Eu estou carregando três vidas dentro de meu corpo. Esse era o meu novo mantra diário, afinal eu precisava de razões para me animar a suportar todos os dias que eu passava passando mal. Mais um dia se iniciava e eu já me levantava com a mesma sensação dos dias anteriores. Aliás, cada vez eu ia me sentindo pior. Simplesmente não conseguia entender porque todas as pessoas chamavam de enjoo matinal, já que me sentia enjoada a maior parte do meu dia.
Eu não sei o que está acontecendo comigo, mas depois da minha sexta semana de gestação os meus enjoos pioraram consideravelmente. A verdade é que desde minha consulta com Dr. Whale não tem um único dia que eu esteja me sentindo bem disposta. Sentia vontade de dormir o tempo todo e essa maldita sensação de náusea que não passava por nada. Quase não conseguia manter nada em meu estômago, porque tudo o que comia acabava vomitando logo em seguida.
Isso tudo era uma sensação muito angustiante, porque eu sentia medo até de me alimentar pensando no quão mal eu passaria logo após de comer. Já teve dias que eu passei o meu dia inteiro deitada de tanto mal estar e fraqueza que eu sentia. Trabalhar, eu já não sabia mais o que significava essa palavra, pois ultimamente eu passava a maior parte do um tempo em casa e quando ia para a prefeitura não conseguia ficar por lá muito tempo, pois logo começava a passar mal novamente.
Agora mesmo, eu estava em meu banheiro tentando me recuperar de mais uma onda de náusea, porém se tornava cada vez mais difícil eu me sentir melhor. Afinal, além dessa ânsia de vomito que me acompanhava diariamente, o mundo parecia girar e eu conseguia de tudo menos ficar em pé. Por isso, há alguns dias atrás eu resolvi ligar e adiantar minha consulta com Dr. Whale.
O que mais me animava é que hoje teria a tal consulta que eu adiantei com o Whale. E com certeza ele deverá me receitar um remédio para enjoo e tudo ficará melhor. Eu tentava me consolar, mas as lágrimas caíam por meu rosto e meu desespero se tornava cada vez mais evidente. Eu escolhi passar por toda essa minha gravidez sozinha, mas a verdade é que eu não queria estar só o tempo todo. Queria ter alguém com que pudesse compartilhar tudo sobre minha gestação e ter alguém que me ajudasse quando eu me sentisse mal.
Tinha Emma, e ela era a pessoa perfeita para isso, afinal, ela é a outra mãe dos bebês, mas meu medo e orgulho me impediam de ir procurá-la. Ela tinha me dito no nosso último encontro que me amava. Eu sentia o mesmo por ela, mas evitava ao máximo cruzar com Emma pelas ruas da cidade. Tinha certeza que o amor que ela gritou aos quatro cantos da cidade terminaria no momento que ela descobrisse sobre minha gravidez. Eu já podia inclusive imaginar sua reação ao descobrir que ela me engravidou.
Ela nunca iria acreditar em nada do que eu falasse, porque era de sua natureza ser assim. Isso sem mencionar o fato de que nós duas nos odiamos e certamente aquela noite deve ter sido um enorme erro em sua vida e consequentemente a declaração seria uma ilusão de Emma. Muita coisa havia acontecido e eu não sabia o que fazer. Como convencê-la que os três bebês foram concebidos por magia?
Eu tentava todos os dias me enganar, mas eu não poderia omitir todas as emoções que eu senti quando passei a noite com Emma Swan. Eu nunca havia me sentido tão completa em minha vida como naquela noite.
Se eu pudesse arranjar qualquer lugar onde eu pudesse me esconder eu iria para lá nesse exato momento. Não consigo nem ir ao consultório do Dr. Whale sem me sentir mal. Lá estava eu sentada no banco da praça para tentar me recuperar de uma tontura súbita a qual fui acometida assim que eu coloquei os meus pés para fora de casa. E eu achava que meu dia não poderia ficar pior até que escutei uma voz conhecida chamando o meu nome. Por que dentre todos os habitantes de Storybrooke eu tinha que encontrar logo Emma Swan.
– Regina, o que você está fazendo sentada no banco da praça? Você está bem? - Emma me perguntou e ela parecia estar preocupada comigo porque ela logo se sentou ao meu lado.
– Por que eu não estaria bem? - eu indaguei com uma pitada de ironia. - Eu nem precisava estar respondendo a esta sua pergunta indelicada, mas é lógico que eu estou bem Miss Swan. - olhei para Emma e eu queria que ela acreditasse em minha mentira, porque eu não queria conversar com ela naquele momento, e pelo olhar que ela lançou em minha direção ela parecia não estar acreditando em minhas palavras.
– Você tem razão Regina? - ela tornou a me questionar. - Você tem estado muito esquisita nestes últimos dias. Acha mesmo que eu vou acreditar que você está bem? Olha só como você está pálida. - logo em seguida ela passou suas mãos por minha testa. - E está suando frio também. Você tem algo que esteja escondendo de mim?
– Eu não tenho nada a declarar Miss Swan. - me levantei abruptamente para sair de perto dela, e vacilei em meio à maldita vertigem. Só não caí porque Emma me segurou. Por que isso tinha que acontecer logo em sua frente? Eu detestava aparentar fraqueza.
– Regina, você não me engana, sabia? E dessa vez eu nem precisei ver se está mentindo ou não, porque o seu rosto está desenhando por você. Você sabe que eu me preocupo com você, e se estiver alguma coisa errada com sua saúde? Eu preciso saber se estiver alguma coisa errada. Você não acha?
– Não tem nada de errado comigo. Por que agora você vive correndo atrás de mim? - me arrependi de ter perguntado aquilo, mas quando vi não tinha mais volta. E o pior é que eu sabia exatamente o que ela falaria para mim.
– Você não entendeu ainda a parte que eu estou apaixonada por você? Ou quer que eu desenhe? -ela me puxou em sua direção e me beijou.
– Que infernos você pensa que está fazendo para sair me beijando? - eu me desvencilhei logo daquele contato, mas minha vontade era me entregar mais ainda aos beijos de Emma.
– Regina, eu não consigo te tirar de minha cabeça desde que passamos aquela noite juntas. Por favor, não me afaste, eu sei que sente o mesmo por mim.
– Miss Swan, eu não sinto nada por você. - me doeu dizer aquelas palavras, porque eu de fato me sentia atraída por Emma. Mas, naquele momento eu não poderia entrar em relacionamento com ninguém, muito menos com Emma. -Tenho que ir agora, já estou muito atrasada para uma reunião muito importante.
– Regina... - Emma tentou me impedir de ir embora, mas eu saí e nem me atrevi a olhar para trás para ver qual queria a reação de Emma. Mas, minha vontade era correr e me jogar em seus braços. Por que eu tinha que ser tão difícil?
– Hoje eu descubro o que Regina está escondendo de mim. Se ela estiver com alguma doença ou sei lá o que eu preciso saber. - Emma disse decididamente e começou a seguir a morena sem que ela percebesse.
Emma estava se sentindo de volta ao passado, quando ainda era uma caçadora de recompensa. E ela tinha certeza que conseguiria descobrir alguma coisa, afinal ela sempre foi uma das melhores no ramo. Seguiu Regina por todo o seu caminho sem que a morena percebesse que estava sendo seguida.
Definitivamente Regina não estava bem de saúde. Emma constatou, pois a cada quarteirão a morena dava uma parada para se restabelecer. Era como se ela se cansasse com o mínimo movimento possível. Alguma coisa estava errada. E Emma descobriria o que estava acontecendo.
Regina parou em seu escritório e ficou por lá por meia hora mais ou menos. Saiu de lá mais pálida do que ela tinha entrado. E foi sentindo cada vez mais a dificuldade da morena em andar. Será que tinha algo haver com a tontura que ela sentiu mais cedo. Emma questionou para si mesma enquanto continuava discretamente por seu caminho, sempre um passo atrás de Regina.
A próxima foi o hospital da cidade. Emma agora tinha certeza que Regina estava lhe escondendo alguma coisa. Sem que Regina percebesse, Emma também entrou no hospital.
– Regina, está acontecendo alguma coisa? - Dr. Whale me perguntou assim que eu entrei. - Achei estranho receber seu telefonema pedindo para adiantar a consulta.
– Esses enjoos e tonturas que não quer me largar. Eu queria saber se tem algum remédio que você pode me receitar, e já aproveitei para ver se está tudo bem com os bebês. - sentei em sua cadeira completamente desconfortável. Essas consultas médicas sempre me davam medo.
– Regina, antes de ver como estão seus bebes eu preciso saber como são esses enjoos? -perguntou o médico com o prontuário de Regina em mãos.
– Bem, tem dias que eles estão piores e tem dias mais brandos. Eu só fico preocupada porque quando eles estão mais fortes eu não consigo me alimentar direito.
– Além dos enjoos, você sente mais alguma coisa? - Whale tornou a me questionar.
– Bem, eu sinto um cansaço fora do normal. Se eu pudesse eu passava o dia inteiro dormindo. E quando os enjoos estão mais fortes eu tenho uma leve sensação que vou perder meus sentidos, mas logo que eu me deito essa sensação passa.
– Regina, eu irei te receitar um remédio para amenizar seus enjoos e assim conseguirá se alimentar melhor. Mas, nunca deixe de comer. Pode fazer mal a seus bebês, uma gestação como a sua requer cuidados o tempo inteiro. - disse Whale escrevendo uma receita de Dramin B6 para mim. - Bem, agora você trocar de roupa para começarmos o ultrassom.
Logo eu voltei com aquele avental de hospital para começar o exame. Agora que eu estava sem as roupas que eu usava para disfarçar minha gravidez dava para ver um início de barriga que começava a despontar em meu corpo. Eu me emocionava com tudo. Dr. Whale passou o gel em meu ventre e logo iniciou meu exame. Logo a imagem de meus três bebês apareceu no monitor. Eram pequenos pontinhos na tela, mas eu já amava mais que a minha própria vida. De repente eu pude escutar três sons que tomaram conta do ambiente.
– É o que eu estou pensando? - perguntei com a voz embargada. - São os batimentos dos meus bebês? - perguntei e o médico assentiu para mim. - Batem tão forte. São os meus bebês. - eu já não conseguia mais controlar minhas lágrimas. Não tinha preço nenhum que pagasse escutar três coraçãozinhos batendo de mim. Naquele momento eu me sentia a mulher mais feliz do mundo, e não tinha enjoo que me deixasse para baixo. - Está tudo bem com meus bebês? - eu perguntei rapidamente, pois estava muito ansiosa para saber notícias dos meus filhos.
– Regina, você pode ficar tranquila, pois os seus bebês estão ótimos. Os batimentos cardíacos estão perfeitos. - o médico me disse enquanto entregava uma toalha para que eu limpasse o gel de minha barriga. Eu nunca imaginaria que estaria chorando na frente do Dr. Whale. Mas, meus filhos me faziam ser mais sentimental. - Agora, vamos ver como está o peso da futura mamãe? - eu assenti com a cabeça enquanto desci da mesa e subi na balança.
– Regina, eu ainda estou te achando abaixo do peso. Vou te receitar algumas vitaminas. - Dr. Whale me disse anotando em minha receita mais um medicamento. - Eu vou te receitar o ácido fólico que irá tomar até a décima segunda semana de gestação junto com o Natelle que já contém todas as vitaminas que são necessárias para você e os bebês até o final da gestação. Mas, como estou te achando meio desidratada queria te deixar algumas horas internadas para tomar soro na veia e assim repor mais rápido as vitaminas que perdeu.
– Não! Eu não posso ficar internada, se alguém vir irá desconfiar de alguma coisa e ninguém pode desconfiar de minha gravidez. Eu não posso ficar internada Dr. Whale. - eu disse teimosamente, mas eu não poderia arriscar. Se alguém descobrisse logo a notícia chegaria até Emma.
– Bem, Regina, a escolha é sua. Mas, para seus bebês o melhor seria logo essa reposição de energia. Quanto mais tempo você passar desidratada pode ser prejudicial aos seus filhos.
Dr. Whale me falou o que eu mais temia naquele momento. Prejudicial. Por mais que eu não quisesse ficar internada naquele hospital eu tinha que pensar no bem dos meus filhos.
– Tudo bem Dr. Whale. Mas, eu não quero nada em meu formulário que diga que eu estou grávida. Não quero que ninguém saiba.
– Bebês? Ultrassom? Regina grávida? Eu acho que devo ter escutado palavras erradas, só pode ser isso. Eu não escutei direito. - sussurrou Emma enquanto desgrudava seus ouvidos da porta do consultório médico. - Não é possível que Regina esteja grávida. Não é possível. Que eu saiba Regina não namora ninguém. Ou será que ela tem algum caso? Talvez seja por isso que ela está me ignorando? - Emma disse para si mesma.
