Disclaimer: Isso tudo realmente me pertence, eu tive a idéia. Menos Antonius e Helena, que são da Miyu Amamyia.
Shippers: Todo mundo com todo mundo ;D
Categoria: Fantasia, Suspense, Romance, Terror, Yaoi (Slash)
Classificação: +18
Sinopse: Há séculos contam sobre estas criaturas noturnas. Mas como será a vida delas no século XXI?
Notas: Essa é minha tentativa (frustrada?) de tentar novamente escrever algo curto. E minha homenagem ao Dia das Bruxas também. Foi inspirada no conto original de Miyu Amamyia. Perdoem se não saiu legal, foi só algo que surgiu do nada na minha cabeça.
Criaturas – by Blodeu-sama
Acordei abruptamente, como que despertado pelo por do sol. Ainda há uma vaga luz alaranjada parcamente visível através das cortinas da janela, e isto me incomoda. Talvez o quarto estivesse completamente escuro para meros humanos, mas eu sinto o sol como quem sente o fogo, então... acho que devo pedir a uma de minhas crianças que cuide disto para mim.
Uma de minhas crianças...
Ergo-me da cama e me olho no espelho. Não é algo muito útil de se fazer quando se é o que eu sou, pois a composição destes objetos impede que fiquemos completamente visíveis neles. Por mais que eu implore para que alguém me ache um espelho que não contenha prata, isto não parece possível. Então, a imagem que me encara é borrada e semi-transparente, como se eu fosse o mero reflexo de mim mesmo através de vapor. O bastante para que eu veja minha silhueta fina, delgada, de uma palidez anormal, contrastando com meus cabelos cor de fogo longos de mais para um homem deste século. Bem, atualmente, acho que esta coisa de moda anda se perdendo na balburdia de estilos que existem. Tribos. Ou seja lá o que forem.
Mas minha imagem imprecisa me irrita. Ou talvez tenha simplesmente acordado irritado. Por causa naquela nesga de sol através da cortina. E por causa de minhas crianças. Uma de minhas crianças. Visto um tanto duramente alguma roupa apresentável e desço as escadas, olhando meu reflexo no vidro das janelas. Um pouco melhor. Ao menos posso ver o verde de meus olhos e a maneira como a camisa de seda da mesma cor cai sobre minha pele fazendo um nítido contraste de claro escuro.
Talvez setecentos anos vivendo entre poderosos tenham me transformado num homem narcisista. Ou talvez seja a natureza de seres como eu. Não conheço tantas criaturas como eu para saber.
Lá está ela, como eu havia previsto. Encolhida a um canto da sala, vestida indecentemente com aquela camisola transparente e com os olhos azul-turquesa transbordando medo. Ah, pequena Marie. Minha pequena e doce Marie. Tão nova no sangue que ainda havia carne fresca o bastante em seu rosto para que corasse. E ainda havia humanidade o bastante nela para que fizesse algo tão estúpido e sem tamanho quanto assassinar alguém por puro ciúme.
Ciúme de mim!
- ...p-perdão, mestre... –murmura ela, baixinho. – sei que está irritado comigo e...
- Eu estou irritado, Marie. – respondo num tom pouco acima de um sussurro. Há um leve sorriso em meu rosto, que não chega aos olhos. Ela sabe que está em graves apuros.
- ...p-por favor!
- Eu queria... entender porque, Marie? Porque fez algo tão idiota? Tão abominavelmente idiota?! Qual foi a primeira coisa que lhe ensinei?
Ela fez silencio. Por quase um minuto inteiro. Quando respondeu, estava mais séria.
- Só mate para comer e proteger seu segredo.
- ...só para comer e proteger seu segredo. E eu repeti-lhe isso quantas vezes nestes últimos três anos minha querida?
- ...muitas mestre.
- Muitas, não é? Desde que você se tornou minha criança, minha protegida. Eu tento ensinar a você Marie, a maneira certa de sobreviver com sua nova condição, mas você parece...não...entender!
Eles estão do outro lado da porta, aqueles dois pequenos abutres. Sim, sentem cheiro de confusão e vem logo esvoaçar em volta, esperando tirar algum proveito. Não sei se isto me dá desgosto ou orgulho. No momento em que tento ter uma conversa séria com Marie, isto apenas serve para aumentar minha irritação.
Volto meus olhos para a porta e ela se abre, revelando um casal de irmãos gêmeos de pele dourada e olhos escuros. Já não tem mais carne fresca em seus corpos, portanto o tom dourado de sua tez não esconde totalmente uma impressão cadavérica. Estão encostados um ao outro, como sempre, vestindo aquelas roupas impudicas. Hernãn com uma sunga vermelha colada a pele e Henrietta vestindo a parte de baixo do biquíni igualmente vermelho e uma saída de banho feita em tela não escondendo parte alguma dos seios pouco volumosos. Não sei o que há com essas crianças, parecem incapazes de se vestir com decência. Na época em que eu nasci, se uma mulher ou homem fosse visto em tais trajes poderia ser apedrejado por toda a comunidade.
- E vocês dois, imagino que tenham vindo ver o castigo.
Ronronam como gatos satisfeitos, e eu faço um gesto para que se sentem, percebendo o olhar indignado de Marie. Hernãn senta-se em uma das poltronas e Henrietta não hesita em sentar-se no colo do irmão, afagando os cabelos dele distraidamente enquanto ele desliza os dedos pelas coxas bem torneadas dela. Eles sabem, ó sabem, que isso me deixa atordoado. Talvez porque eles nasceram irmãos, e até o dia em que lhes tirei uma vida para lhes dar outra, não se tocavam mais do que o "normal" entre irmãos. Depois de transformados, entenderam as liberdades da nossa raça de uma maneira um pouco mais pervertida que comumente. Eu, é claro, não reclamaria do espetáculo.
Marie, por sua vez, era jovem de mais, inexperiente de mais, e ainda não entendera o quão profundo era o meu vinculo com ela e o vinculo dela com minhas outras crianças. Ela não entendia que não estava em uma festa orgiastica sem fim com desconhecidos, mas sim que ela era irmã de sangue daquelas outras criaturas e minha propriedade, até que eu a considerasse bastante esperta para se virar sozinha. Ela é minha filha, não minha amante.
Volto novamente meus olhos para a minha loira francesinha, ignorando a excitação que aqueles dois pequenos demônios espanhóis estão tentando causar em mim.
- ... não sei mais o que posso fazer com você, Marie. Acho que vou tranca-la.
- NÃO!
Ela se levanta. Todo o corpo rosado visível pela camisola cor de rosa fina. Ao contrario de Henrietta, Marie tem seios fartos. Curvas generosas. Um corpo perfeito que faz qualquer um virar o rosto para olhar, na rua. Eu a transformei porque ela queria ser bela para sempre. Eu a transformei porque me perdi naquelas curvas e protuberâncias. Na maneira como ela geme. Na sensação que é me afundar, noite após noite, naquele corpo macio e cheiroso.
Mas ela passou dos limites. Em pleno dia! Não poderia nunca ter apenas cortado a garganta daquele meu pequeno namoradinho em um exposta sala de reuniões, quando qualquer um poderia simplesmente aparecer.
E Jonas não passava de um rapaz bobinho fascinado por um "milionário misterioso". Um mero otário com uma bela traseira. É incrível que Marie simplesmente tenha sentido ciúmes dele!
- Vou tranca-la. Vai ficar lá em baixo até entender que não deve matar pessoas sem uma boa razão para isso.
- Não! Não, por favor... não mestre... – ela cai de joelhos diante de mim, gotas vermelhas escorrendo por seu rosto rosado. Desperdício de sangue, chorar desse jeito. Ela me puxa, implora, beija meu ventre baixo. E beija mais uma vez. E com a habilidade de uma profissional, desfaz o fecho de minha calça social e passa os lábios rosados sobre eu sexo.
Meu rosto continua impassível. Frio como gelo. Hernãn e Henrietta prestam atenção, dando risinhos, acariciando-se com um pouco mais de 'intimidade'. E embora meu corpo desperte, eu sei que vou ter que fazê-la parar. Ela não se safará dessa apenas me sugando. Não desta vez.
As portas novamente se abrem e ele entra por elas com um envelope em mãos. Ele é meu filho mais velho, embora na aparência seja mais novo que todos nós. Não parece ter sequer dezesseis anos. Mas Elliot tem duzentos e cinqüenta.
- Há uma mensagem para o senhor, Willian.
E ele parou de me chamar de mestre a cerca de vinte anos. Talvez seja hora de desfazer nosso laço... Vou sentir falta dele. Do jeito quase tão frio quanto o meu, da maneira como não pareceu nem um pouco incomodado ou enciumado com o que estava presenciando, de sua pele clara e cabelos negros como uma noite de luz nova. Da maneira elegante como ele se alimenta. Foi o meu primeiro, mas foi minha obra prima.
- Estou ocupado Elliot.
- É de Antonius.
Entreabro mais os olhos e estico a mão para receber a mensagem. Antonius fora meu mestre, meu pai. Ele me ensinara cuidadosamente, carinhosamente. Lembro-me de seu sorriso branco emoldurado por aqueles cabelos escuros cacheados, enquanto me falava da beleza de ser uma criatura da noite. Lembro-me de sua força ao me tomar como seu. Eu não o via a tanto tempo! Séculos! Literalmente.
Sorri ao ver que continuava escrevendo em latim arcaico. Eu sabia que Antonius nascera na Grécia, quando ainda existiam césares por lá. Talvez, quando eles ainda nem existiam, eu nunca soube ao certo. O fato é que depois de abandonar o grego em favor do latim, ele nunca mais se dispôs a fazer este tipo de sacrifício. Meu latim, confesso que estava um pouco enferrujado. Mas ainda consegui ler a mensagem, curta porem elegante e imponente.
Dizia que resolvera reunir todas as suas crianças em um baile de mascaras. Rever a todos. Estava começando a se esquecer de nossos rostos. Ah... isso poderia ser interessante. Rever alguns de meus irmãos... rever Helena.
Empurrei Marie delicadamente, já que ela não se afastara de mim. Ela ignorou meu gesto e voltou a me sugar, como se sua vida – que ela alias não tinha – dependesse disso. Entreguei a carta a Elliot calmamente e então puxei os cabelos loiros da francesinha para cima, estapeando-a em seguida. Quando falei, minha voz não deixou margem para contestações.
- Você vai para o porão. Vai ficar lá até aprender a me obedecer. Vocês dois! – Hernãn se levantou de súbito, com medo visível nos olhos, e derrubou a irmã no processo. – Tranquem-na. Depois quero que arrumem uma vedação mais eficiente para minhas janelas. Serão recompensados conforme o merecido.
- Sim, mestre. – responderam os dois irmãos em unissoro, e Marie levantou-se chorando sangue ainda mais profusamente, porém quieta. Quando eles desapareceram das minhas vistas, larguei meu corpo no sofá e chamei meu garoto para sentar-se junto a mim.
- Ele esta convidando a mim e a meus irmãos para uma festa Elliot.
- Isso é bom, Willian. – respondeu, sorrindo um pouco mais e acomodando a cabeça em meu ombro.
- Sim, é... não sei quanto tempo pode durar esse reencontro, então espero que tome conta desses irresponsáveis por mim, está bem?
- Claro, senhor! Eu os manterei na linha.
- Ótimo. Se você se sair bem, talvez devêssemos começar a pensar em desfazer o laço.
- ... eu não me importaria de ficar com o senhor mais algum tempo, Willian.
Sua mão pequena acariciava meu peito, enquanto meu braço o envolvia ternamente. Elliot era adorável. Eu não podia negar que o amava. E sabia que ele também me amava.
- Sei que não. Mas um dia terá que tomar seu próprio caminho, meu pequeno...
- Eu sei Willian, eu apenas esperava poder ficar ao seu lado um pouco mais.
- Pensaremos a respeito – respondo, calmamente, vendo como sua mão deslizava para meu ventre baixo, agora acariciando meu sexo ainda exposto e ainda ereto como se acariciasse um animalzinho. – você pode terminar o que sua irmã começou.
Elliot sorri para mim, inocentemente, me beijando nos lábios antes de afundar o rosto entre minhas pernas.
Ah sim... ah... habilidoso como sempre. Talvez eu o leve a festa. Antonius ficaria orgulhoso de ver mais ramificações de seu sangue. E Antonius sempre gostou de línguas habilidosas.
