A cobra intrigante.
O inverno estava finalmente acabando e havia uma expectativa que parecia emanar da própria terra, expressada na relva verde e rasteira, com florações precoces.
A expectativa estava presente também no próprio castelo, embora parecesse mais como um tipo de energia negativa. Todos pensaram que Voldemort atacaria antes de Harry Potter sair de Hogwarts. A maior surpresa contudo, foi um ataque surpresa dos aurores contra suspeitos Comensais que estavam escondidos. Este ataque capturou quase doze Comensais, e acreditava-se que três deles pertenciam ao círculo mais próximo de Voldemort. Suspeitava-se que, com essa queda do seu alto escalão, Você-Sabe-Quem tivesse que mudar seus planos repentinamente.
Agora estavam na primavera, e mesmo que Harry Potter estivesse em um local escondido, preparando-se com outros onze promissores ex-colegas, todos acreditavam que um ataque era eminente.
Hermione certamente acreditava nisso. Mesmo que estivesse feliz em ser aprendiz de um dos mais respeitados Mestre de Poções no mundo, ela também sentia que deveria estar se preparando mais para batalha, e não ficar corrigindo redações de alunos ou suprimindo a Ala Hospitalar com poções.
Snape observara-a de perto durante este tempo. Sua frustração era aparente com a sua distração. E distração era sempre uma coisa muito perigosa quando combinada a Poções. Contudo, Snape sabia que em humanos, a frustração era igual a poções a serem preparadas. Às vezes, era necessário deixá-la cozinhar por um tempo para encontrar os resultados desejados.
Talvez ele já tivesse deixado ela cozinhar demais, ele pensou enquanto voltava de uma incursão à biblioteca, depois de escutar escondido - com a ajuda do feitiço desnotatio - uma conversa entre Hermione e Ginevra Weasley. A Weasley mais nova estava adulando a amiga para irem juntas a Hogsmeade no final de semana.
– É sábado, e você não teve nenhuma folga desde o começo – ela cochichou. – E com Harry e Rony sabe-se-lá-onde...
Hermione abafou o riso. – Eles estão sabe-se-lá-onde para lutar com Você-Sabe-Quem. – As olheiras estavam profundas em seus olhos. Às vezes ela se sentia que nunca mais tivera uma boa noite de sono desde o Natal. Procurar Papoula para pedir uma Poção Sem Sonhos seria admitir o problema e teria que ouvir da medibruxa a avaliação de que ser aprendiz do Professor Snape estava sendo muito puxado para ela no momento. E como ela não queria que o Professor Snape fizesse a mesma observação, ela também não podia procurá-lo
– Você está bem, Hermione? – Gina perguntou, demonstrando preocupação no rosto.
Envergonhando-se, Hermione fechou os olhos e meramente balançou a cabeça. – Estou cansada, Gina. Estou cansada de tanto trabalho e estou me sentindo como se não fizesse nada. Eu... eu quero alguma coisa pra fazer. Estou cansada de esperar. Eu só quero que isso acabe. De um jeito ou de outro.
Gina apertou sua não. – Mais um motivo para ir comigo para Hogsmeade. Acho que terei uma surpresa para você.
Vagarosamente, Hermione abriu os olhos e forçou um sorriso no rosto. – Isso seria adorável, Gina – ela disse devagar. Foi o suficiente para apaziguar a amiga. – Vou deixá-la estudar para seus NIEM´s agora. Tenho algumas redações para corrigir para o Professor Snape.
Snape esperou ela sair antes de se esconder novamente nas sombras. Os passos dela eram negligentes e sua cabeça estava baixa. Era a primeira vez, na memória dele, que ela saía da biblioteca sem carregar nenhum livro. Controlando sua satisfação interna, ele percebeu que ela estava sozinha e triste, uma combinação perigosa para alguém tão inteligente quanto ela. Ele esfregou o braço esquerdo distraidamente. Oh sim, ele entendia o perigo.
Seu plano estava funcionando. Hermione Granger dependeria dele. Ginevra Weasley deixaria a escola em mais alguns meses e Hermione ficaria ainda mais isolada. Permitir-lhe alguma diversão agora, apenas acentuaria esse isolamento.
Assim que retornou para a masmorra, ele percebeu que a única coisa que estava lhe dando prazer nesses dias eram os planos que fazia para a Srta. Granger. Desde que ele decidira que ela daria uma ótima esposa, ele a estava estudando cada vez mais e fazendo planos. Talvez realmente aquilo fosse a única ocupação que lhe dava prazer naqueles dias.
A Ordem da Fênix não parecia estar muito ativa. O serviço de investigação do grupo estava trabalhando na coleta de informações e arquitetando planos onde ele não era solicitado. Os Comensais da Morte estavam ficando mais ativos, aterrorizando os nascidos trouxas com violência. Sua posição ainda estava com constante perigo, devido à falta de confiança que o Lorde das Trevas tinha nele. Sua tarefa ainda era espionar a Ordem da Fênix. Depois de tantos anos ensinando, alguns dias ele sentia como se já tivesse feito tudo aquilo antes, mesmo quando algum caldeirão derretia na sala de aula. Não, a Srta. Granger era o único oásis no meio do mar de caos e descontentamento da vida dele.
Mais tarde naquele dia, Hermione trouxe as redações que ela terminara de corrigir para ele. – Professor Snape, seria viável eu ir até Hogsmeade nesse sábado? – Ela perguntou, deixando os papéis na beirada da mesa dele. Ela descansou as mãos sobre os pergaminhos, uma em cima da outra.
Fora assim que suas manipulações se tornaram ardilosas: contato físico. Ele poderia simplesmente manter a mente dela ocupada, mas constantemente, ele sentia que ela ainda o enxergava apenas pela figura autoritária que conhecera nos oito anos de escola. Como sua aprendiz, a relação entre eles precisava se tornar mais próxima. Mesmo que ele ainda fosse seu instrutor, ele não queria mais ser visto daquela maneira. Não, Snape queria ser seu mentor agora. A partir dali... afinal, seus planos foram bem planejados.
Ele coçou a linha da parte inferior do lábio, considerando. Pelo canto dos olhos, ele podia ver Hermione observando seu dedo movendo-se pra lá e pra cá. Isso lhe custou um esforço para não sorrir, mas ele tinha muita prática nisso.
– Por Merlin, Srta. Granger – Snape disse repentinamente –, você já teve algum dia livre?
Ela começou a balançar a cabeça, mas lembrando como ele odiava isso, falou: – Não, senhor. Eu não precisei de nenhum desde…– desde que meus pais morreram… – o último verão.
– Seria muito incômodo para você levar um pedido até o apotecário de lá? – Snape perguntou suavemente. Hermione hesitou, sem saber ao certo o que a súbita cortesia dele indicava. Recentemente ele havia se tornado mais respeitoso e menos sarcástico com ela. Mas isso não indicava que ela pudesse acreditar totalmente nele.
– Eu adoraria, senhor.
– Se puder vir buscá-lo na sexta, depois da última aula – ele murmurou, depositando a pena na mesa, o dedo mínimo da mão direita dele roçando os dedos dela. – Eu terei a lista na sexta para você, Hermione.
Ele teve a certeza de não parar antes de dizer o nome dela; fazendo parecer quase um deslize inconsciente da língua. Somente um nascido e criado sonserino perceberia a diferença. E Hermione não era uma sonserina.
Snape levantou os olhos, sua expressão cuidadosamente neutra. Respirando profundamente, ele olhou diretamente dentro dos grandes olhos castanhos dela, que estavam brilhando com... felicidade, ele determinou clinicamente.
– Minhas desculpas, Srta. Granger – ele murmurou. – Não devo me esquecer das formalidades.
O brilho nos olhos dela diminuiu um pouco. – Mas eu li que outros aprendizes chamam seus Mestres pelo primeiro nome e vice-versa – ela começou, mas ele levantou a mão para que ela silenciasse.
– Srta. Granger, como minha aluna, nós devemos sempre observar as convenções – Snape lhe disse com uma voz que não admitia argumentações, o que, com certeza, significava que ela devia argumentar. Afinal de contas, ele lhe dera a brecha perfeita.
– Não sou mais sua aluna, senhor – Hermione disse orgulhosamente. – Fiz meus NIEM´s há quase um ano.
– Sim, você foi incrivelmente… extraordinária – ele murmurou, observando o orgulho iluminar seus olhos novamente. Estranho, você se desvia de sua conduta normal apenas para não felicitar alguém e então, qualquer pequena observação da verdade os felicita imensamente. – Acredito que foram as notas mais altas em dez anos.
– Catorze, senhor – ela o corrigiu orgulhosamente, então vacilou enrubescida e baixou o olhar.
Snape colocou sua mão sobre as dela, mantendo-a deliberadamente confusa. – Desculpe, Srta. Granger – ele murmurou –, mas não deve se envergonhar das suas realizações. Tenha orgulho. Além do mais, você continua provando que o Lorde das Trevas está errado com sua suposição de que os bruxos e bruxas nascidos trouxas são de alguma maneira inferiores aos sangues-puros. – O dedão dele movia-se preguiçosamente sobre a mão dela, num afago inconsciente. Com desinteresse, ele notou como ela congelou olhando aquilo e sua respiração ficou mais áspera.
Ah sim, tédio e trabalho improdutivo – ele pensou jubiloso. Que belo problema isso causa numa mente tão inteligente.
Snape sabia que não era um homem belo. Contudo, ele era um sonserino, e todos os sonserinos amavam caramente o poder. A sedução era um poder, então ele aprendeu a trabalhar com o que tinha: sua voz, suas mãos, seu intelecto, e sua habilidade em observar os outros e ver suas fraquezas. E ele estava usando tudo isso em sua vantagem.
Ele ainda estava cumprimentando-se pelo sucesso de suas manipulações sobre a sua futura esposa na sexta-feira, quando entrou na sala para a aula de sua turma de NIEM´s. Ginevra Weasley conversava com sua parceira, Margaret Dorcas, antes dele entrar. Suas mesas eram no fundo. Ele suspeitou que era para ficarem o mais longe possível dos seus olhos, o que significava que ele passaria um bom tempo andando pelo fundo da classe.
– Gui está na cidade e me perguntou se eu poderia arrumar um encontro com ele e a Hermione amanhã – ela estava comentando com a amiga.
– Ele ainda gosta dela? – Margaret perguntou. – Posso pegar a pena emprestada? A ponta desta aqui está terrível
– Toma, pega essa – Gina disse. – Ah sim, ele acha que ela é um anjo e o Rony um otário. Eu vou tê-la como irmã, de uma maneira ou de outra.
– Bom, se ele não der certo, ainda tem o Carlinhos! – Margaret abafou o riso quando Snape abriu a porta com estrondo.
Olhos flamejando, andando pela da sala, sua capa esvoaçando mais que o comum. Tomando seu lugar na frente da sala, ele passou os olhos pelos alunos, especialmente as duas garotas no fundo da sala.
– Hoje vamos começar a preparar a Poção Oblivisci. Srta. Weasley, o que essa poção faz? – Ele perguntou sedosamente. Ela o olhou, espantada e sem resposta.
Zombando, ele continuou: – Qual o problema, Srta. Weasley? Você… esqueceu?
Aqueles que sabiam a resposta sorriram; seus quatro sonserinos riram mais alto e demoradamente. – Sr. Patterson, você poderia explicar para a… menos inteligente aluna da classe, o que essa poção faz?
– Ela funciona como uma forma líquida do feitiço Obliviate, professor – O Sr. Patterson foi obrigado a responder.
– Muito bem, Sr. Patterson. Cinco pontos para a Sonserina. – Ele olhou de volta para Gina. – E cinco pontos a menos para a Grifinória por estar despreparada.
Enquanto os estudantes preparavam suas poções, Snape sentou-se na sua cadeira, encarando sem observar a lista de suprimentos. Quantos Weasleys eu terei que afastar da garota? – Ele se perguntou furiosamente. Certa vez, ele pensou que a virgindade dela não tinha importância. Entretanto, independente da questão do sangue virginal, descobriu que não gostava de pensar que ela teria outro homem para compará-lo sexualmente.
E Gui Weasley era um desfazedor de feitiços. Inteligente o suficiente para estimular a inteligência de Hermione. Sem mencionar que ele era um jovem garanhão, com calças agarradas e um brinco para estimulá-la de outras maneiras. Gui Weasley não era nenhum menino contente apenas em amassá-la num canto. Seu plano estava seriamente arriscado.
Andando pela sala, ele deu um jeito de tirar mais vinte pontos da Grifinória das Srtas. Weasley e Dorcas, por infrações bobas. E antes delas saírem, ele usou um pequeno feitiço para deixar suas poções na beirada da mesa, fazendo com que caíssem.
– Acredito que é um zero hoje – ele murmurou falsamente preocupado. – E uma detenção com Filch esta noite por sua falta de atenção
Quando Hermione veio buscar a lista, Snape a escondeu embaixo de algumas redações. – Desculpe-me, Srta. Granger, mas parece que eu a perdi – ele lhe disse. – A que horas você vai para Hogsmeade amanhã?
– Duas horas, senhor – ela o olhou preocupada. Ele nunca havia perdido nada antes. – Está tudo bem?
– Vai estar, Srta. Granger. Vai estar.
Naquela noite, ele pensou muito. Ele poderia alegar que tinha alguma poção emergencial para fazer e mantê-la no castelo, mas aquilo poderia ter um efeito ainda pior. Sentado em sua poltrona em frente à lareira, com um livro ainda não lido nas mãos, ele pensava. O que poderia fazer para mantê-la no castelo como se fosse uma idéia dela? Ele sorriu súbita e maliciosamente com a idéia que havia acabado de lhe ocorrer.
Sim – ele pensou. Aquilo funcionaria perfeitamente.
Quando foi 12:30, ela foi até a sala de Poções, procurando por ele. Snape estava cuidando de um caldeirão e pareceu surpreso quando a viu entrar. – Oh, Srta. Granger, – ele disse com voz de quem está ocupado e com problemas. – Eu preciso que entre na minha biblioteca e encontre um livro para mim: "Soluções Químicas para Feitiços". Ele deve estar na terceira estante da direita, segunda prateleira de baixo para cima, se me lembro bem.
– A senha, senhor? – ela perguntou sem esconder a excitação.
– Cobra intrigante – ele respondeu. – E seja rápida.
Hermione estivera em sua biblioteca pessoal duas vezes, ambas sob a supervisão dele, então ela só vira os livros que estavam alojados ali em relances torturantes. Rapidamente ela encontrou o livro e levou-o com um olhar pesaroso por sobre o ombro para o conhecimento encadernado que deixara atrás de si.
– Encontre a Poção para Dormir com Sonhos na página 63 e leia os ingredientes – ele ordenou, dando uma última olhada para o caldeirão antes de lançar um feitiço paralisante nele. Aquilo era meramente alguns ingredientes jogados juntos, mas ela não precisava saber disso. – Tenha certeza de que temos ingredientes suficientes para prepará-la.
Ela voltou-se para ele rapidamente. – Sim, senhor, nós temos. Apesar de estarmos usando muitas papoulas, talvez nós tenhamos o suficiente para duas poções.
– Por favor, adicione isto na lista então, Srta. Granger – ele lhe disse, segurando a lista de suprimentos necessários. – Peça ao apotecário para mandar entregar, por favor. Agora eu tenho uma reunião. Se puder guardar o livro no lugar e recolocar as proteções antes de sair. Quando você irá para Hogsmeade?
– Duas horas, senhor – ela lhe disse, suas mãos tamborilando na capa do livro. – Vou me encontrar com a Gina no Três Vassouras às 2:30.
– Muito bem, então – ele lhe disse, segurando um sorriso. Era o tempo necessário para ver se ganharia sua própria aposta. – Se quiser, pode olhar os outros livros, quando recolocar esse no lugar. Os únicos que não podem ser abertos são os sobre Artes das Trevas. Deixe-os isolados.
Parecia que o Natal havia chegado mais cedo para ela. – Oh, muito obrigada, senhor! – Ela exclamou. – Isso é muito gentil da sua parte!
– Você faz por merecer, Hermione – ele disse suavemente, permitindo que sua voz diminuísse em volume e tom. Sob o olhar espantado dela, ele deu um pequeno sorriso. – Eu decidi que você está certa. A sós, nós podemos usar nossos primeiros nomes."
Obrigado, Sir… Er, Severo.
Sir Severo, – " ele zombou gentilmente. – Assim me faz parecer um cavaleiro
– De certa forma, você é, Severo – Hermione sorriu para ele.
– Divirta-se hoje, Hermione – Snape lhe falou antes de sair vagarosamente da sala. Quando ele a olhou novamente, ela já estava andando de volta à sua biblioteca, sem perceber o sorriso de triunfo no rosto dele.
Muito mais tarde naquele dia, ele voltou para seus aposentos para ainda encontrá-la em sua biblioteca, um livro nas mãos e outro a seu lado.
– Hermione! – Ele falou assustando-a. – Por que você ainda está aqui?
Hermione olhou-o chocada. – Severo, você me disse que eu poderia olhar alguns livros – ela começou, mas ele a interrompeu.
– Isso foi há quase seis horas – ele lhe disse sem emoção. – Você esteve aí o tempo todo?
Ela o olhou em pânico. – Seus suprimentos... – ela sussurrou. – Desculpe-me, senhor. Eu vou correr até o apotecário agora e fazer o pedido.
– Não se preocupe, Hermione – ele disse suavemente, sentando no divã perto dela. – O que você está lendo?
No calor da conversa sobre o livro que estivera lendo, ela simplesmente se esqueceu de tudo sobre a Srta. Weasley, e ela entendeu a bronca da amiga mais nova quando a encontrou no Salão Principal para o jantar.
Ela simplesmente não entendeu.
Severus segurou o riso.
– Está tudo bem?
– Vai estar, Srta. Granger. Vai estar.
Naquela noite, ele pensou muito. Ele poderia alegar que tinha alguma poção emergencial para fazer e mantê-la no castelo, mas aquilo poderia ter um efeito ainda pior. Sentado em sua poltrona em frente à lareira, com um livro ainda não lido nas mãos, ele pensava. O que poderia fazer para mantê-la no castelo como se fosse uma idéia dela? Ele sorriu súbita e maliciosamente com a idéia que havia acabado de lhe ocorrer.
Sim – ele pensou. Aquilo funcionaria perfeitamente.
Quando foi 12:30, ela foi até a sala de Poções, procurando por ele. Snape estava cuidando de um caldeirão e pareceu surpreso quando a viu entrar. – Oh, Srta. Granger, – ele disse com voz de quem está ocupado e com problemas. – Eu preciso que entre na minha biblioteca e encontre um livro para mim: "Soluções Químicas para Feitiços". Ele deve estar na terceira estante da direita, segunda prateleira de baixo para cima, se me lembro bem.
– A senha, senhor? – ela perguntou sem esconder a excitação.
– Cobra intrigante – ele respondeu. – E seja rápida.
Hermione estivera em sua biblioteca pessoal duas vezes, ambas sob a supervisão dele, então ela só vira os livros que estavam alojados ali em relances torturantes. Rapidamente ela encontrou o livro e levou-o com um olhar pesaroso por sobre o ombro para o conhecimento encadernado que deixara atrás de si.
– Encontre a Poção para Dormir com Sonhos na página 63 e leia os ingredientes – ele ordenou, dando uma última olhada para o caldeirão antes de lançar um feitiço paralisante nele. Aquilo era meramente algum ingrediente jogado juntos, mas ela não precisava saber disso. – Tenha certeza de que temos ingredientes suficientes para prepará-la.
Ela voltou-se para ele rapidamente. – Sim, senhor, nós temos. Apesar de estarmos usando muitas papoulas, talvez nós tenhamos o suficiente para duas poções.
– Por favor, adicione isto na lista então, Srta. Granger – ele lhe disse, segurando a lista de suprimentos necessários. – Peça ao apotecário para mandar entregar, por favor. Agora eu tenho uma reunião. Se puder guardar o livro no lugar e recolocar as proteções antes de sair. Quando você irá para Hogsmeade?
– Duas horas, senhor – ela lhe disse, suas mãos tamborilando na capa do livro. – Vou me encontrar com a Gina no Três Vassouras às 2:30.
– Muito bem, então – ele lhe disse, segurando um sorriso. Era o tempo necessário para ver se ganharia sua própria aposta. – Se quiser, pode olhar os outros livros, quando recolocar esse no lugar. Os únicos que não podem ser abertos são os sobre Artes das Trevas. Deixe-os isolados.
Parecia que o Natal havia chegado mais cedo para ela. – Oh, muito obrigada, senhor! – Ela exclamou. – Isso é muito gentil da sua parte!
– Você faz por merecer, Hermione – ele disse suavemente, permitindo que sua voz diminuísse em volume e tom. Sob o olhar espantado dela, ele deu um pequeno sorriso. – Eu decidi que você está certa. A sós, nós podemos usar nossos primeiros nomes.
– Obrigado, Sir… Er, Severo.
– Sir Severo – ele zombou gentilmente. – Assim me faz parecer um cavaleiro.
– De certa forma, você é, Severo – Hermione sorriu para ele.
– Divirta-se hoje, Hermione – Snape lhe falou antes de sair vagarosamente da sala. Quando ele a olhou novamente, ela já estava andando de volta à sua biblioteca, sem perceber o sorriso de triunfo no rosto dele.
Muito mais tarde naquele dia, ele voltou para seus aposentos para ainda encontrá-la em sua biblioteca, um livro nas mãos e outro a seu lado.
– Hermione! – Ele falou assustando-a. – Por que você ainda está aqui?
Hermione olhou-o chocada. – Severo, você me disse que eu poderia olhar alguns livros – ela começou, mas ele a interrompeu.
– Isso foi há quase seis horas – ele lhe disse sem emoção. – Você esteve aí o tempo todo?
Ela o olhou em pânico. – Seus suprimentos... – ela sussurrou. – Desculpe-me, senhor. Eu vou correr até o apotecário agora e fazer o pedido.
– Não se preocupe, Hermione – ele disse suavemente, sentando no divã perto dela. – O que você está lendo?
No calor da conversa sobre o livro que estivera lendo, ela simplesmente se esqueceu de tudo sobre a Srta. Weasley, e ela entendeu a bronca da amiga mais nova quando a encontrou no Salão Principal para o jantar.
Ela simplesmente não entendeu.
Severus segurou o riso.
