Avisos: Menção a violência (implícito)

Capítulo 4: Malcolm

Ele estava sangrando e a polícia chegaria logo, mas Malcolm precisava saber –tinha de ter certeza. Além disso, o garoto estava muito machucado –ele havia assegurado para que assim fosse-, e não podia ter ido muito longe.

Seguiu o caminho que o outro fizera, espiando da janela quebrada para o beco…ali estava ele, deitado no chão. Não se movia, e isso fez Malcolm franzir o cenho. Estaria morto? Essa ideia trouxe estranhamente sentimentos conflitantes. Decerto não se importaria de se ver livre desse problema chamado de Vigilante e, ainda assim, o outro fora um bom e valoroso oponente...talvez o melhor que tivera em anos. Seria quase uma pena se ele morresse agora, justamente quando Malcolm estava começando a se divertir.

Mas não, seu arqueiro verde ainda estava respirando… inconsciente então, todavia, por quanto tempo? Morte ou a polícia chegaria eventualmente. Ele deveria ir lá e acabar com o cara de uma vez por todas. Afinal, não importava quão divertida a noite tinha sido, Malcolm ainda o havia vencido. Não tinha sentido continuar adiando.

Um movimento no beco o parou e Malcolm se colou a parede. Quem quer que estivesse lá não era um policial, pois estava tomando cuidado demais para não ser notado. E também estava sozinho. Malcolm mataria quem fosse também.

"Jesus Cristo, Oliver!"

Ora, ora, ora. Parecia que seu homem misterioso número 2 havia encontrado o homem misterioso número 1, apenas para nenhum deles acabar sendo um mistério de verdade.

Ele estava certo afinal de contas.

Malcolm assistiu enquanto o guarda-costas de Oliver Queen se ajoelhou perto de seu chefe, as mãos verificando os machucados de flecha nas costas, sem tocá-los, antes de ir para o pescoço e checar por um pulso. Um suspiro de alívio escapou da boca dele ao encontrar um e virou Oliver com cuidado, procurando por mais machucados.

O homem não parecia surpreso em encontrar o chefe na roupa de vigilante, o que só poderia implicar que ele sabia, possivelmente por algum tempo já. Eles talvez até tivesses trabalhado juntos levando-se em conta terem visto o Vigilante enquanto Oliver estava na custódia da polícia. E não eraisso interessante, que Oliver havia escolhido confiar nesse homem o seu segredo, essa confiança sendo recompensada com lealdade.
Antes que Malcolm pudesse contemplar as implicações disso mais a fundo, Oliver tossiu, voltando a consciência já lutando, mas o outro homem desviou do golpe com facilidade.

"Sou eu." Ele disse e Oliver relaxou contra o chão duro, gemendo de dor quando seus machucados tocaram o desconfortável local.

"Vai dizer eu bem que te avisei?" Ele perguntou com um sorriso fraco que deixou Malcolm admirado, sabendo o quanto de dor o outro deveria estar sentindo. Entretanto, não impressionou seu companheiro, o qual apenas bufou.

"Talvez mais tarde." Ele disse, mantendo os olhos fixos no que fazia... que era -Malcolm observou ao se mover de leve para poder ver melhor- amarrar a própria gravata em volta da coxa de Oliver. Ele era cuidadoso com o outro, muito cuidadoso, mesmo sendo rápido, e Malcolm ergueu uma sobrancelha para este detalhe. Havia raiva lá, também, se o jeito resoluto dele ao se recusar a encontrar os olhos de Oliver significava algo, mas por que? Por Oliver ter falhado? Ou por ter se arriscado e acabara machucado? Provavelmente a última opção, considerando a resignação que passou pelo rosto dele quando enfim olhou para o loiro. Oh, sim, ele se importava, decerto mais do que deveria.

Quão… ordinário. Dormindo com a ajuda, Oliver? Mamae ficaria tão desapontada.

Mas então o homem não era só a ajuda, era? Ele era bem treinado, aquele ali, sua voz e mãos firmes apesar das circunstâncias. Malcolm não sabia seu nome –não havia tido importância até agora- mas ele teria de descobrir, junto com tudo o que havia para se saber dele. Começando por seu relacionamento com seu chefe.

"Fale comigo, Oliver."

"Pneumotórax. Eu acho." Oliver chiou ofegante. "Merda, dói."

"Okay, você provavelmente não vai nem lembrar disso, mas me desculpa."

"Pelo o quê?"

Ao invés de responder, ele o colocou sentado antes de pô-lo de pé e depois sobre seu ombro, segurando-o como bombeiros fazem. Oliver gemeu de dor antes de desmaiar, relaxando o corpo e fazendo o outro soltar um grunhido pelo esforço de um agora peso morto.

"Você não vai morrer sob meus cuidados, eu não falei 'eu bem que te avisei' ainda." O homem declarou, indo embora e Malcolm deixou.

Ele sorriu.

Era sempre bom saber qual o ponto fraco de seu inimigo.

Continua...

Próximo POV: Thea