Castle deita-se no chão, agarrado ao peito e fecha os olhos. Ele não apanhara a luz? Ele começa a ouvir vozes, muitas. Ouve duas ou três mulheres a dizer que o vão injectar com umas coisas esquisitas nos tubos ligado a ele; uma mulher muito perto dele começa a dizer "A carregar 150, afastem-se!" e ele sente outro choque no peito. Um homem berra de repente: "Pare! Teme-lo de volta!". Alguém o força a abrir os olhos e aponta-lhe uma luz. "Resposta normal das pupilas, batimentos cardíacos a regressar ao normal."

Ele abre os olhos novamente, mas já passado algum tempo. Ele vê a filha sentada à cabeceira da cama. "Alexis…", ele murmura. "Pai…" ele diz dando-lhe um beijo. "Acordas-te!" "Richard, graças a Deus acordaste." Ele nem precisava de abrir os olhos para saber que a mãe lá estava. "Há quanto tempo estou assim?" "Dois dias. Mas agora acordas-te pai." Alexis dá outro beijo ao pai, enquanto ele ainda está meio atordoado. "Dois dias? Aquilo pareceram duas horas!" Alexis olha para o pai, não sabendo do que ele estava a falar. "Alexis, vamos lá fora um bocadinho. O teu pai ainda está meio anestesiado. Vamos deixá-lo descansar um bocadinho."

Ainda elas estão a sair e o médico entra: "Então , como se sente?" "Mal!", ele diz. "É normal. Teve um ataque cardíaco há uma hora!" "Posso ir embora?" O médico verifica a ficha dele e os sinais vitais. "Se se portar bem, sai daqui ainda no fim desta tarde." "Que horas são?" "Horas de descansar ! Descanse se quer sair esta tarde!" e o médico saiu tão rapidamente como entrou.

Ele teve alta nessa tarde e em casa não podia quase mexer um dedo. A mãe e a filha fizeram os possíveis para ele não se mexer, mas ele mandou uma mensagem a Beckett. "Vem ter comigo amanhã ao Central Park ao fim da tarde." E ela aparece e com ela parece que o sol voltara também. Só passaram dois dias mas parecia uma eternidade. Ele abraça-a e ela não se acanha e abraça-o também. "Uma dica: quando fores baleado, tenta levar para uma perna, ou então desvia-te se não tens colete à prova de bala!" Ela resmunga. "Percebido! Sofreste muito na minha ausência!" "Isso é uma afirmação ou uma pergunta?" "O que te convier!" "Uma pergunta cuja resposta é não!" "Nem uma lagrimazinha por mim?" "Nem uma Castle, nem uma!" "Eu sei que estás a mentir!" "Então prova!" "Ah, vai achar tudo muito esquisito!" "Tenta! " "Bem…" Castle tenta contar a história quando uma bola de basebol lhe parou em frente dos pés. Ele apanha-a e deu-a ao miúdo loiro e de olhos azuis que correra até ele.

"Eu disse-te que havia outra luz para mim, não disse Chris!" O rapazito abraça-o, ao que Beckett ficou a olhar, espantada. "Jogas comigo e com a minha irmã?"Desculpa mas não tenho tempo. Mas promete que tens cuidado com os carros." "Prometo! Diz-lhe que sentiste a falta dela! Diz-lhe o que me disseste: que gostas dela!" "Eu nunca te disse isso!" "Se estás tão chateado é por que é verdade!" Castle e Beckett coram ao mesmo tempo. Castle não tem tempo de dizer nada, nem mesmo Beckett. Chris desata a correr pelo parque fora para junto da irmã, atirando-lhe a bola. "Conheces o miúdo?" Ela diz recompondo-se. "Faz parte da história que te ia contar. Bem…" E ele começa a contar a sua história, colocando o seu braço em redor do ombro de Beckett enquanto caminham pelo parque e o sol se põe nas costas de ambos.