Fanfic dedicada a Tarcyanna França Matos, 15/10/1993 - 21/01/2010.


Disclaimer: Naruto e os seus personagens não me pertencem, mas eu encomendei o Shikamaru por correio azul.

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É só por os pontos! (:

Músicas para acompanhar: Girls just wanna have fun (Cindy Lauper); Into the Night (Nickelback ft. Santana); Secrets of Love (DJ Bobo ft. Sandra); Is this love (Bob marley); Beat it (Michael Jackson); Babilonia (White Label); Don't upset the rythm (Noisettes); Memories (David Guetta ft. Kid Cudi); When love takes over (David Guetta ft. Kelly Rowland); Evacuate the dancefloor (Cascada); I'll be waiting (Lenny Kravitz); Me and My Guitar (Tom Dice); The Last Fight, piano version (Bullet For my V.); Because the Night (10000 Maniacs); What a Feeling (Laura Brannigan); Closer (Ne-Yo); Just Breathe (Pearl Jam); Black (Pearl Jam); Tango (from the Zorro film); Burn it to the Ground (Nickelback);


Estávamos no meu apartamento. Eu e Tenten, sentadas no sofá, e Neji e Naruto à nossa frente, em duas das quatro cadeiras de jantar de cores diferentes. Eu e ela entreolhámo-nos, enquanto eles faziam o mesmo, para depois eu e Naruto cruzarmos o olhar e Tenten e Neji o fazerem.

Cinco segundos de silêncio.

-Vamos começar a trabalhar, dattebayo! – Naruto decidiu cortar o clima constrangedor, coçando a nuca e sorrindo que nem... Melhor não comentar.

Já havia passado mais de um mês desde a aula em que nos deram a conhecer as apresentações que teríamos de fazer. Aquilo era como se fosse o nosso exame final, apenas muito mais trabalhoso e problemático, como Shikamaru diz.

Todos tínhamos ido às aulas e nos esforçado para avançar no projecto de final de ano/curso que definirá o nosso futuro académico, decidindo se passamos ou não na academia.

Todos, com excepção de mim e, claro, o analfabeto do Naruto. "Nós temos tempo, Sakura-chan!" foram as palavras dele, enquanto bebia cerveja às 11h da manhã deitado no meu sofá "Aposto que ninguém começou sequer!".

É. Não preciso de mencionar que nos lixámos redondamente quando Kurenai nos disse, na aula passada, que queria dar uma vista de olhos nas nossas ideias e coreografias.

Resultado: Todos com folhas e folhas amontoadas completamente rabiscadas e coloridas, passos de dança perfeitamente ensaiados, roupas desenhadas e músicas escolhidas.

Enquanto nós tínhamos o nome de duas canções escritas à pressa num guardanapo gordurento do MacDonalds com fedor a Big Tasty fora do prazo.

Eu fitei Naruto sombriamente, enquanto Neji fazia o mesmo com Tenten.

Pode-se dizer que a situação deles era bastante parecida como a nossa, porém invertida, pois a preguiçosa espontânea que deixa-tudo-para-a-porra-do-último-minuto ali era ela.

- Certo. – Neji uniu as mãos e inclinou-se para a frente, enquanto olhava para Tenten, sério – Nós vamos fazer uma parcecia. Tu cantas, e eu toco violino. No regulamento diz que temos de ser nós a fazer a música, tanto temos de a compor como escrever a letra.

- Eu posso encarregar-me da letra!

- Óbvio. – disse, revirando os olhos – Eu vou arranjar alguém que toque piano, como acompanhamento, talvez Gaara o faça. Vou compor tanto o violino como o piano, enquanto tu escreves e defines o ritmo e afins. Certo?

- Claro. E temos que enfiar um solo de violino na música. – ela sorriu. Acto contínuo: Neji descontraiu e sorriu levemente também.

Sempre ouvi dizer que, quando estamos apaixonados, o coração bate e o cérebro, pára. A sério. Graças a Deus que sou uma pessoa racional e não emocional.

- Então, toca a por as mãos na massa! Já não temos muito tempo pessoal, e eu quero que desapilem daqui cedo ou acabamos por dormir aqui como da outra vez. – eu disse, emburrada ao relembrar a noite em que adormecemos todos no nosso apartamento depois de duas caixas de cerveja consumidas e acordamos com uma ressaca dos diabos.

- Vamos a isto, dattebayo!

::

Enquanto no início éramos quatro, agora éramos, tipo, o triplo. É. Éramos, onze. Não me perguntem como isto aconteceu. Telefonemas aqui, mensagens ali, pedidos de ajuda aqui, "olha traz-me lá…" ai deu nisto – o povo todo aqui batido, no meu apartamento de 60 metros quadrados.

Já passava das dez da noite e (como era de esperar) Kiba teve a brilhante ideia de encomendarmos pizza como jantar. Não preciso mencionar o estado em que a minha sala se encontrava, pois não?

Eu estava sentada ao contrário no sofá, com a cabeça a pender para o chão e os pés apoiados na parte superior, com Naruto a meu lado na mesma posição. Já tínhamos a música escolhida, seria o famoso Tango da cena de dança do filme do Zorro; e também já tínhamos partes da coreografia planejadas, o problema agora seria fazer Naruto memorizar cada passo. Deus

Tenten estava deitada no chão de barriga para baixo, escrevendo freneticamente no seu caderno dos "segredos", como costumo chamar àquela aberração toda escrevinhada, rota e do século passado. Ino cantarolava uma melodia qualquer enquanto treinava pequenos passos de dança e tentava memorizar uma coreografia.

Temari estava a ensaiar piruetas com Shikamaru, Hinata fazia esboços numa folha de papel branca sentada ao pé da janela, Kiba treinava passos de step e Neji estava entretido com o violino, sentado na mesma cadeira de horas atrás, enquanto Gaara compunha uma salada russa no seu bloco de folhas pautadas.

Ah, sim. Esquecera-me de Sasuke. Ele mantinha-se na conversa e na borga com o resto do pessoal, dando palpites na coreografia de Ino e apontando os passos dela numa lista qualquer. Todos pareciam aceitá-lo e considerá-lo um dos "nossos". Ou todos estavam cegos, ou eu estava cega.

Mas continuo a apostar na primeira opção.

Orgulho? Talvez.

Ele nem sequer olhava para mim! Como se nada tivesse acontecido entre nós.

Quero dizer, não nesse sentido, mas bem, flertar em plena pista de dança, pondo as mãos em sítios que são considerados tabu numa mulher, dançar daquele jeito ao som daquela música…

Certo, acho que o podemos considerar um jogo de sedução, ou estou errada?

- Ahhhh… - gemia Naruto – se comer mais pizza amanhã acordo morto, dattebayo!

Todos pararam de fazer o que estavam fazendo e olharam para Naruto, com a famosa cara de Mamãe-eu-sou-homossexual.

- Dobe, pelo amor a toda a bosta que tens no cérebro, como é que se acorda morto? – Sasuke perguntou, enquanto levava a garrafa de cerveja Sagres à boca.

- Puto, ele não tomou as suas vitaminas hoje de manhã. – disse Gaara a Sasuke, debochado, fazendo-nos soltar risos à toa.

- Meu caro amigo do deserto, se é assim, as vitaminas já deixaram de fazer efeito há muito tempo. – Ao dizer isto, Ino pára de dançar, despenteia Naruto (que, se não tivesse tão cheio, com certeza já tinha soltado um par de palavrões àqueles três) e depois caminha até Gaara num balanço de ancas digno de uma Pussycat Dool.

Ela sentou-se no seu colo e tirou-lhe as pautas da mão.

- Isto é? – interrogou-o.

- A minha música para a apresentação. – respondeu, sério, desviando o olhar.

Ino começou a ler o que seja que estava escrito naquele monte de folhas, enquanto a expressão do seu rosto passava de inicialmente divertida e descontraída para atenta e séria. Os seus lábios mexiam-se conforme ela lia os versos numa voz baixa, para si própria, apesar de todos a conseguirmos ouvir. Aos poucos, todos deixavam de prestar atenção ao que estavam a fazer e olhavam instintivamente para Gaara e Ino.

Senti o ambiente mudar drasticamente. A minha pequena sala esteve, até agora, preenchida por uma aura palpável de desleixo, companheirismo e alegria típica de quando estamos juntos, para dar lugar a uma nuvem concreta de depressão, cinza e triste.

-"I don't wanna stand beside you. I don't want to try the pain you're going to, till the dead you've seen, is true… I want to scream to show the hell I'm going to, the addiction's taking you… Should I fight for what is right or let it die? Do I fight or let it die? I will fight, one more fight, don't break down in front of me. I will fight, the last fight, I am not your enemy…" – em vez de continuar a ler, Ino levantou a cabeça e olhou para Gaara, que a fitava com um semblante impassível. E então, num gesto que significava mais para eles do que para qualquer um de nós, ela acariciou a tatuagem que ele tinha na testa, delicadamente. Ele fitou-a, com um brilho diferente no olhar. Afeição? Agradecimento? Talvez até Amor.

Todos conhecíamos o passado dos irmãos Sabaku, e sabíamos o inferno que eles haviam passado, principalmente Gaara, e aquilo que ele tinha escrito, provavelmente como letra da sua música, relatava definitivamente sobre a vida que ele havia levado. Eu sentia-me deprimida só de imaginar.

- Não vamos relembrar isso agora, não é maninho? – Temari, que até agora estivera com Shikamaru, foi ter com Gaara e passou a mão pelos cabelos ruivos do mesmo, num gesto maternal.

- Não penses nisso, puto. – disse Kiba, dando palmadas no ombro dele. – E tu também não. – ele virou-se para Temari e esfregou-lhe as costas com a mão, num gesto amigável.

- Vocês sabem que nós estamos aqui para tudo, amores. – disse eu, para aliviar o ambiente pesado. Levantei-me também da minha estranha posição no sofá para ir até eles, mas não tive resultado.

Por ter estado tanto tempo com a cabeça ao contrário, o sangue estava todo acumulado no meu cérebro. Oh, merda. Senti o famoso formigueiro na cabeça e vi o mundo a inclinar-se e a girar mais rápido que aquilo que eu suportava neste momento, fazendo-me cambalear para trás e para a frente e, consequência: caí de cara de chão, batendo com a virilha direita na mesinha da sala pelo caminho.

Ah, dor.

- Ahhhhhh, puta que pariu. – gemi, pondo as mãos na virilha.

Todos me fitavam à cara podre durante uns segundos, sem me ajudar, até que Naruto começou a rir escandalosamente, fazendo as lontras dos meus amigos rirem também. Todos. De mim. Até Hinata se tinha deitado no chão a agarrar a barriga de tanto rir. É.

As gargalhadas escandalosas de Naruto e Kiba ouviam-se à distância, enquanto o riso mais-que-cómico de Ino e as risadas maléficas de Tenten os fazia a todos rir ainda mais.

Não pude aguentar. Tive que me rir da minha figura também, raios partam a minha vida.

- A SAKURA NÃO TEM TRAVÕES, DATTEBAYO! – Naruto gritava, embriagado tanto pela cerveja como pelo riso.

- E eu pensava que tinha sido apenas o Naruto a não tomar as vitaminas. – disse Gaara, entre risos.

- A TESTUDA JÁ NÃO VAI PODER TER FILHOS! – Ino gritou, encolhendo-se no colo de Gaara de tanto rir.

- Sakura, tu és muito problemática. Se não te controlas, não chegas à menopausa! – Shikamaru retorquiu, maldoso.

- Não… Não, não é… - Temari nem conseguia acabar as frases de tanto rir. – Não é menopausa, Shika. – disse entre risos, fingindo-se muito sábia, enquanto apoiava o cotovelo no ombro do namorado. - Aprende comigo, pois eu não duro para sempre: o nome científico correcto é pichapausa. É um período de pausa que a mulher tem do seu envolvimento com a… - Shikamaru calou-a a tempo com um selinho.

Não preciso de dizer que houve uma nova onda geral de risos.

Ah, qual é, se eu pudesse viver sem estes marmelos?

Epá, até que podia, mas não seria a mesma coisa.

::

- Queres kêtchup, Neji? – perguntou Tenten, inocentemente.

Eu e Ino olhámos uma para a outra, percebendo o segundo sentido daquela frase. Começámos a rir como duas dementes, obviamente. Tenten juntou-se a nós, e o facto de um desconfiado Neji responder que "Sim, se faz favor" não ajudou.

Ah, Tenten sacana.

- Vocês são loucas, mesmo a sério. – Kiba contestou - Se Tsunade vos vê, manda-vos para o hospital de Betlehem*. – disse, enquanto mastigava os restos dos seus Tacos mexicanos.

Estávamos na cantina da Academia, a almoçar após as aulas teóricas da manhã. Temari e Shikamaru não estavam connosco pois, convenhamos, estavam a "almoçar-se" noutro sítio e noutro contexto.

Gaara fitou-nos com o seu olhar assassínio e maníaco.

- O que foi, mister G? Também querias "kêtchupasse"? – perguntou Ino, rindo-se ainda mais. Apenas aí, os restantes membros da mesa, Kiba, Gaara, Naruto, Neji, Hinata e Sasuke, perceberam a sacanagem e riram-se, incluindo o próprio Gaara (ou mister G, como lhe gostamos de chamar).

Ontem, como eu temia, todo o povo acabou por adormecer amontoado lá na minha sala, com os roncos de Naruto, que se agarrava à Hinata inconscientemente enquanto dormia; com a demente da Tenten que chamou o Neji de gostoso durante sono, enquanto se grudava nele; com Ino e Gaara que adormeceram juntos no cadeirão; Kiba que ronronava que nem um animal, se agarrava a mim e o qual eu atirava constantemente do sofá abaixo; Temari que adormeceu depois de dar um pontapé no Shikamaru-Júnior sem querer mas depois se deitou no peito do mesmo (do Shika, não do Júnior) e Sasuke, que se sentou na borda do sofá e caiu em cima de mim ao adormecer.

E por mais constrangedor e desumano que tenha sido, eu acabei por adormecer com ele parcialmente colado às minhas costas, pois estava com sono e farta de gritar o seu nome, visto que a menina se recusava a acordar.

- Povo, já repararam que, ultimamente, têm havido muitos casalinhos no nosso grupo? – observou Naruto, inocentemente. Obviamente que tinha de ser ele a dizer isso, quero dizer, quem mais é ingénuo o suficiente para apenas agora perceber isso?

Ao ouvir isso, Hinata corou bastante e baixou os olhos, evitando o contacto com Naruto.

- Jura? Naruto, irra, ainda ninguém tinha reparado! – Kiba fingiu espanto enquanto falava.

- Bolas Naruto, agora que o dizes, realmente! Isso é a intriga da oposição! – zombei.

Ele ficou sem palavras, provavelmente por não perceber o nosso sarcasmo e não saber o significado de "intriga da oposição".

- Dobe, em favor da pouca testosterona que te resta, não te enterres mais. – Sasuke disse, olhando para Naruto de maneira superior e arrogante.

- Ah teme, logo tu tens de dizer isso! – Naruto revoltou-se – Anda tudo aos casalinhos aqui entre o nosso grupo, excluindo tu, seu baka! – ele pôs-se de pé na cadeira e colocou um pé em cima da mesa, espetando o garfo na direcção do Sasuke. – Prova a tua testosterona, teme! Ao pé de quem dormiste? Não te vi com ninguém!

Oh merda.

Ainda vi Sasuke hesitar um pouco antes de responder – Na verdade, como queres saber se dormi ou não ao pé de alguém? Foste o primeiro a adormecer, estrangulando a pobre Hinata. – disse, virando a cara, orgulhoso. Hinata corou ainda mais, escondendo a cara entre as mãos, enquanto levava palminhas de apoio emocional nas costas por Kiba.

Vai Sasuke-baka, faz algo que preste na vida e salva o nosso orgulho!

- Mas a Hinata-chan não se importou de dormir comigo, pois não? – ele perguntou, virando-se para ela e não reparando no segundo sentido das suas palavras.

Tanta estupidez em metro e oitenta é pesado. Facto.

Ela corou ainda mais, se é que isso é possível. – N-não, Naruto-kun…

- Não sejas parvo Naruto, tenha tato na língua, pensa antes de falares. – disse Neji, massajando as têmporas. – Já chega de sacanagens por hoje.

- Ah, qual é! – ele defendeu-se, ainda com o garfo na mão – Vocês é que têm umas mentes perversas e percebem tudo ao contrario! Eu dormi junto com a Hinata, a Tenten com o Neji, - Neji baixou o olhar, levemente corado, e Tenten fez cara de "oi? Do que esse analfabeto está a falar?" - a Temari com o Shikamaru, a Ino com o Gaara - enquanto Gaara não esboçou nenhuma reacção, os olhos de Ino brilharam – e o Kiba adormeceu ao pé da Sakura no sofá! – enquanto eu olhava em todas as direcções sem ser a de Sasuke e Kiba, este, por sua vez, olhava confuso ora para mim ora para Naruto. – E tu? Dormis-te sozinho? – perguntou a Sasuke, fazendo uma cara de psicopata digno de um filme de terror de má qualidade.

- Mas isso é impossível, eu acordei no chão e a Sakura no sofá. Não dormi ao pé dela. – disse Kiba, confuso.

Naruto piscou os olhos – Então quem era aquele que estava a teu lado hoje de manhã, Sakura?

Ai. C'os diabos. Maldição. Porra. Sorte macaca. Raios te partam Kiba.

Todos me fitavam, e alguns (os malditos mais espertos) oscilavam o seu olhar entre mim e Sasuke.

Senti o calor subir até ao meu rosto, tingindo-o de vermelho vivo. Ah, merda.

Pigarreei – Err… Eu… eu não me lembro bem… - fiz cara de quem não queria a coisa – Juro, eu não me lembro…

Naruto direccionou o seu olhar para Sasuke tão rápido que nem o vi – Tu! Onde dormis-te, afinal?

Todos nos fitavam, expectantes, desconfiados. Sasuke ficou estático. Ah, se ele agora abre a boca, juro que faço com que ele nunca mais o consiga fazer.

Os nossos olhos encontraram-se. Fiz-lhe uma ameaça de morte silenciosa, ao que ele me piscou o olho como resposta, discretamente. Indícios de algum plano para nos safar desta. Pensei, aliviada. Ah, qual é! Eu tenho uma reputação a defender!

Quando Sasuke ia abrir a boca para salvar a nossa pele, ele foi brutalmente interrompido.

- ELES DORMIRAM JUNTOS! – gritou Ino, de repente, apontando para nós os dois, tão alto que todos na cantina pararam tudo o que estavam a fazer e olharam para a nossa mesa.

Já referi que ela é uma histérica dos diabos?

Puta. Que. Pariu.

Não querendo acreditar na minha sorte de animal, enterrei a cabeça nos meus braços em cima da mesa, frustrada e envergonhada.

Ah, essa porca irá pagá-las, ou eu não me chamo Sakura Valentinne Haruno.

Ao fim de uns segundos, levantei um poço a cabeça e espreitei a cena: estava tudo mais ou menos como há segundos atrás. Senti a minha cara a arder. Ah, isto só acontece a mim.

- Não é nesse sentido, povo! – disse Tenten, pondo-se de pé e falando para todos – Eles apenas dormiram juntos, não tiveram relações s… - a mão de Neji tapou a sua boca antes dela nos conseguir enterrar ainda mais.

- Não aconteceu nada entre ninguém, pessoal. Foi um mal entendido. – ele disse simplesmente, ignorando os protestos de Tenten por este a ter calado.

Ah Neji, eu amo-te!

Aos poucos, as pessoas iam voltando a comer, a andar e a falar, como dantes. Eu ouvia comentários daqueles que passavam atrás de mim, coisas como "por um momento, pensei mesmo que eles tivessem…", "até que eles não ficavam mal…", "maldita Haruno!" (não iriam acreditar se eu disser que houve um rapaz que também disse isso, pois não?) e, com este, juro que me surpreendi "sortudo do Uchiha!".

– Porca, sabes que me vingarei, não sabes? – disse-lhe, numa voz baixa e ameaçadora.

- Ah Testuda, nem venhas! É a mais pura da verdade, eu vi-vos antes de acordarem, estavam tão enroscados um no outro que nem pareciam vocês mesmos. – ela riu-se e depois mostrou-nos a língua – aposto em como gostaram de dormir agarradinhos! – Tenten começou a fingir que mandava beijinhos na nossa direcção, tal como o Naruto, que não perdia uma oportunidade para gozar conosco.

- Eu. Não. Tive. Culpa! – disse, pausadamente – Ele é que se atirou para cima de mim! – apontei acusadoramente na direcção de Sasuke e virei-me para ele - Eu tentei acordar-te, mas estavas pedrado e não me ligas-te um cu! Tentei empurrar-te mas por seres um gigante gordo obeso e pesares toneladas não te mexias do sítio!

- Oi rosinha? – ele disse, completamente calmo e alheio à minha histeria – Eu não tinha mais sítio para me sentar, a culpa é tua que só tens dois sofás na tua sala.

- Olha-me a tua lata! Tivesses dormido na rua!

- Para quê, se eu poderia dormir muito bem naquele sofá?

- Não não poderias dormir muito bem naquele sofá, EU estava lá deitada!

- Ah Sakura, confessa lá, tu gostas-te de "dormir comigo". – disse, sorrindo torto para mim.

Corei violentamente – Não, não GOSTEI! Seu cavalo, como te atreves? – comecei a esmurrar-lhe o braço violentamente. Não, não era na brincadeira. Eu queria mesmo magoá-lo.

- Quanto mais me bates, mais gosto de ti, princesa. – retorquiu, sarcástico, sem se importar minimamente com os murros.

Ah, não sei como consigo aguentar tanto Uchiha-ódio nos meus metro e sessenta e quatro.

De repente, quando vi Tenten a meu lado levar o esparguete à boca, tive uma ideia dos diabos. Tipo, é. Parei de esmurrar Sasuke e, numa velocidade supersónica, interceptei o garfo antes deste chegar aos seus lábios e… sim. Atirei-o com tudo para cima de Sasuke.

O esparguete com molho de tomate ficou espalmado na cara dele, como um efeito natalício de quinta categoria. Ele fitou-me com o seu fatal olhar assassino, pegando maniacamente no seu prato de guisado e… sim. Ele derramou-mo em cima da cabeça, fazendo com que o molho escorresse pelo meu nariz e acabasse por pingar no chão.

Fiz uma contagem decrescente, desde o 200 até aos -30, para evitar uma explosão de fúria da minha parte. Ah, ele paga-me.

Ninguém ousava falar na nossa mesa.

Filho dum cavalo mal parido. Ogre mal-encarado. Mula desmamada. Ah, se eu pudesse, matava-o, mesmo a sério.

- Alerta perigo. – avisou Kiba, escondendo-se atrás do tabuleiro.

Dito e feito. Tenten pegou no seu prato de esparguete e deitou-o em cima de Neji, que, convenhamos, ficou possesso e a pegou ao colo tipo saco de batatas, encaminhando-se para os caixotes do lixo.

Naruto, estúpido como sempre, atirou um punhal de comida, que acabou por aterrar em cheio no vestido de Hinata. Gaara e Ino fugiram ambos para baixo da mesa. Kiba, que se tinha escondido atrás do tabuleiro, atirou comida para as outras mesas vizinhas, e em poucos minutos, todo o refeitório vivia a maior guerra aérea de comida na história do Instituto de Arte Expressiva de Mar Del Prata.

Fitei Sasuke, toda a raiva substituída por uma incredulidade absurda. Este, por sua vez, encolheu os ombros e pegou na sua coca-cola, a qual derramou na minha blusa de cavas branca. Oh diabo.

Levantei-me e peguei nos sumos de sabe-se lá de quem e derramei-os ambos em cima dele e da sua roupinha de marca. Aparentemente ele não se importou, pois levantou-se também e esfregou as mãos sujas de ketchup nas minhas calças de ganga.

Numa questão de minutos, ambos estávamos porcamente sujos de comida de alto a baixo, desde os cabelos e a cara às meias e tornozelos, tal como todo o mundo à nossa volta.

Todo o rancor foi substituído por um espírito alegre e rebelde, e quanto mais eu o sujava, mais nós nos ríamos. Muitos, incluindo Kiba, tinham-se posto de pé em cima das mesas e atirado comida para todos os que lhe apareciam à frente.

Resultado: vidros sujos, mesas viradas ao contrário, alunos sem roupa, comida em cada centímetro quadrado do chão branco, copos tombados, cabelos pastosos, livros molhados, cadernos rasgados, malas, sabrinas e camisolas esquecidas no chão e caixotes do lixo tombados.

Um cenário que merecia um Óscar, diga-se de passagem.

Pena é o facto das pessoas que estavam a atravessar as portas do refeitório neste momento, não achassem tanta piada como nós.

Eram eles Gai, o director da nossa Academia; Tsunade, a vice-directora; Kurenai, a nossa professora de dança; Kakashi, o maestro que instruía música clássica; Asuma, (o qual se diz ter um ronde-vous com Kurenai) o professor de canto; e, por último, Sasori, director-geral do bloco das Artes plásticas.

Oh Diabo, isto não vai correr bem.

Troquei olhares com os meus amigos, e paramos todos de mandar comida pelos ares, ficando quietos como estátuas. Aos poucos, todo o refeitório ficou quieto, fitando apenas aquelas seis figuras à nossa frente, apenas com duas palavras a ecoar nas nossas cabeças.

Estamos. Fodidos.

Eles olhavam para o salão com expressões que variavam de incredulidade à indiferença e de raiva assassina ao divertimento absoluto.

Ouviu-se apenas o som metálico do tabuleiro de comida ao entrar em contacto com o chão, quando Asuma o deixou cair, perplexo.

- EU ESPERO QUE HAJA UMA BOA JUSTIFICAÇÃO PARA ISTO, CRIATURAS. – gritou Tsunade, fazendo-nos encolher a todos.

Como era de esperar, ninguém respondeu.

- QUEM COMEÇOU COM ISTO? – Kurenai olhou em volta do salão e encontrou-nos na mesa perto da porta de saída. O seu olhar transmitia claramente "se foram vocês, estão mais que mortos".

Novamente, ninguém ousou confrontar a fúria de tais mulheres… fatais?

Não, eu diria assassinas mesmo.

Kakashi suspirou com um ar cansado – Vamos crianças, quem começou com isto? – perguntou, olhando especificamente para Neji, Gaara e toda a turma de música clássica.

Gai fulminou todo o salão – O vosso FOGO DA JUVENTUDE não deveria ser desperdiçado desta maneira, meus jovens! – ele apontou para os vidros, dramaticamente - Até as mais rebeldes flores e os menos aclamados cavalheiros deste instituto deveriam comportar-se de vez em quando!

- Tsc. Adolescentes. – foi tudo o que Sasori disse, abando a cabeça negativamente para nós.

- Eu repito pela segunda e última vez: QUEM COMEÇOU COM ISTO? – gritou Kurenai.

Foi aí que Karin, aquela víbora em pessoa, se levantou do seu lugar e correu de encontro a Kurenai, segredando-lhe algo ao ouvido.

Mas que…?

O rosto da minha professora moldou-se de zangada para furiosíssima, levantando a cabeça e procurando por alguém no salão.

Quando o seu olhar coincidiu com o meu, uma teoria maligna, porém credível formou-se na minha mente. Ah, puta que te pariu, Karin.

- Sakura Haruno, apresente-se! – gritou Kurenai, cruzando os braços.

Senti todo o sangue abandonar a minha cara, enquanto eu lançava olhares desesperados às minhas amigas e avançava a curtos passos para Kurenai.

Ou era impressão minha, ou era um facto verídico: eu sentia-me pequena que nem a Tenten ao pé daqueles temidos professores.

- Nega ter começado a guerra de comida? – perguntou-me, com o seu olhar mortal.

- Não, mas…

Queria explicar que Sasuke me estava a provocar, mas fui logo interrompida: – A comida que atirou, era sua? – perguntou Tsunade.

- Não, mas…

- Então simplesmente roubou comida a alguém e atirou-a contra outra pessoa, certo? – foi a vez de Asuma falar, interrompendo-me novamente.

- Não! Quero dizer sim, mas…

- E achas a tua atitude correcta? – interrompeu-me Kakashi.

- Vocês não percebem, eu…

- Não há desculpa para…

- DEIXEM-ME FALAR, PORRA! – gritei, calando todos no refeitório e interrompendo o discurso de Sasori.

Senti o meu rosto corar, mas não liguei e fitei-os – Eu atirei a comida porque estava muito irritada com… uma pessoa que me estava a provocar. Não tinha intenção de começar uma guerra de comida. – estivera mesmo quase para dizer o nome de Sasuke, mas deixei para lá, queixinhas são uma atitude de criança.

Ah, mas mesmo assim, que vontade que tenho de o denunciar!

Eles continuavam a olhar para mim.

- Muito bem, - disse Kakashi – e quem foi que te provocou?

Eu estava prestes a dizer que não iria revelar nomes, quando o ouvi falar, numa voz calma mas forte.

- Fui eu. – disse Sasuke, avançando em passadas largas para o centro do salão e parando ao meu lado – Assumo parte da culpa, visto que também sou responsável.

O seu rosto estava impassível enquanto falava.

Kurenai parecia muito surpreendida e desconfiada com a atitude de Sasuke, fitando-o demoradamente. Gai, pelo contrário, parecia orgulhoso.

- Vêm? Isto sim, é a atitude de um cavalheiro – disse, falando para todos e apontando para Sasuke – Este jovem sim, soube empregar bem o seu Fogo da Juventude!

Agora digam-me: é normal que até quando um Uchiha faz porcaria ele seja honrado?

Ah, sabem que mais? Matem-me logo.

- Vocês dois, – disse Tsunade ao se aproximar de nós, pondo as mãos na nossa nuca e sorrindo amavelmente – vêm comigo para o gabinete.

Tipo, muito sinistro.

Tanto eu como ele engolimos em seco.

::

- Este Instituto não foi criado para que uns bárbaros alunos como vocês… - Tsunade prolongava o seu discurso sobre o que se deve e não fazer num Instituto de Arte, por longos trinta e cinco minutos…

Se ela não gritasse tanto, juro que já teria adormecido.

Olhei para o relógio, já passava das três horas e Tsunade ainda nem havia mencionado o pior: o castigo.

- … tudo isto para vos dizer que merecem ser severamente castigados. – Ela uniu as mãos – Vocês vão limpar todo o refeitório, desde os tabuleiros às janelas, sem excepção.

Suspirei, frustrada. Reparei que Sasuke fez a mesma coisa, apenas de maneira mais discreta.

- E, pelo amor de Deus, não façam essa cara! – disse, cansada – Se não fossem os alunos promissores que são, eu ter-vos-ia expulso daqui antes de conseguirem dizer "Instituto de Arte Expressiva".

Essa fala não era minha?

Bateram à porta três vezes seguidas, e depois da permissão de Tsunade, Kurenai entrou no escritório.

- Tsunade, gostaria de falar contigo… - ela fitou-nos – a sós. Esperem lá fora.

Não foi preciso mais, eu e Sasuke despedimo-nos apressadamente e saímos de lá.

Sentei-me num dos sofás e ele sentou-se no cadeirão.

Silêncio…

- Porque é que te acusaste? – perguntei, quebrando aquele silêncio mortal que pairava no ar. Essa pergunta ecoava na minha cabeça ao som da minha voz.

Ele demorou mais tempo que o normal para responder.

- A Tenten disse-me para o fazer. – respondeu, com o tom de voz neutro e indiferente.

A minha consideração por ele, que havia subido alguns pontos com a sua atitude, desceu miseravelmente com estas palavras. Qual "gesto bonito" qual quê.

Claro, pensei, amargamente, Sasuke Uchiha nunca se acusaria de livre vontade. Onde estive eu com a cabeça ao pensar que ele, logo ele, tomaria uma decisão matura como esta?

Ri-me de maneira sarcástica e azeda.

- Claro. – eu ainda sorria quando ele olhou para mim profundamente, sem dizer nada.

Não desviei a cara. Não, pelo contrário, transmiti-lhe tudo o que eu pensava dele através de um olhar macabro. Orgulhoso, frio, sarcástico, convencido, covarde.

- Tu és irritante, Sakura. – disse, desviando o olhar para a janela à sua frente.

Quando ia abrir a boca para lhe responder à altura, Kurenai sai do escritório e chamou-nos.

Entrámos silenciosamente, sem sabermos se queríamos ou não saber o que elas estiveram a falar. Oh minha santa…

- Ora bem. Tanto eu como Kurenai-sama reparámos na vossa bizarra rivalidade desde que entraram para a Academia. Portanto, o vosso castigo foi alterado. – disse Tsunade, trocando um olhar cúmplice com Kurenai.

Como elas não continuavam e apenas sorriam afectadas para nós, eu perguntei porquê.

A vice-directora inclinou a cabeça para um lado – Kurenai-sama deu-me uma ideia genial. Desta, meus queridos, vocês não se vão esquecer. – disse, não respondendo exactamente à minha pergunta.

- Vocês vão fazer a apresentação final… - disse Kurenai – juntos.

Como eu estava a balançar a cadeira para a frente e para trás, acabei por cair de bunda no chão ao ouvir estas palavras. Eu e Sasuke entreolhámo-nos e gritámos:

- O QUÊ?


Betado por Line Mulango - Digam lá que ela não é foda? Ah, ela é foda, com toda a certeza. s2


Certo, tenho muuuita coisa a dizer. (EU NÃO MORRI)

Antes de tudo, quero pedir desculpa aos leitores pelos quase DOIS MESES sem actualizar. *suicide* people, compreendam por favor: para além da maldita preguiça e dos assassinatos à minha criatividade e inspiração, a minha avó passou um mau bocado e esteve internada no hospital, nessa altura eu não tive mesmo disposição para escrever, como espero que compreendam. Para além disso, aqui no HN é verão e eu recuso-me a passar o dia enfiada em casa à frente dum pc x.x é aproveitar enquanto se pode, rsrs.

O próximo capítulo pode demorar um pouco a sair, pois aconteceu uma coisa que me deixou mesmo P U T A D A V I D A *cofcof*morte ao plágio*cofcof* e que me tirou TODA a inspiração para escrever, mas eu vou fazer de tudo para que não demore tanto como este demorou. Novamente, desculpem-me pela demora gatonas, foi mau ._.

Obrigadão a todas as pessoas que estão a acompanhar a fic, especialmente:

s2Cold Hearts2, Sakura Uchiha Taysho Sohma, Line Mulango, Mrs. Lautner (a cogumela tá no fandom :3 «3) e Gaaraomaniaca. Gatas, vocês Reinam.

Vá amores, uma review é sempre muito bem-vinda, e eu preciso dum novo entusiasmo para escrever o próximo capítulo x(

make Jack happy :3