Harry havia arrastado o sofá de quatro lugares para próximo da janela e lá ficou esparramado apenas observando as estrelas brilharem lá no ceu negro da noite.

Era véspera do dia do baile e a sua última aula daquele ano letivo tinha acabado há algumas horas e ele não conseguira encontrar nenhuma companheira para o baile. Sabia que Draco também não tinha nenhuma e ele não conseguia acreditar que os dois iriam ir sozinhos ao baile.

Nenhuma parceira.

Apenas um com os outros.

É aquela detenção ainda não havia acabado e temia que Dumbledore realmente cumprisse o que havia falado e deixar os dois presos em Hogwarts até se conhecerem realmente e se tornarem amigos.

Ele não sabia se isso realmente aconteceria.

Escutou um barulho vindo da escada e olhou para lá vendo o loiro descendo com sua cara amassada de sono e cabelo todo bagunçado.

Sentiu uma enorme vontade de rir de toda aquela cena, mas continuou em silêncio apenas reparando no que estava para acontecer.

Draco pegou a jarra de água e encheu um copo tomando-o rapidamente antes de se seguir em direção ao moreno que estava o encarando com uma cara marota e sentou-se no sofá sem nem reparar que antes lá tinha uma perna que foi rapidamente tirada.

- Não fale nada! – Exclamou irritado olhando para o chão com as duas mãos presas entre os cabelos.

- Eu não ia dizer nada. – Rebateu Harry se sentando ainda olhando para os finos fios loiros caídos pela face pálida parada em sua frente.

Alguns segundos se passaram quando Draco olhou para o moreno e perguntou irritado:

- Vai ficar parado ai sem falar nada?

Harry se assustou com a pergunta e ficou curioso para saber o que estava acontecendo, e abriu a boca para saber quando foi cortado:

- Não comece. Não estou a fim de ficar ouvindo você falar!

Assim que terminou de falar se levantou e voltou para o quarto pisando duro sob o olhar atento e intrigado sobre o que é que estava errado com o loiro.

Harry voltou a deitar no sofá olhando as estrelas, começando a sentir a leve fragrância do perfume que sentira há alguns dias. E que, a partir desse mesmo dia, começara a gostar.

Começava a ficar com sono quando decidiu ir para o quarto tomar um banho morno para deitar e se levantou tranquilamente, sem nenhuma preocupação com as altas horas da noite, já que não teria que levantar cedo.

Assim que entrou no quarto, pegou uma camiseta fresca e larga para dormir naquele calor quando escutou um fraco gemido de dor.

Rapidamente olhou para o outro canto do quarto vendo a fonte do gemido se contorcendo sobre um bolo de lençol e roupas encharcadas de suor.

Com grandes passos chegou à cama de Draco vendo-o morder fortemente os lábios a ponto de um pequeno filete de sangue escorrer dos lábios finos e rosas para a pele alva do pescoço.

Levantou uma mão para poder acordá-lo, uma vez que sabia como era ruim ter pesadelos desse tipo, mas suas mão parou no meio do caminho.

Não sabia se era certo fazer isso e tinha certeza de que iria causar uma grande raiva em Draco. O loiro não gostava que se metessem em seus assuntos, mas ele não podia deixar aquilo continuar quando escutou outro gemido de dor, dessa vez mais alto do que o outro.

- Draco...

Chamou-o com cuidado sacudindo seu ombro com cuido, mas esse gesto fez os dentes cravarem mais ainda nos lábios e ele rapidamente tirou a sua mão de lá o chamando mais alto dessa vez.

Mais uma fez, chamou-o, porém dessa vez duas grandes fendas azuis se abriram enquanto se levantava rapidamente da cama, assustando Harry que caiu sentado no chão.

- O que é que você faz aqui? – Draco questionou parecendo irritado, porém com um ar de alivio.

- E-Eu... Você estava se contorcendo ai na cama. – Harry falou se levantando do chão sob o olhar atento do outro e se aproximou. – Vim ver o que estava acontecendo.

- Está tudo bem, pode ir dormir e me deixar em paz.

O moreno não prestou muita atenção ao que escutara e se aproximou levantando sua mão com a sua camiseta limpando o pouco de sangue que estava ali.

Draco fechou os olhos e um arrepio percorreu todo o seu corpo quando sentiu que as mãos do moreno estavam passeando pelo seu pescoço subindo lentamente até seus lábios.

- O que aconteceu com você? – Harry perguntou meio vacilante olhando os olhos fechados de Draco e sua boca um pouco aberta. – Você parecia ser torturado...

Os olhos foram abertos rapidamente e se olhando para as duas esmeraldas em sua frente.

- Isso não é da sua conta! – Exclamou e olhou para baixo vendo a camisa na mão de Harry com um pouco de sangue e ficou meio temeroso.

- Vem, - Harry falou levantando-o pelos braços. – Um banho vai te acalmar.

- Eu não quero tomar um banho...

- E eu ligo para o que você quer? – Perguntou o moreno já arrastando o loiro para dentro de um dos dois Box do banheiro ligando o chuveiro com água fria.

Ainda sobre protestos e de roupa, Malfoy entrou embaixo da água que começava a percorrer todo o seu corpo, tirando todo o mal estar que estava preso em seu corpo.

Ele não estava preocupado com o que havia acontecido, ele sempre tinha aquele mesmo sonho, mas daquela vez tinha o sangue e aquilo nunca havia acontecido antes. Queria saber o porque dessa vez ter sido diferente das outras tantas vezes.

Escutou o barulho da água caindo ao seu lado e o foco de seus pensamentos mudou completamente.

A imagem das gotas de água percorrendo todo o corpo ali ao seu lado fez despertar uma fera dentro dele, uma fera que estava louca para finalmente ter o que tanto desejara nestes quatro últimos anos.

Teve uma vontade enorme de abrir os seus olhos para olha-lo, mas não tinha certeza de que conseguiria frear essa louca vontade de sentir aquele corpo junto ao seu e tinha medo do que poderia acontecer. Temia que nunca pudesse ter o que tanto desejava, mesmo tendo quase certeza de que não teria nem a mínima chance de acontecer.

O chuveiro ao lado parou. O som da toalha se mexendo. O som da porta se abrindo e fechando.

Agradeceu mentalmente por estar com água gelada em volta do corpo. Não tinha certeza de como teria sido a reação do seu corpo ao momento que havia acabado de passar.

Eles nunca tomaram um banho ao mesmo tempo. Teve uma vez em que esperou o moreno ir tomar banho para ir logo que o banho começasse, mas assim que entrou no banheiro. Harry saiu rapidamente sem terminar o banho, uma vez que era possível ver um monte de espumas espalhadas pelo corpo.

Suspirou tirando as roupas para deixar a água tocar livremente sua pele.

Alguns minutos depois ele saiu do banho e viu uma troca de roupa sua na pia e sorriu.

- Você não existe Harry. – sussurrou feliz por saber que algum estava preocupado com ele, mesmo sendo por pouco tempo.

Assim que saiu do banheiro, olhou para o moreno que estava deitado na sua cama encarando o teto e caminhou em direção a sua cama.

Não queria voltar para lá. Estava um tanto preocupado se voltaria a ter o mesmo sonho outra vez e isso era visível em seus passos temerosos para chegar até lá.

- Sua cama está molhada de suor. – Harry falou continuando olhar para o teto. – Não vai ser um bom lugar para terminar de dormir.

- E onde você acha que eu vou dormir? – Perguntou o loiro começando a ficar irritado com a petulância do outro. – Eu não vou dormir no sofá.

- Não disse para você dormir lá. – Harry falou se sentando na cama olhando para o outro. – Você pode dormir aqui na minha cama. Eu durmo no sofá.

Draco se assustou com o que o moreno havia falado. Como era possível ele querer dar a sua cama para ele dormir, enquanto teria que ir para o sofá.

Por um momento pensou na possibilidade de fazer o que havia sido falado, mas depois lembrou o quanto Harry havia feito para ele naquela noite e mudou de ideia sem pensar duas vezes.

Poderia parecer pouca coisa o que Harry havia feito para o loiro, mas era a primeira vez que alguém, diferente de sua mãe, se preocupava com ele. E isso ajudara a crescer um pouco tudo o que ele sabia que sentia pelo outro.

Ele não poderia fazer aquilo.

- Isso não é justo. – falou se aproximando do outro que se levantava pegando o travesseiro.

- Eu não ligo. – Harry falou sorrindo – Já estou acostumado.

"Você não liga? Mas eu ligo.", pensou irritado "Quer parar de sorrir desse jeito?! Quer me matar?".

Uma ideia completamente nova surgiu na cabeça do Slytherin e não poderia deixar passar uma oportunidade como aquela. Alias se a vida lhe da uma cesta cheia de limões, porque não fazer uma limonada?

- Tudo bem – Falou sorrindo – Mas com uma condição.

- Que condição? – perguntou o jovem moreno curioso – O que é que você quer em troca?

- Que você deite ai também.

- O que? – Quase gritou o moreno de susto. – Não! Não... Não.

- A, qual é o problema? Sei que sou gostoso e tudo mais, mas não precisa ficar com medo de não conseguir se segurar. Eu sei me defender, caso você me ataque.

A cara que o moreno fez se passou por todas as possíveis. Susto. Raiva. Indignação. Ódio. Surpresa. Raiva. Felicidade. Ódio. Indecisão.

Draco sabia que o moreno iria reagir mal a aquela frase, mas estava mais preocupado mesmo era se ELE conseguiria não atacar o moreno no meio da noite.

Sabia que sempre queria saber como seria dormir alguma vez com Harry Potter na mesma cama, e essa era a chance perfeita. Pelo menos uma das tantas coisas que gostaria de fazer com o "testa rachada" ele poderia fazer e não deixaria passar tão fácil.

- Vamos. Eu não vou me aproveitar do indefeso e inocente Potter no meio da noite.

O moreno havia sorrido como se aquilo que o que o loiro havia falado era uma tremendo engano o que fez o Malfoy ficar bem intrigado com a situação.

- Ok.

Foi tudo o que ele disse antes de voltar a deitar na cama, deixando um espaço para que o outro pudesse se deitar.

Quando havia visto que as duas camas do quarto era tão grande, Draco gostara tanto, mas, uma vez que ele estava passando por aquela experiência, ele começara a odiar a ideia.

Se a cama fosse menor, eles teriam que ficar próximos e ele poderia sentir todo aquele corpo perto do seu em uma situação que não fosse a de briga com socos e pontas-pé e ferimentos.

Mexeu-se um pouco na cama para ficar mais próximo, conseguindo ficar um pouco mais próximo e sorriu ao sentir a cocha grossa do outro encostando um pouco na sua.

Como adorava saber que o moreno era tão lesado a ponte de nem se lembrar de recorrer à magia. Poderia muito bem deixar a cama como se fosse nova em instantes, mas ele estava tão bem aconchegado ali que esqueceria desse fato, apenas por hora.