Nota da Autora: Fiquei muito feliz com as reviews que eu recebi, é bom saber que estão gostando e que o tempo que eu passo escrevendo não é em vão. Mas mesmo assim, eu ainda recebo muitas visitas em comparação ao número de reviews. Gente, não precisa ser uma review grande. Pode ser um "gostei" ou um "acho que poderia ter sido melhor". A opinão de vocês é mais importante.
Ps.: Desculpem os eventuais erros. Não tem ningupem revisando a fic para mim.
3. Semelhanças
Apesar de nunca ter ido lá, não foi difícil achar a escola. Era um conjunto de casas e eu não teria parado se não tivesse visto a placa que dizia ser a Forks High School. O estacionamento estava meio vazio, apenas alguns carros estacionados. Perguntei-me quem queria chegar tão cedo na escola. Encontrei um prédio que tinha uma placa em cima dizendo ser a secretaria. Chuviscava quando saí da picape, tremi com o vento gelado que bateu no meu rosto. Segui direto para a secretaria fingindo não notar as poucas pessoas que já me encaravam. Pude ver pela visão periférica que cochichavam.
— Saco. — murmurei baixinho, só para mim.
Assim que entrei na pequena sala, uma senhora simpática veio ate mim e perguntou se eu precisava de ajuda.
— Meu nome é Isabella Swan. — informei-lhe. O sorriso que ela tinha no rosto aumentou, se é que isso era possível.
— Claro, a filha do chefe Swan. — ela parecia feliz em saber isso. Eu não tinha o mesmo entusiasmo.
Ela mexeu em uma pilha de papeis e me deu um mapa e o meu horário. Ela me ditou todas as minhas aulas, mostrando-me no mapa a melhor maneira de chegar até elas, e me deu um papel que todos os professores deveriam assinar e que eu traria de volta no fim do dia.
Quando saí da pequena sala, o estacionamento começava a encher. Entrei na picape e segui o transito. Ignorando os olhares curiosos que me lançavam. Estacionei assim que achei uma vaga. Não queria mais atenção. Fiquei um tempo dentro do carro, tentando memorizar o mapa. Saí da picape com o mapa e o meu horário na mão, só para o caso de eu esquecer.
Assim que cheguei sobre a cobertura do refeitório, um garoto meio desajeitado, alto, com problemas de pele e cabelo preto como carvão chegou perto de mim.
— Oi, sou Eric. — disse. Olhei para ele com a esperança de não denunciar o meu nervosismo.
— Oi. — respondi, simplesmente.
— Você deve ser Isabella Swan, a garota nova.
Tremi de novo, mas não de frio. Será que não tinha ninguém nessa cidade minúscula que não me conhecia? Acho que não. Nessas horas eu tinha vontade de matar Charlie. Com certeza ele contou para todo mundo. Ou talvez contou para a pessoa errada. Mas isso não importava agora.
— Apenas Bella. — respondi.
— Precisa de ajuda para encontrar sua sala? — Será que só eu vi outras intenções por trás do pedido inocente?
Afastei esses pensamentos antes de respondê-lo
— Acho que não, eu tenho um mapa. — levantei a minha mão com o mapa. — Eu vou para o prédio seis. Educação cívica com o Jefferson.
— Acompanhá-la, então? — perguntou esperançoso.
— Claro, porque não? — fiquei com pena de recusar.
Caminhamos até o prédio seis, com Eric falando sobre algumas aulas e professores. Ele não me fez muitas perguntas, então eu apenas o olhava em sinal de que eu prestava atenção. Ele me levou até a porta, apesar de estar bem evidente o "seis" e se despediu de mim com um simples "Tchau".
As aulas seguiram bem na parte da manhã, a maioria dos professores entregava o meu material e mandava sentar sem me apresentar — uma coisa que eu achava desnecessária, ao que parecia, todo mundo sabia quem eu era e esperavam pela minha chegada. Depois de algumas aulas comecei a reconhecer alguns rostos, nada muito surpreendente para uma escola tão pequena.
Eu não estava muito atrás do ensino daqui. O que era reconfortante e entediante.
Uma menina que se sentou comigo nas aulas de trigonometria e espanhol, me convidou para almoçar com o seu grupo de amigos. Ela era bem baixinha, com vários centímetros abaixo do que os meus 1,63m, mas o cabelo escuro e encaracolado ajudava a balancear nossa diferença de alturas. Acho que seu nome era Jéssica. Sentamos no final de uma mesa cheia de seus amigos, os quais ela me apresentou.
— Bella essa é Lauren. — ela apontou para uma menina de cabelos loiros bem lisos. Ela apenas me olhou e continuou a conversa que estava tendo com o garoto sentado do lado dela — Do lado dela, Tyler. Ali, Mike — seu dedo apontava para um garoto, com cara de bebê, o cabelo loiro claro cuidadosamente moldado com gel, sorrindo para mim de um jeito amigável — E aqui, Ângela. — Essa última me olhou e sorriu. Me senti melhor só com o seu sorriso, não tinha malícia. Era como se ela entendesse como eu estava me sentindo com toda essa atenção. Sorri de volta só porque eu quis. O menino que me acompanhou até a minha primeira aula, Eric, apareceu ali depois.
Foi ali, tentando conversar com seis estranhos, que eu os vi pela primeira vez. Sentados à uma distancia segura do resto dos alunos. Eram quatro. Não comiam, não conversavam e não me encaravam, como a maioria dos alunos. Cada um estava preso a sua própria bolha de pensamentos. Mas não foi nenhuma dessas coisas que chamou, e prendeu, minha atenção.
Eles não se pareciam em nada. Um dos garotos era grande musculoso — como um halterofilista inveterado, com cabelo escuro e encaracolado. Outro era alto, mais magro, mas ainda musculoso, e com cabelo loiro escuro. As garotas eram o oposto. A mais alta era maravilhosa. Ela tinha um corpo lindo, — do tipo que se vê na capa da revista Sports Illustrated — daquelas que fazem as outras garotas se sentirem mal consigo só por estar na mesma sala que ela. O cabelo era dourado, gentilmente balançando até o meio das costas. A outra garota era mais baixa e parecia uma fadinha. Bem magra, com feições miúdas. O cabelo dela era totalmente preto, cortado curtinho e apontando para todas as direções. E ainda assim, eles se pareciam muito. Todos eram muito pálidos, tinham olhos bem escuros. Além disso, eles tinham olheiras. Como se todos eles tivessem passado a noite em claro. Mas não era por causa de tudo isso que não conseguia tirar os olhos deles. Eu os olhava por que seus rostos, tão diferentes, tão iguais, eram todos devastadoramente lindos.
Enquanto eu os olhava, lembrei do meu sonho de quarta-feira passada. Mais precisamente do garoto de cabelos cor de bronze. Edward. Não pude evitar compará-los. Os mesmos olhos escuros, a mesma pele branca, as mesmas olheiras.
— Bella o que você está olhando? — perguntou-me Jéssica. Nessa hora o rosto da menina baixinha se virou para mim. Desviei o olhar.
— Ah! Bonitos, não é? — Não respondi, mas ela continuou mesmo assim — São Emmett e Alice Cullen, e Rosalie e Jasper Hale. Os Hale são irmãos gêmeos mesmo, os loiros, sabe? Eles foram adotados pelo Dr. Cullen e Sra. Cullen. Mas nem perca o seu tempo, estão todos juntos. Emmett e Rosalie, e Alice e Jasper.
— Hmmm. Eles são muito bonitos. — disse, corando um pouco.
Jéssica suspirou e concordou. Olhei mais um pouco para a estranha família. Poderia ser coincidência que o Edward tivesse as mesmas características da família do Dr. Cullen? Eu nunca vou esquecer aquele olhar de desejo e frustração que ele me lançava, nem do homem loiro refreando ele. O refeitório estava quase vazio, dei mais uma olhada para a família, agora eles se levantavam. A comida intocada. Todos eram notoriamente graciosos — até mesmo o grandalhão. Era algo desconcertante de se observar. Saímos do refeitório logo depois.
As aulas da parte da tarde não prenderam a minha atenção. Eu não queria começar a divagar no meio do ano, mas a minha cabeça não parava de comparar a família Cullen com Edward. Era coincidência demais que eles tivessem as mesmas características. Não são características comuns, concluí. O sinal tocou e eu me assustei.
Segui para a aula de educação física com Mike ao meu lado. Assim como Eric e Tyler, eu tinha a sensação de que haviam outras intenções por trás dos olhares que Mike me lançava.
O treinador Clapp, me deu um uniforme, mas não me fez vesti-lo para a aula. Agradeci mentalmente por não ter que participar da aula hoje. Eu já não conseguia praticar esportes quando a minha cabeça estava vazia, sem machucar a mim mesma. Hoje provavelmente eu seria capaz de aleijar todos que se aproximassem muito de mim. Fiquei sentada assistindo as quatro partidas de vôlei que aconteciam simultaneamente. Quando o treinador nos liberou eu fui direto para o vestiário me trocar. Depois fui à secretaria devolver a caderneta assinada pelos professores.
Enquanto ia para casa, tentava não pensar no dia que eu tive. Apesar de ter conhecido pessoas realmente legais, pessoas que valessem à pena — como Ângela, na verdade acho que só ela valia à pena — eu não queria pensar o que poderia significar as semelhanças da família Cullen e Edward. Quando cheguei em casa escolhi uma receita realmente trabalhosa e que me exigisse atenção. Quando Charlie chegou, eu ainda estava fazendo o jantar.
Quando acabamos de jantar num silencio confortável, Charlie foi para a sala ver TV e eu tirei os pratos, levei-os sem a menor pressa. Quando acabei dei boa noite a Charlie e subi para fazer o dever de casa e tomar um banho. Optei por tomar o banho primeiro. Deixei que a água quente relaxasse o meu corpo. Enquanto eu relaxava tomava muito cuidado para não pensar no acontecimento do almoço. Realizei toda a minha higiene pessoal prestando total atenção no que fazia, nunca desviando o pensamento para nada. Fiz todos os meus deveres, mas quando acabei não tinha sono. Eu estava alerta. Resolvi ler um dos muitos livros que eu trouxe de Phoenix para cá para ver se me dava sono. O exercício logo me cansou e eu apaguei o abajur, o sono veio logo em seguida.
— Bella? — chamou uma voz conhecida.
Abri os meus olhos para encontrar Edward mais uma vez no meu quarto. Dessa vez me levantei de imediato preparada para correr a qualquer momento. Mas Edward num átimo estava do meu lado com as mãos no meu ombro tentando me acalmar. Minha mente não se importou com o fato das mãos dele serem frias, mas sim com a corrente elétrica que passou pelo meu corpo. Olhei para ele assustada. Tanto com as novas emoções que passavam pelo meu corpo, quanto com a súbita mudança de comportamento dele.
A lua iluminava meu quarto, por isso dava para ver o seu rosto. A primeira mudança significativa eram seus olhos. Do preto intenso para o castanho-dourado.
— Acho que você percebeu muitas coisas hoje. — Ele se sentou comigo na minha cama, nunca deixando de me tocar. Ele me olhava com carinho, com... Amor? Eu apenas o fitava confusa.
— Sabe Bella, as semelhanças que você observou, é uma marca daquilo que somos. A pele branca, a mudança na cor dos olhos, a pele dura e fria. — ele pegou a minha mão direita. Era fria. Involuntariamente eu apertei sua mão. Parecia de pedra.
O meu coração parecia querer pular do meu peito com o turbilhão de pensamentos e emoções que invadiam minha cabeça e o meu corpo. Eu poderia estar me apaixonando por uma criação do meu inconsciente? Porque eu já estava me apaixonando.
— E o que vocês são? — perguntei, lembrando do que ele disse.
Ele hesitou. Entrelacei a mão dele que eu ainda segurava e o olhei. Seus olhos tinham um misto de confusão e admiração.
— Pode confiar em mim. — disse com uma intensidade que eu me assustei. Mas ao mesmo tempo eu via a verdade naquilo.
— Vampiros — Pude sentir que eu arregalei os meus olhos — Mas nós não somos como os vampiros tradicionais, nem como os que você conhece, que dizer, os vampiros dos livros e filmes. Eu e minha família somos diferentes. — Ele me acalmou.
— Diferentes, como?
— Você precisa, primeiro, tirar todas as idéias que você tem de vampiros. — Assenti e ele continuou — A minha família não se alimenta de sangue humano, só de sangue animal. Nós também não queimamos no sol. Alho não me incomoda. Nem água benta, nem nada dessas criações. Não durmo em caixões, aliás, eu não durmo — disse com um sorriso brincalhão. Sorri de volta.
Ele continuou explicando sobre a família dele. Mas se as semelhanças eram a marca do que eles eram...
— Se todas essas características são a marca de quem é um vampiro, isso quer dizer... — Me referia a estranha família do almoço hoje.
— Que eles também são vampiros — concluiu — Não se assuste, eles também se alimentam de sangue animal.
— Porque você disse que meu sangue era apetitoso? — lembrei de meu outro sonho.
— Seu sangue, é especial para mim. É mais forte e muito apelativo. Algo como a minha cantora. É como se o seu sangue cantasse para mim. Muito difícil de resistir.
Estremeci com suas palavras. Sua mão fez uma leve pressão no meu ombro, tentando me acalmar.
— Não se preocupe, não vou te machucar. — disse sorrindo de novo.
Edward continuou a me contar tudo sobre esse mundo. Escutei com atenção tudo que ele dizia. Perguntei-lhe de sua família, quando foi transformado, porque se alimenta de sangue animal, o que sentiu quando descobriu no que se transformou. Ele não se sentia incomodado com as minhas perguntas, respondia todas com um sorriso no rosto. Ele nunca disse os nomes das pessoas que compunham a sua família, se referia a ela apenas como um todo, decidi não perguntar. Ele também não disse mais nada sobre a família Cullen. Apenas falava de si.
Quando acordei de manhã, quase não acreditei no que tinha sonhado, parecia tão real, como se eu realmente tivesse vivido aquilo. Não passou despercebido a mim um cheiro realmente doce e inebriante que dominava o meu quarto. Eu fiquei um tempo sentada na beira da cama tentando entender como eu poderia me apaixonar por uma invenção da minha cabeça. O barulho do despertador me assustou, decidi me levantar e me arrumar para ir à escola.
Ao sair de casa notei como no dia anterior o Volvo prata parado no fim da minha rua, e assim como ontem, quando notou que eu fitava o carro, deu marcha ré e seguiu adiante. Esqueci disso assim que entrei na minha picape e segui para a escola. Mas eu me sentia sendo vigiada, não num sentido ruim, apenas como se me sentisse segura.
A minha primeira semana foi tranqüila, sentava com Jéssica e seus amigos na hora do almoço, apesar de notar que ela apreciava mais a atenção que os outros davam a ela do que a minha amizade. Eu não sabia se queria ficar sozinha ou fingir que não via que ela era uma interesseira. Decidi por fingir, afinal eu era nova na cidade e não tinha amigos. E já que a vida foi tão legal aponto de colocar no meu caminho cinco pessoas que estavam dispostas a serem meus "amigos" — cada um com seu interesse, claro — eu não iria recusar. A única pessoa que eu sabia que poderia formar uma amizade realmente verdadeira era Ângela, acho que foi mais por ela que eu decidi fingir e aceitar. Já que ela fazia parte do circulo social de Jéssica. Aos poucos eu me acostumei com o ritmo das aulas e dos professores, mas ficava ansiosa quando chegava a hora do almoço. Todos os dias desta semana eu entrava no refeitório e os meus olhos saltavam para a mesa dos Cullen. Na minha cabeça o meu sonho parecia mais real. Se Edward sabia da existência deles, e o que eles eram, talvez ele não fosse uma criação da minha cabeça. Tá legal Bella, agora você pirou. O Volvo prata apareceu todos os dias. De uma forma estranha eu não me sentia incomodada, me sentia protegida, como se nada de ruim fosse acontecer comigo, porque o dono — ou dona — do carro estava me protegendo do perigo. Ele era um observador. Melhor, um protetor secreto, se é que isso existe.
N/A ²: Dessa vez não tem spoiler, mas o capítulo quatro já está quase pronto.
Respondendo as reviews:
Tamy: Que bom que você gostou. O sonho na verdade foi o que deu origem a fic. A idéia original era fazer o Edward não-vegetariano, mas eu fiquei com pena. Eu amo ele de olhos dourados.
Tata Black: Obrigada. Bom saber que te agradou. Postando.
Isabella Campbell: Sua ansiosidade será saciada. Capítulo 3 on.
Relembrando... Reviews.
