CAPÍTULO 3 – O PASSADO DE EDWARD
A declaração de Edward me pegou desprevenida. Eu não imaginava que ele me contaria a verdade tão facilmente. Mas não queria perder nenhum detalhe daquela história. Sentei na cama e vi que Edward me olhava com certa tristeza.
- Eu conheci Rose em 1929. Ela tinha 17 anos na época. O pai dela era um viúvo empresário em decadência, a mãe morrera de complicações no parto. Rose estava noiva de Patrick, um rapaz rico que garantiria uma vida próspera para ela. Pelo menos era o que o pai dela achava...
Ele pausou por uns minutos e retomou a história, olhando para suas próprias mãos que se cruzaram em seu colo. Eu estava mais atenta do que nunca.
- Rose não queria casar com Patrick. Ele era arrogante e prepotente, achava que o mundo estava em suas mãos e que ele podia fazer o que bem entendesse, sem se importar com as conseqüências. E, com o dinheiro que ele tinha, provavelmente sairia impune de todas as atrocidades que quisesse cometer... - seus dentes se trincaram.
- Naquela época eu estava distante de Carlisle, havíamos brigado. Eu queria descobrir mais sobre minhas habilidades, ser um vampiro de verdade. Eu comecei a beber sangue humano. - seus olhos se focaram na minha reação, mas eu não esbocei nenhuma emoção.
- Mas eu só atacava humanos que eu considerava ruins. Nunca inocentes. Infelizmente, um dia, eu falhei. - e ele colocou sua cabeça entre as mãos.
- Era a Quinta-Feira Negra. O pai de Rose, Richard, se suicidou em 29 de outubro, no dia da quebra da Bolsa de Nova York. Ela ficou sozinha no mundo, com medo. Quem não ficaria, certo? - finalmente ele tirara sua cabeça entre as mãos e seu rosto demonstrava dor.
- Patrick era o alvo. Eu nunca notei que Rose estava apaixonada por mim... Mas Patrick notou. E para não manchar o seu precioso sobrenome e reputação ele atirou nela. - seus olhos se fecharam, como se ele estivesse revivendo todo o drama do fim da vida de Rose novamente.
- Ela não tinha mais família e estava sem dinheiro, ninguém procuraria por seu corpo. Mas eu senti o rastro de sangue em um bosque perto da casa dele. Fui até lá, ela estava agonizando, seus olhos estavam suplicantes... Patrick também estava lá. Ele... - Edward pausou por uns segundos, raiva brotava de seu belo rosto.
- Ele estava abrindo uma cova. Ele ia enterrar ela ainda viva... Meu ódio por ele cresceu imediatamente. Eu não me controlei. Foi brutal, Bella. - dor transbordava de seus olhos dourados.
Eu imaginava a dor de Edward. Contar tudo isso para mim deveria estar sendo muito duro para ele. Eu me levantei e segurei em suas mãos geladas.
- Está tudo bem, Edward. Você estava apenas vingando a morte de Rose. - tentei confortá-lo. Mas, aparentemente, não funcionou. Ele fechou seus olhos com firmeza, prosseguindo a história.
- Rose não sabia o que eu era. Ela apenas amava minha aparência física, não o que eu realmente era, não o meu interior. - e apontou para seu peito. - Ela não sabia que meu coração não pulsava mais, nem por nada nem por ninguém. Eu queria uma companhia, alguém que me entendesse. Ela era tão doce, tão compreensiva e seu cheiro era tentador. Quando vi o sangue, não pensei duas vezes. Mas deveria ter pensado. Eu era muito inconseqüente naquela época... Eu a transformei. - seus olhos se abriram, buscando em meu rosto alguma expressão de assombro. Mas eu sabia que ele não encontraria nada.
- Ficamos juntos depois disso. Mas não éramos namorados, éramos apenas duas almas que se compreendiam... - ele tentou me assegurar. Uma pontada de ciúme surgiu dentro de mim.
- Rose conheceu logo depois o restante dos Cullen. E foi absorvendo o poder deles. Um dia viajamos para Veneza, só nós dois. Lá nos separamos. - sua voz ficou áspera. - Rose foi para Volterra logo em seguida e ficou por lá por longos anos. Só agora retornou com essas notícias bombásticas.
- Jane e Heidi... - a memória das duas me fez sentir um calafrio. O poder de Jane era devastador e a incerteza do poder de Heidi me fazia temer pela vida de todos os Cullen e de todos os lobisomens. A imagem de Jacob flutuou pela minha mente, uma forte dor no meu peito surgiu. Onde será que ele estava nesse momento?
- Eu amo você. E só você. Você é a minha vida. - seus lábios frios encostaram levemente nos meus. Sua boca se abriu e eu senti seu hálito gelado penetrando em mim. Parecia que o mundo parara de girar.
De repente, Edward ficou rígido, como se estivesse escutando algo distante. Seus lábios se afastaram tão rapidamente dos meus que me deixaram de boca aberta, esperando por aquele hálito que me deixava tonta.
- O que foi?
- Charlie está vindo. - um sorriso transpareceu. - A propósito, amanhã Alice dará uma festa, então se prepare.
E, ao dizer isso, Edward se foi pela janela. Eu agora conseguia escutar os passos de Charlie com mais clareza chegando em meu quarto. E a porta se abriu.
- Bells, posso conversar com você por uns instantes?
- Claro, pai. - respondi um pouco aborrecida. Festa amanhã? Por que eu merecia isso?
- Er, o que você acha de Sue Clearwater? - ele pigarreou ao dizer o nome.
- Sue é ótima, pai. Por quê?
- É que eu pretendo jantar com ela amanhã à noite. Queria saber se você concorda com isso... - Charlie estava totalmente ruborizado. Eu comecei a sentir minhas bochechas ardendo de vergonha também.
- É claro que sim. Acho que está na hora de você seguir sua vida, pai. E Sue é a candidata perfeita para você. - dei uma piscadela, encorajando-o.
Seu rosto se iluminou, como se ele tivesse finalmente tirado um enorme peso de suas costas. Ele se aproximou de mim e me deu um beijo na testa. Esse gesto paternal me pegou de surpresa.
- Eu espero que você seja muito feliz com Edward, Bells. Eu sei que, no começo, eu não engoli toda essa história de casamento, mas, agora, eu percebo que você não é mais minha pequena menininha. Você se tornou uma mulher. E eu desejo toda a felicidade do mundo para você. Eu vou sempre apoiar todas as suas escolhas, quaisquer que sejam. Se for para você ser feliz, eu aceito tudo. - E, para esconder as lágrimas que brotavam de seus olhos, Charlie se virou e se foi, me deixando sem palavras.
Meu rosto estava completamente encharcado de lágrimas. Ele me apoiaria em todas as minhas escolhas, mesmo que uma delas seja o fim da minha vida? Senti dois dedos gelados passarem pelas minhas bochechas, enxugando as lágrimas que não paravam de escorrer. Eu abracei Edward o mais forte que pude, como se minha angústia pudesse sumir com um abraço. Abri os olhos determinada. E a única frase que se repetia em minha mente era: Eu vou ficar com Edward por toda a eternidade, custe o que custar.
