O Segredo dos Anjos II – Revelações.

By Dama 9 e Saory-San

Nota: Os personagens de Saint Seiya não nos pertencem, apenas Diana e Aisty são criações únicas e exclusivas para essa trilogia, como os demais personagens não licenciados pela Toei.


Capitulo 4: O Mistério do Guardião.

I– Veneno.

A chuva caía sem tréguas enquanto procurava por um lugar onde pudessem se abrigar. Em seus braços Shura trazia a amazona que ainda estava desacordada, após ter sido ferida pela hidra. Seu cosmo estava escasso, quase não sentia vida pulsar em seu corpo debilitado, o veneno expelido pelo monstro era mais forte do que pensara. Estava ficando desesperado diante da situação quando por fim avistou uma espécie de caverna.

-Acho que isso vai servir...; Pensou aproximando-se da entrada obscura, as melenas escuras e desalinhadas grudadas sobre o rosto molhado.

Depositou o corpo inerte da jovem num canto que achara mais propício, talvez mais confortável. Estava gélida, constatou ao tocar a face pálida, porém isso em nada afetava aquela beleza singular; ele pensou enquanto com a ponta dos dedos afastava os fios negros de seus cabelos.

Traços fortes, lábios rubros e cheios como se tivessem sido feitos especialmente para serem beijados. Os olhos de longas pestanas jaziam fechados, mas ainda se recordava com absoluta perfeição do brilho que tinham, um misto de azul e prata.

Balançou a cabeça para os lados de forma que inúmeras gotículas de água caíram a sua volta. Não era hora para pensar nisso, mas Aioros tinha razão, era linda...

Tinha que fazer alguma coisa e a primeira delas seria tentar impedir que o veneno se espalhasse pelo corpo da jovem, isso se já não tivesse se espalhado.

Certamente que lhe mataria por isso, mas... Ou o fazia ou seria ela a morrer. O trocadilho soara piegas, porém tinha que agir e rápido.

Com cuidado retirou a armadura, o corpete de cobre que cobria o corpo da jovem e logo viu a marca em seu ombro esquerdo, a marca da língua bipartida da hidra, por onde certamente havia sido expelido o veneno.

Os furos não pareciam ser muito profundos, porém a pele alva parecia ter adquirido pequenas ramificações de um tom esverdeado em torno da ferida, era o veneno que se espalhava pouco a pouco.

E pensar que estava naquela situação por sua causa; pensou com desalento.

Não havia outra forma precisava tomar uma providencia rápido; o cavaleiro pensou antes de se aproximar do ombro da amazona afastando parcialmente a fina alça de suas vestes para ter maior acesso à ferida.

Pousou os lábios sobre a ferida aberta e sugou o veneno sentindo um gosto amargo invadir-lhe a boca. Cuspiu e voltou a sugar a ferida, uma, duas, três vezes, sucessivamente, mas nada, nenhuma reação dela.

Foi então que algo inesperado aconteceu, sentiu-a se remexer, mas não percebeu quando os orbes azuis se abriram assustados.

-O que... Onde... O que pensa que está fazendo?

-Diana? – ele indagou voltando-se para a face pálida a jovem.

-Como ousa? –a jovem exasperou fitando os orbes castanhos que lhe observavam preocupados, mas logo a imagem a sua frente se tornou disforme e perdeu o foco. Desmaiou.

-Diana? –chamou-a novamente, mas não houve resposta. -"Poxa, será que até envenenada essa mulher só fica na defensiva?"; ele se perguntou, porém estava satisfeito já que pelo menos havia conseguido reanimá-la.

Aproximou uma das mãos sobre a ferida emitindo uma luz dourada. Agora era só fechá-la com o seu cosmo e torcer para que Zeus ajudasse em sua recuperação e que tudo desse certo.

-o-o-o-o-

Já era madrugada quando despertou ouvindo gemidos e palavras desconexas ecoarem pela caverna.

-Não... Não... Me solta...

-Diana? – ele chamou levantando-se de súbito e caminhando até onde ela se remexia inquieta. Talvez pela febre; o cavaleiro concluiu, já que certamente não havia conseguido retirar todo o veneno da Hidra. Agora o sistema imunológico dela estava agindo, tentando acabar com o resto do veneno.

Sentou-se a seu lado e tocou-lhe a testa com a costa da mão, vendo que realmente estava com febre e que delirava.

-Não... NÃO! ela gritou e para surpresa de Shura abriu os orbes azuis sentando-se e o abraçando apertado. Parecia despertar de um pesadelo, ofegava e se apertava contra o seu corpo, como se pedisse proteção, mas contra o que? –ele se perguntou preocupado.

Envolveu os braços de forma terna em torno da cintura delgada e as costas esguias, sentindo-a aos poucos se acalmar. Quase podia ouvir as batidas aceleradas de seu coração tamanho desespero em que se encontrava e isso o deixou confuso e igualmente preocupado.

O que faria aquela mulher que mais parecia uma muralha sentir-se frágil dessa forma? –ele pensou sentindo a respiração ofegante chocar-se contra o seu pescoço até que o corpo curvilíneo amoleceu entre seus braços repentinamente.

-Diana? –Shura chamou constatando que ela desmaiara. Com cuidado repousou o corpo inerte sobre o chão frio e úmido da caverna, mas tão logo o fez viu-a se estremecer.

Retirou a camisa usando-a para cobrir o corpo tremulo da amazona, mas aquilo pareceu não ser o suficiente já que o corpo gelado se sacudia em tremores.

-"Céus o que eu faço?"; ele se perguntou. –"Ela vai querer me matar, mas só há uma forma e esse não é o momento para se ter pudores";

Deitou-se com cautela ao lado da jovem e a envolveu em seus braços. Só assim, com o calor de seu corpo e de seu cosmo conseguiria cessar aqueles tremores. Em movimentos ritmados deslizava as mãos esfregando os braços frios, para cima e para baixo até que aos poucos sentiu-a se aconchegar em seus braços.

Beijou-lhe o alto da cabeça, sentindo o perfume de flores silvestres misturado ao cheiro de terra molhada invadir-lhe as narinas e estreitou os braços em torno do corpo gélido, que pouco a pouco voltava à temperatura normal.

II – Pesadelo ou Doces Sonhos.

Sentia-se entorpecida, envolta por uma onda terna de calor. Aquilo era bom, jamais sentira-se tão protegida como se estivesse nos braços de um anjo que com suas belas asas a acalentava.

Entretanto sabia não estar sonhando, sentia a respiração quente e ritmada chocar-se contra a curva de seu pescoço. Os orbes azuis se abriram subitamente assustados. Só agora percebia que aquilo era real, real demais... Sentia os braços fortes a enlaçarem de forma possessiva pela cintura.

Fechou os olhos. Não, aquilo não podia ser real. A última coisa que se recordava antes de estar ali era de ter de salvar aquele...; Sentiu um arrepio involuntário subir pela espinha ao concluir seus pensamentos. Ele... Ele não seria capaz de...

Tinha que ver pra crer...; Com sutileza voltou-se para trás, sentindo os braços apertados em torno de seu corpo e que nem por um minuto a soltaram. Estremeceu.

Sentia suas respirações se chocarem, tamanha a proximidade em que estavam. As mãos se apertavam contra o próprio corpo com o único intuito de não tocar o peito despido do cavaleiro. Sentiu a face arder como ferro em brasas. Estar ali naquela situação, com os lábios a milímetros dos dele, seus corpos colados, aquilo tudo, a fazia sentir-se perturbada, porém igualmente tentada...

Pousou o indicador de forma suave sobre os lábios bem talhados e cálidos do cavaleiro, sentindo a maciez que tinham. Aquilo lhe causou uma sensação estranha, um misto de excitação e medo, era como se uma corrente elétrica atravessasse todo o seu corpo.

-"Mas o que é que estou fazendo?"; Indagou-se confusa e só então notou que estava sem a sua armadura e máscara, fato que apesar de tardio a fez sentir algo diferente do que estava sentindo até agora.

Uma onda de fúria subiu-lhe a cabeça.

-Oras, seu... Seu... O QUE FOI QUE VOCÊ FEZ SEU PERVERTIDO?; Exasperou reunindo todas as forças que tinha e empurrando o cavaleiro de forma que o espanhol rolou a uma distância considerável pelo chão úmido da caverna.

Atônito, Shura sentou-se abrindo os olhos visivelmente espantados sem entender como havia chegado até ali, quase do outro lado da caverna, porém logo entendeu o porquê.

Do lado oposto ao que estava, sentada sobre o chão úmido e escuro a amazona se abraçava segurando a sua camisa de encontro ao corpo como se estivesse nua. Os grandes orbes azuis o fitavam assustados.

-Isso é jeito de me acordar?; Indagou o espanhol levando uma das mãos até a coluna e franzindo o cenho. –Porém parece que já está cem por cento curada não é mesmo?; Sorriu com um esgar de lábios diante da amazona que permanecia imóvel.

-Oras, seu... seu... Seu pervertido! Onde está a minha armadura e...

-Se não percebeu, está aí ao seu lado. –Respondeu Shura, levantando-se e se aproximando da amazona que se encolheu contra a parede. –Vou refrescar a sua memória... Foi ferida por uma hidra de três cabeças ontem, não se lembra? Como é que queria que eu te ajudasse estando coberta de cobre? Não podia deixar que o veneno se espalhasse por seu corpo e...; Ponderou Shura ao ver que a amazona ainda o fitava como um bicho acuado. –Mas você não... Você não está pensando que... Que... Nós? Que eu... Que você...?

A amazona ponderou antes de responder. Ferida, Hidra...? Se recordava desse detalhe, porém não se lembrava como havia chegado até ali e muito menos como se despojara de sua armadura. Um flash de memória a fez enrubescer.

-Eu me lembro de você tentando...; Balbuciou colocando a mão sobre o ombro esquerdo. –Mas você não teria coragem de...

-Extrair o veneno da Hidra e fechar a sua ferida com o meu cosmo?; Completou Shura. Não conseguia acreditar que estivesse pensando aquilo a seu respeito, jamais faria algo do tipo. Nem mesmo Milo de Escorpião faria algo tão baixo. –Que conceito você tem sobre mim? Acha mesmo que eu seria capaz de algo assim?

-O que quer que eu pense, vendo você assim... Assim...; Balbuciou apontando para o cavaleiro. –Seminu.

-Seminu?; Indagou, não contendo o sorriso maroto que lhe crispou os lábios. –Estar sem camisa pra você é estar seminu? Saiba que isso foi culpa sua...

-Ahm?; Indagou a amazona, ficando mais vermelha que um tomate. –O que quer dizer com...

-Culpa sua sim; Respondeu Shura, o sorriso maroto se alargando em sua face ao ver o quão envergonhada a amazona estava. Jamais pensou que um dia a pudesse ver daquela forma. –De madrugada você teve febre, delirou, estava tendo tremores e eu lhe cobri com a camisa, mas isso não foi o suficiente. Fiquei preocupado...; Disse, mas agora mudando completamente a expressão e ficando sério. –Por isso estávamos como posso dizer, juntos. Mas não é nada disso que você está pensando, apenas a aqueci da única forma que podia simplesmente não dava para te deixar morrer...

Fitaram-se por longos minutos. Sentia os orbes castanhos sobre si, preocupados, sabia que estavam. Queria poder acreditar naquilo, nele, mas não podia

"Homens sempre foram criaturas vis e dissimuladas que usavam de todas as artimanhas possíveis para ter o que queriam e sucumbir, subjugar, principalmente as mulheres, dito por eles serem o sexo frágil...".

Pelo menos esse era o discurso que trazia consigo durante toda a sua vida e não o mudaria tão cedo.

-Sai daqui!; Exasperou indicando a saída da caverna.

-O que?

-Sai daqui, agora!; Disse a amazona baixando a cabeça e sentido pesadas lágrimas rolarem por sua face.

-Diana?; Indagou Shura, espantado com a reação da amazona e aproximando-se. –É por causa daquele pesadelo, não é? É isso que te deixou desse jeito? Me diz o que lhe atormenta desse jeito? Nunca vi você daquele jeito, você...

-Já disse pra sair!; Exasperou finalmente fitando o cavaleiro e jogando a camisa que tinha nas mãos literalmente na cara do mesmo.

-Não posso te deixar assim, sozinha e...

-Desprotegida?; Cortou a amazona, os orbes azuis com um brilho mortal sobre o cavaleiro. –Não preciso de proteção! Não preciso da sua proteção...

Shura suspirou pausadamente. Aquilo o deixara ainda mais intrigado. O que teria acontecido em seu passado para que um simples sonho a deixasse tão perturbada? Porém não teria respostas, não agora. Fitou os orbes azuis e molhados mais uma vez, antes de se voltar saindo da caverna, agora era o melhor a se fazer...

III – Visões.

-Droga, será que aconteceu algo? –Kamus perguntou, sentindo-se aflito. Sabia que não era uma boa idéia deixá-la partir em missão sem armadura, mas Saga e Shura tinham de convencer Athena de que era apenas uma missão de reconhecimento.

Por sorte dera mais credito a seus pressentimentos, do contrario. Os dois não sairiam da ilha. Sabe-se lá o que havia ali dentro.

-Calma Kamus, eles devem estar bem; Milo tentou acalmá-lo, por fim resolvera vir com ele e impedir que ele possivelmente tentasse matar Saga pela negligencia, da mesma forma que possivelmente Aioros faria o mesmo se acontecesse algo a Diana em meio à missão.

Ambos ouviram um farfalhar de folhas e viraram rapidamente para trás. Vendo Aisty e Saga surgirem. Kamus arqueou a sobrancelha, lançando um olhar mortal ao cavaleiro, notando-o vestido com a blusa dela, mas Milo aparentemente ficou de boca aberta ao ver a amazona.

-Kamus; ele chamou, cutucando o braço do cavaleiro.

-O que é? –Kamus perguntou impaciente, estava mais preocupado em acertar o geminiano do que notar o porquê do espanto do cavaleiro.

-Ahn! Aisty? –o Escorpião começou, aproximando-se da amazona.

A jovem estreitou os orbes perigosamente. Kamus voltou-se para ela tendo à mesma surpresa que ele, ao vê-la sem mascara. Engoliu em seco, o olhar dela era capaz de gelar o inferno.

-Ahn, parece que vocês estão bem, não é? –Milo comentou, com uma gotinha escorrendo na testa.

-...; Ela assentiu.

Kamus lançou-lhe um olhar intrigado, alguma coisa naquele olhar lhe lembrava algo, mas não sabia ao certo o que.

-Como souberam que estávamos com problemas? –Saga arriscou-se a perguntar, porém logo viu que deveria ter ficado quieto, diante do olhar do aquariano. –"Nossa, poderia jurar que esses dois são parentes"; ele pensou, suando frio.

-O Kamus surtou porque teve um pressentimento ruim; Milo justificou.

-Hei; o cavaleiro ralhou indignado.

-Obrigada por terem vindo, talvez tivéssemos muitos problemas por causa disso; Aisty falou.

-O que aconteceu? –Kamus voltou-se pra ela;

-Estinfalos; ela respondeu, viu-o arregalar os olhos e assentiu. –Era um ninho. No centro da ilha tem um pântano, acabamos com a maioria, mas um deles nos causou alguns problemas; ela completou, apontando para Saga.

-Ainda está vivo? –Milo adiantou-se.

-Esta; Aisty respondeu, viu que os três pretendiam falar algo, mas os cortou rapidamente. –Fiquem aqui, vou resolver isso logo, antes de partirmos; ela completou, caminhando para o caminho que fizeram.

-Mas...; Saga foi contestar.

-Não foi um pedido; ela completou, com a voz fria. Desaparecendo entre as folhagens.

-Sabe, eu ainda prefiro ela de mascara; Milo sussurrou para Kamus, viu ele e Saga voltarem-se para si com olhares entrecortados, mandando-o se calar.

-o-o-o-o-

Novamente deparou-se com aquele pântano. Observou atentamente todos os lados, procurando pelo último pássaro, se aqueles animais que estavam há séculos extintos foram trazidos de volta a essa era por Apolo, infelizmente não teria outra alternativa se não acabar com eles novamente; ela pensou injuriada.

Mal aproximou-se da beira, a ave ergueu-se, levantando uma cortina de água e musgo verde. Saltou para longe desviando das garras.

-LANÇAS DE GELO; ela gritou, no momento seguinte, a água do pântano transformou-se em gelo, e lanças ergueram-se da superfície acertando a ave por todos os lados.

Algumas lascas voaram devido a partes feitas de metal, mas novamente abaixo do pescoço, comprovou que era completamente vulnerável.

-Parabéns; alguém falou atrás de si, batendo palmas animadas.

Virou-se rapidamente para trás em alerta. Deparando-se com uma mulher. Longos cabelos violetas e orbes tão azuis quanto uma noite de lua crescente; ela pensou.

-Fico feliz que esteja disposta a seguir em frente, mesmo com obstáculos; a jovem continuou.

-Quem é você?

-Pensei que já soubesse;

-Arg; Aisty gemeu, levando uma das mãos até a nuca, sentindo o local onde estava a marca arder. –Selene;

-Exatamente; a jovem deusa da lua falou calmamente. –Durante muitos séculos, um poder imenso foi escondido até mesmo dos deuses, agora que a Era de Caos começa a chegar ao fim, batalhas terríveis vão acontecer, não posso lhe afirmar que essa é será a última, ou que você vai ganhar. Tudo dependera do que você realmente deseja alcançar.

-O que quer dizer? –Aisty perguntou, sentindo a visão turvar-se. Viu Selene surgir a sua frente, mas não conseguia recuar.

A deusa tocou-lhe a testa com a ponta dos dedos. Uma lua crescente pareceu iluminar-se ali. O símbolo da deusa. Os orbes da jovem perderam o foco, fazendo-a cair de joelhos sobre o chão.

Uma imagem passou rápido em sua mente como um filme corrido.

Um dragão...

Uma árvore de maçãs douradas...

Aquilo era humanamente impossível; Aisty pensou, tentando lutar contra aquilo. Algo em si, disse para não resistir.

Muitas rochas, pedras e mais pedras empilhadas...

Três garotas estranhas colhendo maçãs...

Tudo ficou escuro, sentiu como se fosse puxada para dentro de um buraco negro.

Ergueu-se em um pulo, notando que estava novamente na beira do pântano. Sozinha. Balançou a cabeça, deveria ser reflexo do cansaço. Retornou rapidamente para o barco. Precisava sair logo daquela ilha.

Não muito longe dali, a imagem da jovem de cabelos violeta desapareceu sem deixar uma centelha de cosmo como rastro. Era melhor que fosse assim.

IX – Um instante apenas.

-Louca! Essa mulher é louca, só pode...; Resmungava Shura enquanto andava por entre as árvores e solo cobertos de musgo da ilha. –Eu tento ajudá-la, impedir que morra e ela simplesmente acha que eu sou um... Pervertido? Aff! Da próxima vez eu quero que... Eu quero que; Balbuciou sem conseguir completar a frase. –Há quem estou tentando enganar? -Indagou-se o espanhol deslizando ambas as mãos por entre as melenas escuras, enquanto sentava-se com desalento embaixo de uma frondosa árvore, que ficava em frente a um pequeno lago.

Ainda se recordava do seu perfume, da sua tez suave e que por ínfimos instantes pudera sentir, tocar... Seus lábios, como queria poder sentir o sabor daqueles lábios rubros e extremamente convidativos.

Sem dúvidas era a mulher mais bela que vira em toda a sua vida...

-"Droga..."; praguejou. Quantas vezes já havia repetido isso?

Sentiu um arrepio involuntário subir-lhe pela espinha. Era melhor parar de pensar nisso. Afinal não estava muito a fim de se aventurar nas águas frias do lago a sua frente, não tão cedo; pensou franzindo o cenho enquanto os orbes castanhos analisavam a superfície fria do lago.

-o-o-o-o-

-Idiota, é isso o que ele é... Um idiota, um... Idiota pervertido!; Exasperou a amazona, sentindo a face ainda em chamas por conta do episódio. –Como teve a coragem de... Ahrrrrr... Idiota!

Ainda estava ali, só, naquela caverna escura. Com movimentos bruscos e rápidos recolocava a sua armadura enquanto sua mente vagava buscando mil e uma maneiras de torturar "aquele pervertido".

Terminava de colocar o corpete de cobre atando o fecho de um dos ombros, quando vislumbrou o pequeno corte no ombro esquerdo. Cicatrizado e fechado. É pelo menos isso ele soubera fazer direito; Diana pensou com desdém e tão logo sentiu uma estranha sensação invadir-lhe.

Fora ríspida, extremamente ríspida e nem ao menos lhe agradecera pelo auxilio. Só agora percebia que se não fosse "ele" talvez não estivesse mais ali.

Passado os instantes de fúria, podia se relembrar do acontecido. O ataque traiçoeiro da hidra, sua mascara se partindo... Seu ombro ferido e... Ele.

É, não seria nada fácil admitir isso, mas... Sim, devia desculpas a ele.

Terminou de se arrumar. Atou novamente os longos e despenteados cabelos na costumeira trança e por fim saiu da caverna. Talvez fosse mais fácil acarinhar uma das cabeças de Cérbero do que fazer o que tinha que fazer, porem devia isso a ele e principalmente, não o podia deixar só com uma hidra de três cabeças solta pelas redondezas da ilha.

-o-o-o-o-o-

Fechou os olhos, sentindo o calor do sol tocar-lhe a face, a brisa suave e matutina roçar-lhe as maças do rosto. Desde que chegara ali, esse era um dos poucos instantes de prazer que tivera. Haviam se perdido por entre as brumas, cada um para um lado diferente da ilha. Tinham sido atacados por um monstro e ainda por cima quase havia sido morto por tentar salvar aquela...

-Posso?

-Ahm?; Indagou-se Shura voltando-se para trás e vislumbrando a amazona em pé as suas costas.

-Me sentar; Continuou a amazona enquanto se aproximava sentando-se ao lado do cavaleiro. –Olha, eu...

-Se veio aqui pra tentar me matar por ser um "idiota pervertido" esteja à vontade, pois não estou com ânimo algum pra...

-Calma, calma, não vim pra discutir com você ou brigar e sim pra...; Ponderou a amazona fitando as costas do cavaleiro que evitava olhar-lhe e fitava o lago a sua frente, aparentemente magoado. –Me desculpa; Diana balbuciou.

-O que?; Indagou Shura voltando-se para trás surpreso.

"Droga, ele vai mesmo me fazer repetir isso"; ela pensou exasperada.

-Me desculpe pela forma como lhe tratei, eu, bem... Obrigada pelo que fez; ela completou, quase num sussurro, instintivamente levando a mão ao ombro, aonde ainda era capaz de sentir as presas da hidra sendo fincadas no momento que tudo aquilo acontecera.

Será que era ele quem fora envenenado? Porque para ter aquele tipo de alucinação, aquela era a única explicação; Shura pensou confuso. Aquela ali não era Diana Kinaros, aquela que sempre fora uma muralha. Ela não poderia estar lhe pedindo desculpas e agradecendo. Deveria estar ouvindo de mais; ele concluiu, virando-se para o lago novamente.

-Olha, se não aceita as minhas desculpas diga de uma vez, assim pulamos aquela parte de falsa amabilidade; ela falou, enfezada com o fato dele estar literalmente lhe ignorando.

-O que? –Shura perguntou, piscando confuso, não estava delirando e ela ainda estava ali; ele concluiu, vendo-a levantar-se para ir. –Diana, espera; ele falou, segurando-lhe pelo pulso, impedindo-a de se afastar.

-O que quer? –Diana perguntou, bufando impaciente.

-Eu... Ahn! Não há o que desculpar; ele falou, com um olhar sereno. –Você estava ferida e depois de tudo o que aconteceu é normal que reagisse assim;

-...; Ela negou com um aceno. –Você salvou minha vida e lhe tratei daquela forma, costumo prezar as dividas de honra cavaleiro. E tratar-lhe daquela forma vai contra todos os meus princípios, mesmo que a minha opinião sobre uns e outros seja o contrario; ela completou, fazendo-o engolir em seco, diante da direta.

-Mas nem sempre podemos prever o que vai acontecer? –ele balbuciou. –Pelo menos estamos empatados;

-Como? –ela perguntou confusa.

-Divida de honra; ele falou, voltando-se para ela. –Você salvou minha vida e eu a sua. Estamos quites;

Um pesado silêncio caiu entre ambos. Era estranho estarem assim depois de passarem tanto tempo trocando farpas a cada palavra ou momento que se cruzavam. O que estava acontecendo? –ambos pensaram.

Diana suspirou cansada, lembrando-se das palavras de Aioros, porque isso tinha de lhe perturbar tanto? Porque a presença dele lhe deixava inquieta? Imersa em pensamentos. Fitou a superfície do lago com olhar perdido.

Com um olhar de soslaio, Shura observava-a. Estava intrigado, perguntando se o que acontecera na caverna mais cedo era apenas devido à tensão do momento e o veneno na jovem ou se aquela reação de choque que ela tivera na madrugada era algo mais.

-Durante a madrugada você começou a gritar; ele começou, chamando-lhe a atenção, encostou-se sobre o tronco de árvore a seu lado, apoiando uma das mãos sobre o joelho.

-Uhn? –ela murmurou, voltando-se para ele.

-Você mandava que alguém lhe soltasse; Shura falou, sentindo-a ficar tensa a seu lado. –O que aconteceu Diana? Me diz, o que foi que lhe perturbou tanto? –Shura insistiu, voltando-se para ela.

-Não é nada; ela esquivou-se, desviando o olhar.

-Diana; ele falou, erguendo a mão instintivamente, como se fosse tocá-la, porém recuou.

-É melhor procurarmos pelo Aioros, acho que ele ainda não sabe que a hidra é a guardiã da ilha; ela completou.

Precisava sair dali antes que acabasse falando alguma coisa que não devia; Diana pensou, dando um suspiro, preparou-se para levantar, mas parou, com um olhar curioso.

Shura voltou-se para ela, notando o estranho silencio da jovem.

-Uma libélula; ela balbuciou. Erguendo os olhos e deparando-se com a bela visão do lago onde estavam, erguer uma tênue nevoa matutina e varias libélulas sobrevoarem a água, tocando-a vez ou outra num delicado vôo rasante.

-Faz tempo que não vejo uma de perto; Shura comentou, aproximando-se da jovem notando agora o que ela tanto olhava.

Sobre seu ombro, uma delicada libélula havia pousado. Aproximou os dedos delicadamente do ombro dela, vendo o inseto pousar sobre sua mão, antes de levantar vôo, porém simplesmente não consegui afastar-se.

Ergueu a cabeça, deparando-se com os orbes azuis da jovem que lhe fitava com igual confusão. Um tremor involuntário correu seus corpos.

Era como se aquele olhar pudesse tocar; Diana pensou, sentindo o coração acelerar-se, quando num toque sutil, sentiu os dedos do cavaleiro tocarem seu ombro, indo deter-se na curva entre o pescoço.

Se fosse morrer, pelo menos morreria feliz; ele pensou, sentindo-se impelido a aproximar-se mais. Os orbes azuis cintilavam um brilho prateado, os lábios rubros entreabertos, levemente umedecidos, num convite tentador a aproximação.

Antes que ela pudesse afastar-se, sentiu a respiração quente roçar-lhe a face, para momentos depois surpreender-se com o toque quente impetuoso dos lábios do cavaleiro sobre os seus.

Deixou que os dedos se prendessem de forma possessiva entre as melenas castanhas, intensificando mais aquele contato entre ambos. Ouviu um tímido gemido de surpresa saírem dos lábios da amazona enquanto os seus se moviam numa caricia envolvente sobre os dela. Enlaçou-a pela cintura, praticamente colando seus corpos. Era um beijo sem presa, como se estivesse provando o sabor dos lábios que durante tanto tempo estiveram presentes em seus sonhos mais intensos.

Vê-la sem mascara e tê-la assim entre seus braços, era algo impossível de ser descrito. Queria apenas que o tempo parasse agora.

Afastaram-se parcialmente, ofegantes. Mas antes que qualquer palavra fosse dita, seus lábios uniram-se novamente num beijo sôfrego. Diana segurou-se fortemente na camisa do cavaleiro, ouvindo o mesmo emitir um fraco gemido entre seus lábios ao sentir as unhas afiadas aranharem-no por cima do tecido.

Apegavam-se aquele momento como se fosse único. Não sabiam o que iria acontecer depois, então agora, todos os pensamentos estavam sendo aos poucos obliterados de suas mentes, deixando-as simplesmente em branco, voltada apenas para o que viviam e sentiam.

Aos poucos sentiu-o inclinar-se sobre si, empurrando-a gentilmente sobre a grama levemente umedecida pelo orvalho da manhã. Os cabelos espalharam-se pela grama, a respiração estava descompassada e a face em brasas; ele observou, simplesmente extasiado com a visão que tinha.

Sentiu o peso do corpo do cavaleiro sobre o seu, porém não ofereceu resistência, enlaçando-o pelo pescoço, selando seus lábios, enquanto um dos braços do cavaleiro, envolvia-lhe a cintura, fazendo-a instintivamente arquear-se. Um longo gemido escapou dos lábios do cavaleiro. Estavam pisando em um terreno perigoso, que intimamente desejam desafiar.

Entregues, essa palavra resumiria o grau de intensidade com que se tocavam. Sentiu a mão direita do cavaleiro que repousava em sua cintura correr a lateral de seu corpo de forma delicada e estremeceu. Jamais havia sentido algo assim, a sensação de querer mais e mais. O ar já começava a faltar-lhe, quando sentiu-o por fim abandonar-lhe os lábios, deixando uma trilha ardente pelo queixo e pescoço indo parar próximo ao ouvido.

Um tímido gemido de prazer escapou dos lábios do cavaleiro ao sentir as unhas afiadas arranhar-lhe levemente o abdômen, um arrepio involuntário correu-lhe pelo corpo todo.

Agora a situação não estava mais fugindo do controle, já havia desaparecido completamente.

-Eu quero você...; Ele falou, num sussurro enrouquecido pé do ouvido, deixando-a lânguida em seus braços.

-Para... Por favor, para; a amazona sussurrou por fim, tentando apegar-se a um último fio de racionalidade. Por mais que desejasse permanecer naquele torpor.

Sentiu-o mordiscar-lhe o lóbulo da orelha e gemeu, arqueando o corpo, roçando o ventre do cavaleiro que gemeu diante da expectativa. Deslizou os lábios até a curva do pescoço da amazona, aspirando o perfume que provinha da tez acetinada, descendo até o vale dos seios parcialmente expostos, sentindo-a se contorcer e murmurar sob si. Seu auto controle estava sendo completamente minado...

Repentinamente a amazona arregalou os orbes azuis, sentindo as faces arderem como ferro em brasas. Aquilo estava indo longe demais...

-Aiiiiiiii...; Gritou Shura rolando para o lado e levando ambas as mãos ao baixo ventre. –Ta maluca? -ele gemeu se encolhendo. –Quer me deixar invalido é?

-Maluca? Oras seu...; Murmurou constrangida enquanto se levantava afastando-se do cavaleiro que tinha os olhos rasos d'água. Sem dúvidas esse era o momento mais constrangedor de toda a sua vida.

-Maluca sim e... Espera; Gritou ao vê-la se afastar. –Droga; Exasperou ainda prostrado no chão ao ver que a amazona já estava longe.

-o-o-o-o-o-

-Ah eu mato, eu mato aquele idiota se ousar...; Balbuciava desconcertada e ao mesmo tempo irritada com os galhos e arbustos que lhe impediam de se locomover mais depressa, isso porque estava literalmente correndo até a caverna.

Adentrou atarantada a caverna e logo correu até o arco no chão, como se esse fosse de suma importância no seguinte momento.

Ah se aquele idiota ousasse chegar perto de si de novo...; Corou. O que havia sido aquilo tudo afinal? O que teria acontecido se não tivesse parado? Parado? E se não tivesse conseguido parar?

Sentia o corpo todo arder, como se ainda o sentisse perto de si, seus lábios...; Instintivamente levou a ponta dos dedos aos lábios. Jamais havia permitido que alguém os tocassem e...

-Ahrrr; A amazona bufou irritada. Desde quando era fraca dessa forma? Se deixara levar por um... Um Idiota pretensioso e...

-Diana; a voz grave ecoou em seus ouvidos, enquanto uma das mãos se fechava sobre o braço da mesma. –Olha aqui, a gente; Shura começou, mas foi cortado.

-Me solta; Exasperou a amazona puxando o braço com brusquidão e se afastando do cavaleiro, tentando ignorar o fato de ter corado feito um tomate ao ter de encará-lo novamente. Isso sem contar, o arrepio que correra a espinha ao ouvir a voz grave ao pé do ouvido.

-Vai querer fingir que não aconteceu, é isso? –Indagou Shura ao ver a amazona dar-lhe as costas e atrapalhada começar a por o arco nas costas. –E por quê?

-Porque não houve nada; Ela murmurou passando apressadamente pelo cavaleiro indo até a saída da gruta, porém mais uma vez foi detida.

-Nada? Aquilo não foi nada. Eu senti e você também; Shura respondeu puxando a amazona pelo braço, obrigando-a a fitar-lhe. –Não minta, porque seus olhos, seu corpo, lhe traem...; Ele disse levando uma das mãos ao rosto rosado.

Durante alguns segundos a amazona apenas fitou os orbes castanhos e sedutores do cavaleiro, como se estivesse hipnotizada por eles. Queria, devia, sair dali, mas simplesmente não conseguia e só quando sentiu a respiração quente dele chocar-se contra a sua face, com os lábios a milímetros de roçarem os seus é que voltou a realidade. Empurrou-o e sem saber por que apenas correu sem rumo para fora da caverna.

-Droga; praguejou Shura e instantes depois pôr-se a correr atrás da amazona.

Continua...