Capítulo IV – Paralyzer
betado por Anaisa
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-Finger Eleven
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I hold on so nervously
To me and my drink
I wish it was cooling me
But so far, has not been good
It's been shitty
Draco Cygnus Malfoy sorriu maliciosamente enquanto sentia os lábios da loira em seu colo deslizarem sedutoramente pelo seu rosto e seu pescoço. Ela sempre soubera exatamente do que ele gostava e ele amava a forma como ela era segura de si, do poder que exercia sobre ele.
Puxou-a novamente para um novo beijo que ela respondeu entusiasticamente. O álcool parecia ferver no sangue dos dois e fazê-los sentir tudo mais intensamente. A batida extremamente alta da música sedutora que enchia o ambiente, as luzes coloridas que piscavam no escuro, a pele contra o sofá de couro da área vip. O gosto de firewhisky nos lábios de Astoria, o cheiro delicioso do seu perfume, a maciez de suas coxas que o rodeavam firmemente.
Nem lembrava como acabaram sozinhos na área VIP, com ela sentada em seu colo o beijando calorosamente. Mas esse era o poder que Astoria tinha sobre ele.
E ainda assim, a ideia de casar com a bela garota em seus braços lhe parecia aterrorizante.
Várias vezes se perguntara por que não conseguia se conformar com o noivado arranjado por seus pais. Amava Astoria. Realmente amava. Mas não da forma que um homem deveria amar a mulher com quem iria se casar. Não como seu pai amava sua mãe, por exemplo. Ela era linda, forte, leal, engraçada... uma de suas melhores amigas. E era sedutora, sabia exatamente do que ele gostava, era confiante de sua sexualidade e sem maiores pudores.
Porque então não conseguia amá-la?
Não se sentia pior em relação a isso porque sabia que o sentimento era recíproco. Apesar de não querê-lo como marido, Astoria o amava. Várias vezes já lhe dissera que era o melhor cara que ela já conhecera e sentia-se pessoalmente ofendida quando alguém dizia que Harry era melhor do que ele em alguma coisa. Mesmo que Harry fosse obviamente mais bonito e mais talentoso do que Draco.
O acordo entre os pais dos dois não era necessariamente obrigatório. Se eles quisessem quebrá-lo, poderiam. Mas isso traria muito desconforto e dor de cabeça... e talvez afetasse um pouco a ligação entre as duas famílias... sem falar que Draco odiava ir contra as vontades dos pais, assim como Astoria. Então eles fizeram o próprio acordo.
Caso eles realmente viessem a se casar, teriam exatamente a mesma relação que tinham agora. Amigos com benefícios, sem nenhum tipo de exclusividade. Ciúme nunca foi um problema para nenhum dos dois. Quando Astoria tivera outros namorados Draco só ficou chateado porque ela extinguiu os benefícios da amizade deles, mas nunca teve ciúmes. E fora Astoria quem ajudara Draco a conquistar uma garota de Beuxbatons que eles haviam conhecido em umas férias que eles haviam passado em Barcelona. Garota com quem ele vivera um romance intenso de verão.
Draco não era um daqueles fatalistas que proclamavam não acreditar no amor, mas nunca pensara que fosse um sentimento para ele. Nunca tivera esperanças em ter o que seus pais tinham, por exemplo. Eles não demonstravam tanto com palavras. Por suas posições de poder, acabaram se tornando pessoas naturalmente frias, mas Draco percebia o que sentiam um pelo outro em pequenas coisas. Como estavam sempre se tocando... Como qualquer tempo longe um do outro os deixavam inquietos e distraídos. Como Lucius não tinha olhos para outras mulheres e parecia acreditar sinceramente, para grande diversão de Narcissa, que ela era a mulher mais linda da face da Terra.
Draco nunca conseguiu imaginar sua felicidade dependendo de outro alguém dessa forma. Sempre se vira como um individualista e achava que o máximo de sentimento que teria por alguém seria o que ele sentia por Astoria.
Até aquela tarde nos jardins de Hogwarts.
And I feel awkward, as I should
This club has got to be
The most pretentious thing
Since I thought you and me
Well I am imagining
A dark lit place
Or your place or my place
Quando Ginevra Prewett substituíra a dor do corte em seu rosto pelo prazer inigualável de seus lábios e sua língua em sua pele.
Apertou Astoria mais fortemente, ao lembrar da sensação de ter a sempre tão calma e fria grifinória trêmula em seus braços, completamente a sua mercê. Tê-la tão próxima não só fizera suas calças parecerem mais apertadas como fizeram as batidas de seu coração parecerem galopadas dentro de seu peito, seu rosto esquentar e todo o seu corpo se arrepiar.
Ainda não decidira muito bem o que iria fazer com Prewett. Só sabia que não conseguia tirá-la da cabeça.
-Wow. – Astoria fez enquanto Draco parecia querer devorar a pele do seu pescoço. – No que você está pensando?
Ela teve que repetir a pergunta, gritando no ouvido de Draco, já que a música alta o impedia de ouvir qualquer coisa.
-Nada. – ele respondeu, recebendo um sorriso malicioso de Astoria.
Ela sempre conseguia decifrá-lo. E isso irritava Draco profundamente.
-Você está pensando nela de novo. – Astoria acusou, divertida. – Estava me zoando tanto por querer ser amiga de uma grifinória e agora fica doido toda vez que vê relances de vermelho por aí.
Draco não respondeu. Qualquer coisa que dissesse agora poderia e seria usada contra ele.
-Bom... – ela disse em seu ouvido. – Ela é bem bonitinha.
Não era só o fato de ela ser linda, pensou Draco. Quando a envolvera em seus braços sentira algo confortável, algo quente. Algo que ele nunca imaginava sentir perto de alguém com aparência tão fria.
-Como você acha que ela é? Tipo, na cama? – Astoria perguntou em um tom de humor, fazendo Draco rir.
-Jura que você pensa nessas coisas, Tory?
Ela riu.
-Claro que sim. Todo mundo pensa, Draco. Eu só admito.
Draco riu novamente e voltou a beijar a loira intensamente. Astoria era realmente boa demais para ser verdade.
Well I'm not paralyzed
But, I seem to be struck by you
I want to make you move
Because you're standing still
If your body matches
What your eyes can do
You'll probably move right through
Me on my way to you
-Draco! – a voz de Harry o chamou, estalando os dedos na frente dos olhos de Draco, o fazendo acordar subitamente de seus pensamentos. – O que há com você esses dias? O aluado aqui sou eu, lembra?
Claro que, aéreo como Harry era, não percebera que Draco estivera observando a ausência de Ginevra Prewett da mesa da Grifinória na qual geralmente estava.
-Ela está na Ala Hospitalar. Com aquele Ron. – Astoria falou, como se seguindo a trilha de pensamentos de Draco.
Harry ergueu as sobrancelhas.
-Quem? Prewett?
-Quem mais deixaria o Draco assim, nesse transe? – Blaise perguntou, divertido. Fazendo Draco se perguntar pela milésima vez em sua vida porque era tão fácil de ler. Por que não podia ser mais discreto e misterioso como Harry?
-Ele ainda está na Ala Hospitalar? – Draco perguntou com sarcasmo. – Aquele Weasley é um fracote mesmo. Ele já esta lá faz o que? Um mês?
-Draco, não faz nem uma semana. – Astoria observou.
-Claro que para Draco parece mais tempo. Ele não vê a hora de Ron se recuperar e parar de monopolizar a atenção da nossa princesinha vermelha. – Daphne brincou.
-É lá que ela tem estado esse tempo todo? – Draco perguntou, desistindo de tentar esconder seus pensamentos.
-Ela passa basicamente todo o tempo que pode lá. Quando não está lá, está nas aulas, quando não está nas aulas está devidamente guardada no salão comunal. – Astoria respondeu irritadamente, revirando os olhos.
-Astoria fez as meninas a seguirem. – Daphne explicou. – Quando Tory cisma com uma coisa...
-Eu não estou fazendo isso só por mim. – Astoria disse, piscando discretamente para Draco.
-Argh! Será que não podemos parar de falar nessa garota por UM SEGUNDO? – Lynn bradou raivosamente, fazendo com que os integrantes da mesa se calassem e olhassem assustados para ela.
Astoria encarou a amiga.
-Lynn, você parece nervosa. – constatou, com a voz fria. – Talvez você devesse sentar um pouco com os lufa-lufas para se acalmar. Veja o que a mesa deles tem de bom para comer.
Lynn encarou a loira com incredulidade. Ao ver que Astoria mantinha-se firme, levantou-se da mesa e se afastou, parecendo não acreditar no que estava acontecendo e voltando a cabeça para trás, como esperando que a melhor amiga a chamasse de volta.
Blaise soltou um assobio forte.
-Não acha que pegou pesado, não? - Goyle perguntou, encarando enquanto um grupo de lufa-lufas mexia-se desconfortavelmente ao ver que Lynn sentava-se em sua mesa.
-Ela esteve assim o dia todo. Agora foi a gota d'água. – Astoria respondeu. – Eu tenho cara de saco de pancadas? Eu hein! Ela tem essa necessidade de ser o centro das atenções o tempo todo!
-Correndo o risco de ser exilado da mesa também... – Harry brincou, virando-se para Draco. – Precisamos mudar de assunto. Eu sei que você anda atarefado e que você acabou de se recuperar do ataque daquele hipogrifo, mas você precisa marcar um treino. Os jogos estão se aproximando e o pessoal está muito enferrujado.
-Eu disse pra vocês continuarem treinando enquanto eu recuperava meu braço. – Draco advertiu.
-Bom, eu treinei. – Harry disse. – Mas tente convencer os outros.
-Cara, a gente sempre ganha! – Goyle, que era batedor, tentou se explicar. – Sempre! Nem que a gente fique sem prática por um ano os outros times conseguem vencer a gente. Eles são todos muito ruins. Ainda mais tendo vocês dois no time.
Draco revirou os olhos.
-Harry tem razão. Vamos voltar a treinar. Meu braço ainda não está cem por cento, mas acho que já dá pra jogar. – mentiu Draco, movendo o braço perfeitamente saudável como se ainda fosse difícil fazer movimentos bruscos com ele.
-Valeu, cara. – Harry agradeceu. – É meio tedioso treinar sozinho.
-Falando nesse braço, Draco, você não tinha que mandar aquela carta para o seu pai? Sobre a audiência? – Astoria lembrou, fazendo Draco checar rapidamente seu relógio de pulso.
-É mesmo. Estava esquecido. – ele comentou sentindo-se irritado e preguiçoso de ir até o corujal. – Já era para ter mandado. Ele disse que precisava saber dos meus horários pra marcar a audiência até hoje de manhã. – suspirou impacientemente antes de se levantar. – Eu vou lá.
-Eu vou com você. – Harry, disse, levantando-se também. –Preciso mandar uma carta para minha avó e a gente precisa falar sobre o time.
Os dois saíram. Draco sentindo-se um pouco melhor com a companhia.
-Sua avó continua te fazendo escrever de dois em dois dias? – Draco perguntou bem humorado. Era motivo de piada no grupo o quão superprotetora a avó de Harry era.
-Não. Mando uma por semana agora. Mas não posso impedi-la de me mandar quase uma carta por dia. – riu Harry. – E não é como se sua mãe fosse exatamente desencanada em relação a você, né?
Draco riu. Demorou um tempo até que sua mãe se convencesse de que havia doces o suficiente em Hogwarts, e que ela não precisava lhe mandar uma caixa cheia deles por semana.
-Mas é diferente. Eu sou um herdeiro. Tenho muitos inimigos espreitando. Ela precisa ser superprotetora. O único risco que você corre é morrer sufocado no meio de toda a atenção que recebe.
Harry comprimiu os lábios ao ouvir isso.
Draco sempre achava que o melhor amigo recebia mais atenção do que ele, mesmo sendo extremamente paparicado por todos ao seu redor. Harry limitou-se a soltar um risinho sarcástico.
-Você nunca pensou em dar uma chance pra Lucretia, falando nisso? – Draco perguntou. – Não é como se eu visse você curtindo a vida de solteiro, e ela é bem gatinha.
Harry deu de ombros.
-Não sei. Nunca pensei nela dessa forma. – admitiu o moreno. – Não sei se ela faz o meu tipo.
-Quem faz o seu tipo então? – Draco perguntou incisivamente. – Aquela Prewett?
Harry olhou para o amigo curiosamente, como se tentando decifrar onde ele estava querendo chegar.
-Bom, ela é bem bonitinha você não acha? – Harry perguntou com um sorrisinho de lado.
Antes que Draco pudesse responder, o Barão Sangrento materializou-se no caminho deles, fazendo com que os dois tivessem que parar subitamente para não acabar o atravessando.
-Sr. Malfoy, sua presença é requerida na sala do diretor.
Harry assobiou de brincadeira, como se houvesse alguma possibilidade de Draco estar encrencado. O sonserino revirou os olhos.
-Agora eu não posso. – disse, desviando-se do fantasma e voltando a andar.
-Esses jovens de hoje em dia. Sempre tão arrogantes. E espera que eu vá avisá-los que você não vai? – o Barão perguntou raivosamente fazendo com que Draco virasse para ele.
-Avisá-los? Quem está lá? – perguntou.
-Ele e mais uma garotinha.
Draco sentiu-se subitamente agitado.
-Quem?
Uma expressão de fúria tomou conta do rosto do barão que soltou um grito horripilante:
-EU TENHO CARA DE GAROTO DE RECADOS? – gritou antes de se jogar contra uma parede e atravessá-la, saindo resmungando, deixando para trás quadros assustados.
Draco não deu atenção. Praticamente correu na direção oposta ao corujal, para a sala do diretor.
-Tchau, né? – ainda pôde ouvir Harry dizendo ao longe.
I hold out for one more drink
Before I think
I'm looking too desperately
But so far has not been fun
I should just stay home
If one thing really means one
Quando disse a senha e subiu as escadas circulares para o escritório de seu padrinho, tentou abrir a porta como se não houvesse se apressado. Como se houvesse andado tediosamente pelos corredores, odiando o diretor por tê-lo tirado de seu dia de afazeres interessantíssimos.
Sentiu algo gelado no estômago quando a viu. De costas, em pé na frente de Snape. Uma cascata de cabelos sedosos e vermelhos caindo em suas costas.
Ela não usava o uniforme. Apenas uma saia, uma blusa de mangas compridas que deixava apenas seus dedos para fora, meia calça e sapatilhas. As roupas todos escuras, contrastando com a palidez de sua pele e a intensa cor de seus cabelos.
Ela não se virou para reconhecer a presença de Draco, que se aproximou e ficou em pé ao lado dela.
Na maior parte do tempo, não havia outras cadeiras na sala do Diretor senão a que ele estava sentado agora.
Snape não queria que as pessoas tivessem a impressão que eram bem vindas ali.
-Me chamou, Snape? – Draco perguntou informalmente, sendo repreendido por um olhar de Snape. – Quero dizer, senhor.
-Sim, Sr. Malfoy. Como eu estava dizendo para a Srta. Prewett aqui, estou extremamente desgostoso de ter sido recebido de viagem com as notícias de que os alunos fizeram confusão em minha ausência. Eu já ouvi o suficiente para ter uma ideia do que aconteceu.
-Senhor... – Ginevra tentou, fazendo Draco voltar-se para ela.
-Não me interrompa, Srta. Prewett! – Snape bradou. – Você causou problemas o suficiente. Ron Weasley tem um histórico de ser criador de problemas. Sempre provocando e puxando brigas. Esperava que você, vinda de uma família respeitável, tivesse um pouco mais de discernimento ao invés de deixar que ele a tragasse para essas briguinhas.
Prewett não respondeu. Baixou o olhar respeitosamente, em concordância.
-Eu ainda não decidi o que vou fazer com você ou com aquele garoto incorrigível. Ele estava avisado que mais uma dessas e seria expulso. E você! Mal chegou à minha escola e já saiu badernando e azarando seus colegas daquela forma? E não tente negar. Várias testemunhas a viram interferindo e azarando os garotos enquanto eles tentavam controlar o insano do seu amiguinho.
-Senhor. – interrompeu Prewett, o mais educadamente possível. – Eu sei que minhas atitudes não foram exemplares e estou pronta para arcar com as consequências, mas, por favor, não acha que Weasley já recebeu punição o suficiente? – ela perguntou, apressando-se em completar. – Ele pode ter errado, mas não houve um aluno que não ficou chocado com o estado em que ele ficou depois da briga. Madame Pomfrey está quase o transferindo para o St. Mungos e... nós sabemos que tipo de confusão isso poderia gerar.
Claro. Por mais que o Ministério nunca fosse fazer nada com Draco por ter deixado Ronald Weasley naquele estado, a mídia nunca podia ser totalmente controlada. E isso seria munição para aqueles que caçavam sujeira nas famílias da elite.
Snape e Draco ficaram em silêncio por alguns segundos. Snape parecia um tanto impressionado com a maturidade e a sensatez da garota a sua frente. Draco estava igualmente surpreso.
Ela tinha dezesseis anos! Como conseguia falar naquele tom tão maduro? Parecer tão adulta?
E em nenhum momento ela protestara as óbvias calúnias e como a história havia sido distorcida em favor dos sonserinos. Como se soubesse que aquela nova versão dos fatos valia muito mais do que a realidade agora. Que seus protestos não iriam adiantar nada.
Sabia escolher as batalhas, essa garota.
-Senhor. – Draco decidiu interceder. Snape ergueu as sobrancelhas por ele tê-lo chamado dessa forma. – Weasley provocou, essa é a verdade. Mas Prewett intercedeu na briga quando estávamos prestes a fazer uma besteira. Não percebemos que Weasley já estava tão machucado porque ele continuava brigando feito um louco. Além disso, se ela não tivesse nos parado, mais gente teria saído machucada. A confusão acabou atraindo vários alunos.
Snape pareceu ainda mais surpreso ao vê-lo defender Prewett, mas logo sua surpresa modificou-se para intriga ao ver a forma como Draco olhava incisivamente para Prewett enquanto falava. Como se sentindo o peso do olhar dele, ela se recusava a levantar os olhos da mesa.
-Isso é verdade, Srta. Prewett?
-Ron vai se recuperar. Pode demorar mais um tempo na Ala Hospitalar, mas vai se recuperar. Porque não deixamos essa história para trás?
Ela era tão sensata! Tão controlada! Tão convincente!
Falava como se fosse grande, mas era tão pequena e adorável. Encarou-a por inteiro. Das pernas bem feitas envoltas pela meia calça preta aos cabelos ruivos que emolduravam seu bonito rosto.
Estendeu a mão e tocou levemente o tecido da barra de sua saia. Sentindo a textura em seus dedos. Ela demorou um pouco para perceber o que ele fazia, pois estava conversando com Snape, mas quando percebeu apenas afastou a mão dele com a sua. Suspirando baixinho e falando em tom entediado de repreensão:
-Malfoy...
Como se estivesse falando com uma criança chatinha.
Quando a mão dela tocou brevemente a sua, pensou em segurar os delicados dedos contra os seus. Sentir mais um pouco a corrente de eletricidade que sentiu com o contato. Mas foi rápido demais para que ele tivesse tempo de segurá-la. Entreteu-se um pouco olhando sua postura bem feita, sua cintura bem definida. Imaginando como seria descansar o braço ali.
-Sr. Malfoy! – Snape chamou insistentemente. Tentando chamar a atenção de Draco.
-Hã? – Draco perguntou.
-Eu perguntei se você está de acordo com a Srta. Prewett. – Snape respondeu impacientemente. – Ela e Sr. Weasley vão receber uma semana de detenção, vamos esquecer essa história vergonhosa e todos vamos aprender a lidar com nossos nervos?
-Ela não fez nada! – protestou Draco. – Não precisa sofrer detenção!
-Okay então. – Snape revirou os olhos. – Duas semanas de detenção para Weasley e nada para Prewett. E nem mais um pio. – ele disse ao perceber que ela iria protestar. – Saia daqui antes que eu mude de ideia.
-Certo. Obrigada senhor. – ela disse, se retirando.
-Agradeça ao Senhor Malfoy. Não a mim.
Prewett, que já estava na porta, parou. Apenas lançou um olhar longo e indecifrável a Draco antes de se retirar.
Snape esperou ouvi-la descer todos os degraus antes de virar-se para Draco.
-Prewett está certa, Draco. Eu não vou poder ficar te protegendo eternamente! – ele repreendeu irritado. – Você tem que começar a tomar responsabilidade pelas suas ações. Essas coisas eram compreensíveis quando você era criança, mas agora chega!
Draco sentiu seu temperamento subir pela repreensão, mesmo que parte dele soubesse que era justa.
-Qual é! Ele me provocou! Eu não posso deixar ele me provocar, sem fazer nada. As pessoas vão achar que podem me tratar de qualquer forma!
-Eu te conheço bem o suficiente para saber que foi você quem puxou essa briga! – Snape disse, levantando-se da cadeira subitamente, fazendo-a produzir um forte ruído ao raspar no chão. – Me disseram que Weasley estava quase morto no chão e que você não estava disposto a parar. Você ia matá-lo, Draco? É isso o que você ia fazer?
Draco deu de ombros irritado.
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-Quem se importa? Ele é um Weasley!
Snape levou uma mão à cabeça, suspirando profundamente.
-Pare de ser inconsequente! Tem que começar a agir de forma mais moderada! Você pode ser privilegiado, mas ter dinheiro e o sangue puro não é tudo. Se você quer ser alguém aos olhos do Lorde tem que parar de agir como um garotinho e passar a agir como um homem!
Nesse ponto, Draco abaixou a cabeça. Não tinha como argumentar contra isso.
-O Lorde não ascendeu ao poder completamente ainda, Draco. E para conseguir isso ele precisa de aliados espertos e não de mais soldados descerebrados! Isso ele já tem aos montes! Você já viu seu pai dando um showzinho desses? Não! Se ele tem problemas com alguém ele resolve discretamente! Na surdina!
Draco engoliu em seco. Ele sabia que Snape estava certo. Não poderia ficar agindo como um garotinho para sempre. Já tinha dezessete anos e era oficialmente maior de idade. Seu pai lhe deixara claro que essa idade tinha muita significância, mas ele se apavorara e preferira não acreditar. Preferira continuar agindo como um adolescente inconsequente enquanto podia.
Sua vida estava ficando séria demais, rápido demais. E isso o assustava. Queria curtir o máximo que podia seus últimos momentos de criança irresponsável que dependia dos pais para tudo, por mais que se gabasse de independência.
-Infelizmente fui obrigado a notificar seu pai sobre isso. – Snape confessou, fazendo Draco gelar por inteiro.
-Como... por quê? – perguntou, desolado. – Por que você fez isso? Você sabe como ele é! POR QUE FARIA UMA COISA DESSAS COMIGO?
-BAIXE O TOM, Sr. Malfoy! – ordenou Snape fortemente, fazendo Draco forçar-se a se acalmar. – Seu pai se importa com você, Draco. Eu teria deixado isso entre nós se fosse um caso isolado, mas não é.
-Pelo amor de Deus, Snape! Isso não ia ter repercussão nenhuma! Por que precisamos fazer todo esse drama em cima de um Weasley inútil? – ele perguntou raivosamente.
-Você age como se não pudesse se importar menos com o fato de que quase o matou, isso só mostra o quão imaturo você é. Não faz ideia do que aconteceria com você se Prewett não o tivesse impedido. – Snape disse seriamente, antes de erguer as sobrancelhas. – Confio que essa parte é verdade?
Draco fez que sim. Não havia mentido. Fora ela quem o parara.
-Bom, você tem muito o que agradecer a essa menina. Se um dia você matar alguém, e como servo do Lorde das Trevas provavelmente vai, não vai querer que seja por nada. Precisa ter uma boa causa para isso. Algo maior que disputas pessoais bobas.
Draco fez um som de escárnio, raivoso.
-Isso já não é mais assunto meu. Vou deixar que seu pai lide com você. – Snape disse, fazendo um gesto para que ele se retirasse e voltando a se sentar. – Pode ir.
Draco saiu. Enquanto descia as escadas sua mente estava tão cheia que passou direto da ruiva encostada na parede, ao lado da sala. Como se esperando.
Ela não precisou chamá-lo. Logo depois que passou por ela, parou, saindo de seus devaneios.
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Voltou-se para Ginevra, que, com as costas apoiadas na parede e braços cruzados, o encarava.
-Eu preciso falar com você. – ela informou.
Draco sorriu de lado, se aproximando dela.
-E o que você teria para falar comigo, Prewett? – ele perguntou. – Quer me agradecer por ter te salvado de uma semana de detenção com o babaca do Weasley?
-Não. – ela respondeu. – E seus motivos não me importam.
-Não? – ele perguntou, se aproximando um pouco mais. Suas preocupações envolvendo seu pai, o Lorde das Trevas e qualquer outra coisa se dissipando de sua mente conforme se aproximava e o cheiro delicado dela ficava mais forte. Assim como o calor que emanava de seu corpo.
Ela não moveu um músculo enquanto ele se aproximava, mas sua expressão ficou quase imperceptivelmente mais dura.
-Deixa-me adivinhar. Você não conseguiu parar de pensar em mim desde aquele dia nos jardins? – ele perguntou, sedutoramente. – E veio atrás de mais, só que sem uma plateia dessa vez?
-Malfoy...
-Porque eu não consegui parar de pensar em você. – ele admitiu inesperadamente.
A confissão saíra naturalmente.
Ela não pareceu muito chocada com a revelação. Apenas desviou o olhar, como se ele tivesse acabado de dizer algo tedioso.
Ele poderia mordê-la naquele momento. Draco pensou. Ele queria mordê-la. Até deixar marcas naquela pele branca e alva que aparentava ser tão macia. Todo o corpo dela parecia designado para seduzi-lo naquele momento. O fato de ela obviamente não estar tentando fazer isso só aumentava seu apelo para ele.
Ela tinha um cheiro peculiar, uma essência floral. O fazia lembrar de quando era criança e gostava de deitar nos jardins da Mansão e admirar o formato das nuvens, sendo inundado pelo cheiro das flores. Ele não percebeu que estava se aproximando até que ela espalmou uma mão em seu peito para mantê-lo distante.
-Malfoy, por favor. – ela pediu. Olhando desconfortavelmente para os lados.
-A gente pode ir para um lugar mais reservado. – ele sussurrou, segurando o seu pulso e tirando sua mão do caminho. – Se você não quiser...
-Malfoy, sinceramente. – ela protestou, libertando seu pulso, colocando as mãos em frente ao corpo, defendendo-se da aproximação dele. – Não, eu não estou atrás de mais humilhação! Preciso falar com você sobre algo sério!
-Eu não te vejo desde aquele dia. – ele disse, baixando o tom de voz conforme se aproximava. Ela tentou empurrá-lo, mas ele segurou seus pulsos novamente, tentando tirá-los do caminho. – Você não me parecia o tipo de garota que divide um momento tão íntimo com um cara e depois some.
-Malfoy, eu quero conversar com você sobre...
-E eu não sou esse monstro que você pensa que eu sou. – ele a interrompeu. – Se você for boazinha, deixo você vir comigo na próxima saída de Hogsmeade e sua reputação vai estar restaurada, que tal?
-Buckbeak! – ela falou de repente. Fazendo Draco se afastar, com o cenho franzido.
-Quê? - perguntou.
Ela respirou fundo, comprimindo os lábios. Como se tivesse muito o que dizer.
-Eu quero falar sobre Buckbeak.
Draco se afastou um pouco, ainda segurando o pulso esquerdo de Prewett. Tinha impressão que se aplicasse só um pouco mais de pressão no seu aperto os ossos delicados dela iriam esfarelar em sua mão.
-O hipogrifo que me atacou? É disso que você quer falar?
-Eu o conheci há pouco tempo, e me contaram do que aconteceu. – ela contou. – Malfoy, você sabe que não foi culpa dele.
-Ah não foi culpa dele?! – irritou-se Draco, puxando a manga de seu braço direito e mostrando para ela uma cicatriz de um ferimento que parecia ter se curado há pouco tempo. Os outros para quem Draco mostrava aquela cicatriz se encolhiam, olhavam para o outro lado, todos imaginando a dor que ele deveria ter sentido no momento em que as garras do animal talharam sua pele.
Prewett se aproximou do braço, analisadora. Não parecendo nem um pouco impressionada.
-A cicatriz vai sair. – ela constatou. – Você já poderia tê-la tirado se quisesse.
-Eu não poderia sumir com a evidência que vai impedir que aquele bicho machuque outros alunos.
-Aquele bicho não vai machucar os outros alunos se eles não forem descuidados que nem você! – Ginny protestou. – Um hipogrifo não ataca a não ser que tenha sido ofendido ou se sentido ameaçado!
Claro que ela estava certa. Mas como ela não entendia que ele não era qualquer um? Que aquele bicho havia colocado em risco o herdeiro número um da Grã-Bretanha? Como explicar que Draco nunca poderia admitir que ele havia sido descuidado?
-Prewett, cuide dos seus próprios assuntos. Deixa que eu cuido disso. Você nunca foi atacada por um bicho daqueles, não sabe o quão perigosos eles podem ser.
-Nunca fui atacada? – Prewett perguntou com sarcasmo, uma certa amargura transbordando de sua voz. – Eu já fui atacada por coisas muito piores do que um hipogrifo que se sentiu ameaçado, Malfoy. E das vezes que foram minha culpa eu assumi responsabilidade por isso.
Subitamente ela levou a mão a barra de sua blusa e puxou-a para cima, até o meio da barriga. Revelando uma cicatriz funda na diagonal. Como se algo houvesse fincado as garras em sua pele e arrastado. A extensão não era muito grande, mas o suficiente para dar um arrepio em Draco, que sem pensar no que fazia, levou a mão àquele pedaço de pele exposto.
Parte da atenção dele estava na cicatriz e a outra em como aquele pedaço de pele exposta lhe parecia tão sedutor.
-Uau. Você se exercita. – ele comentou, com os olhos grudados na barriga lisa da garota. Ela tinha uma cintura naturalmente bem marcada e uma pinta adorável do lado do umbigo.
Ela tremeu quando a mão dele chegou à sua cicatriz e tentou baixar a camisa, mas Draco não descolou sua mão. Deslizou-a pela pele de Ginevra, envolvendo-a pela cintura e fazendo-a se arrepiar com os dedos gelados que a tocavam. Trouxe-a pra perto do seu corpo, mas ela espalmou as duas mãos no seu peito e o empurrou.
-Eu não te mostrei isso atrás de elogios, Malfoy. – ela protestou, incomodada. Ajeitando a blusa ao seu redor.
-O que te feriu dessa forma? É uma cicatriz antiga?
Ela o olhou intensamente por alguns segundos, como se decidindo se ele era ou não digno de uma resposta.
-Eu era bem novinha. – limitou-se a responder. – No internato havia criaturas bem piores do que hipogrifos guardando os portões. Essa cicatriz eu consegui no dia da minha fuga. – ela contou.
-Que internato foi esse? – Draco perguntou, sua voz saindo suave. – Sua memória foi apagada permanentemente? Você realmente não se lembra de nada da sua infância?
-Malfoy, eu não vim aqui falar sobre mim. Eu só mostrei a cicatriz para fundamentar um argumento. – ela disse firmemente. – Não deixe que matem Buckbeak. Admita que foi tudo um mal entendido. Não deixe que uma vida seja sacrificada só porque você não quer admitir que errou.
Draco jogou a cabeça para trás e riu.
-É um animal, Prewett. Pare de falar dele como se fosse um ser humano!
-É uma vida, Malfoy! – ela repetiu fortemente. – Não importa se animal ou humano! É uma vida que você vai sacrificar porque é muito orgulhoso para admitir seu erro.
Ele sorriu, completamente entretido por aquela garotinha, tão pequena e delicada, usando palavras tão fortes.
Tocou no cabelo dela, esticando um cacho até que ficasse liso e soltando-o, vendo os fios enrolarem-se de novo em um cacho perfeito.
-Que ativistazinha você está me saindo, Prewett. – ele comentou, divertido. – Desculpe, dessa vez não vai ter jeito. Seu animalzinho querido já foi condenado. Se a justiça decidiu que ele deve ser abatido quem sou eu para dizer o contrário?
-Malfoy, você precisa pensar no que está fazendo! Eu sei que você já contou sua mentira vezes o suficiente para acreditar nela, para acreditar que realmente Buckbeak merece morrer, mas lembre-se daquela aula. Lembre-se do que você fez para provocar o hipogrifo. – ela pediu, olhando-o intensamente nos olhos, fazendo com que Draco sentisse uma sensação estranha na boca do estômago. – Você pode sinceramente me afirmar, olhando nos meus olhos, que aquilo não foi sua culpa?
Claro que ele não podia. Aquelas orbes grandes e castanhas, aquela boca bem feita e sedutora, aquele nariz delicado e as pequenas e discretas sardinhas que quebravam a frieza de sua expressão e lhe davam um ar inesperadamente doce... o cheiro floral envolvendo-o por todos os lados. Ele mal conseguia pensar de forma coerente, ainda mais mentir de forma convincente.
Ao invés disso, sorriu de lado. Aquele sorriso que já era sua marca registrada.
-Você não deveria se preocupar tanto com esse tipo de coisa. – ele disse, levando as duas mãos ao rosto dela, fazendo com que ela se afastasse bruta e irritadamente.
Contrariado pela forma como ela o rejeitara e pelo nojo que ela expressava a cada vez que tentara tocá-la, Draco sentiu a raiva finalmente tomar conta de si.
-Deveria cuidar de si mesma e tomar cuidado por onde anda. Não pense que eu acabei com você. – ele declarou. O tom ameaçador e o olhar predatório. – Se eu te livrei da detenção é porque não quero ninguém além de mim te dando a punição que você merece por ter interferido nos meus negócios naquele dia.
-Desculpe por tentar defender um amigo. – ela pediu com sarcasmo, fazendo a raiva de Draco aumentar ao lembrar-se do quão próxima ela estava de Weasley. – Por tentar impedir que você matasse alguém com quem eu me importo.
-Ah sim. Seu precioso Ron Weasley. – ele escarneceu. – Do jeito que você se esforçou para defendê-lo tive até impressão de que você eram mais do que só amigos.
Ela ergueu as sobrancelhas, como se percebendo que ele estava pescando por informações sobre qual era a natureza do relacionamento dela com Ron.
-Ron e eu somos apenas amigos. - ela respondeu. Não achou que devia informações a Malfoy, mas por algum motivo parecia-lhe estranho ter alguém no mundo pensando que seu relacionamento com Ron era algo mais do que amizade. Ela simplesmente não o vira e nem nunca iria vê-lo de outra forma. Não sabia muito bem porque já que ele era um cara legal, que tinha tudo o que ela valorizava em um homem. Ela simplesmente não o via dessa forma. – E mesmo se não fôssemos isso não é da sua conta.
-Ah, mas claro que é da minha conta. – ele protestou. – Tudo o que você faz passou a ser da minha conta, Prewett.
Ginny franziu o cenho por alguns segundos. Como se demorando para processar as palavras dele.
-E o que você quer dizer com isso?
-Sempre ótimo conversar com você. Mas tenho uma carta para enviar. – ele disse, voltando a tocar em seu rosto e tendo sua mão afastada por um sonoro tapa.
Por um instante assustou-se com o súbito movimento dela. Depois, sentindo o gosto amargo da rejeição, sua expressão endureceu.
-Devia ser mais agradável comigo, Prewett. – ele disse entre os dentes. – Você vai pagar por essa insubordinação.
Not paralyzed
But, I seem to be struck by you
I want to make you move
Because you're standing still
Mais tarde, na proteção do Salão Comunal da Sonserina, Draco teve vontade de enfiar a cabeça na almofada do sofá e nunca mais levantá-la ao lembrar-se de sua interação com Prewett. Como pudera falar tantas besteiras? Além de tê-la deixado sair sem nenhuma detenção da sala do diretor ainda lhe confessou como andara se sentindo nos últimos dias.
Porque eu não consegui parar de pensar em você.
Ele quase grunhiu ao lembrar suas próprias palavras. E a expressão dela. Seu rosto bonito sempre tão sério e ao mesmo tempo tão... expressivo. Como ela fazia isso? Como ela conseguia mover minimamente os músculos do rosto e ainda conseguir expressar mais sentimentos do que qualquer outra pessoa que ele conhecia?
E ela o olhava nos olhos. Diretamente. Só quebrando o contato visual quando ele tentava tocá-la. Mas como ela queria que ele não a tocasse? Ela era fascinante para Draco. Se Draco pudesse montar a mulher perfeita para ele, ela não chamaria tanto a sua atenção quanto a grifinória.
Não sabia exatamente o que queria de Prewett, mas talvez fosse melhor começar a evitar pensar tanto nela. Em um curto espaço de tempo tornara-se um vício sempre procurá-la com o olhar onde quer que estivesse e encará-la fixamente, admirando cada um de seus movimentos. Ele nem percebia que estava fazendo isso até que seus amigos começaram a perceber. E provavelmente os amigos dela também.
Será que Prewett já havia percebido? Nas vezes que seus olhares se encontraram ela não esboçava nenhuma reação por ter pego o sonserino encarando-a, simplesmente voltava ao que estava fazendo de forma tão natural que muitas vezes Draco chegou a pensar que ela havia visto através dele.
-E aí, cara. - cumprimentou Blaise, seguido por alguns outros sonserinos, sentando do lado de Draco no sofá de couro. Harry sentou-se em uma poltrona do seu outro lado, olhando-o estranhamente.
-Tudo bem? Você tá meio... verde.
Draco passou a mão pelo rosto, descansando as costas no sofá.
-Tudo ótimo.
-Cara, onde você se meteu a tarde toda? - Goyle perguntou, animadamente. - Você perdeu. Lynn e Tory ficaram se estranhando o dia todo.
-Foi engraçado. Daphne ainda põe lenha na fogueira e continua falando ainda mais do assunto da briga. - Blaise emendou.
-Até se falasse uma palavra parecida a Lynn se estressava. Tipo uma hora que Pansy disse que precisava de um gin.
Os meninos riram com a lembrança, mas Draco apenas se moveu desconfortavelmente no sofá, fazendo Harry erguer uma sobrancelha.
-Okay, sério. Qual é seu problema? - ele perguntou firmemente para Draco. A forma como ele falava sério e sem rodeios e o olhava nos olhos fazia lembrar um pouco o jeito firme de Ginny.
-Talvez... eu concorde um pouco com a Lynn. - ele admitiu para a surpresa dos outros garotos. - Quero dizer, parece que nós só falamos dela.
-Bom... - Blaise trocou olhares com os amigos, estranhando as palavras de Draco. - É. Mas por causa da Astoria e de você, né, Draco?
-Eu só estava intrigado porque ela é mais forte do que os outros grifinórios. Só isso.
-Sei. - Goyle disse, sarcástico. - Por isso que agora vive arranjando desculpas pra ir se meter no meio dos sextanistas entre as aulas e só almoça de frente para a mesa dela?
Draco ficou sem palavras por alguns segundos, o que era duplamente frustrante. Primeiro porque nem ele tinha percebido que estava fazendo isso. Era inconsciente. E segundo que quem o deixara sem palavras fora Goyle.
-É, mas eu entendo o que Draco quer dizer. - Harry defendeu o amigo, inesperadamente. - Talvez devêssemos deixá-la em paz.
Draco ergueu uma sobrancelha para Harry.
-Eu não disse nada sobre deixá-la em paz.
Os meninos riram alto e Blaise esfregou as mãos, contente.
-É disso que eu tô falando, Draco! Achei que você estava ficando mole!
-Então no que você está pensando? - Goyle perguntou, animado. - Já sabemos que não é qualquer coisa que funciona pra essa garota.
-Prewett é assunto meu. - Draco disse com mais firmeza do que sentia. - Eu vou cuidar dela sozinho. Vocês esqueçam dela.
Dessa vez Harry arqueou as duas sobrancelhas, fazendo Draco encará-lo com uma expressão desafiadora. Depois de alguns segundos o moreno riu sarcasticamente, relaxando os ombros.
-Faça o que achar melhor, Draco. - Harry disse.
-Eu vou. - o loiro respondeu, com um tom de agressividade.
Blaise olhou de um para o outro antes de tentar quebrar o clima estranho.
-E aí Draco? Você conseguiu mandar a carta? - perguntou.
Draco tirou um envelope do bolso com o brasão da família Malfoy.
-Mandei e recebi essa logo depois. Agora ele vai achar que só mandei a carta depois que recebi essa daqui.
Goyle assobiou.
-Caramba, as corujas devem ter se encontrado no ar.
-É. Tá mais pra um testamento do que uma carta. Se me dão licença, tenho que terminar de lê-la.
Draco foi para seu quarto, mas ele já sabia exatamente o que havia ali. Seu pai lhe chamando atenção por ser tão desorganizado e desligado com prazos, cobrando-lhe boas notas e decorrendo sobre sua iniciação como Comensal da Morte e como tudo deveria ser perfeito.
Lucius sempre exigira demais de Draco, o que era compreensível já que ele era o jovem mais rico da Grã-Bretanha. Dinheiro vem acompanhado com responsabilidades e expectativas, era o que seu pai gostava de dizer. E ele esperava MUITO de Draco. Sempre esperou. Mas recentemente ele vinha ficando cada vez pior. Mais exigente... mais chato. Draco é quem devia estar nervoso quanto a iniciação e não seu pai!
Não que Draco não estivesse cada dia mais nervoso. Cada dia que passava ele ficava mais velho. Mais adulto. Com mais responsabilidades. Até mesmo Snape cobrava um comportamento diferente dele. Até mesmo Prewett que nem o conhecia se viu no direito de cobrar atitudes dele...
E o que ela cobrara fora tão diferente do que já o haviam cobrado antes. Não foi falar com ele em busca de ganhos pessoais... foi tentar convencê-lo a dizer a verdade. Para ela verdade e mentira eram coisas tão bem definidas. Draco fora criado para acreditar que a verdade era o que fosse mais convincente e conveniente e não o que era fato. Parecia loucura pensando assim, mas fazia perfeito sentido antes das palavras da ruiva.
Mas por que ele já estava pensando nisso novamente? Ele não tinha determinado que iria tentar não pensar mais tanto nela?
Ela era uma ingênua, isso sim. Que ainda devia acreditar em besteiras como o poder supremo do amor e de todas as coisas fofas e cores de rosa do mundo.
Satisfeito com essa conclusão, Draco encheu sua mente de preocupações e ansiedade de sua iniciação como comensal da morte antes de dormir, sentindo-se satisfeito consigo mesmo.
If your body matches
What your eyes can do
You'll probably move right through
Me on my way to you
-Draco! - Astoria bradou, estalando os dedos em frente aos olhos cinza do sonserino, impaciente. - Você ouviu alguma palavra do que eu disse?
Draco assustou-se subitamente com a voz de Astoria. Sabia que ela estava falando com ele antes, mas não havia armazenado nenhuma palavra. Virou para encará-la e o reflexo do sol na água do lago quase o cegou. Já era de tarde, mas ninguém parecia ter informado ao sol que era hora de se pôr, pois ainda estava um dia bem quente. Os dois estavam sentados em uma árvore perto do lago. A garota havia tirado os sapatos e mergulhado os pés na água.
-Desculpa, Tory, o que?
Depois de um último olhar impaciente na direção do loiro a garota retomou:
-Estava perguntando se nós iríamos juntos para Hogsmeade de novo ou se você já tem algum rendez-vous marcado ou coisa assim.
-Não, nada marcado. É melhor irmos juntos.
Astoria sorriu.
-Vai ser legal. E nossos pais vão ficar satisfeitos. - ela garantiu, sorrindo para si mesma e anotando alguma coisa em um pequeno caderno.
-O que não fazemos por nossos pais, hã? - Draco brincou.
Astoria pareceu ponderar por alguns segundos.
-Não tem nada que não faríamos por eles, acho. - ela concluiu. - É capaz de acabarmos casando só para agradá-los.
Os dois trocaram um olhar e sorrisos divertidos. Sabiam que isso era uma provável realidade que nenhum dos dois realmente desejava, mas já que iriam estar presos em um casamento de conveniência não achavam tão péssimo que fosse um com o outro. Podiam continuar a amizade, fazer vista grossa para amantes... e as famílias estariam felizes e as heranças garantidas. Mesmo não sendo ideal, não era um futuro exatamente ruim.
-Mas estou surpresa que você não tenha nenhum encontro, Draco. - Astoria provocou, com um sorriso divertido. - Está perdendo o jeito?
Draco riu.
-E você, Tory? Está começando a se apaixonar por mim e desistiu de seduzir os pobres rapazes de Hogwarts?
Astoria deu de ombros.
-Eu não me interesso por esses garotos de Hogwarts. - Draco levantou uma sobrancelha antes de ela completar. - Estou interessada em homens.
Draco se mexeu desconfortavelmente sentindo as folhas secas se mexendo embaixo de si. Não gostava de dizer a Astoria o que fazer, mas...
-Isso ta me cheirando a encrenca, Tory.
A garota revirou os olhos.
-Draco, eu sei me cuidar. Relaxa. - ela disse no seu típico tom descontraído antes de mudar de assunto. - Sabe que a coitadinha da Lucretia ainda tem esperanças que o Harry a convide pra Hogsmeade?
Draco estava dividido entre rir e sentir pena da amiga.
-Falei com ele ontem. Acho que ele não podia estar menos interessado.
-Ele é quem perde porque Lucretia é linda e tem muitos caras que se sentiriam honrados com a companhia dela. - a garota defendeu a amiga. - Qual o problema do Harry de qualquer forma? Nunca o vemos com ninguém desde aquela Chang! Ele virou gay ou coisa assim?
Draco riu, enquanto a loira continuava:
-Porque, sei lá, tanto faz, ele pode ser gay se quiser. O que ele faz com o você-sabe-o-que dele não é problema meu, mas ele podia informar a gente logo pra gente parar de se preocupar e querer vê-lo com uma garota.
-Ele não é gay, Tory. Só é reservado. É capaz de ele pegar mais garotas do que eu e o Blaise juntos. - Draco disse, fazendo com que Tory assumisse uma expressão descrente. - É sério. Nunca percebeu como ele vive desaparecendo? O que acha que ele está fazendo, hein?
Tory pensou por alguns segundos.
-Se comunicando com o planeta natal dele?
Draco riu da brincadeira. Sempre zoavam com Harry por ele ser tão aluado e tão diferente dos outros sonserinos.
-É. Pode ser isso também. Mas aposto que ele está se dando bem.
-É. Pansy sempre diz que depois que Harry desaparece ele volta com um brilho pós-coito.
Draco jogou a cabeça para trás e gargalhou fortemente. Nunca se incomodava de Harry não falar de suas conquistas porque, diferente dos garotos de sua idade, Draco também não gostava de se gabar de suas conquistas. Geralmente, depois de muito os amigos insistirem, fazia algumas vagas insinuações do que acontecera.
Não conseguia ser como Blaise, por exemplo, que contava para quem quisesse ouvir onde, quando, como e com quem acontecera cada coisa.
Draco era diferente até porque a garota com quem mais se relacionava era Astoria. E se um dia eles se casassem? Não podia deixar que todos os seus amigos soubessem de detalhes sórdidos da vida sexual dos dois! Não podia deixar que soubessem do que sua esposa gostava ou deixava de gostar! Que horror!
-Você acha que eu conto para Lucretia sobre isso? Eu já tentei desencorajá-la várias vezes desse amor por Harry, mas ela não me escuta. Já até falei com Prewett na frente dela sobre o interesse de Harry, mas nem assim a garota se toca...
Draco coçou o pescoço casualmente.
-Sério? E como a Prewett reagiu a isso do... Harry estar interessado nela.
-Eu nem sei se é verdade. Eu só deduzi porque ela olha muito pra ele e já o peguei várias vezes tentando puxar assunto com ela... - Astoria explicou. - Ele nunca me disse nada, mas vive perguntando dela, assim... como quem não quer nada...
Astoria olhou divertidamente para Draco com o canto dos olhos.
-Assim... que nem uns certos loiros metidos que eu conheço.
Draco deu um empurrão de brincadeira no ombro da sonserina, fazendo-a rir com a própria brincadeira.
-Uh... - ela se interrompeu de repente. - Essa não morre nunca mais. - ela riu olhando para um ponto fixo.
Quando Draco seguiu o olhar de Astoria sentiu seu estômago pesar e seu coração bater tão forte que ele conseguia sentir a pulsação nas orelhas. Uma intensa descarga de adrenalina reverberou como eletricidade por seu corpo enquanto ele via a ruiva com uniforme da grifinória descendo os degraus do castelo na direção do lago. Estava acompanhada apenas daquela corvinal lunática com os olhos meio esbugalhados.
Ham. Então aparentemente evitar pensar nela estava tendo o efeito contrário ao desejado. Parecia que agora a aparição dela tivera mais efeito do que se ele estivesse pensando nela o tempo todo.
-Aff. Sempre com a Loony. - Astoria resmungou. - Calma aí. Já volto.
E levantou, andando na direção da dupla que se acomodava na árvore.
Antes de Ginny se sentar, levantou o olhar para Astoria e, para a surpresa de Draco, sorriu. Foi um sorriso pequeno, mas aparentemente verdadeiro. As duas pareceram travar uma conversa amistosa e Draco sorriu. Astoria era realmente uma danada. Aos poucos estava conseguindo ficar amiga da grifinória. Também, como alguém poderia NÃO gostar de Astoria? Além de extremamente linda e engraçada ela tinha algo que atraía as pessoas. Um carisma muito forte.
Passou um tempo admirando-as conversando quando finalmente Astoria pareceu virar-se na sua direção, despedindo-se da ruiva com um sorriso e um aceno.
Quando chegou ao lado de Draco tinha um sorriso satisfeito no rosto.
-Uau, vocês já estão todas amiguinhas.
-É, mais ou menos. - ela disse. - Às vezes eu tenho certeza que ela não vê a hora de me ver pelas costas, mas em outras horas parece que ela gosta da minha companhia. Então não sei dizer.
-Talvez você tenha assustado um pouco. Quando você quer muito uma coisa você fica meio assustadora.
Astoria não protestou.
-É. Sei lá. Ela é diferente do pessoal da escola. Ela não tem nossas ideias. - ela disse. - Acho que é isso que eu gosto tanto nela. Ela é diferente. Não parece se importar nem um pouco com o fato de seus amigos serem uns fracassados... não sei nem explicar, ela só é diferente. Não faz joguinhos nem nada. Mas sempre parece estar por cima.
Astoria olhou para o céu e virou-se para Draco, dando-lhe um beijo estalado na bochecha antes de levantar.
-Tenho que ir. Quero adiantar meus deveres antes do jantar. Te vejo mais tarde.
Quando a garota se afastou, Draco comprimiu os lábios, pensando nas suas palavras, tentando olhar para qualquer lugar menos para a ruiva. A sonserina tinha razão. Prewett era diferente de qualquer garota que já conhecera. Quando ela falava, ela não procurava as palavras certas para agradá-lo, nem desviava o olhar... olhava-o diretamente nos olhos e falava o que estava passando na sua mente.
Preferia andar com seus companheiros grifinórios mesmo quando a garota mais influente e linda da escola já expressara descaradamente que a queria no seu grupinho. Era como se... ela não desse nenhuma importância para sua vida social. Se vestia bem, mas não a moda adotada pelas garotas de Hogwarts, mas o que ela mesma achava que era bonito. Como se... ela vivesse para ela mesma. E só.
Draco não sabia por que isso o atraía tanto. Talvez fosse o que Astoria dissera. Ela era diferente.
Quando se distraiu, acabou deixando o olhar cair nas duas garotas perto do lago. Depois disso não conseguiu mais desviar o olhar. As duas pareciam relaxadas. Ginny escrevia alguma coisa em um pergaminho, talvez uma carta ou um dever, e conversava com Luna ao mesmo tempo. Chegando a rir algumas vezes. Draco desejou estar mais perto para poder saber qual era o som daquela risada, mas teve que se contentar apenas com a visão.
Se ela era bonita sem expressão alguma, ao rir, parecia se iluminar.
Depois de um bom tempo escrevendo ela começou a estalar os dedos provavelmente doloridos, dobrou o pergaminho cuidadosamente, colocou-o na mochila e reencostou-se numa árvore. No entanto, o tronco pareceu não ser muito confortável pois ela se movimentou e descansou a cabeça nas pernas de Lovegood, que apenas se ajeitou para acomodá-la melhor.
Ela parecia completamente relaxada, seus olhos entreabertos enquanto ela encarava o lago. Draco invejou Lovegood naquele momento. O que aquela Lunática tinha de especial para merecer o melhor lado de Ginevra? O mais relaxado e amistoso?
Desviou o olhar contrariado, lembrando-se de como ela fora fria com ele na sala do diretor e na conversa depois, tratando-o com indiferença e bloqueando seus avanços. Não que nunca tivesse levado uma rejeição na vida, mas nunca daquela forma tão firme. Não estava acostumado a ser contrariado dessa forma e a sensação não era exatamente boa.
Quando voltou o olhar para ela só encontrou Lovegood encarando o lago com seu olhar perdido de sempre. Ao olhar em volta percebeu que ela voltava para o castelo.
Draco desviou os olhos para o céu por alguns segundos e respirou fundo ao perceber que o sol quente finalmente cedera e decidira se pôr. Talvez fosse melhor voltar para o castelo também. Estava quase na hora do jantar.
Foi parado algumas vezes por alguns amigos enquanto caminhava para o castelo então não tinha esperanças de conseguir acompanhar a ruiva de longe, até porque iriam para direções diferentes, então foi grande sua surpresa quando ouviu aquela voz familiar quando virou um corredor a caminho das masmorras.
-Me devolva agora. - ela ordenou. - Eu não tenho tempo para isso.
Theodore Nott apenas riu, assim como seus amiguinhos. Uns sonserinos que Draco nunca dera importância o suficiente para aprender seus nomes. Theo segurava a mochila de Ginevra em uma mão e o pergaminho em outro.
-O que é isso que você estava segurando com tanta frescura, hã? - ele perguntou provocador. - É uma cartinha de amor? Pro seu amado Weasley? Ou quem sabe pro Longbottom?
Os meninos riram exageradamente enquanto Ginny apenas olhava para o teto, como que invocando paciência.
-Esse é meu dever de Poções. - ela explicou, como que para uma criança.
Theo arqueou as sobrancelhas e baixou o pergaminho, passando os olhos por ele, sua expressão caindo visivelmente.
-Ah.
-É. - Ginny disse. - Agora me devolva, sim?!
Draco notou que Theo quase que devolveu, instintivamente seguindo a ordem da garota, que mesmo sendo naturalmente baixa, conseguia ser forte o suficiente para compelir os outros a ouvi-la e obedecê-la. Então olhou-a nos olhos e afastou o pergaminho, erguendo-o no alto, fazendo a garota suspirar com impaciência.
-E o que você vai me dar em troca, hã, grifinóriazinha?
Ela apenas cruzou os braços na frente do corpo e esperou. Como se esperando ele terminar uma frase que deixou no ar. Depois de um tempo daquele silêncio estranho, Nott completou.
-Que tal mostrar alguma coisa, hã? Levantar a saia só um pouquinho pro Nott aqui?
GInny arqueou as sobrancelhas e olhou em volta, parecendo profundamente confusa.
-Quem é Nott?
Isso pareceu deixar o garoto sem chão por alguns segundos. Apontou para si mesmo, idiotamente, respondendo:
-Eu sou o Nott.
-Ah.
Draco decidiu intervir quando os sonserinos que ele não sabia o nome cercaram Ginny, um chegando a lhe segurar. Ela girou o braço, libertando-se do aperto, e se afastou, indignada pelo toque, mas o outro já vinha por trás.
Antes que ele pudesse tocá-la, Draco cortou a distância que o separava do grupo em um instante e se colocou entre eles.
-O que foi que eu disse, hã? - ele perguntou com raiva para os sonserinos e depois para Nott que o olhava, surpreso. - O que foi que eu disse, Theo?
-Ah qual é cara, foi só brincadeira. - Theo tentou rir, mas perdeu o sorriso amarelo ao ver que Draco estava sério.
-Pois eu não estava de brincadeira. Já disse que Prewett é assunto meu.
Draco estava de costas para a garota então não sabia qual fora sua reação a isso. Podia adivinhar, no entanto, que ela não ficara exatamente feliz.
-Cara, foi mal, eu só...
-Depois a gente se fala. Vai, se manda. - Draco disse, tomando as coisas de Ginny das mãos do sonserino. Theo quase correu com os amigos. Sabia que o temperamento de Draco não era algo para ser levado na brincadeira.
Quando sumiram de vista, Draco virou-se para a garota que olhava na direção que os jovens haviam sumido.
-Uau. - ela disse, parecendo genuinamente surpresa.
Draco se aproximou dela cuidadosamente, pegando-a pelo pulso e colocando o pergaminho em sua mão e posicionando a alça da mochila no seu ombro. Gostava da sensação da pele dela.
-Pronto. Eles já foram embora. Não vão mais te perturbar. - ele falou, no que esperou ser em um tom suave, alisando o braço da garota com as pontas dos dedos.
-Eu não preciso da sua ajuda. - ela disse subitamente, dando um passo para trás e se esquivando do seu toque.
-Qual seu problema? Eu acabei de te salvar daqueles...
-Eu garanto que poderia ter me livrado sozinha. - ela disse. - E você não pode esperar que eu te agradeça quando você é o líder do movimento anti-grifinórios da escola. - o olhar dela se desviou para a gravata verde e prata dele. - Ou movimento anti-não-sonserinos. Ninguém está a salvo de vocês nessa escola! - ela protestou.
-Você é inacreditável! - Draco se impacientou. - É a segunda vez que eu livro a sua cara e você é orgulhosa demais para me agradecer!
-Te agradecer? - ela perguntou com sarcasmo. - Se eu achasse que seus atos fossem desinteressados eu agradeceria.
Draco desviou o olhar e colocou a mão nos bolsos antes de responder.
-Não sei do que você está falando. Você é louca.
-Não, eu não sou. - ela respondeu. Talvez com um pouco mais de firmeza do que o necessário. - E que história é essa de "a Prewett é assunto meu"? - ela perguntou, fazendo uma imitação caricata da voz arrastada do sonserino. - Eu achei que tinha sido você quem mandou seus amiguinhos.
-Eu? - ele perguntou, incrédulo. - Por que você pensaria isso?
-"Você vai pagar por essa insubordinação, Prewett." - ela imitou novamente.
Draco sorriu de lado, aproximando-se dela. Fazendo-a instintivamente recuar, suas costas encostando na parede do corredor. Antes que ela pudesse se mover Draco apoiou as mãos na parede ao redor dela. Ginevra não parecia particularmente preocupada com a aproximação, só extremamente incomodada. Como Astoria ficava quando tinha acabado de sair do banho e seu cachorrinho ficava tentando lamber seu rosto.
-Não se preocupe com os outros, Prewett. Isso é entre nós dois.
-Malfoy, não tem absolutamente nada entre nós dois. - ela disse, dando ênfase na palavra.
Mais uma vez Draco sentiu uma raiva quente e intensa borbulhando dentro do peito pela indiferença que ela o tratava. Qualquer coisa que ela sentisse em relação ele, medo, raiva, qualquer coisa seria mais tolerável do que isso.
Ela pareceu perceber a mudança em Draco, pois, mais rápida do que ele esperaria, ela passou por debaixo do seu braço e se libertou. No entanto, antes de ela conseguir se afastar ele a agarrou pela outra alça da mochila e a jogou contra a parede. O som do baque e da forma como ela puxou o ar com o susto lhe deram uma satisfação estranha.
Quando ele se aproximou, no entanto, pretendendo encurralá-la com o seu corpo, ela virou-se de lado para ele e usou o peso do seu corpo para empurrá-lo, fazendo-o cambalear para trás. Quando recuperou o equilíbrio ela já estava longe. Ainda começou a caminhar na direção da grifinória, mas acabou esbarrando com alguém.
-OI! - a voz conhecida fez com que Draco acabasse se distraindo de sua raiva. - Cara, onde você esteve? Achei que a gente ia se reunir antes do jantar pra falar sobre o time!
Antes que Harry, o aluado Harry que parecia acordar e se tornar a pessoa mais perceptiva do mundo nas piores horas, olhasse para a direção que Draco estava indo o sonserino desviou o olhar e voltou-se para andar com o amigo.
-Desculpa, cara. Acabei me distraindo.
Enquanto andava com o amigo na direção das masmorras, Draco pensava na diferença entre a Ginevra relaxada que vira no lago e a que o rejeitara no corredor. Tentava entender a confusão de sentimentos borbulhando dentro dele. Além da raiva da rejeição havia algo queimando com mais força. Fora fascinante vê-la tão feliz e calma no lago, mas algo na forma como ela o rejeitara... o excitara tremendamente.
Era estranho porque ao mesmo tempo que sentia raiva e amargura pela forma como ela o tratara, sentiu-se extremamente atraído. Quanto mais ela tentava empurrá-lo, mais ele queria proximidade.
Ao virar o corredor deu uma última olhadela na direção que ela seguira.
Sorriu para si mesmo com a certeza de que sua história com a ruivinha ainda estava longe de acabar.
"Me aguarde, Ginevra."
You'll probably move right through
Me on my way to you
N/A: (To escrevendo essa Nota morrendo de sono então me desculpem se eu começar a digitar besteiras aqui)
Desculpa a demora! Sabe como é, provas finais, imendando com férias, que imendam com viagem e festas de fim de ano! Hahaha! Hoje é meu aniversário e decidi dar esse presente pra vocês! Hahaha!
Obrigada por todo suporte! Amei as reviews! Até as desesperadas por atualização. Quick question: Se um dia eu conseguisse o milagre de postar semanalmente qual dia da semana vocês iriam preferir?
Me digam o que acharam deste capítulo. Espero ter conseguido passar bem a personalidade do Draco. A música dá uma idéia boa da personalidade dele, e da "vibe" dele. Hehe! Estou me apaixonando pelos três personagens conforme os escrevo. E pela Astoria. Ela era para ser só uma garota fútil e mimadinha, mas aí eu vou digitando e ela vai ficando bem mais interessante do que eu pretendia. Estou desenvolvendo altos planos pra ela.
Só alguns esclarecimentos.. apesar de a classificação estar Harry e Ginny não quer dizer que eles vão acabar juntos. Eu ainda não sei como vai acabar a fic. Tenho umas três idéias de desfechos diferentes. Vou escrevendo e ver o que rola. Hehe. Então sim, estou aberta a sugestões. Eu só coloquei Harry e Ginny porque sempre que incluía o Draco só ficava aparecendo Draco e Harry. E desculpem, mas essa fic não vai ter NADA de Drarry. Hehe.
Reviews:
Kiss Potter: Também gosto de um pouquinho de maldade! Hahaha! Os sonserinos são meio inspirados nos do livro e meio inspirados em pessoas que conheci! Muito obrgada pelo elogio e pela compreensão! Muito chato quando a gente posta achando que tá arrasando e quase não ganha review! Hahahaha! Então muito obrigada MESMO pelo incentivo! Um beijo! Espero que tenha gostado desse capítulo!
Julianna Soares: Que bom que você gostou! To muito feliz mesmo! Eu tento fazer capítulos grandes porque também gosto de ler grandes. Hehe. Daqueles que dá pra parar e continuar depois se quiser. Quanto a Astoria: o interesse dela pela Ginny vai ser explicado aos poucos, agora nem ela sabe muito bem o que é. Mas pode deixar a imaginação te levar porque vai ser um negócio bem louco! Haha! O Harry está meio que perseguindo a Ginny sim, está começando a se sentir atraído mas nem ele percebe isso. Acho que nesse capítulo deu pra entender um pouquiiiinho mais da personalidade do Draco né? Mas vão ter outros caps centrados nele e vai ficar cada vez mais claro que tipo de pessoa ele é. Assim como a história da Ginny também vai ser revelado aos poucos. O grande mistério é como ela acabou perdendo as memórias. Um beijão e muito obrigada pela review!
Daniella: Queria ver mais Draco? Então deve ter gostado desse capítulo né? Pelo menos eu espero! Hehe! Que bom que você está gostando! E que está achando diferente! Tudo o que eu não quero é cair nos mesmos clichês de sempre do fandom! A grande diferença desse Harry para o normal é toda a raiva que ele tem guardada. Muito obrigada pela review! Bjão!
Princesa Chi: Sim, até a Ginny se surpreendeu com a forma como agiu, já que geralmente é bem calma e consegue resolver tudo e duelar mantendo a cabeça fria. Mas mesmo ela não tendo consciência disso, Ron é família. Irmão. Ligação entre irmãos é uma coisa irracional. Amor as vezes impede a gente de pensar direito. Isso que eu quis fazer com ela. Ela ama o irmão, mesmo que não se lembre. Você entendeu direitinho! ;) Obrigada pela review! Espero que tenha gostado desse capítulo também!
Arobedh: Delícia! Adoro review grande! Hahahaha! Depois que você falou que eu fui me tocar um pouco que realmente eu coloquei uma pitada de Mean Girls, hahahaha! Adoooro! Quanto ao Harry, tentei deixar ele um pouquinho mais interessante. Acrescentar um pouco mais de complexidade, sem fazer ele perder a essencia completamente. O mesmo com o Draco. E se segure que tem muito mais cenas dessas pela frente! Esse é o legal dessa fic! =D Quanto a Astoria, apesar de ela ser bem superficial na maior parte do tempo ela é MUITO confiante. Ela não se sente ameaçada por ninguém, e essa é a grande diferença dela das Mean Girls usuais. Ainda não posso explicar exatamente as ações da Astoria porque acho que vai ficar mais interessante se vocês descobrirem aos poucos, mas pode ficar tranquila que não vai ter Threesome! Hahaha! Sobre a Ginny, eu cansei um pouco de escrever a Ginny super grifinória em AEDC! Não que eu não goste, só estava a fim de variar mesmo! Que bom que você gostou! Fiquei MUITO feliz com essa sua review enorme MEEEESMO! Muito obrigada!
Dani: Ieeei! Que bom que você está gostando! Então, Astoria é bem confiante! Isso é o que a diferencia das it girls usuais. Ela é MUITO confiante. Então ela não se sente ameaçada por ninguém, e essa é a fonte de toda sua força. Ainda não posso revelar muito de porque ela gosta tanto da Ginny, mas ela gosta de falar coisas assim, com duplo sentido, só pra deixar os outros de cabelo em pé mesmo. Hahaha! E QUE BOM que você gostou do Harry! Hahaha! Fiquei pensando: Como eu vou fazer pra essas meninas, fãs de AEDC, engolirem o Harry? Fiquei muito feliz com a sua review mesmo! E olha mais cenas DG nesse capítulo! Acho que vão ser raros os caps que não tiverem. XD
Mariana: AEDC eu só esqueço quando terminar agora! HAHAHAHA! Muito obrigada pela review! Estou tão feliz que tanto Draco como Harry estão agradando! To me esforçando! E olha, 64% de chances de rolarem cenas NC18... ok, 70%! xD Bjão!
Las D: Muito obrigada pela review e pelo carinho! Amei mesmo! AEDC me faz quebrar a cabeça bem mais do que essa fic aqui. Acho que essa é mais fácil de escrever. AEDC é um parto! Hahaha! Mas é bom! Vou continuar postando mais e mais e mais! Não se preocupe! Espero que tenha gostado desse capítulo focado no Draco! Um beijo!
Marina W: Aiii que bom que você está gostando! Muito obrigada! Espero que tenha gostado desse capítulo focado no Draco! Beijos! ;*
Isaalmeida 21: Desculpa a demora! Espero que você entre hoje pra ver se atualizei! Hahahaha! Olha, as torturas que ela sofreu estão relacionadas a Voldemort sim. Isso tudo será revelado aos poucos. Um beijo! Muito obrigada pela review!
Mari Weasley: Que bom que você gostou! Estava com medo de ficar muito meloso! Desculpe a demora mas aqui está a atualização! Desculpe, mas não posso dar previsão de quando será a próxima. Só posso prometer que vou tentar não demorar muito! Um beijo!
Deb: DESCULPE A DEMORA! T.T Espero que goste desse cap! =D
Karol Black: FINALMENTE UMA FÃ DE HG! Hahaha! A maioria das leitoras prefere D/G e só tolera H/G. Você é agulha no palheiro por aqui! Hahaha! Que bom que você está gostando! Adorei suas reviews! E realmente, muito drama na vida de todos! Isso porque eu tava decidida a fazer comédia depois de AEDC pra descontrair. Mas não dá... meu negócio é drama mesmo. T.T E concordo, Cho Sucks! :O
Adorei sua análise das interações dos personagens. Descreveu tudo o que eu queria passar! Fiquei muito feliz! Harry realmente está se aproximando por "vingança", mas conforme o tempo for passando isso vai virar só uma desculpa... e depois de mais um tempo vai virar uma desculpa muito da sua esfarrapada. Hahahaha. Desculpe MESMO a demora para atualizar! Vou tentar não demorar mais tanto assim! E pode continuar escrevendo reviews assim ao longo da leitura que eu amei viu? Hehe! Um beijo! E muito obrigada!
