- Acorda Bela Adormecida – disse uma voz me acordando. Mas não era Susana.
- Hermione? O que faz aqui? Seu dormitório é lá em cima.
- Susana disse que era para eu te acordar.
- Onde ela está? – perguntei olhando para a cama de Su intocada.
- Enfermaria.
- O que aconteceu com ela?!
- Na briguinha de almofadas ontem Rony exagerou na força e tacou a almofada na cara dela...ela perdeu o equilíbrio e caiu de mal jeito apoiada na mão. Quebrou o pulso.
- Coitada!
- Madame Pomfrey já deve ter concertado o pulso dela, mas ela vai ficar fora das aulas por hoje...
- Ah sim.
- Mas me diga – disse Hermione enquanto sentava na minha cama e eu colocava o uniforme – Harry me disse que se acertaram ontem à noite, isso é verdade?
Engoli a seco.
Ele me beijara, mas aquilo não era exatamente um entendimento. Mas eu não podia falar, não para ela. Não sabendo que eu teria de encontrar com Harry no café.
- Sim.
- Que bom! Não sabe como ele estava feliz quando nos contou isso. Ele demorou um bocado para ter coragem e vir falar com você.
- Vamos descer? Estou com fome. – disse colocando minha capa. Senti o pergaminho seguro em meu bolso.
- Vamos!
Descemos até o Salão Comunal e encontramos os garotos. Abaixei os olhos ao ver Hermione e Rony se cumprimentando com um beijo. Harry veio até mim e fez o mesmo.
- Bom dia!
- Bom dia...
- Vamos descer? Estou varado de fome! – disse Rony passando o braço pelos ombros de Hermione.
Harry pegou minha mão e assim nos dirigimos para o Salão Comunal.
Várias pessoas viravam as cabeças nos olhando.
Sentamos na mesa da Grifinória e comemos nosso café.
Tinha de aparentar felicidade, mas não estava sendo muito bem sucedida.
- Ora, ora, ora, o casal perfeito! Cicatriz e cabelos de fogo!
- Malfoy, arranje uma vida.
- Ou melhor, uma namorada, só assim você deixa as pessoas em paz. – disse Rony.
- Weasley não está dizendo nada. Enjoada demais com seu novo namorado?
Por quê?!
Por quê ele tinha de mexer comigo?
Eu estava quieta, com um pedaço de torrada na boca, nem ouvindo o que eles estavam falando. Ele tinha de me forçar a levantar os olhos e encontrar com os dele? Aqueles olhos azuis tão lindos, mas tão vazios? Janela para uma alma maligna?
Normalmente eu gritaria.
Xingaria até não poder mais.
Se pudesse, até enfeitiçaria, mas alguma coisa me fez parar.
Me levantei, ainda comendo minha torrada e saí. Deixando todos, inclusive Malfoy com caras de ponto de interrogação.
Subi até a enfermaria e vi Susana sentada em uma cama.
- Finalmente veio me visitar! Achei que tinha esquecido de mim!
Ainda me demorando na minha torrada, sentei em outra cama, de frente para Su.
- Está quieta. O que houve?
Então eu contei tudo. Desde da hora que Harry me puxou para a escada até poucos segundos antes. Então, voltei a colocar um pedaço de torrada na boca.
- Pela sua cara esse namoro não é o que você queria né?
- Quando dei por mim ele já tava me beijando.
- Você está se prendendo pelo Admirador?
- Não Su. Só não sinto o mesmo que ele. Mas acho que posso aprender, sabe?
- Aprender a amar? Você puxou uma? O que você tem na cabeça?
- Não muita coisa. – disse cansada.
- Que bom que sabe. Está na cara o que você quer. Você quer esse garoto do pergaminho, não é?
- Como eu posso gostar de um pedaço de pergaminho?! Meio errado não é?
- E por falar em errado! Olha, eu vou te dizer uma coisa meio estranha.
- O que?
- Ontem eu vi Malfoy com aqueles amiguinhos da Sonserina. Estavam rindo de alguma coisa.
- E o que tem?
- Sabe, isso me fez pensar em uma coisa durante algum tempo. Quando não se tem nada pra olhar a não ser camas vazias você começa a raciocinar melhor, sabe? O pergaminho foi achado na aula de História da Magia, não é?
- Sim.
- E com qual casa nós compartilhamos essas aulas?
- Sonserina.
- Justamente. Não acha que pode ter sido alguém da Sonserina que tenha pego o pergaminho?
- E escrito tudo aquilo? Jamais! Ninguém da Sonserina teria cérebro nem tato o suficiente para escrever aquelas palavras.
- E se estiverem querendo tirar uma da cara de quem escreveu? Mesmo sem saber quem é, devem saber que é da Grifinória. Nenhuma garota da Sonserina tem muito talento para escritora, sabe?
Merlim! Estou ferrada!
E se ela estiver certa?
Eu cavei minha própria cova!
- É melhor por um fim nisso.
É, realmente é melhor.
Mas quero ver se vou ser capaz de fazê-lo.
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Era aquele horário.
Aquele horário. O de abrir o pergaminho.
Eu havia me desvencilhado de Harry e dos outros pra poder ficar no dormitório sozinha.
Mas eu não posso fazer isso. Qual é, e se a pessoa for mesmo da Sonserina? Eu estou danada!
Apesar de achar meio impossível.
Não me agüentei, abri o pergaminho e lá estava aquela mesma caligrafia apertada.
"Escritora? Está aí?".
E agora?
Resolvi ser direta e reta. Pior do que estava não podia ficar.
"É da Sonserina, não é?".
A resposta demorou a vir.
Demorou muito, até achei que ele tinha desistido de me responder.
"Sou".
Não respondi. Só fiquei olhando para o papel.
Não pode ser verdade! Então eu tinha de realmente por um fim nisso.
Mas antes que eu pudesse encostar a pena no pergaminho outras palavras afloraram. "Vai parar de falar comigo por causa disso, não é?"."Está pregando uma peça em mim?".
"O que te faz pensar isso?".
"Me desculpe, mas as pessoas da Sonserina nunca se mostraram muito confiáveis".
"É Grifinória, não é?".
Seria sensato responder que sim?
"Sou".
E lá eu fiquei. Olhando para o pergaminho, exatamente como, eu sabia, ele estava olhando seu pergaminho também.
Talvez até mesmo dando risada.
Durante alguns segundos não aconteceu nada. Não escrevi e ele também não escreveu.
"Não estou pregando uma peça em você" – apareceu no meu pergaminho.
"Como saberei?".
"Tem de confiar em mim".
"Confiar em alguém da Sonserina?".
"Sim. Se os dias que conversamos através desse pergaminho enfeitiçado significou alguma coisa, você vai confiar em mim".
"Significaram. Mas depois do que descobri...".
"Sei. Quer se afastar de mim?".
"Não".
"Quem é você?".
"Não force a barra, já acho que foi demais termos falado nossas casas".
"Está bem. Mas como descobriu?".
"Juntei dois e dois. História da Magia é uma aula que só Grifinória e Sonserina têm juntos".
Ele não respondeu durante alguns segundos.
"E por que não pensou em ninguém da Grifinória?".
"Me falou do seu quarto, onde não tem privacidade. Sei que nos quartos daqui as coisas não são assim".
"É muito esperta. Está com medo?".
"Medo?".
"Medo. Medo de estar se comunicando com alguém da Sonserina, a casa dos bruxos malignos".
"Não vou mentir, estou".
"Se arrepende?".
"Deveria estar arrependida. Mas parte de mim não está. Parte de mim vê algo legal nisso. Acho que parte de mim é suicida. Parte de mim gosta de você mais do que deveria".
"Parte de mim também. Eu gosto de conversar com você. Mesmo você sendo uma Grifinória. Mesmo sabendo que eu devia te odiar, eu não consigo. Mesmo não sabendo quem é você".
"Mesmo não sabendo quem você é".
"Continuaremos sem saber quem somos?".
"Tenho medo se dissermos quem somos, a coisa não será mais a mesma. E se nos odiarmos?".
"Continuemos assim, então. Só me diga a cor de seus olhos".
"Meus olhos?".
"Para poder ao menos saber a cor dos olhos com quais quero sonhar".
"Castanhos. E os seus?".
"Castanhos".
"Então sonhe com meus olhos, Admirador".
"E você com os meus, Escritora".
Limpei o pergaminho e o dobrei de volta.
Ele era da Sonserina mesmo. E agora?
Eu estava fazendo a coisa certa? Me arriscando falando com um garoto da Sonserina que podia muito bem estar pregando uma peça em mim?
Ou pior, que poderia muito bem ser um comensal da morte?
heey!!
Fefa Yuki postando de novoo!
Aqui está mais um capítulo dessa história tão enrolada!! xD
Tá enrolada demais? õ.O
Ah Merlin...what the hell! xD
Bjoos a todos!!
AHHH!
E por favor deixem reviews para uma ficwriter desesperada!! u.u"
