Ato 4 – O Homem de Um Milhão

-Peraí, ele vale um milhão de libras esterlinas?

Eu estava chocada. Me passaram a perna! E a resposta para minha pergunta veio logo em seguida:

-Você está meio surda? Não me ouviu? A não-devolução do amante noturno em 72 horas configura compra.

Esse tal de Sirius Black... educado, não?

-Por quê? POR QUÊ? Exijo explicações!

Foi quando James finalmente se pronunciou:

-Um milhão... quanto é isso?

-Olha aqui, eu tenho uma nota de cem libras. – o vendedor começou a explicar, tirando uma nota da carteira.

-Nossa! Quanta coisa!!

-Você vale 10 mil vezes isso. E ela vai me pagar agora!

-Nossa, que demais, Lily!

-Já disse que é muito caro!! – tive que declarar a verdade, óbvio. Sirius me olhou confuso.

-Como assim? Olha só esta lista. A quantidade de "opções de configuração" que você escolheu! -Ele retirou um papel do bolso que poderia ter o nome de cada habitante da Terra, de tão longo.

Ah! Mas ele não ia me pegar de jeito nenhum!

-Se me lembro bem, o site dizia para escolher livremente o que eu quisesse!

-Sim, só que cada item custa 10 mil libras...

Arranquei a lista das mãos dele e comecei a ler:

Habilidoso;

Inteligente;

Bonito;

Sábio;

Legal;

Confiável;

Másculo (que me dê bronca quando eu merecer);

Meio desligado;

Bom cozinheiro,

Reflexos perfeitos;

Meio taradinho;

Forte;

Limpinho;

Que me salve sempre que eu estiver em perigo;

Um pouco ciumento;

Um pouco autoritário;

Tranqüilo;

Animado;

Etc, etc.

Parei de ler, aquilo só me deixou ainda mais nervosa. Sirius continuou:

-... se você fizer a conta, vai ver que fica em um milhão. – ele pegou um muffin de cima da mesa e deu uma mordida. – E você exagerou nas qualidades! Se um cara desses realmente existisse daria até medo! – e sussurrou – Se bem que este aqui saiu mais ou menos assim...

A essa altura eu já estava jogada no chão, pedindo pra nunca ter nascido.

-Ah! E também não aceitamos devolução após a compra. Se não puder pagar à vista, podemos parcelar, sem problemas. Temos um plano muito bom de pagamento em 50 anos.

-CINQÜENTA ANOS?!?!

-Tá certo! Eu pago! – James decidiu, depois de ver meu sofrimento no carpete da sala.

Sirius riu:

-Esse é o seu preço, cara! Começamos fabricando esse produto para mulheres ricas, mas depois de três dias ninguém consegue viver sem ele!

-Hã? – essa eu não entendi.

-É isso mesmo. Ele usa todas as técnicas possíveis para te levar ao paraíso. Aaann... tenho vergonha de explicar melhor!

Ele não parecia tão constrangido quanto dizia.

-Não fizemos nada.

Depois dessa, ele levou o maior susto. Como se eu tivesse dito que não vai ter chocolate na páscoa, ou coisa assim.

-Você é trouxa?! Nada?!?! Ele nasceu pra isso! Ele é da série "Amantes Noturnos"!!

Ele pegou o celular, ainda chocado pela minha lerdeza, e discou. Após alguma conversa com um tal de Mino, desligou.

-Bom, você vai ter que pagar! Com o plano de 50 anos pode ir pagando devagar. – o vendedor aproximou-se e apontou o dedo no meu rosto – Teremos problemas se infringir o contrato! Pague as 3 mil libras da primeira parcela em três dias!

Então Sirius virou-se e desapareceu pela porta de meu apartamento. Eu e James desabamos no sofá e o silêncio imperou na sala. Enquanto ele parecia estar preocupado, tudo o que eu conseguia fazer era pensar em um jeito de sair dessa.

Como eu fui deixar isso acontecer?? O que eu faço? Eu não tenho como pagar um milhão!!

Ligo para os meus pais?

"Ah, desculpa incomodar, é que eu comprei um negócio em um site aqui e acho que não vou conseguir pagar sozinha... Hã? O preço? Um milhão!!"

Vou ser deserdada... isso se eles não tiverem um ataque do coração antes.

Só me resta mesmo trabalhar, mas para uma colegial a única maneira de conseguir dinheiro rápido é fazendo...

-Serviço público! – que dureza.

De repente, uma voz soa ao meu lado:

-Não! Faça como as outras colegiais: se prostitua!

-AH! Sirius! Você não tinha ido embora? – lancei-lhe um olhar mortal.

-Voltei só pra fazer essa piadinha...

-Fora! Anda logo!!

Enxotei o vendedor inútil da minha casa e então olhei para James. Ele parecia extremamente culpado.

-Lily.

-Hã?

-Quer que eu faça alguma coisa?

-Alguma coisa...?

-Sim, eu posso trabalhar. Se esse é o meu preço, eu devo pagar.

-Isso não é meio estranho? – a expressão dele... era de partir o coração.

-Mas... eu não posso ficar só olhando.

-James, não se preocupe. Eu vou fazer alguma coisa. A culpa foi minha por não ter lido o contrato direito.

-Lily, já sei o que eu posso fazer por você!! – ele disse, desabotoando a camisa.

-Ow! Peraí! – corri para tentar colocar a camisa de volta nele, e um pouco de juízo também. – Como você consegue ficar pelado tão rápido?!

*-*-*-*-*

Mas, de verdade, o que eu posso fazer? Será que eu não acho um milhão caído por aí?

Tentei pedir ajuda à Amber no dia seguinte durante o intervalo. Eis no que deu.

-Dinheiro? Você tá procurando emprego?

-Tô... algo fácil e que me pague bem.

-Prostituição! Que tal? – nós duas rimos. O meu riso um pouco mais nervoso, verdade seja dita.

-Será que é só isso mesmo?

-Acho que ninguém pagaria por você, tábua. – Opa! Uma voz conhecida. Alguém tá me ofendendo aqui atrás.

-Severus! Há quanto tempo você tá aí?

-Eu só tava passando, tô ocupado. Amber, pára de colocar essas idéias idiotas na cabeça dela, ela é tão boba que pode acabar fazendo.

-Humm – Amber pronunciou-se – Severus, fala a verdade: você gosta da Lily, né?

-Hã?

-Hm?

Momento freezer: nós dois congelamos.

Tô vendo que vou ser eu quem vai ter que nos tirar do holofote.

-De onde você tirou isso, Amber?!

Minha voz não soou nada inocente e Amber ficou me olhando desconfiada.

-Por que você precisa de dinheiro? – Severus quis saber, ignorando totalmente a situação.

-Hã? É que... eu fiz uma compra pela internet e-

-O que você comprou? Quanto foi?

Um boneco de um milhão de libras.

Não importa o que eu diga, não tem saída...

-Isso... isso é segredo! Aliás, Severus, você tá trabalhando, não tá? E você disse que o lugar não é tão ruim assim.

-Sim... talvez eles estejam precisando de gente, já que eu saí e tal... – ele parecia constrangido.

É verdade, já faz dois dias que ele não traz comida do trabalho.

-Por quê? Por que você saiu?

Um momento de silêncio. Um olhar que deveria transmitir alguma mensagem implícita. O som do sinal ao fundo.

-Por nada. – ele virou-se e começou a andar em direção ao prédio. – Vamos. O sinal tá tocando.

*-*-*-*-*

Ai, ai... no fim das contas não me deram nenhum conselho. O que é que eu faço?

-Ai! Mas o que...

A gente sempre escuta que não se deve andar distraída na rua, mas dessa vez a sorte bateu na minha porta! Ou melhor, na minha testa. Um cartaz:

URGENTE!!

Floor Lady

Ei, você aí, precisa de dinheiro?

Que tal um serviço super seguro, sem nenhuma cota a cumprir?

Durante a semana – 100 libras por dia

Na nova loja – 120 libras, duas horas

É isso!!

*-*-*-*-*

-Oi, Lily! – passei correndo por James. Não tenho tempo a perder. – Vai tomar banho? Quer comer antes?

Coloquei minha roupa mais apresentável e, tudo bem, um pouco de enchimento no sutiã, e saí para a entrevista. Gritei para James, quando passava novamente por ele:

-James, anote meus recados!

E o deixei para trás com uma expressão não menos que confusa no rosto.

*-*-*-*-*

-Sou Lily Evans, tenho 18 anos! Prometo que vou me esforçar!

O dono do estabelecimento me analisou. Era um homem baixinho, uns 38 anos, usava óculos e um bigodinho... sério.

-Hum... você não é estudante, é? Bom, a gente tá com pouco pessoal... dê o máximo no seu dia de treinamento.

-Sim! – uma voz soou junto à minha.

-Ahh! James?! O que você tá fazendo aqui?

-Expandindo nossos negócios. – Era só o que faltava.

-Opa, você também está procurando emprego? Você tem um rosto muito bonito! – o homem começou a analisar James também. – Pode se vestir de mulher!

-Como assim?!?!

Então, em alguns minutos estávamos vestindo nossos uniformes, que eram, na verdade, fantasias.

A minha consistia em uma mini saia com laçinhos dos lados, uma blusinha com um sino no meio do peito, luvas e orelhas de gato. Ah, e é claro, um rabo atrás da saia. Melhor impossível.

O que me assustava mesmo era James. Colocaram uma roupa de empregada nele e tudo mais: vestido preto, avental por cima, aqueles arquinhos de renda na cabeça, peruca morena e maquiagem.

-Como eu to, Lily?

-Ahnn... ficou ótimo! – vou chorar, sério. Ele fica uma mulher mais bonita que eu.

Ainda não sei direito o que vou fazer, mas tenho que agüentar. Preciso do dinheiro!!

E, definitivamente, não gosto muito desse lugar.

Um salão enorme cheio de mesas ocupadas apenas por homens, garçonetes vestidas de tudo o que você puder imaginar - de policial a enfermeira – todas bajulando os clientes.

-É só servir bebidas né? – perguntei a James – Disseram que não preciso beber.

Fomos atender uma mesa, um rapaz falou para James enquanto eu enchia seu copo:

- Uau! Você é muito bonitinha!

Me peguei o observando. É verdade, como um boneco ele é perfeito...

-Ah! Desculpa! – droga! Derramei bebida no cara!

-Claro, não tem problema, gatinha! Seu jeitinho distraído é lindo. – ele respondeu, me abraçando.

James, pelo jeito não gostou disso, já que o empurrou na maior grosseria e me puxou protetoramente para seu lado. O dono do bar apareceu com uma expressão de raiva no rosto:

-O que tá fazendo com o cliente??

-A Lily é minha namorada. – ele respondeu, muito sério.

Logo estava tudo resolvido e nós dois nos dirigimos à próxima mesa.

-Tudo bem, é pelo dinheiro. Dá pra agüentar um pouco de...

-Desculpem a demora – ouvimos uma voz vir do palco - É HORA DO SHOW!

Em questão de segundos as garçonetes estavam tirando suas fantasias, rodando-as no ar e jogando para cima.

-Este é o mundo dos adultos! – o locutor continuou.

Hein?! Ninguém me avisou!! Agh! Olha o que eles estão fazendo!

-Ei, tira! Tira! – um cara de óculos gritou para James.

E com uma expressão de tédio, ele respondeu:

-Tem que tirar a roupa? Já que insiste... – em um movimento de indiferença começou a tirar o avental. Tive que interceder:

-James, você não! – ainda mais rebolando desse jeito.

Foi quando senti uma mão segurando meu braço, e uma voz desconhecida por trás:

-Vem cá, gatinha!

E então o cara tinha me agarrado. Com uma mão levantava minha blusa e com a outra segurava minha cintura. Eu fiquei em choque, tudo o que consegui falar foi:

-Não! Pára com isso!!

Não passaram nem dois segundos e James apareceu, segurando o cara pela gola da camisa a uns dez centímetros do chão. No meio da confusão toda sua peruca acabou caindo. Ele disse, com a voz mais intimidante que já ouvi em toda minha vida:

-Não toque na minha namorada!

Apesar do pavor, o homem conseguiu juntar sílabas para dizer:

-É um homem! – e assim todo o bar parou para ver a confusão. James dirigiu-se a mim:

-Tá tudo bem, Lily. Eu dou conta dele.

-Como?! – a multidão fez-se ouvir.

-Com a mão direita, ué... – simplesmente um gênio, hein?

-Não, não é isso!

-Ahhh!!! O que vocês estão fazendo?! – o dono apareceu, totalmente desesperado. – Desse jeito, esse lugar vai virar outro tipo de estabelecimento! Estão despedidos!!

*-*-*-*-*

Agora estamos voltando para casa. E apesar de que à noite Londres fica ainda mais linda com todas essas luzes, sinto-me ainda pior –se possível- que nesta manhã.

No fim das contas, não deu em nada.

James caminhava ao meu lado quando resolveu quebrar o silêncio:

-Desculpa, Lily. Ainda não entendi por que tomamos bronca...

-Tudo bem, eu também não esperava que o lugar fosse daquele jeito.

-Mas e o dinheiro?

-Hum... é verdade. A gente assalta um banco! – brinquei, porém James não sorriu.

Acho que só me resta a prostituição mesmo.

-Lily, me devolva. Por favor.

-O quê? – paramos de caminhar e nos encaramos. Ele me olhava profundamente enquanto eu apenas esperava por respostas. Ele explicou - Acho que Sirius Black não vai aceitar, mas eu falo com ele.

Isso vai me salvar, mas...

-Eu odeio isso. – ele continuou – ver você sofrendo por minha causa. Eu gosto quando você sorri, por isso, me devolva. Por favor.

Por que meu coração tá acelerado?

-Mas se eu te devolver, o que acontecerá com você, James?

-Não importa. – ele colocou as mãos em meus ombros - Se é por você...

-Não fala assim... – eu devia estar parecendo desesperada, porque James levou uma de suas mãos ao meu rosto e ficou me observando. O calor de seus dedos nada mais lembrava o frio que era antes de ser ligado por mim. Eu podia ouvir as batidas do meu coração, de tão altas.

Então ele se aproximou, instantaneamente meus olhos fecharam-se e eu esperei sentir o toque de seus lábios sobre os meus.

-Você é bem feito mesmo, hein? – a voz conhecida veio de um banco ao nosso lado. Rapidamente nos afastamos enquanto ele continuou – Você pertence à nossa empresa, como assim "me devolva"?

-Sirius? Quando foi que... – perguntei.

-Eu ia perguntar se vocês querem um quarto, mas acho que não vai servir pra nada. Não tem jeito mesmo, a única coisa que eu posso fazer para ajudar é dar um desconto maior! Pode ficar pelo dinheiro que você tem na carteira.

-Sério?!?!

-Mas tem uma condição. Você também vai ter que trabalhar pra gente.

-Hein?!

Continua.

*-*-*-*-*

N/A: Então pessoal, parece que a cada capítulo a situação da nossa querida Lily só se complica mais e mais... que emprego será esse, hein?

Mais uma semana sem beta... a Bruh tah fazendo 3º colegial, por isso a gente perdoa ela ^^

Obrigada a LadyBarbiePontasPotterCullenS., Souhait, beijomeliga, Rose Anne Samartinne e Mari IP. Pelas reviews!! Amo todos vocês!

E pra você aí, ainda não é tarde pra comentar, ok? Hahaha.

Beijos e até semana que vem!