A Porta Bateu
Para Akane, meu amor, porque ela gosta de Camus e Milo
Fanfiction de Shiryuforever94
Anime: Saint Seiya
Gênero: Yaoi (Relacionamento homossexual entre homens)/POV
Beta: Akane Mitsuko
ATENÇÃO: Esta é uma fic yaoi, ou seja, com relacionamento homossexual, sendo bem clara, amor entre dois homens! Se não é sua praia, por favor não leia, não me mande ameaças, não me xingue, cada um na sua. Seja produtivo e arranje outra coisa para ler que tem um montão de histórias por aqui.
DISCLAIMER: Saint Seiya não me pertence, Toei, Kurumada e Shueisha é que ganham horrores com os rapazinhos fofos. Minha intenção é apenas divertir os leitores e dar vazão aos meus sonhos nem um pouco inocentes com esse bando de homens lindos. Gostou de alguma idéia minha? Que bom! Mas sejam bonzinhos e me citem se for o caso. Faço o maior esforço para valorizar as doces autoras que conheço quando uso alguma idéia delas.
LOCALIZAÇÃO TEMPORAL: Esta história se passa logo após a Saga de Hades, todos estão vivos, bronzeados, prateados e dourados. Ressuscitaram por honra e glória de Atena. Explicações dadas? Boa leitura.
Obrigada para as amigas e amigos que deixaram reviews. E, para Litha-Chan, de novo, porque ela merece. Ah, antes que eu seja morta, para a Nina também... E, ok, ok, Aries Sin que me aguenta... XD
Capítulo IV - Final
Flashback
Antes que eu termine de me decidir minhas pernas malucas já me conduziram para o Cabo Sounion e já posso sentir um cosmo dourado muito conhecido por aqui. Ele deve ter sentido o meu... E agora, digo o que? Melhor não ensaiar nada.
- "Vamos resolver essa palhaçada ou não?" – Eu sou Milo, a criatura mais delicada do Santuário...
Fim do Flashback
Camus POV
A voz de Milo é marcial por natureza. Só que não sou um soldadinho qualquer que se arrepia de medo do general do Santuário.
Levanto-me sem dizer palavra. Estou magoado com ele e comigo. Não o encaro, não me viro para ver se ele está me olhando ou não. O vento no Sounion pode ser reconfortante para alguém que adora o frio. A Grécia é muito quente. Não mais que Milo em meus braços, mas não posso pensar nisso. Não agora.
Sinto o cosmo de meu namorado ficar um tanto oscilante e revoltado. Conheço muito bem o jeito dele ser. O orgulho fenomenal dele e, principalmente, sei como irritá-lo. É só fingir que ele não está por perto e que não dou a mínima para ele.
Por que estou agindo assim? Por que Milo precisa aprender que nem tudo é do jeito que ele quer. Eu não sou perfeito, mas ele também não é. Sinto-me um adolescente revoltado, mas na verdade sou apenas um apaixonado ferido.
Tomara que ele consiga entender que eu também preciso ser compreendido, ser acalentado e que preciso dele, desesperadamente. Só que não tão desesperadamente a ponto de me esquecer de mim mesmo e tornar-me um mero seguidor de suas vontades.
Milo POV
Isso não está saindo como planejei. Era para Camus ter olhado para mim e feito algum comentário frio.
Eu já mencionei que os silêncios de Camus podem ser mais cortantes que a Excalibur de Shura? Acho que talvez sejam ainda mais dolorosos que palavras indóceis.
Ele parece ignorar-me totalmente e eu sei que ele sabe que eu ODEIO ser ignorado.
Controle sempre foi meu forte, sangue frio também. Por mais emocionalmente fervente que eu seja, não perco a cabeça por qualquer coisa e sei bem me manter centrado numa situação extrema.
O problema é... Camus não é qualquer coisa e, essa é uma situação extrema?
Talvez seja. Nós dois sempre tivermos divergências, inúmeras, mas não a ponto de nos separarmos. No entanto, ultimamente, creio que andamos brigando mais do antes e ficando separados por mais tempo que antes. A noite passada foi a segunda vez em três anos que dormimos separados.
Saga POV
O dia até que começou bem. Milo passou a noite aqui, o que já foi incrível. Separar o escorpiano de seu namorado é tarefa quase impossível. O interessante é que eles se encarregam de suas próprias separações sem ajuda externa.
Eu disse ao Milo que teria uma de minhas missões, o que é bem normal. Só não expliquei que minha missão foi dada por mim mesmo. Tenho que ajudar aqueles dois cabeças ocas ou ninguém terá paz aqui por alguns dias.
Não que a maioria tenha algo que ver com os namorados alheios, apenas que, sinceramente, ninguém agüenta o grego escorpiano de péssimo humor. Para ser sincero, acho que ninguém agüenta o Camus também. Se Aquário já é bem calado e introspectivo quando está tudo bem, se algo com relação a Milo não está bem, os silêncios dele parecem pesar toneladas e, como colega dele nos trabalhos da Fundação Kido, não desejo para ninguém passar dias inteiros com um silêncio glacial como companhia, ainda mais eu, que adoro conversar.
Não é difícil que eu os encontre. Cabo Sounion foi uma escolha estranha.
- Bom dia Camus, Milo. Vim trazer-lhes missões. Shion suspeita que haja movimentações de milícias armadas em fronteiras da América do Sul. Teremos que prestar algum auxílio. De tal forma, Camus, você irá ao Brasil com Shura por vinte dias e, Milo, você vai comigo para investigar alguns problemas atômicos na Rússia.
- "Nem sobre o meu cadáver!"
Eu realmente precisava dar algumas gargalhadas. Camus e Milo falaram exatamente a mesma frase, ao mesmo tempo. O olhar furioso de Escorpião para mim poderia dar medo em alguém desavisado. Pior foi o ar geladíssimo que emanava de Camus. Eu realmente sou excelente com argumentações verbais. Ora, sou geminiano...
- "Por que não? Algum problema que eu desconheça?" E vamos continuar com a brincadeira.
- "Milo não vai com você a lugar algum!"
Camus NÃO é ciumento... Sei...
- "Camus e Shura? Ficou louco? Desde o meikai que eles andam conversando muito!"
E Milo pode ser bem previsível de vez em quando...
- "Podem me dar alguma motivação específica para desobedecerem Shion? Logo você, Milo? Tão cioso de seus deveres e..."
- "Dever é uma coisa, meu homem se embrenhar em matas com outro cavaleiro é bem diferente!"
- "Ah é? E você passar dias e dias com Saga na Rússia? No frio? Você odeia frio! Nem quero pensar no que fariam para se aquecer."
- "Camus de Aquário, não ouse achar que eu sou volúvel e que me atiro nos braços de qualquer um!"
- "Não foi o que eu disse!"
- "Foi o que você pensou!"
- "E quanto a embrenhar-me em matas com outro cavaleiro? Que pensa que sou? Um qualquer?"
Eu creio que não sou mais necessário no momento. Talvez um passeio a Santorini com alguém que eu adoro seja uma boa idéia no momento. Mal sabem Camus e Milo que Shura será meu namorado... Se tudo der certo.
- "Bem, pelo visto, agora que já demonstraram cabalmente que morrem de ciúmes um do outro e que não admitiriam jamais ficar separados, possam conversar um tanto... Até mais..."
- "Mas, Saga, e as missões?" A voz de Milo era cheia de desconfianças que seriam logo tornadas em certeza.
- "Ora, Milo, sei lá, inventei agora... Até mais."
Fim dos POV
Olhares que não acreditavam e os dois Cavaleiros ficaram ali, pasmados, vendo Saga se afastar. O primeiro a falar foi Camus.
- "Ele pode ser morto a essa distância?"
- "Creio que sim. Agulhas ou esquife?"
- "Hum, acho que o restrição combinado com o execução aurora."
- "Quanta violência, Camus. Nunca o imaginei sanguinário."
- "Ficou frouxo agora, Milo? Não é você o general-marcial-irracional-assassino do Santuário?"
- "E você o homem mais comedido e sem emoções."
Silêncio.
- "Camus..."
- "Milo..."
Olhares.
- "Você não deveria bater a porta com tanta força." Camus suspirou. Seu coração estava bem ali, à sua frente.
- "Gosto quando você a abre para mim."
- "Preferia que não houvesse portas a serem batidas."
- "Você é um enigma para mim, Camus. Nem sempre posso entrar."
- "Nunca o impedi."
- "Mas também nunca facilitou."
- "O que quer de mim?" A intensidade do olhar do aquariano era a prova viva de que ele apenas controlava bem seus sentimentos.
- "Tudo." A voz de Milo tremeu. O único homem capaz de fazê-lo ficar na defensiva. Tinha que ser logo um francês metido a besta?
- "Não sei se posso lhe dar tudo que sou. Você é um eterno mistério para mim, Milo. Não sei se posso dar-me a conhecer inteira e totalmente. Não é de minha natureza, não tenho facilidade em ser um livro aberto e isso parece ser algo que você espera de mim."
- "Devolvo-lhe a pergunta. O que espera de mim?"
- "Nada." Camus observou o ar de interrogação no rosto do namorado. – "Eu simplesmente só quero estar ao seu lado, sem cobranças, sem ciúme, sem ter que explicar-me a todo momento. É tão impossível assim para você não querer me esmiuçar como um inseto estudado num laboratório?" Suspirou e depois revirou os olhos. – "Essa conversa não vai a lugar nenhum, como sempre."
- "Vai sim." Milo chegou mais perto de Camus. – "Eu detesto pedir desculpas."
- "Não peça. Não é preciso."
- "Cale a boca e ouça."
- "Autoritário."
- "Tudo que sempre tivemos foi nossos deveres de Cavaleiro. Só que agora, tenho que me preocupar com outras coisas. Isso é bem difícil para mim."
- "E o que seriam essas outras coisas?" Camus tinha até medo da resposta.
- "Voltar para você, para você jamais ter que sofrer. Por que, se quer mesmo saber, eu sou do jeito que sou, para poder voltar para você. Pois, no fundo de minha alma, sei que você me ama. E magoar seu coração é a única dor que não vou suportar." Milo respirou bem fundo. – "Abra a porta para mim, Camus, só mais essa vez."
- "Eu jamais a fechei, grego maluco." Camus aproximou-se de Milo e tocou-lhe o rosto sério. – "Foi você quem a bateu."
- "Francês idiota. Eu queria chamar sua atenção."
- "Não precisa nada disso. Você chama minha atenção até quando respira."
- "Camus."
- "Milo."
- "Vamos embora." Milo estendeu a mão com um sorriso.
- "Para onde?"
- "Sua casa, minha casa. Qualquer lugar."
- "E o que gostaria de fazer?"
- "O que me der vontade."
- "Geralmente eu gosto de suas vontades."
- "Mesmo quando eu tenho vontade de bater a porta?"
- "Bata quantas vezes quiser."
- "Por que?"
- "Por que eu sempre hei de abrir a porta para você."
Nota da Autora: Ok. Não é assim "O" final. Só que eu gostei do jeito que ficou. Sou acostumada a fazer fanfics de 90 mil palavras, com 15 capítulos e, dessa vez, fiz algo bem leve, sem maiores encucações. Espero que tenham gostado da metáfora e, bem, deixem reviews ué. Ontem foi meu aniversário... Obrigada por lerem. (Foge das pedradas porque não pôs nem um limezinho...)
