Nota: queria agradecer ao apoio das minhas leitoras lindas e maravilhosas, principalmente a Mary-chan, a Ai Linna-chan e a Olg' Austen! Amo vocês, meninas! *_* Esse capitulo é grande, viu?

Boa leitura e não esqueçam das reviews! :3

Capítulo 04 – Tensão

-Ah, antes que eu esqueça, o carro dela tem GPS. Conseguimos achar sua localização. -Hayden entregou um palm para o amigo. –Vá com cuidado, se precisar de alguma coisa, me liga.

-Okay... Se cuida.

Ewan deixou a delegacia com os olhos azuis pregados na tela do palm, que mostrava um ponto vermelho se movendo no mapa. Rachel estava saindo do centro e seguindo em direção à ponte Golden Gate.

Ligou para Eve, pedindo que fosse buscar as meninas no colégio. Não conseguiria trabalhar tranqüilo com elas por perto. Ela não pareceu muito satisfeita com o pedido, mas disse que se encarregaria disso.

Sem mais delongas, o escocês ligou o carro e saiu dirigindo em alta velocidade, tentando seguir o rastro da socialite. Quando já estava deixando a ponte, saindo de São Francisco, conseguiu notar que o utilitário 4X4 preto encontrava-se alguns carros de distância.

Ele fez uma nota mental, agradecendo o fato de possuir um veiculo normal e que nunca atrairia a atenção. Desse modo fica fácil de seguir os outros sem ser notado. Com prudência, foi observando os movimentos que ela fazia.

Percebeu que Rachel seguia para a direção do Las Vegas, no sul do estado. Após cerca de duas horas viajando, chegaram a outra cidade. O lugar parecia completamente diferente de dia, sem todas aquelas luzes acesas de neon.

Ela parou na frente do famoso cassino Aladin e quando saiu do carro, estava acompanhada por dois seguranças fortemente armados, o que chamou a atenção do fotógrafo.

Com seus dedos rápidos, conseguiu tirar pelo menos umas cinco fotos da caminhada que ela fez até a porta do cassino. Pensou em entrar lá dentro também, mas parecia que o estabelecimento estava fechado e abriu as portas apenas receber a cliente.

Isso era realmente estranho. O que será que ela estava fazendo? Com certeza não foi até Las Vegas para ficar jogando em máquinas de azar... Ele ficou parado dentro do carro, com a máquina na mão.

Os minutos foram passando lentamente. Era angustiante ter que ficar esperando que ela saísse do cassino e não fazia a mínima idéia do que estava acontecendo. Só se deu conta que Rachel estava demorando, quando sua barriga começou a roncar de fome.

Ewan sentia-se cansado queria ir logo pra casa. No momento em que pensou sair do carro para tomar uma água, a mulher do secretário deixou o estabelecimento. A máquina não parava de tirar fotos seqüenciais, capturando qualquer movimento.

Os batimentos cardíacos do loiro aumentavam cada vez mais, conforme Rachel entrava no carro, acompanhada dos seguranças. Assim que retornaram para São Francisco, ela foi direto ao gabinete do marido.

-E como estão as coisas por aí? –Hayden perguntou, do outro lado da linha.

-Parece que está começando a ficar interessante... –comentou, observando o movimento no prédio.

-O que? Eles foram num motel? –fingiu surpresa.

-Claro que não! –não agüentou e começou a rir. –Já te falaram que você é muito babaca?

-Ainda não... –ele também ria. –Mas já me chamaram de cachorro, safado... E outras coisas que não convém dizer.

-Ou seja, você não presta. –Ewan mantinha o sorriso nos lábios.

-É mais ou menos. –de repente sua voz ficou séria. –Passa amanhã de manhã lá em casa, ok?

-Posso te acordar então?

-Pode.

-Ok então, até amanhã.

-Quero ver você bem arrumado amanhã loiraça! – Hayden brincou, antes de desligar.

O loiro ficou encarando o celular, soltando uma pequena risada pelo nariz. Tinha ganhado esse apelido de loiraça logo após ter se mudado para os Estados Unidos. O pessoal do colégio ficava implicando o fato dele ter cabelos loiros até os ombros.

Ele ficava irritado quando o chamavam desse jeito, era totalmente pejorativo. Mas a maneira como Hayden fazia era diferente. Possuía um otm de voz diferente dos outros e parecia não ser tão ruim assim.

Porém, não era o momento de ficar lembrando coisas do passado. Voltou sua atenção para o prédio onde ficava o gabinete do secretário. O casal saiu de mãos dadas, conversando. Pareciam realmente entrosados, tanto é que seguiram para casa no mesmo carro. Os seguranças levaram o outro.

Ewan decidiu que tinha feito muito naquele dia e que precisava ir para casa urgentemente. E foi o que fez, sem pensar duas vezes lá estava ele dirigindo para seu doce lar.

Quando se aproximou da casa, notou que havia um veiculo parado em frente, mesmo assim estacionou o seu na garagem e entrou pela porta dos fundos. Encontrou Eve cozinhando alguma coisa muito gostosa no fogão.

-Cheguei... –abraçou-a por trás. –Desculpe não ter ido buscar as meninas hoje, precisavam de mim no trabalho.

-Sem problemas, querido. –ela virou-se para encará-lo. –Você está bem? Parece cansado...

-E estou mesmo... –afundou o rosto no pescoço da esposa.

-Tem um amigo seu esperando na sala. –Eve passou a mão nos cabelos loiros do marido.

-Hayden? –levantou o rosto, parecendo mais animado.

-Não, é o Matt. O jantar está quase pronto...

Ele foi até a sala, onde viu o amigo sentado no sofá, conversando com Clara e Esther, parecia estar explicando como era o trabalho de um jornalista. Quando elas viram que o pai chegou em casa, saíram correndo ao seu encontro, com enormes sorrisos estampados nos lábios.

-Papai! Que bom que chegou... –a mais velha abraçou-o. –Estava com saudades!

-Eu também, minha princesa. –agachou-se e deu um beijo na testa da filha.

-Por que não foi buscar a gente hoje? –a mais nova tinha um olhar parecido com o Gato de Botas do Shrek.

-Desculpem, prometo que não vai se repetir mais, ok? –deu um beijo na testa da outra filha. –Oi Matt, vejo que as meninas já deixaram você à vontade, né?

-Ah, oi Ewan. –ele parecia sem jeito. –Desculpa ter aparecido assim sem avisar.

-Tudo bem... Então, vamos para o escritório conversar. –voltou sua atenção para as meninas. –Papai agora vai estar ocupado, tá bom?

-Quando o jantar estiver pronto, a gente pode te chamar? –Esther ainda segurava na camisa do pai.

-Claro... –levantou o olhar para o amigo. –Você fica para jantar com a gente, Matt?

-Olha, se não for incomodar, gostaria muito. –sorriu, passando a mão no cabelo.

-Então avisem à sua mãe que o tio Matt vai comer também.

Ewan levou sua mochila para o escritório, onde podiam conversar sem nenhuma interrupção indesejada. O jornalista abriu uma maleta e mostrou vários papéis que conseguiu achar na clinica de reabilitação e outros lugares que conseguiu garimpar alguma informação importante.

Parecia que Rachel foi internada nas duas vezes contra a sua vontade e a pessoa que pagava as despesas não era ninguém da sua família. O contrato foi assinado por ninguém menos que Jude Law.

Só que na época eles ainda não eram casados, até porque ela estava namorando outro rapaz, que não era famoso nem rico. Pelo histórico apresentado na ficha, ela havia começado a usar cocaína há pouco tempo, mas era extremamente dependente.

Os surtos de abstinência eram muito fortes e precisava ficar isolada dos outros pacientes. Nos momentos de lucidez, sempre dizia que "não estava errada, os outros nunca prestavam atenção que falava".

Aos poucos, depois de tratamento conseguiu largar o vicio. Porém, isso não durou muito tempo. Após o suicídio do namorado, acabou tendo uma recaída e precisou ser internada novamente.

Dessa vez precisou passar por longo e árduo tratamento. Nessa época, Jude a visitava quase todos os dias, sempre trazendo alguma coisa que a alegrasse. Assim que Rachel saiu da clinica, resolveram viajar para fora do país e se casaram em um castelo na Inglaterra.

No ano de 2004, ele passou a atuar mais intensamente na vida política da cidade de São Francisco. Mesmo sendo novo, tinha planos ambiciosos e logo se destacou. Formou uma parceira com um antigo colega de faculdade de Direito em Harvard e juntos concorreram para prefeito e vice-prefeito.

Acabou que não conseguiram ganhar, mas o prestigio foi tanto que Jude foi convidado pelo governador para ser seu secretário. Desde então, desenvolveu inúmeros projetos para tentar controlar e evitar a criminalidade.

-Aonde achou tudo isso? –Ewan ficou boquiaberto com as informações que Matt conseguiu.

-Passei um tempo pesquisando... –ajeitou os óculos. –Mas o que me chamou a atenção foram essas internações da Rachel.

-Como assim? –acendeu um cigarro e deu uma tragada.

-Sei lá, esse negócio dela começar a usar cocaína do nada e então Jude começar a bancar sua internação... –reclinou-se na cadeira, procurando ficar mais confortável.

-É mesmo, normalmente tem um histórico do uso de alguma droga anterior, como bebida ou maconha. –coçou a barba loira, pensativo.

-Exatamente...

Eve bateu levemente na porta e a abriu.

-O jantar está pronto.

-Ah, obrigado. Já estamos indo... –Ewan apagou o cigarro no cinzeiro.

(...)

Hayden respirou fundo, procurando se manter calmo. Era sempre assim quando se preparava para uma missão em campo. Já estava vestindo uma camisa, calças de tactel e um par de adidas, todos pretos.

Enquanto fechava o colete à prova de bala, sentia o sangue circulando por todo seu corpo, a temperatura aumentando. Seu grupo de dez homens era preparado para esse tipo de situação.

Dividiram-se em dois grupos e cada um seguiu em seu carro de passeio preto, os vidros protegidos pela película escura. Hayden colocou sua touca ninja preta, sob a qual apareciam somente os olhos e a boca, lembrou aos outros que deveriam fazer o mesmo.

A adrenalina começava a alcançar níveis consideravelmente altos, no momento em que se aproximavam do local. Destravou seu fuzil e verificou a quantidade de pentes de balas que tinha disponível, além do visor noturno.

Iriam interceptar um carregamento de drogas e armas que teria como destino as mãos dos criminosos de São Francisco. Quem sabe assim poderia obter informações de como esses produtos chegavam à região...

Afinal de contas, o secretário adorava lembrar ao povo o quanto estava combatendo esses problemas. Então por que eles continuavam a existir na mesma porcentagem que antes? Disso os civis não faziam a mínima idéia.

O motorista estacionou o carro perto das docas, sem fazer barulho. Eles desceram, segurando suas armas e tomando as posições previamente combinadas. Andaram agachados até acharem umas caixas de madeiras, onde poderiam ficar escondidos.

Hayden levantou lentamente sua cabeça, procurando observar a cena com todos os detalhes. Conseguia ver que dois traficantes conversavam tranquilamente, enquanto um grupo de homens retiravam a carga do caminhão e colocavam dentro de um barco, aportado perto.

-Cara, quanto será que deve estar o jogo dos Yankees contra os Dodgers? –o mais alto perguntou, enquanto contava o dinheiro que tinha nas mãos.

-Não sei, só espero que os Yankees ganhem. Apostei uma grana preta neles! –o outro coçou a barba, parecendo entediado.

O detetive voltou a se esconder, fazendo sinais rápidos com as mãos, indicando que existia cerca de uns quinze homens e que poderiam se dividir para cobrir uma maior área.

O policial ao seu lado concordou e repetiu o mesmo sinal, indo com metade do grupo para o lado direito. A outra parte foi para o lado esquerdo, mas Hayden ficou mais atrás, para dar cobertura aos colegas.

As caixas de madeiras espalhadas pelas docas, além dos containeres, ofereciam uma boa proteção e invisibilidade para o alvo. Ele apoiou seu fuzil num equipamento especial e preparou-se.

Quando estava pronto, tendo uma visão completa dos traficantes no visor noturno, avisou os companheiros através do fone no ouvido esquerdo. Como a arma possuía silenciador, os primeiros tiros não foram percebidos, até um dos traficantes reparou que seus amigos começaram a cair mortos à sua volta.

-Merda! Os tiras estão aqui! –ele berrou, avisando os outros.

Foi então que os policiais saíram dos seus esconderijos e começaram a ofensiva. A troca de tiros era intensa, alguns policias ficaram feridos, caídos no chão gemendo de dor. Enquanto os traficantes corriam para o barco, tentando fugir.

Neste momento, o dedo ágil de Hayden apertava o gatilho sem pudor. Os tiros acertaram alguns cabeça, outros no tórax e um deles foi atingido na mão. Esse apoio que estava dando, foi a base para que os policiais pudessem agir massivamente em cima dos traficantes.

Tudo estava indo muito bem, até que um de seus homens, levou um tiro na perna e ele era próximo de Hayden. Haviam trabalho juntos durante muito tempo. Como os traficantes vivos já estavam presos e mantidos perto do caminhão, saiu correndo no socorro do amigo.

-Calma... Tá tudo bem! –disse, apertando a ferida para que parasse de sangrar.

-Atrás de você! –Ted berrou, sua voz rouca.

O reflexo de Hayden foi automático, sua mão buscou a pistola no cinto e atirou rapidamente, mas o traficante também fez seu disparo. Contudo, como não sentiu nada no momento, achou que não foi acertado.

Em alguns minutos, o reforço chegou, trazendo junto as ambulâncias. Mas Ted não sobreviveu ao ferimentos, acabou falecendo ali mesmo, segurando na mão de Hayden. Apesar de sua morte, conseguiram impedir que esse carregamento fosse para as ruas.

Voltou para a delegacia, seu trabalho agora era interrogar os traficantes vivos, saber quais eram suas ligações e os verdadeiros chefes. Mas conforme as horas passavam, sentia uma forte dor na coxa.

-Eu não estou com um humor muito bom, então é melhor você começar a falar... –Hayden levantou-se, franzindo as sobrancelhas. –Se não as coisas podem ficar piores.

-Até parece... –o traficante desdenhou. –Você não pode me ameaçar!

-E quem disse que estou fazendo isso? –um sorriso de escárnio apareceu nos seus lábios. –Não disse nada comprometedor...

-Eu n-não sei de nada! –gaguejou.

-Vamos fazer o seguinte, quem sabe uma noite na cela não refresca sua memória?

Hayden saiu da sala de interrogatório, passando a mão na testa, tentando se acalmar, para aliviar a dor no coxa que começava a ficar insuportável. Resolveu voltar para seu apartamento, não tinha mais condições de continuar trabalhando.

Durante o caminho, sentiu uma forte tonteira e por pouco não acabou batendo o carro. Quando chegou em casa, foi direto ao espelho no banheiro e tirou o colete à prova de bala e a camisa.

Notou que havia uma pequena mancha de sangue na calça e que o tecido estava rasgado. Com muito cuidado, abaixou a calça e viu que tinha levado um tiro de raspão, mesmo assim o local sangrava e estava muito inchado.

Pegou um pano limpo, com água e colocou em cima da ferida. Deitou-se na cama e discou para a única pessoa que poderia ajudá-lo naquele momento.

-Alô? –a voz do outro lado era sonolenta.

-Preciso que venha na minha casa agora...

-Cara, calma eu vou amanhã... –a pessoa parecia despertar aos poucos. –Por acaso você andou bebendo?

-Não, quem dera! Porra, é sério, preciso da sua ajuda. –falava entre os dentes, a dor aumentando. –E traz um kit de primeiros socorros!

-Se feriu?

-É droga! Anda logo... –desligou, gemendo de dor.

Passados alguns minutos, alguém entrava no apartamento e andava até o seu quarto. Hayden levantou os olhos e exibiu um sorriso fraco, mas sincero ao ver que Ewan tinha respondido ao seu apelo.

O amigo estava vestindo uma camisa, bermuda e chinelo. Os cabelos despenteados e o rosto amassado, mostravam que acabara de sair da cama, mas a preocupação estampada no olhar era evidente.

-Você veio!

-Sorte a sua que eu fiz um curso de primeiros-socorros e curativos, quando resolvi viajar sozinho de moto. –disse, enquanto sentava na cama e abria a maleta que trouxe.

-Na verdade, eu tenho sorte é de ter você como amigo. –brincou, movendo-se com dificuldade.

-Fica parado, é melhor para você. –ele colocava as luvas e separava os itens que seriam usados. –O que aconteceu?

-Eu estava interceptando um carregamento de drogas e munição, que poderia ter relações com as nossas investigações e acabei levanto um tiro de raspão na coxa. –olhou para o lado parecendo frustrado.

-Que cara de "quem comeu e não gostou" é essa? –comentou animado, enquanto raspava os pêlos em volta da ferida.

-Ah, foi a primeira vez que eu levei um tiro na vida! –o mais novo voltou sua atenção para o machucado.

-É, parece que você não é mais o "senhor perfeição". –havia um sorriso divertido nos seus lábios. –Agora tem uma mancha no seu currículo!

-Quer para de me zuar? –cruzou os braços.

-Estou apenas te dando um gostinho do que você faz comigo todos os dias...

Neste momento, ele parou de brincar e focou no seu trabalho. Ewan sabia que o correto seria mandar o amigo para o hospital, lá eles iriam dar o devido atendimento. Porém, Hayden tinha fobia desse tipo de ambiente, desde que ficou internado por pneumonia aos treze anos.

Sendo assim, o escocês deveria dar o seu máximo para que o outro não precisasse passar por aquela experiência desagradável novamente. Por isso ele limpou a ferida usando vários anti-sépticos diferentes, para ter certeza de que o lugar não teria risco de infecção.

Estava mais que óbvio que precisaria de uma sutura, só que ele não tinha anestesia e não fazia a mínima noção de como poderia aplicar, então entregou uma garrafa de whisky que trouxe para Hayden.

-Não precisa ficar bêbado, mas é pra evitar que você sinta dor. –o loiro explicou, enquanto preparava a agulha e a linha especiais.

-Ah, isso é fácil. –respirou fundo e bebeu uns três goles de uma vez só. –Me acompanha?

-Claro...

Em poucos minutos, Hayden estava contando piadas sem sentido para o amigo, que o suturava delicadamente. Ewan bebeu apenas dois goles, se não ficaria bêbado também e nunca conseguiria terminar o curativo.

Depois que o ferimento estava devidamente enfaixado e tratado, pôde dar uma relaxada e curtir a bebida junto do mais novo.

-Agora você não vai poder fazer sexo até a ferida cicatrizar. – o loiro disse, bebendo mais um gole.

-Que merda! –não conseguia parar de rir. –Não acredito...

-Você pode até fazer, mas os pontos vão arrebentar e vai ter que ir pro hospital... –deu de ombros, olhando para o teto.

-De jeito nenhum eu vou pra lá... –a voz de Hayden já estava embargada. –Mas sem mulher eu não fico.

-Você é um tarado mesmo... –ele olhou para o amigo. –Só pensa com a cabeça de baixo...

Enquanto tomava mais um gole, sem querer, seu olhar se perdeu no rosto de Hayden. Aqueles lábios carnudos, que estavam entreabertos de uma forma muito tentadora, pareciam convidativos.

Os olhos verde-acinzentados possuíam um brilho diabolicamente irresistível, que o chamava para a perdição. Seria tudo isso fruto do álcool consumido? Ou a pulsação do desejo há muito negado e escondido?

Com muito esforço, Ewan conseguiu descer o olhar do rosto de Hayden para aquele corpo de deus-grego. Observou cada milímetro lentamente, deleitando-se com a visão proporcionada apenas pelo uso de uma cueca box preta. Ah sim, cada reentrância, cada saliência era capaz de fazê-lo pensar em mil modos de explorar a região, como nunca antes feito.

Apesar de o álcool estar fazendo muito mais efeito nele do que no amigo, Hayden conhecia exatamente aquele olhar que Ewan lhe lançava. Era desse modo que fazia com as mulheres que transava, com uma volúpia e cobiça no olhar.

Nunca se sentiu atraído por outros homens, mas com ele as coisas eram diferentes. Ewan sempre era uma exceção na sua vida. Seus sentimentos se embaralhavam e perdia a razão num estalar de dedos, o loiro tinha esse poder sobre ele, desde que se conheceram.

Não soube explicar o motivo, mas conforme o olhar dele se demorava sobre a cueca, sentia que o membro ficava rígido aos poucos. Era excitante o modo como ele fazia, nenhuma outra mulher havia conseguido que Hayden ficasse duro daquele jeito apenas com um olhar.

-Perdeu alguma coisa aí? –brincou, mordiscando o lábio inferior.

-Eu... –ele balançou a cabeça e voltou a encará-lo. –Me desculpe...

-Por acaso está afim de terminar aquilo que começamos há dois anos atrás? –sorriu maliciosamente.

-Não é isso. –passou a mão no rosto, limpando o suor. –Acho que bebi demais, só isso.

-Tem certeza? –ele sentou na cama, aproximando-se do outro. –Então por que me olha desse jeito, como se quisesse me comer?

-P... –sua fala foi interrompida.

-Vai me dizer que você não quer colocar a mão aqui? –o mais novo pegou a mão do loiro, colocando-a sobre seu membro rígido, começando a massageá-lo com ela.

-Hay... –Ewan sussurrou, a voz rouca, conforme seus olhos se fechavam lentamente.

Ele era um homem casado, com duas filhas. Hipoteticamente, não era para estar tendo esse tipo de relação, deveria estar feliz pelo que tinha. Mas de alguma maneira, esse papel de marido e pai às vezes entrava em conflito com o lado rebelde e selvagem que existia dentro de Ewan.

A parte que gostava de sentir adrenalina correndo pelo corpo, a sensação de liberdade na boca. Eve era mulher fantástica, mas há um tempo que a relação deles não era a mesma coisa.

E estar ali, masturbando Hayden por cima da cueca era realmente algo deliciosamente prazeroso. Nunca havia experimentado tal sensação antes e Ewan era o tipo de pessoa que quando começa uma coisa, tem que terminar.

Nota 2: tá...agora vocês podem ter um orgasmo :D
porém, vai acontecer muuuuuito mais coisa no próximo capítulo...hehehe :D