CDZ não me pertence, os direitos autorais cabem a Masami Kurumada
Tessa, Dumas, Amata, Moksha, Mion, os apelidos Mozão e Mozinho, o nome Carlo de Angelis, os gêmeos Gideon e Maisa e a amazona Pipe TAMBÉM não me pertencem, os direitos de criação dos personagens cabem a Pipe. Recebi autorização da Pipe para utilizar os nomes, mas deixo claro para as admiradoras dela que esta fanfic é de autoria exclusiva MINHA, não tem ligação direta com o universo criado pela criadora dos personagens, reclamações e sugestões devem ser enviadas a mim.
A propósito, Harry Potter, seu universo e seus personagens TAMBÉM não me pertencem, infelizmente a J.K.Rowling foi mais ligeira que eu.
CAP IV – GRIFINÓRIOS, SONSERINOS, LUFA-LUFAS E CORVINAIS
A travessia até o castelo foi feita em balsas através do lago, em grupos de quatro. Encolhidos e um tanto quanto temerosos, iam juntos em uma balsa Tessa, Dumas, Lena e Edward. Eles olhavam encantados as janelas iluminadas do castelo, as torres altas e as corujas, que esvoaçavam em torno, saindo para a caçada noturna. Ao desembarcarem dos botes, pegaram suas coisas e, temerosos, seguiram o grande homem, que Lena dissera chamar-se Hagrid, rumo à porta principal do castelo. Foram orientados a deixarem suas bagagens no saguão, perto das escadas. Ficaram todos juntos, entreolhando-se temerosos.
No alto da escada, uma figura de mulher idosa, magra e empertigada os observava com uma severidade não de todo destituída de ternura, como uma avó rígida olhando seus netos. Lena cochichou para Tess e Du:
- Essa é a professora Minerva McGonagall. É a diretora de Hogwarts.
A professora McGonagall desceu a escadaria devagar, apoiada no corrimão, com um pergaminho enrolado nas mãos. Olhou-os argutamente e deu o que Tess imaginou que fosse um sorriso, embora conseguisse ganhar em frieza de seu pai Kamus.
- Muito bem. Para aqueles que não sabem, eu sou a professora McGonagall, diretora da Escola. Vocês se juntarão em breve ao restante dos alunos, para o banquete de início do ano letivo. Mas, antes que possam sentar-se à mesa daquelas que serão suas casas até o final do curso, deverão passar pelo processo de seleção. Vocês serão divididos entre as quatro casas existentes: Corvinal, Lufa-Lufa, Grifinória e Sonserina. As casas serão como a família de vocês aqui em Hogwarts, e o responsável pela seleção certamente os colocará na melhor casa para suas vidas. Durante sua permanência em Hogwarts os seus acertos renderão pontos para suas casas, e os erros serão punidos com descontos e detenções. Agora- ela falou, mexendo no papel – vamos entrar no Salão Principal. A medida que o professor responsável for chamando seus nomes, vocês devem ir até ele e se submeterem ao selecionador. Quando for anunciada a casa a que pertencerão, juntem-se a mesa correspondente. Compreenderam?
Muitas cabecinhas assentiram. Um pavor tomou conta, de mansinho, dos irmãos Chevalier: e se fossem selecionados para casas diferentes? E se o tal selecionador os separasse? O que fariam?
A prof. McGonagall entrou por uma porta lateral que parecia levar também ao Salão, e em seguida pôs a cabeça para fora, chamando-os.
- Podem entrar, agora.
As crianças ficaram em fila indiana e foram entrando vagarosa e respeitosamente no Salão. A porta dava ao lado da mesa dos professores. Um jovem alto e magro, de cabelos lisos e prateados, colocava um banquinho com um velho chapéu de bruxo, muito esfiapado, em cima. Ele ergueu o olhar, encarando os alunos, e Tessa deparou-se com o par de olhos mais lindo que já vira – cinzentos como um céu tempestuoso, com um véu de ironia toldando-lhes um pouco o brilho. "Deve regular de idade com Seiya... ou talvez mais novo... tão bonito...". Ela deu um pequeno suspiro de admiração. O jovem loiro olhou para a diretora e sorriu – o sorriso pareceu acender uma chama dentro dele, e de repente ele pareceu muito jovem e travesso.
- Obrigada, Draco. Pode sentar-se.
Com um rodopio das vestes verdes, o jovem sentou-se à mesa dos professores. Ao mesmo tempo, um homem de vestes totalmente negras erguia-se, uma expressão arrogante e um pouco desagradável no olhar. Dumas reconheceu Severus Snape, o amigo de Noelle. Lembrou-se da carta de Hogwarts – Snape era o vice-diretor.
Snape tomou o pergaminho das mãos de McGonagall, que sentou-se no centro da mesa. Ele correu o olhar pela assistência um tanto quanto apavorada de jovens alunos. Seu olhar encontrou o de Dumas, e o garoto poderia jurar que recebera uma discreta piscadela e um imperceptível sorriso. Sorriu, então, sentindo-se um pouco mais confiante.
Todos os olhares voltaram-se para o velho chapéu quando um rasgo junto à aba abriu-se e ele começou a cantar.
"Sou velho e por isso sou sábio
Porque sou o Chapéu Seletor
Mais de mil anos se passaram
Desde quando me dotaramDe inteligência e magia
O que há em seus pensamentos
Posso ler com perfeição
E é assim que selecionoA casa do seu coração
Serão vocês talvez pupilos
Do valente Gryffindor das charnecas,
Que apreciava os corações indômitos?
Se forem ousados, nobres e corajosos
Grifinória será sua morada.
Talvez sejam mais queridos
Pela doce Hufflepuff das planícies
Que amava os justos e leais?
Se forem pacientes, sinceros e sem medo da dor
Então Lufa-Lufa os receberá
Mas talvez seus corações sejam
Da bela Ravenclaw das ravinas
Que amava os de grande saber?
Se tiverem a mente alerta e o espírito ágil
Habitarão, então, Corvinal
Mas e se suas mentes pertencerem
Ao astuto Slytherin dos brejais
Que apreciava os de grande ambição?
Se forem astutos e sedentos de poder
Então Sonserina vocês habitarão!
Coloquem-me em suas cabecinhas
Eu lerei o que há em suas mentes
E direi o que será bom para seus corações"
Quando Snape ia começar a ler os nomes dos alunos a serem selecionados, um grande burburinho encheu o salão. Ele ergueu os olhos, irado, mas quando deparou-se com o motivo do burburinho, não pode deixar de sorrir.
Tessa, Dumas, Lena e Eddie viraram-se em direção à porta do salão. Um homem de idade, alto e com uma incrível aura de bondade avançava por entre as mesas. Os alunos sorriam e aplaudiam, entusiasmados. O homem tinha cabelos longos e grisalhos, barbas que escorriam pelo peito até a cintura e argutos olhos azuis, que escondiam-se atrás de oclinhos de meia-lua. Tess boquiabriu-se.
- É Dumbledore!
Dumbledore aproximou-se da mesa dos professores e abraçou a prof. McGonagall.
- Alvo! Por que não avisou que vinha?
- E estragar essa maravilhosa recepção espontânea dos alunos, Minerva, tirando-lhes uma desculpa para fazer bagunça? Eu nem pensaria nisso. Ah! – ele sentou-se ao lado da diretora, observando os alunos que esperavam para ser selecionados – Então eu não perdi a Seleção. – O brilho dos olhos azuis voltou-se na direção dos gêmeos, que sentiram um arrepio estranho. Dumas concentrou-se e sentiu o cosmo do velho: extremamente poderoso, surpreendentemente forte, mas também repleto de calor e bondade. Dumbledore cruzou os dedos longos e finos e apoiou o queixo nas mãos – Prossiga, Severus.
Snape olhou o pergaminho e levantou um olhar frio e sério, de fazer inveja a Kamus nos seus dias de mau humor. O tom de voz parecia-se muito com o do cavaleiro de Aquário ao passar um pito nas crianças quando aprontavam alguma: bem próximo do zero absoluto, desprovida superficialmente de emoções.
- Quando eu chamar seus nomes, sentem no banco e ponham o chapéu na cabeça. Ao receberem a resposta, juntem-se aos seus companheiros de casa. – Ele olhou o primeiro nome da lista. – Amamiya, Sakura
Uma garotinha oriental, pequenina e magra, aproximou-se de Snape e cumprimentou-o com uma curvatura. Sentou-se no banquinho e pôs o chapéu sobre os cabelos lisos e negros. Poucos segundos depois, o rasgo junto à aba abria-se...
- LUFA-LUFA!
A mesa com alunos vestidos de azul explodiu em vivas quando a garota juntou-se a eles. O barulho foi diminuindo e Snape leu o próximo nome.
- Avalon, Stella.
- GRIFINÓRIA!
A mesa vermelha e dourada aplaudiu de pé a garota loira e gordinha que sentou-se entre os alunos do segundo ano.
- Boot, Fiona. – uma menina ruiva e sardenta, com olhos verdes espantados, sentou-se.
- LUFA-LUFA!
- Branden, Peter. – o garoto era moreno e pálido, com olhos estreitos e frios.
- SONSERINA! – foi a vez de uma massa verde e prata manifestar-se com ruído, e ser discretamente vaiada pelos grifinórios.
Foi então que chegou a vez dos irmãos Chevalier. A voz de Snape soou um tanto quanto agourenta aos ouvidos dos gêmeos.
- Chevalier, Dumas.
Dumas sentou-se no banco e pôs o chapéu sobre os cabelos azuis. Os alunos cochichavam, certamente comentando a aparência exótica do novato, com seus cabelos azuis e seu corpo desenvolvido para a tenra idade. Dumbledore inclinou-se para a frente, observando atentamente o greguinho.
- Huummm... – Du ouvia a voz do chapéu falar diretamente com seu cosmo, e sentia a incrível energia que ele emanava – faz anos que não encontro alguém tão difícil de se classificar... Uma inteligência excepcional, digna de um corvinal... mas também um coração bom e leal, pronto a se sacrificar pelos outros, como um lufa-lufa... e também muita força e poder, muita coragem e frieza... é, o melhor pra você é... GRIFINÓRIA!
Dumas abriu um grande sorriso, que fez Tessa lembrar-se de Milo. Ele levantou-se, um pouco trêmulo, e piscou para a irmã antes de juntar-se a mesa da Grifinória. Falou diretamente com o cosmo dela.
- Força, irmãzinha, ele não vai nos separar...
- Tenho medo, Du... Medo de ficar longe de você...
- Vai dar tudo certo, Tess, calma...
Snape chamou o próximo nome da lista.
- Chevalier, Tessa.
Dumbledore continuava concentrado na seleção dos greguinhos. Os cabelos longos e azuis de Tess chamaram mais atenção que os do irmão. Tessa sentia-se temerosa, e teve medo de descontrolar o cosmo e acabar congelando o banquinho. Sentou devagar e pôs o chapéu na cabeça.
- Tão difícil quanto o irmão... – ela ouviu a voz do chapéu seletor dentro de sua cabeça – Um coração talvez mais nobre, e uma coragem idêntica... nunca analisei duas mentes tão parecidas... não, pequena, não precisa temer, seu lugar é na GRIFINÓRIA!
Tessa respirou fundo, e sentiu seu cosmo elevar-se de pura felicidade. Na mesa dos professores, um brilho de triunfo surgia por trás dos óculos de Dumbledore. Tessa saiu saltitando rumo ao irmão, que a abraçou com força e carinho, fazendo-a sentar-se a seu lado na grande mesa. Prestaram atenção na seleção, esperando a vez de seus amigos.
- Douglas, Jennifer.
- CORVINAL! – Foi a primeira manifestação da mesa amarela, que prorrompeu em aplausos entusiasmados.
- Ferguson, Emily.
- SONSERINA!
- Flinch, Ellen.
- GRIFINÓRIA!
- Ford, Norah.
- SONSERINA!
- Fowl, Justin.
- CORVINAL!
- Gerald, Teodore.
- LUFA-LUFA!
- Goldman, Patricia.
- LUFA-LUFA!
- Goldner, Stanley.
- SONSERINA!
- Goyle, Edward.
Tessa e Dumas retesaram-se no banco. Lena ficou na ponta dos pés para enxergar o amigo, que caminhava devagar, como se estivesse indo para a forca. Eddie pôs o chapéu na cabeça e esperou, o coração triste pela certeza que tinha.
- Goyle, não? Diferente, muito diferente do pai e do irmão... diferente o suficiente para aceitar uma missão dolorosa... sei que você não vai entender, mas é preciso que eu faça isso, porque vão precisar de alguém como você na SONSERINA!
Eddie curvou mais ainda as costas, o peso da angústia em cima dele. Acenou de leve, tristemente, para Tessa e Dumas, e deu um sorriso desanimado para Lena. Ela sentiu o coração apertado. Em breve seria ela.
- Highsmith, Sarah.
- CORVINAL!
- Hooch, Lena.
Lena colocou o chapéu sobre os cabelos cinzentos, voltando os olhos de falcão para Tess, dando uma piscadinha.
- Ah, pequena Hooch... você sabe que só existe um lugar para um jovem filhote de pássaro como você... GRIFINÓRIA!
Lena deu um pulo e gritou "Yes!" alto o suficiente para ser ouvida por Snape e receber um olhar digno de Ares nos seus momentos "Vou matar todos os Cavaleiros de Bronze e dominar o mundo!". Ela ficou com as bochechas vermelhas, e correu para se juntar aos amigos. Deu um abraço forte em Tess e Du, sentando-se entre os dois.
- Tadinho do Eddie, né? Mamãe me disse que a Sonserina é um covil de lobos...
- Mas ele tem que ser forte e superar! Papa Milo diz que essa é a primeira regra de um Cavaleiro de Ouro: Ter força para superar os desafios, mesmo que sejam mandados pelos deuses. – falou Du, bem sério. Tess concordou com a cabeça.
- Olha, a seleção vai continuar. Vamos ver quem mais vem pra cá.
Todos os alunos restantes foram chamados para a seleção: Lisbel Jones (Sonserina), Lucy Joyless (Lufa-Lufa), Alexander Kanov (Lufa-Lufa), Louis Kern (Lufa-Lufa), Alicia Kieds (Corvinal), Artemisia Lenon (Sonserina), Susan Lenth (Corvinal), Kananda Leshmi (Corvinal), Bette Miller (Sonserina), Ralph O'neill (Corvinal), James Pattern (Corvinal), Anthony Perkins (Corvinal), Steven Perry (Corvinal), Tony Peterson (Lufa-Lufa), Fred Reynolds (Sonserina), Burt Selleck (Grifinória), Jonnathan Sims (Grifinória), Hugh Stanford (Grifinória), Richard Stein (Sonserina), Anna Storm (Lufa-Lufa), Dawn Thomas (Grifinória) e, por fim, Luke Wilson (Lufa-Lufa).
Estava formada a turma de primeiro ano da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
Tess, Du e Lena pareciam muito empolgados, olhando ao redor com animação. Olharam para a mesa dos professores, e Lena, que conhecia todos eles, foi apresentando-os aos gêmeos de longe.
- Bom, a Minerva dá aula de Transfiguração, é a melhor professora da bruxidade, desde que Dumbledore se aposentou. O Snape vocês já conheceram, é vice-diretor, diretor da Sonserina e é um dos poucos mestres de poções do mundo, dizem que ele aprendeu inclusive poções secretas das fadas... Aquele loiro bonitão – Lena apontou o jovem de vestes verdes por quem Tess ficara vidrada - conversando com ele é Draco malfoy, o professor de feitiços... ele é filho de um grande seguidor de Voldemort, mas voltou-se para o lado do bem a tempo... aquela de cabelos crespos e castanhos – apontou para uma jovem de vestes azuis ao lado de Malfoy - é a Hermione Granger, professora de História da Magia... ela é bastante rígida, e é diretora da Grifinória... o cara namorando com ela – Lena apontou um rapaz magro, ruivo e sardento, que segurava a mão de Hermione com cainho – é o Ronald Weasley, ele dá Estudo dos Trouxas... O Hagrid, que vocês conheceram na estação, dá aula de Trato das Criaturas Mágicas... A mulata do lado dele é a Angelina Johnson, ela dá aula de Vôo, agora que minha mãe se aposentou... – Lena apontou a jovem negra, de vestes vinho e cabelo rastafári.- A loira esquisitona ao lado dela é a Luna Lovegood, que dá aula de Estudo das Runas Antigas e é diretora da Corvinal... pode não parecer, mas é inteligente pra caramba... – mostrou a jovem loira de olhos esbugalhados e vestes estampadas, que conversava com uma senhora magra, de rosto severo e vestes escuras, de cor indefinível – Quem tá conversando com ela é a Vector, professora de Aritmancia. A gordinha de branco ao lado delas é Madame Pomfrey, a enfermeira-chefe da escola. A ruiva baixinha é a Gina Weasley, ela é irmã do professor Weasley e é assistente de Madame Pomfrey. – mostrou a garota ruiva, que conversava baixinho com um rapaz moreno e alto, de pele pálida e rosto bondoso, que irradiava calma – O namorado dela é o Neville Longbottom, professor de herbologia e diretor da Lufa-Lufa. A morena do lado dele é a Lilá Brown, professora de Astronomia. – apontou a moça pálida de cabelos negros, que comia em silêncio e absorta. – A morena bonita do lado dela – mostrou uma jovem de pele dourada e rosto bem feito, que fez o sangue normalmente frio de Dumas dar uma fervidinha (é o lado Milo dele aflorando cedo...) – é a Parvati Patil, professora de Adivinhação. E conversando com ela, vocês adivinham quem é?
Lena apontou o jovem de vermelho ao lado de Parvati, conversando risonhamente com ela. Ele tinha cabelos negros e bagunçados, um rosto suave e olhos incrivelmente verdes. Uma mecha teimosa de cabelo tapava uma cicatriz em forma de raio.
- Harry Potter... – murmurou Tessa.
- Exatamente! – confirmou Lena – Bonitão, né? Dizem que a Patil arrasta um trem por ele e ele nem bola...
- Você conhece todos e tudo aqui, hein? – falou Du, espantado com o alcance do conhecimento de Lena sobre a vida em Hogwarts.
- Convivo com esse pessoal desde pequenininha... alguns dos professores eu conheci quando ainda eram alunos, como a "Patota do Potter"...
- Patota do Potter?
- É, é como chamavam o grupo que andava, e anda, junto com o professor Potter: ele, a prof. Granger, o prof. Weasley e a irmã, o prof. Longbottom e a prof. Lovegood.
O barulho no salão foi morrendo quando a prof. Minerva levantou-se para falar antes do banquete.
- Serei breve – ela começou – porque imagino que devam estar famintos. Gostaria de dar as boas vindas a todos os novos alunos, e dizer que estou satisfeita com o retorno dos antigos. Agora- ela falou, com a sombra de um sorriso nos lábios – vamos comer!
Os pratos e taças de ouro se encheram magicamente de comida e bebida, sob o olhar espantado dos alunos novos. Tess e Du se lançaram à comida com o apetite de aprendizes depois de um longo dia de treinamento. Quando iam começar a atacar as costeletas, tomaram um grande susto.
Uma multidão de seres cinza-pérola transparentes invadiu o Salão Principal, deslizando por entre as mesas e se acomodando entre os alunos.
- Fantasmas!
Um fantasma de ar pomposo, com uma roupa do séc. XVI, sentou-se do lado direito de Tessa, cumprimentando-a com um gesto largo de chapéu.
- É um prazer conhecê-la, senhorita Chevalier. A senhorita e seu irmão estão famosos entre os fantasmas e professores.
- É mesmo? – Tessa ergueu uma sobrancelha, ficando tremendamente parecida com Kamus – E o senhor é?
- Sir Nicholas de Mimsy-Pompington, fantasma residente da Torre da Grifinória.
- Muito prazer, sir Nicholas. – Tessa sorriu. Foi quando um enorme cão espectral surgiu vindo de baixo da mesa, a língua de fora e o rabo balançando freneticamente. Tessa sorriu, achando o cão uma gracinha.
- Ora bolas, Sirius, comporte-se! – Nick ralhou com o animal – Você às vezes parece que desencarnou com 15 anos!
O cão soltou um latido alto e, parecia a Tess, debochado. Ela ficou intrigada com o porquê de Sir Nick falar com o cão como se ele fosse uma pessoa.
Teve a resposta quase imediatamente.
O enorme cão transformou-se, diante de seus olhos, em um homem (na verdade, um fantasma) alto e magro, aparentando Ter entre trinta e cinco e quarenta anos, de rosto bonito e aristocrático, mas maltratado, como se tivesse passado por inúmeras batalhas. Ele soltou uma risada rouca que lembrava um latido.
- Ah, Nick, não estraga a diversão! Qual o problema em agir que nem criança de vez em quando?
- É um mau exemplo, Sirius. Harry não ia gostar. – Sirius deu um muxoxo – Não adianta resmungar, é verdade. Porte-se como guardião da Grifinória que você é!
Sir Nick virou as costas para falar com os outros alunos, e Sirius botou-lhe a língua de forma malcriada e infantil. Aquele gesto lembrou-lhe tanto Milo que Tess teve que se segurar para não chorar de saudade dos pais. Para distrair sua mente, resolveu correr os olhos pela mesa da Grifinória. Foi olhando os alunos, sentindo-lhes os cosmos um a um, vendo que eram todos companheiros bons, leais e corajosos, embora a única energia que emanasse deles fosse a magia. Foi quando seu olhar cruzou, por poucos segundos, com o olhar do garoto que estava sentado na ponta da mesa, mais perto da mesa dos professores. Ela não tinha reparado nele antes.
Seus olhos azuis-escuros cruzaram com o olhar negro e suave do garoto. Os olhos pareciam de veludo, os cabelos negro-azeviche e a pele pálida. Ele tinha uma face que lhe recordava alguém, mas não sabia quem. O nariz era familiar, também. Sentiu que um cosmo poderoso e diferente emanava dele, como se ele possuísse um poder oculto maior e mais antigo que o de qualquer outro. O olhar do menino cruzou com o dela.
Ele também ficou espantado com o que viu, pois aquele era um rosto familiar. Já sonhara com aqueles longos cabelos azuis, com aqueles olhos belos e o sorriso fácil. Desfocando o olhar, enxergou a aura da garota. Dourada. Ele só vira uma pessoa com a aura dessa cor. Será que a menina era ligada a essa pessoa? Tinha que descobrir na primeira oportunidade...
Tess chamou a atenção de Sirius com um pigarro.
- Haham... senhor Sirius?
- Me chama só de Sirius.
- Sirius... quem é aquele garoto moreno, na ponta da mesa, o que tem uma pedra estranha pendurada no pescoço.
- Aquele? É o filho do Snape... está no terceiro ano. A maior decepção do velho Severus é que ele não seja sonserino... – Sirius deu um sorriso torto.
Isso explicava o nariz para Tessa. Mas ainda tinha algo a intrigando. Algo de... familiar.
- Como é o nome dele?
- Aurelius. Aurelius Snape.
Aurelius! É claro! O sobrinho de Éowin, mulher de Kanon! A semelhança estava ali; ele tinha todo o porte e a aparência da tia, apesar de ser bem mais alto. O que queria dizer que...
- Ele é do Povo Antigo... – murmurou Tess.
- É o que se comenta. – respondeu Sirius, que apesar de morto parecia ouvir muito bem – Parece que a mãe dele é uma fada chamada Arween, e que Snape aprendeu muitas poções com ela e a irmã...
Tessa sentiu a cabeça formigar com as informações e, pedindo licença a Sirius, puxou Lena e Dumas, que comia bem empolgado, para contar o que descobrira. Lena ficou surpresa de saber que Aurelius era filho de uma fada.
- Bem, ele tem uma fama de esquisitão, sabem? Mas todo mundo pensa que é por ser filho do Snape... apesar de que ele tem senso de humor, dizem...
- Mas a tia dele é muito bacana... – argumentou Dumas, tomando um gole do suco de abóbora – Argh, esquentou... Tessa, faz favor?
Tessa tomou o cálice do irmão e fechou os olhos uns segundos. Pequenos cristais formaram-se na borda do cálice, enquanto um sopro de ar frio tomava conta do pedaço da mesa onde eles se encontravam.
- Pronto, tá geladinho! – entregou o cálice para o irmão, sob o olhar espantado e um tanto apavorado de Lena – Que foi?
- Como você consegue fazer isso só com as mãos? Todos os bruxos precisam de uma varinha para executar o Glacius!
- E quem disse que isso é o Glacius? Isso faz parte dos meus poderes naturais. Eu posso controlar meu cosmo para congelar qualquer coisa até o zero absoluto, bem como meu papa Kamus! – respondeu Tessa com orgulho – Usei uma versão suave do "Pó de Diamante" para resfriar o suco do Du. Para algumas coisas, eu e Du não precisamos de varinha! Temos nossos próprios poderes.
- Por exemplo...
- Força sobrehumana. Domínio sobre a nossa energia vital, o cosmo. Corremos na velocidade da luz.
- Quê!
- Eu consigo dominar o gelo. – prosseguiu Tess. – E o Du domina uma técnica de ataque eficientíssima, que pode inclusive estancar hemorragias, além de ser fatal se bem aplicada.
- Por que você acha que eu tenho essa unha assim? – falou Du, mostrando a unha do indicador da mão direita, que era longa e pontiaguda, e parecia emitir um brilho avermelhado – Só pra ficar bonitinho?
- Poxa, gente, desculpa... não quis ofender nem duvidar de vocês... mas é que, às vezes, tudo que vem de vocês parece tão... irreal... – Lena deu um sorrisinho constrangido para os amigos, que retribuíram, a zanga já passada – É um pouco assustador, sabem? Pensar que, sem nem terem começado a escola, vocês já estão habilitados a enfrentarem bruxos formados... Dá medo...
- É só não pegar a gente de mal humor, já vi papa Milo furar o tio Aioros só por que achou que ele tinha olhado atravessado pro papa Kamus... e o mal humor é genético, tem que ver a Tessa quando acorda... – falou Du, recebendo um olhar abaixo de zero da irmã – E pode virar esse teu olhar congelante pra lá, porque é verdade...
Tess não teve outro remédio além de suspirar e admitir; quando ela acordava mal-humorada, era capaz de congelar o primeiro que olhasse torto pra ela. Era de família... ¬.¬
A prof. McGonagall ergueu-se, fazendo os alunos silenciarem. Olhou para todos no salão, e começou a falar.
- Primeiramente, eu gostaria de dar alguns avisos. A Floresta da escola é proibida a todos os alunos, e o povoado de Hogsmeade a todos aqueles que não tenham autorização dos responsáveis. Os alunos não devem fazer mágicas nos corredores, durante os intervalos das aulas. E o sr. Filch avisa que a lista de itens de porte proibido encontra-se afixada na porta da sala dele, para os alunos que desejarem tomar ciência dela. Agora, antes que os diretores das casas recolham os alunos aos salões comunais, o Ministro da Magia gostaria de dirigir-se aos alunos.
Dumbledore ergueu-se sob uma tremenda ovação dos alunos, e sorria ao contemplá-los.
- É sempre maravilhoso retornar a Hogwarts, e ver que seus alunos continuam com a mesma índole, apesar de tantas provações pelas quais passaram. Passamos por muitas coisas nos últimos anos, e devido a isso e a outros fatores, o nosso mundo como o conhecemos está mudando, sofrendo alterações imperceptíveis, porém vitais.- o olhar de Dumbledore passeou pelas mesas, demorando-se em Eddie, na mesa da Sonserina, e em Tessa, Dumas e Aurelius, na mesa da Grifinória – É necessário que vocês mantenham as mentes abertas e os corações prontos para aceitarem as mudanças. Quero apenas que vocês tirem o melhor que puderem de Hogwarts, e que se tornem bruxos dos quais possamos nos orgulhar. Estudem, brinquem, façam travessuras- a essas palavras a prof. McGonagall contraiu os lábios, tornando-os uma linha fina – façam amizades e vivam esses anos, que não mais voltarão. Agora, aproveitem este final de Domingo para se conhecerem antes do início das aulas, amanhã. Boa sorte, e obrigado por ouvirem as palavras vazias de um velho tolo. – Dumbledore sentou-se, sob uma salva de palmas ainda maior. A prof. McGonagall ergueu-se de novo.
- Bem, monitores, levem os alunos para os salões comunais, os diretores das casas em breve se reunirão a vocês para a apresentação de começo de ano. Boa noite a todos.
Um rapaz oriental, aparentando Ter uns quinze anos e com um distintivo redondo no peito, ergueu-se e chamou:
- Alunos do primeiro ano da Grifinória, comigo!
Tessa, Dumas e Lena juntaram-se aos companheiros, e o pequeno grupo tomou a dianteira da massa vermelha e dourada. A medida que subiam, o monitor, que disse chamar-se Lenny Kang, ia explicando aos novatos os últimos detalhes: o número de escadarias, como chegar à Torre da Grifinória, como funcionavam as senhas.
Ao chegarem ao sétimo andar, foram conduzidos para diante de um grande retrato a óleo de uma mulher gorda vestida com uma saia balão cor-de-rosa.
- Vocês dizem a senha- explicou Lenny – e o retrato se abrirá. A senha é um pouco diferente do usual esse semestre, não sei por quê... Golden armor (1)!
O retrato abriu-se, revelando uma abertura redonda. Tess e Du entreolharam-se; golden armor? Senha fácil de lembrar...
Todos os alunos entraram na sala comunal, uma sala redonda repleta de poltronas confortáveis, com muitas mesas de estudo (acréscimo de Mione...) e uma grande lareira, que emanava um calor gostoso. Em um canto, encontravam-se Nick Quase-sem-cabeça e Sirius, novamente em sua forma canina. Os aluno receberam ordem de sentarem-se nas poltronas e cadeiras que haviam sido dispostas de forma circular diante da lareira, os calouros na primeira fila.
- Logo a prof. Granger se reunirá a nós- disse Lenny – e então faremos as apresentações.
Os três amigos sentaram-se um ao lado do outro, e Tessa sentiu quando um cosmo quente e poderoso sentou-se logo atrás dela. Em seguida, ouviu uma voz baixa, profunda e suave, que lembrava a voz do Prof. Snape, mas que tinha uma doçura própria.
- Qual a ligação de vocês com Kanon de Dragão Marinho?
Tessa virou-se rápido, chocando os olhos azuis com o olhar negro e insondável de Aurelius Snape. Abriu um sorriso lindo e cheio de calor, que desarmou o rapaz, fazendo-o corar e retribuir.
- Eu estava pensando quando você ia me perguntar isso, ao notar a semelhança de poder, Aurelius.
- Como sabe...?
- Sirius me disse seu nome. Mas você é parecido demais com tia Éowin para negar que seja o filho da irmã dela, Arween, de quem ela falou muito. – Tessa deu um risinho ao ver o ar confuso de Aurelius – Tio Kanon é um Cavaleiro de Athena agora, assim como meus pais, Milo de Escorpião e Kamus de Aquário. Fazia tempo que eu não ouvia chamarem tio Kanon por seu antigo nome de cavalaria... Foi por esse nome que você conheceu ele? – Aurelius assentiu – Então deve Ter sido numa das fases ruins dele... Bien, ces't tout?
- Então minha tia esteve no Santuário, como disse que faria? Duvidei que ela deixasse a Irlanda, mas pelo visto ela decidiu-se...
- Oui, e ela falou bastante de você... só não disse que era filho de um dos professores. Mas você é bem parecido com ela, parecido o suficiente para fazer a gente notar o parentesco... e notar que você tem sangue das Fadas... Você tem os mesmos poderes de sua tia?
- Sim... e o poder dos Cavaleiros também está bastante evidente em você e no seu irmão, Tessa – ele falou, tocando o ar em torno da menina – Sua aura é dourada, mas fria como gelo... e você é alegre, brincalhona e emotiva, apesar disso... já seu irmão – disse ele, passando as mãos por trás das costas de Dumas, que fingia não notar, conversando com Lena; ele era suficientemente filho de Kamus para Ter "semancol" e notar a importância futura daquela conversa... – tem uma aura quente, e apesar de dourada ela tem um brilho avermelhado como fogo... no entanto ele é tranqüilo e seguro de si. – Aurelius passou a mão sobre os olhos, e quando olhou-a de novo Tessa teve um vislumbre do Poder do Povo Antigo que residia nas mãos daquele garoto alto e magro. Então ele sorriu, e voltou a ser apenas um jovem bruxinho, de pele pálida e olhos brilhantes – Desculpa te usar de cobaia, mas é que eu preciso exercitar a Visão enquanto estou na Escola... Você se importa?
- De jeito nenhum... que pedra é essa que você usa no pescoço, Aurelius?
- Ah, é uma pedra-da-lua... você ainda vai ouvir falar um bocado dela, meu pai a usa muito no preparo de poções... mas esta foi moldada por minha mãe, no formato de um crescente, para que eu sempre recordasse minhas origens...
Tessa sorriu para o novo amigo, quando ouviu-se o retrato se abrir. Através do buraco entrou Hermione, seguida por Rony e Harry. Quando Harry entrou, houve um certo burburinho dos alunos mais novos. Harry sorriu para alguns dos alunos mais antigos, que lhe acenaram de forma natural. Sirius, ainda como cão, veio correndo, o rabo abanando vagarosamente.
- Alô, Sirius. Divertindo os alunos novos?
Sirius voltou à forma humana, rindo de maneira debochada.
- Descobri que é mais fácil gostar de mim como cão do que como homem, Harry. E além disso, tenho um certo... interesse na seleção. – ele olhou para o lado de Aurelius e Tessa
- Ainda Aurelius, Sirius? Severus mudou desde que o garoto veio para cá, porque a implicância com o menino?
- Não é implicância, Harry, mas acho que descobri o porquê da mudança do velho Sev... esse garoto é diferente, e alguns dos novos alunos também...
- Refere-se aos gêmeos Chevalier? Todos os professores estão interessadíssimos em vê-los na sala de aula.. Draco e Minerva, em especial...
- Hunf... você anda conversando demais com aquele moleque Malfoy pro meu gosto...
- Eu já disse que ele mudou... somos amigos, agora...
- Tá... tão amigos quanto eu e Remus fomos um dia. – Harry ficou vermelho à menção do ex-namorado do padrinho – Vamos lá, Mione quer começar as apresentações.
Hermione encontrava-se de pá diante da lareira, sorrindo para os alunos de forma animada. Harry acomodou-se ao lado de Rony, Sirius flutuando logo acima. A diretora da Grifinória escorou-se ao lado da lareira.
- Bem- ela começou, a voz clara e agradável, sem vestígio da voz irritante que tanto incomodava Rony e Harry para que eles fizessem os deveres – todos os anos nós, tradicionalmente, fazemos uma pequena apresentação dos novos alunos, para que os alunos mais velhos da casa os conheçam melhor. É bem simples, digam seus nomes, de onde vem, o que seus pais são e fazem, qual o grau de magia na sua família e o que esperam de Hogwarts. Vocês podem fazer perguntas aos alunos, mas nada de brincadeiras sem graça, ok? Bom, vamos começar pelos últimos a serem selecionados. Srta. Thomas.
Uma menina miúda e magrinha, de cabelos negros e olhos azuis postou-se ao lado de Mione, olhando-a um tanto quanto temerosa.
- Bom, meu nome é Dawn Thomas, eu sou de Notthingham, meus pai é engenheiro e minha mãe é dona de um restaurante. Minha família é completamente trouxa, fui a primeira a manifestar magia. Espero que eu consiga desenvolver minha magia de maneira satisfatória aqui em Hogwarts, e que eu não sinta muita falta de casa...
Um garoto do fundo da sala levantou a mão.
- Você não é filha da Anabelle Thomas, a dona do Ladies's?
- Sou...
- É que minha família é de Nottingham, também... eu sou Doug Hoost.
Dawn sorriu, ao descobrir alguém vagamente familiar naquele ambiente estranho, e correu para sentar-se ao lado do garoto do segundo ano.
- Sr. Stanford, por favor.
Um garoto alto e desengonçado, de cabelos avermelhados e olhos cinzentos, olhou para a platéia.
- Bom, eu sou Hugh Stanford, mas todo mundo me chama de Cherry. Já deu pra notar por quê... – os garotos riram, e mesmo Mione suprimiu um sorrisinho – Sou de Dublin. Bem, meu pai é medibruxo e minha mãe é fotógrafa. Só meu pai é bruxo, minha mãe é completamente trouxa. Eu espero que encontre gente como eu em Hogwarts: que goste de brincar, não só de estudar... e espero que os professores daqui coloquem alguma coisa na minha cabecinha oca. – os alunos riram com estrépito de novo – Se alguém tiver alguma pergunta...
Para espanto de todos, Harry ergueu a mão. Todos olharam, interessados em saber o que o prof. Potter teria para perguntar.
- Eu tenho: você tem algum parentesco com os Weasley? Porque você parece uma versão irlandesa de Fred e George...
Todos riram, em especial do vermelhão de Rony. Mione quase engasgou chamando o aluno seguinte.
- S-sr. Smith.
Um garoto loiro, de cabelos cortados a escovinha e olhos verdes parou numa posição rígida, diante dos alunos.
- Sou Ernest Smith, de Londres. Meu pai é da Força Aérea Real, e minha mãe é dona de casa. Sou o primeiro a apresentar magia na família. – Ernest relaxou a posição – E isso me salvou de ir para a Escola Militar, graças a Deus... Espero que Hogwarts não seja uma versão bruxa da academia Real, só isso... – ele deu uma piscadinha marota e sentou-se, sem esperar perguntas – Qualquer coisa que queiram saber, perguntem amanhã...
- Sr. Simms.
O garoto era moreno e bronzeado, de olhos castanhos brilhantes.
- Bem, sou Jonnathan Simms, mas me chamem de Johnny. Sou de Los Angeles, na Califórnia. – alguns alunos no fundo gritaram " e aí, yankee!", ao que Johnny deu uma risadinha – Meu pai é jornalista, veio para trabalhar no "Profeta Diário", e minha mãe é enfermeira bruxa. A família é totalmente mágica dos dois lados, embora eu tenha alguns primos que são atores... é uma família antiga nos EUA, veio de Salem... Eu espero que Hogwarts seja diferente da Escola Primária que eu freqüentava em Bel Air, e que eu consiga fazer meus pais terem orgulho de mim ao menos uma vez... – deu um sorriso torto – e que ninguém me torture por ser yankee...
Os alunos mais velhos chamaram Johnny, querendo saber quem eram seus primos atores. Muitas meninas ficaram de ouvidos ligados; vai que ele fosse primo do Matt Damon?
- Sr. Selleck, por favor.
O garoto era alto e gordinho, com um rosto desconfiado de agente secreto, cabelos cor de mel e olhos negros.
- Meu nome é Burt Selleck... E-eu sou de Hamptonshire e... meus pais são aurores e...toda a família é mágica e... eu espero que Hogwarts me ensine o que eu preciso para ser auror um dia e... é isso, é.
O garoto correu para sentar-se, com medo que fizessem mais perguntas; aquela exibição já fora demais para sua personalidade acanhada.
- Srta. Hooch. – Mione sorriu ao contemplar Lena. A conhecia desde pequenina.
- Bom, meu nome é Lena Hooch, eu sou de Londres. Minha mãe, Madame Hooch, é ex-professora de Hogwarts, aposentou-se após a Guerra, quando meus irmãos mais velhos faleceram. Meu pai morreu quando eu era pequena, ele era tratador de dragões. A família é totalmente mágica. E eu espero que Hogwarts seja o que eu sempre sonhei quando minha mãe era professora. – deu uma piscadinha para os amigos. Um garoto do fundo levantou a mão para fazer uma pergunta.
- Você pretende entrar para o time de quadribol? É que eu sou o capitão...
- Farei os testes junto com todo mundo. Mas eu sei voar um pouquinho...
Harry sorriu, lembrando de uma certa garotinha de oito anos apostando corrida de vassouras com ele e chegando na frente, gritando: "olha, mamãe, eu venci o Harry Potter!".
Lena sentou-se enquanto Mione chamava a próxima da lista.
- Srta. Flinch.
Uma garota de cabelos castanhos curtos e olhos cor de mel levantou-se, olhando de canto para Lena e sorrindo. Simpatizara com a garota de olhos amarelos.
- Bom, meu nome é Ellen Flinch, eu sou de Bath, meus pais são instrutores de auto-escola. A família toda é trouxa, só eu tenho magia até agora. Eu queria que Hogwarts fosse uma segunda casa pra mim...
- O que é instrutor de auto-escola? – quis saber um garoto do terceiro ano.
- Bem, é quem ensina os trouxas a dirigirem os carros... sabe, automóveis... – ela parou, embaraçada, indo sentar-se.
- Srta. Avalon.
Dumas olhou para Tessa de canto, chamando a irmã pelo cosmo.
- Aposto que ela deixou a gente por último de propósito...
- Ela sabe que vão Ter muuuitas perguntas...
Os dois riram de forma marota um para o outro, enquanto a garota loira e gordinha, de olhos azuis doces posicionava-se ao lado de Mione.
- Eu sou Stella Avalon, sou escocesa, de Glasgow. Meu pai é veterinário, minha mãe é auror. Bem, minha mãe já esperava que eu nascesse bruxa, mas meu pai ficou bem chocado... Espero fazer amigos em Hogwarts, e aprender para um dia ser medibruxa, que é o que eu quero...
A garota sorriu para os colegas e sentou-se, ganhando um sorriso de Lena, que simpatizara com a menina a primeira vista.
- Bem, achei melhor deixar o Sr. e a Srta. Chevalier por último por serem irmãos. Venham até aqui, por favor.
Tess e Du ergueram-se de mãos dadas e foram para o lado de Mione, sentindo-se subitamente acanhados com os olhares insistentes sobre eles.
- Bien, eu sou Tessa Chevalier.
- E eu sou Dumas Chevalier.
- Somos de Athenas, na Grécia.
- E esperamos que Hogwarts nos ensine o suficiente para ampliar o alcance de nossos poderes, que são diferentes da magia ensinada aqui, mas que estão no nosso sangue também, talvez com mais força. – Du foi olhado com estranheza ao proferir essas palavras.
- Por que o cabelo de vocês é azul? – uma voz perguntou no fundo.
- Herança genética. – explicou Tessa – O de nossos pais também é.
- Falem sobre os pais de vocês. – pediu uma menina da primeira fila.
Tessa e Dumas se olharam, confabulando em grego.
# - Devemos contar a verdade?
- Foi o que papa Kamus disse...
- Eu conto ou você conta?
- Eu conto – decidiu Tessa – Fui eu que herdei a cara-de-pau de papa Milo...#
Tessa ergueu a voz, voltando a falar em inglês.
- Nossos pais são Milo, Cavaleiro de Ouro de Escorpião, e Kamus, Cavaleiro de Ouro de Aquário, protetores sagrados da Deusa Athena.
Um "ooohhhhh" respeitoso encheu o salão comunal. Foi quando a ficha de um dos alunos mais velhos caiu.
- Peraí... vocês deram o nome de dois homens... mas e a mãe de vocês?
Tessa e Dumas se olharam. Foi Du quem respondeu.
- Bien... é Milo, o Cavaleiro de Escorpião.
O choque foi tamanho que todos ficaram quietos. Foi Sirius quem manifestou a estupefação geral.
- Mas como pôde acontecer uma coisa dessas!
- Bien, - começou Tessa – tudo começou após uma festa de Baco...
MAIS TARDE...
Depois de um bom tempo, os gêmeos conseguiram terminar de contar a curiosa história de seu nascimento. Fora difícil convencer os colegas da veracidade da história, mas os gêmeos prometeram trazer as fotos dos cavaleiros grávidos e de seus amigos de condição semelhante (a saber: Amata, Mion e Moksha). Ainda assim, muita gente encarou tudo como brincadeira.
Hermione mandou os alunos se recolherem, e apontou onde ficavam os dormitórios.
- O dormitório das meninas é deste lado, e o dos meninos do outro lado.
Tessa observou o irmão em pânico, correndo para agarrar a manga da veste dele.
- Dormitórios separados, Du!
- Mas é claro, Tess. É como se fosse um colégio interno...
- Mas a gente nunca dormiu separado... – Tess fez biquinho, os olhos cheios de lágrimas. Dumas sorriu e abraçou a irmã.
- Mas é necessário, chèrie frère... faz parte do nosso aprendizado... Lembra o que papa Milo disse? "Sejam fortes!". E se você sentir muito minha falta, ou sentir saudade dos nossos papas, me chame pelo cosmo, e a gente se encontra aqui embaixo, tá?
- Tá. – resmungou Tess, enxugando as lágrimas.
Eles separaram-se sorrindo, embora com os corações pesados. Era realmente uma vida nova que começava para eles, e eles ainda não haviam absorvido o sentido absoluto disso.
NO DORMITÓRIO DOS MENINOS...
Dumas arrumava a mesa-de-cabeceira. Dera sorte, sua cama ficava bem embaixo da janela, do jeito que ele queria. Na mesa, ele colocara uma foto sua e de Tess com seus pais, defronte ao templo de Aquário. Kamus e Milo vestiam suas armaduras completas, os irmãos vestiam as roupas de treino. Ao lado, uma foto dos capetinhas do Santuário: ele e a irmã, Moksha, Aiorin, Amata e Mion. No colo de Amata e Tessa, Gideon e Maisa. Ele olhou os amigos com saudade, e sentiu uma fisgada no peito ao contemplar o rosto loiro e delicado de Mion.
- Esses são seus pais?
Du virou-se e deu de cara com o tímido Burt. Sorriu e pegou a foto dos pais.
- É, são eles. Tenho um orgulho danado dos dois...
- Eu acho um pouco estranho, sei lá... nada contra, mas é complicado de entender...
- Lá na minha terra é supercomum – intrometeu-se Johnny – Eu tenho um irmão que namora um cantor de rock, eles moram juntos há dois anos... – ele pegou a foto de Milo e Kamus – Quem é sua mãe? – Du apontou Milo – Caramba! Mas é bonito, hein? Um pedação!
Du sorriu, ao ver que os amigos faziam o possível para colocá-lo à vontade.
- Hey, Ernie, Hugh, venham ver as fotos do pessoal do Dumas.
Os dois outros grifinórios aproximaram-se e olharam as fotos com interesse.
- Teus pais parecem gente fina... – falou Hugh – Ooh, e quem é essa gatinha de rosa aqui na outra foto?
- Essa é a Amata, filha do tio Afrodite e do tio Carlo... vou pedir pro tio Deba mandar mais fotos, aí vou apresentar todo o pessoal do Santuário pra vocês... os cavaleiros de ouro todos, os de prata e os de bronze, a nossa senhora, a Deusa Athena... Talvez um dia vocês conheçam eles pessoalmente...
- Ia ser legal! – falou Ernie, passando a mão nos cabelos espetados – Imagina, conhecer homens que já ficaram grávidos! E uma deusa de verdade! Cara, a sua vida é surreal...
- É... – murmurou Du, arrumando o malão nos pás da cama. " E eu vou sentir muita falta dela enquanto estiver aqui", pensou.
NO DORMITÓRIO DAS MENINAS...
Tessa desfazia as malas, e colocava fotos idênticas sobre a mesa-de-cabeceira. De dentro da mala, tirou um pingüinzinho de pelúcia, que pôs por trás das fotos.
- Que gracinha de pingüim, Tess! – falou Lena, passando a mão no bichinho – De onde você tirou?
- Ah, esse é o Gegê(2). O meu papa Kamus... ahn... me emprestou...
(Enquanto isso, no Santuário:
- MIIIILOOOO! ONDE VOCÊ ENFIOU O GEGÊÊÊÊÊÊÊÊ?)
A cama de Tessa ficava na mesma posição que a do irmão. Ela mostrou as fotos para as amigas, que caíram de amores por Milo e Kamus.
- Como seu pai Milo é lindo, Tessa... – suspirou Stella, encantada com o cavaleiro de Escorpião.
- E o seu pai Kamus também... – disse Ellen, que preferira o brilho frio do Mestre do Gelo.
- Vocês precisam ver ao vivo... – disse Lena, fazendo inveja – Eu vi os dois na plataforma, em King's Cross. São maravilhosos...
- E esse garoto de pintinhas na testa? Esse que não tem sobrancelha e tem cabelo roxo? – quis saber Dawn, olhando interessada a foto dos fofinhos dourados.
- Esse é o Moksha, filho do tio Shaka e do tio Mú. É um capeta, mas também é um amigão.
- Ele é um pouco esquisito, mas é engraçadinho...
- Ele é a cara do pai dele... o tio Mú, eu quis dizer. Um dia eu vou pedir que eles mandem fotos de todos, aí apresento pra vocês. Ou talvez eles resolvam aparecer no nosso aniversário, não sei...
Tess sentiu uma fisgadinha no coração, lembrando do sorriso alegre de Milo e do olhar sereno de Kamus. Depois que todas as amigas já estavam dormindo, Tessa sentou-se no peitoril da janela, agarrada em Gegê, e chorou, como a criança que ainda era e como a jovem que, naquele dia, começava a ser.
UM POUCO MAIS TARDE...
Dumas, contemplando o céu noturno de Hogwarts, viu quando uma das estrelas da constelação de Sagitário emitiu um brilho mais forte, e sentiu o chamado angustiado do cosmo de Tessa. Desceu do parapeito da janela, calçou seus chinelos e saiu o mais silenciosamente que pôde do quarto, para não incomodar seus companheiros. Descendo as escadarias do dormitório, viu a irmã, de costas para ele, sentada em um sofá de frente para a lareira, contemplando o fogo que morria.
- Tess, o que houve?
Ele ficou de frente para a irmã, que apertava Gegê convulsivamente, com os olhos inchados de tanto chorar.
- Você trouxe o Gegê escondido! – Tessa assentiu – Zeus, isso vai dar um barraco danado quando papa Kamus se der conta do sumiço... e vai sobrar pro papa Milo... – Tess olhava o fogo, parecendo não ouvir o irmão. Du sentou-se ao lado dela e puxou-a para mais perto dele – O que houve, petit frère?
- N-não c-consigo do-dormir... – ela soluçava de mansinho – S-sinto fa-falta da mi-minha c-cama, d-do meu q-quarto, do p-papa Milo, do p-papa K-kamus... – ela desabou chorando no ombro do irmão. – Q-quero o p-papa... os d-dois...
Dumas abraçou-a com mais força, fazendo a irmã deitar em seu colo e acariciando os cabelos longos e azuis da irmã, como se acariciasse os do pai, deixando uma lágrima escorrer, concessão à sua personalidade fria e controlada, como a do cavaleiro de Aquário.
- Precisamos Ter força, Tess... ou você achou que íamos passar a vida toda no Santuário, sem nunca nos separarmos de nossos papas? – Tess assentiu e Du sorriu. A irmã, quando queria, era bem teimosa... até parecia escorpiana...¬.¬ - O que você acha que papa kamus vai dizer quando souber que você quer desistir? E papa Milo?
Tess olhou para o irmão gêmeo, enxergando sua imagem espelhada nos olhos idênticos aos seus. Engoliu um pouco do choro, esperou a voz firmar e falou.
- Mas eu me sinto sozinha naquele quarto... sinto falta de você, Du... você é meu irmão, meu melhor amigo, a única pessoa que eu tenho aqui em Hogwarts. Só hoje, Du, me faz companhia só hoje, na primeira noite aqui...
- Aí você promete que vai ser forte e agüentar essa primeira semana como compete a um Cavaleiro de Athena?
- Prometo.
- Então, tá! – ele levantou-se sorrindo, estendeu a mão para a irmã e levantou-a do sofá – Vou te levar escondida lá pro dormitório dos meninos. Mas você tem que sair antes de amanhecer totalmente, frère, senão a gente se encrenca!
Tess sorriu, sentindo-se mais segura. Sabia que só tinha que superar essa primeira noite de solidão, e depois voltaria a ser a segura filha de Milo, que enfrentava a vida de peito aberto, sorriso largo e piada na boca. Mas por essa noite ela queria ser apenas Tessa, uma garotinha assustada por estar a centenas de quilômetros de distância dos pais e de todo o seu mundo, e com apenas o irmão como âncora.
Enquanto eles subiam, pé ante pé, as escadas do dormitório dos meninos do primeiro ano, uma figura os contemplava das sombras, com o coração apertado. Aurelius também se sentia como Tessa às vezes, apenas um garoto assustado longe da mãe. Mas seu pai não podia oferecer-lhe um porto tão seguro quanto Dumas o era para Tessa.
SEGUNDA-FEIRA, 02 DE SETEMBRO
O Sol nascente encontrou Tessa no Dormitório dos meninos, dormindo abraçada em Gegê, de mãos dadas com o irmão. Os primeiros raios de Sol bateram nas pálpebras de Du, que abriu devagar os olhos e deu de cara com a irmã, que dormia, ressonando. Deu um beijo na testa dela e a acordou com suavidade.
- Tess... acorda, você tem que voltar pro seu dormitório... ligeiro, antes que alguém acorde...
Tessa abriu os olhos devagar e deu um sorriso para o irmão.
- 'Brigada, Du. 'Brigada por eu sempre poder contar com você. Prometo ser forte de hoje em diante.
- Tá... mas se precisar, chama!
Tessa agarrou Gegê, deu um beijo no rosto do irmão e saiu pé ante pé. Du virou de lado e continuou a dormir, para ver se sonhava de novo com um certo par de olhos verdes adornados por uma pintinha...
Tess subiu rápido (em mach 4...) para o seu dormitório, acomodando-se na cama. Quando ia cobrir-se, ouviu a voz de Lena.
- Você foi dormir com o Du, né?
O susto foi tão grande que Tessa caiu de lado, com as pernas um pouco para cima.
- Lena! – ela murmurou, recompondo-se – Tá, fui, sim... eu tava me sentindo sozinha...
- E por que não me acordou? – a voz de Lena tinha um tom de mágoa.
- Desculpa, Lena... isso não quer dizer que eu não te considere minha amiga... mas é que eu precisava de alguém da minha família, entende? Eu precisava do meu irmão...
- Tudo bem, Tess, desculpa eu... mas é que eu também me senti sozinha, ontem... – ela tinha a voz embargada, mas logo recuperou-se – Ei, que tal já nos levantarmos e nos vestirmos? Já estamos acordadas, mesmo...
- Tá bem... vamos ver como serão as aulas de hoje... já tem os horários?
- Nah, eles entregam na hora do café... ainda é cedo, dá tempo de tomar banho, se vestir e ainda dar uma conversada antes do pessoal descer pro café... vamos lá?
- Vamos.
As meninas pegaram as vestes e foram até o banheiro. Depois do banho, já vestidas e penteadas (em termos; os cabelos de Lena não paravam no lugar, e Tess atara os cabelos no penteado favorito de Milo, um rabo de cavalo frouxo, com mechas caídas emoldurando-lhe o rosto), as amigas se olharam da cabeça aos pés: os mocassins pretos e lustrosos, as vestes negras e compridas, o chapéu pontudo. E riram, riram muito.
- A gente tá muito esquisita... – falou Tess, meio sem fôlego
- É... – Lena concordou, enxugando as lágrimas de riso – Mas a gente acostuma... vem, vamos arrumar a mochila. No primeiro período não precisa levar livro, só pergaminho, pena e a varinha, claro... O material só é obrigatório depois que distribuem os horários.
Tess arrumou a mochila com toda a delicadeza, colocando a pena mais colorida que Moksha lhe dera, o tinteiro dado por Gideon e Maisa, pergaminhos e sua varinha. Lena já terminara de arrumar a mochila quando Tessa fechou a dela. Já ia saindo, mas pareceu lembrar-se de um último detalhe: voltou e pegou Gegê, espremendo-o junto dos pergaminhos. Por via das dúvidas...
As amigas resolveram apresentar uma a outra as impressões que tiveram sobre os colegas, bem como dos professores. E conversaram até que os primeiros alunos começaram a descer para o café.
NO DORMITÓRIO DOS MENINOS...
Du dormiu até sentir que alguém lhe chacoalhava. Abriu os olhos com preguiça e deu de cara com o rosto sardento de Hugh.
- Acorda, Dumas, já tá na hora de se vestir!
Du espreguiçou-se e olhou em torno. Os colegas já começavam a tirar as vestes de dentro dos malões, já de banho tomado.
- Sono pesado, hein? – falou Burt, sorrindo – A gente fez uma algazarra dos diabos, e você continuou aí, ferradão...
- Puxei meu pai... – deu um grande bocejo e levantou-se, separando as coisas para o banho.
- Qual deles? – brincou Ernie
- Haha, muuuito engraçado, Ernie... – Du ia saindo quando ouviu a voz sonolenta de Johnny se manifestar pela primeira vez .
- Te prepara para ouvir coisa pior do pessoal da Sonserina quando eles ficarem sabendo... ouvi dizer que o negócio com eles é barra pesada.
Dumas virou-se para o amigo, o cosmo intensificando-se ao simples pensamento de falarem mal de sua família, um halo dourado em torno dos cabelos azuis e um olhar sinistro e frio; não parecia mais um garotinho estudante, e sim o jovem cavaleiro que seus pais um dia foram, com a mesma idade.
- Eu só espero que eles não me forcem a usar meus poderes... ou então nem toda a habilidade de Madame Pomfrey irá salvá-los.
Ele entrou no banheiro, deixando para trás os amigos, todos se olhando com ares perplexos. Cherry Hugh foi o primeiro a conseguir falar.
- Cara... eu não queria pegar o Dumas num dia ruim...
Algum tempo depois, Dumas saiu do banheiro, já completamente vestido. As vestes negras salientavam o porte naturalmente elegante do greguinho, fazendo-o parecer mais velho do que era. O cabelo azul estava completamente penteado para trás e ainda úmido. Ele acertou o chapéu num ângulo elegante, e arrumou a mochila rapidamente, colocando por último uma pequena caderneta.
- Que é isso? – quis saber Burt
- Diário meu e da Tess. – Du pôs a mochila nas costas e arrumou o cabelo, pondo uma mecha teimosa atrás da orelha – Vamos?
Ao descerem para o café, os garotos acharam a sala comunal cheia. Com um "vejo vocês no café", Du separou-se dos amigos e foi ao encontro da irmã e da amiga. Tess e Lena estavam cochichando em um canto, muito compenetradas. Ele veio devagarinho por trás da irmã, querendo ingenuamente assustá-la. No momento em que ergueu as mãos, ouviu-lhe a voz clara.
- Nem adianta, Du, você não conseguiu disfarçar seu cosmo direito...
Com um olhar de frustração, ele sentou-se no braço da poltrona onde Tess estava refestelada.
- 'Cê tá irritado, Du, que foi?
- Ah, foi um troço que o Johnny disse...
- Aquele yankee te incomodou? – perguntou Tessa, já resfriando o ar em torno deles, com um de seus olhares " cai fora, Moksha, o irmão é meu".
- E você ainda fala em descontrole de cosmo... Olha o frio que ficou aqui! Se acalma. – Tess respirou fundo e "baixou a bola" – Ele não disse nada do que você tá pensando, só disse uma coisa que me fez pensar...
- O quê? – quis saber Lena, toda curiosa...
- Ele comentou sobre a reação do pessoal quando ficar sabendo a nossa história... Sei lá, Tess, o pessoal da Grifinória foi bacana, entendeu, mas e os outros? E o pessoal da Sonserina?
- Acho que cê tá sofrendo por antecipação, frère... Vamos esperar. Se algum engraçadinho se meter a besta, não vai sobrar pra contar a história... e vai ficar num esquife de gelo eterno, bem no Saguão de Hogwarts, como aviso...
- Ui, Tess, como você acordou má hoje...
- Vai tomar banho, Dumas.
- Já tomei – Du pôs a língua para a irmã e Tess riu.
- Tem vezes que cê fica mais parecido com o papa Milo que eu...
- Ei, vocês dois, parem de discutir, a gente vai perder o café! – Lena apontou para a massa de alunos de preto e vermelho que saía pelo buraco do retrato, e eles levantaram-se, tomando a mesma direção. Na saída, foram barrados por Lenny Kang.
- As vestes de vocês ainda não foram padronizadas? – eles se olharam sem entender. Lenny começou a empurrá-los em direção a saída – Vamos lá, dar um jeito nisso.
Foram conduzidos escadas abaixo até a sala dos professores. Bateu à porta, sendo atendido por Draco. Tess fitou o professor de Feitiços e sentiu o rosto corar.
- Pois não, Kang?
- Eu preciso falar com a prof. Granger, prof. Malfoy.
- A prof Granger já desceu para o café com o Weasley, Kang. Terá que procurá-la no Salão Principal.
- E o prof. Potter, está aí?
Draco corou imperceptivelmente, e Dumas viu o ar confiante dele vacilar um pouco antes de retornar ao habitual.
- Sim, está. – Draco virou-se para dentro – Potter! Tem um aluno querendo falar com você aqui. – Ele virou-se para o pequeno grupo e deu um de seus meio-sorrisos irônicos – Esperem um minuto.
Com as vestes azuladas girando em torno do corpo, Draco virou-se e entrou na Sala, passando por Harry, que vinha com um ar um pouco acanhado, que Lena e Kang tomaram por sono, mas que Tessa e Dumas sabiam bem o que era; o mesmo ar de Shun quando Ikki chegava de repente e o flagrava com Hyoga...
- O que houve, Lenny?
- Professor, a Hooch e os Chevalier perderam a padronização, e eu queria saber se o senhor não poderia fazer isso no lugar da prof. Granger...
- Mas é claro! – Harry tirou a varinha do bolso das vestes e fez um movimento descendente em torno de Tessa – Rubberiu Ribon! – a barra das mangas e da gola das vestes tornou-se vermelha. Harry, então fez um movimento de estocada no lado esquerdo do peito – Herals Gryfindor! – na veste da menina apareceu o brasão da Grifinória, escudo vermelho com o leão dourado. Ela sorriu.
- Legal! – Harry sorriu para ela e repetiu o procedimento em Dumas e Lena. Quando terminou, guardou a varinha e recostou-se na porta, olhando para Lena e rindo.
- Então você sabe voar um pouquinho, Lena? Que eu lembre, você já voava melhor do que eu quando tinha oito anos... eu imagino agora!
Lena riu, um pouco envergonhada.
- Queria que eu dissesse o que, Harry? É, eu já vôo há sete anos, e já venci algumas corridas, inclusive contra gente mais velha... e contra o lendário apanhador da Grifinória, um tal de Harry Potter, já ouviram falar nele? – os dois se olharam e riram, e Harry passou a mão nos cabelos cinzentos de Lena. Gostava dela como se fosse a irmãzinha caçula que nunca tivera, e ainda lembrava com carinho das aulas de Madame Hooch.
Os dois ainda sorriam um para o outro quando Draco saiu da sala dos professores, com um movimento elegante das vestes. Virou a cabeça e chamou Harry.
- Vai ficar de conversa com os alunos ou vai vir tomar café, Potter? Os outros estão esperando. E vocês – ele completou, olhando para os garotos – já deviam estar lá!
Ele virou-se e saiu caminhando, o porte altivo e aristocrático. Harry suspirou e olhou para cima.
- Já vou, Malfoy...
- O Draco não muda, né? Continua metido e ciu...
- É melhor vocês descerem, Lena. – cortou Harry, corando furiosamente – Senão, vão perder o primeiro café da manhã de vocês na mesa da Grifinória.
Os garotos despediram-se com acenos de cabeça e foram descendo atrás de Lenny. Ao entrarem no salão Principal, fez-se silêncio por um instante. Mas logo o barulho retornou, mais ensurdecedor do que nunca, como se todos estivessem dispostos a ignorar a entrada deles no Salão.
Os três amigos sentaram-se numa das pontas da mesa da Grifinória, junto com seus colegas do primeiro ano. A conversa seguia animada, sobre como seriam as aulas. Logo Lenny Kang veio com uma pilha de pergaminhos vermelhos.
- Horários!
Os garotos pegaram os pergaminhos e viram a letra difícil e apertada de Hermione, em tinta dourada.
HORÁRIOS DO PRIMEIRO ANOSEGUNDA-FEIRA
MANHÃ:
1° TEMPO – TRANSFIGURAÇÃO
2° TEMPO – HISTÓRIA DA MAGIA
TARDE:
1° E 2° TEMPO – FEITIÇOS
TERÇA-FEIRA
MANHÃ:
1° E 2° TEMPOS – HERBOLOGIA
TARDE:
1° TEMPO – DEFESA CONTRA AS ARTES DAS TREVAS
2° TEMPO – TRANSFIGURAÇÃO
QUARTA-FEIRA
MANHÃ:
1° TEMPO – TRANSFIGURAÇÃO
2° TEMPO – DEFESA CONTRA AS ARTES DAS TREVAS
TARDE:
1° TEMPO – HERBOLOGIA
2° TEMPO – POÇÕES
NOITE:
MEIA-NOITE – ASTRONOMIA
QUINTA-FEIRA
MANHÃ:
1° TEMPO – DEFESA CONTRA AS ARTES DAS TREVAS
2° TEMPO – FEITIÇOS
TARDE:
1° TEMPO – HISTÓRIA DA MAGIA
2° TEMPO – VÔO
SEXTA-FEIRA
MANHÃ:
1° E 2° TEMPOS – POÇÕES
TARDE LIVRE
As aulas começam às 08:30 AM
O almoço começa a ser servido à 1:00 PMAs aulas da tarde começam às 2:00 PM
Atrasos serão punidos com desconto de pontos das casas.
O jantar começa a ser servido às 7:00 PM
Todos os alunos devem estar em suas salas comunais às 9:00 PM
- Ih, já começamos com Transfiguração... – gemeu Cherry Hugh – Me disseram que a velha McGonagall é linha dura...
- Você nem sabe o quanto... – Tess e Du viraram-se. De pé, entre os dois, com um sorriso irônico no rosto, estava Aurelius – Procurem não se atrasar e nem conversar durante a aula dela. E durante a do meu pai também – ele acrescentou, em voz baixa – O velho consegue ser pior que a Minerva.
Todos riram da cara resignada de Aurelius. Ele baixou a cabeça, encarando os gêmeos.
- Vim desejar boa sorte pra vocês. Fiquem tranqüilos, que vai dar tudo certo – ele sorriu, encorajando os irmãos.
Burt olhou para o relógio, sufocando um gritinho.
- Já são 08:20! Vamos lá, senão vamos nos atrasar pra primeira aula!
Eles pegaram as mochilas e saíram em desabalada carreira pela porta do Salão Principal. Tess e Du acenaram para Aurelius e correram para junto dos amigos. Ia começar a primeira semana de aula dos gêmeos na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
N/A: gente, esses capítulos estão ficando enormes! Sei que prometi a primeira semana de aulas para este capítulo, mas aí ele ia ter umas 40 páginas de Word!
Bein, mas o quinto capítulo será sobre a primeira semana de aulas, e sobre uma ocasião inesquecível para o meu cavaleiro de Bronze mais fofo, Shun de Andrômeda... Aguardem e verão! Não pude resistir...
Pipe-sensei, obrigada pelo review! Fiquei lisonjeadíssima quando você disse que eu tinha um estilo parecido! Domo arigatô!
Bein, até o quinto capítulo, então! Ele já começou a ser escrito, mas eu naum posso digita-lo com muita presteza, porque meu dedo indicador da mão direita sofreu um acidente, e minha habilidade de digitação ficou um pouco prejudicada. Por favor, não me crucifiquem se eu demorar um pouco pra atualizar. Meu dedinho dóóóóóiiiii...
Bjins da Éowin!
