Uma semana. Bella havia conseguido resistir uma semana perto do seu Deus Grego particular, sem se atirar aos seus pés, fazer alguma bobagem, tropeçar, ou mesmo descobrir que havia se tornado gaga de repente. Ela estava começando a acreditar que a força do pensamento realmente era importante. Uma vez que todas as manhãs ao entrar no prédio da Onu ela repetia a sua própria versão do lema das pessoas em reabilitação, "só por hoje eu vou resistir a Edward Cullen". Ela agora sabia que ele como qualquer um possuía um nome de família. Pouco usado, mas esse era seu nome no serviço militar, e o nome pelo qual era chamado sempre que havia necessidade, é claro.
Mas, aquela sexta feira em particular estava sendo difícil para Bella. Ela havia acordado abruptamente, com a parte superior de seu baby-doll rosa pink, da Victoria Secrets, largado no chão, depois de sonhar que estava completamente nua, no sofá da sala de Edward, sentada no membro dele, enquanto ele usava unicamente sua gravata preta e lhe dizia em seu ouvido,com sua voz rouca e seu sotaque inglês, o quanto ela era deliciosa, a fazendo mexer e subir e descer sem o menor pudor, enquanto os longos dedos dele estavam acariciando o seu ponto mágico e sua boca percorria um caminho único entre o ouvido, descendo pelo pescoço até chegar o meio das costas. As mãos dela acariciavam o cabelo dele, bagunçando-o e apertando a sua nuca devido ao prazer que ele lhe proporcionava.
Ela sabia que era um sonho, um puta sonho maravilhoso e excitante, mas, unicamente um sonho.
Como se não bastasse ao entrar em sua sala ela reparou em todo o divertimento no rosto de Emmett e todo o mau humor no rosto de Edward, que pra ser sincera ela mal viu nesse dia.
E ainda por cima, não foi possível recusar um convite de seus amigos para sair novamente, para o mesmo bar da semana anterior. Parece que eles haviam gostado bastante daquele lugar.
- "Ok, Jess. Eu estarei lá. As 22:00 horas. É claro que eu sei, estivemos lá no sábado".
- "Bella?"
- "Jess preciso desligar, tenho que atender uma pessoa".
- "Emmett o que posso fazer por você?"
- "Bem, por mim não muito. Mas, algo me diz que eu posso fazer muito por você"
- "Do que está falando?"
- "Bem, Bella, vamos lá, admita, nós somos quase amigos de infância, e eu sei que você está se fazendo de durona".
- "Emmett eu não entendo sobre o que exatamente você está falando?"
- "Bella, você não está conseguindo disfarçar bem, se é que me entende. Toda essa sua raiva contida e seu profissionalismo".
- "Emmett, você tem alguma coisa seria para me falar? Se, não, por favor, me deixe trabalhar. Eu tenho muito que fazer, e ainda estarei muito ocupada à noite."
- "Hum, teremos um encontro hoje à noite?"
- "De onde você veio nunca te disseram que é feio se meter na vida dos outros?"
- "Dizer, disseram, mas isso não conta quando somos amigos de infância"
- "Emmett, eu não sou sua amiga de infância. Seria divertido, eu imagino, ter um amigo como você. Mas, isso não aconteceu".
- "Você pode, ainda, não ser. Mas ele é"
Com essa a boca dela se abriu em um O perfeito, e ela não conseguia articular uma boa resposta para devolver a ele.
- "E sem contar, que eu prometi a minha ursinha, que eu tomaria conta dele muito bem".
- "A sua o que?"
- "Rosalie"
Não era a primeira vez que Bella ouvia falar sobre Rosalie, a loira, sexy, incrivelmente escultural e praticamente a criatura mais linda do mundo, que era a mulher de Emmett. Mas, era a primeira vez que ela tomava conhecimento do apelido pelo qual se chamavam. E depois de rir um bocado à custa do novo amigo, ela conseguiu o expulsar de sua sala. Mas, Emmett já havia conseguido todas as informações que precisava.
- "Edward, você realmente está perdendo a mão com as mulheres. Ou pelo menos com essa em particular"
- "Emmett, por favor, não fale na Bella hoje"
- "Então, você já foi tomar o seu banho?"
E nesse momento a cara de Edward não poderia ser pior. Não havia ali nenhum traço de humor. O único pensamento que lhe ocorria era que Emmett poderia tê-lo ouvido enquanto se masturbava e chamava por Bella.
- "O que? Quero saber se você já está pronto para sairmos?"
Enfim, Edward pode relaxar ao perceber que Emmett estava sendo sincero, e, que ele é que havia interpretado mal o amigo.
- "Sim Emmett. Por favor, um local calmo hoje. Nós não estamos em uma caçada ao tesouro. E eu não preciso conhecer todas as garotas daqui. Portanto, nós vamos a algum restaurante simples e calmo de preferência frequentado por velhinhos de boinas".
- "Ok, você é que manda".
Mas o sorriso malicioso traia as feições de Emmett, e Edward podia apostar que ele estava aprontando alguma coisa. Principalmente, porque ele resolveu passar o relatório da semana para Rosalie antes deles saírem. Algo que o estava fazendo, sinceramente pensar que teria uma crise de enjoou.
- "Você terminou excelência? Podemos sair agora?"
- "Nós marcamos um encontro com alguém Edward?"
- "Não, mas às vezes eu tenho dificuldade em saber quem está aqui para proteger quem"
- "Já estava pensando que você havia marcado um encontro com algum velhinho de boina"
E as 22:30 eles estavam novamente no endereço do bar na 1ª avenida entre a 73 e a 74. E sem entender como isso havia acontecido Edward entrou encarando seu amigo.
Mas, mal havia entrado ali e entendeu o porquê dele estar naquele lugar. Porque ela estava ali. Linda, em uma calça jeans curta e apertada, uma simples blusa preta e saltos altíssimos pretos, com os cabelos soltos, dessa vez. E mais uma vez ele se perguntou sobre que tipo de magnetismo era esse que ela exercia.
A principio a única coisa que Edward viu foi ela, linda, relaxada e parecendo estar se divertindo com seus amigos. Até que ela se virou em sua direção, aparentemente avisada por uma de suas amigas. E lá estava Emmett, andando em sua direção, se juntando aos seus amigos. E o que restava a ele, se não fazer o mesmo e cumprimentar a todos.
Quase todos pareciam muito simpáticos e divertidos. Menos um. Claro, que esse um, estava ao lado de Bella, e assim que eles se aproximaram ele pôs seu braço nas costas dela. E aparentemente ela não fez nenhuma menção de estar incomodada com aquele gesto. O que praticamente partiu o coração de Edward, deixando-o irritado e incrivelmente furioso.
Sem saber o que fazer, ou como agir com aquele sentimento novo, ele pediu, no que pareceu o mais educado que conseguia, licença e se afastou em direção ao balcão, sendo seguido por Emmett que não estava entendendo nada.
- "Olá, por favor, um whisky, sem gelo"
- "Opa, o que houve?"
- "Nada Emmett. Qual era o intuito de me trazer aqui? Não era para bebermos, então, beba"
- "O que está acontecendo com você?"
- "O que está acontecendo comigo? Você deveria perguntar o que está acontecendo com a sua amiguinha?"
Emmett não estava entendo o que deu em Edward para ele deixar a mesa dos amigos de Bella, assim sem mais nem menos, mas, era sua obrigação acompanhar o amigo onde ele estivesse. E nesse momento era no balcão do bar, se embriagando. Coisa, que, diga-se de passagem, ele tinha visto poucas vezes, sempre abafadas pelo palácio, e nunca sem um motivo previamente definido. E muito menos sem uma companhia.
Algumas horas depois, Edward estava bêbado, e não conseguia parar de olhar de tempos em tempos para a mesa onde estava Bella. E seu semblante não melhorava em nada. Ele estava irritado. Muito irritado.
- "Já chega Edward, vamos embora"
- "Nós não vamos a lugar algum. Mais um whisky, por favor"
- "Emmett, por favor..."
- "Ora, ora, vejam quem se lembrou dos outros amigos?"
Por mais que Bella tivesse vontade de fingir que não ouviu, ela não era forte o bastante para resistir a Edward, mesmo que ele estivesse naquele estado. Ela foi unicamente ali, indicada por Jacob, para saber se Emmett precisava de alguma ajuda.
- "Oh, você esta falando comigo agora?"
E os olhos deles se encontraram. E parecia que sairia faíscas deles. Ela também estava completamente irritada. Mas, com o que?
- "Ora, Bella, você está ai, com esse seu ar, de quem não liga para nada. Então, volte para os seus verdadeiros amigos. Antes que eles comecem a sentir sua falta".
Bella saiu dali com os olhos cheios de lagrimas em direção ao banheiro. Pensando que ele havia deixado bem claro qual era o seu lugar. Que ela realmente não estava aos pés dele, nem como amiga.
Ao voltar para sua mesa, ela não conseguia parar de olhar para ele, que estava cada vez mais bêbado e rosado, em sua calça jeans preta, camiseta branca e blusa amarela por cima. Não havia nada que qualquer um de seus amigos pudessem falar que prendesse sua atenção. Nem mesmo Jacob, que passou toda a noite tentando flertar com ela. Nem ele, que há um mês seria tudo o que ela queria, seu sonho de toda a infância. Jacob agora era passado. Seus olhos, sua mente e seu coração estavam naquele balcão, agora, se embriagando como um gambá, e ela nem sabia o porquê.
Mas, Bella estava enxergando outras coisas. Ela podia ver claramente como a barwoman, com imenso decote em v, seios com silicone, que o estava servindo hoje estava sendo especialmente solicita com o lindo homem a sua frente, e como ele parecia estar disponível para ela. Em sua mente ela foi capaz de imaginar todo o final da noite dos dois. Onde ele levava a garota para seu refinado apartamento, para uma noite de sexo. E ela se pegou mais uma vez desejando aquele homem, se imaginando no lugar da garota que estava servindo no balcão.
Mas, para ela, isso era tortura demais. Uma coisa era ela imaginar o que eles fariam, outra bem diferente era ter a certeza de que fariam. Ela não queria ver o momento em que iriam embora juntos. E sem nenhum aviso, e com os olhos marejados apenas se levantou despedindo-se de seus amigos e foi para casa. Sozinha.
Edward, só percebeu a sua saída um tempo depois, e se sentiu um idiota ao perceber que Jacob continuava ali, junto aos outros. Sem, mais nenhum propósito para encher a cara, finalmente consentiu que Emmett o tirasse dali.
Porque raios os sinos de todas as igrejas do mundo pareciam soar dentro da sua cabeça nesse exato momento? Era o que Edward tentava descobrir as 11:45 horas de um iluminado sábado de primavera. Sua cabeça e seu estomago estavam doendo, sua boca estava seca, ele se sentia tonto e principalmente mal humorado e desmemoriado. Porque motivo ele tinha bebido tanto? Ah, sim, ele achou que Bella estava saindo com o tal Jacob, seu amigo. Bem, agora que ele começou a desconfiar que não, ele se sentia também miserável. Ressaca. Física e moral era isso que estava sentindo.
Tropeçando nos próprios pés, se apoiando nas paredes para não cair, finalmente ele conseguiu se jogar no sofá da sala, onde pretendia passar todo o resto do dia, até conseguir se sentir bem o suficiente para poder voltar para o próprio quarto.
- "Ora, veja quem acordou. Nossa Bella adormecida"
- "Emmett, hoje não. E não mencione esse nome novamente"
- "Que nome? Bella? Ora Edward, o que você está pensando? Está aí morrendo de medo de seus sentimentos, de estar apaixonado pela primeira vez na vida, e não tomou uma atitude se quer. Você não percebe o que está fazendo a vocês dois? Você não percebe que é só se aproximar dela que ela cede? Que ela está tão encantada por você como você está por ela? E mais, quem disse que beber assim trará algum resultado? Você por acaso quer que seus pais saibam disso? Ou a imprensa de Forks? É assim que você quer ser conhecido, como um príncipe farrista que ao invés de se dedicar as suas funções está enchendo a cara em um bar de Nova York? E você quer que saibam o porquê você encheu a cara?"
Por pior que fosse ser o príncipe herdeiro, e tecnicamente patrão de Emmett, Edward sabia que ele era seu grande amigo, e que todo aquele discurso era para o seu bem. Mesmo que, em sua opinião, ele não tivesse nem mais idade, para estar ouvindo esse tipo de coisa.
- "Emmett, eu só achei..."
E quando ia tentar parar Emmett com alguma desculpa esfarrapada, o telefone tocou. Edward se sentiu momentaneamente aliviado uma vez que conseguiu de uma só vez não usar o resto de neurônio que estava acordado naquele momento em seu favor ao mesmo tempo que conseguiu parar a bronca que estava recebendo. Ele poderia praticamente se sentir vitorioso naquele momento. Não fosse a pessoa que estava do outro lado da linha ouvir o relatório diretamente de Emmett de sua bebedeira na noite anterior.
- "É pra você. Alice"
Alice, a irmã caçula e amada de Edward. Sua amiga, seu ponto de equilíbrio, sua cúmplice, sua companheira em tantos momentos. Só ela sabia realmente o que era ser a filha de um monarca. Só ela sabia o que dizer a ele, quando todos, muitas vezes esperavam demais dele. Só ela sabia o peso real que era ser ele.
- "Oi, Ali..."
- "Você não tem vergonha?"
- "Bom dia pra você também, ou seria boa tarde, como queira. Como está Jasper? Mamãe e Papai?"
- "Todos bem seu irresponsável. Mas, não graças a você, não é? Como você me apronta uma dessas Edward? E se fosse fotografado? Já pensou no escândalo?"
- "Desculpa Alice, eu sei que não tem desculpas. E que qualquer um pode fazer isso numa boa, menos eu, ou nós. Mas, foi mais forte que eu... Mas deixa pra lá, não tem como mudar o que eu fiz, e pelo menos ninguém fotografou".
- "Para sua sorte, mas fique sabendo que já tem vários jornais que sabem onde você está e estão enviando seus correspondentes na sua cola. Então, por favor, preste mais atenção de agora em diante no que faz".
- "Obrigada pela dica. Por sempre cuidar de mim. Eu também te amo"
- "Você sempre foi muito convencido. Eu nunca disse que te amava. Mas parece que algo aconteceu com você. Quer me contar? Você está diferente".
E Edward contou tudo a Alice. Como se Rosalie já não tivesse contado antes. Mas, era sempre melhor saber as informações de uma fonte mais primaria. Ele contou onde a conheceu, o susto que levou ao se deparar com Bella na Onu, a forma como ela foi fria com ele, principalmente no primeiro dia, e como ela se aproximou de Emmett, contou o que sentia com relação a essa aproximação. E ouviu as gargalhadas tanto de Emmett que ouvia a conversa descaradamente, quanto de Alice, do outro lado da linha. Falou finalmente de seus sentimentos, de como não conseguia parar de pensar nela e do veredito dado por seu amigo, de que estava apaixonado. E não esqueceu nem mesmo de contar o motivo que o levou a encher a cara na ultima noite.
- "Algo me diz que eu vou gostar dessa garota. Eu e ela seremos grandes amigas, Edward. Por favor, por favor, faça a sua parte direito"
Edward praticamente podia ver os saltinhos e a excitação de sua irmã nesse momento.
- "Que parte Alice? Como você pode dizer que vai gostar de alguém que você nunca viu? Mesmo que eu possa te garantir que ela é linda e encantadora?"
- "Eu sei que ela é linda e encantadora. Só alguém assim para te dominar desse jeito. E pelo amor de Deus, Edward, faça-me o favor, admita para si mesmo que está irrevogavelmente apaixonado por ela".
- "Alice, eu não sei, se..."
- "Sabe sim. Você é mais do que esse menininho assustado que está com medo de levar um fora da namorada. Você sempre sonhou com isso lembra, amar alguém de verdade, se apaixonar, e ser correspondido pelo que você é, e não pelo cargo que ocupa? Agora tenha a santa paciência, assuma logo o quão apaixonado você está por Bella Swan e vá logo atrás dela. Se declare, homem. Você não é um menino mimado, nunca foi, então pare de agir como um. Tenha coragem"
- "Alice, você é pequena demais para ser tão terrível"
- "Eu sou sua irmã, e sim, como você desconfia eu te amo, e quero te ver feliz. E sua felicidade tem nome e sobrenome, Isabella Swan. Vá atrás da sua felicidade, meu irmão. Antes que você se veja obrigado a passar o resto da vida ao lado de nossa prima Tanya ou de Jane"
- "Isso foi golpe baixo Alice"
- "Então, o que você ainda está fazendo falando comigo? Beijos. E se cuida"
- "Emmett, descubra tudo sobre a Bella, seu endereço, telefone, onde ela está agora, qualquer coisa serve. Eu preciso encontrá-la".
- "Se eu soubesse que levar esporro da baixinha seria tão produtivo já teria pedido a Rose para contar antes"
- "Emmett, eu não acredito que você está fofocando sobre a minha vida com a sua ursinha? E pior, pedindo para ela passar a fofoca adiante? Que tipo de homem é você?".
Edward já se sentia bem melhor. Seu humor estava de volta e ele sabia que precisava se preparar e estar no mínimo apresentável essa noite. Correu, como pode, tombando nos próprios pés no caminho que levava da sala de estar até o seu quarto, para diversão de Emmett. E se trancou lá. Pensando como poderia fazer tudo isso dar certo.
