Festança

Claro que eu devo ter vocação para vela. Além de o meu namorado estar de rolo com a vizinha, eu ainda acabo de juntar um casal, o que me faz ter que sentir felicidade por procuração.

- Com licença... – eu entrei no meu quarto, carregando a bandeja de chá e biscoitos de olhos fechados (posso entrar num circo depois disso).

Coloquei a bandeja em cima da minha escrivaninha, e olhei para a minha cama. Acho que eu devo ter sussurrado na hora que entrei, porque Derek e Emme não pararam de se beijar com a minha mísera presença. Os dois são uma gracinha. Loirinhos, olhos claros e tal... Imagina um filho dos dois! OUN! Parei.

Limpei a garganta, esperando que os dois percebessem que tinham companhia e meus pobres olhos inocentes não precisam ver os dois trocando juras de amor.

- Ah, Lily! – ofegou Emme, quando finalmente (!) percebeu que eu estava lá, e não na cozinha, preparando chá.

Derek ficou vermelho, mas sorriu para Emmeline quando pegou um papel e anotou um número, entregando para Emme. Ela olhou confusa para o papel.

- 7665 847 851?

- Meu telefone. Me liga. – e deu um selinho nela, indo na minha direção.

- Obrigada por ter me apresentado, Lily. – ele disse, sorrindo para mim. Me deu um beijo estalado na bochecha e saiu.

- O QUE É TELEFONE, LILY?

Comecei a rir.

- Ele quer que você continue a falar com ele. Vamos, vou te ensinar a telefonar.

Enquanto Emmeline examinava bem o telefone de casa, ele tocou, e ela jogou o coitado no chão.

- TÁ VIVO, LILY! AI MEU DEUS, O SEU TLEFELONE TÁ VIVO!

Revirei os olhos.

- Calma, Emmeline! – e peguei o telefone – Alô?

- Quem tá gritando?

- James?

- Oi.

- Desde quando você sabe telefonar?

- Remus me ensinou.

- Tá bom, então.

- Quem é?

- O que?

- Eu acabei de voltar da sua casa.

- HÃ? COMO ASSIM?

- Queria te fazer uma surpresa romântica, mas pelo jeito um cara loiro baixinho já fez.

- Derek?

- Então é esse o nome dele?

- É. Mas o que você...

Então a minha ficha caiu.

- JAMES, NÃO É O QUE VOCÊ TÁ PENSANDO!

- Não?

- CLARO QUE NÃO!

- Ah, então desculpa.

E desligou. NA MINHA CARA.

- O que aconteceu? – Emmeline perguntou, olhando para o telefone como se ele fosse explodir.

- Acho que eu e a James vamos terminar tudo.

- Calma, deve ser só uma fase. Eu entendi como funciona. Ele toca, você pega, e diz alô.

- Não, assim é como se atende telefone, Emme.

- Hã? TEM DOIS JEITOS DE USAR? Aiii...

Oh, temos um caminho longo por aqui.

Eu acho que Emme aprendeu a usar o telefone, porque nós outros dois dias as únicas cartas que ela me mandou foram "Ah. O Derek e eu saímos hoje. Ele está me ensinando algumas coisas legais." e outra assim: "Lily, Derek está te mandando um beijo, e eu também. Vai na festa? Será que posso levar Derek comigo?"

Enquanto isso, não tive coragem de falar com James. Acho que nós terminamos, mas eu não parei de usar o anel de prata que ele me deu. Talvez fosse a esperança idiota que Emmeline ''deixasse escapar'' que Derek está saindo com ela, não comigo.

Eu sinceramente não estava com espírito de festa quando o dia do aniversário chegou (três dias para o ano novo!), mas como Sirius ainda era meu amigo, e a Sra. Potter ficaria desapontada se eu não fosse, me arrumei e fui.

Por fora, a casa – mansão continuava a mesma. Quando bati na porta, vi que o trabalho de decoração da Sra. Potter tinha funcionado. Os balões que eu enchi estavam pendurados por todo o teto, iluminados pelas lâmpadas e lustres da casa, brilhando em várias cores diferentes.

A comida estava mais para o fundo, como pude ver mais tarde. No meio do caminho, vi os convidados. Emmeline estava lá, com Derek (COMO ELA TROUXE UM TROUXA PARA ESSA FESTA?), Dorcas estava, para variar, tentando fazer Remus dançar (já contei da repulsa dele por movimentos com o corpo? Eu já tentei ensinar ele a dançar, mas esse cara tem os quadris mais duros que o cabelo de Emily Ronson, da Lufa – Lufa). Andei mais para frente, cumprimentei Fabian Prewett e seu irmão mais novo, Gideon que estavam discutindo a liga de quadribol com Amus Diggory (como se eles soubessem algum outro assunto.). E mais a frente, Marlene e Sirius estavam rindo freneticamente (esses dois são completamente idiotas, fato. Desde o sexto ano, deram para virar melhores – amigos, porque Sirius finalmente percebeu que nem todas as mulheres só serviam para preencher um dos lados da cama.)

- Oi!

- OPA! Que bom que veio Lil! Estou tentando convencer Sirius que festas de aniversário são apenas simbólicas.

Sirius revirou os olhos.

- Como se eu precisasse de uma festa para lembrar que hoje uma ruga nasceu no meu rosto.

E começou a rir de novo. Acho que os dois andam exagerando no whisky de fogo.

- Onde está James?

Marlene me olhou confusa.

- Não sei...Eu tinha visto ele no quintal, brincando com um dos primos dele.

PRIMOS?

Fui até o quintal, onde aparentemente os Potter estavam reunidos. Sra. Potter conversava alegremente com uma mulher bonita de cabelos pretos e olhos azuis. A mãe de Marlene, por sinal.

- Olá, Senhora Potter.

- Oi, querida! Acho que já conhece Lorraine, né?

Sorri para a Sra. Mckinnon, quando um casal se aproximou. O cara era bem alto, e tinha os olhos verdes como os meus, enquanto a mulher, tão alta quanto ele, tinha uma expressão divertida no rosto.

- Então essa é a namoradinha de James, Marta?

A Sra. Potter sorriu, radiante, e me explicou:

- Querida, esses são Richard e Michel Potter, tios de James. – e depois sussurrou, no meu ouvido – Richard e Allan são irmãos.

- Ah! Oi!

- Ela é bonita! James finalmente conseguiu! Espero que Justin conquiste uma menina bonita como essa! – riu – se Richard. Eu forcei um sorriso e segui mais para frente. Cumprimentei o Sr. Potter e o Sr. Mckinnon e só encontrei James mais para frente, brincando com um menino de uns nove anos, que não cansava de jogar uma goles de plástico na cabeça dele.

- Olá...

James virou para mim subitamente, sendo atingido outra vez pela goles, que derrubou seus óculos.

- Oi, Lily.

O menino parou de brincar e olhou para mim, os olhos me esquadrinhando.

- Quem é ela, primo?

- A minha namorada, Justin. E para de me chamar de primo, droga.

O menino ignorou a última frase e foi até mim.

- Oi, sou Justin Potter. Tudo bom?

Eu dei meu melhor sorriso simpático.

- Olá, Justin, sou a Lily.

- Que nem a flor?

Senti meu rosto esquentar. Eu detestava que lembrassem o significado do meu nome. Soa muito lado – rosa – da força pra mim.

- É... Que nem a flor.

- Legal! Já volto, preciso usar o banheiro, e a minha mãe pegou os meus óculos.

Eu sorri para ele, enquanto pegava a goles de plástico e levava consigo.

- Idiota. – James disse, quando ele foi embora

Virei para ele, aborrecida.

- Olha quem fala. Derek está com Emmeline.

Mas antes que ele pudesse responder, uma voz afetada chamou:

-Jiiiimy!

Olhei para trás, e Joan vinha na nossa direção. Usava uma calça jeans BRANCA, extremamente apertada (como ela consegue andar? Eis o mistério.) junto com uma blusinha (INHA. INHA. INHA) cor de rosa.

Fui saindo à francesa, antes que eu fosse obrigada a vomitar nos dois. Estava tão irritada e transtornada que bati em alguém. Grande novidade. Senti um alívio enorme quando vi que era Remus.

- Ai, Rem! Desculpa!

Ele só riu.

- Ainda bem que ela não trouxe o cachorro.

Esperava ver tédio nos olhos deles, mas vi um discreto brilho malicioso nos olhos dele. Como ele é meu melhor amigo, levantei a sobrancelha:

- Que cara é essa?

- Ah, nenhuma. Só acho que Marlene não ia querer concorrência.

-q?

- Vem cá.

Subimos até o segundo andar, e Remus colocou o indicador nos lábios, para que eu ficasse quieta.

- Mas o que...

Quando chegamos perto da biblioteca, vi uma cena que nunca iria esquecer. Sirius e Marlene, aparentemente bêbados, se beijando no corredor.

Eu e Rem (AMO os apelidos que dou para meus amigos) nos entreolhamos e começamos a rir discretamente, enquanto descíamos.

- Cômico, não?

- Cômico? Será que os dois vão se lembrar disso amanhã?

- Não faço idéia, mas eu nunca deixarei Sirius esquecer.

Ri extremamente alto. Ah, Remus me faz mais feliz que meu namorado, como faço?

A festa em si foi divertida. Quero dizer, passar algumas horas com amigos é divertido em qualquer hora. Fabian e Gideon contam piadas muito bem, além das teorias absurdas sobre alienígenas que Dorcas insiste em desenvolver.

Quando estava para acabar, Justin veio em minha direção, agora com os óculos de aros quadrados bem colocados e a goles de plástico nas mãos.

- Florzinha?

Florzinha? Ah, sou eu.

- Oi, Justin!

- Você é a namorada do James?

- Sou...

- Acho que ele tem outra namorada... – falou ele, confuso. Senti meu sangue começar a congelar, mas tentei falar com o menininho do jeito mais gentil possível:

- Como assim?

- É... Vem aqui, florzinha.

Ele me guiou pela casa, até o quintal. A casa – mansão tem mesmo um quintal gigante, com uma mini floresta atrás, Justin foi até os pais dele, deixou a goles com os dois, e foi me puxando pela mão até a floresta. Me senti alta perto dele. Era incrível como ele era baixinho (considerando a altura dos pais dele. E a minha.) e depois iria crescer mais que eu. Oh vida, oh desgraça.

Quando cheguei quase ao fundo do quintal dos Potter, eu vi o que Justin queria dizer.

James e Joan. Se agarrando feitos dois animais numa árvore. Claro, fiquei furiosa. Não só porque ele estava me traindo, ou porque ele estava me traindo com aquela... Vizinha dele, ou por que ele estava me traindo enquanto eu estava solta na festa. Estava furiosa porque, além de tudo isso, Justin tinha visto. E ele, um menininho de nove anos de idade, foi o único que teve a decência de me avisar que ''Primo James tinha outra namorada''.

Não preciso ressaltar que comecei a chorar. E joguei a aliança no chão. E ele não reparou. Ou, se reparou, não ligou a mínima.