefacção a serpentear pelo corpo, além de uma profunda tristeza.

"Maldita sejas, Belinda Blacksnake…" Murmurou sombriamente.

Fim Do Flashback

Suspirou.

Havia ali muitas certezas e incertezas. Ela apostava em como teria reagido Narcissa. A sua irmã mais nova amava crianças e, após o nascimento de Draco, tentara novamente ter filhos, sem sucesso. Teve um problema com o seu sistema reprodutor e ficara sem a oportunidade de dar irmãos a Draco. A sua irmã, ao invés de ficar depressiva, encarara as coisas com normalidade e dava toda a atenção ao filho. Mas ela, que sempre fora observadora, sabia que sofria em silêncio. Como teria Dahlia de um futuro adiante, apesar de não ser a filha de sangue, era alguém com quem podia fazer compras, passar o dia em cabeleireiros, fazer manicura e pedicura, a depilação e, acima de tudo, alguém a quem ensinar os seus dotes musicais. Cissy era uma pianista e uma violinista muito dotada e Andromeda não tinha dúvida que tentaria incutir essa paixão pela música à enteada.

Levou a chávena de chá aos lábios e sorriu.

Sirius tinha-se levantado e passarinhava pela sala nervoso. De vez em quando, as mãos desalinhavam os longos cabelos negros e esfregavam os olhos. Escutou umas quantas maldições que o primo soprava por baixo e aumentou o sorriso. Sirius estava a agir de um modo muito protector.

Fitou Harry.

O rapaz mirava a taça de chá pensativamente e, uma vez ou outra, observava o padrinho de sobrancelha erguida. Ela sabia que ele também sabia o que se passava. Por vezes, encolhia os ombros quando Sirius olhava para ele desesperado e implorando para ir embora. E isso era só o princípio. Segundo a carta de Belinda, os vampiros iriam buscá-la, dia 31 de Julho, para iniciarem um treino. Aí, não seria apenas Sirius a opor-se. Lucius, Remus, Tonks e, quem sabe, a própria Dahlia iriam resmungar malefícios.

Sorriu novamente quando viu a delicadeza no modo de como Harry pegava na taça de porcelana chinesa e a levava aos lábios. Tinha modos muito educados, e não falava apenas do modo como se pronunciava, e tinha uma postura muito direita e relaxada. Criticamente, notou como tinha alguns modos rudes e, quando o escutava gargalhar, lembrava vagamente uma gargalhada canina. A mesma gargalhada de Sirius. Saltou o olhar para Sirius, reprovadoramente. Ele nem sequer se deu conta que os seus modos rebeldes influenciavam o jovem. Bom, nesse aspecto, o primo sempre fora aluado. Pressentiu que ambos tinham uma relação muito estreita e não pôde evitar gargalhar por dentro. Lucius teria que lutar imenso que queria que Dahlia fosse tão relaxada com ele, como era com Sirius.

Harry mirava o chá como se ele fosse o centro de todas as respostas. Ele notara como Andromeda o encarava sabiamente e como o padrinho parecia um demente pronto a atacar. Ele estava nervoso. Muito. Mas a experiência sempre ensinou-o a camuflar as suas emoções, apesar de pensar que Andromeda já o tinha topado há muito.

O olhar de Andromeda lembrava o de Dumbledore; parecia penetrar na alma e saber todos os teus segredos obscuros. Mas Dumbledore tinha um brilho irregular, um brilho que parecia saciar uma fome… e a mirada azul-escura da prima de Sirius apenas te fazia sentir em segurança. Um calor que te transmitia segurança e, ainda que pouco, terror. Assustava-lhe aquela mirada.

Sorriu tontamente para si e sorveu o líquido. Não tinha muita inclinação para chá, mas sem dúvida que aquele chá de maçã e canela, com chocolate granulado, era o melhor que tinha provado. Estudou Andromeda que olhava o padrinho muito divertida. Recordou-se de como a conheceu:

Flashback

Quando abriu os olhos, escutou vozes alteradas que provinham do fundo do quarto. Não conhecia aquele quarto nem conhecia as vozes. Suspirou e acariciou as têmporas que estoiravam levemente. As memórias do dia anterior vieram à mente. A carta, Belinda Blacksnake, Lucius Malfoy, Dahlia, Sirius, magia, Remus e obscuridade.

Fechou os olhos e soltou algumas lágrimas. Aquilo tinha que ser mentira, ele não podia ser…! Tentou sentar-se, mas parecia que o seu corpo estava demasiado pesado como que para obedecer.

Suspirou novamente e levou as mãos à cara, limpando as lágrimas cristalinas.

Levantou-se, a muito custo, e passou os olhos pelo espaço. Franziu o nariz quando viu padrinho numa discussão violenta com duas mulheres e Remus lá metido pelo meio tentando acalmá-los. Reconheci Tonks pelos cabelos rosa, mas não conhecia a outra, embora a achasse muito parecida com a Metamorphmagus

Tinha uma altura média, tez branca e ligeiramente morena, curvas perfeitas, feições cheias e bonitas; os olhos azuis-escuros tinham alguns traços negros e o cabelo castanho-escuro caía encaracolado pelos ombros pequenos. Usava roupa muggle: calça de ganga de um tom uniforme de cintura média e perna direita e ligeiramente larga, sandálias com meio salto violetas e uma camisa de ¾ lilás com suaves linhas violetas. No seu rosto, reconheceu o nariz arrebitado e o queixo bem construído que Tonks havia herdado. Seria uma irmã mais velha? Parecia nova e mais jovem que Sirius e Remus.

De súbito, as miradas encontraram-se e tornou a franzir o nariz quando viu uma certa irritação e frieza dirigidos à sua pessoa. Este gesto fez a desconhecida sorrir amavelmente e aqueles dois sentimentos desapareceram instantaneamente dos seus olhos.

"Olá, Harry. Ou deverei dizer, Dahlia?"

Irritado, virou-se para Sirius e Remus que o encaravam expectantes e Tonks que, estranhamente, tinha o rosto vermelho de raiva.

"Contaste-lhe?"

"Teve que ser, Harry." Contestou a mulher pacientemente. "Compreendo a tua reacção, mas eu fui amiga da tua mãe. Sirius considerou que eu seria uma peça útil para o teu dilema familiar. Para te ajudar a envolveres-te com a minha irmã."

"A sua irmã? É irmã de Narcissa e Bellatrix?" A outra cabeceou sorrindo afirmativamente. "Andromeda, presumo."

"Andromeda Black-Tonks. Prazer em conhecer-te, Harry Potter." Estendeu uma mão. "Ainda não és Dahlia Blacksnake Malfoy, portanto, aproveita."

"É a mãe de Tonks." Aceitou a mão pequena, de unhas de tamanho médio e pintadas de verde-esmeralda. Andromeda assentiu, todavia sorrindo. "Achei que era a sua irmã mais velha."

Andromeda riu divertida e, ao fundo, Tonks soltou a respiração furiosamente. "Não és o primeiro a dizer-me isso."

"Como te sentes, Harry?" Tonks perguntou carinhosamente enquanto atravessava o quarto.

"Bem. Um pouco confuso, mas bem."

Andromeda sorriu compreensivamente e bateu-lhe no ombro.

"Nada que um prato de comida feito por mim melhore essa resposta."

"Convencida." Resmungou Sirius.

Andromeda ergueu uma sobrancelha depreciativamente e atirou-lhe uma almofada em cheio na face.

"Eles são sempre assim?" Perguntou para Remus e Tonks, enquanto observava Sirius e Andromeda que lutavam com as almofadas.

"Chegam a ser piores." Contestou Remus.

"Corpo de adulto, mente de criança." Suspirou Tonks.

Fim Do Flashback

"Diabos! Demoram muito…" Resmungou Sirius irritado.

"Estás muito tenso, primo." Começou Andromeda resignadamente. "Estamos em Gales. Uma viagem de Chave de Portal para Inglaterra de ida e volta demora muito. Senta-te e bebe um chá."

"Dromeda, o mínimo que preciso agora é de um chá." Retorquiu Sirius, passando as mãos pelo cabelo. "Estás bem, Har?"

"Sim, Sirius. Perguntaste isso há quinze minutos."

Harry suspirou.

Mentia e os dois Black sabiam. Ainda estava muito cansado após a manifestação densa de magia como resposta à carta de Belinda. Os seus olhos pesavam e o seu corpo estava demasiado pesado para se movimentar por ele próprio. Foi humilhante cruzar a mansão de Andromeda nos braços do padrinho como se fosse um bebé.

"Senta-te, Sirius, já me começas a pôr nervoso."

"Bebe o chá e cala-te."

Harry dirigiu-lhe um olhar frio e torceu os lábios em desprezo. Andromeda teve um déjà vu:

Flashback

"Anda lá, Dromeda!"

"Mas, Bel, podem apanhar-nos!"

"Dromeda, deixa as regras de lado. Ninguém vai saber que fomos nós; vão culpar os Marauders!"

"Mas não és tu quem vai aturar os resmungos de Sirius Black! Não sabes como ele fica possesso."

Belinda olhou-me seriamente e depois torceu os lábios com desprezo.

"Azara-o. Por quê que tens varinha?"

Fim Do Flashback

Elas haviam decidido pregar uma partida aos professores e aos estudantes do sétimo ano das quatro casas. Todos haviam passado um dia na enfermaria com o corpo a vomitar lesmas e com algo esponjoso e amarelo-aveia semelhante a pus a sair dos ouvidos e do nariz. Os Marauders, apesar de terem negado tudo, haviam apanhado um mês e meio de detenções com Filch e elas, Black e Blacksnake, nunca haviam sido apanhadas.

Naquele momento, ao ver aquele garoto de catorze anos a torcer os lábios, Andromeda teve a certeza que Dahlia Malfoy seria a cópia de Belinda Blacksnake na personalidade.

Infantilmente, mirou o relógio redondo que estava a um canto na sala. Desejou, fervorosamente, que eles chegassem. Não via hora para ver a Bel reencarnada naquela garota de quinze anos que, na realidade, era Harry Potter.

--

POV Remus

Quando nos Aparecemos, notei como Tonks estava tensa. Era compreensível, tendo em conta que o próprio Lucius Malfoy participou na morte trágica do pai e que ela assistira a tudo escondida. Tinha medo que ela se descontrolasse e complicasse tudo ao encarar aquele que culpava de tudo. Tonks podia ser violenta quando se tratava de casos sérios e era terrível quando fazia uso do seu temperamento Black. Havia que se estar preparado quando se lidava com ela; num momento podia ser Nymphadora Tonks, a desastrada garotinha Metamorphmagus, e noutro momento podia ser Nymphadora Black, a eficaz e profissional Auror.

Não havia palavras para descrever o tamanho da beleza da mansão Malfoy. Mas, também, era de se esperar. Lucius e Narcissa provinham de famílias ricas, poderosas e lendárias. Seria de esperar que o herdeiro dos Malfoy e uma das herdeiras dos Black vivessem rodeados de luxo, como aquela casa. Não pude evitar suspirar, extasiado. Se por fora era bonita e exótica, como seria por dentro? Bom, certamente seria algo iluminado, tendo em conta que Narcissa adorava decorar nos tempos livres e abominava a obscuridade; seria bem ornamentada e, por suposto, com toques femininos. Não evitei sorrir; quem sabe se Harry não seria feliz ali.

Avancei, mas somente escutei os meus passos. Voltei-me para trás e vi que Tonks franzia o nariz com desconfiança. Sorri ligeiramente e recordei-me de Andromeda, que estava na casa dela acompanhada de um furioso e nervoso Sirius Black e um ansioso Harry Potter; ela sempre tinha a mania de fazer aquele gesto quando estava desconfiada. Fui até ela e toquei-lhe no ombro. Ela pestanejou, mas não se aliviou da tensão.

"Tonks, estás bem?"

"Estou. Isto passa." Tonks assentiu levemente.

Começámos a caminhar e, graças aos meus sentidos desenvolvidos por ser um lobisomem, escutei relinchos. Sempre ouvi dizer que, por trás da mansão, havia uma grande vinha e um estábulo com cavalos. Os Malfoy eram donos de grandes, bons, finos e caros vinhos. Principalmente vinho tinto. Tinham muitas propriedades e negócios no Mundo Mágico Inglês e Francês, todavia, era o negócio de vinhos que corria melhor. Ainda que desconfiasse que Narcissa tinha ali uns quantos cordelinhos; Lucius nunca teve muito jeito em cálculos, ainda que percebesse incrivelmente de negócios.

Quando chegámos à entrada, notei como Tonks estava cada vez mais tensa, mas deixei-a confrontar os demónios. Era melhor ignorá-la, do que sair com o traseiro carbonizado.

Tonks bateu à porta.

Enquanto esperámos, lembrei-me de como reagi ao descobrir que Harry era um Malfoy. O quanto me diverti com Sirius, devido à sua expressão:

Abri a porta cuidadosamente.

Aquela manifestação assombrosa de magia finalmente tinha terminado e aproveitei para ir ver Sirius e Harry enquanto os demais verificavam os estragos. Foi um milagre que ninguém tenha sido ferido. Algumas paredes ruíram, as escadas quebraram e toda a mobília e objectos de decoração foram queimados pelo fogo e repelidos pelo vento. Lá em baixo, feitiços Reparo eram disparados das varinhas para consertar tudo e Emmeline resmungava que tinham que ir comprar coisas decorativas enquanto Hestia, Tonks e Kingsley riam muito alto. Só havia uma lástima: a Sra. Black ainda estava viva.

A meu ver, aquele quarto tinha sofrido bastante. Reconheci algumas vestes de Sirius chamuscadas e vi o baú de Harry obscuro como carvão. Havia muita madeira quebrada no chão e um forte cheiro a queimado que era bastante agoniante. Havia um pouco de vento no ar e pedaços de vidro no chão. Ao meio do quarto, vi o meu melhor amigo e o adolescente abraçados de modo muito apertado.

Que teria acontecido?

O que justificava, daquela vez, a magia desequilibrada e o quase imperceptível cheiro a lágrimas que só eu conseguia cheirar?

Aos pés de Sirius havia uns pedaços de pergaminho que tinham sobrevivido milagrosamente. O que seria?

"Harry, estás bem?" Perguntei.

"Temos que falar, Remus. Seriamente." A voz de Sirius ecoou pelo quarto. "Sobrou algum sítio?"

"Julgo que a outra parte da mansão. Mas o que aconteceu? Harry está bem?"

"Estou bem, Remus." Harry soltou-se do padrinho e encarou-me com os seus olhos verdes avermelhados e tristes. "Alguém saiu magoado?"

"Conjuramos os escudos a tempo e saímos ilesos. Mas esta parte não saiu bem parada, Sirius. E a tua mãe sobreviveu…"

"Infelizmente." Murmurou Sirius arrastadamente. Pegou no afilhado pelas axilas e carregou-o ao colo. Vi como a sua cintura era apertada pelas pernas do adolescente e a cabeça dele caía no seu ombro. "Não te importas de pegar nesses papéis, Moony?"

Assim fiz e apressei-me a ir atrás dele que caminhava em passos largos pelos corredores lúgubres e pouco abalados que davam para a outra parte da mansão. Não conhecia aquela parte e era-me novo estar ali. Parecia que aquele lado era bastante mais obscuro, rico e húmido que a outra parte. Algo me dizia que Sirius também não gostava muito de estar ali. Cruzámos à direita e ambos estávamos num corredor com a forma de um L ao contrário. Ao virarmos à esquerda, o meu amigo entrou numa das portas e fechou-a rapidamente. Notei que estava levemente pálido.

O quarto onde estávamos era muito vazio. Tinha um quadro grande uma família de rostos frios e vestes negras. Reconheci o rosto do meu amigo, o único sorridente e com malícia divertida no olhar gris, a face branca de Narcissa, a loucura nos olhos de Bellatrix, a inteligente mirada de Regulus e o olhar sonhador na face de Andromeda. Eram os herdeiros da família Black.

Para além dessa pintura, havia duas enormes estantes de livros, sofás vermelhos-escuros, bonecas de porcelana e brinquedos de madeira ricos. Havia um urso de pelúcia a um canto, algo roto, mas em bom estado. Era, pelo conteúdo, o quarto de brincar dos meninos quando eram novos.

Sirius pousou o afilhado num dos sofás e sorriu-lhe.

"Podes conjurar uma manta para ele, Moony?" Fiz um movimento de varinha e uma manta azul-escura caiu sobre o corpo de Harry.

Sirius sorriu e acariciou-lhe os cabelos negros desalinhados. "Dorme, magricelas. Não te preocupes com as horas. Dorme…"

"Não quero sonhar…" Sussurrou passando, inconscientemente, a mão na cicatriz.

"Não irás. Prometo."

Harry sorriu e fechou os olhos, sabendo interiormente que isso seria mentira. Mirei reprobatoriamente Sirius pelas falsas esperanças mas não disse nada.

Sentei-me num outro sofá e junto de Sirius aguardei que o menino finalmente adormecesse para saber o que diabo se passava. Quando Harry respirava calmamente, o meu melhor amigo fez-me sinal e afastámo-nos para o fundo do quarto. Sirius não disse nada, apenas estendeu os tais papéis. Em silêncio, li e os meus olhos arregalaram-se a cada linha e balancei a cabeça de vez em quando.

Sorri vitoriosamente e mirei Sirius com aquele olhar que parecia dizer 'Eu sabia!' e que ele não gostava nada. Aumentei o meu sorriso ao vê-lo surpreendido. Com certeza não esperava esta reacção da minha parte.

"Leste o mesmo que eu, Moony?"

"Li, sim, Padfoot." Devolvi-lhe a carta e sorri-lhe convencido. "Mas já me esperava algo assim. Só precisava de provas para tal. E essa carta veio mesmo a calhar."

"Moony, nós não estamos a falar do mesmo assunto, só pode." Sirius resmungou ainda espantado. "Diz aqui que o nosso Harry é filho da Belinda Blacksnake e Lucius 'Cabelo Perfeito' Malfoy. Diz aqui ele é vampiro, mulher e Dahlia Malfoy. Será que não entendes?"

"Entendo perfeitamente, Padfoot. Eu sei ler."

"E se for um esquema de Voldemort?"

"Não me parece. Fiz vários trabalhos com a Bel quando éramos novos e conheço a letra dela. É essa."

"Mas e se for um plano?" Insistiu Padfoot "E se for um plano dos Malfoy?"

"Sirius!" Ralhei impaciente. "Tu próprio disseste: filho de Lucius Malfoy e Belinda Blacksnake. Qual o propósito do Lucius de escrever o próprio nome na carta e escrever algo com tanta emotividade? Não me parece obra deles." Declarei sabiamente.

"É o meu afilhado, Moony. O Harry não se preocupa com o cabelo, com a roupa, com modos, com elegância, com regras, com superioridade, com a masculinidade – não que ele seja um completo idiota mal-ajeitado, despenteado, desordenado e etc. – mas eles não são iguais! Não tem coração frio, miradas frias, rosto vazio e privado de emoções, o nariz empinado, o queixo erguido arrogantemente, os cabelos besuntados com gel. Pensa, Remus."

"Pensa tu, Sirius. Mas vamos fazer como queres. Olha para o teu afilhado e diz-me o que vez de James e Lily."

"Ele tem o cabelo do James." Começou Sirius sem duvidar. "Os olhos de Lily; manias de James; é bom jogador como James; é esperto como Lily; é puro como James e Lily, é…"

"Emocionalmente." Rosnei.

Sirius fitou o afilhado, pensativo.

"Sorri como a Lily. Morde os lábios quando está nervoso como Lily; desalinha o cabelo como Lily; irrita-se facilmente como James; não suporta traições como James; tem quedas por garotas complicadas; mete-se em problemas…"

Comecei a negar com a cabeça.

"O QUE FOI!?"

"Olha que ainda o acordas!" Repreendi. "Sirius, meu amigo, nem James nem Lily franzem o nariz; nem torcem os lábios em desprezo; não franzem a testa quando estão cépticos; não arrastam as palavras; não falam com sarcasmo… Tu não vês, pois não, Padfoot?"

Sorri tristemente e coloquei a mão no ombro do moreno que, desistindo, deixou cair os ombros.

"Tu e James sempre foram mais do que amigos, Sirius. Sempre fomos próximos, é verdade, mas a vossa amizade era a amizade e o amor entre dois irmãos. Eu sofri, mas tu carregaste o pior. Por isso é que cuidas tanto o Harry, não só porque te lembra Prongs, como também é uma forma de evitares fracassares novamente. Vai ser difícil, compreendo-te, contudo, tens que te lembrar que Harry sempre será Harry. Lá por ser um Malfoy, uma garota, um ser imortal e obscuro, isso não lhe afectará a maneira de ser para connosco. Talvez se torne frio e desconfiado, demasiado protector e crítico, mas ninguém melhor do que tu o conhece verdadeiramente. Quando Harry se tornar quem é, não o podes abandonar. Lembra-te, Paddy, quantas mais máscaras aquele rapazinho magrinho e inocente vestir, ele sempre será como nós conhecemos."

Sirius levou as mãos aos olhos e esfregou-os. Um forte suspiro de cansaço saiu dos seus lábios e os seus olhos miraram o adolescente adormecido.

"Odeio quando tens razão e tens um absurdo controlo sobre mim, as minhas acções e mente… Mas se eles o ferem…!"

"Então, meu amigo, eu próprio verterei o meu sangue por ele e matarei pelas minhas mãos." Declarei firmemente.

Sirius assentiu. Era nestas alturas que eu notava que ele não queria ser meu inimigo. Se alguém tocasse na minha cria, seria o começo de uma guerra pessoal que nem o próprio Merlim poderia parar.

"Ei, Moony, tenho uma ideia."

Fitei-o com uma sobrancelha erguida. "O que estás a tramar, Padfoot?"

"Meu querido Moony, por quê que não mandamos um Howler de boas vindas?"

"Enlouqueceste!"

"Talvez." Sorriu Sirius inocentemente. "Faço tudo pelo meu afilhado, Moony. E vamos precisar da Tonks e da Dromeda."

"Bonito." Bufei. Timidamente, um sorriso invadiu o meu rosto. "Está bem, Pad."

Sirius sorriu maliciosamente.

Fim Do Flashback

Sirius era muito unido a Harry. Descobrir que os Malfoy eram parte do seu afilhado e da vida do seu afilhado, era-lhe muito difícil de aceitar. Eu, por minha parte, apoiarei Harry em todas as decisões que tome. Mas se ele sai lastimado, Sirius nem vai poder exclamar "Malfoy!" pois o coração de Lucius parará de bater assim que o tiver nas minhas mãos. Soa violento, ainda para mais alguém como eu; todavia, Harry é uma das pessoas mais importantes da minha vida. E não só por ser filho de James e Lily. É por ser Harry e eu o amar como se fosse meu filho.

A porta abriu-se e Lucius entrou-me na minha vista. Sorri ao notar como estava ansioso, de acordo com os seus olhos grises, apesar do seu rosto estar impassível. Fitei Tonks e não pude evitar balançar a cabeça. A doce Nymphadora Tonks deu lugar à fria Nymphadora Black. Dei-lhe umas palmadinhas nos ombros e mirei Lucius.

"Olá, Lucius."

Fim Do POV Remus

--

"Tens a certeza que não queres vir, Draco?" Perguntou Narcissa com nervosismo ao filho que estava sentada no topo das escadas a fitá-la friamente. Estava muito bonita no seu vestido largo até aos joelhos, cor cinza-chumbo e de finas alças que faziam um X nas costas; os pés estavam aconchegados numas sandálias cinzentas-escuras fechadas à frente e de salto raso, e o cabelo loiro caía encaracolado pelos ombros nus.

"Fazia-te bem arejar." Insistiu novamente.

"Dispenso." Resmungou depreciativamente Draco.

"Estás a ser infantil, filho, mas eu compreendo-te. Provavelmente, não deves ser o único a reagir assim." Lucius desceu as escadas e contornou a figura do filho. Foi até à esposa e sorriu-lhe em aprovação. "Estás linda, querida." Narcissa riu e retribuiu-lhe o elogio. A túnica negra com leves detalhes prateados na longa capa e as botas de salto médio que ecoavam pelo soalho, caíam como uma luva e acentuava-lhe mais a beleza. E, claro, não podia faltar o bastão negro com uma serpente prata agarrada pela mão, que era o troféu dos Malfoy e passava de geração em geração.

"Eles estão atrasados?"

"Não deram horário específico, querido, tem calma. De certeza que não queres vir, Draco?"

"Sim, mãe."

Narcissa encolheu os ombros e optou por desistir. Se calhar, se ela estivesse na pele do filho, também reagiria desse modo, mas faria algum mal um pouco de… afabilidade? Qual era o problema de ir ter com o Harry Potter? Não teriam que ser os melhores amigos ou os grandes irmãos naquele momento preciso do encontro, mas mostrava um pouco de respeito. No entanto, quando Draco metia uma coisa na cabeça, nunca desistia. E ninguém o conseguia obrigar. E se alguém tentava, Draco ficava com um humor que até assustaria o mesmíssimo Lorde Voldemort.

Fitou o marido com carinho. Ao contrário dela, dissimulava perfeitamente o nervosismo daquela surpresa inesperada. Como será que ambos reagiriam? Iriam abraçar-se? Apertavam as mãos ou trocariam um frio aceno de cabeça? Lucius podia fazer o gesto que quisesse, mas para o garoto corresponder Sirius Black teria que dar o braço a torcer. E isso seria deveras complicado. Um Pop abafado tirou-a dos seus devaneios.

"Eles chegaram, Lucius."

O patriarca assentiu algo pensativo e encaminhou-se para a porta. Estava nervoso, mas isso não era algo que iria admitir ante todos. Respirou fundo, agarrou na maçaneta e abriu a porta.

"Olá, Lucius." Lupin sorriu abertamente como costumava fazer.

"Lupin e… Tonks…" Malfoy arrastou as palavras, friamente, notando quem ela era. Memórias regressaram à sua mente. Uma noite. Mundo muggle. Casa de Andromeda. Ted Tonks. "Espero que a viagem não tenha sido cansativa."

"Não foi." Rosnou Tonks, de súbito, com uma hostilidade que até Remus a encarou surpreso. "Estão prontos?"

"Entrem, por favor."

Lucius desviou-se e ambos entraram na casa. Narcissa, finalmente pronta, encarou-os com um sorriso incrivelmente aberto, mas que diminuiu levemente.

"Olá, Remus, Nymphadora." Tonks nem sequer se molestou em corrigir, apenas encarou a tia friamente. "Ele não veio?"

"Espera-nos na casa de Andromeda. E mesmo que ele quisesse vir, não pode. Não, sem trazer Sirius de trela." Respondeu Remus educadamente.

"Entendo." Cabeceou Narcissa, identificando que a sobrinha e a irmã já sabiam de tudo. Pelo menos, só Tonks estava chateada. Fitou Draco, mas o filho saiu a passos largos. Balançou a cabeça e olhou os recém chegados. "Reagiu muito mal e julgo que vai demorar uns tempos até aceitar o facto. E Harry?"

"Mal. A sua magia descontrolou-se e danificou uma parte da casa." Remus omitiu falar de "Grimmauld Place" e prosseguiu: "Não aceitou completamente bem e julgo que vai demorar um tempo indeterminado até se acarinhar com vocês. No entanto, só vos quero alertar. Ferem-no, física ou psicologicamente, e estão feitos comigo." Ameaçou Remus e Tonks apoiou-o, assentindo freneticamente. "Já para não falar de Sirius…" Acrescentou com um sorriso amplo.

"Nem eu, nem a minha esposa ou o meu filho temos intenções de magoar a Dahlia. Apenas queremos que ela fique onde pertence, junto da sua família, e onde não lhe faltará nada. Queremos que ela entre para as nossas vidas tal como deveria ter sido, faz quinze anos. Devo isso à Bel e a mim próprio." Lucius suspirou. "Ainda que isso signifique abandonar os ramos."

"Isso é um assunto muito importante que merece ser dialogado e estudado quando estivermos todos juntos. Quer goste ou não, tenho a certeza que Harry não irá permitir que arrisque o seu pescoço, Narcissa e Draco para Voldemort." Resmungou Nymphadora.

"Dumbledore não sabe?" Questionou Lucius.

"Estamos a ponderar em contar ou não contar. Ainda temos que decidir. Primeiro, passaremos esta fase e depois falaremos sobre isso." Contestou Remus. "Suponho que seria melhor ir andando antes que Sirius julgue que fomos assassinados. Não se importam de usar Chave de Portal?" Narcissa negou e Lucius apoiou-a, ainda que detestava esse meio. "Perfeito. Tonks, o botão?"

Tonks abriu a capa azul e tirou um botão branco. Com um toque de varinha, o objecto aumentou o triplo de tamanho e todos agarraram nele. "Todos prontos? Cinco… quatro… três… dois… um…!"

E Pop.

Nas escadas, Draco mirava com desprezo o lugar onde, outrora, estiveram os seus pais.

--

Tolerância:

Do latim tolerare (sustentar, suportar), é um termo que define o grau de aceitação diante de um elemento contrário a uma regra moral, cultural, civil ou física.

É uma qualidade de quem suporta. É uma qualidade de quem perdoa. É uma qualidade de quem aceita.

--

POV Draco

Tinha a mansão só para mim.

Foi o primeiro que pensei assim que fiquei sozinho após os meus pais, o lobisomem e a maluca desaparecerem para casa da tia Andromeda. Fui andando para o meu quarto e fechei-me lá, tal como foram os dias que se seguiram após descobrir que o meu maior inimigo tinha um laço de parentesco comigo e, ainda por cima, era uma garota e vampira. Soava incrivelmente estranho. Como diziam os muggles? Ah, sim, transexual! Era isso que São Potter era agora. Até aposto no título d' O Profeta Diário: Escândalo: Harry Potter é Transexual! Reputação dos Malfoy arruinada!

Para falar a verdade, sempre quis um irmão. Um irmão! Não uma irmã! Há uma grande diferença entre os dois. Com um irmão, podes conversar sobre garotas, sexo, masturbação, Quidditch e etc. Com uma irmã? Sapatinhos para cá, verniz para acolá, saias pelo chão e uma gaveta cheia de vibradores! Fala sério! Quem quer uma garota como irmã? Só se for o desgraçado do Weasley… Imagino como ele sofre.

Mas esse não era o meu problema! É POTTER! É a bicha, o garoto infectado com síndrome de herói, o Gryffindor desmazelado! Quem o quer na família? Para que estou a falar se já sei a resposta? Pois claro… os WEASLEY!

Eu nunca o odiei de verdade… Eu adorava-o quando era um garoto. Cresci a ouvir o nome dele! Era o meu sonho conhecê-lo, ser amigo dele, estar na mesma casa que ele, posar com ele para as fotografias… Era o meu sonho. Quando me deitei, na noite anterior de ir para Hogwarts, havia dito à minha mãe: "Eu prometo, mãe, vou fazer de tudo para que o meu sonho seja cumprido!" Mas o Potter estragou tudo! Admito que não comecei da melhor forma, mas o imbecil podia ter pensado com a cabeça e vir ter comigo! Eu aproximava-me sempre dele. Incluso marquei um duelo, ao qual faltei, por cobardia, e no qual pensava oferecer-lhe a minha amizade! Havia pensado em tudo.

Mas os Slytherins nunca foram valentes. Astutos, mas não valentes.

E a partir daí, eu e o Potter começámos a conquistar o título de "Eternos Rivais". Preferia "Eternos Amigos" ou "Eternos Irmãos", nunca um título piroso como aquele. Gostaria de ser eu o seu confidente e guardião, ter o papel do Weasley. Ao menos, eu sei distinguir verdadeiros amigos. Eu nunca lhe teria voltado as costas naquele estúpido torneio.

No meu enorme quarto, caminhei até á minha cama e sentei-me. Puxei uma caixa debaixo da cama e abria. Recortes de jornais velhos. "O Menino Que Viveu!"; "O Fim Da Primeira Guerra!"; "Morte Dos Potter: O Menino Que Sobreviveu!" Imensos títulos de variados jornais ali, fotografias de James e Lily com a túnica dos Aurores ou a segurar o pequeno Harry numas festas formais ou informais – cortesia da sua mãe –, fotografias do bebé Harry… Imensa coisa dele. Incluso a data de aniversário dele tinha ali guardado! Guardara tudo quando fora para casa, no Natal. Queria queimar mas a minha mãe impediu-me, dizendo-me: "Guarda. Quem sabe se, um dia, vocês não se tornam os melhores amigos. Ou, quem sabe, se não mostrarás isso aos teus filhos. A tua admiração por um herói que não gosta de ti."

E guardei. De vez em quando, abria a caixa e dava uma vista de olhos.

Sorri e peguei num porta-retratos prateado. Foi uma colagem que fiz no meu primeiro ano, ao pegar numa fotografia dele com onze anos. Juntei a minha, com o uniforme de Slytherin, e colei-a com a dele. O meu braço pousava no seu ombro e o braço dele pousava no meu. Em baixo estava escrito: "Prometo solenemente que serei o melhor amigo de Harry Potter" Um sonho puro que foi por terra quando Potter recusou a minha amizade pela de um Weasley.

Suspirei e tornei a guardar tudo.

Era o que me faltava. Se esperavam que tratasse bem aquela criatura que tinha por irmã, estavam muito enganados.

Uma bastarda.

Eu, que fui severamente educado como um Malfoy, nunca pensei que o pai, aquela figura que admirava, criasse uma bastarda e, ainda por cima, permitisse que ela transportasse o apelido. Se dependesse de mim, Dahlia Malfoy ou Harry Potter passariam o Inferno naquela casa. Nada melhor que uma pequena vingança por todos os anos de humilhação.

Finalmente, o destino estava do meu lado.

Sorri e abandonei o quarto. Ia ter com Persephone, dar uma volta à propriedade.

Fim do POV Draco

--

Harry suspirou.

Estava aborrecido. Remus e Tonks nunca mais chegavam com os Malfoy, e Sirius e Andromeda conversavam "coisas de adultos" a um canto. Era aborrecidíssimo estar ali. Pensou em pegar a velha Nimbus 2000 de Tonks e dar uma volta, mas algum Muggle poderia vê-lo e não queria arranjar confusão a Andromeda. Suspirou profundamente e ignorou os olhares molestos dos adultos.

Pop.

Sobressaltou-se e pôs-se de pé, tal como um cadete obedecendo a um general. Estava rígido que nem uma tábua e nem notou como Sirius se tinha colocado à sua frente, pronto a protegê-lo. Engoliu em seco quando viu as figuras de Remus e Tonks a afastarem-se e arregalou os olhos levemente.

Narcissa Malfoy correu até Andromeda e abraçou-a. Não foi isso que o espantou. O que lhe espantou foi o facto do frio e prateado olhar de Lucius Malfoy ter caído na sua figura e, como que por mágica, obrigou-o a agachar a cabeça. Que diabo? Nem com Snape agachava a cabeça! Mas foi uma reacção compreensiva.

Lucius Malfoy era o seu pai.

Pai.

De repente, aquela palavra causava-lhe arrepios.

"Olá, Harry…"

To Be Continued

Reviews:

Matthew Potter Malfoy: Oi! Obrigada pelo teu comentário. Realmente tens razão. O Harry/Dahlia só sofre e, todavia, o sofrimento ainda começa. Eu sei, sou má! Sim, Draco é tão conhecido por nós pelo seu carácter que a sua reacção, certamente, não seria abrir os braços e dizer: "Bem-vinda a casa, mana!" Soa ilógico! Tentei fazer tudo um pouco "à la muggle" e por isso, considerei que não ficaria assim tão mau o bater das portas. Nada de incesto! Não neste fic… quem sabe se faço alguma deles… e esse lado… que bom que concordas comigo! Eu apenas explorei o lado que a J.K.R. devia ter retratado nos livros. Até que ficou bem, não? Sabes, eu já tinha este capítulo escrito mentalmente. Só que tudo se arruinou à medida que escrevia, até que finalmente me decidi ;) Muito obrigada e beijos!

Estrela Polar: Olá! Obrigada pelo teu review! Sim, realmente, foi um capítulo curto ;) Que bom que curtiste o howler! Espero que continues a gostar e a mostrares-te presente na minha fic. Um beijo!

Cissy Potter: Hello! Obrigada pelo elogio. O Death Eater? Bom… lê a fic. Num capítulo, isso será revelado. E, sim, a explosão de magia será relevante para o decorrer da fic. Não sei em que capítulo calha, mas vai haver uma explicação. Que bom que gostas da relação entre o Sirius e do Harry. Pois, Draco é adolescente. Achei que seria fixe que ele tivesse uma reacção muggle! Muito obrigada, Cissy. Essa frase foi tão profunda! Lê o capítulo e verás como ele reagiu. Um beijo e até breve!

Laís Mayara: Oi! Muito obrigada pelo teu review :D! Fico muito feliz que estejas a apreciar a fic. Demorei, mas finalmente saiu como queria a porra do capítulo. Fiquei com dores de cabeça só de tentar resolvê-lo. Encaixar as reacções de modo a que não interfiram nos diálogos… Grrr! Obrigada e um beijo!

Iliana: Oi! Muito obrigada. Que bom que estás a gostar da fic. Quanto à reunião, só no próximo capítulo. Lamento por não ser neste. Um beijo!

Miyu Amamyia: Oi! Tiveste sorte, garota! Se chegasses um pouco mais tarde, já não estavas na lista. Que bom que estás a amar a fic! E, sim, sou portuguesa. Compreendo a tua observação e espero que não te incomode na leitura… Fico muito contente ao saber que vais acompanhá-la e esperarei que goste das outras. Obrigada e beijos!

Deixem reviews!

:)

Pan