CAPÍTULO 4

Pesadelo no trem

A viagem no Expresso de Hogwarts oferece às Encalhadas prazer...

-Não precisa ter medo... Estou escondendo seu rosto e estamos na última cabine.

...mas medo também...

-Mione está em perigo, precisamos ajudá-la!

-Marjorie, eu não sei se posso agüentar por muito tempo...

...será que todas chegarão a Hogwarts em segurança?


-Eu não sei o que acontece com a minha mãe! – disse Joyce, pela décima vez naquela manhã. Ela e as Encalhadas acabavam de chegar à Estação de King´s Cross. Enquanto seguiam pela estação, empurrando os carrinhos lotados de malas e bagagens, Hermione fez mais uma tentativa, mas falhara novamente; Joyce continuava insistindo em sua ignorância.

-Era o olho que estava sangrando, não era? – questionou Mione, empurrando o carrinho ao lado da amiga. – O olho vermelho? Pode confirmar, Joyce, eu sei que o sangue que pingou no meu braço era do olho dela, eu vi um desenho que fizeram do olho gotejando sangue...

-Mione, não quero falar sobre isso, eu não sei de nada, já disse...

Hermione parou de caminhar; Serena, Lanísia e Alone, que vinham logo atrás, não perceberam isso e colidiram uma após a outra, derrubando malas e livros no meio da estação.

-Mas que droga! – reclamou Alone, massageando o quadril que colidiu no carrinho. – Por acaso parar de andar vai ajudá-la a descobrir alguma coisa, Mione?

-Não, só que... – ela olhou para Joyce, que também havia parado. – Não me conformo com segredos entre as Encalhadas!

-Não é bem um segredo – protestou Joyce. – Acontece que não vejo motivo para contar isso. Não tem nada a ver com a gente, não tem influência alguma na nossa amizade. Por favor, Mione, esqueça isso por enquanto.

-Está bem... – disse Mione, conformando-se. – Vamos andando, ou acabaremos nos atrasando...

Elas atravessaram a passagem para a Plataforma Nove e Meia e chegaram ao Expresso de Hogwarts. Uma vez dentro do trem, caminharam a procura de uma cabine.

-É tão bom ter um homem nos esperando cheio de amor pra dar, em alguma dessas cabines – comentou Hermione, suspirando.

-Ainda melhor quando se tem dois, mané – disse Alone. – Dá pra escolher qual vai ser o prato do dia!!

-Tão bom saber que Encalhadas é só o nome do grupo, e não uma situação – comentou Joyce, fazendo com que todas rissem.

Até quem, aparentemente, não tinha nada a ver com a conversa.

Para Marjorie, a conversa entreouvida era engraçada por outro motivo; fez com que percebesse uma coisa em que até então não havia pensado. Algo que faria com que a Magia do Aprisionamento se tornasse ainda mais eficiente... Estava procurando as características erradas.

Não era o que elas valorizavam em si mesmas o mais importante.

O mais importante era o que os rapazes admiravam nelas.

Reacender velhos conflitos, plantar a discórdia, trazer de volta o que elas deixaram para trás em nome do amor; esse era o caminho para derrubá-las!

E só havia um jeito para descobrir tudo isso...

"Preciso me aproximar delas o quanto antes", ela pensou, esticando o pescoço para fora da cabine e observando o corredor; as Encalhadas ainda andavam a procura de uma cabine. No momento crucial, Marjorie deixaria a cabine para iniciar a sua busca pela base de cada um dos relacionamentos.

Bases que seriam derrubadas por ela.


Joyce parou de chofre no corredor do trem, fazendo com que as meninas se esbarrassem mais uma vez naquela manhã. Virou-se, excitada, para as amigas e comemorou:

-Cabine-macho, cabine-macho!!

-Será que o alerta-macho foi alterado e não fomos avisadas? – perguntou Alone. – O que quer dizer com isso, sua doida?

-Que achei uma cabine só com nossos homens... – disse, afastando o corpo para que as amigas pudessem olhar. Dentro da cabine, encontravam-se Harry, Colin, Juca e Rony. Imediatamente, Alone, Joyce e Hermione pularam dentro da cabine, deixando para trás Lanísia e Serena, visivelmente decepcionadas.

-Oi querida – disseram Harry e Colin ao mesmo tempo, envolvendo Alone num forte abraço.

-Minha vida... – falou Hermione para Rony, agarrando-lhe o pescoço.

-Marido!! – Joyce se alegrou ao ver Juca, pulando no colo dele. Ao sentir algo pulsando dentro da calça de Juca, ela sorriu maliciosa. – Humm... E o Juninho também está aqui...

-Quem é o Juninho? – intrometeu-se Serena, que observava encostada à porta da cabine.

-É a maneira como chamo o "negócio" do Juca – respondeu Joyce. Gargalhadas encheram a cabine; Joyce encheu-se de indignação. – O que foi, é proibido colocar apelidos nas partes íntimas?

Serena olhou decepcionada para Lanísia.

-Cadê o meu Draco?

-Até parece que você esqueceu que o Draco é da Sonserina! – avisou Lanísia. – Ele deve estar com os amigos em alguma das cabines... Acho que devemos continuar procurando. Algo me diz que o Augusto também pode estar voltando no Expresso... Venha comigo!

Elas percorreram o compartimento em que estavam – o último do trem – espiando aqui e ali as cabines, tentando encontrar o rosto pálido e pontudo de Malfoy ou a face séria de Augusto. Serena localizou Draco, reunido com os amigos da Sonserina; ela acomodou-se, sentando-se no colo do namorado, e acenou para Lanísia, que continuou a percorrer o longo corredor do vagão. Demorou, mas ela foi muito bem-sucedida em sua busca; para sua sorte, Augusto ocupava a última cabine e estava sozinho, encostado com a cabeça na janela enquanto lia um livro. Lanísia entrou na cabine sem pestanejar, empurrando a porta com força.

Marjorie a viu desaparecer dentro da última cabine; agarrando a bolsa, entrou no corredor do trem, disposta a se aproximar da cabine invadida por Lanísia. Não fazia idéia de quem mais estaria lá dentro, mas ela ia descobrir. Afinal, Lanísia também dava sinais de não se considerar uma Encalhada, apesar de ninguém vê-la com um namorado. Havia um homem em sua vida, Marjorie tinha certeza disso; identificá-lo era o primeiro passo para descobrir o que retirar dela...


O baque da porta se fechando despertou o professor Augusto; o livro caiu no chão, e, num piscar de olhos, Lanísia estava sobre ele, os seios quase lhe tocando o rosto.

-Oi meu professor sarado! Estava com saudades! – ela lhe falou docemente, enquanto deslizava o corpo, ficando colada a ele; Augusto perdeu o fôlego. O corpo de Lanísia estava tão próximo, as curvas ao alcance de suas mãos... Ela notou sua hesitação, a luta contra os próprios instintos e tranqüilizou-o. – Não precisa ter medo... – ela apontou a varinha para a porta e trancou-a. – Estou escondendo seu rosto e estamos na última cabine. Na certa se alguém olhar verá que formamos um casal bem safado, mas não saberá que você está aqui... Se tirar essa roupa, fica ainda mais difícil a identificação.

-Lanísia, eu...

-Fica peladinho pra mim, fica... – ela mordeu a ponta da orelha de Augusto, arrancando-lhe um gemido de prazer. – Fica peladinho do jeito que eu gosto. Deixe-me tocar em todo o seu corpo, essas roupas só estão nos atrapalhando... – ela recebeu um beijo na nuca, arrepiando-se ao sentir as pontadas provocadas pela barba rala do professor. – Isso, entra no clima... Vamos fazer essa cabine pegar fogo. Quanto mais excitados ficamos, mais nossas respirações se aceleram, as janelas ficam embaçadas, e aí sim estaremos muito seguros... – ela tirou a blusa e propositalmente curvou-se novamente para Augusto, que afundou os lábios na curva dos seios. – Ai, essa sua barba me mata, Augusto, que sensação maravilhosa... – ela teve que parar de falar, incapaz de dizer qualquer coisa, enquanto sentia os dedos de Augusto abrindo-lhe o sutiã. – Aproxime o seu rosto... – ela puxou-lhe o rosto, encostando-o a sua barriga. – Assim ninguém pode vê-lo, e senti-lo assim tão perto é delicioso... Ah, você me desmancha de prazer...

Augusto tirou-lhe o sutiã e jogou-o no chão. Quando voltou ao seu corpo, mergulhou a boca em seus seios; isso fez Lanísia quase desmaiar. A sensação da barba de Augusto estava ali, em seus seios; as mãos dele apalpavam-lhe o traseiro.

-Afunde o rosto neles, você precisa se esconder – ela disse, sorrindo, enquanto se entregava as sensações provocadas pelo seu professor. – Você está muito vestido ainda, lembra que precisa ficar peladinho pra que não te reconheçam... – ela então retirou o colete dele, em seguida passando a desabatoar a camisa. Em sua ânsia de ver o corpo do professor, acabou quebrando três botões, que rolaram pelo chão da cabine. Assim que o livrou da camisa, começou a passar os dedos pelo peito de Augusto, sentindo os músculos do professor, apertando os ombros largos, enquanto ele continuava a brincar com a boca e com a língua em seus seios. – Vamos tirar tudo, professor... Ninguém pode nos ver... – Augusto afastou-se um pouco e viu que o vidro da cabine estava completamente embaçado. Não pôde deixar de sorrir.

-Acho que estamos bem seguros agora...

-Sim, mas poderiam abrir a porta, então temos que tirar tudo – Lanísia empurrou-o de encontro ao banco, arranhou-lhe o peito com as unhas, e foi descendo até chegar a braguilha da calça. Abriu o zíper e puxou a calça e a cueca de Augusto. A excitação do professor já era evidente; ver aquilo a fez morder os lábios de tanto desejo. Diante dos olhos penetrantes de Augusto, Lanísia tirou a calça e, apenas de calcinha, voltou para cima do corpo dele. Augusto tocou-lhe as coxas grossas, dando leves apertões. Ela fechou os olhos, deliciando-se com os toques. – Isso... Vai com mais força agora vai... Ah, assim mesmo, me deixa toda roxa, cheia de marcas... Marcas são lembranças...

-Quero ver tudo... – disse ele, e Lanísia tirou a última peça, ficando nua para o professor.

Augusto ficou imóvel por alguns segundos. Naquele momento, ocorreu a Lanísia que aquela era a primeira vez que ele a via daquela forma. A reversão da Fogueira apagara da mente de Augusto todas as relações que tiveram anteriormente. Pela primeira vez Augusto contemplava sua aluna fogosa, sem nenhuma peça de roupa, e num trem em movimento.

Mas o momento de contemplação não passou de poucos segundos; a vontade era muito intensa para perder-se em contemplações. Augusto puxou-a de volta e os dois começaram a se beijar, dessa vez livres de roupas e de censura, entregues ao momento.

Eles deixaram os corpos rolarem para o chão, onde Augusto subiu no corpo dela; era o que Lanísia tanto desejava. Enquanto Augusto invadia seu corpo, ela ria delirantemente para ele:

-Sou toda sua... me faça sua mulher... acabe comigo, meu professor, vai...

Enquanto o professor arremetia para dentro dela, Lanísia arranhava-lhe as costas, deixando nele as suas lembranças. Agarrava-o com força, como se o quisesse cada vez mais dentro de si, fazer com que aquele momento perdurasse para sempre. O professor gemia, arfava, tão perto de seu rosto... Vez ou outra lhe dava longos beijos nos lábios, sem sair de dentro dela, sempre com aquele desejo implacável a envolver cada movimento...

Na hora que o professor atingiu o clímax, ela já havia se desmanchado por mais de uma vez. Ouvi-lo gemendo com tanta intensidade, no ponto máximo do prazer, a fez alcançar novamente. Os dois sorriram um para o outro, ofegantes, e trocaram mais um beijo. Lanísia afastou os cabelos dele, que estavam caídos sobre a testa, e perguntou:

-É impressão minha ou você continua em ponto de bala?

-Sabe por quanto tempo venho acumulando esse desejo por você? – ele perguntou. – Acho que poderíamos passar o dia inteiro aqui e nos amar por inúmeras vezes.

-Seria uma delícia, porque nem dá vontade de parar – ela respondeu. – Vamos, mais uma vez...

-Não... – ele respondeu, deixando-a e levantando-se. Augusto começou a recolher as roupas espalhadas no chão. – O feitiço que lacrou a porta pode muito bem ser desfeito a qualquer momento, e por mais que não nos reconhecessem, talvez fosse preciso dar explicações. Não é comum fazerem essas coisas aqui no Expresso...

-O que deixa tudo ainda mais especial – disse Lanísia, apanhando o sutiã que o professor lhe atirava. – Por que não fica com ele? Seria mais uma lembrança?

-Não, prefiro as lembranças que você já me deixou nas costas – ele mostrou os arranhões vermelhos a ela. – Vai que alguém descobre esse sutiã, depois vão querer saber de quem é... – ele vestiu a calça, depois respirou fundo. – Nem posso acreditar que fizemos essa loucura... Ou melhor, que eu fiz essa loucura, porque você já é uma desequilibrada...

-Ah eu sou a loucura que faltava em sua vida – ela disse, beijando-o novamente. – Mas foi essa loucura que nos proporcionou esse momento, e, veja... Não deu nada errado.

-Mas deu na casa da Celine... Espero que esse momento aquiete um pouco a sua loucura. Os professores na certa estarão de olho em nós dois. Demos sorte hoje, Flitwick não está no trem.

-Não dá pra prometer nada, Augusto... – ela comentou, colocando a calça. – Você me tira do sério! Se você pudesse ser um pouco menos perfeito, sexy e charmoso, talvez eu conseguisse segurar a onda, mas não dá... Você passa na minha frente e traz todos os pensamentos mais puros e impuros de volta!

Ele deu uma risadinha, enquanto colocava os botões da camisa no lugar com a ajuda da varinha.

-Você também me causa esses transtornos. Com seus decotes, cruzadas de pernas, provocações propositais, aliás... Seu corpo é perfeito, vê-lo diante dos meus olhos, sem poder agir, é uma tortura.

-Digo o mesmo do seu corpo, meu professor saradão... – ela comentou, agarrando-o para mais um beijo. Abraçou-o. – Ah, quando voltarei a te sentir assim, pertinho de mim? – perguntou com a voz triste.

-Chegará o momento em que poderemos ter um ao outro a hora em que quisermos, minha querida – ele disse, sério, beijando-lhe a nuca. – Eu prometo – e, afastando-a com delicadeza, deu-lhe um beliscão no traseiro e abriu a porta com a varinha. – Agora vá, sua danada! Vá!

-Eu te amo, Augusto... Você é meu tudo...

-Você é a minha loucura – ele respondeu, em seguida fazendo sinais para que ela saísse.

Exausto, caiu no banco e não conseguiu conter uma gargalhada. Parecia mentira, ele, Augusto, amando uma aluna dentro do Expresso de Hogwarts! De fato, insanidades só entravam em vida dele através dela. Para ele, loucura tinha um nome, um corpo escultural, uma graça de menina, uma ousadia de mulher: Lanísia.


Ao sair da cabine, Lanísia assustou-se ao ver Marjorie agachada no fundo do trem. Seus batimentos cardíacos se aceleraram; será que a garota tinha visto alguma coisa? Será que imaginava o que tinha acontecido dentro da última cabine, ou, pior, quem estava com Lanísia?

-Marjorie... O que está fazendo aqui? – ela perguntou, preocupada, oferecendo à menina um sorriso falso. – Não devia estar em sua cabine?

-Sim – respondeu Marjorie, falando no seu modo tranqüilo e dócil. – Só estou procurando o meu rato de estimação... – ela notou a expressão de assombro no rosto de Lanísia. – Ah, não fique assim, é um hamster, bem cuidado, não aqueles ratos nojentos...

-Digamos que para mim rato é rato, seja arrumadinho ou não – disse Lanísia, lançando olhares preocupados no chão ao seu redor. – Mas... Você está aqui há muito tempo?

-Não, acabei de vir para cá, achei que ele poderia ter se escondido aqui no fundo do vagão... – e sua tranqüilidade foi o suficiente para que Lanísia acreditasse que a garota nem imaginava o que havia acontecido entre ela e o professor e sequer pensava que um casal havia se enroscado dentro da cabine.

Lanísia então ofereceu a Marjorie um genuíno sorriso.

-Vou-me reunir às meninas. Espero que consiga encontrar o seu rato... digo, hamster.

-Obrigada – agradeceu Marjorie, agarrada à sua bolsa.

Assim que Lanísia ficou de costas, ela puxou um pergaminho da bolsa.

-Se é a loucura que faz a diferença para o professor, e ela que nós vamos tirar... – murmurou Marjorie para si mesma, enquanto fazia a primeira anotação no pergaminho com sua letra que se tornava cada vez mais parecida com a letra de Hermione:

LANÍSIA – Ousadia.


Lanísia retornou à cabine onde a maioria das Encalhadas estava com os namorados. No instante em que entrou, Joyce e Juca faziam planos para o casamento, Alone jogava uma partida de xadrez de bruxo contra Harry e Colin, e Hermione conversava com Rony sobre a formatura. Notando a felicidade da garota, Mione resolveu cutucá-la, enquanto Rony virava-se para dar algumas dicas para Alone, que estava sendo massacrada pelos garotos no jogo.

-O que andou aprontando? – perguntou Mione.

-Sabe quem encontrei na última cabine do vagão? Augusto, meu bem! Peguei-o de jeito dessa vez, e fizemos amor lá mesmo!

-Vocês se pegaram dentro do trem? – perguntou Mione, arregalando os olhos; Lanísia esperava que a amiga bronqueasse por sua ousadia, mas Hermione demonstrou uma pontada de inveja. – Droga, deve ser tão interessante!

-Tudo estava ao nosso favor! Não tinha como perder a oportunidade, não mesmo!

-Pena que não fui até lá, podia ter espionado um pouquinho... – Lanísia deu tapas no braço dela e Mione riu.

Escutaram batidas na porta da cabine; por um momento, as meninas pensaram que era Serena, a única que não estava por ali. Mas quando Lanísia afastou a porta, deparou-se com Marjorie, encolhida diante delas como se estivesse como uma vergonha incontrolável.

-Olá, Marjorie! – cumprimentou Mione. – Tudo bom?

-Sim...

-Está diferente... – observou Hermione. – Mudou a cor dos cabelos...

-Estão tão castanhos quanto os seus, Mione – notou Alone. – Ficou muito bom, Marjorie! A cor combinou com o seu rosto.

-Quando pensei em mudar a cor, logo pensei no cabelo da Hermione... – ela disse, em tom de admiração. – Desculpem aparecer assim de repente, mas perdi o meu hamster e estou chateada... Posso ficar aqui com vocês? Poderíamos conversar sobre meninos outra vez... Vocês podiam me dar novos conselhos amorosos...

-Ah... – Hermione hesitou, olhando para os ocupantes da cabine. – Não pode ser outra hora? Talvez mais tarde, quando já estivermos no castelo, ou amanhã... – percebendo o quanto Marjorie ficou decepcionada, ela acrescentou rapidamente: – Sinto muito, mas estávamos todas com saudades dos meninos. Queremos aproveitar esse momento descontraído no trem... Você entende, não entende?

Marjorie passou o olhar por cada rosto. Ela conhecia aquelas expressões; eram rostos que queriam que ela desaparecesse dali, que os deixasse em paz, mas não o diziam dessa forma. Usavam palavras educadas, fingiam-se de amigos, mas a detestavam. Marjorie não sabia dizer qual era o pior tipo; se aqueles que a empurravam e lhe davam apelidos bizarros ou aqueles que fingiam ser seus amigos.

Não, ela não entendia; ela queria ficar ali, e só podia pensar dessa forma para ser escorraçada da cabine; eles a odiavam, todos eles, na certa iam fazer uma piada imbecil sobre o seu corpo mirrado, a sua aparência, assim que ela fechasse a porta e se afastasse.

Ela tentou quebrar o ódio que talvez transparecesse em seu rosto com um sorriso gentil.

-Eu entendo, é claro... Nós conversamos na escola... Não quero atrapalhar, me desculpem. Com licença.

Ela fechou a porta da cabine, com mais força do que o necessário. As peças do xadrez quase caíram ao chão com o pulo que Alone deu com o estrondo.

-Nossa, será que ela está querendo provar alguma coisa com isso? – perguntou aos amigos. – Será que quer demonstrar que apesar de magricela também tem força?? Da próxima vez ela derruba o trem, mané.

-Acham que ela não gostou do que eu disse? – perguntou Hermione.

-Você não disse nada de ruim – opinou Rony. – Apenas pediu para que ela nos desse licença aqui no trem. Ela quer desabafar com vocês, na certa isso leva tempo e ia acabar nos atrapalhando.

-Mesmo assim...

Alone fechou os olhos e grunhiu, nervosa.

-Mione, se vai começar a se lamentar aqui, saia da cabine também! Vá atrás dela, peça desculpas, saiba se ficou chateada, ache o rato dela, o que for, mas não fique aqui o caminho inteiro se remoendo de preocupação. Isso é irritante!

Hermione ficou calada.

-Ninguém vai me defender não?

-Desculpe, Mione, mas você é assim mesmo...

-RONY!!

-Estou falando a verdade! – ele ergueu as mãos em sinal de paz.

-Está bem, eu vou atrás dela... – disse Mione, abrindo a cabine.

Achou que teria de procurar Marjorie, mas não seria preciso; a garota acabava de alcançar o fim do vagão e, ficando na ponta dos pés para olhar pela janela de vidro, que marcava o fundo do Expresso, observava o exterior. Hermione começou a se aproximar...


Marjorie ouviu os passos e, olhando para trás, viu que era Hermione. Voltando a ficar de costas, levou as mãos aos olhos para enxugar as lágrimas antes que Mione se aproximasse demais. Não queria que a garota presenciasse aquele momento de fraqueza. Tudo o que ela precisava agora era ter sangue-frio para conseguir aproximar-se das Encalhadas.

Se elas não a queriam como amiga, ela ia dar o empurrãozinho necessário para essa amizade. E, segundo a idéia que acabava de lhe ocorrer, esse empurrãozinho ia, de fato, acontecer...

Mione chegou perto e chamou-a:

-Marjorie, posso falar com você?

-Oi! – ela deu uma risadinha. – Claro que sim. Estava olhando para fora, na esperança de ver se o rato por acaso não saiu do trem, mas acho que estava enganada...

-É possível que ele tenha escapado por uma das janelas – pensou Hermione. Envergonhada por sua atitude anterior, ela encontrou uma forma de ajudar a garota. – Sou monitora, tenho autorização para abrir qualquer porta em momentos de urgência, até mesmo essa. Quer que eu abra para você?

-Você... Você pode mesmo? – perguntou Marjorie, levando as mãos à boca.

-Claro que sim – disse Mione, adiantando-se e agarrando a maçaneta da porta. – Tem outro vagão engatado ao Expresso, está carregado de enfeites e roupas para a formatura. Se não encontrarmos nada agora, depois que o trem parar na estação de Hogsmeade verificamos o outro vagão, não tem como acessá-lo com o Expresso em movimento... Vou abrir a porta, você dá uma olhada e se localizar o seu rato nós o atraímos com algum feitiço... Está com a varinha?

Marjorie mostrou a varinha para Mione.

-Ótimo. Mantenha-se afastada, é mais seguro.

Hermione abriu a porta do vagão. Ficou parada na ponta, com os braços segurando a porta, os olhos espremidos enquanto tentava mantê-los abertos em meio à ventania provocada pelo movimento do trem. Marjorie pareceu receosa, de modo que Mione procurou tranqüilizá-la.

-Não tenha medo! Chegue só um pouco mais perto para ver se o hamster não está escondido aqui fora!

Marjorie deu passos cautelosos para observar melhor. De repente, apontou:

-Ali! – exclamou entusiasmada. – Acho que estou vendo!! Vê ali no canto?

-Não – respondeu Mione, espichando o pescoço. – Não estou vendo nada... No canto direito?

-Isso! Depois do engate, perto do outro vagão! Vê agora??

Quando Hermione aproximou-se ainda mais da extremidade do vagão, buscando enxergar o suposto rato perdido, Marjorie sentiu que era o momento. Com força, ela jogou o corpo contra Hermione, que despencou para fora do vagão.


-SOCORRO!! Hermione caiu, Hermione caiu!!

Os berros de Marjorie fizeram a balbúrdia no último compartimento cessar imediatamente. Rony ouviu o nome da namorada e saltou para fora da cabine:

-Meu Deus, o que aconteceu? – perguntou, precipitando-se pelo corredor.

-Vamos! – chamou Alone; percebendo que Joyce não se movia, estalou os dedos diante dos olhos da garota. – O que foi? Congelou é? Mione está em perigo, precisamos ajudá-la!

-Estou com medo do que aconteceu – disse Joyce, segurando os braços de Alone com os dedos trêmulos. – Acho que aconteceu o pior...

-Não diga uma coisa dessas, Joyce – falou Lanísia, agachando-se diante da amiga e lhe acariciando o rosto. – Precisamos ir até lá, talvez nem tudo esteja perdido...

-É, talvez tenha sobrado alguma perna, ou braço, ou talvez a cabeça...

-Deixe de ser trágica! – reclamou Alone. – Se alguém pode fazer alguma coisa por ela... se existir alguma chance, somos nós! Encalhadas, juntas sempre, não é assim que diz o nosso grupo?

-Claro... Vocês têm razão – Joyce levantou-se. – Vamos, Hermione talvez precise da gente...

Ela saiu da cabine de mãos dadas com Alone e Lanísia. O corredor era um caos; os alunos corriam para o fundo do vagão, querendo espiar o que estava acontecendo. Tudo o que elas conseguiam ver era que a porta estava aberta; o céu claro brilhava sobre as cabeças dos estudantes.

-Jamais vamos chegar até lá! – gemeu Joyce, desesperada.

-Vamos sim, mesmo se tivermos que apelar! – falou Alone, puxando a varinha e fazendo com que a ponta soltasse pequenas faíscas. Ela começou a tocar a ponta nos alunos, fazendo-os berrar e afastarem-se, abrindo assim o caminho para ela e as amigas. – Saiam, saiam da frente, ou vão se arrepender...

-Com essa voz psicótica, não precisa nem queimar as pessoas – avisou Joyce aos gritos.

-Não enche Joyce!

Elas conseguiram alcançar o fim do vagão. Rony e Serena estavam lá, mas não avançavam; estavam imobilizados pela cena que se desenrolava diante deles...

Hermione estava viva, mas agarrada ao engate que fazia a ligação entre os vagões – a única coisa que a separava das enormes rodas do Expresso. Marjorie, que estava sentada na ponta do vagão, desceu para socorrer Mione, provocando murmúrios de assombro na multidão.

-O que ela pensa que está fazendo? – gritou Lanísia.

-Já devia ter imaginado que essa garota era suicida – comentou Joyce, escondendo o rosto nos ombros de Serena. – Não quero nem ver, isso acaba com meus nervos...

-O maquinista precisa ser avisado, precisam parar o Expresso! – disse Alone a Rony.

-A Hermione vai cair até conseguirmos passar por todas essas pessoas – disse Rony, a testa brilhante de suor. – A garota é a nossa única esperança de resgatá-la!

-Deixe de ser molenga, mané, vamos até o maquinista, não custa tentar! – ralhou Alone agarrando a mão de Rony e usando a ponta da varinha novamente para afastar os estudantes.

Enquanto isso, Lanísia, Joyce e Serena acompanhavam Marjorie, que havia colocado os pés no engate e, tomando o cuidado em manter uma das mãos presa ao vagão, estendeu a outra na direção de Hermione.

-Vamos, Mione, vire-se e pegue a minha mão! – gritou Marjorie, os cabelos escuros esvoaçando contra o rosto.

-Eu posso cair... – berrou Mione.

-Não vai cair! Vire-se com cuidado, só solte uma das mãos!

-Eu não consigo... – gemeu Mione, com dificuldades até mesmo para falar. – Eu vou cair...

-Não, não vai! É o jeito de sair logo daí, Hermione! É só segurar a minha mão!

Mione virou o corpo lentamente, tremendo muito. Visualizou Marjorie, que lhe oferecia um doce e tranqüilo sorriso.

-Confie em mim. Se perder o equilíbrio, eu seguro você. Vamos, pegue a minha mão, e juntas voltamos para o Expresso!

Parecia simples, mas não era. Mesmo com Marjorie próxima, foi difícil para Hermione erguer-se. Ela tomou a mão que a garota oferecia e levantou-se muito lentamente, com uma careta de pavor fixa no rosto pálido. Não tirava os olhos da face tranqüila e confiante de Marjorie; era mais fácil do que ver os trilhos passando velozmente debaixo dos seus pés, o movimento das rodas, prontas a esmagá-la no menor passo em falso. Conseguiu levantar-se, mas andar naquele minúsculo engate era outro desafio...

-Agora não há o que temer – disse Marjorie. – É só seguir em linha reta, vamos, passo a passo, e minha mão está aqui, confie em mim.

Hermione começou a seguir exatamente como ela dizia. Logo estaria dentro do vagão novamente...

-Não acredito!! – exclamou Serena. – Está dando certo!! Isso, Mione, continue assim!!

Ela, Joyce e Lanísia começaram a aplaudir dentro do trem; tudo parecia ótimo até que o trem sacolejou com força, assustando Hermione. Ela sentiu-se desequilibrar; aferrou-se com força na mão de Marjorie, procurando apoio, mas o impulso dado por ela foi superior à força da garota.

Mione puxou Marjorie e, com dois gritos agudos, elas caíram, uma sobre a outra.

Rápida, Hermione prendeu-se ao engate outra vez; Marjorie caiu sobre o corpo dela.

Cara-a-cara com os trilhos que passavam diante de seus olhos, Marjorie sentiu que podia morrer por causa do próprio plano.


-Eu sabia que não ia dar certo, eu sabia! – lamentou-se Joyce, escondendo o rosto novamente nos ombros de Serena.

-Elas não estão mortas, Joyce! – avisou Serena.

-Não? – Joyce arriscou um olhar e viu a precária situação das duas garotas. – É, mas não estão muito melhor... Mas o que eu queria, não é? Olhar e ver as duas sentadas tomando cafezinho?

-Fique quieta, Joyce, você só piora a nossa tensão – reclamou Lanísia.

Segurando firme no engate, Hermione sentiu que as mãos começavam a suar e tornar-se escorregadias. Sabendo que agora não era apenas a sua vida que estava em jogo, ela gemeu:

-Marjorie, eu não sei se posso agüentar por muito tempo...

-Agüente! – berrou Marjorie em desespero, agarrada ao pescoço de Mione. – Pelo amor de Deus, segure-se firme, por favor...

-Minhas mãos estão suadas... Vamos cair...

-Não! Não solte!! Não faça isso!! – e aumentou o grito para ser ouvida pelas pessoas no trem. – Nos ajudem! De alguma forma, nos tirem daqui!

O trem fez uma curva; Marjorie sentiu a força do vento movimentar seu corpo perigosamente para o lado. Ela agarrou-se com mais força ao pescoço de Hermione, mas não sabia se ia conseguir evitar a queda... O medo a fez prorromper em novas frases de agonia:

-Eu vou cair! Não!! Socorro!! Ajudem-nos!!

E então, milagrosamente, o vento pareceu diminuir; ela olhou para os trilhos e viu-os passando de maneira mais lenta, mais devagar a cada segundo...

Nem podia acreditar... o trem estava parando.

Com a velocidade mais baixa, Marjorie ajeitou-se nas costas de Hermione e esperou.

Imóveis, elas aguardaram até que o Expresso de Hogwarts parasse por completo com uma última baforada de fumaça.

-Parou... – murmurou Marjorie, aliviada. – Não acredito... Estou viva... – riu. Olhou para Hermione, que se erguia com lágrimas nos olhos. – Estamos vivas!!

Elas abraçaram-se, enquanto os estudantes que se aglomeravam no vagão aberto aplaudiam-nas. Centenas de braços ofereceram-se para guindá-las de volta ao trem; Mione agarrou o braço de Lanísia e pulou para dentro do vagão, sendo envolvida pelo abraço dela, de Serena e de Joyce.

-Quer nos matar do coração, sua doida? – perguntou Joyce, chorando.

-Acha o quê, que pulei de propósito?

-Vai saber, depois que a Clarissa saltou da janela, eu não duvido de mais nada!

Marjorie, que também era abraçada e cumprimentada pelos alunos, desviou-se de todos até chegar às meninas. Olhando para Mione, pediu desculpas:

-Lamento o que aconteceu. Tomei um susto... Achei que tinha visto o rato, fiz um movimento brusco e acabei empurrando você... Nossa, se algo tivesse lhe acontecido, não ia me perdoar... – ela baixou o olhar.

-Não diga uma coisa dessas! – falou Mione, segurando as mãos da garota. – Você viu o que fez por mim??

-Foi um ato muito corajoso – comentou Lanísia. – Você arriscou a vida para salvar a Mione.

-Coisa de heroína! – elogiou Joyce.

-Você usa droga, Marjorie? – perguntou Serena. – Tava chapadona então! Eu sabia, ninguém em seu estado normal desceria ali...

-Não é desse tipo de heroína que estou falando, sua anta – disse Joyce, dando um tapa na cabeça de Serena.

Alone e Rony chegaram naquele instante, ansiosos para ver Hermione. Os dois abraçaram-na. Rony deu diversos beijos na namorada, perguntando sem parar se ela não estava machucada, contando a ela o medo que sentiu de perdê-la. Em seguida, ele agradeceu a Marjorie o que tentou fazer por Mione.

-Foi admirável! Você pulando ali, arriscando a própria vida!

-Só fiz o melhor que pude – disse Marjorie, procurando demonstrar o quanto era humilde.

-Hoje vamos comemorar no salão comunal – disse Rony. – É a nossa convidada!

-Isso mesmo, Marjorie – concordou Mione, abraçada ao namorado. – Vamos levá-la até a nossa sala comunal para comemorar com todos nós. E, ainda assim, qualquer tentativa de agradecimento jamais será suficiente para pagar o seu gesto.

O vagão foi fechado e todos voltaram para as suas cabines. Marjorie foi para a cabine em que tanto quis estar, ao lado de Lanísia, Alone, Joyce, Serena e Hermione.

O plano quase acabou mal, mas no fim aconteceu tudo como ela esperava. A partir de agora, teria quantas horas quisesse ao lado daquelas garotas. Jamais iriam desprezar alguém que se arriscou para salvar uma delas.

Já sabia o que retirar de Lanísia; já sabia quem a jovem amava. Ainda faltavam quatro, mas por pouco tempo... Logo a Magia do Aprisionamento seria realizada, e todas fariam jus ao nome Encalhadas.


Assim que chegaram a Hogwarts, todos os estudantes reuniram-se no Salão Principal com aqueles que haviam passado as férias da Páscoa no castelo. O incidente no Expresso corria de boca a boca. Na mesa da Grifinória, ao lado de Rony e das amigas, Mione era alvo de todos os olhares.

-É um tanto complicado conseguir jantar em paz com tantas pessoas olhando – ela reclamou.

-Foi a viagem de trem mais movimentada dos últimos anos – comentou Joyce. – O que você queria? Não vai se falar em outra coisa em pelo menos uma semana...

-Pelo menos ajuda a Marjorie a se tornar popular – disse Serena, percebendo que, na mesa da Lufa-Lufa, um grupo de estudantes se aglomerava em torno da garota para saber como tudo tinha realmente acontecido.

-Existem meios tão fáceis de tornar-se popular... – comentou Joyce – ...e essas meninas nem se dão conta!

-Já imagino que vai falar do seu meio – disse Alone, revirando os olhos.

-Exatamente. É só começar a dar a amiguinha pra todos os caras que pintarem em sua frente, acredite, a popularidade vai pras alturas! E torna-se popular para diferentes grupos de pessoas... – ela começou a enumerar com os dedos. – Para os rapazes, que começam a procurá-la para satisfazerem-se... Esse, aliás, é o primeiro grupo que se manifesta, chegam aos montes, sabendo que têm carne fresca a hora em que precisarem... Bom, vejamos o outro grupo... Ah, sim, o das namoradas dos rapazes... Geralmente são virgens que não liberam a amiguinha, ficam fazendo charme, não apagam o fogo dos namorados e aí eles procuram aquela que sabem que não nega um bom amasso. Com esse grupo é preciso cuidado, as puritanas ficam furiosas... E, por último, torna-se popular com as outras garotas também, com as solteiras mesmo. Elas passam a odiá-la porque dizem que você é muito oferecida, aí começam a chamá-la por todos aqueles apelidos carinhosos: vaca, galinha, vadia... É, esses são só alguns... Esse grupo é o mais chato, porque não tem motivo para intrometer-se, mas se acha no direito de vigiar o seu comportamento.

-Então você acha que seria legal essa Marjorie transformar-se numa vadia para se tornar popular? – perguntou Juca, assustado.

-Não chame esse tipo de garota de vadia – reclamou Joyce, olhando feio para o noivo. – Essa foi uma sugestão para Marjorie se tornar uma garota... vejamos, como posso dizer... Ok, uma garota "livre e solta", acho que assim explica bem... Odeio rótulos, Juquinha.

-Entendemos você, Joyce, mas por mais que na cabeça de Marjorie ela pensasse nela mesma como uma garota livre, portanto solta, as outras pessoas a rotulariam da mesma forma que o Juca fez – disse Lanísia. – Ela se tornaria popular, mas de uma forma negativa...

-Você mesma não se arrependeu de tudo o que fez? – perguntou Alone. – Estava se lamentando sobre isso na noite do noivado, sua louca desmemoriada.

-Para mim foi ruim porque encontrei o Juca – argumentou Joyce, agarrando o garoto. – E cheguei num ponto em que senti que minha vida era vazia, apesar das dezenas de caras...

-Centenas – corrigiu Alone.

-Obrigada por lembrar, sua imbecil, meu noivo está aqui, se você se esqueceu disso – e deu um pontapé na canela de Alone.

-Sua... vaca... – gemeu Alone.

-Pois é, comentários desse tipo não me afetavam. E talvez Marjorie consiga ignorá-los pelo resto da vida. Quem sabe ela não goste de uma vida mais livre, não é? Só saberá se experimentar. Ficará popular rapidinho e, nossa, de uma maneira muito gostosa... – ela mordeu o lábio, examinando o Salão – ...tem cada um aqui em Hogwarts, que nossa, vou te contar...

Alone lhe devolveu o pontapé.

-Pirou menina? – perguntou Joyce, revoltada, já se armando com o bolo de frutas para atacar no rosto da amiga.

-Não, Joyce, só estou lhe dando o mesmo lembrete que você me deu para recordá-la de que seu noivo está bem aqui!

-Ou melhor, estava – corrigiu Serena.

-Estava?? Mas como...? – Joyce olhou para o lado, mas o banco já estava vazio. – Oh, não, Juca, não faz isso... – ela lamentou-se, mas já era tarde; Juca afastava-se a passos largos, saindo do Salão. Joyce conformou-se com a derrota. – É, parece que teremos brigas mais tarde, não percam os próximos capítulos de "A Noiva Que Fala Demais"... Passe-me o suco de abóbora, Rony.

Marjorie aproximou-se da mesa da Grifinória.

-Nem pergunte se pode juntar-se a nós – adiantou-se Rony. – Pode ir sentando-se!

-Vimos que está sendo bastante cumprimentada pelos colegas da Lufa-Lufa – disse Hermione, enquanto Marjorie instalava-se ao seu lado. – Viu como as coisas mudaram? Aposto como fará vários amigos.

-Espero que sim – disse Marjorie. – Pena que foi por circunstâncias tão ruins.

-Dá para ser por circunstâncias melhores e deliciosas – disse Joyce; notando que a olhavam feio, protestou. – O que foi? Será que não entenderam nada do que eu expliquei? Vou ter que enumerar de novo?

-É só olhar para ela que podemos ver que jamais se tornaria uma garota assim – disse Lanísia. – Não vamos deixar que fale sobre essas suas idéias malucas...

-Que idéias?

-Deixe pra lá, Marjorie – disse Serena. – É algo tão imbecil que fez o namorado dela se retirar da mesa.

-Ele vai se acalmar. Sabe o que é, Marjorie, o Juca ficou nervoso quando eu comecei a elogiar os espécimes masculinos da escola, pode? Elogiar a aparência do prato não significa que vamos comer, não é? Mas tenho uma forma de parar qualquer briga...

-Sexo – disseram Mione, Alone, Lanísia e Serena ao mesmo tempo.

-É isso aí! – e Joyce deu um tapa na mesa. – Sexo. É tudo o que meu Juquinha precisa para esquecer qualquer coisa! Ele e a maioria dos homens, pra dizer a verdade...

-Acontece que nem todas têm disposição pra transar depois de uma discussão – disse Alone.

-É, eu tenho – confirmou Joyce com orgulho. – Nada me abala. Brigas, mortes, doenças... – olhou para Marjorie e explicou-se. – Eu tenho um desejo muito intenso, sabe. Uma necessidade constante de me entregar ao amor.

-Em outras palavras, "dar a amiguinha" – disse Alone, piscando para Marjorie.

-Eu quis ser mais delicada diante da garota, Alone, devia aprender a refrear seu vocabulário pervertido!

-Como se fosse eu que inventei o apelido "amiguinha"!

-É mais decente do que chamar de boce...

-Opa, vamos parando por aqui! – exclamou Mione, antes que Joyce completasse o palavrão.

-Acho que é melhor ignorar certas pessoas – disse Joyce, lançando um olhar irritado para Alone e voltando a conversar com Marjorie. – Como ia dizendo, o bom é que o Juca também gosta muito de entregar-se ao ato do amor...

-Mas dessa vez não traduza como "dar a amiguinha", e sim "usar a minhoquinha" – zombou Alone.

-Pode ser minhoquinha, mas pelo menos ele não fica usando em outros homens como seus dois namoradinhos!

-Ei!

-Desculpe, Harry, apesar da alta feminilidade do Colin não posso classificá-lo como mulher.

-Se o visse com a calcinha rosa da Alone...

-Por favor, me poupe dos detalhes – Joyce fechou os olhos. – Nossa, dói só imaginar a cena... – ela recompôs-se, sentando-se. – O bom é isso, Marjorie, eu e o Juca temos tantos hormônios em ebulição, e temos a mesma vontade gigantesca... Por isso eu sei que só preciso me oferecer no meio da briga que ele vem pra cima e esquece qualquer discussão!

-Vamos torcer para que dê certo mais uma vez – ela disse.

-Tenho certeza de que vai.

-Precisa segurar a sua língua, Joyce – recomendou Mione.

-Que nada, não vou usar a língua hoje não, só faço isso nele de vez em quando...

-Quis dizer que precisa ter cuidado com o que fala – explicou Hermione, nervosa.

-Ah sim...

-Conhece muito bem a insegurança do Juca, e acho que ela ficou ainda mais evidente depois que aqueles rapazes apareceram no seu noivado, falando aquelas barbaridades... Ele gosta muito de você, e é importante que sinta o quanto você gosta dele também.

-Ele vai sentir da melhor forma quando eu agarrá-lo no meio da nossa briga... Sou ou não sou a mulher perfeita? Oferecendo prazer no meio do momento de stress...

-Vamos subir agora para a sala comunal? – perguntou Rony. – Lá poderemos farrear mais à vontade!

-Vou falar com o Draco e já subo com vocês – avisou Serena, correndo até a mesa da Sonserina.

-Me esperem em frente ao Salão, só preciso anotar uma coisa... – pediu Marjorie. Aguardou que Joyce, Mione, Rony, Alone, Harry, Colin e Lanísia ganhassem distância e abriu a bolsa. Apoiada na mesa, fez uma nova anotação em seu pergaminho...

JOYCE – Desejo.


A sala comunal estava agitada. Todos receberam Marjorie muito bem. As Encalhadas ajeitaram diversas poltronas diante da lareira, onde conversaram sobre os mais diversos assuntos; vez ou outra, eram obrigadas a relembrar o episódio no trem para os alunos curiosos que se aproximavam.

Serena distraiu-se da conversa quando Lewis e Gina sentaram-se juntos, do outro lado da sala comunal. Gina estava sentada sobre as pernas dele, e Lewis começou a acariciar-lhe as coxas, enquanto trocavam um longo beijo.

-Ele não pode fazer isso com ela... – Serena acabou deixando escapar em voz alta.

-Ãh?? Ele quem? – indagou Joyce, confusa.

Serena parecia não escutar; continuava perdida nos movimentos do casal, nos carinhos que Lewis fazia em Gina – e que não deveria fazer, ela não merecia ter Lewis daquela forma, não merecia...

Marjorie seguiu o olhar de Serena e notou o que a incomodava. Será que a garota não gostava da namorada do irmão? Qual seria o motivo para o incômodo? Qualquer que fosse, o transe foi quebrado por Alone, que estalou os dedos diante dos olhos da amiga.

-Alô, Hogwarts chamando! – disse.

Serena finalmente piscou os olhos e riu, sem graça, para as garotas.

-Desculpem... Não sei o que está acontecendo comigo... – esfregou as têmporas como se a cabeça estivesse dolorida. – Acho que preciso sair um pouco, não estou me sentindo bem aqui dentro...

Ela deixou a sala comunal, não sem antes observar Lewis e Gina mais uma vez. As Encalhadas entreolharam-se.

-Precisamos saber o que está acontecendo – disse Lanísia.

-Eu já tenho uma boa idéia do que seja, mané – falou Alone. Hermione cutucou-a para alertá-la de que não estavam sozinhas. – Mas é bom conversarmos com ela, claro... Meninos... Marjorie... Já voltamos.

-Nem pensar, eu vou com vocês... – ofereceu-se Rony.

-É um assunto só para Encalhadas, Rony – explicou Mione.

-Ah até entendo que os outros garotos devam ficar de fora do assunto, mas eu conheço muito bem o amor da Serena pelo Lewis, as complicações causadas pela Fogueira das Paixões, enfim, a história toda. Sou praticamente uma Encalhada! – ele riu. – Vamos, deixem-me ir. Talvez uma opinião masculina faça a diferença!

Joyce riu.

-E desde quando mulheres precisam de homens para ter idéias inteligentes?

Rony amarrou a cara.

-Mulheres que um dia pensaram em fazer um ritual maluco para atrair homens talvez precisem – ele rebateu.

-Eu gostaria de responder algo grosseiro, Rony... – confessou Joyce – ...mas percebo que você está certo, então tudo bem, venha com a gente.

Eles saíram da sala comunal, na esperança de alcançarem Serena. Marjorie sentiu que aquela podia ser a oportunidade de descobrir algumas das qualidades que lhe faltavam. Disse a Harry e Colin que ia para a sala comunal da Lufa-Lufa, despediu-se e passou veloz pelo buraco do retrato. Uma vez no corredor, viu o grupo formado pelas Encalhadas e Rony entrando em uma das salas de aula. Serena devia estar escondida lá dentro; fechada com suas amigas, começaria a desabafar e com certeza revelar o que havia de ruim no namoro de Lewis e Gina.

Marjorie aproximou-se da porta encostada e escutou...


-Meninas, não têm nada errado... Eu juro pra vocês, é sério...

Serena estava sentada sobre uma das carteiras da sala deserta. Com os braços cruzados, estava de costas para as amigas, procurando evitar o assunto.

-Nem vem com história, Serena, pode falar a verdade – disse Mione. – Estou notando o seu incômodo com a aproximação de Lewis e Gina desde o noivado da Joyce.

-Tá, eu não estou feliz com o que está acontecendo, se querem saber a verdade – ela desceu da carteira. – É sua irmã, Rony, vai querer mesmo ficar aqui pra escutar?

-Imagine que não estou aqui – ele pediu, esgueirando-se para o fundo da sala.

-O que me irrita é a companhia dele, a Srta Gina Weasley! – falou Serena aos gritos. – Com tantas garotas legais, ele foi se juntar logo com ela? Fico inconformada com essa escolha do Lewis, os dois não combinam de modo algum...

-E quem combinaria com Lewis? – perguntou Joyce. Quando viu que Serena não respondia, questionou novamente. – Vamos, quem combinaria com ele?? Não encontra nenhum nome, não é? E você sabe muito bem porque isso acontece! Na sua cabeça, a mulher perfeita para o Lewis, a única que combina com ele é você!

-Está falando bobagem, Joyce...

-Bobagem? Você nem conseguiu pensar em um único nome de garota que seria o par ideal para ele!

-Deu pra ler muito bem o que o seu olhar para os dois significava lá na sala comunal – disse Alone. – Você estava se roendo de ciúmes.

-Seria natural, não? – perguntou Serena. – Vocês nunca sentiram ciúmes de algum irmão? De algum primo, tio, até mesmo do próprio pai?

-Seu caso é diferente, Serena, por que não admite isso? – confrontou Joyce. – O problema, no seu caso, não é ela, é ele! Você queria estar com ele, da mesma forma que a Gina está! Você acha que devia estar no lugar dela. Tem um sentimento de posse por Lewis! Esse sentimento estava adormecido enquanto ele estava solteiro, mas agora vai aflorar, esteja ele com Gina Weasley, Parvati Patil, Susana Bones, com qualquer uma!

A sala mergulhou em silêncio depois que Joyce se calou. Subitamente, os olhos de Serena começaram a brilhar na parca luminosidade. Quando a primeira lágrima escapou, ela conseguiu falar, com a voz embargada:

-Ele é meu irmão... Eu... Eu não posso sentir isso... Ajudem-me...

Antes que ela caísse, as meninas abraçaram-na e a sentaram em uma cadeira.

-Lamento o tom exaltado, mas a solução para o problema só pode ser encontrada quando você o reconhece – disse Joyce, beijando-lhe a testa.

-Nesse caso, não tem solução, de maneira nenhuma... – disse Serena. – Não posso arrancar esse sentimento, esse ódio que brota aqui dentro toda a vez que vejo o Lewis junto com a Gina. Dá vontade de puxá-lo pra fora de mim, mas isso é impossível...

-Você ainda ama o Lewis então... Ama como homem?

-Acho que sim, Mione... Mas amo o Draco também, gosto muito dele, e com ele não faço nada errado...

-O amor nem sempre segue a razão – disse Joyce.

-Incesto é algo proibido pelos bruxos e até mesmo em algumas leis trouxas, sabe disso...

-Sim, mas vocês poderiam dar um jeito nisso. Viverem o amor de vocês longe dos olhos de todos. Seria complicado esconder para sempre, mas por amor vale tudo, não vale?

-Não... Imagine a vergonha se descobrissem! E eu mesma não sei conviver com a idéia de tocar em Lewis, de beijá-lo, sabendo que ele é meu irmão. Eu tenho nojo do que eu sinto, de fazer as coisas que penso. Sou capaz de pensar, mas não de agir...

-Então a idéia que pesa, ao pensar que é errado, é a sua?

-Isso... Sou muito racional. Não saberia me entregar ao Lewis esquecendo tudo isso, as possíveis complicações e todo o resto... – ela apoiou a cabeça no ombro de Alone, a amiga que estava mais próxima. – É um amor impossível... Por isso eu devo esquecer, tentar afastar esse sentimento de que só eu posso fazê-lo feliz como mulher. Mesmo que o Lewis quisesse ficar comigo, eu não conseguiria viver esse amor. Não teria a coragem necessária para enfrentar o pudor em mim mesma, que é ainda mais difícil de enfrentar que o pudor das outras pessoas.

-Acho que devia lutar contra isso, Serena – opinou Mione. – O que você sente pelo Lewis é muito forte! Devia viver esse amor, tirar da sua cabeça que é algo errado.

-Não! Além de tudo tem o Draco. Ele é tão carinhoso comigo... É um ótimo namorado, eu não poderia deixá-lo, não quero deixá-lo.

-Por quê? Acha que vai magoá-lo? Não seria melhor magoá-lo agora do que daqui a alguns anos? Draco é carinhoso, muito bonito, inteligente, mas talvez todas essas qualidades não sejam suficientes. Imagine se você acaba se casando com ele e só então se dá conta do quanto está infeliz!

-Não, Mione, o Draco não me faz infeliz, muito pelo contrário...

-Você então ama os dois, é isso?

-Não... Eu não sei o que eu quero, o que eu amo mais... – ela escondeu o rosto com as mãos. – Eu não sei...

Fora da sala, agachada, Marjorie incluía o nome de Serena ao pergaminho onde já constavam os nomes de Lanísia e Joyce. Aquela conversa deixou claro para ela o que precisava ser retirado da garota:

SERENA – Racionalidade.

-Ela começará a agir sem pensar, e o circo vai pegar fogo... Ficará ainda mais confusa, muito mais perdida... – ela riu baixinho; ouviu passos dentro da sala, então colou o ouvido à porta novamente.

Dentro da sala, os passos de Rony ecoaram, fazendo com que as Encalhadas se lembrassem de sua presença. Hermione achou que havia algo errado com Rony; o rosto estava tão vermelho quanto o cabelo. Será que ele se ofendera com a forma com que Serena expôs a raiva que sentia de Gina? Mione logo soube que estava enganada. O motivo da irritação de Rony tornou-se claro assim que ele falou com Serena...

-Acho que seria bom ouvir a opinião da Hermione. Na certa ela tem tantos elogios para fazer ao Draco que as dúvidas desaparecerão no momento em que ouvi-los!

Mione olhou para as amigas, pressentindo o que vinha pela frente.

-Vamos pra fora, Rony – ela segurou a mão dele. – Acho que precisamos ter uma conversa séria...

Os dois deixaram a sala. Marjorie escondeu-se na sala em frente e permaneceu parada junto à porta. Nem era preciso tanto empenho para escutar... Assim que chegaram ao corredor, Mione encarou Rony e acusou em voz alta:

-Está sendo infantil, Rony.

-Infantil? – ele perguntou, visivelmente alterado. – Vejamos quais foram os adjetivos: carinhoso, inteligente, bonitão, gostosão...

-Não disse tudo isso!

-Mas disse a maior parte! Acha que me esqueci da atração que você sente pelo Malfoy?

Marjorie fez uma breve anotação no pergaminho; a primeira palavra-chave que a ajudaria a descobrir o que retirar de Hermione:

"Ciúmes"...

-Aquilo é passado, Rony. Sabe muito bem que não sinto mais nada...

-Você acabou de elogiá-lo! Continua admirando o Draco, achando-o atraente...

-Ele é o namorado de uma das minhas melhores amigas, e eu sei respeitar isso, Rony! Além disso, já tenho você, não preciso de outra pessoa.

-Mas ainda o acha bonito...

Marjorie anotou outra palavra:

"Atração..."

-Namorar não nos torna cegos, Rony! Você deixou de notar quais garotas são bonitas desde que começamos o namoro? Por que estamos namorando você vai me falar que a Lanísia é feia? Que ela não é atraente?

-Claro que não... Mas não é a mesma coisa, nem adianta tentar comparar! Você nunca me pegou agarrado com ela como eu flagrei você se agarrando com o Draco! Se chegou naquele ponto é porque você o estava desejando, não apenas admirando!

-Aonde quer chegar com isso, Rony?

-Quero dizer que, se tivesse oportunidade, você teria algo com o Draco! Ele não é só atraente pra você... É desejável...

-Rony...

-Não é?

Ela suspirou.

-Se não estivéssemos namorando, e Lanísia desse bola pra você, você não acabaria cedendo ao desejo?

-Sim.

-Mas como namoramos, você não faria nada com ela, por mais que ela seja uma das garotas mais bonitas da escola, estou certa?

-Sim.

-E por que você não faria nada?

Aquela pergunta acalmou Rony; ele conseguiu entender a lógica que a namorada lhe oferecia.

-Porque namoramos e ter algo com ela me faria infiel.

-É esse o ponto, Rony – ela levou uma das mãos ao rosto dele e deslizou-a, sentindo-lhe a pele. – Podemos achar as pessoas bonitas, desejáveis, interessantes, mas jamais pensaremos na hipótese de ter algo com elas porque somos fiéis um ao outro. O que eu sinto por você é maior do que qualquer coisa.

Marjorie sentiu uma euforia sem limites; acabava de definir mais um dos fragmentos...

No corredor, Rony abraçava Hermione...

-Está bem... Foi mal, Mione. Vou tentar esquecer de vez aquela cena, mas ouvi-la elogiando o Draco trouxe tudo de volta...

Na sala, Marjorie seguia o padrão de suas anotações: deslizou a pena no pergaminho e escreveu o que ia retirar de Mione com a Magia do Aprisionamento:

HERMIONE...

-Eu também errei. Não devia ter falado a respeito dele, Rony... Desculpe...

...Fidelidade.


N/A: Muito obrigado pelas reviews!! É muito importante saber se estão gostando da fic, e sinto isso em cada um dos comentários. Até o próximo capítulo! *comentem*