N.A.: Só porque hoje é o último dia do ano resolvi ser boazinha... ahauhauhauhuahua mais um capítulo para vocês! Espero que gostem!

Obrigada: Cora, Miih e Ayla, vocês são umas lindas por comentarem.

Miih, sua linda, obrigada pela betagem, você me deixa feliz da vida com os comentários! *-*

Boa Leitura, povo!

Quase nada aqui me pertence, apenas as situações que escrevo e a O.C.. Não ganho nada com essa fanfic, apenas comentários lindos e leitores maravilhosos.


Capítulo 3

Tobe ouvira tudo que Rick e Hershel tinham para falar, prestando atenção as partes em que eles falavam sobre as cidades. Sabia que as coisas não estavam bem, mas não tinha ideia de que as coisas estava tão desesperadoras. Talvez ficar na mão daqueles homens horríveis, pudesse tê-la salvado, de algum modo. Escreveu no papel e mostrou para os dois.

"Vou embora assim que meu pé estiver melhor, não se preocupem." Hershel leu em voz alta e colocou a mão no ombro da garota. "Não sei quanto aos outros, mas por mim, é bem vinda. Pode ficar aqui. O mundo não está fácil para ninguém sozinho."

"Concordo com ele, October." Rick emendou e viu-a sorrindo, e ela tentou falar. Ele entendeu algo como Tobe, e entendeu que ela não queria ser chamada pelo nome completo. "Entendi. Tobe, queremos que fique."

O sinal que ela fez indicou para ambos que ela não tinha certeza se sim ou não, mas eles estavam satisfeitos de terem colocado as cartas na mesa. Glenn aproximou-se dela, olhando-a inseguro e entregou um prato fundo com sopa quente e uma colher.

"Você vai preferir isso." Assentiu e sorriu, vendo-o se sentar a seu lado na sala de estar. Os outros estavam jantando na sala de jantar e a todo momento olhavam-na furtivamente. "Eles estão curiosos, só isso."

Tobe sentiu que poderia forçar mais algumas palavras de sua boca.

"Quantos... anos...?"

Glenn sorriu e balançou a cabeça.

"Não force a garganta. E eu tenho vinte, e você?" Viu-a tomar duas colheradas da sopa antes de levantar a mão direita e fazer o número um e depois cinco e mais um. "16?"

A surpresa na voz dele fez com que Tobe desse risada. Era sempre assim, as pessoas a achavam com o rosto novo, mas nunca imaginavam quão nova ela era. Sorriu disso e continuou a tomar a sopa, Glenn quieto a seu lado. Arriscou mais algumas palavras.

"Sua... namorada?" E apontou para Maggie, que olhava para eles. Glenn corou violentamente e Tobe estourou uma risada alta, quase deixando a sopa cair. Algumas pessoas na mesa a olharam, e sorriram. "Aceitar... um... sim."

Glenn sorriu forçadamente e Tobe riu ainda mais. Sabia que tinha acabado de chegar, mas vira como eles se olhavam, e ainda mais vira como Maggie estava olhava-os agora que estavam juntos na sala. Não queria confusão com ninguém, não estava interessada em ninguém do jeito romântico. E então ouviu a porta da sala se abrir, e todos olharam naquela direção.


Daryl estava parado fumando na varanda quando ouviu pela janela aberta uma voz grossa perguntando para Glenn quantos anos ele tinha. Prestou atenção ao que ele respondia e a pergunta dele. Não ouviu resposta dela, mas ele ouviu a surpresa quando Glenn dissera 16. Tragou longamente e soltou a fumaça segundos depois. Então ela tinha 16 anos.

Passou a mão livre pelos cabelos e empurrou-os para trás, ouvindo dentro de sua cabeça.

"Darlina, você vai enfiar a cabeça em um monte de merda por uma qualquerzinha de 16 anos?"

Jogou o cigarro com força no chão e o pisou. Merle não saia de sua cabeça desde que se machucara e ficara a alucinar na procura por Sofia. E a cada vez que algo acontecia, ele estava ali para lhe perturbar. Ouviu a risada alta da garota e entrou na casa, o som da voz de Merle vindo do fundo de sua mente.

"Cala a boca, imbecil." Disse baixo e entrou na casa olhando para todos na mesa e vendo um lugar vazio. Sentou-se e notou que aquele lugar lhe dava a visão exata dos dois no sofá. Pegou a comida e colocou-a no prato, os olhos mirando tudo que havia para comer. Entretanto, seus olhos azuis o traiam e Daryl olhou novamente para os dois no sofá, vendo que a garota estava lhe fitando séria. Estava, de certo modo, curioso sobre ela. Pegou o garfo e começou a comer, e mesmo que tentasse se convencer que ela era apenas mais uma garota, sabia que a imagem dela enforcada na árvore não sairia de sua mente. O sangue entre as pernas dela... mastigou a comida e puxou a única caneca vazia, colocando suco. Ouviu Rick chamando seu nome, olhou-o.

"Creio que não vá se importar, mas a chamamos para ficar."

Olho-a e deu de ombros em resposta ao que Rick havia dito.

"Uma boca a mais."

Todos ouviram o que ele dissera, inclusive Tobe. Alguns apenas balançam a cabeça em negativa a atitude dele, mas outros a olharam e a viram entregar o prato para Glenn, levantando-se com certa dificuldade, vindo na direção da mesa. Daryl recostou-se na cadeira e ouviu a voz grossa:

"Foda-se."

Tobe se virou e saiu da casa mancando, ouvindo algumas pessoas rindo, mas o barulho que queria ouvir era da cadeira dele. Queria que ele viesse ter com ela, diria exatamente o que estava pensando. Parou na varanda e esperou. Ouviu a porta abrir e se preparou; porém, viu-o passando por si.

Desceu os degraus atrás dele e disse:

"Deveria ter... me deixado lá."

E tudo aconteceu rápido demais. Daryl irritou-se com as palavras dela e virou aproximou-se de Tobe e sua mão se fechou contra o pescoço dela, os dedos por cima da marca roxa e machucada. Empurrou-a até que Tobe batesse as costas nas madeiras da parede da casa, e Daryl estava com seu corpo a frente do dela. Não conseguia se controlar, odiava que ela tivesse lhe dito aquilo. Odiava o fato de que ela estava lhe afetando. Porém, Daryl sabia que o que mais deixava-o bravo era que ela não estava lutando contra ele.

"Você... vai terminar... o serviço?"

E quanto mais forçava a voz, mais Tobe sentia que ela parecia estar voltando. Sentia a mão de Daryl em seu pescoço, e como ele a empurrava contra a parede. Via, mesmo no escuro, os olhos azuis que brilhavam inseguros e insanos.

"Merda."

Daryl soltou-a, e se afastou, indo para sua barraca. Tobe estava com a respiração acelerada e por um breve segundo pensou em como ele demonstrara ser centrado e impulsivo em meros segundos. Regularizou a respiração e ouviu alguém chamar por Daryl da varanda. Olhou naquela direção e viu que Carol saia da casa, olhando onde ele estava. Viu que ele não se virou para olhá-la, mas ela mesmo assim seguiu até a barraca dele.

Tobe já tinha percebido que o modo como Carol olhava para Daryl, era diferente, que era um olhar de afeição. Infelizmente, com o temperamento dele, e como ele se portava, Carol não conseguiria nada, sem ser uma resposta mal educada e gritos.

Olhou por cima do próprio ombro, vendo que a garota ainda estava ali. Colocou um cigarro na boca e o acendeu, ouvindo passos se aproximando.

"Não deveria dizer..."

"O que você tem com isso?"

A voz alta e raivosa de Daryl chegou até Tobe, e ela viu como Carol afastara-se um passo quando ele dissera aquilo. Os três ficaram em silêncio por algum tempo, e então Carol afastou-se, voltando para a casa sem dizer mais nada, seu rosto com uma expressão magoada. Daryl tragou longamente o cigarro e observou Tobe novamente, o olhar deles se cruzando.

"Ainda está aí?"

October poderia ter apenas 16 anos e ter passado por um inferno nos últimos meses, mas não deixaria que um caipira sem educação lhe enfrentasse daquele modo.

"Creio que sim." Respondeu dando de ombros e aproximando-se dele.

"O que você quer de mim, inferno de pivete?"

Daryl fez questão de enfatizar a palavra pivete. Precisava deixar claro para ela que a considerava daquele modo. Entretanto, Tobe sorriu enquanto balançava a cabeça de um lado para o outro, bem devagar.

"Não quero... nada." Disse enquanto terminava a distância entre eles e parava bem a frente de Daryl. "Apenas... entender porque me salvou, se... não consegue estar no mesmo cômodo... que eu."

"Não lhe devo explicações."

Tragou o cigarro mais uma vez e soltou a fumaça para cima. Em sua mente, Merle ria descontroladamente e dizia que ele estava enfiando-se em merda cada vez mais. Daryl odiava que Merle soubesse das coisas antes dele. Odiava que mesmo ele não estando ali, sabia de tudo.

"Pois bem, caso queira conversar..."

Afastou-se sentindo o cheiro bom do cigarro dele. Tinha saudades de sentir o cheiro de cigarro, que tanto lhe lembrava a infância com sua família. Era uma lembrança estranha para uma criança, mas era como se lembrava dos pais e dos avôs. Todos eles fumavam, e Tobe sentia-se em casa novamente com aquele cheiro.

Daryl balançou a cabeça e entrou na barraca, chutando com força as botas para longe e para fora da barraca, jogando o corpo para trás, deitando no velho saco de dormir. Continuou a fumar e conforme a fumaça subia até o teto, ouvia Merle lhe dizer baixo, ainda rindo:

"Você tem ideia de que foram necessários dois malditos dias na cama e algumas horas acordada para que ela lhe deixasse retardado, não é mesmo, Darlina?"

"Foda-se."

Sorriu. Daryl conhecera poucas mulheres, e as que ele conhecera, eram como aquela garota. Briguentas, mas carinhosas. Corajosas, mas sensíveis. Tragou mais uma vez.

"Ela vai te pegar pelas bolas, irmãozinho. E ela só tem 16 aninhos."

Sorriu novamente. Merle era um babaca. A garota iria lhe arranjar dor de cabeça, sabia disso. Precisava ter certeza de que ela ficaria afastada, de um jeito ou de outro.


continua...