MUNDO DE JOHANNA – HARRY POTTER

Harry atravessou o portal com se atravessa uma simples porta e o mesmo se fechou logo após sua saída sem fazer barulho. Ele parou na mesmo sala em havia acordado em seu mundo, porém com Anna.

- Coloque a Capa de Invisibilidade – começou Anna – Escute as instruções com muita atenção: seu pai não pode te ver até que nós o levemos para a Penseira com Hermione e Rony. Só tire a capa quando James, Hermione e Rony enfiarem a cabeça na Penseira. Seu caso é mais difícil que o de Johanna pois você é a cara do seu pai e ele vai reconhecer você logo de cara. Quem vai salvar seu pai sou eu. Me dê as lágrimas que eu vou atrás dele, enquanto você vai ficar na sala do diretor com a capa, para que não dê merda. Entendeu?

-Mas quem vai salvar Lupin e Tonks? – indagou Harry

-Eu – disse Anna – seu pai e Lupin são inimigos de guerra agora, não queira se intrometer nisso.

Harry não tinha gostado daquele plano. Queria ver seu pai, salvar seu pai, dizer que está tudo bem. Mas foi essa maluca que o colocou na enrascada, então não lhe resta outra alternativa a não ser obedecer.

Relutante, Harry deu as lágrimas e se cobriu com a Capa de Invisibilidade, enquanto Anna corria para fora da sala. Ele respirou fundo e saiu correndo para a Sala do Diretor. Embora estivesse se sentindo um inútil, a vontade de ver seu pai em carne viva o deixava empolgado.

Ele entrou na sala do diretor e percebeu que todas as pessoas dos quadros estavam fora, provavelmente vendo o que estava acontecendo no ataque. Ele se sentou na frente da mesa do Diretor, lembrando de quantas vezes outrora havia conversado com Dumbledore ali. Mesmo o diretor tendo tratado Harry como um "porco para o abate", Harry sentia saudades de seus conselhos e reflexões.

Afastou os pensamentos de Dumbledore e pensou em James. Conhecia sua personalidade no seu mundo, como seu pai. E não era um conhecimento muito grande. Sabia que ele era um homem corajoso, amável, amigo e muito inteligente. Amou sua mãe e por ela e seu filho lutou até o fim com bravura e coragem. Mas e ali? O que vira nas memórias de Johanna não eram boas. Aliás, se o pai dele, o do seu mundo, fosse igual a esse pai, ele também ia querer deserdar.

Mas também, pudera pensou Harry. Seu pai no mundo da Johanna passou por coisas terríveis. Decisões terríveis, que enlouqueceriam qualquer um, o que de fato ocorreu, de certa forma. Ninguém, nem mesmo Snape, que se viu obrigado a matar Dumbledore, que teve uma infância terrível e abusiva com seus pais teve que passar por aquilo.

Harry tinha uma ponta de esperança que o James que Sirius e Lupin tanto falavam ainda estava lá. E era bem provável que estivesse. Porém diante do que ocorreu, das merdas que aconteceram (principalmente entre seu pai e Johanna) Harry duvidava que ele quisesse mostrar o seu lado mais gentil.

A porta da Sala do Diretor se abriu, e ele tomou um susto. Continuou calado e imóvel na cadeira, invisível aos olhos de Rony, Hermione e seu pai. Mas Anna o olhou por segundo e aquele arrepio de que ela era capaz de enxergar pela Capa lhe ocorreu.

Rony e Hermione estavam idênticos ao seu Rony e a sua Hermione. Acabados e sujos por conta da batalha, mas juntos. Até mesmo aqui eles não se separam pensou Harry, sorrindo.

Aí então viu o seu pai. Fisicamente, ele não estava tão diferente do que era. O mesmo cabelo espetado e desarrumado, os mesmos óculos levemente tortos, a mesma altura, os mesmos olhos castanho-esverdeados, os mesmos traços corporais que o de Harry. Porém havia algo a mais do que estar mais velho (ele viu alguns fiozinhos de cabelo branco). Haviam olheiras enormes denunciando o seu cansaço. Ele aparentava estar mais velho que alguém de sua idade deveria. Pareceu que emagreceu muito em pouco tempo, pois suas roupas estavam bem folgadas. A barba estava por fazer e ele tinha um ar de negligência consigo mesmo. O mais estranho: olhava de um canto para o outro com os olhos arregalados, em constante alerta. E ainda mais: suas mãos eram constantemente trêmulas, e nem mesmo segurando-as forte era capaz de controlar.

Rony e Hermione olhavam para James e em seus rostos estava estampado o nojo, a raiva. Não pareciam querer colaborar, e enquanto Anna buscava a Penseira, Rony sibilava diversas vezes para James, chamando-o de Traidor, de assassino. James apenas abaixava a cabeça.

-Essa Penseira possui as lembranças de um mundo aonde Severus não se casa com a Lily. A Lily se casa com James e tem um filho – anuncia Johanna.

"A ideia das realidades alternativas é essa, meus caros. Uma decisão tomada aqui pode ser tomada de um jeito diferente em outro lugar".

-Mas onde está meu suposto filho? – disse James um pouco apreensivo.

-Você o verá nessa Penseira – disse Anna

-E porque temos que entrar com ele? – começou Hermione, a beira das lágrimas – Ele fez o que fez, acabou com a vida de Johanna e você quer que a gente entre em memórias aonde ele tem a cara-de-pau de casar com a mãe dela e ter um filho? ELE É UM MONSTRO!

Rony a abraçou enquanto ela estava em lágrimas. Harry percebeu que eles só não reagiriam pois Anna estava ali e iria impedí-los. James olhava para o chão e dava para perceber que ele estava desviando o rosto para que ninguém visse sua tristeza. Ele parecia alguém que já não chorava mais por falta de lágrimas.

-Mione, vai ser tudo explicado pelas memórias. Por favor, entre.

Relutante, Hermione se aproximou da Penseira, junto com o Rony. O melhor amigo de Harry não falava, mas não precisava. Só o olhar que ele deu para James já dizia o suficiente: Eu vou te matar.

Os três se aproximaram e viram Anna depositar as memórias na Penseira. Logo após James enfiou sua cabeça nela, enquanto Rony e Hermione olhavam indignados para Anna.

- Vamos acabar logo com isso, Hermione – disse Rony – Depois acabamos com ele.

Os três enfiaram a cabeça na Penseira, enquanto Harry retirava a capa, aflito com o mundo que lhes estava prestes a ser revelado.