A Imperatriz do trono do Dragão.
Cap.IV
Estava no palácio há duas semanas e não recebera ainda nenhum chamado do Imperador. Não vira sua família, nem mesmo a Mai Ling, nem tão pouco Shaoran se aproximara dela. Como nunca mais atravessara os portões da Cidade Proibida, não pudera tornar a vê-lo em seu posto. Nesse estranho isolamento ter-se-ia sentido infeliz e muito mais sozinha, se não tivesse a sua criada. Assim que tinha sido escolhida, Sakura fora levada para seu quarto, onde uma criada, que explicaram que seria apenas sua, estava a sua espera. Seu nome era Tomoio, e rapidamente, apesar de muito diferentes, se tornaram grandes amigas. Tomoio também fora tomada muito cedo de sua família para servir no palácio, e tinha praticamente a mesma idade de Sakura. Tomoio tinha um pouco mais de contato sobre o que acontecia no palácio do que Sakura, já que podia, ao menos, se comunicar com outras criadas.
Naquela manhã, Sakura acordara cedo. O cetim da colcha prendeu-se na pele áspera de suas mãos e ela disse baixinho, para si mesma:
-Nunca mais lavarei roupas, nem apanharei água quente, nem morei farinha. Não é isso a felicidade?
Mas sentiu, ao mesmo tempo que pensava isso, um grande aperto no coração.
Tomoio já havia acordado antes, e trazia agora para ela as mais delicadas iguarias, pois tudo o que a Viúva Mãe deixava de lado era dado ás concubinas, e havia abundância de todas as variedades de comida.
Após comer e se trocar ela pensou que estava ficando realmente aborrecida com tudo aquilo, aquele tempo sobrando, e Sakura decidiu que não seria como as outras concubinas, que apenas bordavam e conversavam o dia todo, não queria de maneira nenhuma ser tão fútil.
Preparando-se, começou desde aquele dia a ler os memoriais que vinham do trono, estudando cada palavra dos editos que o Imperados expedia. Informava- se, assim, sobre o reino e estaria pronta caso os deuses resolvessem impeli- la para adiante. Lentamente, começou a compreender a vastidão do país e do seu povo. Seu mundo havia sido a cidade de Pequim, onde passara da infância á adolescência. Dentro de Pequim, ficava a que era chamada a Cidade do Imperador, ou Cidade Proibida, pois ele era o seu rei, seu homem solitário, e somente ele podia dormir nela, á noite. Quando caia o crepúsculo, os tambores soavam por toda a parte, avisando a todos os homens que partissem. O Imperador ficava sozinho entre as suas mulheres e seus eunucos.Sua brilhante imaginação voava dos portões de sua real prisão e viajava por todas as regiões descortinadas pelos seus olhos nas páginas dos livros que lia. Através dos ditos imperiais aprendia mais ainda. Aprendia que uma poderosa rebelião estava se erguendo ao sul, odioso fruto de uma religião estrangeira. A ao ler tudo isso, uma idéia começou a se formar.
Foi em um dia como este, quando Sakura estava na biblioteca que, levantando a cabeça de um livro, notou que Tomoio lhe olhava de umas das portas que levavam para a sacada daquela sala. Assim que notou que finalmente havia sido vista, ela colocou o dedo nos lábios e, com um sinal do leque, indicou- lhe que a acompanhasse ao pavilhão situado do lado de fora da biblioteca. Em silêncio, deslizando sobre o assoalho com seus sapatos se sola de pano, Tomoio seguiu na frente e somente parou quando não havia perigo de despertarem a atenção de ninguém.
- Tenho novidades, disse.
- Que novidades? Sakura perguntou.
- A jovem consorte concebeu!
Mai Ling! Não tornara a ver prima, depois que atravessaram os portões Imperiais. Mai ling era a consorte, em substituição á irmã morta, ao passo que ela, Sakura, não passava de uma concubina. Mai Ling fora chamada a cama do Imperador e cumprira o seu dever. Se Mai Ling gerasse um filho, ele seria o herdeiro do trono do dragão e ela se tornaria Imperatriz Mãe. E ela, Sakura, continuaria sendo apenas uma concubina. Fora para tão pequena recompensa que destruíra, talvez, o que poderia ser o amor de sua vida? O coração inchou-lhe no peito.
- Há provas de concepção? Perguntou.
- Há, retrucou Tomoio. -A serva dela disse para mim que este mês, pela segunda vez, não houve sinal de sangue.
- E então? Inquiriu.
Ela sabia que agora, apenas o destino poderia ser seu aliado. Mai Ling poderia dar a luz a uma menina. E assim não haveria herdeiro, até que nascesse um menino, cuja mãe seria a Imperatriz.
- O Imperador cumpriu seu dever para com a senhora morta, Agora sua fantasia divagará.
Ela permaneceu em silêncio. A fantasia do Imperdor poderia voltar-se para o seu lado!
- Infelizmente, você deve estar pronta, continuou ela. - Minha opinião é que dentro de seis ou sete dias, ele pensara numa concubina.
As duas voltaram para o quarto em silêncio, Sakura esquecendo-se completamente dos seus livros. Assim que chegaram, mal teve tempo Tomoio de fechar as portas, e Sakura já caia em seus braços, soluçando. Tomoio sabia como ela tentava ser forte, mas que aquilo estava sendo muito para apenas uma pessoa, e chorou junto com ela.
E realmente aconteceu, e mais cedo do que pensavam. Apenas três dias depois, no meio da noite - não sabia que horas eram - foi acordada por duas mão que lhe sacudiam os ombros. Lutando por abrir os olhos, ouviu a voz de sua querida serva.
- Acorde, acorde, Sakura! Você foi chamada! O filho do Céu chama-a...
E ela acordou instantaneamente. Seu espírito tornou-se forte e alerta, pois havia tido tempo para preparar um plano para quando isso acontecesse. Afastou a colcha de seda e pulou do alto leito. Ajoelhou-se na banheira, a servas que haviam sido chamadas para apronta-la ensaboaram-lhe bem o corpo e depois jogaram água morna por cima. Sakura submeteu-se sem uma palavra, e foi assim, muda, que seguiu ao encontro do Imperador.
Na escura suavidade da noite de verão, Sakura seguiu o Eunico-Chefe, que havia ido busca-la, através das estreitas passagens da cidade. Ele empunhava uma lanterna de papel oleado e a vela que ardia e seu interior iluminava um fraco círculo de luz que guiava a jovem. Atrás dela, caminhava sua serva.
Embora nunca tivesse estado no palácio do Imperador, Sakura sabia, como sabiam todas as concubinas, que era situado no coração da Cidade Proibida, em meio aos jardins imperiais. Ela passou pelo altar e chegou ao portão de entrada do pátio do palácio particular do Imperador. Abriu-se silenciosamente diante dela e o Eunuco conduziu-a através de um vasto pátio interno a um grande salão e depois a outros corredores, silenciosos e vazios, até alcançar dois altos portões de duplos, esculpidos com dragões de ouro.
De súbito, o Eunico-chefe viu que Sakura carregava seu cãozinho espreitando no colo.
- Não pode levar o cão ao quarto do Imperador, disse ele secamente.
Sakura ergueu a cabeça e fitou-o nos olhos
- Então também não entrarei, retrucou.
As palavras eram ousadas, mas ela proferiu com uma voz macia e indiferente, como se pouco lhe importasse entrar ou não.
O Eunuco mostrou-se surpreso.
- Desafia o Filho de Céu? Inquiriu.
Ela não respondeu, limitando-se a acariciar a cabecinha do cão.
Nesse momento, a cortina atrás do Eunuco chefe foi afastada e surgiu a cabeça de um outro eunuco.
- Pergunta-se a razão da demora, exclamou. - Pergunta-se se Ele próprio deve vir tomar as providências necessárias!
O Eunuco-chefe protestou, porém Sakura continuou a fitá-lo com seus grandes olhos inocentes, e que mais podia ele fazer senão ceder? Então ele puxou as cortinas, abriu as portas, e fez-lhe sinal que entrasse. Desta vez ela entrou sozinha. As cortinas caíram atrás dela e encontrou-se diante do Imperador.
Ele estava sentado na enorme cama imperial, erguida sobre uma plataforma. O leito era de bronze, de bronze as colunas pelas quais subiam dragões esculpidos. Do alto das colunas, presos por uma armação de bronze, pendiam redes de fios de ouro, tecidas em forma de flores e de frutos entre dragões de cinco garras, enroscados. O Imperador sentava-se sobre um colchão forrado de cetim amarelo e suas pernas achavam-se cobertas por uma colcha também de cetim amarelo, com dragões bordados. E atrás dele havia alta almofadas do mesmo cetim, nas quais se recostava. Vestia uma camisola de seda vermelha, com s mangas amarradas aos punhos, gola alta cerrando-se ao redor do pescoço, e suas mãos débeis e macias estavam cruzadas, O rosto comprido e estreito parecia pender da testa demasiado ampla e protuberante. Olharam-se, e ele fez-lhe sinal para que se aproximasse. Sakura avançou lentamente, os olhos fixos na face dele. Quando estava perto, tornou a parar.
- Você é a primeira mulher que entra nesse quarto com a cabeça erguida, disse ele numa voz aguda e fina. - Todas tem sempre medo de olhar-me.
- Não estou com medo, disse Sakura de maneira suave e categórica. - Vede, trouxe o meu cachorrinho.
As servas tinham-lhe dito como deveria dirigir-se ao Filho do Céu. Não devia trata-lo como se fosse apenas um mortal, mas como "Altíssimo", "Venerável", e este tipo de palavras de tratamento. Mas Sakura comportava- se perante o Imperador como se fosse um homem.
Acariciou de novo a cabeça macia do cão e olhou para baixo.
- Venha, sente-se ao meu lado, ordenou-lhe. - Diga-me por que não tem medo de mim.
Ela galgou a plataforma e sentou-se na extremidade do leito, encarando-o e segurando o cachorrinho. O pequeno animal aspirou o ar perfumado, espirrou e ela riu.
- Que perfume é esse que faz meu cão espirrar? Inquiriu.
- É cânfora, tornou o Imperador. - Mas conte-me por que não tem medo.
Sakura sentiu o seu olha perscrutando-lhe a face, os lábios, as mãos que acariciavam o cãozinho e tremeu um súbito calafrio, mas recompondo-se rapidamente, forço-se a falar docemente, timidamente, como se fosse ainda uma menina.
-Não temo porque conheço o meu destino, disse ela.
- E como conhece o seu destino? Perguntou ele, começando a divertir-se, os lábio finos curvados para cima, os olhos sombrios agora menos frios.
- Quando fui chamada de minha casa, disse ela na mesma voz doce e tímida, -Entrei no pátio da residência do meu tio, que é meu tutor por que meu pai faleceu, e dirigi-me ao altar que fica debaixo da romãzeira e orei ao deus Kuan Yin. Acendi o incenso e então...
Fez uma pausa, seus lábios estremeceram, tentou sorrir.
- E então? Indagou o Imperador, como que enfeitiçado com aquelas palavras.
- Não havia vento nesse dia, disse ela. - A fumaça do incenso ardente elevou-se em linha reta do sobre o altar. Foi então que ouvi uma voz, me falando claramente.
- E o que dizia essa voz? Sussurrou o Imperador, já com um pouco de medo.
- Dizia que eu deveria ser a clareza de alguém que precisava de minha ajuda. Que deveria guiar este estava com tantos problemas, mais do que merecia Que eu precisava ser uma serva, mas, mais do que isso, uma irmã, que este era o meu chamado.
O Imperador estava boquiaberto.
- E a fumaça do incenso, continuou ela. - Abriu-se numa nuvem fragrante e dentro da nuvem vi uma face...
- A face de um homem, repetiu ele.
Sakura cabeceou afirmativamente, como costumam fazer as crianças tímidas.
- Era o meu rosto? Perguntou ele.
- Sim, majestade. O vosso rosto imperial!
- Oh! Foi apenas o que disse o Imperador naquele momento.
Sakura estava muito feliz, pois notava que seu plano estava dando certo. Ela sabia, depois de muito analisar escritos e livros na biblioteca, e de mandar Tomoio subornar alguns eunucos, que o Imperador era muito superticioso, e que o deus que mais temia era Kuan Yin, pois esse era o deus favorito do professor do Imperador quando esse era ainda uma criança, e ensinara a ele que apenas esse deus ainda fazia milagres, e que todas as suas ordens deveriam ser cumpridas, como sagradas que eram. Quando descobriu isso, arquitetou rapidamente o seu plano, e ia fazer com que o Imperador a tivesse em alto estima, mas nunca a tomasse como concubina que era.
- Mas... mas isso é ótimo! Disse o Imperador. - Meu amado deus me protegeu novamente! Mandou-me alguém para aconselhar-me, e uma mulher, que ninguém desconfiará, e que não poderá almejar tomar meu poder!
E, virando-se para Sakura, continuou:
- Há tantas guerras pelo país, e mais uma nova revolução está iniciando-se. Todos me aconselham, mas todos são também gananciosos, e desejam apenas o meu poder. Minha venerável mãe diz que, como sou o escolhido, todas as minhas decisões ajudaram o povo, mas ela de nada compreende sobre gerras.
E deitando a cabeça no colo de Sakura, começou a soluçar baixinho:
- É tão difícil...Não mereço ser incomodado o tempo todo com tantas perguntas, e ser obrigado a meditar horas sobre as respostas...Deveria apenas aproveitar meus palácios, meus criados...
E enquanto era consolado por Sakura, dormiu.
Passaram-se dois dias, duas noites, e ela continuava ainda no quarto real. Três vezes ele adormecera e cada vez Sakura corria à porta e chamava Tomoio, que entrava na ponta dos pés até o bandoir. Os eunucos já tinham preparado um banho rápido, de modo que à serva bastava derramar água no grande jarro de porcelana e refrescar do novo sua senhora. Trazia roupas limpas, escovava os cabelos de Sakura e enrola-os suavemente. Cada vez depois de terminada a tarefa, Sakura tornava a entrar no quarto imperial e as pesadas portas cerravam-se atrás das cortinas amarelas. No interior do vasto aposento ela sentava-se numa cadeira perto da janela, esperando até que o Imperador acordasse. Sabia agora o que era aquele homem, um pobre ser mimado e egocêntrico, que quando se sentia derrotado, soluçava sobre o peito dela. Aquele era o Filho do Céu!
E rapidamente a permanência de Sakura era do conhecimento de todos, nos dias seguintes. A notícia, transmitida de boca em boca, percorreu todos os pátios como o vento, e certo dia, ao encontrar-se rapidamente com Tomoio, essa disse:
- Todos estão dizendo que nunca uma concubina ficou tanto tempo com o filho do Céu. A própria consorte passou apenas uma noite por vez com ele. Lien, o eunuco, diz que a senhora é a favorita, agora. Não tem mais nada a temer.
Sakura sorriu, mas seus lábios tremiam.
- Dizem isso? Observou, endireitando-se e movimentando-se com a sua graça habitual.
No entanto, depois de banhada, vestida em lindas vestes mandadas pelo Imperador e já de volta em seu quarto, começou a sentir medo novamente. E se o Imperador mudasse de idéia? E se a forçasse, na próxima vez? Ela não agüentava os dias que tivera que passar naquele quarto, e devia permanecer silenciosa enquanto vivesse, pois não podia falar sobre isso, a fraqueza do Imperador, com ninguém. Estava só, e nunca suspeitara que fosse possível tamanha solidão.
Ninguém? Ela tentava negar para si mesma, mas precisava vê-lo... afinal, era ou não era seu parente? Sentou-se na cama, enxugou os olhos e bateu palmas chamando a serva.
- Sim? Perguntou Tomoio, entrando rapidamente, preocupada.
- Mande-me o eunuco Lien, ordenou Sakura
Tomoio afastou-se, ainda em dúvida, para procurar o eunuco que, ela e Sakura haviam comentado, estava sempre muito perto para atender as ordens de Sakura, depois que essa havia virado a favorita. O eunuco veio rápido e ansioso.
- Que desejais, que desejais, minha senhora Fênix? Indagou ele ao chegar a porta.
Sakura afastou a cortina. Tinha vestido um manto escuro e sombrio e sua face estava pálida e grave. Havia sombras sobre seus olhos, porém falou com alta dignidade:
- Traga agora aqui meu parente, meu primo, Shaoran Li.
Continua....
Gente, espero que vcs gostem desse cap. Viu como eu não sou tão malvada... em tudo se dá um jeito, hehehe. Bem, eu enrolei novamente.. era pro Eriol ter aparecido finalmente, mas não deu.. . mas tudo bem..., pelo menos a Tomoio já ta aí... Os fãs do eriol vão gostar, acho, da posição que ele vai ter.... espero...
Valeu, novamente, pelos reviews de vcs! Me deixam muuito feliz!
Júlia: que bom que você ta adorando! Como você viu, ela foi mesmo escolhida, mas vamos ver como vão ficar as coisas entre ela e o Shaoran, ok? Deu,, vc pediu, tá citada.^^
Serenite: Pow, nem sou tão malvada não.. se eu fosse má, a Sakura ia acabar sendo uma concubina comum, e naum foi oque aconteceu, hehe. Que bom que você não achou nenhum erro.. eu tento tomar o máximo de cuidado com isso,espero q vc tenha gostado desse cap.
Lara: Bem, o Imperadpor não é muito bonito não.. mas isso é ateh bom, pq daí não tem risco da Sakura esquecer o Shaoran, neh? Valeu mesmo pelos elogios!
Anna Li kinomoto: Ah, que bom que você gostou!Sua opinião é muito bem vinda! Adoro as suas fics!
Letícia: desculpa se demorei demais pra atualizar. brigada pelo elogio! ^_^
NiNa-Chan: Poxa, todo mundo falando que eu sou má! Hehehe, que bom que vc tá gostando, nem se preocupa que eu vou dar um jeito pra eles ficarem juntos.. (só não sei qual vai ser ainda.. -_-' ) Também acho suas fics muito fofas!
Brigada pra todo mundo que me mandou comentários direto pro e-mail tb.. desculpa não citar vcs agora, mas o chato do hotmail não tá abrindo agora...entao vou responder direto pra vcs por e-mail depois, ok??
Cap.IV
Estava no palácio há duas semanas e não recebera ainda nenhum chamado do Imperador. Não vira sua família, nem mesmo a Mai Ling, nem tão pouco Shaoran se aproximara dela. Como nunca mais atravessara os portões da Cidade Proibida, não pudera tornar a vê-lo em seu posto. Nesse estranho isolamento ter-se-ia sentido infeliz e muito mais sozinha, se não tivesse a sua criada. Assim que tinha sido escolhida, Sakura fora levada para seu quarto, onde uma criada, que explicaram que seria apenas sua, estava a sua espera. Seu nome era Tomoio, e rapidamente, apesar de muito diferentes, se tornaram grandes amigas. Tomoio também fora tomada muito cedo de sua família para servir no palácio, e tinha praticamente a mesma idade de Sakura. Tomoio tinha um pouco mais de contato sobre o que acontecia no palácio do que Sakura, já que podia, ao menos, se comunicar com outras criadas.
Naquela manhã, Sakura acordara cedo. O cetim da colcha prendeu-se na pele áspera de suas mãos e ela disse baixinho, para si mesma:
-Nunca mais lavarei roupas, nem apanharei água quente, nem morei farinha. Não é isso a felicidade?
Mas sentiu, ao mesmo tempo que pensava isso, um grande aperto no coração.
Tomoio já havia acordado antes, e trazia agora para ela as mais delicadas iguarias, pois tudo o que a Viúva Mãe deixava de lado era dado ás concubinas, e havia abundância de todas as variedades de comida.
Após comer e se trocar ela pensou que estava ficando realmente aborrecida com tudo aquilo, aquele tempo sobrando, e Sakura decidiu que não seria como as outras concubinas, que apenas bordavam e conversavam o dia todo, não queria de maneira nenhuma ser tão fútil.
Preparando-se, começou desde aquele dia a ler os memoriais que vinham do trono, estudando cada palavra dos editos que o Imperados expedia. Informava- se, assim, sobre o reino e estaria pronta caso os deuses resolvessem impeli- la para adiante. Lentamente, começou a compreender a vastidão do país e do seu povo. Seu mundo havia sido a cidade de Pequim, onde passara da infância á adolescência. Dentro de Pequim, ficava a que era chamada a Cidade do Imperador, ou Cidade Proibida, pois ele era o seu rei, seu homem solitário, e somente ele podia dormir nela, á noite. Quando caia o crepúsculo, os tambores soavam por toda a parte, avisando a todos os homens que partissem. O Imperador ficava sozinho entre as suas mulheres e seus eunucos.Sua brilhante imaginação voava dos portões de sua real prisão e viajava por todas as regiões descortinadas pelos seus olhos nas páginas dos livros que lia. Através dos ditos imperiais aprendia mais ainda. Aprendia que uma poderosa rebelião estava se erguendo ao sul, odioso fruto de uma religião estrangeira. A ao ler tudo isso, uma idéia começou a se formar.
Foi em um dia como este, quando Sakura estava na biblioteca que, levantando a cabeça de um livro, notou que Tomoio lhe olhava de umas das portas que levavam para a sacada daquela sala. Assim que notou que finalmente havia sido vista, ela colocou o dedo nos lábios e, com um sinal do leque, indicou- lhe que a acompanhasse ao pavilhão situado do lado de fora da biblioteca. Em silêncio, deslizando sobre o assoalho com seus sapatos se sola de pano, Tomoio seguiu na frente e somente parou quando não havia perigo de despertarem a atenção de ninguém.
- Tenho novidades, disse.
- Que novidades? Sakura perguntou.
- A jovem consorte concebeu!
Mai Ling! Não tornara a ver prima, depois que atravessaram os portões Imperiais. Mai ling era a consorte, em substituição á irmã morta, ao passo que ela, Sakura, não passava de uma concubina. Mai Ling fora chamada a cama do Imperador e cumprira o seu dever. Se Mai Ling gerasse um filho, ele seria o herdeiro do trono do dragão e ela se tornaria Imperatriz Mãe. E ela, Sakura, continuaria sendo apenas uma concubina. Fora para tão pequena recompensa que destruíra, talvez, o que poderia ser o amor de sua vida? O coração inchou-lhe no peito.
- Há provas de concepção? Perguntou.
- Há, retrucou Tomoio. -A serva dela disse para mim que este mês, pela segunda vez, não houve sinal de sangue.
- E então? Inquiriu.
Ela sabia que agora, apenas o destino poderia ser seu aliado. Mai Ling poderia dar a luz a uma menina. E assim não haveria herdeiro, até que nascesse um menino, cuja mãe seria a Imperatriz.
- O Imperador cumpriu seu dever para com a senhora morta, Agora sua fantasia divagará.
Ela permaneceu em silêncio. A fantasia do Imperdor poderia voltar-se para o seu lado!
- Infelizmente, você deve estar pronta, continuou ela. - Minha opinião é que dentro de seis ou sete dias, ele pensara numa concubina.
As duas voltaram para o quarto em silêncio, Sakura esquecendo-se completamente dos seus livros. Assim que chegaram, mal teve tempo Tomoio de fechar as portas, e Sakura já caia em seus braços, soluçando. Tomoio sabia como ela tentava ser forte, mas que aquilo estava sendo muito para apenas uma pessoa, e chorou junto com ela.
E realmente aconteceu, e mais cedo do que pensavam. Apenas três dias depois, no meio da noite - não sabia que horas eram - foi acordada por duas mão que lhe sacudiam os ombros. Lutando por abrir os olhos, ouviu a voz de sua querida serva.
- Acorde, acorde, Sakura! Você foi chamada! O filho do Céu chama-a...
E ela acordou instantaneamente. Seu espírito tornou-se forte e alerta, pois havia tido tempo para preparar um plano para quando isso acontecesse. Afastou a colcha de seda e pulou do alto leito. Ajoelhou-se na banheira, a servas que haviam sido chamadas para apronta-la ensaboaram-lhe bem o corpo e depois jogaram água morna por cima. Sakura submeteu-se sem uma palavra, e foi assim, muda, que seguiu ao encontro do Imperador.
Na escura suavidade da noite de verão, Sakura seguiu o Eunico-Chefe, que havia ido busca-la, através das estreitas passagens da cidade. Ele empunhava uma lanterna de papel oleado e a vela que ardia e seu interior iluminava um fraco círculo de luz que guiava a jovem. Atrás dela, caminhava sua serva.
Embora nunca tivesse estado no palácio do Imperador, Sakura sabia, como sabiam todas as concubinas, que era situado no coração da Cidade Proibida, em meio aos jardins imperiais. Ela passou pelo altar e chegou ao portão de entrada do pátio do palácio particular do Imperador. Abriu-se silenciosamente diante dela e o Eunuco conduziu-a através de um vasto pátio interno a um grande salão e depois a outros corredores, silenciosos e vazios, até alcançar dois altos portões de duplos, esculpidos com dragões de ouro.
De súbito, o Eunico-chefe viu que Sakura carregava seu cãozinho espreitando no colo.
- Não pode levar o cão ao quarto do Imperador, disse ele secamente.
Sakura ergueu a cabeça e fitou-o nos olhos
- Então também não entrarei, retrucou.
As palavras eram ousadas, mas ela proferiu com uma voz macia e indiferente, como se pouco lhe importasse entrar ou não.
O Eunuco mostrou-se surpreso.
- Desafia o Filho de Céu? Inquiriu.
Ela não respondeu, limitando-se a acariciar a cabecinha do cão.
Nesse momento, a cortina atrás do Eunuco chefe foi afastada e surgiu a cabeça de um outro eunuco.
- Pergunta-se a razão da demora, exclamou. - Pergunta-se se Ele próprio deve vir tomar as providências necessárias!
O Eunuco-chefe protestou, porém Sakura continuou a fitá-lo com seus grandes olhos inocentes, e que mais podia ele fazer senão ceder? Então ele puxou as cortinas, abriu as portas, e fez-lhe sinal que entrasse. Desta vez ela entrou sozinha. As cortinas caíram atrás dela e encontrou-se diante do Imperador.
Ele estava sentado na enorme cama imperial, erguida sobre uma plataforma. O leito era de bronze, de bronze as colunas pelas quais subiam dragões esculpidos. Do alto das colunas, presos por uma armação de bronze, pendiam redes de fios de ouro, tecidas em forma de flores e de frutos entre dragões de cinco garras, enroscados. O Imperador sentava-se sobre um colchão forrado de cetim amarelo e suas pernas achavam-se cobertas por uma colcha também de cetim amarelo, com dragões bordados. E atrás dele havia alta almofadas do mesmo cetim, nas quais se recostava. Vestia uma camisola de seda vermelha, com s mangas amarradas aos punhos, gola alta cerrando-se ao redor do pescoço, e suas mãos débeis e macias estavam cruzadas, O rosto comprido e estreito parecia pender da testa demasiado ampla e protuberante. Olharam-se, e ele fez-lhe sinal para que se aproximasse. Sakura avançou lentamente, os olhos fixos na face dele. Quando estava perto, tornou a parar.
- Você é a primeira mulher que entra nesse quarto com a cabeça erguida, disse ele numa voz aguda e fina. - Todas tem sempre medo de olhar-me.
- Não estou com medo, disse Sakura de maneira suave e categórica. - Vede, trouxe o meu cachorrinho.
As servas tinham-lhe dito como deveria dirigir-se ao Filho do Céu. Não devia trata-lo como se fosse apenas um mortal, mas como "Altíssimo", "Venerável", e este tipo de palavras de tratamento. Mas Sakura comportava- se perante o Imperador como se fosse um homem.
Acariciou de novo a cabeça macia do cão e olhou para baixo.
- Venha, sente-se ao meu lado, ordenou-lhe. - Diga-me por que não tem medo de mim.
Ela galgou a plataforma e sentou-se na extremidade do leito, encarando-o e segurando o cachorrinho. O pequeno animal aspirou o ar perfumado, espirrou e ela riu.
- Que perfume é esse que faz meu cão espirrar? Inquiriu.
- É cânfora, tornou o Imperador. - Mas conte-me por que não tem medo.
Sakura sentiu o seu olha perscrutando-lhe a face, os lábios, as mãos que acariciavam o cãozinho e tremeu um súbito calafrio, mas recompondo-se rapidamente, forço-se a falar docemente, timidamente, como se fosse ainda uma menina.
-Não temo porque conheço o meu destino, disse ela.
- E como conhece o seu destino? Perguntou ele, começando a divertir-se, os lábio finos curvados para cima, os olhos sombrios agora menos frios.
- Quando fui chamada de minha casa, disse ela na mesma voz doce e tímida, -Entrei no pátio da residência do meu tio, que é meu tutor por que meu pai faleceu, e dirigi-me ao altar que fica debaixo da romãzeira e orei ao deus Kuan Yin. Acendi o incenso e então...
Fez uma pausa, seus lábios estremeceram, tentou sorrir.
- E então? Indagou o Imperador, como que enfeitiçado com aquelas palavras.
- Não havia vento nesse dia, disse ela. - A fumaça do incenso ardente elevou-se em linha reta do sobre o altar. Foi então que ouvi uma voz, me falando claramente.
- E o que dizia essa voz? Sussurrou o Imperador, já com um pouco de medo.
- Dizia que eu deveria ser a clareza de alguém que precisava de minha ajuda. Que deveria guiar este estava com tantos problemas, mais do que merecia Que eu precisava ser uma serva, mas, mais do que isso, uma irmã, que este era o meu chamado.
O Imperador estava boquiaberto.
- E a fumaça do incenso, continuou ela. - Abriu-se numa nuvem fragrante e dentro da nuvem vi uma face...
- A face de um homem, repetiu ele.
Sakura cabeceou afirmativamente, como costumam fazer as crianças tímidas.
- Era o meu rosto? Perguntou ele.
- Sim, majestade. O vosso rosto imperial!
- Oh! Foi apenas o que disse o Imperador naquele momento.
Sakura estava muito feliz, pois notava que seu plano estava dando certo. Ela sabia, depois de muito analisar escritos e livros na biblioteca, e de mandar Tomoio subornar alguns eunucos, que o Imperador era muito superticioso, e que o deus que mais temia era Kuan Yin, pois esse era o deus favorito do professor do Imperador quando esse era ainda uma criança, e ensinara a ele que apenas esse deus ainda fazia milagres, e que todas as suas ordens deveriam ser cumpridas, como sagradas que eram. Quando descobriu isso, arquitetou rapidamente o seu plano, e ia fazer com que o Imperador a tivesse em alto estima, mas nunca a tomasse como concubina que era.
- Mas... mas isso é ótimo! Disse o Imperador. - Meu amado deus me protegeu novamente! Mandou-me alguém para aconselhar-me, e uma mulher, que ninguém desconfiará, e que não poderá almejar tomar meu poder!
E, virando-se para Sakura, continuou:
- Há tantas guerras pelo país, e mais uma nova revolução está iniciando-se. Todos me aconselham, mas todos são também gananciosos, e desejam apenas o meu poder. Minha venerável mãe diz que, como sou o escolhido, todas as minhas decisões ajudaram o povo, mas ela de nada compreende sobre gerras.
E deitando a cabeça no colo de Sakura, começou a soluçar baixinho:
- É tão difícil...Não mereço ser incomodado o tempo todo com tantas perguntas, e ser obrigado a meditar horas sobre as respostas...Deveria apenas aproveitar meus palácios, meus criados...
E enquanto era consolado por Sakura, dormiu.
Passaram-se dois dias, duas noites, e ela continuava ainda no quarto real. Três vezes ele adormecera e cada vez Sakura corria à porta e chamava Tomoio, que entrava na ponta dos pés até o bandoir. Os eunucos já tinham preparado um banho rápido, de modo que à serva bastava derramar água no grande jarro de porcelana e refrescar do novo sua senhora. Trazia roupas limpas, escovava os cabelos de Sakura e enrola-os suavemente. Cada vez depois de terminada a tarefa, Sakura tornava a entrar no quarto imperial e as pesadas portas cerravam-se atrás das cortinas amarelas. No interior do vasto aposento ela sentava-se numa cadeira perto da janela, esperando até que o Imperador acordasse. Sabia agora o que era aquele homem, um pobre ser mimado e egocêntrico, que quando se sentia derrotado, soluçava sobre o peito dela. Aquele era o Filho do Céu!
E rapidamente a permanência de Sakura era do conhecimento de todos, nos dias seguintes. A notícia, transmitida de boca em boca, percorreu todos os pátios como o vento, e certo dia, ao encontrar-se rapidamente com Tomoio, essa disse:
- Todos estão dizendo que nunca uma concubina ficou tanto tempo com o filho do Céu. A própria consorte passou apenas uma noite por vez com ele. Lien, o eunuco, diz que a senhora é a favorita, agora. Não tem mais nada a temer.
Sakura sorriu, mas seus lábios tremiam.
- Dizem isso? Observou, endireitando-se e movimentando-se com a sua graça habitual.
No entanto, depois de banhada, vestida em lindas vestes mandadas pelo Imperador e já de volta em seu quarto, começou a sentir medo novamente. E se o Imperador mudasse de idéia? E se a forçasse, na próxima vez? Ela não agüentava os dias que tivera que passar naquele quarto, e devia permanecer silenciosa enquanto vivesse, pois não podia falar sobre isso, a fraqueza do Imperador, com ninguém. Estava só, e nunca suspeitara que fosse possível tamanha solidão.
Ninguém? Ela tentava negar para si mesma, mas precisava vê-lo... afinal, era ou não era seu parente? Sentou-se na cama, enxugou os olhos e bateu palmas chamando a serva.
- Sim? Perguntou Tomoio, entrando rapidamente, preocupada.
- Mande-me o eunuco Lien, ordenou Sakura
Tomoio afastou-se, ainda em dúvida, para procurar o eunuco que, ela e Sakura haviam comentado, estava sempre muito perto para atender as ordens de Sakura, depois que essa havia virado a favorita. O eunuco veio rápido e ansioso.
- Que desejais, que desejais, minha senhora Fênix? Indagou ele ao chegar a porta.
Sakura afastou a cortina. Tinha vestido um manto escuro e sombrio e sua face estava pálida e grave. Havia sombras sobre seus olhos, porém falou com alta dignidade:
- Traga agora aqui meu parente, meu primo, Shaoran Li.
Continua....
Gente, espero que vcs gostem desse cap. Viu como eu não sou tão malvada... em tudo se dá um jeito, hehehe. Bem, eu enrolei novamente.. era pro Eriol ter aparecido finalmente, mas não deu.. . mas tudo bem..., pelo menos a Tomoio já ta aí... Os fãs do eriol vão gostar, acho, da posição que ele vai ter.... espero...
Valeu, novamente, pelos reviews de vcs! Me deixam muuito feliz!
Júlia: que bom que você ta adorando! Como você viu, ela foi mesmo escolhida, mas vamos ver como vão ficar as coisas entre ela e o Shaoran, ok? Deu,, vc pediu, tá citada.^^
Serenite: Pow, nem sou tão malvada não.. se eu fosse má, a Sakura ia acabar sendo uma concubina comum, e naum foi oque aconteceu, hehe. Que bom que você não achou nenhum erro.. eu tento tomar o máximo de cuidado com isso,espero q vc tenha gostado desse cap.
Lara: Bem, o Imperadpor não é muito bonito não.. mas isso é ateh bom, pq daí não tem risco da Sakura esquecer o Shaoran, neh? Valeu mesmo pelos elogios!
Anna Li kinomoto: Ah, que bom que você gostou!Sua opinião é muito bem vinda! Adoro as suas fics!
Letícia: desculpa se demorei demais pra atualizar. brigada pelo elogio! ^_^
NiNa-Chan: Poxa, todo mundo falando que eu sou má! Hehehe, que bom que vc tá gostando, nem se preocupa que eu vou dar um jeito pra eles ficarem juntos.. (só não sei qual vai ser ainda.. -_-' ) Também acho suas fics muito fofas!
Brigada pra todo mundo que me mandou comentários direto pro e-mail tb.. desculpa não citar vcs agora, mas o chato do hotmail não tá abrindo agora...entao vou responder direto pra vcs por e-mail depois, ok??
